SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.85 issue2Leprosy simulating lichenoid eruption: case report and literature reviewDisseminated superficial porokeratosis in a patient with cholangiocarcinoma: a paraneoplastic manifestation? author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

Share


Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.85 no.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962010000200015 

CASO CLÍNICO

 

Pitiríase versicolor circinada: isolamento de Malassezia sympodialis - Relato de caso

 

 

Valéria Maria de Souza FramilI; Márcia S.C. MelhemII; Maria Walderez SzeszsIII; Elaine Cristina CornetaIV; Clarisse ZaitzV

IProfessora Assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Médica Segundo Assistente da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil
IIPesquisadora científica nível IV do Instituto Adolfo Lutz - São Paulo (SP), Brasil
IIIPesquisadora científica do Instituto Adolfo Lutz - São Paulo (SP), Brasil
IVMestranda em Microbiologia Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) com bolsa de estudo da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - São Paulo (SP), Brasil
VProfessora adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Os autores descrevem caso de pitiríase versicolor circinada, cujo agente etiológico isolado foi Malassezia sympodialis em uma mulher de 34 anos. O isolamento e identificação da Malassezia sympodialis foi em ágar Dixon modificado e o método molecular para confirmação da espécie foi PCR-RFLP (polymerase chain reaction and restriction fragment length polymorphism analysis).

Palavras-chave: Evolução clínica; Malassezia; Pitiríase


 

 

INTRODUÇÃO

A pitiríase versicolor é uma doença de distribuição universal e a Malassezia furfur, até bem pouco tempo, era considerada o único agente etiológico da pitiríase versicolor. A partir da década de 90, várias espécies de Malassezia vêm sendo descritas. O gênero Malassezia é membro da microbiota normal da pele, principalmente do folículo piloso. Necessita de fatores predisponentes para multiplicação e, a seguir,transformação na sua forma parasitária pseudofilamentosa.

O estudo epidemiológico, envolvendo a frequência e distribuição para cada espécie, não é suficiente para o esclarecimento da patogenicidade da levedura, na pitiríase versicolor.1

 

RELATO DE CASO

Paciente do sexo feminino, de 34 anos de idade, branca, referindo manchas pruriginosas na pele, há 5 anos. Ao exame dermatológico, evidenciava lesões foliculares hipocrômicas que evoluíram para lesões eritemato descamativas de aspecto circinado, pruriginosas, acometendo tronco e membros superiores. As lesões apresentavam sinal de Zireli positivo (Figura 1). O exame microscópico direto (KOH_20%) revelou presença de células leveduriformes, em cacho de uva e pseudohifas. O cultivo do material clínico foi realizado em meio de Dixon modificado. O isolamento da Malassezia foi obtido, após 15 dias (Figura 2), e a identificação da espécie foi realizado pelo método de biologia molecular PCR-RFLP (polymerase chain reaction and restriction fragment length polymorphism analysis)2 (Figura 3). Instituiu-se o tratamento com cetoconazol /200mg / dia por 30 dias com regressão total das lesões.

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

As manifestações clínicas da pitiríase versicolor caracterizam-se por lesões maculares múltiplas, inicialmente perifoliculares, com descamação fina. O estiramento da pele afetada pode facilitar a visualização da descamação. Essa manobra é conhecida por sinal de Zireli. A pitiríase versicolor tem variantes clínicas de coloração variável, do branco ao acastanhado, podendo, mais raramente, tornar-se eritematosa, o que justifica a denominação pitiríase versicolor.3

Dentre as variantes clínicas de pitiríase versicolor, a maioria encontrada na literatura é o quadro clínico clássico, em forma de máculas hipocrômicas. Há relatos de formas clínicas menos frequentes, como máculas hipercrômicas, associação de máculas hipocrômicas e hipercrômicas.4-6

Lesões foliculares de pitiríase versicolor são citadas na literatura por alguns autores.5-7 Uma variante clínica, com intensa despigmentação cutânea, pode ocorrer em indivíduos melanodérmicos, denominada acromia parasitária, também é descrita pitiríase versicolor atrófica, forma rara em que as lesões são deprimidas pelo uso prolongado de corticosteroides tópicos.8,9

Há casos de pitiríase versicolor citados na literatura, na região inguinocrural, simulando eritrasma10 e um caso de pitiríase versicolor, mimetizando pitiríase rubra pilar.11

Este caso vem demonstrar uma variante clínica de pitiriase versicolor, com lesões foliculares hipocrômicas, que evoluíram para lesões eritemato descamativas de aspecto circinado, pruriginosas e de evolução crônica . O agente etiológico isolado, a Malassezia sympodialis, necessita de um meio de cultura e temperatura adequados para o seu crescimento e identificação. Após o diagnóstico clínico e laboratorial de pitiríase versicolor, instalou- se o tratamento adequado com excelente resposta terapêutica. O diagnóstico diferencial, realizado com pitiriase versicolor circinada, inclui tinha do corpo, pitiriase rósea, eritema anular centrifugo e até mesmo sífilis secundária.

 

REFERÊNCIAS

1. Crespo Erchiga V, Delgado Florêncio V. Malassezia species in skin diseases. Curr Opin Infect Dis. 2006;15:133-42.         [ Links ]

2. Corneta , Melhem MSC, Chioccola VLP, Pires MC, Keiko LO, Framil VMS, et al. Molecular identification of Malassezia species isolated from pityriasis versicolor and seborrheic dermatitis Brazilian patients. Paris: ISHAM; 2006. (International Society for Human & Mycology.         [ Links ])

3. Zaitz C. Micoses superficiais propriamente ditas. In: Zaitz C, Campbell I, Marques AS, Ruiz LR, Souza VM. Compêndio de micologia médica. São Paulo: Medsi; 1998. p.65-79.         [ Links ]

4. Chetty GN, Kamalam A, Thambiah AS. Pityriasis versicolor: a study of 200 cases in a tropical skin clinic. Mykosen. 1979;22:234-6.         [ Links ]

5. Forjaz MHH, Freire EL, Gama MP, Fischman O, De Lamonica Freire E. Pitiríase versicolor: estudo epidemiológico em voluntários da Universidade Federal de MatoGrosso (Brasil). An Bras Dermatol. 1983;58:249-52.         [ Links ]

6. Framil VMS. Pitiríase versicolor: influência de fatores etiológicos, imunológicos, familiares, constitucionais, clínicos e de hábitos pessoais no seu desencadeamento e na sua recidiva: estudo de uma amostra ambulatorial [tese]. São Paulo: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; 2006.         [ Links ]

7. Maeda M, Makimura KC, Yamaguchi H. Pityriasis versicolor rubra. Eur J Dermatol. 2002;12:160-4.         [ Links ]

8. Aspiroz Sancho MC, Saenz de Santamaria MC, Moreno Borraz LA. Afecciones cutâneas relacionadas con Malassezia furfur. Rev Clin Esp. 1997;197:420-8.         [ Links ]

9. Romano C, Maritati E, Ghilardi A, Miracco C, Mancianti F. A case of pityriasis versicolor atrophicans. Mycoses. 2005;48:439-41.         [ Links ]

10. Aste N, Pau M, Aste N. Pityriasis versicolor on the groin mimicking erythrasma. Mycoses. 2004;47:249-51.         [ Links ]

11. Darling MJ, Lambiase MC, Young RJ. Tinea versicolor mimicking pityriasis rubra pilaris. Cutis. 2005;75:265-7.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Valéria Maria de Souza Framil
Rua Sete de Abril, 296. 1º andar / CJ: 11
01044000 República - São Paulo / SP
Tel./fax:11 9966 1960 11 3257 8978
E-mail: souza.valeria@terra.com.br

Recebido em 28.10.2008.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 27.11.09.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

* Trabalho realizado na Clínica de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e no Laboratório de Micologia do Instituto Adolfo Lutz - São Paulo (SP), Brasil.