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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.80  suppl.2 Rio de Janeiro June/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962005000900022 

INVESTIGAÇÃO CLÍNICA, EPIDEMIOLÓGICA, LABORATORIAL E TERAPÊUTICA

 

Departamento de oncologia cutânea

 

 

PO55 - Avaliação do conhecimento dos alunos de educação física sobre exposição solar, foto proteção e riscos de câncer da pele

 

Casado AR; Halpern R; Cachapuz R; Weber MB

Universidade Luterana do Brasil - Ulbra - Canoas, RS

 

INTRODUÇÃO: Atualmente está bem estabelecido que a exposição à radiação ultra violeta é um dos principais agentes etiológicos do câncer de pele. Em conseqüência de mudanças dos hábitos de vida com exposição solar excessiva, esse fator tem contribuído para o aumento na prevalência dessa doença. Certamente melhores hábitos de exposição solar e maiores cuidados de foto proteção são indispensáveis para diminuir o número de casos novos que estão aparecendo.
OBJETIVOS: Avaliar o conhecimento dos alunos do curso de Educação Física sobre exposição solar, fotoproteção e câncer da pele e verificar se houve aumento das informações sobre esse assunto durante a faculdade.
MÉTODOS: Estudo analítico transversal, realizado com 665 alunos do curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil. Foi utilizado um questionário auto-aplicável contendo questões sobre exposição solar, fotoproteção e câncer da pele. O processo de amostragem foi probabilístico simples aleatório.
RESULTADOS: Entre os participantes do estudo, 407 eram homens e 256 mulheres, com idades entre 17 a 53 anos. Oitenta e cinco por cento dos alunos nunca assistiram aulas sobre os riscos de exposição solar. Em relação à classificação dos riscos da exposição solar, 73,4% das mulheres acham que o risco é alto, contra 65,1% dos homens. A mídia foi citada por 88% dos alunos, como principal fonte de informação. Setenta e um por cento das mulheres e 62,5% dos homens consideram seus conhecimentos adequados. Foram encontrados relações estatisticamente significativas (p<0,05), quando comparado sexo masculino e feminino, as diferentes idades e os diferentes semestres. Não foi encontrada relação estatisticamente significativa quando questionado, entre os semestres, se os alunos ouviram falar sobre os riscos da exposição solar por intermédio do professor da faculdade. Assim como também, quando perguntados se já tiveram aula sobre os riscos da exposição solar, dos 122 alunos, que representavam o 10º semestre e alunos que ainda cursavam esta fase, 19 (15,6%) disseram que sim e 101(82,8%) disseram que não. Entre os 33 alunos que completaram o 8º e o 9º semestres, 5 (15,2%) responderam já ter tido aula sobre os riscos da exposição solar e 28 (84,8%) disseram que não.
CONCLUSÃO: A maioria dos alunos nunca teve aula sobre os riscos da exposição solar. A mídia foi a principal fonte de acesso a informação, e, em menor porcentagem o professor da faculdade. Na maioria das questões as mulheres apresentaram um maior conhecimento que os homens. Não houve diferença importante em relação ao conhecimento dos alunos no início e no fim do curso.

 


 

PO56 - Queratoacantoma e carcinoma espinocelular de lábio: estudo caso-controle

 

Ribeiro AMQR; Pereira A; Santana Filho JB

Associação de Combate ao Câncer em Goiás - Unidade Oncológica de Anápolis, GO

 

FUNDAMENTOS: O lábio, segundo o Comitê Americano de Câncer, inicia na junção da borda da semi-mucosa com a pele e inclui apenas a superfície vermelha. O câncer de lábio representa cerca de 12% de todos os cânceres de cabeça e pescoço, excluindo os carcinomas de pele não melanoma. Semelhante ao carcinoma espinocelular (CEC) de lábio, o queratoacantoma de lábio, também, ocorre com maior freqüência em homens de pele clara, na faixa etária de 40 a 80 anos, procedentes de área rural. O fator de risco mais importante é a exposição solar prolongada. Outros fatores tais como: tabagismo, etilismo, má higiene oral, sífilis, herpes e contato arsênico são considerados de menor importância. OBJETIVO: Observar os possíveis fatores de risco de CEC e queratoacantoma de lábio que ocorrem mais freqüentemente em nosso serviço.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram incluídos neste estudo 22 casos e 44 controles pareados quanto ao sexo, idade, fototipo e ocupação. Todos que consentiram responderam a um mesmo questionário sobre tabagismo, exposição solar, uso de protetores labiais ou batons, uso de bigode e outros (herpes, lúpus, sífilis ou etilismo). Os controles considerados sadios foram selecionados do mesmo serviço ou de outros serviços que foram para uma prevenção sem nenhuma queixa relacionada a problemas nos lábios.
RESULTADOS: Dos 22 casos, 17 eram do sexo masculino e 5 do feminino, sendo 3 homens e nenhuma mulher portadora de queratoacantoma e 14 homens e 5 mulheres portadores de CEC. A idade média foi 53 anos no sexo masculino e 66 no feminino. A exposição solar foi considerada severa por 18 (81,8%) dos casos (80% mulheres e 88,2% homens) e 35 (79,5%) dos controles (60% mulheres e 88,6% homens). O uso de protetor labial ou batom ocorreu em 1 (20,0%) mulher com CEC contra 7 (70,0%) controles (odds ratio 9,1) e em nenhum (0,0%) homem com CEC contra 1 (5,9%) controle. O relato de tabagismo no sexo feminino com CEC foi 0 (0,0%) contra 1 (11,1%) dos controles e no sexo masculino com CEC foi 13 (76,5%) contra 5 (14,7%) dos controles (odds ratio18,8).
DISCUSSÃO: O CEC é o mais freqüente de todos os cânceres de lábio e a localização preferencial é o lábio inferior com 88 a 98% dos casos. Foi observada, neste trabalho, uma proporção menor 3,4:1 comparado a literatura. Entre os fatores de risco de CEC e queratoacantoma de lábio, a exposição solar severa nos homens e mulheres e o tabagismo nos homens foram os mais relevantes. O uso de protetor labial ou batom foi mais freqüente entre os controles do sexo femenino.
CONCLUSÃO: A exposição solar prolongada parece ser fator de risco para CEC e queratoacantoma de lábio em ambos os sexos. O tabagismo foi um fator de risco importante para os homens. O uso de batons parece ser fator protetor para as mulheres.