SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.84 número4Caso para diagnósticoCitologia de Tzanck: redescobrindo uma antiga ferramenta diagnóstica índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Anais Brasileiros de Dermatologia

versão impressa ISSN 0365-0596versão On-line ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.84 no.4 Rio de Janeiro jul./ago. 2009

https://doi.org/10.1590/S0365-05962009000400018 

QUAL É SEU DIAGNÓSTICO ?

 

Caso para diagnóstico*

 

 

Francine Batista CostaI; Rodrigo Pereira DuquiaII; Paulo Ricardo Martins SouzaIII; Gerson VettoratoIV; Hiram Larangeira de Almeida JrV

IMédica Dermatologista com formação no Serviço de Dermatologia do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre – Porto Alegre (RS), Brasil
IIPreceptor do Serviço de Residência da Santa Casa de Porto Alegre – Porto Alegre (RS), Brasil. Professor-assistente de dermatologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) – Pelotas (RS), Brasil. Mestre em Epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) – Pelotas (RS), Brasil
IIIPreceptor do Serviço de Dermatologia do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre e mestre em ciências médicas pela Universidade Federal do Rio Grande dos Sul (UFRGS) – Porto Alegre (RS), Brasil
IVPreceptor do Serviço de Dermatologia do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre – Porto Alegre (RS), Brasil
VDoutor em medicina pela Universidade Livre de Berlim (BE), Alemanha. Preceptor do Serviço de Dermatologia do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre – Porto Alegre (RS), Brasil. Professor adjunto de dermatologia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel) – Pelotas (RS), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O eritema elevatum diutinum é vasculite cutânea rara. Caracteriza-se por pápulas e nódulos eritêmato-acastanhados, que podem coalescer formando placas. A região extensora dos membros é a mais acometida, e lesões antigas apresentam aspecto xantomatoso. O exame histopatológico apresenta infiltrado neutrofílico perivascular com depósito dérmico de fibrina, edema endotelial e leucocitoclasia. Apresenta-se um caso de eritema elevatum diutinum sem doença secundária associada.

Palavras-chave: Dapsona; Síndrome de Sweet; Vasculite de hipersensibilidade


 

 

HISTÓRIA DA DOENÇA

Paciente do sexo masculino, 61 anos, branco, agricultor, há cinco anos com lesões em placas no tronco e nodulares principalmente sobre a face extensora das articulações, com caráter progressivo da doença e discreto prurido.

Ao exame clínico, apresentava placas eritêmatovioláceas, infiltradas, endurecidas, com consistência queloidal, localizadas no dorso das mãos (Figura 1), cotovelos, coxas, joelhos, região lombar (Figura 2), mamilos, abdômen e tornozelos. Na investigação laboratorial não houve achado sugestivo de doença infecciosa, autoimune ou neoplásica. O exame histopatológico demonstrou vasculite leucocitoclástica (Figura 3).

 

 

 

 

 

 

Foi realizado tratamento com dapsona na dose de 100mg/dia, com diminuição importante do tamanho das lesões em três meses.

 

COMENTÁRIOS

O eritema elevatum diutinum (EED) é vasculite cutânea rara que acomete principalmente adultos entre 30 e 60 anos, e não apresenta aparentemente predileção por sexo ou raça.1,2 Seus aspectos histológicos caracterizam- se pela vasculite leucocitoclástica com infiltrado de polimorfonucleares e depósito de fibrina no derma.1,3

Hutchinson descreveu a doença pela primeira vez em 1878, sendo nomeada em 1894 por Radcliffe- Crocker e Williams,4 e, em 1929, classificada como vasculite leucocitoclástica crônica.5

Sua etiologia ainda é desconhecida, sendo uma das teorias mais descritas na literatura a de que existam depósitos de imunocomplexos nos vasos dérmicos, os quais seriam decorrentes de altos níveis de anticorpos oriundos de exposição excessiva a antígenos (infecções recorrentes, principalmente por estreptococos). 3,4 Lesões características foram reproduzidas após injeção intradérmica de antígeno estreptocócico.4 Entretanto, mesmo que exista essa associação, a etiologia do EED não pode ser atribuída unicamente a esse fator, já que existem muitos casos associados com doenças autoimunes, reumatológicas e neoplásicas.

O EED tipicamente inicia com máculas ou pápulas eritêmato-violáceas, que coalescem formando placas ou nódulos.1-5 As lesões têm distribuição simétrica e predominam nas superfícies extensoras das articulações. 1,2,4 Lesões tardias são eritêmato-acastanhadas e de consistência firme, lembrando queloides ou xantomas.4,5 Costumam ser assintomáticas, porém o paciente pode ter dor ou prurido, e manifestações extracutâneas, como artralgia e febre, podem estar presentes.1,3,4

O diagnóstico diferencial deve ser realizado com a síndrome de Sweet, dermatite neutrofílica reumatoide, vasculite pustular no dorso das mãos e dermatite herpetiforme. 1,4 Clinicamente, lesões antigas podem ser confundidas com xantoma tuberoso, granuloma anular, nódulos reumatóides e reticulo-histiocitose multicêntrica.1

O curso do EED tende à cronicidade, embora existam casos de involução espontânea após período que varia de cinco a 10 anos.1,4 O tratamento mais utilizado é com dapsona na dose de 50 a 150mg/dia.5 Outras modalidades terapêuticas citadas na literatura são as sulfapiridinas, infiltração de corticoide e corticoides tópicos de alta potência.1,2

Embora a literatura sugira associação com outras enfermidades, a raridade da doença e a presença de viés de publicação devem ser considerados limitações na investigação dos fatores associados ao EED.

 

REFERÊNCIAS

1. Gibson LE, El-Azhary RA. Erythema elevatum diutinum. Clin Dermatol. 2000;18:295-9         [ Links ]

2. Soubeiran E, Wacker J, Hausser I, Hartschuh W. Erythema elevatum diutinum with unusual clinical appearance. J Dtsch Dermatol Ges. 2008;6:303-5         [ Links ]

3. Wahl CE, Bouldin MB, Gibson LE. Erythema elevatum diutinum: clinical, histopathologic, and immunohistochemical characteristics of six patients. Am J Dermatopathol. 2005;27:397-400         [ Links ]

4. High WA, Hoang MP, Stevens K, Cockerell CJ. Late-stage nodular erythema elevatum diutinum. J Am Acad Dermatol. 2003;49:764-7         [ Links ]

5. Grabbe J, Haas N, Möller A, Henz BM. Erythema elevatum diutinum – evidence for disease-dependent leucocyte alterations and response to dapsone. Br J Dermatol. 2000;143:415-20        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Francine Batista Costa
Av: Nilo Peçanha 2863/603
CEP: 91330-001 - Porto Alegre - RS
Tel./Fax: (51) 33283271
E-mail: frc.poa@terra.com.br

 

 

* Trabalho realizado no Serviço de Residência Médica de Dermatologia da Santa Casa de Porto Alegre - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Porto Alegre (RS), Brasil.
Casa de Porto Alegre – Porto Alegre (RS), Brasil.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum
Como citar este artigo: Costa FB, Duquia RP, Souza PRM, Vettorato G, Almeida Junior HL.
Caso para diagnóstico. Eritema elevatum diutinum. An Bras Dermatol. 2009;84(4):429-30.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons