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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.86 no.3 Rio de Janeiro May/June 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000300034 

QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?

 

Caso para diagnóstico *

 

 

 

Bárbara Nader VasconcelosI; João Carlos Macedo FonsecaII; Daniel Lago ObadiaIII

IProfessora Substituta em Dermatologia pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (HUPE - UERJ) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IIProfessor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCM-UERJ) - Doutor em Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IIIProfessor Substituto em Dermatologia/Dermatopatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Hospital Central do Exército - Rio de Janeiro (RJ), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A hidradenite é uma inflamação crônica e supurativa das glândulas apócrinas. Ocorre mais frequentemente, nas mulheres, iniciando durante ou após a puberdade. Os locais mais acometidos são as axilas, porém, outras regiões ricas em glândulas apócrinas, podem ser comprometidas. A localização intermamária, de forma exclusiva, é rara e não encontramos relatos de outros casos semelhantes. Sua etiologia ainda não foi completamente elucidada.

Palavras-chave: Hidradenite Supurativa, Mama, Sulfametoxazol


 

 

RELATO DO CASO

Paciente feminina, treze anos, procurou o ambulatório de Dermatologia por causa do surgimento, há 3 anos de lesões fistulizantes, recidivantes e muito dolorosas, na região intermamária. Ao exame físico, apresentava pápulas e nódulos eritematosos, dolorosos, alguns com saída de secreção purulenta, além de comedões e variados aspectos de cicatrizes entre elas eritematosas, hipocrômico-atróficas e hipertróficas, localizadas na região intermamária. (Figuras 1 e 2) A avaliação histopatológica demonstrou infundíbulo folicular dilatado e rompido, (Figura 3) circundado por infiltrado inflamatório, constituído por linfócitos, neutrófilos e plasmócitos. Na derme reticular, observam-se áreas com fibrose e proliferação vascular.

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

A hidradenite é uma inflamação crônica e supurativa das glândulas apócrinas. Ocorre mais frequentemente, nas mulheres, iniciando durante ou após a puberdade.1 Os locais mais acometidos são as axilas, porém outras regiões ricas em glândulas apócrinas podem ser comprometidas, como região perianal, aréola mamária e genitália externa.2 A localização intermamária, de forma exclusiva, é rara e não encontramos relatos de outros casos semelhantes, nos últimos 10 anos. Sua etiologia ainda não foi completamente elucidada.3 A hidradenite supurativa (HS) é uma das doenças que compõe a tétrade de oclusão folicular, juntamente com acne conglobata, foliculite e perifoliculite capitis abscedens et suffodiens e cisto pilonidal, um grupo de doenças clinicamente distintas, mas com achados histopatológicos semelhantes. Inicialmente, ocorre infundibulite supurativa e rutura folicular, com posterior infiltração inflamatória mista superficial e profunda, às custas de neutrófilos, linfócitos, plasmócitos e formação de granulomas supurativos. Tecido de granulação e hastes de pelo são observados em quantidades variáveis na derme. Tardiamente, fibrose e fístulas se tornam proeminentes.4 A inflamação das glândulas apócrinas, considerada no passado o processo patológico fundamental, é, na realidade, um evento secundário ao acometimento folicular.

Clinicamente, caracteriza-se pela presença de pápulas e nódulos inflamatórios, de evolução aguda ou crônica, recidivantes, dolorosos, que levam à formação de fístulas e a formação de bridas.

A hidradenite supurativa também causa grande prejuízo na qualidade de vida dos pacientes. Dor, prurido e sensibilidade local são as maiores queixas e, estatisticamente, podem ser mais impactantes na piora qualidade de vida do que em pacientes com psoríase, dermatite atópica, urticária e neurofibromatose,5 o que faz, no cenário dermatológico, dessa doença ser tão importante.

Várias propostas terapêuticas podem ser consideradas, dependendo da extensão e gravidade do quadro. Nos casos agudos, deve-se incluir antissepsia local, antibióticos tópicos e sistêmicos; e, quando há flutuação do nódulo, indicase a drenagem cirúrgica. Paciente com doença crônica associada à fibrose e formação de fístulas, o tratamento pode requerer intervenção cirúrgica. Em alguns casos de difícil controle, pode-se usar a isotretinoína oral, e, mais recentemente, em casos graves, têm sido empregadas medicações inibidoras da produção do fator de necrose tumoral-alfa, porém, nem sempre, com bons resultados.6 Os relatos e séries de casos têm sugerido que o infliximabe seja uma medicação eficiente para o tratamento da HS, apesar de não aprovado para esta finalidade. 6-10

No caso exposto, trata-se de paciente feminina que iniciou a doença na puberdade, localizando-se, exclusivamente, na região intermamária. O tratamento proposto foi o uso sistêmico de sulfametoxazol-trimetoprima, com dose de manutenção e retirada gradual, além de antibioticoterapia tópica. A paciente apresenta até o momento boa resposta terapêutica.

 

REFERÊNCIAS

1. McMichael A, Guzman Sanchez D, Kelly P. Folliculitis and the follicular occlusion tetrad. In: Bolognia JL, Jorizzo JL, Rapini RP, editors. Dermatology. 2nd ed. St. Louis: Mosby Elsevier; 2008. p.39,517-530.         [ Links ]

2. Iglesias N. Hidroses. In: Sampaio SAP, Rivitti EA. Dermatologia. 3. ed. São Paulo: Artes Médicas; 2007. p. 30,403-417.         [ Links ]

3. Hay RJ, Adriaans BM. Bacterial infections. In: Rook's textbook of dermatology. Oxford: Blackwell Publishing; 2004.p.27.82-84.         [ Links ]

4. Ackerman AB, Böer A, Bennin B, Gottlieb GJ. Histologic Diagnosis of Inflammatory Skin Diseases. An Algorithmic Method Based on Pattern Analysis. 2nd ed. New York: Ardor Scribendi; 1997. p.174-5. (Cap. 7, Hidradenitis suppurativa).         [ Links ]

5. Revus J. Hidradenitis suppurativa. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2009;23:985-98.         [ Links ]

6. Obadia DL, Daxbacher ELR, Jeunon T, Gripp AC. Hidradenite supurativa tratada com infliximabe. An Bras Dermatol. 2009;84:695-7.         [ Links ]

7. Fardet L, Dupuy A, Kerob D, Levy A, Allez M, Begon E, et al. Infliximab for severe hidradenitis suppurativa: transient clinical efficacy in 7 consecutive patients. J Am Acad Dermatol. 2007;56:624-8.         [ Links ]

8. Adams DR, Gordon KB, Devenyi AG, Ioffreda MD. Severe hidradenitis suppurativa treated with infliximab infusion. Arch Dermatol. 2003;139:1540-2.         [ Links ]

9. Fernández-Vozmediano JM, Armario-Hita JC. Infliximab for the treatment of hidradenitis suppurativa. Dermatology. 2007;215:41-4.         [ Links ]

10. Thielen AM, Barde C, Saurat JH. Long-term infliximab for severe hidradenitis suppurativa. Br J Dermatol. 2006;155:1105-7.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Bárbara Nader Vasconcelos
Rua Marquês de Abrantes 178, apto 1805 Flamengo
Rio de Janeiro - RJ. CEP 22.230-060
E-mail: bitabr@gmail.com

Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 06.06.2010.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

* Trabalho realizado no Hospital Universitário Pedro Ernesto - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (HUPE - UERJ) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

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