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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.86 no.6 Rio de Janeiro Nov./Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000600028 

IMAGENS EM DERMATOLOGIA TROPICAL

 

Lesões molusco-símiles em paciente com esporotricose*

 

 

Regina Casz SchechtmanI; Giselly Silva Neto De CrignisII; Mercedes Prates PockstallerIII; Luna Azulay-AbulafiaIV; Leonardo Pereira QuintellaV; Márcia BeloVI

IDoutora em dermatologia pela Universidade de Londres; coordenadora da pós-graduação em dermatologia e chefe do setor de micologia do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay - Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IIEspecialista em clínica médica; pós-graduanda do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay - Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IIIMestre em dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); professora auxiliar do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay - Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IVDoutora em dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e do curso de pós-graduação do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay - Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
VMestre em anatomia patológica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); médico patologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho - Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF-UFRJ) - e do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay - Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
VIMestre em clínica médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); professora assistente de clínica médica da Universidade Gama Filho (UGF) e da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques (FTESM) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Esporotricose é uma infecção fúngica subcutânea, adquirida por inoculação direta, causada pelo Sporothrix schenckii. Embora a apresentação clássica linfocutânea represente a maioria dos casos, as formas clínicas atípicas e graves têm aumentado em ocorrência. Esporotricose sistêmica e esporotricose cutânea disseminada são variantes raras, usualmente associadas à imunodeficiência celular ou a estados debilitantes. Relatamos o primeiro caso na literatura de lesões molusco-símiles em esporotricose cutaneomucosa múltipla. Os exames micológico direto e histopatológico apresentavam-se ricos em células leveduriformes.

Palavras-chave: Esporotricose; Itraconazol; Micoses; Molusco contagioso


 

 

O aumento da incidência da esporotricose no Brasil tem feito com que cada vez mais sejam observados casos de localizações inusitadas, lesões morfologicamente diferentes das formas clássicas, generalização e sistematização do acometimento pelo Sporothrix schenckii.1-4 Relatamos o caso de paciente masculino, 52 anos, com antecedentes de hepatopatia alcoólica, há três meses apresentando mialgia, febre noturna, sudorese e emagrecimento de 23 quilos. Há 30 dias, notou pápula eritematosa na coxa esquerda, posterior ulceração e disseminação rápida de lesões para todo o tegumento. Ao exame dermatológico, foram observadas pápulas, nódulos e ulcerações com crostas melicéricas e superfície rupioide em toda a superfície corporal (Figura 1), além de lesões de aspecto molusco-símile na face e região cervical, sialorreia e ulcerações nos pilares amigdalianos e na mucosa nasal (Figura 2). O exame micológico direto demonstrou numerosas células leveduriformes. A histopatologia evidenciou dermatite granulomatosa crônica e numerosas formas "em charuto" ou em forma de clava (Figuras 3 e 4). S. schenckii foi identificado na cultura dos fragmentos cutâneo e da mucosa nasal, e a micromorfologia mostrou microconídeos em gotas com arranjo floral. Sorologias para HIV, hepatites B e C e lues (VDRL) foram negativas. Na investigação laboratorial, não foi evidenciado acometimento sistêmico, e os achados foram compatíveis com esporotricose cutaneomucosa disseminada.5-8 Foi instituído tratamento com anfotericina B por 10 dias, sendo suspenso em decorrência de hipocalemia refratária. Foi introduzido, assim, itraconazol 400 mg/dia por 40 dias, porém houve recrudescência do quadro, sendo reinstituída a anfotericina B por mais 10 dias. O paciente, entretanto, evoluiu para óbito. Este é o primeiro caso descrito na literatura de esporotricose com lesões molusco-símiles.9

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

1. Lopes-Bezerra LM, Schubach A, Costa RO. Sporothrix schenckii and Sporotrichosis. An Acad Bras Cienc. 2006;78:293- 308.         [ Links ]

2. Ramos-e-Silva M, Vasconcelos C, Carneiro S, Cestari T. Sporotrichosis. Clin Dermatol. 2007;25:181-7.         [ Links ]

3. Schechtman RC. Sporothrichosis: part I. Skinmed. 2010;8:216-20.         [ Links ]

4. Schechtman RC. Sporothrichosis: part II. Skinmed. 2010;8:275-80.         [ Links ]

5. Schamroth JM, Grieve TP, Kellen P. Disseminated sporotrichosis. Int J Dermatol. 1988;27:28-30.         [ Links ]

6. Edwards C, Reuther III BWL, Greer DL. Disseminated osteoarticular sporotrichosis: treatment in a pacient with acquired imunodeficiency syndrome. South Med J. 2000;93:803- 6.         [ Links ]

7. Pereira JCB, Grijó A, Pereira RRM, Oliveira ANS, Andrade AC, Ferreira ACM, et al. Esporotricose disseminada- Caso clínico e discussão. Rev Port Pneumol. 2008;14: 443- 9.         [ Links ]

8. Neto RJP, Machado AA, Castro G, Quaglio ASS, Martinez R. Esporotricose cutânea disseminada como manifestação inicial da síndrome da imunodefiência adquirida-relato de caso. Rev Soc Bras Med Trop. 1999;32:57-61.         [ Links ]

9. Kauffman CA, Bustamante B, Chapman SW, Pappas PG; Infectious diseases society of America. Clinical practice guidelines for the management of sporotrichosis: 2007 update by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2007;45:1255- 65.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Regina Casz Schechtman
Rua Vonluntários da Pátria, 435 / 5º andar, Botafogo
22270-000 Rio de Janeiro, RJ
Telefones: (21) 2527-2103
E-mail: regina.schechtman@gmail.com

Recebido em 11.04.2010.
Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 22.10.2010.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

* Trabalho realizado no Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay - Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.