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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.85 no.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962010000200019 

IMAGENS EM DERMATOLOGIA TROPICAL

 

Lobomicose

 

 

Carolina TalhariI; Renata RabeloII; Lisiane NogueiraII; Mônica SantosI; Anette Chrusciak-TalhariIII; Sinésio TalhariIII

IDermatologista da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas. Professora de Dermatologia - Universidade do Estado do Amazonas - Manaus (AM), Brasil
IIResidente de Dermatologia da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil
IIIDermatologista da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Caso de lobomicose em paciente procedente da região amazônica brasileira. Essa micose subcutânea, causada pela levedura Lacazia loboi, acomete, frequentemente, homens adultos e foi também diagnosticada em golfinhos. O tratamento depende da apresentação clínica: letrocoagulação, exérese cirúrgica e crioterapia são opções terapêuticas para as lesões localizadas, como a do paciente relatado, enquanto itraconazol e clofazimina, isolados ou em associação, podem ser empregados para lesões disseminadas. Até o presente, não há tratamento adequado para os casos com lesões disseminadas.

Palavras-chave: Fungos; Infecções bacterianas e micoses; Micoses


 

 

A lobomicose é uma micose crônica e as lesões por ela causadas são restritas à pele e ao tecido celular subcutâneo.1 É endêmica na zona intertropical das Américas, sendo a maioria dos pacientes registrados procedente da Amazônia brasileira.2,3 Dois casos autóctones foram relatados na África do Sul.4

A doença é encontrada, em geral, em adultos do sexo masculino. Golfinhos também foram diagnosticados com quadros idênticos aos dos humanos. 5 O agente etiológico, Lacazia loboi, ainda não foi cultivado.6

As lesões queilodiformes são características e acometem, principalmente, os membros inferiores, os superiores e os pavilhões auriculares. As demais regiões, como o tórax do paciente aqui apresentado (Figura 1), são afetadas com menor frequência.1-3

 

 

O diagnóstico é feito mediante o exame clínico e a presença do fungo no exame histopatológico (Figuras 2 e 3) ou citológico.1,2,7 As lesões localizadas podem ser tratadas com eletrocoagulação, crioterapia ou exérese cirúrgica.1-3 Nas lesões disseminadas, pode-se empregar itraconazol e/ou clofazimina.8 Até o momento, não existe tratamento adequado para esses casos.1

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

1. Brito AC, Quaresma JAS. Lacaziose (doença de Jorge Lobo): revisão e atualização. An Bras Dermatol. 2007;82:461-74.         [ Links ]

2. Talhari S, Cunha MG, Schettini AP, Talhari AC. Deep mycoses in Amazon region. Int J Dermatol. 1988;27:481-4.         [ Links ]

3. Talhari S, Cunha MG, Barros ML, Gadelha AD. Jorge Lobo disease. Study of 22 new cases. Med Cutan Ibero Lat Am. 1981;9:87-96.         [ Links ]

4. Al-Daraji WI, Husain E, Robson A. Lobomycosis in African patients. Br J Dermatol. 2008;159: 234-6.         [ Links ]

5. Bermudez L, Van Bressem MF, Reyes-Jaimes O, Sayegh AJ, Paniz-Mondolfi AE. Lobomycosis in man and lobomycosis-like disease in bottlenose dolphin, Venezuela. Emerg Infect Dis. 2009;15:1301-3.         [ Links ]

6. Taborda PR, Taborda VA, McGinnis MR. Lacazia loboi gen. nov., comb. nov., the etiologic agent of lobomycosis. J Clin Microbiol. 1999;37:2031-3.         [ Links ] Erratum in: J Clin Microbiol. 2000;38:2026.         [ Links ]

7. Talhari C, Chrusciak-Talhari A, de Souza JV, Araújo JR, Talhari S. Exfoliative cytology as a rapid diagnostic tool for lobomycosis. Mycoses. 2009;52:187-9.         [ Links ]

8. Fischer M, Chrusciak Talhari A, Reinel D, Talhari S. Sucessful treatment with clofazimine and itraconazole in a 46 year old patient after 32 years duration of disease. Hautarzt. 2002;53:677-81.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Carolina Talhari
Gerência de Dermatologia
Fundação de Medicina Tropical do Amazonas
Rua Pedro Teixeira, 25 - Dom Pedro I
69040 000 Manaus - AM

Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 03.03.2010.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Fundação de Medicina Tropical do Amazonas.

 

 

* Trabalho realizado na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil.