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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.83 no.1 Rio de Janeiro Jan./Feb. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962008000100015 

INFORMES
TESE

 

q Efeitos da radiação solar crônica e prolongada sobre o sistema imunológico de pescadores do Recife. Tese de Doutorado defendida em 2007. Área de concentração: Dermatologia. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

Autora: Sarita Maria de Fátima Martins de Carvalho Bezerra

Orientador: Profº Dr. Alberto José da Silva Duarte

Introdução: Os efeitos da radiação ultravioleta sobre o sistema imunológico humano não altamente complexos e alteram alguns componentes da resposta imunológica. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos clínicos, histopatológicos e imunológicos da radiação solar em pesacadores do sexo masculino com mais de dez anos de atividade ininterrupta. Métodos: Um estudo prospectivo, transversal, observacional e analítico, foi realizado para determinar as lesões dermatológicas diagnosticadas pelo exame físico, comparando grupos, para análise de marcadores imunológicos na pele e no sangue, assim como alterações histológicas na pele. Este estudo foi realizado numa comunidade de pescadores, no Pina, no estado de Pernambuco, Brasil. Dezenove pescadores, com tempo médio de profissão de 29,0 ± 10,3 anos, foram incluídos no estudo. As variáveis desta amostra foram: idade, sexo, tipo da pele (segundo classificação de Fitzpatrick) estado civil, grau de instrução, número de filhos, tipo e tempo de atividade profissional, índice de massa corpórea, exposição diária à radiação solar e qualquer tipo de doença atual ou prévia (nos 12 meses anteriores à coleta de dados). As variáveis dermatológicas foram quaisquer alterações em pele, mucosa e anexos. Para comparar a subpopulação de linfócitos no sangue, foram empregados 10 individuos não pescadores, vivendo na mesma região e exercendo profissão ao abrigo do sol. As idades médias igualaram-se a 42,5 ± 16,1 anos. Os marcadores imunológicos da pele e do sangue foram determinados por citômetro de fluxo. O teste de Mann-Whitney, para a hipótese de igualdade, entre os grupos expostos e não expostos ao sol, foi usado. O teste de Fisher foi empregado para análise de independência dos grupos e o teste de Wilcoxon, para comparação dos achados imunológicos e histopatológicos em pele exposta e coberta, todos em igual nível de significância (0,05). Resultados: Comparando pele exposta à coberta, elastose (73,1% contra 23,1%, respectivamente; p=0,03), vasos elásticos dérmicos (78,9% contra 31,6%, respectivamente; p=0,012) e número de células nos segmentos da epiderme entre os cones (5,8 ± 1,08 contra 5,2 ± 0,42; p=0,029) foram significantemente mais freqüentes na pele exposta. Também os marcadores CD45RO+, CD68+ e mastócitos (p=0,040, p<0,001 e p=0,001) foram estatisticamente significantes na pele exposta. O aumento de CD3CD8CD45RO+ no sangue periférico foi mais freqüente em pescadores do que em são em não pescadores (p=0,016). Conclusões: O efeito barreira à penetração da radiação solar, representado por elastose, aumento do número de células nas camadas entre os cones, aumento de melanócitos e da vasculatura térmica, representada pela ectasia, sugere a existência de um efeito de tolerância ao dano da radiação solar, o qual provavelmente inibe a instalação da imunodepressão. Esse efeito é reforçado pelo aumento do CD3CD8CD45RO+ e pelo aumento da expressão da linhagem CD28+, capaz de proteger as células CD4+ da apoptose induzida pelo CD95 (Faz).