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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.86 no.4 supl.1 Rio de Janeiro July/Aug. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000700021 

CASO CLÍNICO

 

Líquen escleroso e atrófico acral : relato de caso*

 

 

Fernanda de Oliveira VianaI; Luíza Helena dos Santos CavaleiroI; Deborah Aben Athar UngerII; Mario Fernando Ribeiro de MirandaIII; Arival Cardoso de BritoIV

IMédica residente do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil
IIMestra em doenças tropicais pela Universidade Federal do Pará (UFPA) - Professora adjunta de Dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil
IIIEspecialista em Dermatopatologia pelo International Committee for Dermatopathology (ICDP) e pela Union Européenne des Médecins Spécialistes (UEMS). Especialista em Dermatologia pela SBD - Professor adjunto de Dermatologia da Universidade Federal do Para (UFPA). Responsável pelo laboratório de dermatopatologia do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil
IVDoutor e livre-docente em Dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Professor do Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais Instituto de Medicina Tropical da Universidade Federal do Pará UFPA - Professor do Programa de Pós-Graduação em Biologia dos Agentes Infecciosos e Parasitários do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA). Chefe do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O líquen escleroso e atrófico é uma doença crônica da pele e mucosas, que, usualmente, afeta a área genital de mulheres. Poucos casos de líquen escleroso e atrófico, confinados nos pés e/ou mãos, têm sido relatados. Relatamos um caso de líquen escleroso e atrófico envolvendo as extremidades e,posteriormente, a área perigenital.

Palavras-chave: Esclerose; Líquen escleroso e atrófico; Pé


 

 

INTRODUÇÃO

Líquen escleroso e atrófico (LEA) é doença inflamatória crônica, incomum, que acomete, em especial, a região genital de mulheres adultas.1,2,3 As formas extragenitais são raras acometendo, preferencialmente, a região torácica.2 Descrevemos um raro caso de LEA extragenital, cuja manifestação inicial foi na região palmoplantar.

 

RELATO DO CASO

Paciente feminina, 57 anos, natural e procedente de Belém, com queixa de manchas claras nas plantas dos pés, acompanhadas de ardor local há dois anos. Fez uso de diversas medicações tópicas, tais como: desonida, calcipotriol, pimecrolimus, clobetasol e prednisona oral, sem melhora do quadro. Ao exame dermatológico, observa-se a presença de pápulas hipocrômicas, algumas isoladas, outras agrupadas formando placas, com áreas de descamação, localizadas nas plantas dos pés, incluindo a região do cavum bilateralmente (Figuras 1 e 2). Observavam-se lesões semelhantes, em menor quantidade, nas palmas das mãos. Levantou-se como hipótese diagnóstica verruga plana e foi realizada biópsia da lesão. No histopatológico, observou-se a epiderme com hiperceratose, aplainamento das cristas interpapilares, escamotização de interface em áreas, infiltrado inflamatório linfocitário, em faixa na derme superior, e homogeneização do conjuntivo, com vasos ectasiados separando a epiderme do infiltrado (Figura 3). Achados esses compatíveis com LEA. Foi prescrito tacrolimus 0,1% pela manhã e clobetasol creme, à noite. Após três meses, a paciente retornou com melhora do aspecto das lesões dos pés e melhora do ardor, mas apresentando lesões eritêmato-hipocrômicas, de superfície brilhante, apergaminhadas, bem delimitadas, de tamanhos variados, na região inguinal (Figura 4). Optou-se por realizar biópsia das novas lesões e o exame histopatológico evidenciou achados condizentes com LEA.

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

LEA é uma doença inflamatória crônica, benigna e pouco comum. É mais prevalente no sexo feminino, numa proporção de 6 a 10 mulheres para cada homem. 1,2 Há maior incidência em caucasianas por volta dos 40 anos de idade. A etiologia é desconhecida acreditando-se haver uma suscetibilidade genética. Há forte relação com doenças autoimunes e estudos imunogenéticos têm revelado associação com o HLA-DQ7.4,5,6 Alguns autores suportam a teoria que o LEA e a esclerodermia seriam espectros da mesma doença, porém o assunto é controverso. 7 Ocorrem, predominantemente, na área genital (83 a 98% dos casos), com lesões extragenitais variando de oito a 20% dos casos. 1,2,3, 8

Nas mulheres, a forma genital é denominada craurose vulvar, sendo observadas lesões intensamente puriginosas, que formam erosões dolorosas, com atrofia vulvar progressiva, estreitamento do intróito vaginal e dispaurenia.1,3 No homem, a forma genital é conhecida como balanite xerótica obliterante, também sendo observados prurido, dor, erosões e fissuras.1 Apresenta-se clinicamente como máculas, pápulas e placas brancas e brilhantes com tampões córneos foliculares.2 As formas extragenitais apresentam localização preferencial na região ântero-superior do tronco, pescoço, membros superiores e inferiores, orelha, face, mucosa oral e nariz.2,9 Localizações ainda mais atípicas são: região palmoplantar, mamilos e couro cabeludo.1,10 Podem ser assintomáticas ou causar prurido e ardor local. 2 O diagnóstico é clínico e histopatológico. Topicamente são utilizados corticoides de alta potência, imunomoduladores, retinoides, progesterona e estrógeno, além de retinoides sistêmicos. 1,3,11 Outras opções incluem criocirurgia, vulvectomia, laser de CO2, porém apresentam altos índices de recidiva.3 Descrevemos um caso de LEA extragenital, com acometimento inicial da região palmoplantar e ,posteriormente, inguinal, forma rara de apresentação, com apenas um caso relatado na literatura mundial.10

 

REFERÊNCIAS

1. Coelho WS, Diniz LM, Souza Filho JB. Líquen escleroso e atrófico - relato de dois casos de apresentação atípica. An Bras Dermatol. 2006;81(5Supl3):S297-300.         [ Links ]

2. Preciado MM, Almeida JGD, Romo EM. Liquen escleroso y atrófico extragenital. Rev Cubana Med. 2003;42:36-3.         [ Links ]

3. Smith RS, HaefnerHK. Vulvar Lichen Sclerosus: Pathophysiology and Treatment. Am J Clin Dermatol. 2004;5:105-25.         [ Links ]

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11. Assmann T, Becker-Wegerich P, Grewe M, Megahed M, Ruzicka T. Tacrolimus ointment for the treatment of vulvar Lichen Sclerosus. J Am Acad Dermatol. 2003;48:935-7.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Fernanda de Oliveira Viana
Rua Tibúrcio Cavalcante - 2777 - Apt. 702
60125 101 Fortaleza CE
E-mail: nandinhaviana@hotmail.com

Recebido em 28.12.2010.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 14.02.2011.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

* Trabalho realizado no: Serviço de dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil.