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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.86 no.1 Rio de Janeiro Jan./Feb. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000100033 

COMUNICAÇÃO

 

O uso da medicina alternativa ou complementar em crianças com dermatite atópica*

 

 

Nelson dos Reis Aguiar Júnior*; Izelda Maria Carvalho Costa

Doutora. Professora Adjunta de dermatologia da Universidade de Brasília. Coordenadora do ambulatório de dermatopediatria do HUB/UnB - Brasília (DF), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Medicina alternativa ou complementar é definida como forma de terapia que não possui bases científicas ou eficácia comprovadas. O objetivo deste estudo foi investigar a prevalência do uso dessas terapias por pacientes pediátricos com dermatite atópica no Hospital Universitário de Brasília, no período de março de 2007 a dezembro de 2008. Um total de 54 pacientes (63,5%) utilizou algum tipo de recurso alternativo, fitoterapia e homeopatia foram os recursos alternativos mais utilizados.

Palavras-chave: Dermatite atópica; Prurido; Terapias complementares


 

 

Medicina alternativa ou complementar (MAC) tem sido definida como diagnóstico, tratamento e/ou prevenção que complementa a medicina convencional por contribuir como um todo, por satisfazer as demandas não encontradas na medicina ortodoxa ou por diversificar o quadro conceitual da medicina. Inclui formas de terapia que não possuem bases científicas ou eficácia comprovadas por métodos científicos.1

A dermatite atópica (DA) na infância é uma doença comum e sua incidência tem aumentado.2 O uso da MAC tem também aumentado pelo mundo, inclusive para o tratamento da DA, e poucos são os ensaios clínicos na área. Homeopatia, fitoterapia, acupuntura, aromaterapia, cromoterapia, aplicação tópica de produtos de origem animal, práticas de meditação, técnicas de relaxamento, massagem como terapia, dietas nutricionais constituem recursos da MAC utilizados no tratamento do eczema atópico.

O objetivo deste estudo foi de avaliar a prevalência do uso da MAC em crianças portadoras de DA, avaliar os fatores que podem influenciar na decisão de usar terapias não convencionais na prática clínica, identificar a natureza dos recursos alternativos utilizados, verificar se o tempo de duração da doença está associado a maior probabilidade do uso de recursos alternativos e ainda avaliar o fator custo do tratamento com recursos da MAC.

A população estudada foi constituída por um total de 85 crianças portadoras de DA, na faixa etária de zero a 18 anos, atendidas no setor de dermatologia pediátrica do Hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília. O instrumento utilizado foi um questionário aplicado aos pais dos pacientes ou seus responsáveis e coleta de dados dos prontuários dos pacientes. A análise estatística dos dados foi feita pelo sistema SPSS, Statistical Package for the Social Sciences, versão 15.0. Para testar a associação entre as variáveis utilizou-se o coeficiente de correlação de Spearman e o teste x2 (qui quadrado). Considerou-se significante uma relação de p < 0,05.

Um total de 54 pacientes (63,5%) admitiu utilizar ou ter utilizado MAC no tratamento da DA e 29,4% dos pacientes afirmaram utilizar MAC por indicação de parentes e amigos; a homeopatia e a fitoterapia foram os recursos da MAC mais utilizados. Em nosso estudo, a longa duração da doença foi associada a uma probabilidade aumentada de utilizar MAC (p < 0,05). O fator custo do tratamento, nesta pesquisa, não interferiu na decisão de uso da MAC (p > 0,05).

Na população estudada, foi alta a prevalência do uso da MAC. Esse uso se deu na maioria das vezes por indicação de parentes e amigos e por não se obterem os resultados esperados com a medicina ortodoxa. O principal recurso alternativo utilizado foi a fitoterapia, na forma de banhos e chás. A maioria desses recursos foram ineficazes e houve piora do prurido em 80% dos usuários da MAC (p < 0,05).3,4 Recomendamos aos médicos e profissionais de saúde que questionem rotineiramente os pacientes quanto ao uso da MAC, já que interações medicamentosas e piora do quadro cutâneo podem ocorrer.5

 

REFERÊNCIAS

1. Hughes R, Ward D, Tobin AM, Keegan K, Kirby B. The use of alternative medicine in pediatric patients with atopic dermatitis. Pediatr Dermatol. 2007;24:118-20.         [ Links ]

2. Sehra S, Barbé-Tuana FM, Holbreich M, Mousdicas N, Kaplan MH, Travers JB. Clinical correlations of recent developments in the pathogenesis of atopic dermatitis. An Bras Dermatol. 2008;83:57-73.         [ Links ]

3. WITT CM, Lüdtke R, BAUR R, WILLICH SN. Homeopathic medical practice: long term results of a cohort study with 3981 patients. BMC Public Health. 2005;3;5:115.         [ Links ]

4. JEAN D, Cyr C. Use of complementary and alternative medicine in a general pedi atric clinic. Pediatrics. 2007;120:138-141.         [ Links ]

5. Smith N, Shin DB, Brauer JA, Mao J, Gelfand JM. Use of complementary and alternative medicine among adults with skin disease: Results from a national survey. J Am Acad Dermatol. 2009; 60: 419-425.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Izelda Maria Carvalho Costa
SHIS QI 17 conjunto 08 casa 02
71645 080 Lago Sul Brasília-DF
Tel.: 61 3346 1614
e-mail: izelda@unb.br

Recebido em 14.01.2010.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 23.01.10.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

Mestre em ciências da saúde; doutorando em farmácia - USP/ Ribeirão Preto - SP, Brasil. (* In memorian)
* Trabalho realizado no ambulatório de dermatopediatria do Hospital Universitário de Brasília. Universidade de Brasília. Brasília - DF, Brasil.