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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.80  suppl.2 Rio de Janeiro June/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962005000900029 

CASO CLÍNICO

 

Departamento de cosmiatria dermatológica

 

 

PO96 - Polifenóis de alcachofra: irresponsabilidade e risco!

 

Santos AJC; Castro ACM; Prado LCG; Chaul A; Castro LCM

Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas - Universidade Federal de Goiás - Goiânia, GO

 

INTRODUÇÃO: Nos últimos anos, vêm surgindo produtos que prometem resultados fáceis e rápidos em relação à aparência física. A busca do imediatismo aliada ao desconhecimento, e a compulsão para melhorar o corpo, está levando pessoas a cometer extremismos preocupantes. Assim, ao surgir um novo "milagre estético", não se leva em conta o rigor científico e a novidade passa a ser rapidamente absorvida, sem receio de possíveis efeitos deletérios. Um dos exemplos mais recentes são os Polifenóis de Alcachofra, recentemente proibidos pela ANVISA. No entanto, ainda continuam sendo utilizados irresponsavelmente.
CASO CLÍNICO: Relatamos o caso da paciente L.A.P., 27 anos, procedente de Goiânia, GO, que nos procurou quatro dias após se submeter à aplicação de Polifenóis de Alcachofra por um instrutor de academia da cidade. Apresentava, na região abdominal e flancos, abscessos flutuantes, volumosos e dolorosos que surgiram nos locais de aplicação dois dias após o procedimento. Foi realizada a drenagem das lesões e prescrito antimicrobiano adequado (Cefadroxil 1 g, VO, 12/12h). Paciente evoluiu com regressão da infecção e formação de cicatrizes inestéticas inerentes ao processo de reparação tecidual por segunda intenção, necessária no caso.
DISCUSSÃO: A literatura é escassa em se tratando dessa substância. Publicações científicas trazem alguns relatos pouco convincentes sobre propriedades antioxidantes e preventivas de acidentes cardiovasculares após sua ingestão oral. Não existem citações médicas sobre o seu uso em injeções subcutâneas, que, portanto, não devem ser utilizadas até que novos estudos comprovem sua eficácia e segurança.
MOTIVO DA APRESENTAÇÃO: O caso apresentado é um exemplo claro da irresponsabilidade e do perigo do uso de substâncias utilizadas de maneira inescrupulosa e sem respaldo dos órgãos reguladores. Tem como objetivo maior alertar os colegas e autoridades competentes.

 


 

PO97 - Micobacteriose atípica associada à mesoterapia com polifenóis de alcachofra

 

Carneiro FO; Souza BA; Amorim CJD

Serviço de dermatologia da Universidade do Estado do Pará - Belém, PA

 

INTRODUÇÃO: As micobacterioses atípicas constituem um grupo de doenças causadas por micobactérias com características bem definidas do ponto de vista bioquímico, imunológico e patogênico sendo o Mycobacterium abscessus e o Mycobacterium chelonae duas espécies de crescimento rápido frequentemente associado a surtos epidêmicos alguns destes já descritos relacionados a medicações. Os autores relatam caso de micobacteriose atípica associada a mesoterapia com polifenóis de alcachofra.
RELATO DO CASO: C.T.B., 49 anos, sexo feminino, casada. Paciente refere que cerca de 15 dias após a realização de mesoterapia com polifenóis de alcachofra notou o surgimento no local das infiltrações de nódulos dolorosos que posteriormente se tornaram eritematosos, flutuantes e fistulizaram drenando secreção purulenta de odor fétido. Fez uso de antibióticos tópicos sem melhora do quadro. Ao exame foram observados nódulos eritematosos múltiplos, de consistência endurecida, limites imprecisos, alguns com fístulas drenando secreção purulenta localizados em terço superior das coxas, flanco direito e esquerdo. Os exames complementares realizados foram: Pesquisa de BAAR: positiva Cultura para micobatéria com identificação por PCR-restrição enzimática: isolamento de Mycobacterium abscessus II. O tratamento foi inicialmente antibioticoterapia com a claritromicina, porém como a resposta não foi satisfatória associou-se a ciprofloxacina. Após seis meses de tratamento apresenta cicatrização de algumas lesões porém outras ainda drenam secreção.
DISCUSSÃO: Os surtos epidêmicos de micobacteriose atípica são em geral relacionados a micobactérias de crescimento rápido entre as quais se encontra o Mycobacterium abscessus. Tais surtos ocorrem mais freqüentemente associados à contaminação de equipamento hospitalar em virtude da presença desses patógenos na água e sua resistência aos desinfetantes habituais. Existem alguns relatos na literatura de contaminação de medicamentos. No caso em estudo a infecção ocorreu após mesoterapia com polifenóis de alcachofra, no entanto estudos bacteriológicos da amostra da alcachofra não demonstraram a presença do patógeno, levando a outras hipóteses de contaminação que ainda estão sendo investigadas.
CONCLUSÃO: Trata-se de um caso de micobacteriose atípica associada a injeções com polifenóis de alcahofra causada pelo Mycobacterium abscessus, sendo a origem da contaminação ainda não esclarecida.
MOTIVO DA APRESENTAÇÃO: Demonstrativo.