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Rem: Revista Escola de Minas

Print version ISSN 0370-4467

Rem: Rev. Esc. Minas vol.54 no.2 Ouro Preto Apr./June 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0370-44672001000200002 

Notícias da REM

 

O Brasil realiza um dos maiores congressos e exposição de mineração do mundo: 27.800 participantes!

 

José Mendo Mizael de Souza
Secretário Executivo do Instituto Brasileiro de Mineração - IBRAM

 

EXPOSIBRAM 2001: com esse público, consagra-se como uma das maiores e mais importantes exposições de mineração do mundo.

Christian Nolkersdorfer (Secretário Geral da Iternational Mine Water Association - IMWA), Luciano de Freitas Borges (Secretário de Minas e Metalurgia do MME), Itamar Franco (Governador do Estado de Minas Gerais), João Sérgio Marinho Nunes (Presidente do IBRAM, Dr. Peet Nel (Preidente da IMWA) e Edmundo Paes de Barros Merces (Presidente do Conselho Diretor do IBRAM).

 

Realizados em Belo Horizonte, Minas Gerais, o Estado mais importante na produção mineral brasileira, o IX CONGRESSO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO e a IX EXPOSIÇÃO BRASILEIRA DE MINERAÇÃO – EXPOSIBRAM 2001- realização do Instituto Brasileiro de Mineração – IBRAM, (The Brazilian National Mining Association – La Cámara Minera de Brasil) -, entidade hoje com 25 anos de existência. Essa realização contou com público que consagra tais eventos como dos mais importantes da mineração mundial: 27.800 pessoas!

Para que esse extraordinário sucesso fosse alcançado, alguns fatores contribuíram decisivamente:

  • Percepção, internacional e brasileira, da validade dos fundamentos macroeconômicos do País e da solidez do crescimento do Brasil, uma das mais importantes economias do mundo, democracia consolidada e povo empreendedor.
  • Clima favorável de investimentos na mineração brasileira, com estudos indicando a necessidade de o Brasil ter de atrair, nos próximos 15 anos, U$35 bilhões para a sua indústria mineral, ou seja, U$2,3 bilhões/ano, em média.
  • Clara manifestação do Governo Federal, em especial nas pessoas do Ministro de Minas e Energia, José Jorge, e do Secretário de Minas e Metalurgia do referido Ministério, Luciano de Freitas Borges, de total apoio à mineração brasileira, inclusive com recente disponibili-zação na internet do texto, a ser submetido ao Congresso Nacional, da nova legislação mineral brasileira, da criação da Agência Nacional de Mineração – ANM (que sucederá ao DNPM) e do Serviço Geológico do Brasil (que sucederá à CPRM), para conhecimento, análise e sugestões dos mineradores e demais interessados.
  • Apoio total e entusiasmado dos mineradores brasileiros associados ao IBRAM, com especial destaque para a COMIG – Cia. Mineradora de Minas Gerais –, que, com integral suporte e liderança do Governador do Estado de Minas Gerais, Ex-Presidente da República Itamar Franco, e da Secretaria de Minas e Energia do Governo Mineiro, nas pessoas do Ex-Ministro de Minas e Energia do Brasil, Paulino Cícero de Vasconcellos, Ex-Secretário, e do seu atual titular, Luís Márcio Vianna, que patrocinaram decisivamente os eventos –, e os demais patrocinadores, por ordem alfabética: BHP, BNDES, Cia. Baiana de Pesquisa Mineral, CVRD, Geosol, Interfusão, Jaakko Poyry Engenharia, Magnesita, MBR, REDE, Rexnord e Rio Tinto Brasil .
  • Excelente e integral apoio editorial das mais importantes publicações especializadas em mineração, internacionais e brasileiras, a saber, por ordem alfabética: Brasil Mineral, Associação Brasileira de Cerâmica, Engineering & Mining Journal, International Mining Quarterly Review, Latinomineria, Minas Máquinas, Mineração Metalurgia, Minerios & Minerales, Mining Journal, Mining Machinery, M&T - Manutenção & Tecnologia, Panorama Minero, REM – Revista Escola de Minas de Ouro Preto, Rocas Y Minerales, Rochas de Qualidade, Cin Rochas e World Mining Equipament.
  • Retomada da oferta de informações geológicas de qualidade, obtidas por tecnologias das mais modernas, como a aerogeofísica, pelo Governo Federal- via CPRM, para regiões da Amazônia Brasileira- e pelo Estado de Minas Gerais, essas últimas informações especialmente relativas a distritos mineiros nele existentes e bem conhecidos , bem como mapas geológicos digitalizados dos Projetos Leste e São Francisco, quando se sabe que o potencial brasileiro é de atrair pelo menos U$300 milhões/ano de investimentos em pesquisa mineral.
  • Recente criação, por lei aprovada no Congresso Nacional, do "Fundo Mineral", de apoio ao desenvolvimento e aplicação de tecnologias limpas e modernas à mineração brasileira, gerido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
  • Presença maciça – o que é uma característica especial da EXPOSIBRAM e dos CONGRESSOS BRASILEIROS DE MINERAÇÃO do IBRAM – dos dirigentes e profissionais das empresas de mineração- engenheiros, geólogos, técnicos, mecânicos, eletricistas, compradores, pessoal de importação, especialistas, administradores, advogados, economistas, tributaristas, etc, etc. – enfim, todo o mundo mineral brasileiro, na pessoa dos que o constroem diretamente.
  • Participação do Congresso Nacional, nas pessoas do Senador Paulo Souto e Deputados Federais Antonio Feijão e João Almeida, todos geólogos, como conferencistas do Congresso, valorizando-o sobremaneira.
  • Apoio especial dos dirigentes do IBRAM: Presidente, Presidente do Conselho Diretor, Conselheiros e Diretores.
  • Participação de autoridades dos Estados, com destaque para o Vice-Governador do Pará, segundo Estado mais importante do Brasil em Mineração, bem como de qualificados representantes (pela ordem alfabética) do Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo;
  • A realização, concomitantemente com o IX CONGRESSO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO, do "INTERNATIONAL MINE WATER ASSOCIATION SYMPOSIUM BRAZIL 2001", promoção conjunta IMWA e IBRAM.
  • O excelente apoio da mídia brasileira e mineira, através da cobertura das principais emissoras de TV, de rádios e dos jornais.

Evidentemente que as razões anteriormente apresentadas não esgotam todos os itens que poderiam ser enumerados, mas especialmente merecem destaque a maturidade adquirida pela mineração brasileira, a qualidade ambiental dos seus trabalhos e sua permanente preocupação com os trabalhadores, na qualificação, segurança e saúde ocupacional.

A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para o êxito dos eventos, nosso MUITO OBRIGADO!

 

ESTATÍSTICAS:

EXPOSIBRAM 2001: 27.800 participantes.
IX CONGRESSO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO: 1.080 inscritos.
PARTICIPANTES DO EXTERIOR: África do Sul, Alemanha, Angola, Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Chile, China, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Peru, Portugal, Reino Unido e Rússia.

FAVOR ANOTAR DESDE JÁ EM SUA AGENDA, A ESTAR PRESENTE:

BELO HORIZONTE, MG - 23 A 26 DE SETEMBRO DE 2003

X CONGRESSO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO - EXPOSIBRAM 2003

NÃO PERCA OS MAIORES E MAIS EXPRESSIVOS

EVENTOS DA MINERAÇÃO BRASILEIRA!

INSTITUTO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO - IBRAM

 

Site: www.ibram.org.br E-mail: ibrambsb@uol.com.br Fone: (61) 226.9367 Fax: (61) 226.9580

 

Samarco desenvolve projeto pioneiro para reabilitação de área mineradora

Empresa soluciona três questões ambientais ao mesmo tempo: recupera a cava da mina de Germano, adia a construção de nova barragem de rejeitos e reduz a captação de água para o processo produtivo.

 

 

A Samarco deu início, em abril desse ano, a um de seus mais importantes projetos ambientais: a recuperação da cava da mina de Germano, lavrada pela empresa durante 15 anos e esgotada em 1992. O trabalho foi desenvolvido pela empresa Pimenta de Ávila Consultoria, com apoio da Universidade Federal de Ouro preto (UFOP). Uma área de 52 milhões de m3 será preenchida com 100 milhões de toneladas de rejeito, composto por sílica, pequeno percentual de ferro e outras substâncias. Esse material, que atualmente é enviado para uma barragem, é resultado do processo de produção do minério de ferro na unidade industrial, em Mariana (MG). O processo de preenchimento da cava deve durar 20 anos, quando a área será reintegrada ao ecossistema local.

Com um custo aproximado de cerca de US$ 8 milhões que serão aplicados nos próximos três anos, o projeto tem o objetivo de recompor a topografia da área, criando, no local onde hoje é a cava, uma formação o mais semelhante possível à que existia na região. Em todo o Brasil, não se tem conhecimento de trabalhos de recuperação de uma área mineradora tão extensa.

Além de pioneiro, o projeto resolve três questões ambientais de uma só vez: ao mesmo tempo em que recupera uma área lavrada, adia a construção de uma nova barragem de rejeitos e, conseqüentemente, evita um novo impacto ambiental. Também possibilita a reutilização da água do rejeito no processo produtivo da Samarco, reduzindo a captação na natureza.

 

 

Etapas do processo

O processo de produção da mina de Germano gera 80% de rejeito arenoso e 20% de lama que, atualmente, são depositados no reservatório de 150 hectares da Barragem do Germano, construída na época da fundação da Samarco. Para o preenchimento da cava da mina será utilizada a parte arenosa do rejeito. A barragem, até então utilizada como único depósito desse material, passará a receber apenas a lama, o que aumentará a sua vida útil, possibilitando o adiamento da construção de uma nova barragem de rejeitos.

A recuperação da cava da mina de Germano será dividida em duas etapas. A primeira delas teve início em abril deste ano e envolve a construção de diques e a drenagem do fundo da área. Também será instalado um sistema de bombas e tubulações para o transporte dos rejeitos de minério de ferro da usina de concentração até o local. Em agosto de 2001, será iniciada a deposição de rejeitos na cava, dando início a formação montanhosa.

Na primeira fase, três milhões de metros cúbicos serão depositados em camadas para garantir a estabilidade do terreno. Essa etapa vai consumir cerca de US$ 2 milhões.

Como os rejeitos serão lançados na cava em estado aquoso, os diques serão usados para reter o material sólido e permitir que a água proveniente do rejeito escorra e seja encaminhada para um lago próximo á área, para ser utilizada futuramente no processo de beneficiamento do minério em Germano, evitando, assim, a captação na barragem de Santarém, a 8 km da unidade.

A partir de 2002, será iniciado o processo de secagem das lamas depositadas na barragem de rejeitos, o que permitirá a recomposição gradativa dessa área, com a conclusão definitiva nos próximos 24 anos.

O próximo passo, em 2003, será a transferência da correia transportadora que passa por dentro da cava, dando início à segunda etapa do projeto, quando os rejeitos continuarão a ser depositados na cava, porém já começando o trabalho de revegetação da área, uma vez que nessa etapa já será possível a visualização da formação montanhosa.

Projeto Paisagístico

O projeto de recomposição paisagística da cava foi um dos últimos trabalhos desenvolvidos por Roberto Burle Marx. Centenas de árvores nativas serão plantadas, como ipês amarelos, pau-marfim e embaúbas-prateadas.

A cobertura vegetal vai proteger o terreno da erosão. Ao final do processo, a montanha terá altura de 150 metros e estará situada a 1100 metros em relação ao nível do mar.

Parcerias

Os estudos para orientação da disposição dos rejeitos na cava - para garantir a estabilidade da nova topografia - foram realizadas pela Pimenta de Ávila Consultoria em conjunto com a UFOP, através do seu Núcleo de Geotecnia da Escola de Minas. A UFOP acompanhou todo o processo de determinação dos procedimentos mais adequados para a disposição dos rejeitos dentro da cava e realizou diversos ensaios necessários ao desenvolvimento do projeto.

 

Petrobras inaugura Centro de Defesa Ambiental da Amazônia

O presidente da Petrobras, Philippe Reichstul, inaugurou no dia oito de junho, o Centro de Defesa Ambiental da Amazônia. Trata-se de um complexo equipado com recursos de última geração e com técnicos especializados para atuar na prevenção e contenção dos impactos de acidentes ambientais que possam acontecer na região amazônica. Localizado em Manaus, na área da Unidade de Negócios Refinaria Isaac Sabbá (UN-Reman), o CDA da Amazônia destina-se a atender os Estados do Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá e Acre.

O CDA da Amazônia, que já está operando desde o final de dezembro, visa a prioritariamente, atender às necessidades das unidades da Petrobras na região, mas pode ser solicitado para atuar em outras situações de emergência. Está equipado com barcos, balsas, dispersantes químicos, 18 recolhedores de óleo, três carros pick-up, sopradores de óleo, bombas de vácuo, material absorvente para coleta de óleo em meio hídrico, 9.400 metros de barreiras oceânicas para conter derramamentos de óleo, inclusive na foz do rio Amazonas, onde o movimento das águas se comporta como um mar, e para coleta de óleo em rios e em águas interiores (lagos e igarapés), além de outros materiais. Possui também 19 pessoas treinadas para, se necessário, agir em emergências e mobilizar sob seu comando até mil pessoas.

Através de análises de comportamento do vento, correntezas e da sensibilidade ambiental de cada local, o CDA estará em constante desenvolvimento, de modo a abreviar ao máximo o tempo de resposta e neutralizar os impactos ambientais decorrentes de acidentes.

Em razão das grandes distâncias e do tempo para deslocamento fluvial e aéreo na região, haverá postos avançados localizados em Belém (PA), Urucu (AM), Coari (AM) e Cruzeiro do Sul (AC).

Com o CDA, a Petrobras ganha um de seus reforços mais importantes para os planos de contingência na Amazônia. O investimento foi de 10 milhões de dólares, feito pela Petrobras para um período de seis anos. Hoje a Petrobras dispõe de nove Centros de Defesa Ambiental, implantados em locais estratégicos.

A equipe de técnicos do CDA vem passando por treinamentos semanais, com exercícios simulados de emergências, que depois são analisados criticamente, com avaliação e ações de melhoria.

Em caso de acidentes com derramamento de óleo, o CDA também poderá dar suporte e assessoria aos órgãos ambientais da região, Marinha, Capitania dos Portos e empresas da indústria do petróleo que atuem em exploração, produção, transporte, refino ou distribuição. Em caso de emergência com derramamento de óleo provocado pela Petrobras, a comunicação pode ser feita pelo telefone vermelho (0xx21) 534-6555, que funciona com uma central de atendimento durante 24 horas, sendo o CDA acionado imediatamente para avaliação e atuação no atendimento à emergência.

 

Base de Operações Geólogo Pedro De Moura

A Petrobras está também homenageando um dos geólogos que mais se dedicou à descoberta de petróleo na Amazônia. A homenagem inclui a mudança de nome da Província Petrolífera de Urucu para Base de Operações Geólogo Pedro de Moura e um memorial, com informações sobre a vida desse profissional, que foi um dos precursores da criação da Petrobras.

Nascido em Uberaba (MG), em 1901, Pedro de Moura graduou-se em Engenharia de Minas, Metalurgia e Civil pela Escola de Minas de Ouro Preto em 1925. Trabalhou na Amazônia na década de 20 como geólogo do antigo Serviço Geológico, encarregado das pesquisas de petróleo na Amazônia. Suas contribuições estão relacionadas tanto ao Norte quanto ao Nordeste do Brasil.

Pedro de Moura também se dedicou à pesquisa e se preocupou com a formação de equipes e tecnologia nacionais, numa época em que a maioria dos técnicos petroleiros que atuavam no Brasil era estrangeira.

Em 1953, ajudou a fundar o primeiro curso de Engenharia de Petróleo, na Escola Politécnica da Bahia. Após a criação da Petrobras, Moura atuou nos Estados Unidos e na Europa, possibilitando que universitários bolsistas brasileiros se aperfeiçoassem no conhecimento da geologia e engenharia de petróleo. Mais tarde, retornou ao Brasil atuando junto à alta direção da Petrobras, até os últimos dias de sua vida em 1971. Familiares do geólogo visitaram o Amazonas para participar da homenagem, que aconteceu em Urucu, a 600 quilômetros de Manaus, no dia 8 de junho.