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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.86 no.4 supl.1 Rio de Janeiro July/Aug. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000700049 

CASO CLÍNICO

 

Tumor triquilemal proliferante - relato de caso*

 

 

Luíza Helena dos Santos CavaleiroI; Fernanda de Oliveira VianaI; Clivia Maria Moraes de Oliveira CarneiroII; Mario Fernando Ribeiro de MirandaIII

IMédica residente do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil
IIMestre em Doenças Tropicais pela Universidade Federal do Pará - Professora Adjunta de Dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil
IIIEspecialista em dermatologia da pela SBD. Especialista em Dermatopatologia pelo International Committee for Dermatopathology (ICDP) e pela Union Européenne des Médecins Spécialistes (UEMS). - Professor adjunto de Dermatologia da Universidade Federal do Para (UFPA). Responsável pelo laboratório de dermatopatologia do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Tumor triquilemal proliferante é uma neoplasia incomum que surge do istmo folicular, cuja característica histológica é a presença de ceratinização triquilemal. Apresenta-se usualmente como nódulo solitário no couro cabeludo de mulheres idosas. Descreve-se um caso de tumor triquilemal proliferante que se apresenta como lesão tumoral nodular na região glútea de uma jovem de 16 anos de idade.

Palavras-chave: Cistos; Histologia; Nádegas


 

 

INTRODUÇÃO

Tumor triquilemal proliferante (TTP) é uma neoplasia incomum, descrita pela primeira vez em 1966 por Wilson e Jones1, como 'cisto epidermoide proliferante'. A maioria das lesões ocorre no couro cabeludo de mulheres idosas, como lesão nodular solitária.2-4 Relatamos um caso de TTP que se apresentou como lesão tumoral nodular, localizada na região glútea de uma paciente jovem, aspectos pouco relatados na literatura mundial.

 

RELATO DE CASO

Paciente feminina, 16 anos, referia o surgimento, há cinco meses, de pápula pruriginosa na região glútea, que evoluiu com o desenvolvimento de lesão tumoral de crescimento progressivo e episódios de sangramento local. Ao exame dermatológico, apresentava lesão tumoral, pedunculada, com fissuras, sangramento e exulceração, medindo cerca de 2,5 cm, localizada na região glútea esquerda (Figura 1). Foi realizada exérese completa da lesão. Ao exame histopatológico, observou-se uma proliferação intradérmica de arquitetura lobular, formada por agregados de células eosinofílicas epitelioides, pleomórficas, com atipias nucleares, envoltos por pseudocápsula fibrosa (Figura 2). O tumor apresentava focos de acantólise e áreas compostas por conjunto de células claras, com centros ceratinizados, representativos de diferenciação triquilemal (Figura 3 e 4). O estroma exibia numerosos vasos e tecido de granulação sob epiderme hiperplásica. A correlação entre os achados clínicos e os histopatológicos confirmou o diagnóstico de TTP.

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

TTP é uma neoplasia anexial incomum, diferenciando-se na bainha epitelial externa do folículo piloso. Acredita-se que surge a partir de um cisto triquilemal (CT). O TTP e o CT possuem como marcador histológico a presença de ceratinização triquilemal (abrupta transição de células nucleadas epiteliais para células anucleadas, ceratinizadas, sem a formação de camada granulosa).2 Em geral, os TTP são maiores e mais atípicos quando comparados ao CT, podendo, em alguns casos, simular o carcinoma espinocelular.3,4 Aproximadamente 90% dos casos apresentam lesões de couro cabeludo, descritas clinicamente como lesões nodulares solitárias, de crescimento lento. 3,4,5 Outras localizações menos comuns incluem pescoço, tronco, axilas, púbis, vulva, membros inferiores e superiores, lábio superior e região glútea.2,6,-8 Há relatos de lesões múltiplas, ulceração e sangramento2,5. Mulheres são mais afetadas do que homens, com idade de apresentação acima de 60 anos; contudo, há casos reportados em indivíduos jovens.3-5,6,9 Histologicamente, o tumor caracteriza-se por proliferação de células basaloides e escamosas, com ceratinização triquilemal abrupta e graus variados de atipia citológica.5 Algumas células podem ter aspecto claro ou vacuolizado e a periferia das células epiteliais exibe membrana eosinofílica, PAS positiva.5 Na maioria das comunicações, é caracterizado como lesão benigna.4,10 Há relatos de formas clínicas e histológicas malignas, com disseminação local ou linfonodal, raramente hematogênica.5,10-12 É previsto maior risco de metástase quando a lesão ocorre fora do couro cabeludo, apresenta crescimento rápido e infiltrativo, tem diâmetro maior do que 5 cm e/ou mostra atipia citológica e atividade mitótica.10 O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica com margem de 1 cm.4,9 Devido à alta taxa de recorrência local, a cirurgia micrográfica de Mohs surge como opção terapêutica.13

 

REFERÊNCIAS

1. Jones EW. Proliferating epidermoid cysts. Arch Dermatol. 1966;94:11-9.         [ Links ]

2. Satyaprakash AK, Sheena DJ, Sangüeza OP. Proliferating trichilemal tumors: a review of the literature. Dermatol Surg. 2007;33:1102-8.         [ Links ]

3. Brownstein M, Arluk D. Proliferating trichilemmal cyst: a stimulant of squamous cell carcinoma. Cancer. 1981;48:1207-14.         [ Links ]

4. Matte SMW, Melo IS, Pinto MS, Melchiors E. Cisto triquilemal proliferante: relato de um caso exuberante. An Bras Dermatol. 1997;72:206-10.         [ Links ]

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12. Lopez-Rios F, Rodriguez-Peralto JL, Aguilar A, Hernandez L, Gallego M. Proliferating trichilemmal cyst with focal invasion: report of a case and a review of the literature. Am J Dermatopathol. 2000;22:183-7.         [ Links ]

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Endereço para correspondência:
Fernanda de Oliveira Viana
Rua Tibúrcio Cavalcante, 2777 - Apartamento 702 Dionísio Torres
60125-101 Fortaleza (CE) - Brasil
E-mail: nandinhaviana@hotmail.com

Recebido em 30.12.2010.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 19.02.11.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

 

 

* Trabalho realizado no: Serviço de dermatologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil.