SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.53 issue1Ultrasonography in rheumatoid arthritis: what rheumatologists should knowConcurrent rheumatoid arthritis and ankylosing spondylitis in one patient: the importance of new classification criteria author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Reumatologia

Print version ISSN 0482-5004

Rev. Bras. Reumatol. vol.53 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0482-50042013000100010 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Dermatomiosite e polimiosite: da imunopatologia à imunoterapia (imunobiológicos)

 

 

Samuel Katsuyuki ShinjoI; Fernando Henrique Carlos de SouzaII; Julio Cesar Bertacini de MoraesII

IDoutor em Ciências; Médico Assistente do Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo - HC-FMUSP; Professor Colaborador da Disciplina de Reumatologia, FMUSP
IIMédico Assistente do Serviço de Reumatologia, HC-FMUSP

Correspondência para

 

 


RESUMO

As miopatias inflamatórias idiopáticas (MII), das quais fazem parte a dermatomiosite (DM) e a polimiosite (PM), são doenças sistêmicas crônicas associadas a alta morbidade e incapacidade funcional. O tratamento atual baseia-se na corticoterapia e no uso de imunossupressores, porém uma parcela considerável dos pacientes é refratária à terapia tradicional. Isso tem levado à tentativa de uso de imunobiológicos nesses pacientes, tendo por fundamento a fisiopatogênese das MII. Do ponto de vista imunopatológico, há diferenças entre PM e DM: a primeira está mais relacionada à imunidade celular, enquanto na segunda o papel humoral parece mais importante. Em ambas, porém, são descritas concentrações elevadas de interleucinas pró-inflamatórias (TNF, IL-1, IL-6) e aumento da expressão de moléculas relacionadas à coestimulação dos linfócitos T – nessas condições, parece racional o uso da terapia biológica. Considerando os imunobiológicos disponíveis, são escassos os dados de trabalhos abertos na literatura, compostos principalmente por séries e relatos de casos. Os bloqueadores do TNF apresentam resultados conflitantes sem evidência de boa resposta ao tratamento. A terapia anti-CD20 possui os resultados mais promissores. É extremamente escassa a informação sobre o bloqueio da coestimulação do linfócito T e a terapia anti- IL-6, que impede qualquer consideração. Dessa maneira, o uso de imunobiológicos em MII ainda permanece como fronteira a ser explorada. A terapia biológica pode ter papel relevante no tratamento das MII refratárias à terapia convencional; no entanto, novos estudos prospectivos com base em parâmetros objetivos de resposta ao tratamento são necessários. Até o momento, a terapia anti-CD20 parece ser a mais promissora no tratamento das MII refratárias.

Palavras-chave: dermatomiosite, polimiosite, tratamento biológico, imunoterapia.


 

 

INTRODUÇÃO

A dermatomiosite (DM) e a polimiosite (PM) fazem parte das miopatias inflamatórias idiopáticas (MII), um grupo heterogêneo de miopatias autoimunes crônicas sistêmicas, associadas a alta morbidade e incapacidade funcional. Cada uma apresenta características epidemiológicas, histológicas, imuno-histoquímicas, patológicas, clínicas e evolutivas distintas.

Como são doenças incomuns, a terapia medicamentosa da DM e da PM é baseada sobretudo em relatos ou séries de casos. De modo geral, o uso de corticosteroides tem sido preconizado como droga de primeira escolha, e, como forma de evitar essas medicações, usam-se diversos imunossupressores. Entretanto, uma parcela considerável dos pacientes não responde satisfatoriamente a esses tratamentos tradicionais. Nesses casos, os imunobiológicos são utilizados tendo como base a fisiopatogênese da DM e PM.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Realizou-se uma revisão sistemática dos artigos disponíveis na literatura, incluindo-se artigos publicados até janeiro de 2012. A revisão foi baseada no levantamento bibliográfico junto ao banco de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System online (MEDLINE). Os seguintes termos foram avaliados: dermatomiosite, biológicos, imunobiológicos, imunopatologia, polimiosite, terapia medicamentosa e tratamento.

Imunopatologia

A PM caracteriza-se por um infiltrado de linfócitos T CD8+ e macrófagos em fibras musculares, os quais, por sua vez, expressam altos níveis de antígenos MHC classe I1 e liberam grânulos de perforina, resultando em lise das próprias fibras musculares.2 Na DM, os linfócitos B têm papel relevante na patogênese da doença pela presença de autoanticorpos, pela deposição de imunocomplexos em junção dermoepiderme das lesões cutâneas e pela presença de linfócitos B ao redor de fibras musculares inflamadas3,4 e de áreas perivasculares.5,6

Citocinas e quimiocinas

As citocinas e as quimiocinas produzidas por fibras musculares, células inflamatórias e endoteliais podem contribuir para a patogênese das miopatias. As pró-inflamatórias, como as interleucinas 1α (IL-1 α) e IL-1 β, fator de necrose tumoral α (TNF-α), interferons α e β (IFN-α e INF-β), proteína do DNA não histona ligante de alta mobilidade do grupo 1 (HMGB1), além de quimiocinas (como α-quimiocinas: CXCL9 CXCL10 e β quimiocinas: CCL2, CCL3, CCl4, CCL19, CCL21), estão presentes no tecido muscular de pacientes com DM e PM.3-6

Outras citocinas têm sido recentemente descritas, como a IL-15 e IL-18, sugerindo que podem ter papel na patogênese e na atividade da miosite, com necessidade de serem mais bem estudadas.7-12

O bloqueio dessas citocinas e quimiocinas pode, pelo menos em teoria, ser alvo para o tratamento das miopatias refratárias ao tratamento convencional.

Fator de necrose tumoral

O TNF tem sido correlacionado à patogênese das MII.8-12 Utilizando imuno-histoquímica e hibridização in situ, Kuru et al.8 mostraram que as fibras musculares de pacientes com DM e PM expressam e sintetizam TNF, enquanto Lundberg et al.9 mostraram aumento dos níveis de RNA mensageiro (RNAm) de TNF nas biópsias musculares. Já Shimizu et al.12 observaram aumento de nível sérico de receptores solúveis de TNF em DM e PM. Os níveis de outras citocinas, como TNF β, IL-1α, IL-1β, IL-2 e IFN-γ, também estão aumentados em biópsia muscular de pacientes com DM e PM, contribuindo com a cascata de inflamação local.8-15

É ainda relevante que TNF, IL-1 e IFN induzem a expressão de MHC classe I pelas fibras musculares,1 e que ambas regulam o metabolismo e a regeneração muscular.15

Interleucina 1

Sugere-se que a fraqueza muscular não se correlacione à presença de infiltrados de células inflamatórias; no entanto, a presença de IL-1 detectada em células endoteliais de pacientes com fraqueza muscular sem infiltrado inflamatório sugere participação das interleucinas pró-inflamatórias.16,17 O TNF apresenta efeitos catabólicos e sinérgicos com a IL-1, levando, em última análise, à perda da massa muscular esquelética.18 O aumento da expressão de IL-1 (IL-1 α, IL-1 β, IL-1 Ra), por sua vez, correlaciona-se ao aumento de receptor de IL-1 em fibras musculares,19 o que intensificaria o mecanismo imunológico de miosite.

A IL-1α, marcadamente expressa no tecido muscular de pacientes com miosite, pode estimular a produção de prostaglandina E2 (PGE2) na musculatura esquelética.19

Interleucina 6

Os níveis séricos de IL-6 também se encontram elevados e correlacionam-se à atividade da DM.20 Nesse contexto, notou-se aumento de expressão de RNAm de IL-6 em tecidos musculares de pacientes com PM e DM, mas não em músculos normais.20 Ainda, Okiyama et al.21 demonstraram que a IL-6 é expressa em macrófagos que infiltram os tecidos musculares e que a administração de anticorpos monoclonais antirreceptor de IL-6 impediu o surgimento e a progressão da miopatia inflamatória.

Interferon

Na DM e PM, a expressão em gene do IFN tem sido observada no tecido muscular e no sangue periférico, podendo ser associada à atividade da doença.22,23

O IFN ativa a citotoxicidade das células natural killer, promove a sobrevivência de linfócitos T ativados e a maturação de células dendríticas,22,23 além de promover aumento de expressão de MHC classe I pelas fibras musculares.1 Por outro lado, as proteínas reguladas pelos IFN (IP-10, I-TAC, MCP-1 e MCP-2) encontram-se elevadas e desempenham função no recrutamento de linfócitos para os sítios de inflamação muscular.24

O fato de as fibras musculares de pacientes com MII expressarem MHC classe I significa que tais fibras podem se comportar também como células apresentadoras de antígenos aos linfócitos T CD8+. Com base nessa hipótese, Murata et al.25 demonstraram que as fibras musculares de pacientes com PM expressam também células coestimulatórias BB-1. Em contrapartida, os linfócitos T CD8+ ao redor dessas fibras expressavam CD28 e CTLA-4 (CD152). Behrens et al.26 observaram que as fibras musculares expressavam BB-1 após estimulação com IFN-γ ou TNF-α.

Por conta desses achados imunopatológicos, faz-se válido o uso de agentes biológicos, particularmente em casos de MII refratárias à corticosteroide e às diversas drogas imunossupressoras.

Imunoterapia / Imunobiológicos

Terapia anti-TNF

Infliximabe

É um anticorpo monoclonal quimérico contra o TNF-α, composto por uma sequência de peptídeos 75% humanos e 25% de camundongos.27

Alguns relatos demonstraram melhora da força muscular em pacientes com MII, bem como a diminuição do nível sérico de enzimas musculares, após tratamento com biológicos do tipo anti-TNF-α.27-38 Entretanto, os resultados não são homogêneos. Efthimiou etal.39 publicaram estudo retrospectivo com 2 pacientes, ambos com DM, refratários ao tratamento convencional (metotrexato e azatioprina). Um dos pacientes havia utilizado previamente etanercepte e imunoglobulina intravenosa humana sem resposta do quadro miopático. Ambos foram tratados com infliximabe na dose de 3 mg/kg em intervalos semelhantes aos preconizados para a artrite reumatoide. Após acompanhamento médio de 15,2 meses, os pacientes não apresentaram redução significativa do nível sérico de creatinoquinase, com melhora discreta da força muscular em apenas 1 deles nos primeiros 3 meses de tratamento. No entanto, resultados de um estudo aberto com infliximabe como primeira opção de tratamento, publicado por Hengstamn et al.,34 no qual foi utilizada dose de 10 mg/kg de peso associada ao metotrexato, em intervalos de 0, 2, 6, 22, 38 e 46 semanas, não foram conclusivos devido à alta taxa de recidiva e dificuldade de inclusão de casos, levando ao encerramento precoce do estudo. Outro estudo piloto aberto utilizou infliximabe em 13 pacientes: 5 com PM, 4 com DM e 4 com miosite por corpúsculo de inclusão que não responderam ao tratamento convencional, sendo metotrexato o imunossupressor comum a todos os pacientes. A dose utilizada foi de 5 mg/kg de peso, nos tempos de 0, 2, 6 e 14 semanas. Quatro pacientes descontinuaram o estudo (3 devido a eventos adversos e 1 devido à presença de neoplasia ovariana). Dos 9 casos que completaram o estudo, apenas 3 tiveram melhora > 20% das 3 ou mais variáveis do IMACS (pontuação de atividade da doença).35

Adalimumabe

É um anticorpo monoclonal totalmente humanizado que bloqueia diretamente a molécula de TNF-α.40

O uso de adalimumabe em doenças autoimunes sistêmicas, particularmente artrite reumatoide, pode induzir ao desenvolvimento de miopatias inflamatórias, todas as descrições com DM.40-46 Provavelmente por esse motivo, pelo receio de exacerbar a miopatia inflamatória, não há na literatura descrição do uso de adalimumabe como terapia medicamentosa em casos de PM ou DM.

Etanercepte

É um receptor solúvel recombinante do TNFα, composto por proteína de fusão dimérica contendo uma região constante da IgG1 humana e regiões variáveis de anticorpo murino.47

Iannone etal.38 relataram 5 pacientes com DM refratária à corticoterapia e aos imunossupressores (combinação de metotrexato e azatioprina) que receberam etanercepte (25 mg, 2x/semana, subcutâneo, por período mínimo de 3 meses). Os pacientes não apresentaram melhora do quadro cutâneo, além de evoluírem com piora do quadro de fraqueza e aumento dos níveis séricos das enzimas musculares.

Sprott etal.37 descrevem caso de PM refratária ao tratamento medicamentoso convencional (metotrexato, azatioprina e/ou imunoglobulina humana intravenosa em associação com corticosteroide). Devido à refratariedade da doença, foi iniciada etanercepte (25 mg, 2 x/semana, subcutânea) e, posteriormente, foi suspensa corticoterapia por causa da estabilidade clinicolaboratorial.

Efthimiou et al.39 relatam 8 pacientes (3 com DM) refratários a metotrexato, azatioprina e imunoglobulina intravenosa humana que receberam terapia com etanercepte e/ou infliximabe, dos quais 6 foram respondedores. Dos pacientes, 6 receberam etanercepte (25 mg 2 x/semana), 1 recebeu infliximabe e 1 recebeu terapia sequencial com 2 agentes. A crítica a esse relato recai sobre o uso de terapias concomitantes que podem ser fator de confusão na melhora referida. Seis dos 8 pacientes do estudo receberam pulsoterapia mensal com metilprednisolona, além de todos receberem imunoglobulina humana intravenosa (2 g/kg de peso) associada ao etanercepte.

Rituximabe

Rituximabe é um anticorpo monoclonal quimérico direcionado contra o antígeno CD20 presente na superfície de células B. Sua administração leva à depleção seletiva de linfócitos B CD20+.

Recentemente tem sido utilizado o rituximabe em casos de DM e PM refratárias,7,48-56 considerando o importante papel dos linfócitos B e T na mediação da atividade da MII.57-60 Entretanto, a eficácia do rituximabe no tratamento da PM7,55,56 contradiz os modelos propostos na patogênese da doença, pois a depleção de linfócitos B em PM leva a uma resposta clinicolaboratorial satisfatória. No caso da PM, o predomínio de infiltrado de linfócitos T CD8+ citotóxicos nos músculos6,57,60 sugere papel mais importante para os linfócitos B na patogênese da PM anteriormente reconhecida, atuando talvez como coestimulador ou apresentador de antígenos.

Em 2005, foi realizado pequeno estudo aberto com rituximabe (100 mg/m2 por 4 semanas) em 6 pacientes com DM refratários ao tratamento medicamentoso convencional, sendo 1 desses sem tratamento medicamentoso prévio e 1 refratário ao uso preliminar de etanercepte.48 Houve melhora de força muscular, enzimas musculares, lesões cutâneas, com pico de melhora da força muscular após 12 a 36 semanas de tratamento. Os linfócitos B foram depletados em todos os pacientes. Em 4 casos, a recidiva dos sintomas correlacionou-se ao retorno de linfócitos B. Houve melhora de outros parâmetros, incluindo rash, alopecia e capacidade vital forçada. Chung et al.50 trataram 8 pacientes com DM refratários a múltiplos imunossupressores, 1 deles após falha com etanercepte, com 2 infusões de rituximabe (1 g com intervalo de 2 semanas). Três apresentaram melhora da força muscular, mas não houve mudança significativa das enzimas musculares e da graduação de lesões cutâneas após 24 semanas de infusão da droga.

Em 2005, Lambotte et al.55 relataram caso de PM que teve melhora clinicolaboratorial com a aplicação de rituximabe (375 mg/m2/semana por 4 semanas).

O tratamento (375 mg/m2/semana por 4 semanas) de outros 4 casos de pacientes com PM, que falharam ao tratamento com corticosteroide e metotrexato∕azatioprina, foi relatado. Em análise de 28 semanas após uso da medicação, todos os pacientes apresentaram melhora da força muscular, com 2 casos atingindo força normal. O nível de creatinoquinase normalizou e a dose de corticosteroide foi reduzida em todos os os casos.56

Tocilizumabe

É um anticorpo monoclonal humanizado anti-IL-6. O único relato de caso na literatura61 descreve 2 pacientes do gênero masculino com diagnóstico de PM, ambos com anticorpo anti-Jo-1 positivo. O primeiro, refratário a corticosteroide (1 mg/kg/dia), azatioprina (100 mg/dia) e ciclosporina (100-150 mg/dia), recebeu tocilizumabe (8 mg/kg, mensal, intravenosa). Após cerca de 1 ano de uso da medicação, o corticosteroide foi suspenso e mantido ciclosporina (100 mg/ dia), com evidência de melhora progressiva da força muscular e do perfil laboratorial. O segundo paciente foi refratário a corticoterapia (1 mg/kg/dia), azatioprina, ciclosporina e/ou metotrexato. Recebeu inicialmente tocilizumabe (8 mg/kg, mensal, intravenoso), com redução do intervalo para 3 em 3 semanas após a 4ª dose. Após 12 ciclos de tocilizumabe, associado ao uso de metotrexato, houve estabilidade clinicolaboratorial.

Abatacepte

O abatacepte é uma proteína de fusão humana recombinante que contém o domínio extracelular do CTLA-4, que se liga ao receptor CD 80/86 de uma célula apresentadora de antígeno. Essa interação bloqueia a ativação do receptor CD 28 na célula T.62

A revisão da literatura revela apenas 1 relato de caso63 de paciente do gênero feminino, de 51 anos, com PM refratária à corticosteroide e a metotrexato/azatioprina, que recebeu abatacepte (750 mg mensal intravenosa). Houve melhora clinicolaboratorial logo ao início do tratamento, com normalização da creatinoquinase, aldolase e desidrogenase láctica passados 3 meses do início das aplicações, com manutenção de resposta em 3 anos de seguimento.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dessa maneira, o uso de imunobiológicos em casos de DM e PM ainda permanece como fronteira a ser explorada. A revisão da literatura se mostra escassa, com trabalhos pequenos e não controlados, formados principalmente por relatos e séries de casos. Os agentes bloqueadores de TNF têm resultados conflitantes, e há relatos de desenvolvimento de MII durante o uso desses fármacos. As evidências mais animadoras, até o momento, vêm da terapia anti-CD-20, com resultados satisfatórios nos trabalhos existentes, mas ainda necessitando de investigação mais criteriosa. A inibição da IL-6 e o bloqueio da coestimulação nas MII apresentam apenas raros relatos anedóticos, dos quais, por enquanto, não é possível tirar qualquer conclusão.

Assim, a terapia biológica pode ter papel relevante no tratamento das MII refratárias à terapia convencional; no entanto, somente com novos estudos prospectivos com base em parâmetros objetivos de resposta ao tratamento poder -se-á produzir evidências que justifiquem essa conduta. Até o presente momento, a terapia anti-CD20 parece ser a mais promissora no tratamento das MII refratárias.

 

REFERÊNCIAS

1. Nyberg P, Wikman AL, Nennesmo I, Lundberg I. Increased expression of interleukin 1alpha and MHC Class I in muscle tissue of patients with chronic, inactive polymyositis and dermatomyositis. J Rheumatol 2000;27(4):940-8.         [ Links ]

2. Goebels N, Michaelis D, Engelhardt M, Huber S, Bender A, Pongratz D, et al. Differential expression of perforin in muscle-infiltrating T cells in polymyositis and dermatomyositis. J Clin Invest 1996;97(12):2905-10.         [ Links ]

3. Emslie-Smith AM, Engel AG. Microvascular changes in early and advanced dermatomyositis: a quantitative study. Ann Neurol 1990;27(4):343-56.         [ Links ]

4. Engel AG, Arahata K. Mononuclear cells in myopathies: quantitation of functionally distinct subsets, recognition of antigen-specific cell-mediated cytotoxicity in some diseases, and implications for the pathogenesis of the different inflammatory myopathies. Hum Pathol 1986;17(7):704-21.         [ Links ]

5. Botet JC, Grau JM, Casademont J, Urbano-Márquez A, Rozman C. Characterization of mononuclear exudates in idiopathic inflammatory myopathies. Virchows Arch A Pathol Anat Histopathol 1988;412(4):371-4.         [ Links ]

6. Dalakas MC. The future prospects in the classification, diagnosis and therapies of inflammatory myopathies: a view to the future from the 'bench-to-bedside'. J Neurol 2004;251(6):651-7.         [ Links ]

7. Noss EH, Hausner-Sypek DL, Weinblatt M. Rituximab as therapy for refractory polymyositis and dermatomyositis. J Rheumatol 2006;33(5):1021-6.         [ Links ]

8. Kuru S, Inukai A, Kato T, Liang Y, Kimura S, Sobue G. Expression of tumor necrosis factor-alpha in regenerating muscle fibers in inflammatory and non-inflammatory myopathies. Acta Neuropathol 2003;105(3):217-24.         [ Links ]

9. Lundberg IE, Nyberg P. New developments in the role of cytokines in inflammatory myopathies. Curr Opin Rheumatol 1998;10(6):521-9.         [ Links ]

10. Prieur AM, Dayer A, Roux-Lombard P, Dayer JM. Levels of cytokine inhibitors: a possible marker of disease activity in childhood dermatomyositis and polymyositis. Clin Exp Rheumatol 1997;15(2):211-4.         [ Links ]

11. Werth VP, Callen JP, Ang G, Sullivan KE. Associations of tumor necrosis factor alpha and HLA polymorphisms with adult dermatomyositis: implications for a unique pathogenesis. J Invest Dermatol 2002;119(3):617-20.         [ Links ]

12. Shimizu T, Tomita Y, Son K, Nishinarita S, Sawada S, Horie T. Elevation of serum soluble tumour necrosis factor receptors in patients with polymyositis and dermatomyositis. Clin Rheumatol 2000;19(5):352-9.         [ Links ]

13. Tateyama M, Nagano I, Yoshioka M, Chida K, Nakamura S, Itoyama Y. Expression of tumor necrosis factor-alpha in muscles of polymyositis. J Neurol Sci 1997;146(1):45-1.         [ Links ]

14. Lundberg I, Brengman JM, Engel AG. Analysis of cytokine expression in muscle in inflammatory myopathies, Duchenne dystrophy, and non-weak controls. J Neuroimmunol 1995;63(1):6-16.         [ Links ]

15. Lundberg IE, Barbasso S, Ulfgren AK, Gracie JA, McInnes IB. Expression of IL-18 in muscle tissue of patients with treatment resistant idiopathic inflammatory myopathies. Arthritis Res Ther 2005; 7(Suppl 1):P57.         [ Links ]

16. Lundberg I, Ulfgren AK, Nyberg P, Andersson U, Klareskog L. Cytokine production in muscle tissue of patients with idiopathic inflammatory myopathies. Arthritis Rheum 1997;40(5):865-74.         [ Links ]

17. Lepidi H, Frances V, Figarellla-Branger D, Bartoli C, Machado-Baeta A, Pellissier JF. Local expression of cytokines in idiopathic inflammatory myopathies. Neuropathol Appl Neurobiol 1998;24(1):73-9.         [ Links ]

18. Garcia-Martínez C, Agell N, Llovera M, López-Soriano FJ, Argilés JM. Tumor necrosis factor-alpha increases the ubiquitinization of rat skeletal muscle proteins. FEBS Lett 1993;323(3):211-4.         [ Links ]

19. Grundtman C, Salomonsson S, Dorph C, Bruton J, Andersson U, Lundberg IE. Immunolocalization of interleukin-1 receptors in the sarcolemma and nuclei of skeletal muscle in patients with idiopathic inflammatory myopathies. Arthritis Rheum 2007;56(2):674-87.         [ Links ]

20. Fall N, Bove KE, Stringer K, Lovell DJ, Brunner HI, Weiss J, et al. Association between lack of angiogenic response in muscle tissue and high expression of angiostatic ELR-negative CXC chemokines in patients with juvenile dermatomyositis: possible link to vasculopathy. Arthritis Rheum 2005;52(10):3175-80.         [ Links ]

21. Okiyama N, Sugihara T, Iwakura Y, Yokozeki H, Miyasaka N, Kohsaka H. Therapeutic effects of interleukin-6 blockade in a murine model of polymyositis that does not require interleukin-17A. Arthritis Rheum 2009;60(8):2505-12.         [ Links ]

22. Bilgic H, Ytterberg SR, Amin S, McNallan KT, Wilson JC, Koeuth T, et al. Interleukin-6 and type I interferon-regulated genes and chemokines mark disease activity in dermatomyositis. Arthritis Rheum 2009;60(11):3436-46.         [ Links ]

23. De Paepe B, De Keyzer K, Martin JJ, De Bleecker JL. Alpha-chemokine receptors CXCR1-3 and their ligands in idiopathic inflammatory myopathies. Acta Neuropathol 2005;109(6):576-82.         [ Links ]

24. Caproni M, Torchia D, Cardinali C, Volpi W, Del Bianco E, D'Agata A, et al. Infiltrating cells, related cytokines and chemokine receptors in lesional skin of subjects with dermatomyositis. Br J Dermatol 2004;151(4):784-91.         [ Links ]

25. Murata K, Dalakas MC. Expression of the costimulatory molecule BB-1, the ligands CTLA-4 and CD28, and their mRNA in inflammatory myopathies. Am J Pathol 1999;155(2):453-60.         [ Links ]

26. Behrens L, Kerschensteiner M, Misgeld T, Goebels N, Wekerle H, Hohlfeld R. Human muscle cells express a functional costimulatory molecule distinct from B7.1 (CD80) and B7.2 (CD86) in vitro and in inflammatory lesions. J Immunol 1998;161(11):5943-51.         [ Links ]

27. Lipsky PE, van der Heijde DM, St. Clair EW, Furst DE, Breedveld FC, Kalden JR, et al. Infliximab and methotrexate in the treatment of rheumatoid arthritis. Anti-Tumor Necrosis Factor Trial in Rheumatoid Arthritis with Concomitant Therapy Study Group. N Engl J Med 2000;343(22):1594-602.         [ Links ]

28. Hengstman G, Van Den Hooven F, Barrera P, Netea MG, Pieterse A, van de Putte LB, et al. Successful treatment of dermatomyositis and polymyositis with anti-tumor-necrosis-factor-alpha preliminary observations. Eur Neurol 2003:50(1):10-5.         [ Links ]

29. Labioche I, Liozon E, Weschler B, Loustaud-Ratti V, Soria P, Vidal E. Refractory polymyositis responding to infliximab: extended follow-up. Rheumatology (Oxford) 2004;43(4):531-2.         [ Links ]

30. Uthman I, El-Sayad J. Refractory polymyositis responding to infliximab. Rheumatology (Oxford) 2004;43(9):1198-9.         [ Links ]

31. Anandacoomarasamy A, Howe G, Manolios N. Advanced refractory polymyositis responding to infliximab. Rheumatology (Oxford) 2005;44(4):562-3.         [ Links ]

32. Dold S, Justiniano ME, Marquez J, Espinoza LR. Treatment of early and refractory dermatomyositis with infliximab: a report of two cases. Clin Rheumatol 2007;26(7):1186-8.         [ Links ]

33. Musial J, Undas A, Celinska-Lowenhoff M. Polymositis associated with infliximab treatment for rheumatoid arthritis. Rheumatology (Oxford) 2003;42(12):1566-8.         [ Links ]

34. Hengstamn GJ, De Bleeker JL, Feist E, Vissing J, Denton CP, Manoussakis MN, et al. Open-label trial of anti-TNF-alpha in dermato and polymositis treated concomitantly with methotrexate. Eur Neurol 2008;59(3-4):159-63.         [ Links ]

35. Dastmalchi M, Grundtman C, Alexanderson H, Mavragani CP, Einarsdottir H, Helmers SB, et al. A high incidence of disease flares in an open pilot study of infliximab in patients with refractory inflammatory myopathies. Ann Rheum Dis 2008;67(12):1670-7.         [ Links ]

36. Miller FW, Leitman SF, Cronin ME, Hicks JE, Leff RL, Wesley R, et al. Controlled trial of plasma exchange and leukapheresis in polymyositis and dermatomyositis. N Engl J Med 1992;326(21):1380-4.         [ Links ]

37. Sprott H, Glatzel M, Michel BA. Treatment of myositis with etanercept (Enbrel), a recombinant human soluble fusion protein of TNFα type II receptor and IgG1. Rheumatology (Oxford) 2004;43(4):524-6.         [ Links ]

38. Iannone F, Scioscia C, Falappone PCF, Covelli M, Lapadula G. Use of Etanercept in the Treatment of Dermatomyositis: A Case Series. J Rheumatol 2006;33(9):1802-4.         [ Links ]

39. Efthimiou P, Schwartzman S, Kagen LJ. Possible role for tumour necrosis factor inhibitors in the treatment of resistant dermatomyositis and polymyositis: a retrospective study of eight patients. Ann Rheum Dis 2006;65(9):1233-6.         [ Links ]

40. Weinblatt ME, Keystone EC, Furst DE, Moreland LW, Weisman MH, Birbara CA, et al. Adalimumab, a fully human anti-tumor necrosis factor alpha monoclonal antibody, for the treatment of rheumatoid arthritis in patients taking concomitant methotrexate: the ARMADA trial. Arthritis Rheum 2003;48(1):35-45.         [ Links ]

41. Nagashima T, Minota S. Dermatomyositis in patients with rheumatoid arthritis during adalimumab therapy. J Rheumatol 2011;38(3):574.         [ Links ]

42. Klein R, Rosenbach M, Kim EJ, Kim B, Werth VP, Dunham J. Tumor necrosis factor inhibitor-associated dermatomyositis. Arch Dermatol 2010;146(7):780-4.         [ Links ]

43. Brunasso AM, Scocco GL, Massone C. Dermatomyositis during adalimumab therapy for rheumatoid arthritis. J Rheumatol 2010;37(7):1549-50.         [ Links ]

44. Ramos-Casals M, Brito-Zerón P, Muñoz S, Soria N, Galiana D, Bertolaccini L, et al. Autoimmune diseases induced by TNF-targeted therapies: analysis of 233 cases. Medicine (Baltimore) 2007;86(4):242-51.         [ Links ]

45. Souza FH, Levy-Neto M, Shinjo SK. Adalimumab induced-inflammatory myopathy in rheumatoid arthritis. Acta Reumatol Port 2011 (in press).         [ Links ]

46. Liozon E, Ouattara B, Loustaud-Ratti V, Vidal E. Severe polymyositis and flare in autoimmunity following treatment with adalimumab in a patient with overlapping features of polyarthritis and scleroderma. Scand J Rheumatol 2007;36(6):484-6.         [ Links ]

47. Bathon JM, Martin RW, Fleischmann RM, Tesser JR, Schiff MH, Keystone EC, et al. A comparison of etanercept and methotrexate in patients with early rheumatoid arthritis. N Engl J Med 2000;343(22):1586-93.         [ Links ]

48. Levine TD. Rituximab in the treatment of dermatomyositis: an open-label pilot study. Arthritis Rheum 2005;52(2):601-7.         [ Links ]

49. Chiappetta N, Steier J, Gruber B. Rituximab in the treatment of refractory dermatomyositis. J Clin Rheumatol 2005;11(5):264-6.         [ Links ]

50. Chung L, Genovese MC, Fiorentino DF. A pilot trial of rituximab in the treatment of patients with dermatomyositis. Arch Dermatol 2007;143(6):763-7.         [ Links ]

51. Feist E, Dörner T, Sörensen H, Burmester GR. Longlasting remissions after treatment with rituximab for autoimmune myositis. J Rheumatol 2008;35(6):1230-1.         [ Links ]

52. Yañez VJ, Cisternas MM, Saldías VH, Saldías PF. Dermatomiositis refractaria asociada a neumonía en organización tratada con rituximab. Reporte de um caso. Rev Med Chile 2009;137(1):88-93.         [ Links ]

53. Ramón SS, Ravell JC, la Torre I. Long-term remission of severe refractory dermatopolymyositis with a weekly-scheme of immunoglobulin followed by rituximab therapy. Rheumatol Int 2010;30(6):817-9.         [ Links ]

54. Lee MA, Hutchinson DG. Spontaneous pneumomediastinum secondary to refractory dermatomyositis successfully treated with rituximab. Clin Rheumatol 2010;29(8):945-6.         [ Links ]

55. Lambotte O, Kotb R, Maigne G, Blanc FX, Goujard C, Delfraissy JF. Efficacy of rituximab in refractory polymyositis. J Rheumatol 2005;32(7):1369-70.         [ Links ]

56. Mok CC, Ho LY, To CH. Rituximab for refractory polymyositis: an open-label prospective study. J Rheumatol 2007;34(9):1864-8.         [ Links ]

57. Christopher-Stine L, Plotz PH. Adult inflammatory myopathies. Best Pract Res Clin Rheumatol 2004;18(3):331-44.         [ Links ]

58. Rider LG, Miller FW. Laboratory evaluation of the inflammatory myopathies. Clin Diagn Lab Immunol 1995;2(1):1-9.         [ Links ]

59. Eisenstein DM, O'Gorman MR, Pachman LM. Correlations between change in disease activity and changes in peripheral blood lymphocyte subsets in patients with juvenile dermatomyositis. J Rheumatol 1997;24(9):1830-2.         [ Links ]

60. Dalakas MC. Polymyositis, dermatomyositis and inclusion-body myositis. N Engl J Med 1991;325(21):1487-98.         [ Links ]

61. Narazaki M, Hagihara K, Shima Y, Ogata A, Kishimoto T, Tanaka T. Therapeutic effect of tocilizumab on two patients with polymyositis. Rheumatology (Oxford) 2011;50(7):1344-6.         [ Links ]

62. Mease PJ. In: Klippel JH, Stone JH, Crofford LJ, White PH (eds.). Primer on the Rheumatic Diseases. 3.ed. Springer/Arthritis Foundation; 2008.         [ Links ]

63. Musuruana JL, Cavallasca JA. Abatacept for treatment of refractory polymyositis. Joint Bone Spine 2011;78(4):431-2.         [ Links ]

 

 

Correspondência para:
Samuel Katsuyuki Shinjo
Disciplina de Reumatologia. Faculdade de Medicina. Universidade de São Paulo
Av. Dr. Arnaldo, 455, 3º andar, sala 3150 - Cerqueira César
CEP: 01246-903. São Paulo, Brasil
E-mail: samuel.shinjo@gmail.com

Recebido em 16/11/2011.
Aprovado, após revisão, em 26/11/2012.
Os autores declaram a inexistência de conflitos de interesse.

 

 

Serviço de Reumatologia, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License