SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.52 issue5Imaging diagnosis of early rheumatoid arthritisBilateral osteochondrosis of lateral femoral condyles: case report and literature review author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

  • Have no similar articlesSimilars in SciELO

Share


Revista Brasileira de Reumatologia

Print version ISSN 0482-5004

Rev. Bras. Reumatol. vol.52 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0482-50042012000500011 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Inibição seletiva da ciclo-oxigenase-2: riscos e benefícios

 

 

Reila Tainá MendesI; Cassiano Pereira StanczykII; Regina SordiIII; Michel Fleith OtukiIV; Fábio André dos SantosV; Daniel FernandesIV

IMestranda em Odontologia, Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG
IIAluno do Curso de Graduação em Odontologia, UEPG
IIIDoutoranda em Farmacologia, Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
IVDoutor em Farmacologia; Professor-Adjunto do Departamento de Ciências Farmacêuticas, UEPG
VDoutor em Periodontia; Professor-Associado do Departamento de Odontologia, UEPG

Correspondência para

 

 


RESUMO

Os anti-inflamatórios inibidores das ciclo-oxigenases (COX) representam a classe de fármacos mais comumente utilizada. A COX corresponde a uma classe de enzimas conservadas evolutivamente e tem duas isoformas principais: a COX-1 e a COX-2. Seus subprodutos têm papel fundamental na inflamação e na percepção da dor. Há uma grande discussão entre a inibição seletiva ou não da COX pelo fato de a mesma, além de participar dos eventos inflamatórios, ter papel fundamental na manutenção da homeostase do organismo. A inibição seletiva da COX-2 surgiu com o intuito de reduzir os efeitos deletérios gastrintestinais de uma inibição não seletiva; em contrapartida, a inibição exclusiva da COX-2 associou-se a sérios eventos cardiovasculares, por causar um desequilíbrio entre a produção de prostaciclina e tromboxano. O objetivo deste trabalho é revisar a literatura a esse respeito, apontando os prós e os contras da inibição seletiva ou não das enzimas ciclo-oxigenases.

Palavras-chave: inibidores de ciclo-oxigenase 2, doenças cardiovasculares, farmacologia.


 

 

INTRODUÇÃO

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) representam uma das classes de maior diversidade de fármacos clinicamente disponíveis no Brasil. Isso é reflexo da contínua necessidade de analgesia em uma população mundial com alta prevalência de dor crônica.1 Em dados recentes, os anti-inflamatórios disponíveis no Brasil totalizam 66 diferentes compostos: 21 anti-inflamatórios esteroidais (glicocorticoides) e 45 AINES. Dos AINES, 42 correspondem aos inibidores não seletivos e três aos inibidores seletivos da ciclo-oxigenase-2 (COX-2). Além desses 45, há também quatro diferentes associações de compostos.2,3

Embora a estrutura química desses fármacos seja bastante diversa, eles exercem seus efeitos terapêuticos pela propriedade comum de inibição da COX. Apesar da eficácia terapêutica, o uso dos AINES é limitado devido a seus efeitos colaterais comuns, principalmente pelo surgimento de úlceras gastroduodenais.4,5 No início da década de 1990, duas isoformas de COX foram claramente identificadas: a COX-1, que parecia ser uma isoforma constitutiva, e a COX-2, uma forma induzida associada à inflamação.

Essa descoberta levou à teoria de que a inibição da COX-1 gera os efeitos gastrintestinais indesejados, enquanto a inibição da COX-2 responde pelos efeitos terapêuticos.6 Diante desse novo paradigma, houve um grande esforço tanto da indústria farmacêutica como da Academia pela busca de inibidores seletivos para COX-2. O esforço foi inicialmente premiado em 1999, com a entrada no mercado dos primeiros inibidores seletivos da COX-2, celecoxibe e rofecoxibe. Apesar do entusiasmo gerado inicialmente por esses fármacos, o decorrer da história não mostrou o desfecho esperado, e alguns desses fármacos foram retirados do mercado por gerar complicações cardiovasculares.

Esta revisão teve por objetivo recontar essa história, tentando reconciliar a farmacologia da inibição da enzima COX com os diferentes fenótipos cardiovasculares observados a partir de ensaios clínicos.

 

SÍNTESE DE PROSTANOIDES

O ácido araquidônico é um ácido graxo essencial obtido a partir da dieta, ou indiretamente, pela conversão do ácido linoleico.7 Esse ácido graxo é o precursor de uma larga família de compostos bioativos conhecidos como eicosanoides. Em razão da potência biológica desses compostos, o ácido araquidônico é mantido em níveis muito baixos na célula através de sua esterificação com fosfolipídios de membrana. Dessa forma, a disponibilidade de ácido araquidônico livre é descrita como a etapa limitante na produção de eicosanoides.8 O ácido araquidônico é liberado da membrana plasmática por ação da enzima fosfolipase A2, ativando uma cascata metabólica que inicia pela ação da prostaglandina G/H sintase, comumente chamada COX.

As COX são enzimas altamente conservadas evolutivamente, e existem em duas formas distintas, COX-1 e COX-2, que são codificadas por dois diferentes genes.9 Tanto a COX-1 como a COX-2 formam um endoperóxido de prostaglandina instável, a PGH2, a partir do ácido araquidônico. A PGH2 é transformada por várias enzimas e também por mecanismos não enzimáticos em tromboxano e nas séries de prostaglandinas D, E, F e I (Figura 1), que são compostos coletivamente conhecidos como prostanoides. A COX é, portanto, responsável pelos dois primeiros passos na síntese de prostanoides, e as etapas posteriores são dependentes de enzimas tecido-específicas.

Os prostanoides são importantes mediadores inflamatórios. Destacam-se as prostaglandinas PGE2 e a PGI2, por se apresentarem como potentes agentes vasodilatadores além de potencializarem o aumento de permeabilidade induzido por mediadores como bradicinina e histamina.10 Além disso, por essa potencialização do efeito da bradicinina e da histamina, essas PGs também estão envolvidas na hiperalgesia.11 Os prostanoides exercem seus efeitos por meio de receptores acoplados a proteína G,12 ativando diferentes vias de sinalização intracelular.

No início da década de 1970, Flower e Vane13 demonstraram que o paracetamol era capaz de inibir a atividade da COX no cérebro com muito mais eficiência que em outros tecidos. Esse trabalho suportou a tese de que há no cérebro uma variante da enzima COX, e que o paracetamol é um inibidor seletivo de tal enzima, identificada em córtex cerebral de cães e chamada de COX-3; trata-se, entretanto, de um splice alternativo da COX-1.14

Os AINES aliviam a dor, a febre e a inflamação pela inibição da enzima COX.15 Por sua vez, os AINES são divididos em inibidores tradicionais e inibidores seletivos. Estes últimos inibem seletivamente a COX-2 e surgiram com a finalidade de reduzir os efeitos gastrintestinais dos inibidores tradicionais. Todavia, essa seletividade acarreta um desequilíbrio entre os fatores anti- e pró-trombóticos, com predomínio de tromboxano (TXA2) em detrimento de prostaciclina (PGI2), o que desencadeia uma série de complicações cardiovasculares.

 

INIBIDORES SELETIVOS DA COX-2: ASCENSÃO E QUEDA

As complicações gastrintestinais são reconhecidas como a principal limitação do uso crônico de AINES. Essas complicações ocorrem principalmente em decorrência da inibição de prostanoides produzidos pela COX-1 e que são responsáveis pela citoproteção epitelial gástrica.16,17 Assim, a demonstração da existência de uma segunda enzima, que diferente da COX-1 não parecia ser expressa constitutivamente nos tecidos, e cuja expressão era induzida por mediadores inflamatórios, gerou grande entusiasmo.18

Diante dos novos fatos, sugeriu-se que a COX-2 seria a principal, senão a única, fonte de produção de prostaglandinas durante o processo inflamatório.18 Enquanto isso, a COX-1, que é constitutivamente expressa em diversos tecidos, foi considerada a principal responsável por funções homeostáticas e a única isoforma envolvida na proteção da mucosa gastroduodenal.16 Isso levou à hipótese de que a inibição seletiva da COX-2 apresentaria efeitos anti-inflamatórios, analgésicos e antipiréticos, sem a toxicidade gastrintestinal dos anti-inflamatórios tradicionais. Tal hipótese direcionou a busca e o desenvolvimento de fármacos seletivos para COX-2.19

Em 1999, menos de uma década após a descoberta da COX-2,20 os primeiros inibidores seletivos da COX-2 (Coxibs), celecoxibe e rofecoxibe, entraram no mercado. Já em 2001 o volume de vendas de rofecoxibe atingiu US$ 2,5 bilhões no mercado de 80 países, graças à vigorosa campanha de marketing.4,21,22 Lumiracoxibe e etoricoxibe surgiram como a segunda geração dos Coxibs23 (Tabela 1).24,25

Apesar do grande e rápido sucesso dos Coxibs, logo se tornou aparente que a inibição seletiva da COX-2 era muito mais complexa que o sugerido pela simplista hipótese inicial. A realização de ensaios clínicos controlados mostrou que os Coxibs aumentam o risco de complicações cardiovasculares,15,26-28 afetando aproximadamente de 1%-2% de pacientes por ano incluídos em ensaios controlados e randomizados. Esses dados levaram à retirada do rofecoxibe em 2004, seguido pelo valdecoxibe em 2005.29 Estima-se que o rofecoxibe tenha causado quase 28 mil infartos do miocárdio e mortes súbitas nos Estados Unidos entre 1999 e 2003.30 Alguns estudos ainda indicam que, juntos, o rofecoxibe e o celecoxibe tenham causado mais de 26 mil mortes nos cincos primeiros anos de sua liberação no mercado americano.31

Desde a retirada do rofecoxibe do mercado pela Merck em 2004, seguiu-se um caloroso debate na imprensa científica e popular sobre a utilização e a segurança dos Coxibs.29,30,32 Esse caso trouxe à tona a deficiência que pode preceder a aprovação de um fármaco. A aprovação dos três primeiros Coxibs (celecoxibe, refecoxibe e valdecoxibe) baseou-se em estudos clínicos de curta duração e com apenas algumas centenas de voluntários.33-36 Interessante notar que a possibilidade de riscos cardiovasculares causada por essas drogas já tinha sido antecipada antes mesmo da aprovação dos primeiros representantes da classe.37,38 Além disso, o aumento de risco cardiovascular com rofecoxibe já foi visível no estudo clínico inicial,39 e ainda assim houve estudos posteriores que expuseram os pacientes a esse risco por tempo prolongado.

Vale salientar, ainda, que apesar de os Coxibs se associarem em menor grau a efeitos adversos sobre o sistema digestório, dados da literatura sugerem que inibidores seletivos da COX-2 não estão desprovidos de tais efeitos. Esses fármacos relacionam-se com a perda da atividade cicatrizante em pacientes que já apresentam úlceras, bem como diminuição da atividade protetora contra a invasão de microrganismos para a corrente sanguínea, como o Helicobacter pylori.40 Em estudo observacional, demonstrou-se que pacientes com história prévia de úlceras e complicações gastrintestinais associadas ao uso de anti-inflamatórios tradicionais podem apresentar os mesmos efeitos adversos quando do uso de inibidores seletivos da COX-2.41 O risco de úlceras gástricas foi reduzido, porém não eliminado.42

Atualmente, no Brasil, apenas o celecoxibe e o etoricoxibe são comercializados, ambos com retenção de receita médica e com clara indicação dos riscos de complicações cardiovasculares.43

 

BASE BIOLÓGICA PARA COMPLICAÇÕES CARDIOVASCULARES

Como descrito inicialmente, os prostanoides são uma família de mediadores lipídicos bioativos produzidos pela COX a partir do ácido araquidônico. A PGI2, um dos prostanoides mais importantes no controle da homeostasia do sistema cardiovascular, é um potente vasodilatador e, além disso, inibe a agregação plaquetária, a adesão de leucócitos e a proliferação de células de músculo liso vascular. Portanto, a PGI2 apresenta efeito protetor no processo aterogênico. Os efeitos da PGI2 contrastam com os efeitos do TXA2, que causa agregação plaquetária, vasoconstrição e proliferação vascular (Figura 2).27 Assim, o balanço entre o TXA2 produzido pelas plaquetas e a PGI2 produzida pelas células endoteliais é fundamental para a saúde cardiovascular.44,45

 

 

As primeiras evidências da importância do equilíbrio entre TXA2 e PGI2 surgiram de estudos com a aspirina. A aspirina inibe a COX-1 de forma irreversível, por meio da acetilação do sítio ativo da enzima. Diferente das células endoteliais que podem sintetizar uma nova enzima COX-1 em poucas horas, a plaqueta é desprovida de núcleo, tornando-se incapaz de repor as enzimas inibidas. Assim, a aspirina inibe permanentemente a metabolização do ácido araquidônico pela COX-1 plaquetária. É importante lembrar ainda que a plaqueta não apresenta COX-2. Dessa forma, doses regulares de aspirina causam inibição cumulativa e quase completa da COX-1 plaquetária, afetando pouco a COX endotelial. Dito de outra forma, a aspirina reduz a formação de TXA2 pela plaqueta com mínimo efeito na produção de PGI2 pelas células endoteliais. Esse deslocamento da produção em favor da PGI2 gera um ambiente antitrombótico, já bem-documentado. A utilização diária de baixas doses de aspirina em pacientes de risco reduz a ocorrência de eventos trombóticos.46

De acordo com a hipótese inicial de que a COX-2 não está presente nos tecidos de forma constitutiva, sendo expressa somente durante o desenvolvimento de uma resposta inflamatória, é lógico imaginar que em indivíduos que não apresentam inflamação vascular os inibidores seletivos desta enzima não afetariam o equilíbrio entre TXA2 e PGI2.

Entretanto, logo ficou evidente que a COX-2 não era expressa somente durante a inflamação, mas poderia estar presente em vários tecidos durante condições fisiológicas,47 inclusive em células vasculares.48 Estudos em voluntários saudáveis mostram que os inibidores seletivos da COX-2 reduzem a formação da PGI2.37,38 Em conjunto com outros estudos,49,50 esses dados indicam que 60%-70% da produção da PGI2 em humanos saudáveis é derivada da COX-2. Assim, a COX-2 seria a isoforma da COX predominante no endotélio vascular, e diretamente relacionada com a produção de prostaciclina na circulação normal. Essa visão é diferente da hipótese inicial, em que a COX-2 seria expressa somente durante a inflamação. Corroborando tal ideia, alguns trabalhos têm mostrado que o estresse de cisalhamento (shear stress), que é constantemente criado pela pressão e pelo movimento do sangue dentro do lúmen vascular, pode gerar a expressão de COX-2 (Figura 3).51,52 Isso explicaria a ausência de COX-2 em células endoteliais em cultura,6 já que essas células não estão expostas a esse estresse mecânico.

Mas apesar das evidências expostas, indicando que a COX-2 possa ser uma enzima expressa constitutivamente nas células endoteliais, esses achados não são uniformes. Inúmeros estudos utilizando imuno-histoquímica têm mostrado que vasos de pessoas saudáveis expressam COX-1, com mínima evidência de COX-2 constitutivamente expressa.53-55

Mas se por um lado não há evidências consistentes da expressão constitutiva da COX-2 em vasos saudáveis, em lesões ateroscleróticas parece não haver dúvida de que haja uma indução na expressão de COX-2. Interessante notar que a excreção urinária de metabólitos da PGI2 aumenta em pacientes com síndrome coronária aguda56 ou logo após uma intervenção vascular,57 o que pode ser interpretado como um mecanismo de defesa vascular para prevenir eventos trombóticos. Corroborando essa ideia, seguidos trabalhos mostraram a expressão de COX-2 em lesões ateroscleróticas.54,55,58 As plaquetas não expressam COX-2 - então, como previsto, os inibidores de COX-2 não inibem a produção de TXA2 pelas plaquetas. A conclusão a partir dessas observações é que a inibição da produção de PGI2 a partir da COX-2 pode gerar um desequilíbrio na relação entre TXA2 e PGI2, aumentando assim a probabilidade de um evento trombótico (Figura 4).

 

 

RISCOS CARDIOVASCULARES COM AINES TRADICIONAIS

A seletividade para as isoformas da COX pode ser vista como uma contínua variável dentre os fármacos inibidores dessas enzimas;15 não há seletividade absoluta por uma ou outra isoforma. Até mesmo um inibidor seletivo para COX-2 também inibirá a COX-1 quando em concentrações suficientemente altas.21 Além disso, alguns fármacos ditos não seletivos em baixas concentrações, como o diclofenaco, inibem seletivamente a COX-2.21 Ainda, apesar de ser classificado como um AINE tradicional, esse fármaco apresenta uma seletividade para a COX-2 semelhante à do celecoxibe.59 Portanto, todos os anti-inflamatórios, inibidores seletivos da COX-2 ou não, podem associar-se, ainda que em graus diferentes, a um risco aumentado de eventos adversos cardiovasculares.60

O FDA (Food and Drug Administration) chama a atenção para o fato de que tanto os inibidores seletivos quanto os não seletivos podem aumentar o risco de desordens cardiovasculares.61 Dados epidemiológicos sugerem que tanto os Coxibs como os AINES tradicionais têm potencial para desencadear problemas cardíacos, especialmente quando usados em altas doses e por longo período de tempo. Assim, os riscos (cardiovasculares) e os benefícios (gastrintestinais) dos Coxibs devem ser levados em consideração, e sua indicação deve ser individualizada a cada paciente.28

Em uma metanálise na qual se avaliou o risco de ocorrência de eventos cardiovasculares com o uso crônico de anti-inflamatórios, tanto diclofenaco e ibuprofeno (fármacos tradicionais não seletivos) como etoricoxibe e lumiracoxibe (fármacos seletivos para COX-2) aumentaram a chance de eventos cardiovasculares em mais de 30%. Fizeram parte desse estudo 31 ensaios clínicos randomizados, nos quais se avaliou o risco cardiovascular de sete AINES: ibuprofeno, diclofenaco, etoricoxibe, rofecoxibe, naproxeno, celecoxibe e lumiracoxibe.60

Em relação ao risco para desordens cerebrovasculares, inibidores não seletivos mostraram-se mais deletérios que os seletivos. O ibuprofeno (pertencente à classe dos anti-inflamatórios tradicionais) apresentou chance 3,36 vezes maior para a ocorrência do evento, contra 2,86 do diclofenaco, 2,67 do etoricoxibe e 1,76 do naproxeno.

Para o risco de morte cardiovascular, o etoricoxibe apresentou maior chance para a ocorrência do evento (4,07 vezes mais), seguido do diclofenaco (3,98), do ibuprofeno (2,39), do celecoxibe (2,07), do lumiracoxibe (1,89) e do rofecoxibe (1,58). Tais dados mostram que o risco cardiovascular não se restringe apenas aos anti-inflamatórios seletivos para COX-2.60

McGettigan e Henry,62 em sua metanálise, concordam com o fato de que há risco cardiovascular com inibidores tradicionais. Os autores mostram, inclusive, que alguns AINES podem ser mais deletérios que os Coxibs. Nesse estudo, o diclofenaco apresentou risco relativo para a ocorrência de eventos cardiovasculares de 1,40 (considerando-se os estudos observacionais), risco este mais elevado que o apresentado pelo celecoxibe, cujo risco foi de 1,01.62 Em convergência com esse efeito deletério cardiovascular associado também aos inibidores tradicionais, pacientes com artrite e tratados com diclofenaco apresentaram idênticas taxas de eventos cardiovasculares trombóticos quando comparados a pacientes que receberam etoricoxibe.63

É importante lembrar também que tanto os AINES tradicionais quanto os Coxibs, ainda que em proporções diferentes, aumentam de forma dose-dependente a pressão arterial.26,64 Esse efeito é consequência de alterações no equilíbrio hidroeletrolítico e na reatividade vascular.65 De qualquer forma, o aumento de pressão arterial, independente do risco de trombose, pode contribuir para o aumento do risco de complicações cardiovasculares desses fármacos.

Entretanto, há ainda uma carência de ensaios clínicos controlados, randomizados, de larga escala para vários dos AINES tradicionais, dificultando a obtenção de conclusões contundentes a respeito do risco de complicações cardiovasculares com a utilização desses fármacos.

Não podemos esquecer também que os AINES representam um grupo de compostos químicos bastante heterogêneo; portanto, não surpreende que cada composto individual apresente características distintas com potencial de afetar sua relação riscobenefício, tais como meia-vida, potência e seletividade para COX-2. Todos esses fatores inerentes ao fármaco integram-se com o risco cardiovascular basal para determinar a probabilidade de complicações cardiovasculares no paciente.21 Dessa forma, resultados obtidos com um fármaco em particular não podem ser prontamente compartilhados com toda a classe de AINES.

Essa relação dinâmica entre as propriedades farmacológicas de um fármaco com o risco cardiovascular é bem ilustrado pelo diclofenaco. O diclofenaco possui meia-vida curta (1-2 horas) e, portanto, é prescrito em altas doses para produzir a concentração do fármaco considerada necessária para um efeito anti-inflamatório e analgésico efetivo durante todo o intervalo de administração. Como o diclofenaco é um dos mais potentes inibidores de COX e apresenta uma seletividade para COX-2 razoável, inclusive semelhante à do celecoxibe, sua concentração plasmática excede em várias vezes a concentração necessária para inibir apenas a COX-2, inibindo também a COX-1.19 Com a eliminação do fármaco e a consequente redução da concentração plasmática, a inibição da COX-2 permanece, ao passo que a inibição da COX-1 desaparece.66As taxas discordantes da inibição das isoformas da COX in vivo resultam em uma pequena janela de seletividade para COX-2, denominada de janela de risco.15 Fármacos como ibuprofeno e naproxeno não apresentam essa janela, uma vez que sua inibição da COX-1 excede a da COX-2 durante todo o tempo de intervalo das doses.21

O risco cardiovascular de inibidores seletivos da COX-2 ainda não está bem elucidado; portanto, nenhuma predição de risco cardiovascular pode ser baseada nesta seletividade60 nem tampouco afirmar que o uso de um inibidor tradicional é seguro no que tange a este efeito adverso.

Sheinberg67 critica o fato de haver um controle maior apenas para os inibidores seletivos. É válido lembrar que os riscos gastrintestinais dos anti-inflamatórios não seletivos são tão graves quanto os riscos cardiovasculares dos inibidores seletivos; ambos podem, potencialmente, levar o paciente a óbito. Medidas como reter a receita de Coxibs e vender livremente inibidores não seletivos sugerem erroneamente que estes últimos não apresentam riscos e, ainda, tornam seu uso indiscriminado.67

 

PERSPECTIVAS PARA USO DE INIBIDORES SELETIVOS DE COX-2

A COX é o alvo mais comum de fármacos e analgésicos anti-inflamatórios.68 Na prática clínica, optar por um AINE tradicional ou por um Coxib sempre foi um desafio.42 Para casos de dor aguda em pacientes com histórico de complicações gastrintestinais, os Coxibs tornam-se uma excelente opção, uma vez que a utilização desses fármacos por um curto período de tempo não representa risco de complicações cardiovasculares nem gastrintestinais.15 Como exemplo, nos casos de dismenorreia primária, cirurgias ortopédicas e procedimentos odontológicos, em que a utilização de anti-inflamatórios geralmente não ultrapassa uma semana, os Coxibs podem ser uma opção segura e eficaz para muitos pacientes.

Vale salientar que o risco cardiovascular dos Coxibs (presente quando do uso crônico dos mesmos) não os torna menos indicados que os inibidores não seletivos, uma vez que esses últimos também se associam a eventos cardiovasculares60 e que seus riscos gastrintestinais são tão graves quanto os possíveis riscos cardíacos dos Coxibs.67

 

CONCLUSÃO

Tendo em vista o crescente consumo de anti-inflamatórios, é válido salientar que a inibição seletiva da COX-2 surgiu a fim de se eliminarem os efeitos indesejáveis da inibição não seletiva da COX, como os eventos adversos gastrintestinais. Em contrapartida, a redução (e não a eliminação) dos efeitos colaterais gastrintestinais culminou com o aparecimento de eventos cardiovasculares. Considerando-se os prós e os contras de ambas as classes de inibidores da COX, as duas são opções válidas como fármacos anti-inflamatórios. No entanto, deve-se analisar cada caso, bem como a particularidade e a necessidade de cada paciente, almejando a correta indicação de cada classe dos inibidores da COX.

 

REFERÊNCIAS

1. Stewart WF, Ricci JA, Chee E, Morganstein D, Lipton R. Lost productive time and cost due to common pain conditions in the US workforce. JAMA 2003;290(18):2443-54.         [ Links ]

2. DEF 2008/2009 - Dicionário de especialidades farmacêuticas. Editora de publicações científicas LTDA. Produção Jornal Brasileiro de Medicina. 37ª ed. Rio de Janeiro, 2008.         [ Links ]

3. Pedroso ERP, Gomes R. Black Book - Clínica Médica. Belo Horizonte: 2007.         [ Links ]

4. Mitchell JA, Warner TD. COX isoforms in the cardiovascular system: understanding the activities of non-steroidal anti-inflammatory drugs. Nat Rev Drug Discov 2006; 5(1):75-86.         [ Links ]

5. Wilcox CM, Alexander LN, Cotsonis GA, Clark WS. Nonsteroidal Antiinflammatory drugs are associated with both upper and lower gastrointestinal bleeding. Dig Dis Sci 1997;42(5):990-7.         [ Links ]

6. Mitchell JA, Akarasereenont P, Thiemermann C, Flower RJ, Vane JR. Selectivity of nonsteroidal antiinflammatory drugs as inhibitors of constitutive and inducible cyclooxygenase. Proc Natl Acad Sci USA 1993; 90(24):11693-7.         [ Links ]

7. Das UN. Essential fatty acids: biochemistry, physiology and pathology. Biotechnol J 2006;1(4):420-39.         [ Links ]

8. Shimizu T. Lipid mediators in health and disease: enzymes and receptors as therapeutic targets for the regulation of immunity and inflammation. Annu Rev Pharmacol Toxicol 2009;49:123-50.         [ Links ]

9. Grosser T, Yusuff S, Cheskis E, Pack MA, FitzGerald GA. Developmental expression of functional cyclooxygenases in zebrafish. Proc Natl Acad Sci USA 2002;99(12):8418-23.         [ Links ]

10. Williams TJ, Peck MJ. Role of prostaglandin-mediated vasodilatation in inflammation. Nature 1977;270(5637):530-2.         [ Links ]

11. Ferreira SH. Prostaglandins, aspirin-like drugs and analgesia. Nat New Biol 1972;240(102):200-3.         [ Links ]

12. Narumiya S, FitzGerald GA. Genetic and pharmacological analysis of prostanoid receptor function. J Clin Invest 2001;108(1):25-30.         [ Links ]

13. Flower RJ, Vane JR. Inhibition of prostaglandin synthetase in brain explains the anti-pyretic activity of paracetamol (4-acetaminophenol). Nature 1972;240(5381):410-1.         [ Links ]

14. Chandrasekharan NV, Dai H, Roos KL, Evanson NK, Tomsik J, Elton TS et al. COX-3, a cyclooxygenase-1 variant inhibited by acetaminophen and other analgesic/antipyretic drugs: cloning, structure, and expression. Proc Natl Acad Sci USA 2002;99(21):13926-31.         [ Links ]

15. Grosser T, Fries S, FitzGerald GA. Biological basis for the cardiovascular consequences of COX-2 inhibition: therapeutic challenges and opportunities. J Clin Invest 2006; 116(1):4-15.         [ Links ]

16. Brzozowski T, Konturek PC, Konturek SJ, Brzozowska I, Pawlik T. Role of prostaglandins in gastroprotection and gastric adaptation. J Physiol Pharmacol 2005;56(Suppl. 5):33-55.         [ Links ]

17. Graham DY, White RH, Moreland LW, Schubert TT, Katz R, Jaszewski R et al. Duodenal and gastric ulcer prevention with misoprostol in arthritis patients taking NSAIDs. Misoprostol Study Group. Ann Intern Med 1993;119(4):257-62.         [ Links ]

18. Seibert K, Masferrer J, Zhang Y, Gregory S, Olson G, Hauser S et al. Mediation of inflammation by cyclooxygenase-2. Agents Actions Suppl 1995;46:41-50.         [ Links ]

19. FitzGerald GA, Patrono C. The coxibs, selective inhibitors of ciclooxygenase-2. N Engl J Med 2001;345(6):433-42.         [ Links ]

20. Hawkey CJ. COX-2 chronology. Gut 2005;54(11):1509-14.         [ Links ]

21. Grosser T, Yu Y, Fitzgerald GA. Emotion recollected in tranquility: lessons learned from the COX-2 saga. Annu Rev Med 2010;61:17-33.         [ Links ]

22. Patrono C, Baigert C. Low-dose aspirin, coxibs, and other NSAIDS: a clinical mosaic emerges. Mol Interv 2009;9(1):31-9.         [ Links ]

23. Amer M, Bead VR, Bathon J, Blumenthal RS, Edwards DN. Use of nonsteroidal anti-inflamatory drugs in patients with cardiovascular disease: a cautionary tale. Cardiol Rev 2010;18(4):204-12.         [ Links ]

24. Hinz B, Renner B, Brune K. Drug insight: cyclo-oxygenase-2 inhibitors - a critical appraisal. Nat Clin Pract Rheumatol 2007;3(10):552-60.         [ Links ]

25. Patrignani P, Tacconelli S, Sciulli MG, Capone ML. New insights into COX-2 biology and inhibition. Brain Res Rev 2005;48(2):352-9.         [ Links ]

26. Chan CC, Reid CM, Aw TJ, Liew D, Haas SJ, Krum H. Do COX-2 inhibitors raise blood pressure more than nonselective NSAIDs and placebo? An update meta-analysis. J Hipertens 2009;27(12):2332-41.         [ Links ]

27. Huber MA, Terezhalmy GT. The use of COX-2 inhibitors for acute dental pain: A second look. J Am Dent Assoc 2006;137(4):480-7.         [ Links ]

28. Shi S, Klotz U. Clinical use and pharmacological properties of selective COX-2 inhibitors. Eur J Clin Pharmacol 2008;64(3):233-52.         [ Links ]

29. FitzGerald GA. Coxibs and cardiovascular disease. N Engl J Med. 2004;351(17):1709-11.         [ Links ]

30. Horton R. Vioxx, the implosion of Merck, and aftershocks at the FDA. Lancet. 2004;364(9450):1995-6.         [ Links ]

31. Vaithianathan R, Hockey PM, Moore TJ, Bates DW. Iatrogenic effects of COX-2 inhibitors in the US population: findings from the Medical Expenditure Panel Survey. Drug Saf 2009;32(4):335-3.         [ Links ]

32. Topol EJ. Failing the public health - rofecoxib, Merck, and the FDA. N Engl J Med 2004;351(17):1707-9.         [ Links ]

33. Lanza FL, Rack MF, Simon TJ, Quan H, Bolognese JA, Hoover ME et al. Specific inhibition of cyclooxygenase-2 with MK-0966 is associated with less gastroduodenal damage than either aspirin or ibuprofen. Aliment Pharmacol Ther 1999;13(6):761-7.         [ Links ]

34. Langman MJ, Jensen DM, Watson DJ, Harper SE, Zhao PL, Quan H et al. Adverse upper gastrointestinal effects of rofecoxib compared with NSAIDs. JAMA 1999; 282(20):1929-33.         [ Links ]

35. Sikes DH, Agrawal NM, Zhao WW, Kent JD, Recker DP, Verburg KM. Incidence of gastroduodenal ulcers associated with valdecoxib compared with that of ibuprofen and diclofenac in patients with osteoarthritis. Eur J Gastroenterol Hepatol 2002;14(10):1101-11.         [ Links ]

36. Simon LS, Weaver AL, Graham DY, Kivitz AJ, Lipsky PE, Hubbard RC et al. Anti-inflammatory and upper gastrointestinal effects of celecoxib in rheumatoid arthritis: a randomized controlled trial. JAMA 1999;282(20):1921-8.         [ Links ]

37. Catella-Lawson F, McAdam B, Morrison BW, Kapoor S, Kujubu D, Antes L et al. Effects of specific inhibition of cyclooxygenase-2 on sodium balance, hemodynamics, and vasoactive eicosanoids. J Pharmacol Exp Ther 1999;289(2):735-41.         [ Links ]

38. McAdam BF, Catella-Lawson F, Mardini IA, Kapoor S, Lawson JA, FitzGerald GA. Systemic biosynthesis of prostacyclin by cyclooxygenase (COX)-2: the human pharmacology of a selective inhibitor of COX-2. Proc Natl Acad Sci USA 1999;96(1):272-7.         [ Links ]

39. Bombardier C, Laine L, Reicin A, Shapiro D, Burgos-Vargas R, Davis R et al. Comparison of upper gastrointestinal toxicity of rofecoxib and naproxen in patients with rheumatoid arthritis. VIGOR Study Group. N Engl J Med 2000;343(21):1520-8.         [ Links ]

40. Franco GCN, Moretti D, Cavalcante PFC, Lopes LC. Uma análise crítica sobre a viabilidade do uso dos inibidores seletivos de COX-2 em odontologia. Revista de Odontologia da Universidade Cidade de São Paulo 2006;18(1):75-81.         [ Links ]

41. Hsiang KW, Chen TS, Lin HY, luo JC, Lu CL, Lin HC et al. Incidence and possible risk factors for clinical upper gastrointestinal events in patients taking selective cyclooxygenase-2 inhibitors: a prospective, observational, cohort study in Taiwan. Clin Ther 2010;32(7):1294-303.         [ Links ]

42. Dai C, Stafford RS, Alexander GC. National trends in cyclooxygenase-2 inhibitor use since market release. Arch Intern Med 2005;165(2):171-7.         [ Links ]

43. Ministério da Saúde, Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução - RDC nº 79, de 4 de novembro de 2008.         [ Links ]

44. Cheng Y, Austin SC, Rocca B, Koller BH, Coffman TM, Grosser T et al. Role of prostacyclin in the cardiovascular response to thromboxane A2. Science. 2002;296(5567):539-41.         [ Links ]

45. Smyth EM, FitzGerald GA. Human prostacyclin receptor. Vitam Horm 2002;65:149-65.         [ Links ]

46. Nyman I, Larsson H, Wallentin L. Prevention of serious cardiac events by low-dose aspirin in patients with silent myocardial ischaemia. The Research Group on Instability in Coronary Artery Disease in Southeast Sweden. Lancet 1992;340(8818):497-501.         [ Links ]

47. Bishop-Bailey D, Mitchell JA, Warner TD. COX-2 in cardiovascular disease. Arterioscler Thromb Vasc Biol 2006;26(5):956-8.         [ Links ]

48. Grosser T. The pharmacology of selective inhibition of COX-2. Thromb Haemost 2006;96(4):393-400.         [ Links ]

49. Fries S, Grosser T, Price TS, Lawson JA, Kapoor S, DeMarco S et al. Marked interindividual variability in the response to selective inhibitors of cyclooxygenase-2. Gastroenterology 2006;130(1):55-64.         [ Links ]

50. Schwartz Z, Denison TA, Bannister SR, Cochran DL, Liu YH, Lohmann CH et al. Osteoblast response to fluid induced shear depends on substrate microarchitecture and varies with time. J Biomed Mater Res. 2007;83(1):20-32.         [ Links ]

51. Inoue H, Taba Y, Miwa Y, Yokota C, Miyagi M, Sasaguri T. Transcriptional and posttranscriptional regulation of cyclooxygenase-2 expression by fluid shear stress in vascular endothelial cells. Arterioscler Thromb Vasc Biol 2002;22(9):1415-20.         [ Links ]

52. Topper JN, Cai J, Falb D, Gimbrone MA. Identification of vascular endothelial genes differentially responsive to fluid mechanical stimuli: cyclooxygenase-2, manganese superoxide dismutase, and endothelial cell nitric oxide synthase are selectively up-regulated by steady laminar shear stress. Proc Natl Acad Sci USA 1996;93(19):10417-22.         [ Links ]

53. Baker CS, Hall RJ, Evans TJ, Pomerance A, Maclouf J, Creminon C et al. Cyclooxygenase-2 is widely expressed in atherosclerotic lesions affecting native and transplanted human coronary arteries and colocalizes with inducible nitric oxide synthase and nitrotyrosine particularly in macrophages. Arterioscler Thromb Vasc Biol 1999;19(3):646-55.         [ Links ]

54. Schönbeck U, Sukhowa GK, Graber P, Coulter S, Libby P.Augmented expression of cyclooxygenase-2 in human atherosclerotic lesions. Am J Pathol 1999;155(4):1281-91.         [ Links ]

55. Stemme V, Swedenborg J, Claesson H, Hansson GK. Expression of cyclo-oxygenase-2 in human atherosclerotic carotid arteries. Eur J Vasc Endovasc Surg 2000;20(2):146-52.         [ Links ]

56. FitzGerald GA, Smith B, Pedersen AK, Brash AR. Increased prostacyclin biosynthesis in patients with severe atherosclerosis and platelet activation. N Engl J Med 1984;310(17):1065-8.         [ Links ]

57. Roy L, Knapp HR, Robertson RM, FitzGerald GA. Endogenous biosynthesis of prostacyclin during cardiac catheterization and angiography in man. Circulation 1985;71(3):434-40.         [ Links ]

58. Belton O, Byrne D, Kearney D, Leahy A, Fitzgerald DJ. Cyclooxygenase-1 and -2-dependent prostacyclin formation in patients with atherosclerosis. Circulation 2000;102(8):840-5.         [ Links ]

59. Patrono C, Patrignani P, García Rodríguez LA. Cyclooxygenaseselective inhibition of prostanoid formation: transducing biochemical selectivity into clinical read-outs. J Clin Invest 2001;108(1):7-13.         [ Links ]

60. Trelle S, Reichenbach S, Eandel S, Hildebrand P, Tschannen B, Villiger PM et al. Cardiovascular safety of non-steroidal antiinflammatory drugs: network meta-analysis. BMJ 2011;342:c7086.         [ Links ]

61. US Food and Drug Administration. Alert for healthcare professionals: non-selective non-steroidal anti-inflammatory drugs (NASIDs). Available from: http://www.fda.gov/cder/drug/InfoSheets/HCP/ NS_NSAIDsHCP.htm.         [ Links ]

62. McGettigan P, Henry D. Cardiovascular risk and inhibition of cyclooxygenase: a systematic review of the observational studies of selective and nonselective inhibitors of cyclooxygenase 2. JAMA 2006;296(13):1633-44.         [ Links ]

63. Cannon CP, Curtis SP, FitzGerald GA, Krum H, Kaur A, Bolognese JA et al. Cardiovascular outcomes with etoricoxib and diclofenac in patients with osteoarthritis and rheumatoid arthritis in the Multinational Etoricoxib and Diclofenac Arthritis Long-term (MEDAL) programme: a randomized comparison. Lancet 2006;368(9549):1771-81.         [ Links ]

64. Aw TJ, Haas SJ, Liew D, Krum H. Meta-analysis of cyclooxygenase-2 inhibitors and their effects on blood pressure. Arch Intern Med 2005;165(5):490-6.         [ Links ]

65. Hao CM, Breyer MD. Physiological regulation of prostaglandins in the kidney. Annu Rev Physiol 2008;70:357-77.         [ Links ]

66. Schwartz JI, Dallob AL, Larson PJ, Laterza OF, Miller J, Royalty KM et al. Comparative inhibitory activity of etoricoxib, celecoxib,and diclofenac on COX-2 versus COX-1 in healthy subjects. J Clin Pharmacol 2008;48(6):745-54.         [ Links ]

67. Sheinberg M. Anti-inflamatórios e anti-inflamatórios - Opinião. Folha de São Paulo 2009.         [ Links ]

68. Warner TD, Mitchell JA. Cicloxygenases: new forms, new inhibitors, and lessons froms the clinic. The FASEB Journal 2004;18(7):790-804.         [ Links ]

 

 

Correspondência para:
Daniel Fernandes
Av. General Carlos Cavalcanti, 4.748 - bloco M - Sala 94 - Uvaranas
Ponta Grossa, PR, Brasil. CEP: 84030-900
E-mail: fernandesfarmaco@yahoo.com.br

Recebido em 03/10/2011.
Aprovado, após revisão, em 27/06/2012.
Os autores declaram a inexistência de conflito de interesse.
Suporte Financeiro: Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq; Fundação Araucária.

 

 

Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG.