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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.86 no.5 Rio de Janeiro Sept./Oct. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000500013 

REVISÃO

 

Ação da terapia com laser de baixa potência nas fases iniciais do reparo tecidual: princípios básicos*

 

 

Juliana Aparecida de Almeida Chaves PivaI; Elizângela Márcia de Carvalho AbreuII; Vanessa dos Santos SilvaII; Renata Amadei NicolauIII

IMestre em Engenharia Biomédica - Especialista em Fisioterapia Dermato Funcional - São José dos Campos (SP), Brasil
IIMestre em Engenharia Biomédica - Docente da Universidade Paulista (UNIP) - São José dos Campos (SP), Brasil
IIIMestre e Doutora em Engenharia Biomédica e Doutora em Ciências Médicas Básicas - Docente da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) - São José dos Campos (SP), Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo do estudo foi revisar a literatura a respeito da terapia com laser de baixa potência e sua relação com as fases iniciais de reparo. Foram analisados 22 artigos, observando-se a utilização de diferentes doses e comprimentos de ondas (632,8 a 904 nm). Nos estudos in vitro, foram utilizadas doses entre 2,2 e 16 J/cm2. A dose de 5 J/cm2 tem sido apontada como responsável por mudanças significativas in vitro; porém, a dose de 16 J/cm2 promove efeito inibitório sobre o crescimento celular em culturas. Em estudos in vivo, envolvendo animais, foram utilizadas doses entre 0,04 a 21 J/cm2. Para estudos em humanos, foram utilizadas doses entre 1,8 a 16 J/cm2. Conclui-se que a terapia com laser de baixa potência exerce efeitos anti-inflamatórios importantes nos processos iniciais da cicatrização: redução de mediadores químicos, de citocinas, do edema, diminuição da migração de células inflamatórias e incremento de fatores de crescimento, contribuindo diretamente para o processo de reabilitação tecidual. Porém, a falta de padronização dificulta a escolha de parâmetros ideais.

Palavras-chave: Fatores de crescimento de fibroblastos; Inflamação; Lasers; Mediadores da inflamação; Terapia a laser de baixa intensidade


 

 

INTRODUÇÃO

A prática clínica da terapia com laser de baixa potência (TLBP) tem sido investigada e utilizada há aproximadamente 20 anos. O crescente interesse pelos efeitos desta terapia tem sido demonstrado pela significativa quantidade de publicações científicas. Entretanto, pesquisadores e terapeutas têm questionado os benefícios clínicos do laser devido aos resultados divergentes encontrados na literatura, em razão da carência de padronização metodológica nos estudos, bem como de sua aplicabilidade clínica, especialmente em se tratando da utilização deste recurso nas fases iniciais do reparo tecidual.1-4

Os efeitos iniciais da interação entre o laser e o tecido biológico podem provocar a liberação de substâncias pré-formadoras, como a histamina, serotonina, bradicinina, e modificar reações enzimáticas normais, acelerando ou retardando estas reações. Pode proporcionar ainda aumento na produção de ATP, o que promoveria um aumento na eficiência da bomba sódio-potássio. Com isso, a diferença de potencial elétrico existente entre o interior e o exterior da célula é mantida com melhores resultados.5

A primeira fase do reparo tecidual é a inflamação, essencial para a preservação da integridade do organismo. Envolve uma interação entre células inflamatórias (neutrófilos, linfócitos, monócitos/macrófagos) e células vasculares (endoteliais e músculo liso). Inicialmente, as células inflamatórias migram para o tecido-alvo por quimiotaxia, induzidas por mediadores químicos (histamina, prostaglandina - PGE2, leucotrienos - LTD4, interleucinas - IL1 e IL6, óxido nítrico - ON), que se ligam a receptores celulares e endoteliais, estimulando a resposta inflamatória.2 Na sequência, observa-se a ativação de outros mediadores de natureza lipídica (eicosanoides) e peptídica (citocinas, fatores de crescimento e neuropeptídeos) e a externalização de proteínas de adesão para leucócitos nas células endoteliais na superfície da membrana voltada para a luz dos vasos. Como decorrência do próprio trauma, ou da ativação celular, o microambiente tem sua composição físico-química alterada (baixa tensão de O2, diminuição do pH, presença de espécies reativas de nitrogênio e oxigênio), sendo esta uma outra forma de sinalização que ativa as células envolvidas no processo.6

A TLBP tem se mostrado uma alternativa antiinflamatória com efeitos semelhantes aos observados na terapia com anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs), inibindo e/ou diminuindo a concentração de prostaglandina ES2 (PGE2), ciclo-oxigenase 2 (COX-2) e histamina.7-9

Mizutani et al. sugerem que a TLBP inibe a cascata do ácido araquidônico em tecidos lesados, levando à diminuição da produção de PGE2.10 Este fenômeno, posteriormente, altera a produção de bradicinina e de muitos tipos de citocinas inflamatórias. Além disso, o aumento do fluxo sanguíneo local melhora a acidose e, simultaneamente, promove a liberação e remoção de substâncias relacionadas à dor.

Viegas et al. sugerem que a TLBP promove ativação precoce da fase inflamatória do processo de reparo tecidual, causando exacerbação dos sinais da mesma.11 Esta ativação observada ocorreu devido à ativação vascular substancial nas primeiras 36 horas de reparo.

Para Gavish, a TLBP demonstrou reduzir a inflamação em uma variedade de situações clínicas.12 Em seus estudos, foi demonstrado que a TLBP modifica alguns processos fundamentais do aneurisma da aorta, aumentando progressivamente a proliferação celular do músculo liso e da matriz proteica, bem como secreção da matriz metaloproteinase. Também foi observada inibição da expressão gênica de citocinas pró-inflamatórias e interleucinas-1β, a partir destas células.

Rocha Jr et al. observaram maior quantidade de fibroblastos em células irradiadas, evidenciando um aumento significativo na proliferação fibroblástica e diminuição do infiltrado inflamatório, concluindo que a TLBP acelera o processo de reparação tecidual.13

Desta forma, a TLBP parece ser capaz de modular a inflamação em vários tecidos e apresenta vantagens como método não-invasivo, não-farmacológico e com baixo índice de efeitos colaterais.3,7,8 Portanto, o presente estudo tem o objetivo de revisar as publicações dos últimos 14 anos, a fim de fornecer embasamento científico para a utilização da radiação tipo laser de baixa potência nos processos que auxiliam a cicatrização tecidual na fase inicial do processo.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

O material utilizado foi obtido por meio de pesquisa em trabalhos científicos nos bancos de dados Medline, Scielo e Lilacs. Foram selecionadas publicações entre os anos de 1995 e 2009. Para realizar a busca, utilizou-se uma combinação das palavraschave: laser de baixa potência, inflamação, mediadores químicos, fatores de crescimento.

 

RESULTADOS

Foram analisados 22 artigos. De acordo com os dados da tabela 1, observou-se que as áreas estudadas variam muito, independentemente de serem in vitro ou in vivo (animais ou seres humanos). Foram encon tradas diferenças importantes quanto à área de estudo e a parâmetros de irradiação (comprimento de onda e dose utilizada). Comparando-se os objetos de estudo, notou-se que variam desde células - como monócitos, macrófagos, fibroblastos, membranas, mucosas, feridas cutâneas e diabéticas, cartilagens, tendões, músculos, fluidos como sangue humano, órgãos - até artéria.

Nos gráficos 1 e 2, pode-se observar que os estudos in vivo correspondem a, aproximadamente, 74% do total. Destes, 76,5% foram realizados com animais (5,9% coelhos, 70,6% ratos) e apenas 23,5% foram realizados com humanos. Já os estudos in vitro relacionam-se a 26% dos estudos levantados.

 

 

 

 

Verificou-se nos trabalhos analisados a utilização de diferentes comprimentos de onda (n=12), que variaram de 632,8 a 904 nm. O comprimento de onda mais empregado foi o de 830 nm, se comparado isoladamente. Analisando-se por faixa espectral, a mais abordada foi entre 632,8 e 685 nm, lasers na região vermelha do espectro eletromagnético.

Os efeitos encontrados foram ligeiramente diferentes, variando segundo área estudada, modelo e comprimento de onda. O efeito foi classificado como positivo (+), negativo (-) ou nulo, sendo que efeito positivo está relacionado à ação anti-inflamatória, efeito negativo está relacionado à ação pró-inflamatória e efeito nulo quando não houve alteração alguma ou quando o efeito não foi significativo. Dos efeitos presentes na tabela 1, dito positivos(+), encontram-se, principalmente, a diminuição de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, IL-2) e mediadores químicos como PGE2, bem como o aumento de fatores de crescimento (bFGF, IGF-1).

Nos estudos in vitro, foram utilizadas doses de 2,2; 5,0; 6,32 e 16 J/cm2, sendo que a dose de 5 J/cm2 não promoveu nenhuma mudança significativa. Entretanto, quando as feridas diabéticas e as células de feridas foram irradiadas com 16 J/cm2, elas sofreram efeito inibitório, apresentando diminuição significativa na proliferação celular. Em estudos empregando-se ratos, observou-se uma maior variedade de doses (0,04 a 21 J/cm2), sendo a dose mais utilizada a de 7,5 J/cm2. Para estudos em humanos, foram utilizadas doses de 1,8; 5,0; 8,7 e 16 J/cm2. Para as doses de 8,7 e 16 J/cm2, os resultados apresentaram-se nulos. Observou-se que diferentes doses produziram resultados fisiológicos semelhantes. Foi evidente o efeito positivo, ou seja, o efeito anti-inflamatório da TLBP sobre as fases iniciais do reparo tecidual; contudo, a grande variedade de doses utilizadas demonstra a falta de padronização dos estudos e, consequentemente, a dificuldade na comparação dos resultados obtidos.

 

DISCUSSÃO

Para investigar o mecanismo de ação do laser sobre edema experimental (carragenina), Albertini et al. realizaram estudos com ratos com adrenal intacta e adrenalectomizados, tratados com diclofenaco de sódio e TLBP.14 As doses que produziram efeito antiinflamatório foram 1 e 2,5 J/cm2, reduzindo o edema em 27% e 45,4%, respectivamente. O melhor resultado para redução do edema foi irradiação após 1 hora da indução da inflamação. A densidade de energia de 2,5 J/cm2 produziu efeitos anti-inflamatórios similares aos produzidos pelo diclofenaco de sódio com dose de 1 mg/kg. Em animais adrenalectomizados, a TLBP não conseguiu inibir o edema, sugerindo que a irradiação com laser de baixa potência, possivelmente, exerce os seus efeitos anti-inflamatórios estimulando a liberação de hormônio corticosteroide adrenal. Em um outro estudo, Albertini et al. demonstraram que o edema foi significativamente menor nos grupos tratados com TLBP comparados ao grupo-controle.2 O percentual foi de 65,3% para o grupo tratado com comprimento de onda de 660 nm e 54,5% para o grupo de 684 nm, em comparação com o grupo-controle, em 4 horas após a indução da inflamação por carragenina. Também foi demonstrada uma redução significativa de células inflamatórias nos grupos irradiados.

Zhevago e Samoilova concluíram, em seus estudos, que um dos principais mecanismos responsável pelos efeitos anti-inflamatórios da TLBP é a diminuição do teor plasmático de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, e IL-2).15

Estudos de Saygun et al. sugerem que os efeitos biomoduladores da TLPB podem estar associados ao aumento da produção de fatores de crescimento, tais como bFGF, IGF-1.16 Estes estudos confirmam os achados observados na tabela 1, em que a ação da TLBP e seus efeitos anti-inflamatórios estão diretamente relacionados à diminuição das citocinas pró-inflamatórias, bem como da quantidade de mediadores químicos. Outros itens relevantes demonstrados por Albertini et al. foram observados, tais como, a diminuição da expressão mRNA de TNFα, IL-1β e IL-6 após laserterapia, tanto em comprimentos de onda 660 nm quanto em 684 nm.17 A IL-1β é uma citocina do tipo 1 e que está entre os mais importantes marcadores de indução da resposta inflamatória. Assim sendo, estes resultados indicam que a TLBP induz a uma reação antiinflamatória que pode modular fatores de transcrição ligados à expressão mRNA de citocinas pró-inflamatórias. Estes dados são corroborados por estudos prévios realizados por Nomura,Yamaguchi e Abiko, que já sugeriam a capacidade de o laser reduzir a produção de mediadores inflamatórios e eventos que contribuam COM a inibição de IL-1β.18 Os resultados dos estudos de Aimbire et al. confirmam estes dados, demonstrando em seus estudos que a TLBP reduziu significativamente os níveis de TNFα em comparação ao grupo-controle.7 Os autores sugerem que o potencial terapêutico da TLBP, na supressão de TNFα, é necessário em várias patologias inflamatórias na clínica médica. E ressaltam ainda que é importante observar que este efeito é altamente dependente da dose utilizada.

Fukuda e Malfatti descreveram que um dos aspectos relevantes, e ponto de maior divergência, é a dose.19 Dose pode ser definida como a quantidade de radiação oferecida ao tecido. Ainda, segundo os autores, a dose ideal a ser utilizada deve ser baseada em pesquisas na literatura, que descrevem práticas laboratoriais de sucesso, sendo estimada de acordo com o tecido a ser irradiado e conforme a energia absorvida para cada tecido, tempo de irradiação e tamanho da área afetada. Este dado confirma estudo realizado por Qadri et al. em que foi observado que não houve alterações da IL-1 e da elastase, provavelmente, segundo os autores, por não terem sido utilizados os parâmetros mais adequados.20 Ainda com relação à dose, Correa et al. demonstraram que os melhores resultados com a TLBP foram obtidos utilizando-se dose de 3 J/cm2, 24 horas após a indução da inflamação por lipopolissacarídeos (LPS) em peritônio de ratos, com redução de 77% em neutrófilos e 49% em leucócitos.8

A TLBP também exerce efeito estimulador sobre TGF-α e PDGF, sendo que o estímulo a estes fatores de crescimento relaciona-se diretamente ao processo de reparo. Em um estudo realizado por Numata et al. foram avaliados os aspectos específicos do processo de cicatrização da ferida, que se refere à infiltração macrofágica, migração de queratinócitos, angiogênese, fibroblasto e fator de crescimento (bFGF), sob o efeito da histamina.21 Os autores observaram que, clinicamente, é importante reduzir a área da ferida de forma tão rápida quanto possível, a fim de aliviar o estresse e reduzir a possibilidade de infecção. Especificamente, a cicatrização de feridas cutâneas é um processo complexo, englobando uma série de sobreposições de eventos que incluem recrutamento de leucócitos, deposição de matriz, epitelização e, em última instância, a resolução da inflamação com a formação de uma cicatriz madura. A reparação normal da ferida inclui uma resposta vigorosa angiogênica, que entrega nutrientes para as células inflamatórias e para o tecido lesionado.

Para Houreld e Abrahamse, o uso de lasers para estimular a cicatrização in vivo e in vitro de feridas diabéticas e em células de feridas diabéticas promoveram proliferação e migração celular, estimulação de citocina (IL-6) e fibroblastos (WS1) pós-irradiação.22 O objetivo do estudo foi determinar a importância das proteases e dos fatores de crescimento na regulação e equilíbrio do processo de reparação tecidual que, segundo os autores, se for interrompida, pode atrasar a cura e ocasionar a degradação, que é uma característica de feridas crônicas. Ainda, segundos os autores, as citocinas estão envolvidas em todas as fases da ferida, desde a migração, proliferação, diferenciação e metabolismo celular até a cicatrização. Nesse estudo, os autores relatam que a correta fluência da fototerapia estimula a expressão IL-6, proliferação e migração celular em células de feridas diabéticas. Uma fluência de 5 J/cm2 estimula a cicatrização de feridas diabéticas in vitro, enquanto 16 J/cm2 é inibitória. Os autores acreditam que os parâmetros de laser podem ser otimizados e padronizados e os mecanismos subjacentes, melhor compreendidos. A fototerapia pode tornar-se uma alternativa segura para o tratamento e cicatrização de feridas lentas, como, por exemplo, em pacientes com diabetes.

Em seus estudos, Bortone et al. utilizaram a ação do laser sobre edema experimental (carragenina) para promover um processo inflamatório no músculo subplantar de ratos, e, após laserterapia, observaram que houve uma diminuição da expressão do mRNA dos receptores de B2 cininas, tanto em comprimentos de onda 660 nm quanto em 684 nm.Experimental groups were designed as followed: A1 (Control-saline), A2 (Carrageenan-only), A3 (Carrage enan+laser 660 nm) and A4 (Carrageenan+laser 684 nm). Seus resultados sugerem que a expressão de ambos os receptores de cininas é modulada por TLBP, possivelmente contribuindo para o seu efeito anti-inflamatório.23

Barbosa et al. relatam o efeito da TLBP na formação de edema e do influxo leucocitário causado por veneno de cobra jararacuçu (espécie Bothrops jararacussu) em ratos. The inflammatory reaction was induced by injection of 0.6 mg/kg of B. jararacussu venom, in gastrocnemius muscle. OsMice were irradiated at the site of injury by a low-level laser (685 nm) with a dose of 4.2J/cm(2). animais foram irradiados no local da lesão com um comprimento de onda de 685 nm e com uma dose de 4,2 J/cm2. Uma terapia combinada de TLBP e soro também foi estudada. B. jararacussu venom caused a significant edema formation 3 and 24h after its injection, and a prominent leukocyte infiltrate composed predominantly of neutrophils at 24h after venom inoculation. Os resultados mostraramLLLT significantly reduced edema formation by 53% and 64% at 3 and 24h, respectively, and resulted in a reduction of neutrophils accumulation (P<0.05). que a TLBP reduziu significativamente a formação de edema em 53% e 64% com 3 e 24h, respectivamente, e resultou em uma redução do acúmulo de neutrófilos (P <0,05). The combined therapy showed to be more efficient than each therapy acting separately. A terapia combinada mostrou-se mais eficiente do que a terapia utilizada separadamente. In conclusion, LLLT significantly reduced the edema and leukocyte influx into the envenomed muscle, suggesting that LLLT should be considered as a potentially therapeutic approach for the treatment of the local effects of Bothrops species. Em conclusão, a TLBP reduziu significativamente o edema e o influxo de leucócitos no músculo do estudo, sugerindo que a TLBP deve ser considerada como uma abordagem potencialmente terapêutica para o tratamento dos efeitos locais de espécies Bothrops.24

Boschi et al. investigaram os possíveis efeitos da TLBP na modulação dos mediadores pró-inflamatórios e anti-inflamatórios em modelo de ratos com pleurisia. A inflamação foi induzida por carragenina injetada na cavidade pleural. Após 1, 2 e 3 horas da indução inflamatória de uma onda contínua (20 mW), o laser de diodo com um comprimento de onda de 660 nm foi utilizado em 4 grupos, com diferentes doses e formas de tratamento. Um grupo recebeu uma dose única de 2,1 J e os outros três grupos receberam um total de energia de 0,9; 2,1 e 4,2 J. Posteriormente, o volume do exsudato, leucócitos totais e diferenciais, concentração de proteína, NO, IL6, IL-10, TNF-alfa, e MCP-1 foram medidos a partir do líquido aspirado. Os resultados mostraramLLLT significantly reduced edema formation by 53% and 64% at 3 and 24h, respectively, and resulted in a reduction of neutrophils accumulation (P<0.05). que a TLBP, em um comprimento de onda de 660 nm, reduziu significativamente o volume de exsudato, induzindo a um efeito anti-inflamatório caracterizado pela inibição total ou diferencial no influxo de leucócitos, exsudação, proteínas totais, NO, IL-6, MCP-1, IL-10 e TNFalfa, de modo dose-dependente. Ou seja, o tratamento a laser com 2,1 J foi mais eficaz do que 0,9 e 4,2 J.25

O efeito da TLBP na expressão gênica de mediadores na gengiva de ratos e tecidos da mucosa foi investigado por Safavi et al. Dos dois grupos estudados, um grupo foi irradiado por 2 vezes com intervalo de 24 horas, enquanto os tecidos inflamados do outro grupo foi irradiado 3 vezes, com laser He-Ne, com um comprimento de onda de 632,8 nm e dose de 7,5 J/cm2 por 300 segundos. Notou-se que a expressão gênica de IL-1beta e IFN-gama foi significativamente inibida em ambos os grupos estudados, enquanto a expressão gênica de PDGF e TGF-beta foi significativamente aumentada. Estes achados sugerem que a TLBP diminui a quantidade de inflamação e acelera o processo de cicatrização de feridas, alterando a expressão de genes responsáveis pela produção de citocinas inflamatórias.26

Em outro estudo, Bjordal et al. estudaram os efeitos da TLBP em um grupo de 7 indivíduos com tendinite de Aquiles. Ao todo, foram estudados 14 tendões. Os indivíduos tiveram seus sintomas previamente agravados, propositalmente, antes de se iniciar o tratamento. O tratamento foi realizado em 2 etapas: primeiramente, eles foram tratados com TLBP em um comprimento de onda de 904 nm e 5,4 J por ponto, com uma densidade de potência de 20 mW/cm2. Depois, a TLBP placebo (0 J) foi administrada a ambos os tendões de Aquiles. Após o tratamento, os autores observaram que as concentrações de prostaglandina E2 foram significativamente reduzidas 75, 90 e 105 minutos após TLBP ativa em comparação com as concentrações antes do tratamento (p = 0,026) e após TLBP placebo (p = 0,009). Segundo relatos dos pacientes, o limiar de dor à pressão tinha aumentado de forma significativa (p = 0,012) após TLBP ativa em comparação com TLBP placebo: a diferença média na mudança entre os grupos foi de 0,40 kg/cm2 (95% intervalo de confiança,10-0,70). Os autores sugerem que o potencial terapêutico da TLBP na dose de 5,4 J por ponto pode reduzir a inflamação e a dor aguda da tendinite de Aquiles. E concluem que a TLBP tem um grande potencial no tratamento de doenças com um componente inflamatório.27

Ihsan, com o objetivo de avaliar a eficácia da TLBP na circulação colateral e microcirculação de um vaso sanguíneo obstruído, tratou 34 coelhos com comprimento de onda de 904 nm e potência de 10 mW e comparou com os achados de 2 coelhos de um grupo-controle. Cada coelho teve a porção medial de cada coxa cortada e a artéria femoral, exposta e obstruída (presa). As amostras de sangue coletadas da artéria femoral foram examinadas para determinar os níveis de hormônio do crescimento, de adenosina e do fator de crescimento fibroblástico. Amostras de tecido do local da operação, ou seja, da artéria e suas fibras musculares circundantes, foram enviadas para exame histopatológico para determinar a proporção de fibra/capilar (F/C) e o diâmetro capilar. Os resultados indicaram que a circulação colateral foi acelerada e a microcirculação, melhorada com a utilização da TLBP. Além disso, o autor concluiu que houve normalização das características funcionais da área lesada.28

Para Sakurai et al., o uso da TLBP estimulou a produção de prostaglandina E2 e da ciclo-oxigenase-2 em fibroblastos gengivais humanos. O objetivo do presente estudo foi determinar o efeito da irradiação laser sobre a produção da prostaglandina-2 (PGE2), ciclooxigenase-1(COX-1) e a ciclooxigenase-2 (COX2) (que são mediadores da destruição tecidual na periodontite), bem como a expressão gênica, a partir da estimulação de LPS (lipopolissacarídeo) em células in vitro de fibroblastos humanos gengivais (HGF). As células HGF foram preparadas a partir de tecidos gengivais saudáveis e estimuladas com LPS. As células HGF foram preparadas a partir de tecidos gengivais saudáveis e estimuladas com LPS. Laser de diodo (Ga-Al-As), em um comprimento de onda 830 nm, foi irradiado nas células dos HGF. A irradiação com TLBP inibiu significativamente a produção de PGE2 de uma forma dose-dependente, o que levou a uma redução de COX-2 níveis de RNAm. Em conclusão, baixo nível de irradiação a laser inibiu a PGE2 por LPS nas células HGF por meio de uma redução de COX-2 nível RNAm. As descobertas sugerem que a TLBP pode ser uma terapêutica benéfica contra o agravamento da gengivite e periodontite por infecção bacteriana.29

Em suma, a TLBP tem demonstrado ser capaz de modular a inflamação em vários tecidos e apresenta vantagens como método não-invasivo, não-farmacológico e com baixo índice de efeitos colaterais, tanto em organismos saudáveis quanto em diabéticos.1,3,4,7,8

 

CONCLUSÃO

Por meio de pesquisa realizada em trabalhos científicos conclui-se que a TLBP exerce efeitos antiinflamatórios importantes nos processos iniciais da cicatrização, como a redução de mediadores químicos (PGE2, histamina), de citocinas (IL-1, IL-2, IL-6, IL-10, TNFα), diminuição da migração de células inflamatórias (leucócitos, neutrófilos), redução do edema e incremento de fatores de crescimento (FCF, bFGF, IGF-1, IGFBP3), contribuindo diretamente para o processo de reabilitação tecidual. Porém, a falta de padronização dificulta a escolha dos parâmetros a ser utilizados na aplicação da terapia.

 

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Endereço para Correspondência:
Juliana Aparecida de Almeida Chaves Piva
Av. Shishima Hifumi, 2911- Urbanova
12244 000 São José dos Campos - SP
Tel.: (12) 3947-1000
E-mail: juliana.piva@yahoo.com.br

Recebido em 10.08.2010.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 30.11.2010.
Conflito Interesses: Nenhum.
Suporte Financeiro: Programa de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES.

 

 

* Trabalho realizado no Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba (IP&D - UNIVAP) - São José dos Campos (SP), Brasil.