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Revista Brasileira de Reumatologia

versión impresa ISSN 0482-5004

Rev. Bras. Reumatol. vol.52 no.2 São Paulo marzo./abr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0482-50042012000200011 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Possível papel das adipocinas no lúpus eritematoso sistêmico e na artrite reumatoide

 

 

Vitalina de Souza BarbosaI; Jozelia RêgoII; Nílzio Antônio da SilvaIII

IProfessora-Assistente do Serviço de Reumatologia do Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Goiás - FM/UFG; Doutoranda em Ciências da Saúde, FM/UFG
IIProfessora Adjunta de Reumatologia, FM/UFG
IIIProfessor Titular de Reumatologia do Departamento de Clínica Médica, FM/UFG

Correspondência para

 

 


RESUMO

Nos últimos anos têm sido descritos mediadores sintetizados no tecido adiposo, chamados adipocinas. Eles apresentam ação hormonal, regulando o apetite e o metabolismo da glicose, mas também atuam como citocinas, com efeitos sobre o sistema imune, incluindo efeitos na autoimunidade. As adipocinas mais importantes são: leptina, adiponectina, visfatina e resistina. Algumas delas vêm sendo estudadas nas doenças autoimunes reumáticas, particularmente no lúpus eritematoso sistêmico (LES) e na artrite reumatoide (AR). Estudos mostram níveis elevados de leptina e de adiponectina no LES, porém a correlação com a atividade da doença ainda é discutida. Na AR, os estudos também mostram aumento dos níveis de leptina e de adiponectina, observando-se correlação com a atividade da doença e a erosão articular; os resultados, porém, são conflitantes. Esta revisão descreve os papéis da leptina e da adiponectina no sistema imune e suas atuações no LES e na AR.

Palavras-chave: adipocinas, leptina, adiponectina, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide.


 

 

INTRODUÇÃO

O sistema imune requer um balanço energético adequado para suas funções fisiológicas. Nos últimos anos, uma importante via de ligação tem sido identificada entre esse sistema e o metabolismo,1 com a verificação da existência de obesidade predispondo o indivíduo ao desenvolvimento de vários distúrbios, tais como aterosclerose, diabetes mellitus e algumas doenças imunomediadas.

O tecido adiposo não é um tecido inerte, e vem sendo considerado um órgão com funções neuroendócrinas e imune. Esse tecido produz vários mediadores, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), a interleucina 6 (IL-6), a interleucina 1 (IL-1), a quimiocina ligante 2 (CCL2), o inibidor do ativador do plasminogênio tipo 1 e as frações do complemento, todos participantes da resposta imune inata como mediadores pró-inflamatórios.1

Embora os macrófagos no tecido adiposo sejam a principal fonte de TNF, os adipócitos contribuem com quase 1/3 da concentração de IL-6 na circulação dos pacientes obesos, e a CCL2, produzida pelos adipócitos, é um fator importante na infiltração de macrófagos nesse tecido. A presença dos macrófagos ativos, juntamente com os adipócitos e outras células do tecido imune, pode perpetuar um círculo vicioso, com recrutamento de mais macrófagos e produção de mais citocinas pró-inflamatórias.1 Todas essas citocinas estão também implicadas nas doenças autoimunes.

A inter-relação entre o tecido adiposo e o sistema imune está cada vez mais evidente. Recentemente, demonstrou-se que o receptor NLRP3 inflamassoma, presente nas células imunes inatas, detecta sinais de perigo associados à obesidade e leva à ativação da caspase-1 e à produção de interleucina 1b e interleucina 18, contribuindo para a inflamação crônica induzida pela obesidade.2

Atualmente, o tecido adiposo branco é considerado o maior órgão endócrino, secretor de uma variedade de mediadores denominados adipocinas (adipocitocinas). Os mais importantes são a leptina, a adiponectina, a visfatina e a resistina, que atuam como hormônios na homeostasia da glicose e na regulação do apetite e como citocinas, promovendo a ligação da obesidade e a resistência à insulina com o sistema imune e o processo inflamatório.1,3,4 Algumas adipocinas, como a leptina, atuam de forma semelhante às citocinas inflamatórias, como o TNF-α, a IL-6 e a IL-1.5 Outras, como a adiponectina, atuam com efeitos antidiabético, antiaterogênico e anti-inflamatório.1,4,6

Com a compreensão da natureza e do mecanismo de ação das adipocinas, torna-se claro que o tecido adiposo não é apenas um órgão endócrino, mas também um órgão imune. A leptina e a adiponectina são as adipocinas produzidas mais abundantemente nos adipócitos, estudadas em doenças autoimunes reumáticas como a artrite reumatoide (AR),7,8 a doença de Behçet9 e o lúpus eritematoso sistêmico (LES).10 Assim, o conhecimento da participação desses mediadores nos mecanismos patogênicos das doenças reumáticas autoimunes pode contribuir para melhor compreensão desse grupo de doenças.

Torna-se oportuna uma revisão das atuações da leptina e da adiponectina no sistema imune e seus possíveis papéis no LES e na AR.

 

LEPTINA E O SISTEMA IMUNE

A leptina (do grego leptos = magro) foi a primeira adipocina identificada. Ela é uma proteína (16kDa) de 167 aminoácidos codificada pelo gene obese (ob) no cromossomo 7q31.3,11 com estrutura tridimensional semelhante à citocina da família da IL-6. Atua por meio de receptores OBR,12,13 membros da superfamília de receptores das citocinas classe 1, codificados pelo gene diabetes, expressos em diferentes tecidos, como o sistema nervoso central (SNC) e o sistema cardiovascular, e as células do sistema imune, como os monócitos, as células natural killer (NK)14 e os linfócitos T CD4+ e CD8+. Sua concentração sérica é medida em ng/mL, e seus níveis correlacionam-se com a massa corporal.

A leptina atua no controle do apetite no eixo intestino-SNC, promovendo saciedade por ação em receptores no hipotálamo.15 Os camundongos com mutação no gene ob (camundongo ob/ob)16 ou com deficiência do receptor para leptina (camundongo db/db) desenvolvem obesidade grave por falta dessa sinalização. Outras anormalidades secundárias também são observadas na reprodução,17 na hematopoiese,18 na angiogênese,19 na secreção de insulina,20 no metabolismo ósseo,21 nos metabolismos lipídicos e da glicose20 e no sistema imune inato e adaptativo.5,22,23 Trata-se, portanto, de uma molécula pleiomórfica com várias ações biológicas.

Essa citocina possui atividade pró-inflamatória, atuando como proteína de fase aguda5 de modo semelhante à IL-1 e ao TNF-α. Nos monócitos e nos macrófagos, ela aumenta a função fagocítica e a produção de citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-α, a IL-6 e a interleucina 12 (IL-12),24 e estimula a proliferação e a ativação dos monócitos. Nos neutrófilos, aumenta a expressão de CD11b, bem como a quimiotaxia e a explosão oxidativa,25 e está envolvida no desenvolvimento, na diferenciação, na proliferação, na ativação e na citotoxicidade das células NK.26

A leptina está aumentada durante a infecção aguda, o que sugere seu papel na resposta imune inata.5,27 A deficiência humana congênita é rara e está associada a maior incidência de morte por infecções durante a adolescência.28 Está associada também a uma diminuição do linfócito T CD4+ circulante e suas citocinas.29 Essas alterações podem ser revertidas com a administração de leptina recombinante, concluindo-se por um efeito protetor contra a infecção. Porém, o obeso tem maior incidência de infecções, apesar do nível aumentado de leptina, o que poderia indicar um estado de resistência em tais indivíduos.

A presença de receptores OBR nos linfócitos T e B indica o possível papel da leptina na ativação do sistema imune adaptativo.23 A principal ação parece ocorrer na regulação do linfócito T CD4+,22,29 promovendo diferenciação do linfócito T auxiliar 1 (Th1). Em cultura de linfócitos, observou-se que a leptina induz a proliferação do linfócito T CD4+CD45RA+ e inibe a proliferação do linfócito T CD4+CD45RO+ (células de memória). A leptina aumenta a produção de citocinas Th1, como a interleucina 2 (IL-2) e o interferon gama (IFN-γ), e suprime a produção de citocinas do linfócito T auxiliar 2 (Th2), como a interleucina 4 (IL-4);30 protege o linfócito T da apoptose induzida pelo corticosteroide31 e aumenta a expressão de moléculas de adesão, como a molécula de adesão intercelular 1 (ICAM1) e a very late antigen 2 (VLA2), o que pode contribuir para a ativação e a migração das células imunes para o sítio da inflamação.5

Em humanos, o aumento da leptina está associado a várias condições inflamatórias crônicas, como hepatite não alcoólica,32 inflamação pulmonar crônica,33,34 doença inflamatória intestinal,35 nefrite,36 doença de Behçet,9,37 doença de Graves,38 diabetes mellitus tipo 1,39 AR7,8,40 e LES.10,41

Camundongos com deficiência de leptina têm uma grave atrofia do timo, sugerindo a importância da proteína na timopoiese e na resposta imune adaptativa.16,22,42 A administração exógena de leptina previne a imunossupressão22 e a atrofia do timo e aumenta sua celularidade.42 Esses camundongos também apresentam resistência às doenças autoimunes do tipo encefalomielite autoimune experimental,43-45 diabetes mellitus tipo 1,46 colite experimental,47 artrite induzida por antígeno48 e glomerulonefrite experimental.49 A administração de leptina estabelece a suscetibilidade à autoimunidade.

Outro indicador do envolvimento da leptina na autoimunidade é a concentração sérica duas a três vezes mais elevada em mulheres que em homens,50,51 bem como a potencialização de encefalomielite experimental em camundongos fêmeas.45 A leptina é um dos hormônios que favorece a maior predisposição das mulheres ao desenvolvimento de doenças autoimunes.

 

ADIPONECTINA E O SISTEMA IMUNE

A adiponectina é uma proteína monomérica globular com 244 aminoácidos que formam um trímero (30 kDa), o qual se polimeriza e forma um grande polímero complexo variando de 180 kDa a 400-600 kDa.1,6,52 Possui estrutura semelhante aos colágenos VIII e X e à fração do complemento C1q, é sintetizada principalmente pelos adipócitos, mas também é produzida nos músculos esqueléticos, nos miócitos cardíacos e nas células endoteliais.1 O gene da adiponectina humana localiza-se no cromossomo 3q27. Possui três receptores: AdipoR1, AdipoR253e T-caderina,54 dos quais o primeiro é expresso mais abundantemente no músculo esquelético, o segundo no fígado, e o terceiro no coração e nas artérias. No soro, a adiponectina pode ser encontrada como polímeros ou como fragmentos proteolíticos.6 Sua concentração sérica humana está entre 5-10 mg/mL.4

A adiponectina está diminuída no sangue em casos de obesidade visceral e naqueles com resistência à insulina, bem como na esteatose hepática não alcoólica e no diabetes mellitus tipo 2.55Animais obesos tratados com adiponectina diminuem a hiperglicemia e o nível de lipemia e melhoram a sensibilidade à insulina.56 Portanto, admite-se uma atividade de proteção contra a resistência à insulina e um efeito antidiabético.

Enquanto a leptina tem atividade pró-inflamatória, a adiponectina parece apresentar atividade anti-inflamatória,4,6 com efeito sobre as células endoteliais pela inibição da expressão das moléculas de adesão induzidas pelo TNF.57

No sistema imune inato, a adiponectina suprime o aumento da atividade citotóxica das células NK pela IL-2 e também a produção de IFN-γ.58 Ela exerce efeito anti-inflamatório por reduzir a produção e a atividade do TNF-α e da IL-6, e também por induzir a produção de mediadores anti-inflamatórios como a interleucina 10 (IL-10) e o antagonista do receptor da interleucina 1 (IL-1 RA).59 Inibe, ainda, a proliferação e a atividade fagocítica dos monócitos, e reduz a capacidade fagocítica do macrófago.59 Entretanto, promove a fagocitose das células apoptóticas pelos macrófagos, cujo acúmulo é capaz de desencadear inflamação ou disfunção do sistema imune.60

Embora a adiponectina atue de forma contrária à leptina, inibindo a ativação e a proliferação dos linfócitos T e a linfopoiese do B,61 seu efeito na produção das citocinas parece depender da isoforma,62 do tipo e da ativação da célula-alvo, bem como da presença de citocinas pró-inflamatórias que possam modificar sua expressão.1

 

ADIPOCINAS E AS DOENÇAS AUTOIMUNES REUMÁTICAS

Nos últimos anos houve esforços para esclarecer o papel das adipocinas, principalmente da leptina e da adiponectina, nas doenças autoimunes, particularmente nas doenças reumáticas como AR63-67e LES.68

Adipocinas e lúpus eritematoso sistêmico

As adipocinas estão aumentadas no LES,10,68-71 porém a maioria dos artigos não mostra correlação das mesmas com a atividade da doença (Tabela 1).

Em 2002, Garcia-Gonzalez et al.10 avaliaram 41 mulheres com LES com níveis aumentados de leptina quando comparadas aos controles, embora sem correlação com a atividade ou a duração da doença ou com a idade das pacientes.

Estudo de Sada et al.69 mostrou maior concentração de leptina e de adiponectina em pacientes com LES. A adiponectina foi significativamente elevada nas pacientes lúpicas sem resistência à insulina, sugerindo um papel dessa adipocina na resistência à insulina.

Al et al.,71 avaliando crianças lúpicas, observaram maior concentração da leptina (34%) em comparação aos controles, porém nenhuma diferença na concentração da adiponectina. Foram avaliados 105 pacientes com LES (21 do gênero masculino e 84 do gênero feminino) com média de idade de 14,98 anos, que foram comparados com crianças saudáveis. Como nos estudos em adultos, não houve correlação da leptina com os índices de atividade da doença. Os autores sugeriram, então, que as adipocinas não são marcadores de atividade.

Wislowska et al.,41 avaliando 30 pacientes lúpicas e 30 controles, mostraram que não houve diferença no nível sérico de leptina entre pacientes com LES e o grupo-controle. Porém, o nível de leptina foi menor nas pacientes com artrite e envolvimento do SNC que naquelas sem essas manifestações. Os autores sugeriram que a inflamação crônica ativa poderia diminuir a concentração de leptina.

Rovin et al.70 relataram que o nível plasmático de adiponectina estava aumentado nos pacientes com LES com envolvimento renal, quando comparados aos pacientes sem envolvimento renal e aos controles saudáveis. O nível urinário da adiponectina aumentava significativamente na atividade renal, sugerindo que a adiponectina urinária poderia ser um marcador de atividade renal.

Chung et al.68 investigaram a concentração de resistina, visfatina, leptina e adiponectina em 109 pacientes com LES e suas correlações com aterosclerose coronariana, resistência à insulina e inflamação. As pacientes com LES apresentaram maior concentração de adiponectina, leptina e visfatina em comparação ao grupo-controle, porém nenhuma adipocina correlacionou-se com aterosclerose coronariana. A baixa concentração de adiponectina e a alta concentração de leptina foram associadas à resistência à insulina, ao índice de massa corporal (IMC) e à proteína C-reativa (PCR). Os autores sugeriram que as adipocinas promovem a ligação entre a resistência à insulina e a inflamação.

Adipocinas e artrite reumatoide

Com relação à AR, os trabalhos mostram resultados conflitantes em relação ao papel das adipocinas.72

Leptina e artrite reumatoide

Em vários estudos, a dosagem de leptina em pacientes com AR tem-se mostrado maior que em controles,40,63-65,73,74 e alguns trabalhos demonstram correlação com atividade de doença40,63,64,73 (Tabela 2).

Em 2003, Bokarewa et al.40 avaliaram o nível de leptina sérica e no líquido sinovial de 76 pacientes com AR e os correlacionaram com duração, atividade e alterações radiológicas. Os autores encontraram aumento significativo de leptina no sangue dos pacientes em comparação aos controles saudáveis, e esse nível foi maior que o sinovial. Não houve correlação com a duração da doença, e o menor nível de leptina no líquido sinovial foi associado à doença não erosiva. Os autores sugeriram que o menor nível encontrado no líquido sinovial deveu-se ao consumo local, e que ele poderia exercer efeito protetor para o dano articular.

Otero et al.73 também observaram maior nível plasmático de leptina, adiponectina e visfatina em pacientes com AR que nos controles, sugerindo papel modulador da inflamação nesses pacientes.

Lee et al.63 investigaram se os níveis de leptina estavam elevados nos pacientes com AR em atividade e se esses níveis correlacionavam-se com a atividade da doença. Os autores encontraram aumento significativo da leptina nos pacientes com alta atividade da doença e correlação positiva entre a leptina, o DAS28 e a PCR. Nos pacientes com alta atividade de doença, que foram acompanhados e tiveram redução do DAS28, também houve redução significativa do nível da leptina. Os autores concluíram que os níveis de leptina correlacionaram-se com a atividade da doença.

Targonska-Stepniak et al.64 avaliaram 37 pacientes com AR e encontraram aumento significativo da concentração de leptina na doença erosiva e nos pacientes com doença de longa duração. O nível de leptina correlacionou-se positivamente com o valor do DAS28, com a velocidade de hemossedimentação (VHS) e com o número de articulações dolorosas, sugerindo que a leptina está associada à atividade da doença e a um risco de destruição progressivo da articulação.

Em outros estudos,65,74,75 embora o nível de leptina estivesse mais elevado nos pacientes com AR em comparação aos controles, não foi observada correlação clínica e laboratorial com a atividade da doença.

Em 2001, Salazar-Paramo et al.75 observaram que a média do nível de leptina foi duas vezes maior nos pacientes com AR que nos controles, e não observaram nenhuma associação a números de articulações edemaciadas, duração da rigidez matinal e VHS. Comparando-se o nível de leptina dos pacientes com atividade de doença ao dos pacientes em remissão, não houve diferença significativa.

Gunaydin et al.74 avaliaram os níveis séricos de leptina nos pacientes com AR e os correlacionaram com os parâmetros clínicos e laboratoriais de atividade da doença. Embora o nível sérico tenha sido maior nos pacientes com AR, não houve correlação entre o nível de leptina e a duração da doença, contagem de articulações dolorosas e edemaciadas, DAS28, PCR, VHS, TNF-α e uso de corticoide e metotrexato (MTX). Não houve diferença significativa entre o nível de leptina nos pacientes com alta ou baixa atividade de doença. O nível de leptina foi significativamente mais elevado nos pacientes com AR que nos controles, porém sem correlação clínica e laboratorial com a atividade da doença.

Em 2009, Seven et al.65 encontraram níveis significativamente maiores de leptina sérica e no líquido sinovial nos pacientes com AR comparados aos controles, e nos pacientes com moderada atividade comparados aos com baixa atividade. Os níveis séricos de leptina foram independentes da idade e dos marcadores de inflamação. Os autores sugeriram que os níveis não poderiam ser usados para avaliar a atividade da doença.

Apesar desses achados, alguns estudos8,76,77 mostram que a concentração da leptina nos pacientes com AR é similar aos controles saudáveis.

Em 1999, Anders et al.8 determinaram o nível sérico da leptina em 58 pacientes com AR e em 16 controles, e não encontraram diferença significativa entre os grupos. A leptina correlacionou-se com a porcentagem de gordura corporal, mas não com a atividade da doença.

Popa et al.78 tentaram correlacionar a leptina com a inflamação e investigaram se o anti-TNF-α modulava sua concentração. Os autores não encontraram diferença na concentração de leptina entre os pacientes com AR e os controles, e ainda encontraram correlação inversa com a inflamação. Após duas semanas de tratamento com anti-TNF-α, não foi observada mudança na concentração de leptina. Os autores sugeriram que a inflamação crônica poderia diminuir os níveis de leptina.

Hizmetli et al.77 não encontraram diferença significativa do nível de leptina entre os pacientes com AR e os controles saudáveis. Tanto o nível sérico quanto o do líquido sinovial não se correlacionaram com duração da doença, VHS, PCR, fator reumatoide e erosões articulares. Os autores concluíram que a leptina não se correlaciona com a atividade de doença.

Wislowska et al.76 também não encontraram diferença significativa da leptina sérica entre pacientes com AR e os controles com osteoartrite.

Adiponectina e artrite reumatoide

O aumento da adiponectina, observado nos pacientes com AR,79-81 tem sugerido uma atividade pró-inflamatória, mais que anti-inflamatória (Tabela 3).

Senolt et al.79 encontraram nível sérico de adiponectina significativamente maior nos pacientes com AR que nos controles saudáveis, comparável ao nível dos pacientes com osteoartrite - a concentração no líquido sinovial nos pacientes com AR, porém, foi maior que naqueles com osteoartrite. Os autores concluíram que o aumento da adiponectina do líquido sinovial dos pacientes com AR pode contrapor ao processo inflamatório local.

Em 2009, Laurberg et al.80 compararam o nível de adiponectina em pacientes com AR inicial sem DMARDs a pacientes com AR crônica, com osteoartrite e indivíduos saudáveis. Eles também avaliaram a mudança do nível de adiponectina durante o tratamento com MTX em um subgrupo de AR crônica. A adiponectina foi significativamente menor nos indivíduos saudáveis em comparação aos pacientes com AR inicial, AR crônica ou osteoartrite. Nos pacientes com AR crônica tratados com MTX houve aumento de 13% no nível da adiponectina.

Ebina et al.81 compararam os níveis séricos de adiponectina em pacientes com AR severa, leve e em controles, e observaram que houve correlação da adiponectina com o grau de severidade da doença, mas não houve correlação com marcadores inflamatórios (PCR e DAS28), sugerindo associação entre o número de articulações destruídas e a elevação da proteína.

No estudo de Targonska-Stepniak et al.,82 a adiponectina correlacionou-se com a doença de longa duração (> 10 anos), apresentando relação positiva com o aumento da idade e o tempo de doença e relação negativa com a atividade da doença.

Ao contrário da leptina, cujos níveis não se alteram com o uso do anti-TNF-α,78 alguns estudos têm demonstrado ação dessa droga sobre os níveis de adiponectina.83-85 No trabalho de Härle et al.,86 no entanto, essa correlação não foi evidenciada.

Nagashima et al.83 observaram que o nível de adiponectina não apresentou diferença significativa entre os controles saudáveis e os pacientes com AR. Porém, no grupo de mulheres tratadas com infliximabe e etanercepte, o nível de adiponectina foi significativamente maior.

No estudo de Komai et al.,84 os autores observaram aumento significativo do nível de adiponectina na segunda e na sexta semanas de aplicação do infliximabe, e sugeriram um papel do TNF-α na expressão dessa adipocina.

Nashida et al.85 avaliaram 97 pacientes com AR ativa tratados com infliximabe a cada oito semanas, por 52 semanas, e observaram aumento significativo da adiponectina e melhora da atividade da doença e dos marcadores inflamatórios. Os autores sugeriram que essa proteína e o TNF-α têm efeitos opostos, e o bloqueio do TNF-α pode interferir na aterosclerose, direta ou indiretamente, por meio da adiponectina, melhorando a morbimortalidade cardiovascular da doença inflamatória crônica.

Härle et al.86 avaliaram os níveis de leptina e de adiponectina em 32 pacientes com AR tratados com adalimumabe por 12 semanas, e não encontraram mudança durante o tratamento. Nos 16 pacientes previamente tratados com prednisona os níveis de adiponectina foram significativamente menores que nos pacientes sem corticoide, e essa diferença permaneceu durante todo o período. Os autores concluíram que nos pacientes com AR os níveis séricos de leptina e de adiponectina não são ligados à inflamação e não diminuem após 12 semanas de tratamento com anti-TNF-α.

O aumento da adiponectina observado nos pacientes com AR após o tratamento com anti-TNF-α sugere sua atividade anti-inflamatória. Portanto, o efeito (pró-inflamatório ou anti-inflamatório) da adiponectina na AR ainda permanece em aberto.

 

ADIPOCINAS E DANO ARTICULAR

Alguns trabalhos14,87,88 mostram que a obesidade protege contra o dano articular na AR. Embora o mecanismo não seja bem conhecido, as adipocinas parecem estar envolvidas.

No estudo de Giles et al.66 a adiponectina mostrou forte associação ao dano radiológico. O mesmo, porém, não foi observado com a resistina e a leptina. Os autores concluíram que a adiponectina pode representar a ligação entre a menor massa gordurosa e o dano radiológico e também pode ser uma nova estratégia terapêutica para atenuação do mesmo.

Rho et al.67 avaliaram a concentração sérica de leptina, resistina, adiponectina e visfatina em 167 pacientes com AR e encontraram maior concentração de todas as adipocinas, quando comparadas aos controles. A visfatina mostrou associação positiva com maior dano radiológico, enquanto a leptina mostrou associação negativa. Os autores sugerem que as adipocinas estão aumentadas nos pacientes com AR e que podem modular o dano articular.

 

COMENTÁRIOS FINAIS

A descoberta das adipocinas revelou o importante papel das células adiposas na homeostasia, e que seus produtos, citocinas e hormônios, exercem ação no sistema imune. Contudo, ainda são controversos os resultados dos estudos desses mediadores nas enfermidades reumáticas. Julgamos necessários mais estudos comparativos, em diferentes fases das doenças, em diferentes populações, com métodos reprodutíveis, para compreender melhor a função e a importância dessas substâncias nesse subgrupo de pacientes.

 

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Correspondência para:
Vitalina de Souza Barbosa
Instituto Médico Cora Coralina
Rua 1124, nº 469 - Setor Marista
CEP: 74175-080. Goiânia, GO, Brasil
E-mail: vitalina.barbosa@gmail.com

Recebido em 31/03/2011.
Aprovado, após revisão, em 14/12/2011.
Os autores declaram a inexistência de conflito de interesse.

 

 

Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás - FM/UFG.