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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.86 no.1 Rio de Janeiro Jan./Feb. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000100014 

REVISÃO

 

Prevenção e cuidados com a pele da criança e do recém-nascido*

 

 

Juliana Dumêt FernandesI; Maria Cecília Rivitti MachadoII; Zilda Najjar Prado de OliveiraIII

IMédica colaboradora do Departamento de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP), Brasil
IIMédica supervisora do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP), Brasil
IIIMédica diretora do Departamento de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A pele do neonato é submetida a um progressivo processo de adaptação ao ambiente extrauterino, para o qual cuidados especiais se tornam necessários. A sua pele caracteriza-se por ser sensível, fina e frágil. A imaturidade da sua barreira epidérmica diminui significativamente a defesa contra a excessiva proliferação microbiana, torna a pele mais susceptível ao trauma e à toxicidade por absorção percutânea de drogas. Devido às características próprias da pele do recém-nascido (RN), de lactentes e de crianças, o uso dos produtos cosméticos destinados à sua higiene e proteção requer um cuidado especial. Com o intuito de preservar a integridade da pele neonatal e infantil, este artigo revisou os cuidados preventivos básicos que se devem ter com a pele dos bebês quanto à higiene, ao banho, ao uso de agentes de limpeza, a produtos tópicos e a sua toxicidade percutânea.

Palavras-chave: Cosméticos; Emolientes; Recém-nascido


 

 

INTRODUÇÃO

A pele é um órgão de grande importância, multifuncional, que promove, mediante a função de barreira cutânea, proteção mecânica, termorregulação, vigilância imunológica, e previne a perda insensível de fluidos corporais.1-3 Devido a uma série de termos utilizados na literatura para se referir à pele da população pediátrica, adotaram-se, nesta revisão, as seguintes definições de faixa etária, de acordo com o Ministério da Saúde, para facilitar a compreensão do leitor:

Recém-nascido (RN) ou neonato: do nascimento até 28 dias de idade;

RN de baixo peso: recém-nascido com peso inferior a 2.500 gramas;

RN prematuro ou pré-termo: recém-nascido com menos de 37 semanas de idade gestacional;

RN a termo: recém-nascido cuja idade gestacional está entre 37 semanas e 41 semanas e seis dias. Além disso, utilizaram-se os seguintes termos: lactentes ou bebês ou infantil para fazer referência à faixa etária de um mês a 12 meses de idade; criança para a faixa etária de 12 meses a 12 anos de idade; adolescente para a faixa dos 12 aos 18 anos de idade e adulto para a faixa dos 18 aos 65 anos de idade.

Acreditava-se, até algum tempo atrás, que a função de barreira cutânea atingia sua maturidade por volta da 34ª semana de gestação. Porém, dados recentes mostram que ela continua a se desenvolver até 12 meses após o nascimento.4 A pele do neonato é submetida a um progressivo processo de adaptação ao ambiente extrauterino, para o qual cuidados especiais se tornam necessários.3 Ela se caracteriza por ser sensível, fina e frágil. Além disso, quando comparada com a pele do RN a termo, a pele do RN prematuro é ainda mais fina, com estrato córneo mais delgado, coesão entre a epiderme e derme diminuída e função de barreira cutânea menos efetiva, tendo como consequências mais relevantes perda de água transepidérmica, maior absorção percutânea de químicos e trauma cutâneo facilmente induzido, até mesmo com a remoção de qualquer curativo adesivo.1,5 Isso causa propensão a infecções, toxicidade e dificuldades na homeostasia dos fluidos.5

O pH ácido da superfície cutânea observado em adultos e adolescentes (pH<5) tem efeito protetor contra micro-organismos.1 Nos RN, e principalmente nos prematuros, a superfície cutânea possui pH com tendência a neutro, o que diminui significativamente a defesa contra a excessiva proliferação microbiana e pode promover maior perda de água transepidérmica, demonstrando alteração da função de barreira epidérmica.1

Os lipídios epidérmicos exercem importante função na manutenção da barreira epidérmica e na integridade da pele.6 Porém, o conteúdo lipídico da pele dos RN é menor devido à baixa atividade das glândulas sebáceas. Por outro lado, apresenta elevado teor de água.7 No lactente, o filme hidrolipídico cutâneo é gradualmente substituído por lipídios epidérmicos não glandulares, menos eficazes na proteção cutânea. Além disso, barreira lipídica protetora não pode ser reproduzida por meios artificiais; por essa razão, é necessário o máximo cuidado para não haver destruição dessa barreira, que ocorre, principalmente, pelo uso inadequado de produtos químicos.6

A derme dos RNs e lactentes apresenta menor quantidade de colágeno maduro do que a do adulto e, por conter elevada concentração de proteoglicanos, atinge maior teor de água. Outras diferenças entre as peles dos RNs, dos lactentes e das crianças em relação à dos adultos são: menor espessura da camada córnea, maior número de folículos pilosos velos, menor poder tampão e maior relação superfície/volume corporal. Elas são mais marcantes quanto menor é a idade da criança e mais acentuadas nos prematuros, o que implica maior susceptibilidade a agentes externos, potencialmente prejudiciais, maior perda transepidérmica de líquidos, menor capacidade de manutenção da homeostasia e maior absorção percutânea, o que leva a maior toxicidade sistêmica.8,9 Assim, as peles dos RNs, dos lactentes e das crianças são particularmente sensíveis ao excesso de secreções glandulares (suor e sebo), aos ácaros do pó da casa, às bactérias presentes no ambiente exterior, às impurezas acumuladas na área da fralda (fezes e urina), à oclusão pelo material das fraldas e a condições atmosféricas extremas.

Como a barreira epidérmica é imatura nos RNs e lactentes, a permeabilidade cutânea é muito elevada, sobretudo, durante a primeira quinzena de vida.1 Isso promove um importante risco de toxicidade por absorção percutânea de drogas.10 Por outro lado, essa pele também é mais facilmente agredida mecanicamente, como ocorre na zona de contato com as fraldas ou pela utilização de lenços de limpeza, que causa remoção repetida e localizada de células do estrato córneo e aumenta, por sua vez, a permeabilidade cutânea.1,10 Com o tempo, a pele da criança vai adquirindo cada vez mais impermeabilidade, embora sempre se mantenha inferior à do adulto.

Os cuidados com a pele dos RNs, dos lactentes e das crianças devem buscar preservar a integridade cutânea, prevenir toxicidade e evitar exposições químicas prejudiciais à pele.11 Como a função de barreira cutânea efetiva é vital para o RN e seu funcionamento é reduzido pela imaturidade desse período, cuidados otimizados com a pele são muito importantes e podem minimizar a morbi-mortalidade associada a esse problema no período neonatal. Além disso, é necessário ter em mente os aspectos particulares da pele dos bebês e da criança, para prevenir e evitar os riscos ligados aos produtos aplicados topicamente nessa faixa etária.

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE PREPARAÇÕES TÓPICAS

Devido às características próprias da pele neonatal e infantil, os produtos cosméticos destinados à sua higiene e proteção requerem cuidado especial na sua formulação. Uma das condições essenciais é que sejam excluídos todos os ingredientes que possam constituir potencial agressão cutânea.12 Essa premissa é, obviamente, extensível a todos os cosméticos, mas, sem dúvida, mais difícil de executar nos produtos para aplicação sobre a frágil pele infantil.

A absorção percutânea de drogas e agentes tópicos é influenciada tanto pelas características físicas e químicas da droga quanto pelas propriedades da barreira cutânea. Quanto maior a relação entre superfície corporal e peso, maior o risco de toxicidade percutânea. Outros fatores implicados são imaturidade dos sistemas de metabolização da droga e, em RNs, principalmente os prematuros, a imaturidade da barreira epidérmica.13

Muitos produtos direcionados ao uso infantil têm substâncias potencialmente tóxicas e prejudiciais à pele dos RNs. Nem mesmo rótulos contendo frases como "dermatologicamente testado" ou "pH balanceado" ou "ingredientes naturais ou orgânicos" garantem a segurança dos ingredientes do produto.6

Embora a pele do RN, sendo imatura, seja relativamente impermeável ao álcool, este pode causar necrose hemorrágica nos RNs prematuros, quando usado como tópico antisséptico na pele ocluída.14 Além disso, o álcool presente nas soluções de limpeza da pele pode causar queimadura, principalmente, nos RNs de baixo peso e, por isso, essas soluções devem ser evitadas em unidades neonatais.3,15

Há relatos de que clorexedine puro a 0,5% é um agente tópico antisséptico eficaz e é considerado uma alternativa mais segura, quando não associado ao álcool, para uso em neonatos a termo, sem toxicidade percutânea conhecida.15

O emprego de soluções iodadas na pele do neonato pode resultar em sobrecarga significativa de iodo e um grave e transitório hipotireoidismo.3 A exposição do RN a essas soluções deve ser evitada sempre que possível e, caso ocorra, devem-se mensurar os níveis de hormônios tireoidianos, principalmente, nos RNs prematuros, cuja permeabilidade cutânea é ainda mais alta e em quem a tireoide é imatura.3,16

A prilocaína, componente de anestésico tópico, pode causar meta-hemoglobinemia, quando aplicada em superdosagem. Podem-se aplicar até 25mg numa área máxima de 10cm2.17 Já a tetracaína em gel, outro anestésico tópico, não provoca meta-hemoglobinemia, porém pode causar dermatite de contato nos RNs prematuros.18

O propilenoglicol, ingrediente de muitos emolientes, pode causar ardência e irritação cutânea, especialmente, se utilizado em uma concentração maior do que 5%.6 Usado também como veículo de algumas vitaminas administradas oralmente, o propilenoglicol tem sido associado à toxicidade do sistema nervoso central em bebês prematuros.19,20 Além disso, seu uso excessivo enteral e parenteral oferece risco de hiperosmolaridade e convulsões.21

Outros ingredientes também devem ser evitados em RNs, lactentes e crianças, como:

Sódio lauril sulfato (SLS): é um potente irritante da pele que danifica a barreira lipídica e causa inflamação e descolamento das camadas da pele. Quando associado a outros produtos, como triclosan, tende a ficar aderido à pele por horas ou dias;6

Sódio laureth sulfato (SLES) e amônio laureth sulfato: são agentes que formam a espuma de produtos como pastas de dente, gel de banho, espuma para banheiras. São irritantes, podem danificar proteínas e provocar úlceras orais;6

Metilisotiazolina: encontrado em xampus e condicionadores, tem sido associado a defeitos neurológicos;22

Parabenos (metilparabeno, propilparabeno, etilparabeno e butilparabeno): encontrados em loções e xampus para bebês e também em lencinhos de limpeza. Podem causar dermatite de contato e rash cutâneo.6

Na higiene do bebê e da criança, também devem ser cuidadosamente evitados produtos que contenham perfumes e corantes (pelo risco de dermatite de contato), além de aditivos que simulem cores e aromas apetitosos de fruta e doces, uma vez que estimulam a ingestão dos cosméticos.

O quadro 1 mostra alguns efeitos prejudiciais provocados pela absorção transcutânea de produtos aplicados topicamente nos recém-nascidos e nos lactentes.3,12,14-18,21 Outras preparações tópicas também devem ser usadas com cuidado, pelo risco de causar danos aos recém-nascidos, lactentes e crianças (Quadro 2).3,6,18-22

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE VEÍCULOS

Como qualquer produto ativo precisa de um veículo ou excipiente que o mantenha em bom estado, é necessário fazer algumas considerações sobre determinados tipos de veículos, uma vez que alguns deles também podem acarretar riscos ou danos ao RN. Além disso, determinados tipos de veículo devem ser usados somente em situações apropriadas:

Pós: têm propriedades absorventes, protetoras, secantes e minimizam a fricção. Os mais frequentemente utilizados são talco (silicato de magnésio), óxidos de zinco e titânio, argila, caolino e amido. A utilização de pós não é recomendada nos bebês, em especial, talco e pó de amido, pelo risco de inalação acidental, que pode causar irritação, pneumonite, com formação de granuloma e fibrose pulmonar;23

Gorduras ou excipientes lipofílicos: têm propriedades oclusivas e podem ser fluidas ou óleos (óleo de amêndoas doces, parafina líquida), semi-sólidas (lanolina, vaselina) ou sólidas (parafina sólida, ceras). Não devem ser usadas em dermatoses inflamatórias e/ou exsudativas, nem em pregas cutâneas, pelo seu poder oclusivo;24

Suspensões: consistem na associação de líquidos e pós. São indicadas no tratamento de dermatoses exsudativas e intertriginosas;9,25

Emulsões: são associações de dois componentes não miscíveis - água e óleo. De acordo com a fase dispersa, existem dois tipos de sistemas: emulsões água em óleo (A/O) ou óleo em água (O/A), às quais é associada uma multiplicidade de agentes cuja composição nem sempre é conhecida e que podem ser irritantes para a pele dos RNs. Quando a fase aquosa é maior que 45%, obtêm-se emulsões O/A (como os cremes e loções), que são mais fluidas. Quando é inferior a 45%, a fase contínua passa a ser oleosa e têm-se emulsões A/O (como as pomadas ou unguentos), que são mais gordurosas e oclusivas.26 Em caso de necessidade do uso terapêutico das emulsões O/A nos bebês e crianças, deve-se procurar utilizá-las em dermatoses agudas, exsudativas e nas pregas, local onde a oclusão por emulsões mais gordurosas não é aconselhada.27 Já as emulsões A/O, pelo seu poder predominantemente oclusivo, devem ser usadas nos bebês e nas crianças quando algum tratamento se faz necessário, nos casos com pele seca, xerose e eczema crônico, por permitirem melhor absorção do produto ativo.26,27

 

EMOLIENTES

Os emolientes são emulsões que contêm lipídios, amaciam e restauram a elasticidade e homeostase da pele e evitam a perda transepidérmica de água. Deixam um filme lipídico que preenche os espaços entre os corneócitos, o que facilita a sua adesão ao nível do estrato córneo. Têm, portanto, propriedades umectantes (atraem água para a pele) e oclusivas (impedem que a água evapore).28 Os emolientes lubrificam e hidratam a pele, protegem a integridade do estrato córneo e da barreira cutânea, além de tratarem a pele seca.1,29-31

A pele do RN prematuro tem uma barreira epidérmica pouco eficiente. A aplicação diária profilática de emoliente nesse tipo de pele ainda é motivo de controvérsias. Sabe-se que o emoliente diminui a frequência de dermatite, previne ressecamentos e fissuras, diminui a perda de água transepidérmica e melhora a integridade da pele.1,32-37 Alguns acreditam, inclusive, que o uso tópico de determinado tipo de emoliente (por exemplo, Aquaphor™) é benéfico para o equilíbrio hidroeletrolítico de bebês muito prematuros.38 Entretanto, outros autores demonstraram que a aplicação profilática de emoliente no RN prematuro pode aumentar o risco de infecções nosocomiais e por estafilococos coagulase-negativos e, por isso, não recomendam o uso rotineiro profilático de emolientes em RNs prematuros.3,32 Outros estudos mostraram que determinados tipos de emolientes (como o óleo de girassol) podem proteger a pele dessas infecções, ao invés de aumentar o seu risco.39-41 Outro trabalho não encontrou diferença na taxa de infecção nosocomial entre RNs prematuros que utilizaram ou não emoliente profilático durante quatro semanas.33 Recentemente, um estudo em Bangladesh mostrou melhora na taxa de sobrevida dos RNs prematuros de alto risco que fizeram uso de emolientes que melhoravam a barreira epidérmica.42 A discrepância entre todos esses estudos talvez possa ser explicada pelas diferenças dessemelhanças regionais, pelos diversos tratamentos tópicos utilizados e por diferentes tipos de cuidados entre um local e outro. O que se sabe, enfim, é que, se o uso de emolientes for necessário para o tratamento da pele seca nesses RNs, dever-seão utilizar emolientes que não a irritem e que contenham balanço fisiológico de lipídios epidérmicos, os quais melhoram a função de barreira epidérmica (colesterol, ceramida, linolato, palmitato),43 ou os que contenham óleo de girassol.44,45 Alguns estudos demonstraram que o óleo de girassol é superior aos óleos de oliva, mostarda e soja tanto em relação à velocidade de recuperação da barreira cutânea quanto em relação à toxicidade e potencial para desenvolver dermatite de contato.39,45-50

Os emolientes são indicados para o cuidado diário da pele seca, em dermatoses descamativas e nos atópicos.9,51 A eficácia de qualquer emoliente aumenta quando aplicado imediatamente após o banho ou em pele ainda úmida. Emolientes perfumados devem ser usados com muito cuidado, pelo risco de irritação e sensibilização.1,6,9,12 Quando os emolientes estão sob a forma de pomada, são oclusivos e promovem um efeito lubrificante. Entretanto, deve-se ter em mente que eles podem provocar acne, foliculite, miliária e piora do prurido (principalmente, em atópicos) quando são utilizados em locais muito quentes e úmidos.9 Quando estão sob a forma de creme e loção, são mais fáceis de espalhar, levando a uma melhor aderência ao tratamento, e também promovem efeito umectante.9 Por outro lado, não se pode esquecer que a maioria dos emolientes também contém ingredientes inativos, como conservantes, corantes e perfumes que, muitas vezes, podem provocar irritação cutânea e dermatite de contato alérgica, especialmente, em RNs, lactentes e crianças susceptíveis.1,9 Em bebês e crianças com xerose cutânea ou atópicos, os mais eficazes, seguros e, frequentemente, mais baratos emolientes em pomada ou creme, dependendo da intensidade do ressecamento da pele, são os isentos de perfumes, corantes e conservantes.1,6,9,12,51

 

BANHO

Imediatamente após o nascimento, normalmente, o vernix caseoso é limpo com uma toalha. Entretanto, o momento certo para o primeiro banho do RN ainda é controverso na literatura. Geralmente, o banho de rotina não é considerado prejudicial ao RN, porém recomenda-se, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que o primeiro banho seja dado apenas seis horas após o parto, devido ao risco de hipotermia durante e após o banho.29,52-57 Por outro lado, um estudo feito por Behring58 et al. (2003) demonstrou que não houve diferença significativa de temperatura entre os RNs que tomaram banho uma hora após o parto e os que tomaram banho entre quatro e seis horas após o parto, corroborando os achados de trabalhos anteriores feitos por Penny-MacGillivray (1996) e Varda e Behnke (2000), que também não encontraram diferença de temperatura relacionada ao momento do primeiro banho.59,60 Outros autores61-63 estabelecem que o primeiro banho seja dado somente quando a temperatura do neonato estiver estabilizada, em vez de considerar apenas o número de horas após o parto como o momento ideal para isso.

O banho dos recém nascidos visa, especialmente, as zonas que necessitam maior atenção, como face, pescoço, pregas e área das fraldas.2,27,64 Quanto ao banho de rotina, foi demonstrado que ele, em si, é superior à esfregação com esponja ou algum outro tecido. O ato de esfregar com esponja ou tecido promove maior perda de temperatura, maior perda de água transepidérmica e menor hidratação do estrato córneo.65-67 A duração do banho deve ser curta, de no máximo cinco minutos, principalmente, se for usado algum sabonete.3,68 Isso ajuda, também, a evitar a maceração da pele.27,69 A frequência do banho varia muito entre determinadas regiões e países, dependendo da cultura de cada local.62 De fato, em muitos locais, especialmente, os que apresentam clima mais quente, as mães preferem dar banho diariamente nos seus bebês, mesmo não sendo realmente necessário.62 Entretanto, orienta-se que a banho não seja dado diariamente.11,70 É recomendável que a sua frequência seja de aproximadamente duas vezes por semana, até o bebê começar a engatinhar.11,70 Já nos RNs prematuros, orienta-se que o banho seja dado a cada quatro dias.71 A temperatura da água deve estar próxima à temperatura corporal (37ºC-37,5ºC).11,62,72 Entretanto, alguns autores recomendam temperaturas ligeiramente mais baixas, correspondendo à temperatura da pele (34ºC-36ºC).67 Após o banho, caso a pele do RN e do bebê apresente qualquer sinal de ressecamento ou fissura, deve-se aplicar um emoliente adequado que, além de tratar a pele seca, proteja a integridade do estrato córneo e da barreira cutânea.11,29-31,73 Os emolientes são mais benéficos ainda nos bebês com maior risco de desenvolver atopia (com história familiar positiva) e, nesses casos, devem ser usados durante e após o banho.62,74-79 Alguns autores relatam benefícios, também nesses casos, do uso de óleos emulsificantes.80,81 Os óleos reduzem a perda de água do estrato córneo e mantêm a pele limpa de escamas e de crostas.9 Porém, deve-se evitar adicionar ao banho óleos vegetais de oliva e de mostarda, pelo risco de dermatite de contato, embora os estudos existentes tenham sido realizados apenas em adultos.62,46-49 Além disso, é preciso cuidado com óleos de banho, pois podem transformar as banheiras em superfícies escorregadias e perigosas.51 Mais estudos das implicações do uso desses óleos em RN são ainda necessários.

 

AGENTES DE LIMPEZA

Os sabões são obtidos pela ação de uma base em uma mistura de ésteres de ácidos graxos. Sabonetes tradicionais, em barra, têm boa detergência, bom poder emulsionante e produzem bastante espuma; entretanto, além de serem irritantes, seu pH alcalino pode destruir a camada superficial lipídica da pele do bebê, levando ao ressecamento cutâneo excessivo,2,82-84 por isso, devem ser evitados. Os sabonetes de glicerina, por seu excessivo conteúdo em glicerina, que é um umectante potente, podem absorver água em excesso para fora da pele, causando, potencialmente, mais secura e irritação cutâneas.68,85

Os syndets, também chamados detergentes sintéticos ou "sabões sem sabão", não têm as desvantagens do sabão e podem ser uma boa escolha. São compostos por agentes tensoativos com bom efeito detergente, têm pH neutro ou ligeiramente ácido, fazem pouca espuma e provocam pouca irritação. Podem se apresentar em formas sólidas ou líquidas e, embora seu uso seja agradável, não deve ser excessivo.68,85

Os agentes de limpeza ideais devem ser líquidos, suaves, sem sabão, sem fragrância, com pH neutro ou ligeiramente ácido, que não irrite a pele nem os olhos do bebê, nem altere o manto ácido protetor da superfície cutânea.2,11,28,62,67,68,82-84,86 Alguns estudos demonstram que o uso desses agentes de limpeza líquidos é superior ao de apenas água no banho, tanto em relação à higiene (resíduos fecais e urinários) quanto em relação ao ressecamento da pele.82,87-98 Um efeito protetor adicional para a pele do bebê e da criança pode ser alcançado utilizando-se um agente de limpeza líquido que contenha algum emoliente.29,30,82,92,95 Embora essa seja a recomendação rotineira, os estudos a respeito do emprego de agentes de limpeza ainda são limitados. Em um deles, realizado recentemente, comparou-se o efeito no desenvolvimento da barreira cutânea, entre os RNs, de banhos com água, gel de limpeza e loção tópica e banhos apenas com água.98 Em nenhum dos dois grupos se observou efeito adverso na barreira epidérmica.

No que diz respeito ao momento apropriado para a introdução dos agentes de limpeza no banho dos RNs, alguns estudos recomendam que seja logo após a queda do cordão umbilical,67 enquanto outros especificam um tempo que varia de duas a quatro semanas2 até seis semanas após o nascimento.82 Entretanto, esse momento varia de acordo com a preferência pessoal de cada mãe.62

Quanto aos xampus, não existe uma fórmula pediátrica padronizada. Eles se baseiam, normalmente, em agentes anfotéricos, não iônicos. Enquanto o cabelo é curto, fino e frágil, não é necessário usar xampus, e o mesmo produto pode ser utilizado para o corpo e o cabelo.62 Isso, porém, é uma questão de escolha. No entanto, se a opção for pelos xampus, será preciso levar em consideração os mesmos aspectos dos agentes de limpeza do banho: eles deverão ser suaves, apenas levemente detergentes, com pH próximo ao da lágrima, para não provocar ardência nem irritação nos olhos nem na pele, e não devem alterar as raízes do cabelo ou agredir o couro cabeludo, que são frágeis, na infância.7,51,62,83,99

Apesar de os lenços umedecidos de limpeza serem práticos e apresentarem um cheiro agradável, não são recomendados pela maioria dos autores pelo risco de remover o filme lipídico da pele e causar sensibilização. Deve-se sempre ter em mente que eles contêm sabões e que o contato continuado com a pele pode lesar a barreira cutânea, provocando dermatite de contato. Seria adequado enxágue após o uso.100,101 Loções e sabões antissépticos também devem ser evitados.

 

OUTROS CUIDADOS COM A PELE DO RN, DO LACTENTE E DA CRIANÇA

Outros cuidados que se devem ter com a pele do bebê, no intuito de preservar a sua integridade cutânea, são:

Nos RNs, a limpeza regular do cordão umbilical com clorexedine, nos primeiros dez dias de vida, até o cordão cair, pode reduzir bastante o risco de infecção do mesmo e também o risco de morte neonatal;57,102,103

As unhas dos bebês devem ser mantidas limpas e curtas, para evitar que machuquem a pele;3

As fraldas - preferencialmente, as descartáveis superabsorventes, que são as que têm maior capacidade de manter seca a área correspondente -, devem ser trocadas com frequência.104 A higiene da área da fralda com água morna e algodão, sem sabonetes, é suficiente na limpeza diária da urina. Para as fezes, sabonetes brandos são recomendados. O uso rotineiro de preparações tópicas para prevenir dermatite da área das fraldas não é necessário para crianças com a pele normal.100 Os aditivos dessas preparações têm o potencial de causar sensibilização de contato, irritação e/ou toxicidade percutânea;

Deve-se evitar ao máximo o uso de curativos adesivos na pele dos bebês, principalmente, dos prematuros, pelo risco de lacerar a pele, que é muito fina. Se seu uso for realmente necessário, convém utilizar pedacinhos bem pequenos e ter muito cuidado na hora de removê-lo.1 Para facilitar a remoção, podese empregar um emoliente.1

 

CONCLUSÕES

A pele do neonato sofre um progressivo processo de adaptação ao ambiente extrauterino, o que exige cuidados especiais.3 Ela se caracteriza por ser sensível, fina e frágil, com pH neutro na sua superfície, o que diminui, significativamente, a defesa contra a excessiva proliferação microbiana. Seu conteúdo lipídico é menor, mas o de água é elevado. É uma pele macia, uma vez que a camada córnea tem menor espessura, e a epiderme e a derme são mais delgadas do que as dos adultos. A imaturidade da sua barreira epidérmica provoca maior facilidade de ressecamento, diminui sensivelmente a defesa contra a excessiva proliferação microbiana e a torna mais susceptível ao trauma e à toxicidade, por absorção percutânea de drogas.

Devido às características próprias da pele neonatal e infantil, os produtos cosméticos destinados à sua higiene e proteção requerem um cuidado especial na formulação. Muitos produtos direcionados ao uso infantil têm substâncias potencialmente tóxicas e prejudiciais à pele dos RNs e lactentes. Uma das condições essenciais é que sejam excluídos todos os ingredientes que possam constituir potencial agressão cutânea. Essa premissa, obviamente, se estende a todos os cosméticos, mas, sem dúvida, é mais imperiosa quando se trata de produtos para a frágil pele dos bebês e das crianças.

Como a função de barreira cutânea efetiva é vital para o RN e é reduzida pela imaturidade desse período, cuidados redobrados com a pele são muito importantes e podem minimizar a morbi-mortalidade associada a esse problema no período neonatal. Com o intuito de preservar a integridade cutânea e diminuir os riscos provocados pelo cuidado indevido da pele neonatal, infantil e da criança, este artigo revisou as recomendações básicas em relação à higiene, ao banho, ao emprego de agentes de limpeza e produtos tópicos e à toxicidade percutânea destes.

Sabendo-se que o mercado da cosmética e dos produtos para a pele neonatal e infantil tem evoluído nos últimos anos, tornando-se bastante apelativo ao consumo exagerado, é preciso assumir a responsabilidade de rejeitar hábitos consumistas e mostrar prudência na prescrição.

 

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Endereço para correspondência:
Juliana Dumêt Fernandes
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 255, 3º andar, sala 3.070 - Cerqueira César
05403-000 São Paulo - SP, Brasil
Tel.: 11 3069-6000 E-mail: jdumet@gmail.com

Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 29.01.2010.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

* Trabalho realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP), Brasil.