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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.81 no.6 Rio de Janeiro Nov./Dec. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962006000600016 

OBITUÁRIO

 

Obituário de A. Rotberg

 

 

 

 

 

O criador e responsável pela adoção da terminologia hanseníase, Abrahão Rotberg faleceu no dia primeiro de novembro de 2006 em São Paulo, capital. Firme em suas convicções e extremamente disciplinado, dedicou grande parte de seus 94 anos à Dermatologia e, especialmente, à hanseníase, além de a sua família.

Nascido em 12 de janeiro de 1912, no Rio de Janeiro, pouco depois da chegada de seus pais, Isaac e Sabina Rotberg, ao Brasil, provenientes da Romênia, fez seus primeiros estudos no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. Com a mudança de seus pais para São Paulo cursou a Faculdade de Medicina (USP), onde se graduou em 1933. Durante uma entrevista declarou orgulhoso: "... sou o único da minha turma que ainda vai ao consultório de dermatologia....", onde realizou, aliás, atendimento de antigos amigos e pacientes até 2003.

Iniciou os primeiros contatos com a hanseníase no último ano de medicina, quando estagiou no Hospital Padre Bento (HPB), na época o mais bem equipado hospital de lepra do país, juntamente com Bechelli e Mendonça de Barros, entre outros. Daí a motivação para elaborar a monografia sobre o teste de Mitsuda (tese de doutoramento). Prosseguiu seus estudos enquanto trabalhava como médico do HPB e publicou seu trabalho mais importante, formulando a teoria da margem anérgica, que seria apresentada por 20% da população sem o Fator N, e, portanto, susceptível geneticamente à forma virchowiana da doença.

Em 1939 apresentou seu estudo sobre o fator N em um congresso de Ciência do Pacífico, realizado em S. Francisco e de lá partiu para um estágio no Skin Cancer Hospital em Nova York. Ao retornar, em 1940, foi nomeado para a Inspetoria de Profilaxia da Lepra, do município de São Paulo, no período mais rigoroso do isolamento compulsório.

Além de nunca ter abandonado a clínica dermatológica, foi membro atuante das Sociedades Brasileiras de Dermatologia e Leprologia, posteriormente Hansenologia. Exerceu várias funções nas políticas de controle da lepra em São Paulo e, juntamente com Bechelli, contribuiu para o melhor conhecimento da doença no Brasil, ganhando os prêmios instituídos pelo Departamento Nacional de Profilaxia da Lepra com as famosas"monografias de lepra".

Na década de 1960, então professor da Escola Paulista de Medicina, foi convidado para a direção do Departamento de Lepra de São Paulo, quando teve a oportunidade de abolir o isolamento compulsório e propor a terminologia hanseníase para a doença, em 1967. A partir de então fez campanha nacional e internacional para a mudança do nome que foi incorporado pelo Ministério da Saúde do Brasil, em 1975. Aplausos!

 

PRINCIPAIS PUBLICAÇÕES:

1 - Rotberg A. Fator "N" de resistência à lepra e relações com a reatividade lepromínica e tuberculínica. Valor duvidoso do BCG na imunização anti-leprosa. Rev Bras Leprol. 1957;25:85-106.

2 - Rotberg A. The influence of allergic factors in the pathogenesis of leprosy. Proceedings of the 6th Pacific Science Congress; 1939. p.977-82.

3 - Rotberg A. The reading of the lepromin test. Int J Lepr. 1939;7:161-6.

4 - Rotberg A. Some aspects of immunity in leprosy and their importance in epidemiology, pathogenesis, and classification of forms of the disease; based on 1529 lepromin tested cases. Rev Bras Leprol. 1937;(Suppl 5):S45-97.

5 - Rotberg A. A "hanseníasis" , the new official name of leprosy in São Paulo, Brazil. Dermatol Int. 1969;8:40-3.

6 - Rotberg A. A 'education on "leprosy" is a dangerous myth'. Int J Lepr. 1972;40:79-80.

7 - Rotberg A, Bechelli LM. Etiopatogenia anatomia patológica da lepra. Tratado de Leprologia. v. II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional; 1944.

8 - Bechelli LM, Rotberg A, Maurano F. Clínica e terapêutica da lepra. v. IV-V. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional; 1944.

9 - Bechelli LM, Rotberg A. Compêndio de leprologia. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde/SNL; 1956.