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Rem: Revista Escola de Minas

Print version ISSN 0370-4467

Rem: Rev. Esc. Minas vol.63 no.2 Ouro Preto June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0370-44672010000200005 

GEOCIÊNCIAS

 

Caracterização mineralógica dos Lutitos Diatomáceos da Península de Santa Elena, Equador

 

Mineralogical characterization of the Diatoms Lutites of the Santa Elena Peninsula, Ecuador

 

 

Miguel Genaro Peralta SánchezI; Newton Souza GomesII; Mauricio Antônio CarneiroIII; Marcos Andrade GonçalvesIV; Maria Paula DelicioV

IMestrando, DEGEO/EM/UFOP. Ouro Preto/Brasil, Pesquisador Componente 6, VLIR/ESPOL. FICT/ESPOL. Guaiaquil-Equador - E-mail: miguelp@degeo.ufop.br
IIProfessor do DEGEO/EM/UFOP. Ouro Preto/Brasil - E-mail: newton@degeo.ufop.br
IIIProfessor do DEGEO/EM/UFOP. Ouro Preto/Brasil - E-mail: mauricio@degeo.ufop.br
IVProfessor do DEQUI/ICEB/UFOP. Ouro Preto/Brasil - E-mail: marcos.andrade@iceb.ufop.br
VProfessora do DEGEO/EM/UFOP. Ouro Preto/Brasil - E-mail: mpaula@degeo.ufop.br

 

 


Resumo
Esse trabalho apresenta as principais características mineralógicas, físicas e geoquímicas dos lutitos diatomáceos do Membro Villingota da Formação Tosagua, localizada na bacia Progreso no sudoeste do litoral do Equador, visando à sua utilização como matéria-prima na elaboração de compostos cerâmicos mediante ativação alcalina. Os pelitos estudados do Membro Villingota apresentam uma complexa mistura que se caracteriza pela composição química, na qual predominam sílica, carbonato e alumina, e por sua variada fauna de microfósseis, composta de diatomáceas, radiolários, espículas e foraminíferos. A ativação alcalina dessa mistura natural possibilitou a fabricação de geopolímeros, considerados materiais inorgânicos que podem substituir as argamassas e produtos minerais.

Palavras-chave: Lutitos diatomáceos, microfósseis, Península Santa Elena, Membro Villingota.


Abstract
This work describes the main mineralogical, physical and geochemical characteristics of the diatom lutites of the Villingota Member of the Tosagua Formation, located in the Progreso Basin in the Southwest of the Equatorian coast, with the view of using them as raw materials in the ceramic industry by means of alkaline activation. The studied pelites of the Villingota Member are composed of a complex mixture characterized by their chemical composition with predominance of silica, carbonate, and alumina, as well as by their varied microfossil fauna that includes diatoms, radiolarians, spicules and foraminifers. The alkaline activation of this natural mixture turned possible the manufacture of geopolymers, which are inorganic materials that can substitute binders and mineral products.

Keywords: Diatoms lutite, microfossil Santa Elena Peninsula, Villingota Member.


 

 

1. Introdução

A Península de Santa Elena localiza-se no sudoeste do Equador e constitui uma importante unidade fisiográfica da Ámerica do Sul. Estratigraficamente compreende uma seqüência de rochas ígneas cretácicas na base, sobrepostas por rochas sedimentares terciárias e com coberturas quaternárias. Essa unidade foi alvo de algumas pesquisas científicas e tecnológicas anteriores, sendo as mais importantes: a exploração de hidrocarbonetos (Higley, 2004; Anglo-Ecuadorian Oilfields, 1970), matéria-prima para cimento portland (Holderbank, 1974), rochas e minerais industriais (Peralta-Sánchez, 2008; Morales-Carrera, 2008; Morales-Carrera, 2003; Ramos, 1996; Carballo, 1994; Arrata et al., 1990; Brito & Markwich, 1990) e micropaleontológicas (Ordoñez et al., 2006; Ordoñez et al., 1986). Os lutitos diatomáceos estudados correspondem aos pelitos tipo do Membro Villingota da Formação Tosagua localizada no extremo oeste da bacia Progreso.

Os trabalhos realizados no principal depósito de lutitos diatomáceos, perto do povoado de Sucre por Ramos (1996) e Arrata et al. (1990), orientaram a utilização desses lutitos na fabricação de tijolos leves. Essa atividade, entretanto, não prosperou na região.

Os lutitos caracterizados nesse trabalho com o objetivo de conhecer suas principais características mineralógicas, químicas, físicas e texturais foram obtidos de três ocorrências localizadas no Membro Villingota. Os teores de sílica, alumina e cal, relacionados à presença de argila, sílica e calcita biogênica, feldspatos, quartzo e zeólitas, permitiram considerar essas misturas naturais como possível matéria-prima na obtenção de estruturas geopoliméricas pelo método proposto por Xu e Deventer (2000), que consiste no aquecimento do material a temperaturas entre 500ºC e 900ºC e logo a sua ativação com soluções alcalinas (Davidovits, 1982).

 

2. Contexto Geológico

A Península de Santa Elena como toda a Costa Equatoriana é constituída por terrenos sedimentares alóctones, acrescentados durante o Paleoceno sobre um embasamento ígneo-basáltico e basáltico-andesítico, que pertenceu a uma antiga crosta oceânica (Goosens et al., 1973; Juteau et al., 1977; Feininger & Bristow, 1980; Mégard et al., 1987), formada no Cretáceo Inferior (Deniaud et al., 1998). Esses terrenos emergiram no Eoceno Tardio (Benitez, 1995; Jaillard et al., 1995). A geodinâmica em etapas do arco-frontal (fore-arc), provocada pelo sistema de subducção da placa de Nazca abaixo da placa Sul-Americana (Lonsdale, 1978; Dorfman, 1976), foi que permitiu a acrescão desses terrenos alóctones (Benitez, 1995).

Na zona central da Península de Santa Elena, localiza-se a bacia Neogena Progreso, definida como uma depressão sinclinal, gerada por uma subsidência rápida no Oligoceno Tardio e com posterior preenchimento de sedimentos Oligo-Miocênicos (Ordoñez et al., 2006). A bacia possui uma área aproximada de 3200 km² e representa uma zona deprimida do arco-frontal, limitado ao norte pela Cordilheira de Chongón-Colonche, ao sul-oeste pelo soerguimento de Santa Elena e ao este com o Golfo de Guayaquil (Figura 1A).

Na bacia Progreso são encontradas rochas sedimentares dos Grupos Azúcar e Ancón, assim como das Formações Tosagua, Subibaja, Progreso, Puná e Tablazo.

A Formação Tosagua, de idades compreendidas entre o Oligoceno Superior e Mioceno Médio, é formada pelos membros Zapotal, Dos Bocas e Villingota (Figura 1B).

O Membro Villingota consiste de lutitos laminados diatomáceos, macios e leves, de cor branca devido à meteorização. A espessura desse membro varia entre 250 e 650 metros (Baldock, 1982).

A microfauna encontrada no Membro Villingota é variada e consiste, principalmente, de foraminíferos, restos de peixes, espículas silicosas, carapaças de diatomáceas e radiolários. Em face disto, infere-se que a deposição desse membro ocorreu em um ambiente marinho de plataforma externa a talude continental (Ordoñez et al., 2006).

 

 

 

3. Materiais e métodos

A área de estudo inclui três ocorrências de lutitos diatomáceos dentro da Formação Villingota, denominadas como A01, A02 e A03, entre os povoados de Sucre, Olmedo e San Antonio, onde foram coletadas cinco amostras denominadas NM_23A, NM_13, NM_21A, NM_29 e NM_43B (Tabela 1). As amostras coletadas apresentaram características mineralógicas e fossilíferas similares.

O teor de umidade das amostras foi determinado com a utilização de uma estufa artesanal e de uma balança da Sartorius modelo 1602 MP8-1. Na metodologia utilizada, foram pesados 100g de lutitos diatomáceos, posteriormente secados a 70°C, durante 24 horas, e novamente pesados para se obter o percentual de umidade.

As análises granulométricas foram realizadas seguindo o método da pipeta para solos normais proposto pela EMBRAPA (1997), o qual se baseia na Lei de Stokes. As análises de difração de raios X foram feitas no laboratório raios-X/DEGEO/UFOP, utilizando-se um difratômetro de marca RIGAKU, modelo GEIGERFLEX D/MAX, com goniômetro horizontal, tubo de Cu, velocidade de 1,2º por segundo, com varredura de 2 a 70º, para a fração total (amostra natural), e velocidade de 0,6º por segundo, com varredura de 2 a 35º, para a fração argila (F < 2µm).

As análises químicas das amostras de lutitos diatomáceos foram realizadas no laboratório LFR-X/DEGEO/UFOP em um aparelho de fluorescência de raios X de marca PHILLIPS, modelo MAGI X. A densidade de cada amostra foi quantificada em um Multipicnômetro da QUANTACHROME. As análises de superfície específica pelo método de B.E.T. (Brunauer, Emmett e Teller, 1938) e de porosidade foram feitas no Laboratório de Metalurgia do Departamento de Metalurgia (DEMET) da UFOP, utilizando-se um equipamento High Speed Gas Sorption de marca QUANTACHROME, modelo NOVA 1000, com adsorção de N2, desgasificação a 60ºC, durante 5 horas, e adsorção de N2 a -196ºC. As curvas termodiferenciais (ATD) e termogravimétricas (ATG) foram obtidas com um equipamento de marca TA INSTRUMENTS, modelo 2960 STD V2.2B, usando um porta-amostra de platina e de alumina (padrão), com taxa de aquecimento de 20ºC por minuto, em atmosfera de oxigênio até uma temperatura máxima de 900ºC. Na análise de microscopia ótica realizada no laboratório de Microscopia Ótica/DEGEO/UFOP, observaram-se, principalmente, os microfósseis presentes nas amostras. Utilizou-se o microscópio ótico trinocular de marca Zeiss, modelo Axiophot, equipado com câmara digital. Nas análises de microscopia eletrônica de varredura (MEV) /DEGEO/UFOP, obtiveram-se imagens morfológicas tridimensionais de detritos e dos microfósseis através de um microscópio eletrônico de marca JEOL JSM-5510, de 0.5 a 30kV, com resolução de 3,5 a 48nm, com recobrimento de grafita.

As amostras foram aquecidas a temperaturas entre 550°C e 800°C, tendo sido misturadas e homogeneizadas. Essas misturas foram umedecidas com soluções alcalinas de NaOH a 15mol/l, homogeneizadas, confinadas e colocadas em estufa com temperaturas menores que 50°C, para acelerar a reação e não danificar os copos-de-prova. Decorridas três horas e após se verificar a geopolimerização, as amostras foram submetidas à temperatura ambiente até dez dias, para se obter o endurecimento final do material. As quantidades de solução alcalina misturada à amostra foram calculadas segundo a relação molar Na2O/Al2O3 total da mistura (matéria-prima e reagente) atinja a faixa entre 1,00 a 1,14 (Davidovits, 1982). Também foi considerada a relação molar SiO2/Al2O3 da mistura.

Os corpos-de-prova foram submetidos à compressão simples no Laboratório de Ensaios Mecânicos do Departamento de Metalurgia (DEMET-UFOP), utilizando-se um equipo hidráulico MTS-850 com aquisição de dados digital.

 

4. Resultados e discussão

A umidade média quantificada, nas amostras coletadas, nas três ocorrências, é de 8,81 %. A densidade aparente média das medições in situ foi de 1,92 g/cm³.

As análises granulométricas realizadas visaram a quantificar os percentuais das três principais frações contidas: areia (62 < f < 2000µm), silte (2 < f < 62µm) e argila (f < 2µm). Em todas as amostras predomina a fração silte, com valores entre 58 e 92% (Figura 2). Esses altos valores incluem partículas aglomeradas da fração argila, pois é comum a aglomeração de argilominerais, devido à cimentação por carbonatos, tal como pode ser observado por microscopia eletrônica de varredura.

 

 

As análises químicas das cinco amostras de lutitos diatomáceos naturais e de sua mistura permitiram definir os teores (% em peso) dos óxidos de maior proporção SiO2, Al2O3, CaO, Fe2O3 e Na2O e dos menores TiO2, MgO, K2O e P2O5. A Tabela 1 indica a composição química das cinco amostras. A variação dos percentuais de SiO2 entre aproximadamente 44,16 e 67,09% está relacionada com a presença de quartzo e de feldspatos, além da sílica amorfa dos microfósseis silicosos tais como as diatomáceas. Os percentuais de Al2O3 variam entre 9,36 e 14,91% e podem ser relacionados com a presença de argilominerais. Já os teores de CaO, que variam entre 4,85 e 15,58%, correspondem à presença de carbonatos e microfósseis como foraminíferos.

As análises por difração de raios X identificaram as espécies minerais presentes nas cinco amostras de lutitos diatomáceos. Os difratogramas mostraram uma mineralogia similar em todas as amostras, que é formada por minerais argilosos e, principalmente, de não-argilosos. Essa variedade mineralógica dificultou a exata identificação dos minerais presentes, sendo que alguns picos podem indicar a presença de mais de um mineral. As maiores proporções de minerais encontradas nas amostras, em ordem decrescente são: calcita, quartzo, argilomineral do grupo da esmectita e feldspatos. Os argilominerais do grupo da caulinita, mica e zeólitas aparecem como traços. Na Figura 3, têm-se os difratogramas das cinco amostras.

 

 

Devido à freqüente presença de minerais argilosos nos depósitos, foi realizada difração de raios X da fração argila. Nos difratogramas obtidos na fração argila das amostras de lutitos diatomáceos naturais, após saturações com MgCl2 e KCl, segundo a metodologia de Walker (1958), e, após saturação com LiCl, segundo a metodologia proposta por Greene-Kelly (1953), foi possível identificar o grupo e a espécie do principal argilomineral presente em todas as amostras. A Figura 4A indica os difratogramas da fração argila da amostra NM_13 natural nas seguintes condições: secada ao ambiente, saturada com etileno glicol e calcinada. Quando a amostra foi secada ao ambiente, o valor do espaço interplanar basal (d001) da estrutura cristalina do argilomineral é de 12,8Å, após saturação com etileno glicol a estrutura cristalina expande e d aumenta para 14,6Å e, depois de calcinada a 500°C, a estrutura cristalina colapsa a 9,5Å. Essas mudanças na estrutura cristalina indicam que o argilomineral é expansível. Após saturar com íons de magnésio e com etileno glicol (Figura 4B), o valor de d situa-se próximo a 18,5Å. No caso da saturação com íons de potássio e com etileno glicol, o valor de d situa-se próximo a 15,7Å. Esses valores de d são próximos aos sugeridos por Walker (1958), para os argilominerais do grupo das esmectitas. Na Figura 4C, pode-se observar que o valor d inicial de 15,2Å na amostra natural diminuiu após saturação com LiCl, aquecimento a 300ºC e saturação com etileno glicol até 10,3Å, resultando em um valor próximo do sugerido por Greene-Kelly (1953), concluindo-se, assim, que o principal argilomineral contido nos lutitos diatomáceos é uma montmorilonita.

As análises termodiferenciais (ATD), representadas na Figura 5, mostram o comportamento térmico das cinco amostras naturais de lutitos diatomáceos. Pode-se reconhecer a presença de minerais argilosos e outros não argilosos que possuem a propriedade de adsorver água. Assim, os dois primeiros picos endotérmicos que aparecem a temperaturas entre 53ºC e 145ºC são relativos à perda de água adsorvida nas amostras e são, tipicamente, encontrados no argilomineral montmorilonita. Os dois picos endotérmicos seguintes, entre 463ºC e 705ºC, referem-se à perda da água das hidroxilas da estrutura cristalina da montmorilonita. O pico endotérmico que aparece entre 463ºC e 477ºC representa a presença também de caulinita, enquanto que o pico endotérmico entre 675ºC e 705ºC também indica a presença de carbonatos (Mackenzie, 1957).

 

 

Na Tabela 2, são apresentados os valores de densidade, superfície específica e porosidade das cinco amostras de lutitos diatomáceos. Os valores de densidade aparente variam entre 1,84 e 2,06g/cm³ e os da densidade específica variam entre 2,07 e 2,42g/cm³. Esses valores representam a contribuição dos diferentes minerais identificados por difratogramas de raios X. Em geral, a menor densidade estaria relacionada à maior proporção de sílica amorfa e montmorilonita.

 

 

Os valores de superfície específica variam entre 8,11 e 20,24m²/g. Esses valores poderiam estar relacionados, respectivamente, ao menor e ao maior conteúdo do argilomineral montmorilonita nas amostras, porém a influência dos demais minerais presentes resulta em valores mais baixos que os dos esperados para a montmorilonita pura.

O volume total de poros das amostras é variável, desde o valor mínimo de 0,001cm³/g para a amostra NM_29, da ocorrência A03 até 0,076cm³/g para a amostra NM_13 da ocorrência A01.

As análises de microscopia ótica e eletrônica de varredura permitiram observar a morfologia e a estrutura dos microfósseis presentes nas amostras estudadas (Figura 6). Na área A01, foram observadas diatomáceas, tanto em suas formas completas, como também em fragmentos. Os radiolários foram encontrados, predominantemente, em fragmentos. Nas áreas A02 e A03, os radiolários são, relativamente, mais abundantes do que as diatomáceas e identificaram-se, também, abundantes fragmentos silicosos, que poderiam ser de uma mistura de vários tipos de microfósseis. Estima-se que a massa total dos microfósseis silicosos varia entre 10 e 20% e a das diatomáceas, entre 3 e 10%. Entre os microfósseis de diatomáceas foram identificados os tipos marinhos Pennales e Centrales (Vilela, 2004). Entre os microfósseis de radiolários, foram identificados os pertencentes às ordens Nassellaria e Spumellaria (Eilert et al., 2004). Também foram observados microfósseis calcíticos de foraminíferos, principalmente do tipo enrolado involuto e reto bisseriado (Cushman, 1976).

O material obtido da mistura das cinco amostras foi aquecido à temperatura média de 700ºC. As relações molares calculadas entre as porcentagens dos óxidos totais da mistura (Tabela 1) foram as seguintes: SiO2/Al2O3 = 8,24 e Na2O/Al2O3 = 0,26. A relação molar Na2O/Al2O3 foi modificando-se até 1,1, motivada pela adesão da solução alcalina de NaOH a 15mol/l durante a fabricação do geopolímero (Figura 7). Comparando com as faixas de valores empregadas por Davidovits (1982), nessa pesquisa foram utilizadas relações molares SiO2/Al2O3 maiores do que 4 e Na2O/Al2O3 na faixa de 1,0 a 1,14. As resistências logradas em ensaios simples de compressão foram até 7Mpa.

 

5. Conclusões

A pesquisa dos lutitos diatomáceos permitiu conhecer as suas principais características químicas e físicas e alguns aspectos relevantes como a baixa densidade aparente e seu baixo conteúdo de carapaças de diatomáceas.

Os menores valores de umidade natural, em média de 5,4%, foram encontrados na área A03, localizada em San Antonio, enquanto os valores mais elevados, em média 8%, foram registrados na área 01, localizada em Sucre e na área 02 ao sul de Olmedo.

A distribuição granulométrica das amostras indicou altos valores da fração silte, situados entre 57 e 90%. Observações ao MEV demonstraram que parte do teor de silte foi gerada pela cimentação carbonática de aglomerados de argila montmorilonítica.

A mineralogia das amostras coletadas indicou a presença de calcita, quartzo, feldspatos, montmorilonita, caulinita e micas, além de zeólitas encontradas como traços. Picos endotérmicos de montmorilonita e de carbonatos foram identificados por análises termogravimétricas.

A composição química das amostras indicou predominância da sílica, relacionada com a presença de quartzo, feldspatos e da sílica amorfa oriunda de fósseis silicosos. Os altos percentuais de alumina foram relacionados à presença do argilominerais montmoriloníticos, enquanto os teores de CaO são devidos à presença de carbonatos e de foraminíferos.

Os valores de densidade obtidos nas amostras são próximos dos da sílica amorfa. A superfície específica, obtida pelo método de BET, mostrou valores baixos, que são influenciados, principalmente, pela presença de carbonatos, quartzo e feldspato.

O estudo morfológico dos constituintes da biota, realizado com microscopia eletrônica de varredura, permitiu identificar, principalmente, foraminíferos e diatomáceas. Ao microscópio ótico, observou-se que os microfósseis silicosos ocorrem imersos numa matriz silico-aluminosa-carbonática, o que dificulta sua concentração para análises mais detalhadas. O preenchimento das cavidades das diatomáceas pela matriz restringe a possibilidade de sua utilização industrial na fabricação de filtros. Entretanto, devido ao seu conteúdo sílico-aluminoso, os lutitos diatomáceos pesquisados podem ser utilizados como fonte de sílica e alumina para diversas aplicações como solo-cimento, geopolímeros, refratários e zeólitas sintéticas.

A geopolimerização da mistura de diferentes amostras de lutitos diatomáceos permite viabilizar sua utilização na fabricação de aglomerante mediante a ativação alcalina. Os resultados de resistência mecânica dos geopolímeros, apesar de considerados baixos, poderiam ser modificados mediante outras pesquisas que possibilitem a mudança de variáveis, como adições de outras fontes de alumina, tipo e concentração dos reagentes, tamanho de grão, temperatura e tempo de aquecimento, para melhorar as características mecânicas dos produtos geopoliméricos.

 

6. Agradecimentos

Os autores expressam seus agradecimentos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela concessão de bolsa de estudo ao primeiro autor, à Universidade Federal de Ouro Preto-UFOP pela utilização dos laboratórios e à empresa Geologia e Sondagem - Geossol pela realização de análises laboratoriais. Da mesma forma, os autores externam o seu reconhecimento à Profa.. Dra. Rubia Ribeiro Viana - UFMT pela realização de análises químicas. No Equador, à Escuela Superior Politécnica del Litoral, ao Componente 6 do Programa VLIR/ESPOL e ao Centro de Investigación Científica y Tecnológica (CICYT) pela colaboração nos trabalhos de campo e aos laboratórios das Faculdades de Ingeniería en Ciencias de la Tierra (FICT) e Ingeniería en Mecánica y Ciencias de la Producción (FIMCP).

 

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Artigo recebido em 26/03/2009
Aprovado em 09/12/2009.

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