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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.85 no.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962010000200024 

COMUNICAÇÃO

 

Avaliação da frequência de dermatoses no serviço ambulatorial de dermatologia

 

 

Lauro Rodolpho Soares LopesI; Débora KundmanI; Ida Alzira Gomes DuarteII

IResidente do terceiro ano de Dermatologia na Irmandade da Santa Casa de São Paulo (ISCMSP) - São Paulo (SP), Brasil
IIProfessora Doutora em Dermatologia pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP) - São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo do trabalho foi avaliar a prevalência das dermatoses dos pacientes atendidos no ambulatório de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo, no período de junho a outubro de 2005, e comparar os resultados com levantamento semelhante realizado no mesmo serviço, no ano de 1977. Foram analisados os prontuários eletrônicos de 3.011 pacientes atendidos em primeira consulta.

Palavras-chave: Dermatopatias; Estatística; Prevalência


 

 

Levantamento estatístico recente da frequência de dermatoses, em serviço especializado de dermatologia, faz- se necessário, visto que o ultimo trabalho deste tipo foi realizado em 1977,1 a importância do mesmo deve-se à necessidade de bom emprego, de uma política, de prevenção mais eficaz e direcionada às doenças mais prevalentes.1

O Objetivo foi avaliar a prevalência das dermatoses dos pacientes atendidos no ambulatório de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo. Analisaram-se os diagnósticos de 3109 prontuários eletrônicos e manuais, de casos novos atendidos neste ambulatório, no período de 01 de junho a 31 de outubro de 2005. 1

Os dados apresentados no trabalho estatístico realizado em 1977 mostram que, durante aquele ano inteiro, foram atendidos 3005 novos pacientes. Em cinco meses do trabalho atual, foram atendidos 3109 novos casos, dos quais analisados 3011. A partir dessa constatação, pode-se inferir o quanto cresceu a demanda dermatológica no serviço.

Observou-se predominância de mulheres, representando 1683 (56%), com média de idade de 36 anos.

Em ordem decrescente, com relação à frequência das dermatoses foram diagnosticadas: tumores cutâneos, em geral, presentes em 672 (22,32%), dermatoses infecciosas em 652 doentes (21,65%), eczemas em 441 doentes (14,65%), afecções eritemato-descamativas em 283 (9,40%), tumores benignos e cistos em 260 (8,64%), discromias em 222 (7,37%), tumores malignos em 178 (5,91%), foliculites em 153 (5,08%), tumores mesenquimais em 132 (4,38%), tricoses em 114 (3,79%), tumores pré-malignos em 102 (3,39%), urticárias em 48 (1,59%), líquens em 44 (1,46%), doenças do conectivo em 41 (1,36%), pruridos em 38 (1,26%), farmacodermias em 35 (1,16%), onicocriptoses em 35 (1,16%), granulomatoses em 31 (1,03%), erupções pápulo-pruriginosas em 24 (0,39%), erupções pápulo-nodulares em 20 (0,66%), úlceras em 18 (0,6%), hidroses em 17 (0,56%), dermatoses vésico-bolhosas em 17 (0,56%), doença dos vasos em 15 (0,5%), doenças purpúricas em 13 (0, 43%), afecções atrófico-escleróticas em 8 (0,27%) , seguida por outras dermatoses em 54 (1,78%) (Tabela 1).

O grupo dos tumores cutâneos prevaleceu como primeira causa de atendimento, com 672 casos no total (22,32%), contrastando com o grupo mais prevalente no trabalho realizado em 1977, que era dos eczemas (com 40,25%).1 Este correspondeu à 2ª dermatose mais frequente, com 14,65%. No trabalho realizado em 1977, questionou-se a discrepância entre a porcentagem de casos de carcinomas, muito maiores em trabalhos estatísticos realizados nos EUA. Atualmente, nos EUA, Os números encontrados já são semelhantes aos trabalhos estatísticos realizados. Fato este que pode ser explicado pelo melhor conhecimento da população sobre o câncer da pele, graças, em grande parte, as campanhas preventivas e explicativas a respeito do assunto em nosso país.1-5 As zooparasitoses ocupam atualmente a 9ª posição dos atendimentos, antes, encontravam-se na 2ª posição. Isto se deve a provável melhoria, ao longo desses 30 anos, no saneamento básico e maior acesso da população a produtos de higiene e limpeza. O mesmo pode-se dizer das piodermites, que caíram para 12ª posição, antes na 6ª.1,6,7

A pitiríase versicolor, antes a principal dermatose entre as micoses superficiais,1 hoje em dia, perde para as tineas, em grande parte, pelo aumento das onicomicoses, com 114 pacientes diagnosticados. Salienta-se que, mesmo com o grande interesse da população com a estética, diagnósticos relacionados ao tema não estejam presentes no topo da nossa casuística (Gráfico 1).

 

 

Quanto às micoses profundas, tivemos três casos de cromomicose e dois casos de paracoccidiodomicose. Ainda observaram-se três casos novos de leishmaniose e 26 novos casos de hanseníase, mostrando que ainda somos um país endêmico para a doença.

As doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a sífilis, com as campanhas de esclarecimento e o uso difundido de métodos de prevenção, apresentaram diminuição significativa no atendimento (antes com 5,40%, atual 1,96%, e a sífilis antes com 1,96% e atual com 0,53%,).1,6

É importante ressaltar que algumas doenças, ausentes no levantamento anterior, estiveram presentes no atual, tais como: as discromias e as erupções eritemato-escamosas (Tabela 1).

A análise importante feita, em 1977, permanece ainda atual, é a posição modesta da acne na nossa casuística, com 2,89% dos casos naquele ano e 3,62% no presente estudo, em desacordo com a prevalência esperada na população. 1

Em relação à distribuição por sexo, poucas foram as dermatoses mais incidentes no gênero feminino, apenas discromias(2:1), as vasculites e púrpuras(3:1). Chama a atenção a menor predominância de tumores malignos nas mulheres (1,5:1), fato que pode estar refletindo maior cuidado das mulheres com a pele.8,9 (Tabela 1)

 

REFERÊNCIAS

1. Zaitz C, Proença NG, Ferreira AM, Arns VL. Estatísticas do ambulatório de dermatologia da Santa Casa de São Paulo, 1977. An Bras Dermatol. 1979;54:311-24.         [ Links ]

2. Inca.Gov [homepage]. Câncer de pele. Melanoma [Acesso: 02 Fev. 2007]. Disponível em: http://www.inca.gov.br        [ Links ]

3. Gbm.org [homepage]. Atualização científica. [Acesso: 05 Mar. 2007]. Disponível em: http://www.gbm.org.br        [ Links ]

4. Sampaio SAP, Rivitti EA. Dermatologia. 3 ed. São Paulo: Artes Médicas; 2007.         [ Links ]

5. Cancer-Pain.org [homepage on the Internet]. New York: Association of Cancer Online Resources, Inc.; 2007 [cited 2007 Mar 05]. Available from: http://www.cancer-pain.org/        [ Links ]

6. Ministério da Saúde. Guia de vigilância epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde; 2003.         [ Links ]

7. Cucé LC, Neto CF. Manual de dermatologia. 2 ed. São Paulo: Atheneu; 2001. p.451-5.         [ Links ]

8. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Perfil nosológico das consultas dermatológicas no Brasil. An Bras Dermatol. 2006;81:549-58.         [ Links ]

9. Santos Júnior A, Andrade MGG, Zeferino AB, Monte Alegre S, Moraes AM, Velho PENF. Prevalência das dermatoses na rede básica de saúde de Campinas, São Paulo - Brasil. An Bras Dermatol. 2007;82:419-24.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Lauro Rodolpho Soares Lopes
Av. Marechal Castelo Branco 670 Apt.1600 Ilhotas
64001 810 Teresina, PI
Tel./fax: 86 94240202 86 32215631 86 3221 5631
E-mail: laurorsl@yahoo.com.br

Recebido em 07.01.2008.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 18.12.08.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

* Trabalho realizado na Clínica de Dermatologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.