SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.43 issue6Prova para título de especialistaAbstracts of the Brazilian studies presented at the American College of Rheumatology (ACR) 2003 author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Reumatologia

Print version ISSN 0482-5004

Rev. Bras. Reumatol. vol.43 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0482-50042003000600010 

VINHETA IMAGENOLÓGICA IMAGENOLOGIC VIGNETTE

 

Tomografia multi-slice no sistema músculo-esquelético(*)

 

Multi-slice tomography in the musculoskeletal system

 

 

André Yui AiharaI; Artur da Rocha Corrêa FernandesI; Christian Munia ViertlerI; Jamil NatourII

IDepartamento de Diagnóstico por Imagem da EPM/UNIFESP
IIDisciplina de Reumatologia da EPM/UNIFESP

Endereço para correspondência

 

 

INTRODUÇÃO

O primeiro tomógrafo computadorizado comercial foi introduzido em 1972. A introdução da tomografia computadorizada (TC) na prática clínica revolucionou o diagnóstico por imagem em razão da possibilidade de se avaliar as imagens em cortes, sem sobreposição de estruturas, e com alta resolução(1). Naquela época houve a necessidade de se aprender anatomia seccional transversal para se interpretar corretamente a TC(1). Cada exame demorava no mínimo meia hora, quando não mais que uma hora.

Quando a ressonância magnética foi introduzida, uma década depois, tanto radiologistas quanto clínicos já estavam mais familiarizados com imagens seccionais transversais. Houve a necessidade de se familiarizar então com cortes coronais e sagitais, além de outros parâmetros inerentes ao método de RM. Nessa época houve grande alarde com a RM, sem grandes avanços da TC(1).

A tomografia espiral ou helicoidal foi desenvolvida no final dos anos 80, e o primeiro tomógrafo helicoidal comercial foi produzido em 1990(2). A TC espiral permitiu a quebra de algumas limitações da TC. O tempo de exame pôde ser reduzido consideravelmente, e dados volumétricos puderam ser adquiridos. Com isso, maiores áreas anatômicas puderam ser examinadas, por exemplo, em uma apnéia(1, 4) e diferentes estágios de perfusão puderam ser examinados em um órgão, como o ligado (fases arterial, portal e de equilíbrio(1, 4).

Entretanto, mesmo o método espiral não resolveu todas as limitações técnicas, e a tomografia com múltiplas fileiras de detectores (TC multi-slice) foi inventada para aumentar a velocidade de aquisição de imagem e reduzir o tempo de exame. A diferença básica da tomografia helicoidal simples para o multi-slice é a quantidade de fileiras de detectores de raios X . Enquanto a TC helicoidal possui apenas uma fileira, a TC multi-slice apresenta duas ou mais fileiras de detectores, hoje chegando a até 16 fileiras.

Para exemplificar, se uma tomografia helicoidal faz um exame de abdome com 8 mm de espessura, uma TC multi-slice de 4 fileiras, com praticamente os mesmos parâmetros técnicos, pode fazer o mesmo exame 4 vezes mais rápido ou com cortes 4 vezes mais finos.

Existem outros avanços técnicos da TC multi-slice que podem aumentar ainda mais a velocidade de exame como, por exemplo, o aumento na velocidade de rotação do gantry.

O advento da TC multi-slice permitiu a aquisição de imagens de alta qualidade, com espessuras mínimas de até 0,5 mm, com reconstruções multiplanares de alta definição. Em razão de sua alta velocidade, é possível realizar estudo com cortes finos e longa cobertura anatômica, em pequenos espaços de tempo (segundos). E a aquisição de imagens finas possibilita reconstruções multiplanares bi e tridimensionais de alta qualidade, livres de artefatos.

No sistema músculo-esquelético a utilização de cortes finos e reconstruções de alta definição é altamente benéfico(3) (Figuras 1 a 7.)

Além da possibilidade de se realizar cortes finos e reconstruções multiplanares de alta definição em curto espaço de tempo, a TC multi-slice diminui também os artefatos provenientes de fixações metálicas, o que antes inviabilizava estudos tomográficos como, por exemplo, da coluna lombar após artrodese.

Em razão da "falta de fótons" e artefatos de endurecimento do feixe nos detectores de raios X do tomógrafo, pacientes obesos e com materiais metálicos causam artefatos na TC. A utilização de maior kilovoltagem e maior miliamperagem pode reduzir estes artefatos. Para a tomografia single-slice, a corrente do tubo de raios X limita este aumento. Já na TC multi-slice, em razão de sua maior quantidade de fileiras de detectores, entre outros aspectos técnicos, é possível utilizar aumento efetivo na miliamperagem, melhorando a qualidade das imagens nestas situações (Figuras 8 e 9). As desvantagens são o aumento da radiação e menor cobertura anatômica (o que numa TC multi-slice não chega a ser limitante)(3).

 

REFERÊNCIAS

1. Reiser MF, Takahashi M, Modic M, Bruening R. Multislice CT. Springer-Verlag Berlin Heidelberg, 2001.         [ Links ]

2. Lee JKT, Sagel SS, Stanley RJ, Heiken JP. Computed Body Tomography with MRI Correlation. Lippincott-Raven Philadelphia New Vork, 1998.         [ Links ]

3. Buckwater KA, R ydberg J, Kopecky KK, et aI. Muscul oskeletal imaging with multislice CT. AJR 2001 ;176:979-86.         [ Links ]

4. Hu H, He HD, Foley WD, et aI. Four multidetec tor- row helical CT: Image quali ty and volume coverage speed. Radiol 2000; 215:55-62.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Artur da Rocha Corrêa Fernandes
Departamento de Diagnóstico por Imagem da EPM/UNIFESP
Rua Botucatu. 740
CEP 040 23-900. São Paulo, SP

 

 

Responsáveis: Artur da Rocha Corrêa Fernandes e Jamil Natour
* Departamento de Diagnóstico por Imagem da Universidade Federal de São Paulo IEPM/UNIFESP

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License