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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.86 no.4 Rio de Janeiro July/Aug. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000400039 

ICONOGRAFIA

 

Dermatologia comparativa: similaridade entre elefantíase nostra verrucosa e coral*

 

 

Lana Bezerra FernandesI; Luiz Fernando Fróes Fleury JuniorII

IMédica residente em dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFGO) - Goiânia (GO), Brasil - Médica residente em dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFGO) - Goiânia (GO), Brasil
IIMestrado em Dermatologia pela Universidade de São Paulo, USP, Brasil. - Profa. Adjunta do Depto de Medicina Tropical e Dermatologia do IPTSP da UFG - Goiânia (GO), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Demonstra-se quadro raro de Elefantíase Nostra, na sua forma verrucosa, no dorso de pé de homem de 80 anos por episódios prévios de erisipela de repetição. As lesões confluentes vegetantes e difusas em dorso de pé são comparáveis aos corais Trumpet Coral (Caulastrea curvata).

Palavras-chave: Elefantíase; Erisipela; Streptococcus pyogenes


 

 

INTRODUÇÃO

A erisipela é infecção dermo-hipodérmica aguda, não necrosante, geralmente causada pelo Streptococcus pyogenes beta-hemolítico, principalmente do grupo A de Lancefield. A infecção caracteriza-se por início súbito, com febre e calafrios de 12 a 24 horas.1 A erisipela é a linfangite infecciosa, caracterizada pelo comprometimento da pele, que apresenta eritema delimitado, de disseminação por via linfática, a partir dos capilares, atingindo também os linfonodos.2 Isto ocorre não só nas linfangites não infecciosas, mas também nas erisipelas de repetição dos idosos ou imunodeprimidos, por conta do comprometimento das funções do sistema linfático. O exsudato de proteínas, a fibrina, os elementos figurados, bem como as lesões endoteliais os quais conduzem a trombose troncular linfática, acabam levando ao edema e linfedema.3 Cerca de 85% dos linfedemas devem-se à linfangite de repetição e, por isso, deve-se sempre considerar esse diagnóstico quando se está diante de quadro dermatológico associado a comprometimento linfático (linfedemas, linfangites). O linfedema crônico por erisipelas pode levar à deformidade caracterizando o quadro de elefantíase nostra.4 Tornando a comparação com Corais, principalmente da espécie Trumpet Coral (Caulastrea curvata), inevitável

 

RELATO DE CASO

Lavrador, 80 anos, fototipo V, apresenta lesões de aspecto musgoso e verrucoide, com lesões exofíticas e aglomeradas de 0,5 a 5 cm no dorso de pé e pododáctilos direito (Figura 1). Refere a vários episódios de erisipela durante 20 anos, sem tratamento adequado. Na histopatologia, evidenciou dermatite fibrosante, com infiltrado inflamatório linfoplasmocitário perivascular, associado à acentuada hiperplasia epidérmica. Ausência de granulomas, BAAR, fungos e sinais de malignidade no material examinado e cultura negativa para fungos.

 

DISCUSSÃO

A erisipela é a linfangite infecciosa que, em mais de 80% dos casos, situa-se nos membros inferiores, e tem como fatores predisponentes: a solução de continuidade na pele, o linfedema crônico e a obesidade. Essencialmente, o diagnóstico é clínico e se baseia na presença de placa inflamatória associada à febre, à linfangite, à adenopatia e à leucocitose. A elefantíase nostra - como complicação do linfedema crônico por erisipelas de repetição -, é um transtorno raro, crônico e deformante, que, em sua forma verrucosa, se caracteriza por hiperceratose e papilomatose da epiderme, associadas à fibrose da derme e subcutâneo3. Como se trata de lesões vegetantes extensas e verrucosas as quais comprometem todo dorso de pé e pododáctilos direito, causando deformidade importante para quadro de elefantíase, a comparação com Corais, principalmente da espécie Trumpet Coral (Caulastrea curvata), é inevitável, reservando-se as proporções (Figura 2). 4 O recife de coral cresce e estabelece uma estrutura esquelética na qual encaixa cada novo pólipo, assim, excreta um esqueleto de cálcio e, quando o organismo morre, essa estrutura permanece no local. Sobre o novo esqueleto, crescem novos corais, formando os recifes, estruturas semelhantes a lesões apresentadas5.

 

REFERÊNCIAS

1. Bisno AL, Stevens D: Streptococcal infections of skin and soft tissues. N Engl J Med. 1996;334:240-5.         [ Links ]

2. Dupuy A, Benchikhi H, Roujeau JC, Bernard P, Vaillant L, Chosidow O, et al. Risk factors for erysipelas of the leg (cellulitis): case control study. Br Med J. 1999;318:1591-4.         [ Links ]

3. Mayall RC, Mayall ACDG, Pereira VCSR, Araújo BES, Gracio EM, Preussler MM. Erysipelas and lymphangitis. Lymphology. 1996;29(Suppl):307-9.         [ Links ]

4. Vallarelli AFA, Silva VMCF, Souza EM. Dermatologia comparativa (parte VI). An Bras Dermatol. 1999;74:641-2        [ Links ]

5. Department of Primary Industries and Fisheries 2008, Annual status report 2007. Queensland Coral Fishery, Department of Primary Industries and Fisheries, Brisbane. [cited 2011 Jun 10]. Available from: http://www.environment.gov.au/coasts/fisheries/qld/east-coast-finfish/pubs/east-coast-finfish-submission-2007.pdf        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Lana Bezerra Fernandes
Avenida 1 setor universitário
Goiânia-Goiás
Tel: 62 9221 0128
E-mail: lanabezerra@hotmail.com

Recebido em 23.12.2010.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 14.01.11.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

* Trabalho realizado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás - Goiânia (GO), Brasil.