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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.82 no.4 Rio de Janeiro July/Aug. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962007000400013 

ICONOGRAFIA

 

Dermatologia comparativa: psoríase hiperceratósica*

 

Comparative dermatology: hyperkeratotic psoriasis

 

 

Bruna Duque EstradaI; Patrícia Mesquita Couto de AzevedoII; Carla TamlerIII; João Carlos Regazzi AveleiraIV

IPós-graduanda do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IIPós-graduanda do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Pediatra pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IIIPós-graduanda do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IVPhD em Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor-associado do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro (RJ), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A psoríase possui diversas formas de apresentações clínicas. Lesões hiperceratósicas podem ser observadas e verificam-se na literatura diversas denominações para essas lesões, como elefanthine, rupióide, ostrácea e pseudocórnea. É interessante notar que duas dessas denominações se remetem à semelhança com conchas encontradas nos estudos de conquiliologia: rupióide e ostrácea. Os autores comparam os aspectos morfológicos das variantes da psoríase hiperceratósica com as conchas de diversas espécies de moluscos.

Palavras-chave: Ceratose; Moluscos; Psoríase


ABSTRACT

Psoriasis is a skin disorder with several clinical expressions. Hyperkeratotic lesions may be observed, and have been named rupioid, elephantine, ostraceous and pseudohorny in the literature. It is worth noting that two of such denominations refer to the similarity they bear with shells found by the study of conchology, namely rupioid and ostraceous. The authors compare the morphological aspects of hyperkeratotic psoriasis variants with the shells of different mollusk species.

Keywords: Keratosis; Mollusca; Psoriasis


 

 

A psoríase é doença inflamatória de evolução crônica, que acomete pele e articulações. Ocorre por alterações imunológicas com base genética, podendo ser desencadeada por inúmeros estímulos ambientais. Em relação à clínica, a doença pode apresentar-se de várias formas que recebem designações especiais conforme o padrão lesional ou localização anatômica: psoríase em placas, gutata, eritrodérmica, pustulosa, ungueal e artropática.1 Podem ser encontradas variações na morfologia das placas eritêmato-descamativas. Lesões hiperceratósicas podem ser observadas e verificam-se na literatura diversas denominações para essas lesões, como elefanthine, rupióide, ostrácea e pseudocórnea.2-4 Observa-se, entretanto, que alguns autores não fazem distinção entre essas variações hipertróficas e usam os termos como sinônimos.2 É interessante notar que duas dessas denominações remetem à semelhança com conchas encontradas nos estudos de conquiliologia: rupióide e ostrácea.

Na psoríase rupióide, a lesão tem a superfície escamosa que vai se tornando muito espessa e com crostas fortemente aderidas, dando aspecto de uma estrutura cônica semelhante a um tipo de concha (limpet-like)2,3 de animais do filo Mollusca. Muitos deles são bem conhecidos por suas conchas decorativas, outros são usados na culinária, como lulas e polvos, ou são encontrados nos aquários e jardins, como caracóis e lesmas. Dentro desse filo, encontram-se na classe Gastropoda animais que possuem concha em forma de cone, como a lesma da espécie Pateloida pustulata. Sua concha é formada de carbonato de cálcio e escleroproteínas, muito semelhante à lesão de psoríase fotografada no ambulatório que abrigou este estudo (Figura 1).5

 

 

Seria possível ainda, a respeito da mesma lesão, referir traços que correspondem à variante ostrácea, descrita pela primeira vez por Deutch em 1898 e caracterizada por lesões córneas exuberantes, com face interna côncava e anéis concêntricos de diferentes cores, superfície externa recoberta por escamas aderentes e grossas, lembrando a concha das ostras, como a da espécie ilustrada (Figura 2). Encontrada na região de Marennes, no litoral da França e conhecida como "ostra verde", a ostra apresentada é uma das espécies comestíveis mais apreciadas do mundo.

 

 

Em outro paciente observa-se lesão de psoríase hiperceratósica muito semelhante à concha do caracol da espécie Biomphalaria glabrata, a principal transmissora de esquistossomose mansônica no Brasil. Trata-se de molusco gastrópode de água doce, pertencente à subfamília Planorbidae, que possui concha espiralada calcária, muito semelhante à lesão psoriática em questão, devido à disposição concêntrica e circular das escamas (Figura 3).5

 

REFERÊNCIAS

1. Carneiro SCS, Azulay-Abulafia L, Azulay DR. Dermatoses eritematoescamosas. In: Azulay RD, Azulay DR, editors. Dermatologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. p. 107-16.        [ Links ]

2. Bernardi CDV, Schwartz J, Lecompte SM, Trez EG. Psoríase ostrácea - relato de caso. An Bras Dermatol. 2002;77:207-10.        [ Links ]

3. Murakami T, Ohtsuki M, Nakagawa H. Rupioid psoriasis with arthropathy. Clin Exp Dermatol. 2000;25:409-12.        [ Links ]

4. Griffiths CEM, Camp RDR, Barker JNWN. Psoriasis. In: Burns T, Breathnach S, Cox N, Griffiths C, editors. Rook's textbook of dermatology. Massachusetts: Blackwell Publishing; 2004. p. 35.11-2.        [ Links ]

5. Conchasbrasil.org.br [homepage]. Brasil: Conquiliologistas do Brasil, Inc.; c 2001-2007 [site atualizado em Set. 1994; acesso Abril 2007]. Espécies do Brasil. Disponível em: http://www.conchasbrasil.org.br/conquiliologia/        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Bruna Duque Estrada
Av. Sernambetiba 3300, bloco 01, apt. 1802
22630-010 - Rio de Janeiro - RJ
Tel/Fax: (21) 2491-6067 / (21) 3435-6067
E-mail: bruna.pinto@uol.com.br

Conflito de interesse : Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

Recebido em 26.04.2007.

 

 

* Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 07.05.2007.