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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.83 no.3 Rio de Janeiro May/June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962008000300001 

EDITORIAL

 

O ensino da dermatologia nos finais de semana*

 

Weekend dermatology courses*

 

 

A flagrante e crescente procura da especialização em dermatologia pode ser explicada, pelo menos em parte, por breve análise histórica. Até o início da década de 1970, as quatro grandes áreas médicas (clínica médica, pediatria, ginecologia e cirurgia) reinavam absolutas entre as preferências dos recém-formados. Reflexos, talvez, de uma era romântica – ingênua e ultrapassada para alguns – da medicina sacerdócio.

A partir de então sucederam-se como áreas principais de interesse a cirurgia plástica, prenúncio de uma era marcada pela busca desmedida de beleza e sua elevação a objetivo maior da vida, o diagnóstico por imagem, reflexo do avanço tecnológico representado pelo advento consecutivo da ultra-sonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, e a oftalmologia, pela incorporação de procedimentos cirúrgicos.

Mais recentemente, a endocrinologia e a dermatologia tornaram-se as especialidades da moda. Tal fato poderia ser auspicioso, caso refletisse o progresso dessas áreas e a ampliação dos horizontes de pesquisa. No que diz respeito à nossa especialidade, não há muito a comemorar. Sem subterfúgios ou meias palavras, as razões são fundamental, se não exclusivamente, de ordem financeira. Em cenário no qual o cliente particular representa uma espécie em risco de extinção e o domínio dos convênios determina remuneração indigna, os procedimentos cosméticos surgem como alternativa de baixa complexidade e garantido retorno financeiro.

Além das distorções na imagem da especialidade e de seus praticantes, a procura frenética da dermatologia deu origem à espúria indústria dos cursos de final de semana. Sob o argumento, extremamente palatável aos interessados, de oferecer educação médica continuada e possibilitar a difusão do conhecimento aos que não conseguiram acesso aos cursos formais, tentam disfarçar sua inequívoca vocação comercial empregando neologismos (taxas e custos recebem agora o pomposo nome de "investimento") e acenando com a possibilidade, irreal, de capacitar os egressos a prestar exame de título de especialista da AMB/SBD.

Os Anais Brasileiros de Dermatologia, alinhados às diretrizes educacionais de nossa entidade científica, reiteram a relevância, seriedade de propósitos e qualidade da Educação Médica Continuada em Dermatologia conduzida pela SBD por intermédio de seus órgãos, serviços credenciados, regionais e departamentos especializados. Lamentam, por outro lado, a concessão de créditos pela Comissão Nacional de Acreditação (CFM/AMB) a cursos que receberam parecer contrário da SBD.

 

Bernardo Gontijo
Editor Científico dos Anais Brasileiros de Dermatologia

Silvio Alencar Marques
Editor Científico Associado

Everton Siviero do Vale
Editor Científico Associado