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Cerâmica

versão impressa ISSN 0366-6913

Cerâmica v.46 n.300 São Paulo out./nov./dez. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0366-69132000000400006 

Utilização de caulim e meta-caulim em substituição à microssílica em concretos refratários aluminosos auto-escoantes

 

(Kaolin and meta-kaolin application as a microsilica alternative for high-alumina self-flowing refractory castables)

 

M. V. Gerotto1, S. S. Cabo2, M. D. M. Innocentini1, V. C. Pandolfelli1
1Departamento de Engenharia de Materiais - DEMa.
Universidade Federal de S. Carlos ¾ UFSCar.
Rod. Washington Luiz, km 235, C. P. 676, S. Carlos, SP, 13565-905
gerotto@iris.ufscar.br, vicpando@power.ufscar.br
2Caulim da Amazônia S. A. - CADAM
Vila Munguba s/nº, C. P. 11, Monte Dourado, PA, 68240-000

 

 

Resumo

O aprimoramento na aditivação e no empacotamento de partículas, associado ao surgimento de novas matérias-primas como microssílica e aluminas calcinadas especiais tem promovido um grande desenvolvimento tecnológico na classe dos materiais refratários. Em especial, a microssílica tem mostrado ser um importante componente na evolução dos concretos refratários. Seu tamanho micrométrico, forma arredondada e pureza proporcionam concretos com elevada densidade de empacotamento, possibilitam a auto-escoabilidade e ainda a formação da mulita in-situ em temperaturas próximas a 1400 ºC, melhorando consideravelmente as propriedades a altas temperaturas desses produtos. Neste trabalho foi investigada a possível substituição da microssílica em concretos aluminosos auto-escoantes e sem-cimento (0,07% de CaO) de alto desempenho a quente, por caulim e meta-caulim, ambos de alta pureza e tamanho micrométrico, similares à microssílica. O menor custo destas matérias-primas, associado ao fato de formarem mulita em temperaturas próximas a 1200 ºC, muito inferiores à da microssílica, são fatores que os tornam muito promissores para aplicações em concretos aluminosos. Os resultados mostram que a utilização do caulim promove características de fluidez e empacotamento muito similares às dos concretos com microssílica, enquanto que o uso de meta-caulim não proporciona valores tão expressivos. A formação de mulita ocorre próximo a 1200 ºC, muito inferior àquela observada para a microssílica (1400 ºC). Contudo, a resistência mecânica a quente dos concretos com caulim/meta-caulim foi afetada pela formação de trincas na matriz, provavelmente decorrente da superior sinterabilidade dessas matérias-primas silico-aluminosas.

Palavras-chave : concreto refratário, microssílica, caulim, meta-caulim, mulita, propriedades mecânicas.

 

Abstract

The improvement in the use of additives and in the packing of particles, associated with the development of new raw materials, such as microsilica and special calcined aluminas, have promoted a great technological advance in the processing of refractory castables in the last decades. Microsilica in particular has been verified to be an important component in the refractory castables evolution. The micrometric size, roundness and high purity allow the processing of castables with high packing density, self-flow behaviour and also the formation of in-situ mullite at temperatures around 1400 ºC, improving considerably the high-temperature properties of such materials. The substitution of microsilica by high-purity kaolin and meta-kaolin in free-cement aluminate refractory castables has been investigated in this work. The lower cost and the fact that this raw material yields mullite at lower temperatures (around 1200 ºC) make the use of kaolin very promising for refractory castable applications. The results have shown that the use of kaolin promotes flowability as high as those shown by castables containing microsilica, whereas the use of meta-kaolin has not yielded equally expressive results. The mullite formation occurred at temperature around 1200 ºC, which is inferior to that observed with microsilica (1400 ºC). The hot mechanical strength was affected by the formation of microcracks in the matrix, most likely due to the higher sinterability of these alumino-silicate raw materials.

Keywords: refractory castable, microsilica, kaolin, meta-kaolin, mullite, mechanical properties.

 

 

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, a classe dos concretos refratários aluminosos vem apresentando um grande desenvolvimento tecnológico estimulado pelas melhores propriedades que apresentam em relação aos produtos convencionais. Com o advento e uso de partículas micrométricas, tais como a microssílica e as aluminas calcinadas especiais, esses concretos alcançaram consideráveis níveis de fluidez, densidade e propriedades mecânicas a altas temperaturas. Essas partículas ultra-finas atuam de forma a preencher os espaços vazios existentes entre as partículas maiores, aumentando a densidade de empacotamento, reduzindo a quantidade de água necessária para o processamento e proporcionando a auto-escoabilidade do produto [1].

Outra grande vantagem dessas partículas micrométricas é o uso como substituto parcial do cimento de aluminato de cálcio, CAC, visto que auxiliam no aumento da resistência mecânica a verde através do melhor empacotamento granulométrico. A eliminação do CAC tem sido amplamente desejada uma vez que o CaO presente na composição reage com a Al2O3 e SiO2 formando fases de baixo ponto de fusão como a anortita e guelenita (1345 e 1380 ºC, respectivamente), prejudicando suas características refratárias. Essa constante redução deu origem aos concretos de baixo teor de cimento (BTC), ultra-baixo teor de cimento (UBTC) e atualmente sem-cimento (SC), sendo que neste último o teor de CaO deve ser £ 0,2% peso. (ou ~ 1% de CAC) [1]. Também são classificados como sem-cimento os concretos com outros tipos de agentes hidráulicos isentos de CaO, como por exemplo as aluminas de transição.

A microssílica, em particular, tem sido amplamente utilizada nos concretos aluminosos devido ao seu tamanho micrométrico (0,1 a 1 mm), pureza e forma arredondada. Essas qualidades proporcionam a produção de concretos auto-escoantes com elevado grau de empacotamento e com baixos teores de água para a sua moldagem. Outra grande vantagem é sua reação com aluminas micronizadas a altas temperaturas, ³ 1400 ºC, formando mulita in-situ na matriz do concreto. A mulita é uma fase de grande interesse e uma vez presente no concreto melhora suas resistências mecânica, à fluência, à corrosão e ao choque térmico [2].

Os trabalhos de Myhre [3, 4] e Gerotto [5] apresentam concretos aluminosos auto-escoantes com excelentes valores de resistência mecânica a quente (M.R.Q.) com a utilização da microssílica como formadora da mulita. Uma desvantagem de seu uso é a formação de uma fase meta-estável silico-aluminosa com ponto de fusão em torno de 1300 ºC, inerente a esse sistema Al2O3-SiO2, que reduz consideravelmente a resistência mecânica a quente [5, 6].

A formação de mulita em condições mais favoráveis tem sido amplamente estudada através da aplicação de diferentes técnicas tais como a de sol-gel, o uso de precursores coloidais [7], etc. A utilização de matérias-primas naturais silico-aluminosas como silimanita, caulim e cianita são também fontes para sua obtenção, porém o principal inconveniente neste caso é a presença de impurezas.

O caulim tem mostrado ser uma interessante matéria-prima para a obtenção de mulita in-situ em cerâmicas estruturais e avançadas, podendo ainda ser aplicado em situações refratárias. O caulim passa por diversas transformações até a formação da mulita, descritas a seguir:

i) Próximo a 560 ºC ocorre sua des-hidroxilação com a perda dos grupos -OH de sua estrutura cristalina formando o meta-caulim amorfo.
ii) A aproximadamente 980 ºC ocorre a decomposição do meta-caulim em quatro fases distintas.

Essas fases desenvolvidas a 980 ºC e suas quantidades são alvos de diferentes trabalhos, porém o de Chakravorty et. al. [8] é um dos mais atuais e completos. Segundo este autor, as fases formadas nessa temperatura e suas proporções são:

i) espinélio Si-Al (ou mulita cúbica), fase principal ® 25 ¾ 35 %-p.
ii) mulita ortorrômbica (fracamente cristalizada), fase minoritária ® 4 ¾ 6 %-p.
iii) fase silico-aluminosa (amorfa) ® 30 ¾ 40 %-p.
iv) SiO2 amorfo ® 35 ¾ 37 %-p.

Portanto, na temperatura de 980 ºC já existe uma pequena quantidade de mulita fracamente cristalizada. Com o aquecimento em temperaturas superiores a transformação do espinélio Si-Al para mulita ortorrômbica (transformação polimórfica) entre 1100 e 1250 ºC, e a nucleação na fase amorfa silico-aluminosa na faixa de 1250 a 1400 ºC, resultam em posterior formação da mulita [8].

Na etapa final de reação, um excedente de SiO2 permanece na forma amorfa, prejudicando as propriedades do compósito a que foi adicionado o caulim. Uma solução comum é a adição de aluminas micronizadas, e portanto altamente reativas, de forma a reagir com esse SiO2 formando uma quantidade adicional da fase denominada mulita secundária [9].

A formação de mulita em temperaturas tão baixas, quanto a 980 ºC ou 1250 ºC, está associada à presença de ligações do tipo Si-O-Al neste composto, formadas na decomposição do meta-caulim a 980 ºC [8] . Esse tipo de ligação decorrente da íntima associação dos componentes Si e Al nos compostos silico-aluminosos é muito mais susceptível a mulitização do que numa mistura mecânica.

Neste trabalho são avaliadas e comparadas com composições contendo microssílica, as propriedades resultantes após a incorporação de um caulim e de meta-caulim em concretos refratários aluminosos. A elevada pureza, tamanho de partícula micrométrico (~ 98% menor que 2 mm) e abundância no Brasil os tornam matérias-primas com grande potencial para obtenção de concretos auto-escoantes e com mulitização in-situ. Nesses concretos, a presença de grande quantidade de aluminas calcinadas de alta reatividade, proporciona a reação com o excesso de SiO2 formando mulita secundária.

 

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

A avaliação da substituição da microssílica em concretos aluminosos e auto-escoantes pelo uso de um caulim ou meta-caulim de alta pureza foi realizada em duas etapas distintas: 1a) analise da viabilidade de sua utilização como porção ultra-fina de partículas na obtenção de concretos densos, com baixo teor de água de moldagem e características auto-escoantes; 2a) a viabilidade de serem incorporados a esses concretos em quantidade suficiente para formar mulita in-situ, melhorando assim suas propriedades a quente.

Os concretos produzidos em ambas as etapas foram caracterizados e comparados com concretos aluminosos contendo 6%-p. de microssílica, chamado aqui de (MS 6). Este concreto possui excelentes características de fluidez (auto-escoante) com baixos teores de água e ainda adequadas propriedades mecânicas a quente devido principalmente à formação de mulita in-situ.

O caulim utilizado possui baixo nível de impurezas, Tabela I, e o meta-caulim foi obtido a partir deste após calcinação a 750 ºC.

 

 

Para a primeira etapa foram projetados dois concretos de alta alumina contendo caulim (K 3) ou meta-caulim (MK 3) na mesma quantidade em volume (10%) e distribuição granulométrica que a do concreto de referência, MS 6, Tabela II. Como as curvas de distribuição granulométrica são construídas pela adição de diferentes quantidades e tamanhos de partículas de forma a preencher um certo volume, a formulação é feita utilizando-se porcentagens em volume (%-v.) das diferentes partículas.

 

 

Na Tabela II a nomenclatura adotada consiste da sigla K para as composições contendo caulim, MK com meta-caulim e MS com microssílica, e o número que segue a sigla representa a quantidade aproximada de SiO2 (em %peso) presente no concreto a partir de cada componente utilizado (ex: MK 3 composição utilizando meta-caulim o qual resulta em 3% de SiO2).

As curvas de distribuição granulométrica foram projetadas segundo modelo de Andreasen com coeficiente de distribuição, q = 0,21, o qual tem se mostrado muito útil na obtenção de concretos auto-escoantes [4, 5, 10]. Para a construção dessas curvas utilizou-se o software PSDesigner [11] o qual combina as diferentes matérias-primas selecionadas em função de uma curva alvo desejada. A Fig. 1 apresenta essas curvas para os concretos K 3 e MS 6 em comparação à do modelo teórico de Andreasen com q = 0,21. A curva para o concreto com meta-caulim, MK 3, é muito próxima a da composição K 3.

 

 

Em relação ao processamento, os concretos foram caracterizados principalmente com relação à fluidez-livre (ou auto-fluência), teor de água necessária para sua mistura para se tornarem auto-escoantes e observação visual de suas características dilatantes.

Segundo a norma ASTM C-680, um concreto é considerado auto-escoante quando sua fluidez se encontra na faixa de 80 a 110%. Essa técnica envolve a adição de certa quantidade de concreto em um cone truncado com diâmetro inferior de 100 mm, sendo a fluidez-livre medida em % de espalhamento, avaliada após a retirada do cone, permitindo que o concreto flua somente pela ação da gravidade.

Numa segunda etapa, foram projetados concretos de alta alumina contendo caulim (K 6), mistura de microssílica e caulim (MS3-K3) e mistura de microssílica e meta-caulim (MS3-MK3). O importante nesses experimentos foi manter constante o teor de SiO2 presente no concreto (6%-p.). Diversos trabalhos em concretos refratários aluminosos [3-5] mostram que existe um valor mínimo de ~ 5 a 6%-p de SiO2, abaixo do qual a mulitização é insuficiente para o incremento da resistência mecânica a quente.

A Fig. 1 apresenta a curva de distribuição granulométrica do concreto com caulim (K 6) e do concreto com mistura microssílica e caulim (MS3-K3) em comparação ao concreto de referência (MS 6). A curva para o concreto MS3-MK3 não apresentada nessa figura, é similar à do concreto MS3-K3.

Todos estes concretos (2a etapa) foram caracterizados com relação às propriedades finais: módulo de ruptura a quente (M.R.Q.), porosidade aparente, fases presentes através de difração de raios X, microestrutura e permeabilidade.

Quanto à produção de cada concreto, as matérias-primas e aditivos foram previamente pesados, misturados a seco e posteriormente adicionados a um misturador planetário no qual se fez a adição gradativa de água (~ 10 min.).

Como aditivo defloculante foi utilizado o ácido cítrico mono-hidratado, cuja adição foi adequada à área superficial específica de cada composição uma vez que as diferentes matérias-primas têm áreas superficiais muito distintas. O teor utilizado foi de 2,7.10-4 g/m2.

Corpos-de-prova com dimensões 25x25x150 mm3, foram moldados com o menor teor de água possível para se obter um concreto auto-escoante.

O cimento de aluminato de cálcio (CA 270) foi utilizado em pequena quantidade, 0,25%-p. (< 0,07%-p. de CaO), suficiente apenas para se obter a consolidação à verde do concreto. Os corpos foram curados por 24 horas em ambiente saturado com vapor de água (dentro de sacos plásticos), sendo a seguir expostos 24 horas ao ar e 24 horas em estufa a 110 ºC.

Os corpos referentes à segunda etapa do estudo foram sinterizados nas temperaturas de 1200, 1300, 1400 e 1500 ºC por 12 horas para posterior medida do M.R.Q. Adicionalmente, os concretos K 3, K 6 e MS3MK3 foram tratados termicamente nas temperaturas de 110, 400, 800 e 1000 ºC, além das anteriormente citadas para a avaliação do efeito da saída de água estrutural sobre a porosidade aparente .

O módulo de ruptura a quente foi obtido nas temperaturas de sinterização entre 1200 e 1500 ºC , com exceção daqueles tratados por 12 horas a 1500 ºC, em que o ensaio foi realizado a 1490 ºC por restrições do equipamento. Cinco corpos-de-prova para cada composição e temperatura foram utilizados para o ensaio de flexão a 3 pontos, segundo norma ASTM C583, em um equipamento com alimentação contínua de corpos-de-prova (NETZSCH modelo MOR 422 D/3).

A difração de raios X (SIEMENS, D 5000) foi realizada após cominuição das amostras em moinho rotativo revestido com carbeto de tungstênio (WC) até que todas as partículas fossem inferiores à 106 mm (150 mesh).

A porosidade aparente foi avaliada através do método de Arquimedes com imersão das amostras sinterizadas em água e as amostras a verde em querosene.

A permeabilidade dos concretos refratários foi avaliada segundo a técnica descrita por Innocentini et al. [12-16]. Corpos-de-prova com 7,5 cm de diâmetro e 2,5 cm de espessura foram submetidos ao escoamento de ar em temperatura ambiente e pressões entre 1 e 6 bar (0,1 e 0,6 MPa). Os valores experimentais de pressão na entrada (Pe) e na saída (Ps) da amostra e de velocidade do ar (vs) foram introduzidos na equação de Forchheimer, expressa como:

na qual m e r são a viscosidade e a densidade do ar, respectivamente e L é a espessura da amostra. P é a pressão na qual são medidos ou calculados os valores de vs, m e r. As constantes k1 e k2 são propriedades apenas do meio poroso e conhecidas como permeabilidade Darciana e não-Darciana, respectivamente.

O termo mvs/k1 na equação de Forchheimer representa a contribuição das forças viscosas sobre a queda de pressão, geradas predominantemente pelo atrito entre as camadas do fluido e pela interação entre o fluido e a superfície dos poros. O termo rvs2/k2 representa, por sua vez, a atuação das forças inerciais sobre a queda de pressão, causadas pela turbulência do fluido e acentuadas pela tortuosidade do meio poroso. Na prática a predominância de um ou de outro termo é função da faixa de velocidades utilizada e das constantes k1 e k2. Estas últimas podem então ser utilizadas para avaliar as modificações estruturais que ocorrem no concreto refratário com a elevação da temperatura de tratamento térmico e com a conseqüente modificação de fases.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As características do processamento dos concretos podem ser visualizadas na Tabela III. Em comparação ao concreto de referência, MS 6, o concreto com adição de caulim, K 3, apresentou características bastante similares alcançando 97% de fluidez, portanto auto-escoabilidade, com os mesmos 16%-v. de água. A diferença marcante entre esses concretos foi o aparecimento de dilatância na composição contendo caulim, K 3. O fenômeno de dilatância pode estar associado ao formato irregular de placas hexagonais do caulim, as quais interferem no fluxo da massa durante seu escoamento [17].

 

 

O concreto com meta-caulim, MK 3, apresentou excessiva dilatância durante o processamento, muito superior a do concreto com caulim, impossibilitando sua mistura com teor de água próximo a 16,0%-v. Com o acréscimo de água para 19,5%-v. a dilatância pôde ser reduzida e a massa ser misturada, porém o valor de fluidez-livre atingiu valores elevados, em torno de 164%. A fluidez em excesso (> 110%) pode causar segregação das partículas grosseiras, devendo portanto ser evitada. Nesta composição esta dilatância tão pronunciada tem como causa, além da morfologia das partículas, a presença de aglomerados formados durante a calcinação para obtenção do meta-caulim [17]. A análise granulométrica nas matérias-primas, Fig. 2, confirma a presença de aglomerados com dimensões na faixa de 5 a 100 mm. Com a elevada temperatura de calcinação, 750 ºC, formam-se aglomerados fortes, os quais são dificilmente quebrados com baixas taxas de cisalhamento, como no caso da mistura do concreto.

 

 

A fim de confirmar a influência dos aglomerados na fluidez, o meta-caulim foi submetido a uma desaglomeração a úmido em moinho de bolas por 10 min., seguido de secagem em estufa e passagem em peneira com abertura de 100 mm, esta última para a quebra dos aglomerados fracos. A análise de distribuição de partículas, Fig. 2, confirma a quebra desses aglomerados. Apesar da redução ou quase eliminação dos aglomerados, a distribuição granulométrica não foi a mesma que a do caulim original. Quando adicionado ao concreto, após correção da distribuição granulométrica (Tabela II) o meta-caulim sem aglomerados, MK 3 moído, reduziu o teor de água para 18,0%v., (conforme Tabela III) mas mesmo assim gerou elevada dilatância. Estes resultados mostram que a etapa de desaglomeração não foi completamente efetiva, indicando que um processo mais eficaz, tal como a micronização a seco, poderia fornecer valores mais adequados com relação às características de processamento avaliadas.

Os concretos com potencial para formação de mulita (2a etapa) também foram analisados quanto às características de processamento, Tabela IV. O concreto com caulim, K 6, apresentou auto-fluência de 92% com 17,5%-v. de água. Estes valores estão de acordo com os resultados anteriores, pois este concreto possui uma maior quantidade de caulim, 13,3%-p. (ou 18,8%-v.), o que contribui para um significativo aumento da área superficial da matriz do concreto, e portanto maior volume de água para recobrir as partículas, Tabela V.

 

 

 

O concreto contendo microssílica e caulim, MS3-K3, não apresentou dilatância e pôde ser processado com os mesmos 16,0%-v. de água tal como o concreto de referência, MS 6. Contudo, sua fluidez foi prejudicada, permanecendo em 54%. Apesar de inferior, muitos autores consideram que valores até o limite mínimo de 50% para auto-fluência são aceitáveis. Estes concretos apresentaram uma boa capacidade de conformação e não foram verificados defeitos nos corpos após secagem, fato que vem a confirmar que a fluidez foi adequada.

O concreto contendo microssílica e meta-caulim moído, MS3-MK3, apresentou certa dilatância e necessitou de 17,0%-v. de água para atingir a fluidez de 70%.

Uma observação geral a todos os concretos foi a de que a presença de certo grau de dilatância no concreto propicia uma mistura mais eficiente e melhores acabamentos nos corpos-de-prova após moldagem. A exceção foi para os casos com extrema dilatância em que se necessitou excesso de água para mistura e foi verificada segregação após secagem.

 

PROPRIEDADES APÓS SINTERIZAÇÃO

Com relação às fases cristalinas desenvolvidas nos concretos nas diferentes temperaturas de tratamento térmico, a Fig. 3 apresenta os difratogramas de raios X para os concretos com 6%-p. de SiO2 (2a etapa). Não são apresentados os difratogramas para a composição MS3-MK3, uma vez que estes são muito similares ao da MS3K3.

 

 

Os difratogramas para o concreto com microssílica, MS 6, (Fig. 3a) mostram a existência de alumina em todas as temperaturas e o aparecimento da mulita somente a 1400 ºC, como o observado em outros trabalhos [3, 5].

Muitos autores [3, 4] colocam que a formação de mulita ocorre pela transformação da microssílica amorfa em líquido entre 1200 e 1300 ºC, com subsequente dissolução da alumina em seu meio e posterior precipitação da mulita pela reação entre Al2O3 e SiO2. Chakravorty et al. [8] em estudos com precursores amorfos de alumina e sílica para produção de mulita mostram que os componentes primeiro cristalizam em suas formas estáveis a altas temperaturas, respectivamente alumina-alfa e cristobalita, para depois reagirem entre si formando a mulita. Portanto o aparecimento da cristobalita a 1200 ºC no concreto MS 6 está de acordo com essas observações. Com o aumento de temperatura para 1300 ºC, a intensidade do pico de cristobalita diminui, indicando que parte está sendo consumida para formação de um líquido meta-estável silico-aluminoso conforme indicado por Myhre [18] e confirmado por Gerotto et al. [5] em concretos refratários de alta alumina. Esta fase silico-aluminosa, oriunda da reação entre Al2O3 e SiO2, e com fusão próxima a 1260 ºC [6], promove um aumento da taxa de dissolução e da difusão de ambos os componentes, facilitando a precipitação da mulita em seu meio.

A Fig. 3b apresenta as fases cristalinas presentes no concreto contendo caulim, K 6. Já se encontra pequena quantidade de mulita a 1200 ºC, certamente pela transformação polimórfica do espinélio Si-Al em mulita primária em conjunto com a pequena quantidade de mulita formada a 980 ºC, (mulita fracamente cristalizada). A quantidade de mulita aumenta a 1300 ºC sendo que na faixa de 1400 a 1500 ºC sua presença tem um significativo incremento, devido à formação de mulita oriunda do líquido silico-aluminoso e de mulita secundária decorrente da reação entre o SiO2 amorfo e as aluminas calcinadas do concreto. A cristobalita surge somente a 1200 ºC e em pequena intensidade, desaparecendo acima de 1300 ºC. A origem da cristobalita está associada à presença de SiO2 amorfo, indicando portanto que esta fase primeiro se cristaliza e em seguida é consumida. Em uma mesma escala de intensidade, observa-se que os concretos com composição MS 6 e K 6 apresentam quantidades próximas de mulita a 1500 ºC.

Com relação ao concreto contendo microssílica e caulim, MS3-K3, a Fig. 3c mostra uma evolução de fases intermediárias aos dois concretos anteriormente citados. Nota-se pequena quantidade de mulita a 1200 ºC devido à adição de caulim, e cristobalita na faixa de 1200 a 1300 ºC devido a cristalização da microssílica. A intensidade total de mulita também é comparável a do concreto com microssílica.

A obtenção do módulo de ruptura a quente, M.R.Q., (Fig. 4) nos concretos após o tratamento térmico ajudou a entender o efeito das fases cristalinas na microestrutura do material em estudo.

 

 

Para o concreto MS 6, o perfil de resistência a quente obtido está de acordo com diversos trabalhos em concretos refratários contendo microssílica [3-5]. Verifica-se elevada resistência a 1200 ºC devido ao ótimo empacotamento granulométrico fornecido pelas partículas micrométricas de aluminas calcinadas e microssílica. Nota-se também uma forte queda na resistência mecânica a 1300 ºC pela formação do líquido meta-estável silico-aluminoso, para composições contendo sílica e alumina [5, 6, 8]. Entre 1400 e 1500 ºC ocorre acentuado aumento na resistência mecânica desse concreto, fato que está associado à formação de mulita. A mulita precipita e cresce no líquido silico-aluminoso formado anteriormente, gerando cristais aciculares por toda a matriz do concreto. Tal efeito é o principal causador do aumento da resistência mecânica a quente nesta temperatura para concretos com baixo teor de CaO.

O concreto com caulim, K 6, apresentou baixa resistência mecânica já a 1200 ºC (~ 10 MPa) sendo esta resistência reduzida com o aumento da temperatura. Apesar da formação de mulita entre 1400 e 1500 ºC (Fig. 3b) similar à do concreto MS 6, nenhum incremento na resistência foi observado nessas temperaturas. A explicação para tal fenômeno exigiu experimentos adicionais de microscopia ótica e de dilatometria, os quais serão discutidos adiante.

Para o caso do concreto MS3-K3, a resistência mecânica a quente a 1200 ºC foi alta e similar a composição com microssílica, MS 6. A 1300 ºC observa-se a queda de resistência também associada à presença deste líquido transiente [3, 5]. Esse líquido, por sua vez, tem diversas origens, podendo ser decorrente: a) da reação entre microssílica e alumina, formando um líquido meta-estável, e ainda b) por uma possível reação entre o SiO2 excedente no caulim e a alumina. Apesar da queda a 1300 ºC, os valores de resistência foram pouco superiores aos do concreto com microssílica, MS 6, fato que está associado à existência de mulita nessas temperaturas devido à presença de caulim na composição. Com o aumento da temperatura para 1400 ºC, verifica-se ainda um certo incremento na resistência porém não tão marcante como no concreto com microssílica. Associa-se tal aumento à intensa formação de mulita (Fig. 3c) nessa temperatura. A 1500 ºC, a resistência diminui consideravelmente para valores próximos a 5 MPa, possivelmente pelo efeito de outros íons presentes no caulim, Tabela I, que contribuem para a formação de fase vítrea.

Para o concreto contendo meta-caulim e microssílica, MS3-MK3, a resistência a 1200 ºC foi superior a dos demais concretos (~ 20 MPa). Nesta temperatura apenas os efeitos do bom empacotamento e a presença de mulita podem justificar tais valores. Na faixa de temperatura entre 1300 e 1500 ºC a resistência diminuiu progressivamente, não sendo observado o aumento a 1400 ºC, como no caso da composição contendo microssílica e caulim, MS3-K3.

A porosidade aparente (ou aberta) foi avaliada e analisada em duas situações distintas para os concretos em estudo: uma para a região de alta temperatura (1200 a 1500 ºC), onde os corpos também tiveram o M.R.Q. avaliado, e outra na faixa de temperatura entre 110 ºC a 1000 ºC na qual não ocorrem fenômenos de sinterização intensos, os quais afetariam fortemente a porosidade. Por outro lado nesta faixa de baixa temperatura são avaliadas as possíveis conseqüências da saída de água estrutural, que ocorre no caulim (des-hidroxilação), sobre a porosidade aberta. Para temperaturas abaixo de 1000 ºC somente três concretos, K 3, K 6 e MS3-MK3, foram avaliados.

A porosidade aparente obtida pode ser visualizada na Fig. 5. O perfil dos resultados na região entre 1200 e 1500 ºC (região de análise do M.R.Q.) para o concreto com microssílica, MS 6, mostra baixa porosidade (11%) já a 1200 ºC sendo que a 1500 ºC este valor chega a ~ 4%. Essa intensa redução na porosidade é atribuída á formação do líquido meta-estável silico-aluminoso, o qual facilita o processo de difusão durante a sinterização. Associado à formação de mulita, essa baixa porosidade aberta é um fator favorável no aumento da resistência mecânica. Sendo assim, o concreto com microssílica tem grande potencial de aplicação, uma vez que além da elevada resistência a altas temperaturas, apresenta bom desempenho frente ao choque térmico devido à presença de mulita e ainda possui baixa porosidade aberta nessas temperaturas.

 

 

O concreto com caulim, K 6, apresentou os maiores valores de porosidade após a sinterização acima de 1200 ºC, seguido pelo concreto MS3-K3 e o MS3MK3. Os resultados para estas duas últimas composições foram próximos e apresentaram a mesma tendência. Esperava-se que a possível presença de fases líquidas oriundas do caulim ou meta-caulim intensificassem a redução na porosidade aberta, como nas amostras com microssílica. Essa elevada porosidade, quando comparada com a do concreto com microssílica, certamente prejudicou a resistência mecânica a quente dos concretos MS3-K3, MS3-MK3 e K 6 .

O entendimento de como o caulim e o meta-caulim atuam sobre a porosidade aparente foi parcialmente elucidado pela caracterização dessa porosidade na região de baixa temperatura, 110 a ~ 1100 ºC (Fig. 5). Esse estudo foi realizado para os concretos com caulim, K 6 e K 3, em comparação ao concreto contendo meta-caulim e microssílica, MS3-MK3. Os testes objetivaram analisar se a des-hidroxilação do caulim a ~ 560 ºC seria a causadora de uma elevada porosidade já em baixas temperaturas, dificultando o seu fechamento no posterior processo de sinterização. Por outro lado, com a utilização do meta-caulim não se esperava tal fenômeno. Os resultados confirmam as expectativas. Para ambos os concretos com caulim, K 6 e K 3, a porosidade aumenta com o acréscimo de temperatura entre 110 e 1100 ºC, indicando que a saída da água estrutural do caulim deixa vazios na estrutura. Tal fato não foi verificado com o uso do meta-caulim, uma vez que a porosidade se manteve praticamente constante para temperaturas inferiores a 1000 ºC.

A porosidade foi reduzida quando os concretos analisados foram tratados termicamente em temperaturas acima de 1100 ºC. Apesar da redução na porosidade, os valores de M.R.Q. dos concretos com caulim ou meta-caulim sempre foram inferiores aos demais. Com o intuito de analisar a morfologia da porosidade aberta, micrografias óticas foram realizadas para os concretos MS 6, K 6, MS3-K3 e MS3-MK3 a fim de tentar identificar a origem do baixo desempenho mecânico observado.

A Fig. 6 apresenta as micrografias de alguns destes concretos. A microestrutura para o concreto com microssílica, MS 6, Fig. 6a, sinterizado a 1500 ºC, é constituída de poros arredondados de diversos tamanhos, sendo que os agregados apresentam uma ótima adesão com a matriz. Esta é uma micrografia representativa para o concreto MS 6 tratado termicamente nas temperaturas entre 1200 e 1500 ºC.

 

 

A Fig. 6b apresenta a microestrutura para o concreto contendo caulim, K 6, também sinterizado a 1500 ºC. Observa-se claramente que a porosidade apresenta-se na forma de trincas em meio à matriz de partículas finas. Em todas as demais temperaturas entre 1200 e 1500 ºC foi observado macro-trincamento, o mesmo ocorrendo para o concreto contendo microssílica e caulim, MS3-K3. Uma possibilidade para a ocorrência das trincas poderia estar relacionada com a saída de água estrutural, ocorrida abaixo de 1000 ºC, a qual gerou um aumento na porosidade, Fig. 5. Tal hipótese foi descartada pela observação da microestrutura do concreto com microssílica e meta-caulim, MS3-MK3. Na temperatura de 1200 ºC, Fig. 6c, não se observa trincas na microestrutura, fato que certamente contribuiu para o elevado M.R.Q., Fig. 4. No entanto após a sinterização a 1300 ºC, Fig. 6d, nota-se a formação de macro-trincas, as quais continuam presentes nas amostras sinterizadas a 1400 e 1500 ºC. Parece então que sua origem provém do processo de sinterização a partir de 1200 ºC, decorrente da maior sinterabilidade do caulim e do meta-caulim.

Com o objetivo de analisar esta última hipótese, foram produzidos pequenos corpos-de-prova por colagem de barbotina constituídos somente pela matriz (aluminas calcinadas, microssílica, caulim e meta-caulim) dos concretos MS 6 e K 6, e analisado o comportamento de variação dimensional durante o processo de sinterização (25 a 1500 ºC).

A Fig. 7 apresenta os resultados de sinterização assistida. A composição alumina e microssílica, matriz do concreto MS 6, é estável até ~ 1200 ºC, a partir da qual tem-se pequena retração promovida pela formação do líquido meta-estável silico-aluminoso, enquanto que a composição de alumina com caulim, matriz do concreto K 6, apresenta três regiões distintas de retração. Uma primeira pequena retração na região de des-hidroxilação (~ 560 ºC) para formação do meta-caulim, a segunda também pequena durante a decomposição do meta-caulim (~ 980 ºC) e a terceira muito intensa acima de 1100 ºC.

 

 

Exatamente acima de 1200 ºC, inicia-se a intensa retração, portanto reforçando a hipótese de surgimento das macro-trincas decorrente da superior sinterabilidade da matriz contendo caulim ou meta-caulim.

Outra técnica utilizada para confirmar a presença de trincas foi a da permeabilidade. Tal técnica permite a obtenção de duas constantes de permeabilidade (k1 e k2), ajustadas através da equação de Forchheimer aos dados experimentais, que fornece indícios sobre a forma dos poros envolvidos. Os trabalhos de Pardo e Innocentini et al. [12-16] apresentam a técnica aplicada a concretos refratários e abordam os detalhes experimentais.

O ensaio de permeabilidade foi realizado somente para o concreto contendo microssílica e meta-caulim, MS3-MK3, pois constitui a condição em que não existe a saída de água estrutural.

A Fig. 8 apresenta os resultados de permeabilidade para a amostra MS3MK3. Observa-se que ambas as constantes k1 e k2 apresentaram aumento com a elevação da temperatura, sendo mais intenso o aumento entre 1000 ºC e 1300 ºC. Nesta faixa, a constante Darciana (k1) apresentou aumento de cerca de duas ordens de magnitude, indicando uma diminuição da interação superficial (área de contato) entre o fluido e o meio poroso, provavelmente pela sinterização dos microporos e diminuição da rugosidade dos meso e macroporos.

 

 

A constante não-Darciana (k2) aumentou, por sua vez, quatro ordens de magnitude entre 1000 e 1300 ºC, evidenciando a redução drástica na tortuosidade dos poros, decorrente da geração e alinhamento das macro-trincas. Embora a matriz dos concretos contendo caulim ou meta-caulim esteja sinterizando, a elevada retração gera uma família de macro-trincas que aumenta a permeabilidade do meio e mantém elevados os níveis de porosidade aberta, mesmo após a sinterização em alta temperatura.

 

CONCLUSÕES

A utilização do caulim na fração micrométrica da composição de concretos refratários auto-escoantes proporcionou auto-escoabilidade com baixos teores de água de processamento. Já o processamento com meta-caulim necessitou de teores muito superiores, porém uma vez submetido à moagem para quebra de seus aglomerados, a quantidade de água utilizada reduziu significativamente. O uso de ambos os componentes, caulim e meta-caulim, proporcionou o aparecimento de dilatância na massa de concreto, que está associado ao formato irregular de suas partículas, sendo mais intenso no caso do meta-caulim.

O caulim e o meta-caulim favoreceram o aparecimento da mulita nos concretos a 1200 ºC, muito abaixo da temperatura observada para o concreto contendo microssílica, 1400 ºC. A prévia mulitização está associada principalmente a transformação do espinélio Si-Al, oriunda da decomposição a 980 ºC, o qual se transforma polimorficamente em mulita entre 1100 e 1250 ºC.

Apesar da quantidade de mulita nos concretos contendo caulim ou meta-caulim ser similar ao com microssílica, os valores de M.R.Q. para esses concretos foram bem inferiores. A avaliação micrográfica e dilatométrica de suas matrizes mostra que tanto o caulim quanto o meta-caulim tem superior sinterabilidade, favorecendo a excessiva retração e desta forma levando à geração de macro-trincas, as quais são a principal causa da redução da resistência mecânica dos concretos a altas temperaturas.

A utilização do caulim e do meta-caulim em conjunto com a microssílica permitiu melhores valores de fluidez-livre, redução acentuada da dilatância, redução no consumo de água, a mesma intensidade de mulita final e porosidade reduzida quando comparados aos do concreto contendo somente caulim. Contudo, também foi observado o macro-trincamento na sua matriz prejudicando a resistência mecânica a quente.

Apesar de não fornecerem resultados completamente satisfatórios para essa classe de concretos de alta-alumina e auto-escoantes, ambos os componentes utilizados tem grande potencial para aplicações em composições refratárias da classe de 60 a 80% de Al2O3.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a FAPESP, CNPq, ALCOA Alumínio S.A. e a CADAM-Caulim da Amazônia pelo suporte na execução deste trabalho.

 

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(Rec. 05/01/00, Ac. 20/10/00)