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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.80  suppl.2 Rio de Janeiro June/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962005000900041 

INVESTIGAÇÃO CLÍNICA, EPIDEMIOLÓGICA, LABORATORIAL E TERAPÊUTICA

 

Departamento de medicina cutânea e interna

 

 

PO303 - Detecção de retinopatia por difosfato de cloroquina: estudo de 102 pacientes com lúpus eritematoso cutâneo crônico (discóide)

 

Rotter A; Marco ES; Oliveira FC; Freitas THP

Clínicas de Dermatologia e de Oftalmologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, SP

 

FUNDAMENTOS: Os antimaláricos têm sido utilizados no tratamento de lúpus eritematoso desde 1950. Em 1957 foram descritos casos de retinopatia em pacientes que faziam uso desta droga. Outros estudos mostraram que a freqüência desse efeito adverso é baixa, alguns autores relacionaram com altas doses, diárias ou cumulativas, ou grandes períodos de uso (>10 anos).
OBJETIVO: Avaliar a freqüência de retinopatia pelo uso de difosfato de cloroquina no tratamento de lúpus eritematoso cutâneo crônico (discóide) e sua relação com dose diária, tempo de tratamento e dose cumulativa total.
CASUÍSTICA E MÉTODOS: 102 Pacientes com lúpus eritematoso cutâneo crônico matriculados no ambulatório de colagenoses da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de SP e para os quais é indicado o tratamento com difosfato de cloroquina. Estes são encaminhados à oftalmologia para a avaliação de fundo de olho antes do início do tratamento e a cada 6 meses após o início deste, para a detecção de possível retinopatia. Excluídos dessas avaliações pacientes com insuficiência renal e/ou hepática.
RESULTADOS/DISCUSSÃO: 102 pacientes foram incluídos neste estudo. A idade de início do tratamento variou de 16 a 80 anos (média de 42,5 anos). A distribuição por sexo mostrou que 19 eram do sexo masculino (18,6%), e 83, do feminino (81,4%), estabelecendo uma relação de 4,3 mulheres para cada homem. Houve predomínio da cor branca (58,8%). A duração do tratamento com difosfato de cloroquina variou de 6 meses a 216 meses (média de 44 meses), sendo que alguns fizeram uso contínuo e outros com intervalos. Os pacientes eram orientados a tomar 250 a 500 mg/dia sendo que a média da dose diária foi de 267mg/dia e a dose cumulativa variou de 45g a 1815g (média de 330g). Antes do início do tratamento foram observadas alterações oculares relacionadas à hipertensão arterial em 8 casos (7,8%), cicatriz de coriorretinite em 3 (2,9%), catarata em 2 (2%), agenesia de papila em 1 (1%) e degeneração macular relacionada à idade compreendendo drusas e alteração do epitélio pigmentar da retina em 4 (3,9%), totalizando 18 casos em 102 pacientes (17,6%). Durante o tratamento não houve qualquer agravamento das mesmas ou o surgimento de outras alterações, que pudessem ser relacionadas ao difosfato de cloroquina.
CONCLUSÃO: Não foram detectados casos de retinopatia pelo uso de difosfato de cloroquina em 102 casos estudados, dados compatíveis aos da literatura mundial. Enfatiza-se a baixa freqüência desse evento no nosso meio, mesmo em pacientes que fizeram uso prolongado, com doses diárias ou cumulativas altas.