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Revista Brasileira de Reumatologia

Print version ISSN 0482-5004

Rev. Bras. Reumatol. vol.44 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2004

https://doi.org/10.1590/S0482-50042004000100014 

VINHETA IMAGENOLÓGICA IMAGENOLOGIC VIGNETTE

 

Imagem e doença intersticial pulmonar na esclerose sistêmica(*)

 

Image and interstitial lung disease in systemic sclerosis

 

 

Elza Maria F. P. CerqueiraI; Percival D. Sampaio-BarrosII

IRadiologista Assistente do Departamento de Radiologia. FCM-UNICAMP
IIAssistente-Doutor da Disciplina de Reumatologia. FCM-UNICAMP

Endereço para correspondência

 

 

A doença intersticial pulmonar é observada em até 90% dos pacientes com esclerose sistêmica (ES) e significativo número de casos graves ocorre nos primeiros três anos de evolução da doença. A pneumonia intersticial não específica (NSIP) e a pneumonia intersticial usual (UIP) são os padrões histopatológicos mais freqüentemente observados.

A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) de tórax é o método de escolha para avaliar a existência e a extensão da doença intersticial pulmonar, com sensibilidade superior à radiografia simples de tórax (Figura 1). Os métodos de imagem não permitem a diferenciação fidedigna entre NSIP e UIP; especificidade de 63% na diferenciação das formas de doença intersticial pulmonar através da TCAR foi observada em estudo com 21 casos de UIP e 32 casos de NSIP.

Os principais achados de doença intersticial pulmonar na TCAR são:

- vidro fosco, representado pelo aumento da densidade do parênquima pulmonar, sem obscurecimento das imagens vasculares. Reflete a existência de espessamento intersticial por inflamação ou fibrose das paredes alveolares. Pode significar também preenchimento ou colapso parcial dos espaços alveolares (Figura 2);

 

 

- reticulado ou espessamento intersticial intralobular, representado por finas linhas, distantes umas das outras por alguns milímetros. Reflete geralmente a existência de fibrose intersticial (Figura 3);

 

 

- faveolamento, representado por cistos subpleurais de paredes espessas, geralmente dispostos em camadas. Reflete o acometimento pulmonar pela fibrose (Figura 4);

 

 

- bronquiectasias e bronquioloectasias de tração, ou dilatação de brônquios e bronquíolos secundária à fibrose pulmonar (Figura 5).

 

 

Outros achados que podem ser observados são consolidações pulmonares e micronódulos subpleurais (Figura 5).

As alterações em geral são bilaterais, e se distribuem ao longo das regiões subpleurais, predominando nos campos pulmonares inferiores. Colapso parcial de alvéolos nas regiões pulmonares dependentes (estase de decúbito) pode ser observado em alguns pacientes, simulando a existência de doença intersticial. A realização de cortes tomográficos com o paciente em decúbito ventral é de importância fundamental para excluir estase de decúbito, evitando o diagnóstico incorreto de doença intersticial pulmonar (Figura 6).

Há maior probabilidade de processo inflamatório em atividade, quando o vidro fosco predominar sobre os sinais de fibrose (espessamento intersticial e faveolamento) (Figura 7). Nos casos em que são marcantes o espessamento intersticial e o faveolamento, o vidro fosco associado a esses achados representa habitualmente fibrose intersticial abaixo da resolução tomográfica, não sendo geralmente sinal indicativo de atividade inflamatória (Figura 8).

 

 

 

 

A distinção entre pneumonia intersticial não específica e pneumonia intersticial usual tem implicação terapêutica e prognóstica, já que a resposta ao tratamento e a evolução são melhores na forma não específica. Na NSIP, o achado de vidro fosco tende a ser predominante, com pouco ou nenhum faveolamento (Figura 9), enquanto os sinais de fibrose com distorção arquitetural e faveolamento são mais marcantes na UIP. No entanto, o padrão fibrótico da NSIP pode ser indistinguível da UIP em grande número de casos. Estudos internacionais estão atualmente sendo realizados na perspectiva de se conseguir estabelecer padrões tomográficos de doença intersticial pulmonar sem a necessidade de se realizar biópsia pulmonar.

 

 

Endereço para correspondência:
Dr. Percival D. Sampaio-Barros
Disciplina de Reumatologia, Departamento de Clínica Médica. Faculdade de Ciências Médicas – Universidade Estadual de Campinas (FCM-UNICAMP)
Barão Geraldo, Campinas, SP, CEP 13081-970
E-mail: psbarros@fcm.unicamp.br

 

 

Responsáveis: Artur da Rocha Corrêa Fernandes e Jamil Natour
* Trabalho realizado na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-UNICAMP).

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