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Anais Brasileiros de Dermatologia
Print version ISSN 0365-0596
An. Bras. Dermatol. vol.85 no.3 Rio de Janeiro June 2010
http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962010000300018
IMAGENS EM DERMATOLOGIA TROPICAL
Pigmentação exógena em pododáctilos simulando isquemia de extremidades: um desafio diagnóstico provocado por artrópodos da classe Diplopoda ("piolhos-de-cobra")*
Carlos Alberto Jatobá LimaI; João Luiz Costa CardosoII; Antônio MagelaIII; Francisco G. M. de OliveiraIV; Sinésio TalhariV; Vidal Haddad JuniorVI
IMédico Veterinário da Gerência de Animais Peçonhentos, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil
IIMédico da Gerência de Animais Peçonhentos, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil
IIIMédico da Gerência de Animais Peçonhentos, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil
IVMédico da Gerência de Animais Peçonhentos, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil
VMédico dermatologista, Diretor Presidente, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil
VIMédico dermatologista, Professor Assistente da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista - São Paulo (SP), Brasil
RESUMO
Um paciente de 24 anos relatou ter pisado em um "piolho de cobra". Ao ser examinado, este apresentava máculas eritêmato-cianóticas, nos três primeiros pododáctilos do pé direito, com queixas de dor local e parestesias, com fluxos arteriais palpáveis. Os diplopodas são artrópodos cilíndricos segmentados que assumem posição enrodilhada - quando ameaçados - liberam quinonas e outros agentes irritativos e pigmentantes. A coloração de aspecto cianótico lembra sofrimento tissular isquêmico, o que pode confundir profissionais em atendimentos de Emergência, quando a história não apresenta clareza e coerência.
Palavras-chave: Animais venenosos; Artrópodes; Brasil; Dermatologia
Um paciente de 24 anos, sexo masculino, foi atendido na manhã de 06 de agosto de 2009 contando ter pisado em um "piolho de cobra". Era possível se observar máculas eritêmato-cianóticas, nos três primeiros pododáctilos do pé direito, com queixas de dor local e parestesias (Figura 1). O paciente possuía fluxos arteriais palpáveis e ausência de necrose cutânea. A conduta adotada foi analgesia e observação. O quadro, em dias, perdeu as características inflamatórias, mas a pigmentação hipercrômica (atualmente, de coloração marrom) persistia até dezembro de 2009.
Os "piolhos-de-cobra","gongolôs" ou "embuás" são artrópodos cilíndricos segmentados da Classe Diplopoda, que assumem posição enrodilhada - quando ameaçados -, e liberam quinonas e outros agentes irritativos e pigmentantes para a sua defesa (Figuras 2 e 3).1,2A coloração de aspecto cianótico lembra sofrimento tissular isquêmico, o que pode confundir profissionais em atendimentos de Emergência, quando a história não apresenta clareza e coerência. A pigmentação persiste por meses.1,2
REFERÊNCIAS
1. Haddad Jr V, Cardoso JLC, Rotta O, Eterovic A. Acidentes provocados por Millipede com manifestações dermatológicas: relato de dois casos. An Bras Dermatol. 2000;75: 471-4. [ Links ]
2. Cardoso JLC, França FOS, Hui FH, Malaque CMS, Haddad Jr V. Animais peçonhentos no Brasil: biologia, clínica e terapêutica dos acidentes. São Paulo: Editora Sarvier; 2003. p. 258-64. [ Links ]
Endereço para correspondência:
Vidal Haddad Junior
Caixa Postal 557
18618 000 - Botucatu, SP - Brasil
Tel./fax: 14 3882 4922
e-mail: haddadjr@fmb.unesp.br
Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 06.02.2010.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum
* Trabalho realizado na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - Manaus (AM), Brasil.










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