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Revista Brasileira de Reumatologia

versión impresa ISSN 0482-5004

Rev. Bras. Reumatol. vol.51 no.3 São Paulo mayo/jun. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0482-50042011000300003 

ARTIGO ORIGINAL

 

Uso de terapias biológicas no tratamento da artrite reumatoide: comparação entre as principais recomendações mundiais e a brasileira

 

 

Vander FernandesI; Tassia Moraes de AssisII; Carolina Carla QueirozIII; Patrícia Pires Rey de FigueiredoIII; Rafaela Untar de OliveiraIII; Nilzio Antonio da SilvaIV

IPós-graduando em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Goiás; Professor Adjunto de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Cuiabá
IIMédica-residente de Clínica Médica do Hospital Geral Universitário, Universidade de Cuiabá
IIIGraduanda da Faculdade de Medicina da Universidade de Cuiabá
IVProfessor Titular de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás; Doutorado

Correspondência para

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, com caráter sistêmico e progressivo, caracterizada pelo envolvimento articular que pode resultar em deformidade e incapacidade funcional. No mundo, a realidade de diagnóstico, tratamento e seguimento de pacientes com AR é muito variável. As principais sociedades de reumatologia, assim como os órgãos governamentais da maioria dos países, tentam estabelecer recomendações direcionando os critérios de diagnóstico, tratamento e seguimento para AR. O avanço rápido na descoberta de novas drogas, com respostas terapêuticas cada vez mais eficientes, não tem sido acompanhado da atualização dessas recomendações, e esforços devem ser feitos para uniformizar os procedimentos estabelecidos.
OBJETIVO: comparar as principais recomendações de tratamento da AR com os protocolos brasileiros, da SBR e do Ministério da Saúde.
MÉTODOS: Foram analisados os protocolos para tratamento da AR do Ministério da Saúde do Brasil, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, da PANLAR/GLADAR, do Colégio Americano de Reumatologia (ACR), da Liga Europeia contra o Reumatismo (EULAR) e do Colégio Mexicano de Reumatologia.
RESULTADOS: Diferenças importantes foram identificadas entre as diversas recomendações com destaque para os critérios de início das terapias biológicas, sequência hierárquica para uso dos biológicos disponíveis, assim como para a suspensão ou troca entre estes.
CONCLUSÕES:
É necessária a atualização mais rápida das recomendações de tratamento da AR. A padronização universal de critérios para elaboração de recomendações seria de grande valia para nortear regiões e países do mundo em torno de conduta semelhante por parte dos reumatologistas.

Palavras-chave: consenso, artrite reumatoide, terapia biológica.


 

 

INTRODUÇÃO

A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, de etiologia ainda desconhecida, com caráter sistêmico e progressivo, caracterizada pelo envolvimento simétrico de pequenas e grandes articulações que pode resultar em deformidade articular e incapacidade funcional.1-3

Tem distribuição universal, acometendo todas as raças, sendo mais frequente em mulheres do que em homens (3:1). Tem prevalência em torno de 0,4% a 1,9% da população mundial adulta. No Brasil, estima-se uma prevalência de 0,46%. A doença geralmente inicia-se entre os 20 e 60 anos de idade, com pico de incidência aos 45 anos. Por acometer adulto em fase produtiva é doença de importância socioeconômica, visto que 50% dos pacientes são considerados incapazes para o trabalho após 10 anos de doença.1,30,31

O tratamento da AR tem evoluído e mudado rapidamente nas últimas duas décadas, com terapias cada vez mais específicas e voltadas para a neutralização de mediadores inflamatórios específicos, envolvidos na fisiopatologia da doença. Com os resultados surpreendentes dessas terapias alvo-específi cas, os objetivos no tratamento da AR deixaram de ser apenas a melhora dos sintomas, mudando para a busca da remissão da doença. Diversos instrumentos e questionários têm sido usados para avaliação da atividade da doença, através dos quais é possível quantificar a resposta do paciente ao tratamento. Seu uso tem sido essencial em estudos clínicos, já que permitem uma padronização dos resultados encontrados.6-8

Os critérios do Colégio Americano de Reumatologia (ACR) de melhora da AR (ACR20, ACR50 e ACR70) permitem quantificar a melhora clínica através da contagem de articulações edemaciadas e dolorosas, provas de atividade inflamatória, pontuação no questionário de avaliação da capacidade funcional (HAQ), avaliação global do médico quanto à atividade da doença, e avaliação global do paciente em relação à dor e à atividade da doença. A melhora é expressa em percentagem (20%, 50% e 70%). Já o DAS 28 (Índice de Atividade da Doença - 28 articulações) é um índice que combina a análise de articulações edemaciadas e dolorosas, provas de atividade inflamatória e avaliação global do paciente sobre a doença, fornecendo uma impressão de como está a atividade da doença em pontos, permitindo classificar a doença como em remissão ou atividade leve, moderada ou intensa. Outros índices têm a mesma finalidade, mudando algumas variáveis, sendo os mais utilizados, depois do DAS28, o Índice Simplificado de Atividade da Doença (SDAI) que, além das 28 articulações dolorosas e inflamadas, avaliação global pelo paciente e proteína C reativa (PCR), utiliza também a avaliação global pelo médico-assistente e o Índice Clínico de Atividade da Doença (CDAI), que considera as mesmas variáveis do SDAI excluindo-se a PCR. A aferição seriada desses índices no seguimento de pacientes em tratamento também permite estimar a resposta à terapêutica. Outros instrumentos de avaliação incluem os critérios ACR de remissão da doença, a escala visual analógica do médico em relação à atividade da doença, a escala visual analógica do paciente em relação à dor e à atividade da doença, o questionário de capacidade funcional (HAQ) e o questionário de qualidade de vida em saúde (SF-36), dentre outros.5,9

Outro avanço importante na avaliação inicial dos pacientes com AR é a definição de quais pacientes teriam pior prognóstico. Estudos mostram que um grande número de articulações acometidas, presença de manifestações extra-articulares da doença, fator reumatoide sérico (FR) ou anticorpo antipeptídeo citrulinado (anti-CCP) positivo, persistência de níveis elevados da PCR, presença de erosões ósseas nos exames de imagem, resultado ruim nos questionários de qualidade de vida e presença de HLA DR4 são fatores de pior prognóstico. Assim, é possível traçar uma conduta terapêutica mais agressiva já nos estágios iniciais da doença prevenindo danos articulares irreversíveis.5

Além da avaliação clínico-laboratorial, os exames de imagem têm sido úteis no seguimento de pacientes com AR. As alterações estruturais da AR podem ser avaliadas através de radiografias simples de mãos e pés. Na fase inicial da doença, podem ser observados edema de partes moles e osteopenia periarticular. Com a progressão da doença, erosões ósseas e diminuição do espaço articular se tornam evidentes. Vários estudos clínicos têm utilizado o critério de Sharp/van der Heijde de avaliação dos raios X de mãos e pés, cuja pontuação leva em consideração a diminuição do espaço articular e a presença de erosões ósseas.5,10

No mundo, a realidade de diagnóstico, tratamento e seguimento de pacientes com AR é muito variável, dependendo de uma gama de fatores socioeconômicos e culturais. As principais sociedades de reumatologia, assim como os órgãos governamentais da maioria dos países do mundo, tentam estabelecer consensos e protocolos direcionando os critérios de diagnóstico, tratamento e seguimento para a AR. No entanto, com o avanço rápido na descoberta de novas drogas com respostas terapêuticas cada vez mais eficientes, o acesso às novas terapias não tem sido disponibilizado de maneira uniforme e com a necessária rapidez nas diversas regiões e países.11 Com base nessas dificuldades, este artigo faz a análise de algumas das principais recomendações sobre tratamento da AR no mundo, e compara-as com as recomendações brasileiras, buscando assim uma melhor orientação e padronização no tratamento da AR em nossos pacientes.

 

MÉTODO

Foram analisadas as seguintes recomendações: Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para tratamento da AR do Ministério da Saúde do Brasil, 2002;12Atualização do consenso brasileiro no diagnóstico e tratamento da AR, 2007;9 First Latin American position paper on the pharmacological treatment of rheumatoid arthritis, 2006;13 EULAR recommendations for management of rheumatoid arthritis with synthetic and biological disease-modifying antirheumatic drugs, 2010;5 o American College of Rheumatology 2008 recommendations for the use of nonbiologic and biologic disease-modifying antirheumatic drugs in rheumatoid arthritis,14 e o Guías y recomendaciones del Colegio Mexicano de Reumatología para el uso de agentes biológicos en enfermos reumáticos, 2006.15

Todas as recomendações foram comparadas, considerando a metodologia de elaboração e os seguintes critérios no uso das terapias biológicas, disponíveis para o tratamento da AR do adulto:

• índices de atividade da doença utilizados;

• níveis de atividade da doença para recomendação de início da terapia biológica;

• necessidade de uso prévio de drogas modificadoras do curso da doença (DMCDs);

• hierarquia na indicação do agente biológico;

• critérios para troca entre agentes biológicos;

• tempos de uso para avaliação de resposta;

• possibilidade de alteração de dose ou intervalo entre as doses inicialmente recomendadas;

• necessidade de monitoração radiográfica e qual o intervalo;

• recomendação quanto ao uso associado de metotrexato;

• quais os agentes biológicos previstos. Essas informações foram agrupadas na Tabela 1.

 

RESULTADOS

As metodologias adotadas por cada uma das recomendações foram:

• Ministério da Saúde do Brasil, 2002.12 Utilizou a assessoria de consultores, mas não são mencionados os nomes, nem a metodologia.

• Sociedade Brasileira de Reumatologia, Atualização do consenso brasileiro no diagnóstico e tratamento da AR, 2007.9 Foi elaborado a partir de reunião consensual contando com a participação de 16 reumatologistas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). O texto tomou como base o trabalho realizado por representantes da SBR, publicado em 2004, na Revista Brasileira de Reumatologia, acrescido da experiência de reumatologistas e complementado por revisão bibliográfica. As definições de conduta foram classificadas por grau de recomendação e força de evidência (A, B, C e D), com base na experiência dos especialistas e complementado por revisão bibliográfica. Não mencionado prazo para revisão.

• PANLAR 2006, First Latin American position paper on the pharmacological treatment of rheumatoid arthritis, 2006.13 Uma Comissão Executiva, nomeada pelas comissões de epidemiologia, AR e de radiologia da PANLAR, realizou uma reunião em Lisboa, em maio de 2003. O objetivo foi estabelecer uma força-tarefa para o desenvolvimento de um consenso latino-americano sobre o tratamento da AR. Os trabalhos foram voltados para a discussão dos problemas encontrados na região e sobre a disponibilidade de tratamento adequado para a AR resultando na elaboração de orientações para a prática clínica.O objetivo secundário foi a divulgação das conclusões e recomendações do consenso, assim como dos países participantes.

EULAR recommendations for management of rheumatoid arthritis with synthetic and biological disease-modifying antirheumatic drugs, 2010.5 Utilizou comitê de especialistas nas áreas de reumatologia, infectologia, economia em saúde e um paciente envolvendo 12 países europeus e Estados Unidos. Foram utilizadas como base de dados as fontes PubMed, EMBASE, Medline, Cochrane library e resumos recentes anteriores a metade de 2009. A revisão incluiu metanálises, revisões sistemáticas, estudos randomizados e controlados (RCTs), estudos não RCTs e observacionais, incluindo os dados de registros. Utilizou-se a categorização de nível de evidência e grau de recomendação de acordo com os padrões do Centro de Medicina Baseada em Evidências de Oxford. Considerou-se também o nível de concordância entre os participantes. O início dos trabalhos foi em dezembro de 2008 sendo finalizado em junho de 2009. Não estabelece prazo para revisão das recomendações que foram subdivididas em cinco áreas: DMARDs sintéticos (uso isolado ou combinado), sem glicocorticoides; glicocorticoide isolado ou combinado com DMARDs sintéticos; DMARDs biológicos; estratégias de tratamento; dados econômicos.

American College of Rheumatology 2008 Recommendations for the Use of Nonbiologic and Biologic Disease-Modifying Antirheumatic Drugs in Rheumatoid Arthritis, 2008.14 Foi realizada revisão sistemática da literatura utilizando-se as fontes PubMed, EMBASE, SCOPUS, Web of Science, e International Pharmaceutical Abstracts (IPA). As evidências foram agrupadas e submetidas a parecer de grupo de especialistas a partir de uma série de cenários de situações clínicas distintas, onde fatores relacionados ao prognóstico da doença como grau de limitação funcional, presença de doença extra-articular, positividade do FR e/ou anticorpos anti-CCP e/ou erosões ósseas em radiografi a foram valorizados. Em seguida, para cada recomendação fi nal, a força da evidência foi atribuída usando os métodos do Colégio Americano de Cardiologia como segue: 1) para o nível de evidência A, dados foram obtidos a partir de RCTs múltiplas ou metanálises; 2) para o nível de evidência B, os dados foram obtidos a partir de um único RCT ou não RCTs; 3) para o nível de C, os dados foram obtidos a partir da opinião de consenso de especialistas, estudos de caso ou padrões de atendimento. Sugere-se revisão periódica das recomendações dependendo da disponibilidade de novas terapias, novas evidências, alterações na relação risco e benefício dos tratamentos e mudanças nas políticas que definem os recursos disponíveis para a assistência a saúde.

Guías y recomendaciones del Colegio Mexicano de Reumatología para el uso de agentes biológicos en enfermos reumáticos, 2006.15 Grupo de especialistas elaborou metodologia sendo que o principal critério para escolha dos membros foi o numero de prescrições. Foi feito um compartilhamento das informações por meio eletrônico, utilizando-se questionário previamente elaborado, seguido de reunião do grupo para discussão e elaboração de documento final. A análise dos resultados seguiu a técnica Delphi e o mínimo de percentagem de acordo entre os especialistas foi de 80%. Foram utilizados outros consensos como referência, entre eles o Guia da Sociedade Britânica de Reumatologia para uso de anti-TNF alfa em pacientes com AR. Recomendou-se uma validade de dois anos para revisão das recomendações.

 

DISCUSSÃO

Importantes diferenças foram verificadas entre as diversas recomendações de tratamento, desde a escolha da metodologia adotada para a elaboração destes. Os guias mais recentes (ACR 2008 e EULAR 2010) buscaram na revisão sistemática da literatura a principal fonte de dados para subsidiar as recomendações elaboradas pelos especialistas. As recomendações mais antigas basearam-se principalmente na opinião de especialistas e consultores.

Apesar de os índices de atividade da doença serem amplamente recomendados para indicação de uso dessas novas terapias assim como para o seguimento do tratamento, o protocolo do MS do Brasil e o consenso da Sociedade Brasileira de Reumatologia não especificam em qual nível de atividade essas terapias devam ser iniciadas. No entanto todos, com exceção do guia do Ministério da Saúde do Brasil, indicam a utilização de um dos índices, sendo o Índice de Atividade da Doença-28 articulações (DAS28) o mais frequente.

A escolha do primeiro agente é especificada no protocolo do Ministério da Saúde do Brasil, que impõe o infliximabe como primeira escolha, sendo que o adalimumabe e o etanercepte só poderiam ser indicados em até 20% dos pacientes em uso de infliximabe. A justificativa para esta limitação não é mencionada. O EULAR recomenda como primeiro biológico qualquer um dos anti-TNFs, justificando esta indicação principalmente pela segurança comprovada, sendo este grupo o de maior tempo em uso no tratamento da AR.

A entre biológicos e qual a sequência ou critérios para escolha do próximo agente é discutida apenas no EULAR 2010, onde a substituição por outro anti-TNF ou outra classe de biológico é permitida, porém sem definição de hierarquização. A modificação no intervalo entre as doses ou a variação na dose por peso também só são mencionadas no EULAR 2010, que sugere o aumento progressivo do intervalo entre as doses após 12 meses de doença em remissão. Alterações de intervalo e dose por refratariedade não são mencionadas em nenhum dos consensos.

O guia mexicano prevê critérios de suspensão por falha terapêutica, sendo esta considerada quando não se atinge uma redução de 1,2 ponto no DAS28, ou uma redução do índice para menos de 3,2 após 3 meses de tratamento com o agente biológico.

Todas as recomendações sugerem o uso prévio e associado de metotrexato isolado ou associado com outros DMCDs não biológicos ao indicar o uso de um agente biológico. Quanto ao tempo necessário para avaliação da resposta ao tratamento, a maioria dos guias recomenda pelo menos 12 semanas.

A monitoração radiográfica é indicada pelo Ministério da Saúde do Brasil e pelo Consenso da SBR, sendo o tempo de avaliação mínimo de 6 meses e o máximo, de 12 meses. Os outros consensos não especificam essa exigência, nem o prazo.

Os agentes biológicos indicados variaram muito e refl etem a diversidade de critérios para autorização e disponibilização das agências reguladoras nos diversos países e regiões do mundo, sendo certo que o único consenso que hoje agrupa todas as drogas já aprovadas pelas principais agências reguladoras é o EULAR 2010.

É necessário que as sociedades e os gestores de saúde atualizem com maior frequência e celeridade as recomendações de tratamento da AR, uma vez que a evolução científica no tratamento dessa doença tem sido rapidamente modificada e obviamente está longe de ser finalizada, porque, até agora, as novas opções não conseguem obter o controle pleno da doença na totalidade dos casos estudados.16-27

O atraso nessa atualização traz prejuízos diretos aos pacientes com AR que deixam de ter acesso a opções efi cientes de tratamento da doença, ao mesmo tempo em que traz prejuízos aos gestores quando deixam de recomendar critérios mais rígidos para início, substituição, acompanhamento e até mesmo suspensão do uso dessas novas terapias que também são de custo elevado.11 Ressalta-se que até o momento a associação entre terapias biológicas é formalmente contraindicada, logo, a incorporação de novas tecnologias de alto custo, mas semelhantes às drogas já existentes, não resultaria em maior custo, mas sim em maiores opções na busca do objetivo maior que é a remissão da doença reumatoide e a prevenção do dano articular.

A padronização de critérios a nível mundial orientando princípios comuns de início da terapêutica biológica, definição hierárquica de escolha e troca entre diferentes classes de agentes biológicos, propedêutica de acompanhamento e critérios de suspensão, considerando a importância de se respeitar as características regionais e os sistemas de saúde de cada país, permitiria a estes a elaboração de recomendações uniformes, padronizando a tomada de decisão por parte dos reumatologistas.

 

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Correspondência para:
Vander Fernandes
Rua San Remo, 54, Jardim Itália
CEP: 78060-720. Cuiaba, MT
E-mail: vf@uol.com.br

Recebido em 12/7/2010.
Aprovado, após revisão, em 14/1/2011.
Os autores participaram de eventos com apoio da indústria farmacêutica: Abbott, Roche, BMS, MSD; receberam honorários por consultoria e financiamento para realização de pesquisas.

 

 

Comitê de Ética nº 0307-211.
Serviço de Reumatologia do Hospital Geral Universitário, Universidade de Cuiabá.