SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.45 issue1Osteonecrosis in systemic lupus erythematosus patients author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Reumatologia

Print version ISSN 0482-5004On-line version ISSN 1809-4570

Rev. Bras. Reumatol. vol.45 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0482-50042005000100001 

EDITORIAL EDITORIAL

 

Critérios de remissão e melhora clínica nas doenças reumáticas pediátricas

 

 

As doenças reumatológicas pediátricas, particularmente a artrite idiopática juvenil/artrite reumatóide juvenil (AIJ/ARJ), o lúpus eritematoso sistêmico juvenil (LESJ) e a dermatomiosite juvenil (DMJ) são raras, com alto impacto físico, mental, emocional, econômico e social nos pacientes e familiares.

Nos últimos 20 anos, duas organizações internacionais merecem destaque na Reumatologia Pediátrica (RP) por condução de estudos colaborativos, multicêntricos e internacionais: Pediatric Rheumatology Collaborative Study Group (PRCSG) e Pediatric Rheumatology International Trials Organization (PRINTO).

O PRCSG foi fundado por Earl Brewer e posteriormente conduzido por Edward H. Giannini e Daniel J. Lovell, com importância na realização de alguns estudos terapêuticos controlados, particularmente na AIJ, nas décadas de 1980 e 1990. O PRINTO foi fundado em 1996 por iniciativa de Alberto Martini e Nicolino Ruperto, inclui 43 países distribuídos mundialmente, com cerca de 170 reumatologistas pediátricos inscritos. Atualmente, os seguintes Estados e serviços de RP brasileiros têm participado de estudos multicêntricos e estão aliados ao PRINTO: São Paulo (UNESP, UNIFESP, FMRP-USP, UNICAMP, Reumatologia da FMUSP e Departamento de Pediatria da FMUSP), Rio de Janeiro (UFRJ-IPPMG, UFRJ-Clínica Médica e UERJ), Paraná (Hospital Pequeno Príncipe), Rio Grande do Sul (UFRGS) e Minas Gerais (UFU-MG).

Nesta edição da Revista Brasileira de Reumatologia, dois importantes artigos de revisão, redigidos por Machado e Ruperto, merecem destaque no universo recente da RP(1,2). Os artigos incluem critérios de doença inativa e remissão para AIJ/ARJ e critérios de melhora clínica para LESJ e DMJ. Estes foram realizados por membros do PRCSG, PRINTO e Childhood Arthritis and Rheumatology Research Alliance (CARRA).

A AIJ/ARJ é a principal causa de artrite crônica na faixa etária pediátrica. Apesar de recentes estudos em AIJ, tais como: revisão da classificação do ILAR(3), validação e adaptação para o português brasileiro de instrumentos de qualidade de vida (como CHAQ e CHQ)(4), padronização dos critérios de melhora clínica (ACR Pediátrico 30)(5) e estudos controlados com drogas (etanercepte e metotrexato)(6,7), existiam na literatura médica várias definições de doença inativa e remissão para esta doença. Entre os anos 2000 e 2001, avaliando-se 24 estudos publicados com o termo ARJ, apenas três utilizaram a mesma definição de remissão.

Machado e Ruperto(1) ressaltam os critérios preliminares de doença inativa e remissão clínica (com e sem medicação) propostos recentemente para AIJ(8). Estes critérios foram desenvolvidos de forma semelhante aos critérios de remissão clínica da artrite reumatóide propostos por Pinals et al.(9). O método Delphi e o Consensus Conference - Nominal Group Techinique foram utilizados para o desenvolvimento destes critérios para as quatro formas de início da AIJ: oligoarticular (persistente ou estendida), poliarticular FR positivo, poliarticular FR negativo e sistêmica. Estes critérios apresentaram validade de construção, abrangência e conteúdo. Por sua vez, ainda estão em desenvolvimento e necessitam validação prospectiva em pacientes reais, assim como precisam ser validados nas outras duas formas da AIJ: artrite psoriática e artrite associada a entesite. Algumas características clínicas da AIJ não obtiveram consenso entre os especialistas e merecerão validação prospectiva, tais como: rigidez matinal, hepatomegalia e nódulos subcutâneos. A definição de uveíte ativa e inativa também deverá ser realizada.

O LESJ e a DMJ são doenças com manifestações clínicas heterogêneas, cursos imprevisíveis e com alta morbimortalidade. Os estudos terapêuticos com medicamentos avaliando eficácia e segurança nessas doenças incluem pequenas populações, estudos não controlados ou com experiências adaptadas da população adulta. A padronização de critérios de melhora clínica é extremamente importante para a realização de estudos controlados com drogas para LESJ e DMJ(10), assim como foi padronizado e validado na AIJ/ARJ e atualmente conhecido como critério ACR Pediátrico 30(5).

Machado e Ruperto(2) revisam as definições de melhora clínica propostas recentemente para LESJ e DMJ, desenvolvidas por meio de um consenso entre reumatologistas pediátricos. Estas variáveis foram testadas em uma casuística representativa e evidenciaram responsividade e validade discriminativa.

Esses critérios serão ferramentas importantes na reumatologia pediátrica, poderão ser utilizados em futuros ensaios terapêuticos e metanálises, assim como na prática clínica diária.

 

Clovis Artur Almeida da Silva

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo-SP, Brasil
Responsável pela Unidade de Reumatologia Pediátrica do
Departamento de Pediatria da FMUSP

 

REFERÊNCIAS

1. Machado C, Ruperto N: Consenso em reumatologia pediátrica. Parte I - Definição dos critérios de doença inativa e remissão em artrite idiopática juvenil/artrite reumatóide juvenil. Rev Bras Reumatol 45: 9-13, 2005.

2. Machado C, Ruperto N: Consenso em reumatologia pediátrica. Parte II - Definição de melhora clínica para o lúpus eritematoso sistêmico e dermatomiosite juvenil. Rev Bras Reumatol 45: 14-19, 2005.

3. Petty RE, Southwood TR, Manners P, et al: International League of Associations for Rheumatology classification of juvenile idiopathic arthritis: second revision, Edmonton, 2001. J Rheumatol 31: 390-2, 2004.

4. Machado CS, Ruperto N, Silva CH, et al: The Brazilian version of the Childhood Health Assessment Questionnaire (CHAQ) and the Child Health Questionnaire (CHQ). Clin Exp Rheumatol 19: S25-30, 2001.

5. Giannini EH, Ruperto N, Ravelli A, Lovell DJ, Felson DT, Martini A: Preliminary definition of improvement in juvenile arthritis. Arthritis Rheum 40: 1202-9, 1997.

6. Lovell DJ, Giannini EH, Reiff A, et al: Etanercept in children with polyarticular juvenile rheumatoid arthritis. Pediatric Rheumatology Collaborative Study Group. N Engl J Med 342: 763-9, 2000.

7. Ruperto N, Murray KJ, Gerloni V, et al: A randomized trial of parenteral methotrexate comparing an intermediate dose with a higher dose in children with juvenile idiopathic arthritis who failed to respond to standard doses of methotrexate. Arthritis Rheum 50: 2191-201, 2004.

8. Wallace CA, Ruperto N, Giannini E: Preliminary criteria for clinical remission for select categories of juvenile idiopathic arthritis. J Rheumatol 31: 2290-4, 2004.

9. Pinals RS, Masi AT, Larsen RA: Preliminary criteria for clinical remission in rheumatoid arthritis. Arthritis Rheum 24: 1308-15, 1981.

10. Ruperto N, Ravelli A, Murray KJ, et al: Preliminary core sets of measures for disease activity and damage assessment in juvenile systemic lupus erythematosus and juvenile dermatomyositis. Rheumatology 42: 1452-9, 2003.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License