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REAd. Revista Eletrônica de Administração (Porto Alegre)

On-line version ISSN 1413-2311

REAd. Rev. eletrôn. adm. (Porto Alegre) vol.19 no.1 Porto Alegre Jan./Apr. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-23112013000100007 

ARTIGOS CIENTÍFICOS

 

Inserção de pesquisadores entrantes na área de estratégia: análise das relações de autoria e temas estudados no período de 1997-2010

 

Inclusion of newcomers researchers in the field of strategy: analysis of the relationships of authorship and studied issues in the period 1997-2010

 

Silvana Anita WalterI; Tatiana Marceda BachII

IUniversidade Regional de Blumenau - Blumenau, SC/Brasil. silvanaanita.walter@gmail.com
IIUniversidade Regional de Blumenau - Blumenau, SC/Brasil. tatibach@gmail.com

 

 


RESUMO

Este artigo buscou analisar o papel desempenhado pelos novos autores no desenvolvimento da produção científica brasileira na área de estratégia. Realizou-se um estudo bibliométrico e sociométrico de estudos publicados no período de 1997-2010, o que permite verificar a estrutura de cooperação entre autores e instituições, bem como classificar os autores de acordo com a regularidade e a distribuição de suas publicações ao longo do tempo. Compuseram a amostra 1.459 artigos: 1.002 da área de estratégia do EnANPAD e 457 do 3Es. Classificaram-se os autores em continuantes, transientes, entrantes, one-timers e retirantes. Realizou-se a análise de redes sociais no tocante a coautorias. Também se utilizou a análise de conteúdo temática dos temas dos estudos envolvendo autores entrantes. Observouse que a categoria de entrantes apresenta o segundo menor número de autores e que tem o menor número de artigos publicados. Há também autores com 6 e 7 artigos publicados em 3 anos, o que representa um índice de produtividade elevado levando em consideração o período. Mais preocupante é o fato de o número de autores entrantes se apresentar menor que o de retirantes, o que indica que a área está diminuindo em número de pesquisadores. Todavia, o observado de que os entrantes estão se relacionando mais com one-timers pode indicar que parte destes também poderá ser considerada como entrantes nos próximos anos. Alguns autores entrantes apresentaram centralidade em suas redes, estipulando ponte entre autores de outras categorias. Isso demonstra que esses autores podem obter vantagem competitiva em suas redes pelo acesso às informações e agenciamento de contato entre os diferentes grupos (BURT, 1992), assim como corrobora o maior grau de inovação que pode existir nessas redes (GRANOVETTER, 1973). Observou-se um grau elevado de centralidade, um índice maior de homogeneidade do que de heterogeneidade e a existência de grupos coesos nas redes de cooperação envolvendo entrantes, apesar de pequenos e característicos de redes do tipo small worlds. Destaca-se também que os temas mais estudados pelos entrantes são internacionalização e desempenho organizacional. Acredita-se que este estudo possa contribuir para o desenvolvimento da área da produção científica em estratégia do Brasil por mensurar aspectos importantes de sua configuração, como a realização de associações entre pesquisadores de diferentes categorias de produção e de continuidade, principalmente no tocante à inserção de novos pesquisadores.

Palavras-chave: Autores Entrantes; Categorias de Produção e Continuidade; Estudo Bibliométrico e Sociométrico.


ABSTRACT

This article has sought to verify the role played by the new authors in the development of Brazilian scientific production in the area of strategy. A sociometric and bibliometric study of published studies was conducted in the period of 1997-2010, which allows checking the structure of cooperation among authors and institutions as well as the authors classified in accordance with the regularity and distribution of their publications over time. The sample comprised 1459 articles, 1002 of the EnANPAD's strategy area and 457 of the 3Es. The authors were classified in continuants, transients, newcomers, one-timers and terminators. The social network analysis was performed related to co-author. Thematic content analysis of studies was also used involving the themes of newcomers. It was observed that the category of newcomers has the second lowest number of authors and which has the lowest number of published articles. There are also authors with 6 and 7 published articles in three years, which represents a high productivity index taking into account the period. More worrying is the fact that the number of newcomers is fewer than terminators, which indicates that the area is decreasing in number of researchers. However, the observation that the newcomers are more concerned with one-timers may indicate that some of them may also be considered as newcomers in the coming years. Some newcomers presented centrality in their networks, by providing a bridge among authors of other categories. This demonstrates that these authors can gain competitive advantage in their networks for the access to information and negotiation of contact among different groups (BURT, 1992), as well as it supports the highest level of innovation that can exist in these networks (GRANOVETTER, 1973). The study observed a high degree of centrality, a higher index of homogeneity than heterogeneity and the existence of cohesive groups in cooperation networks involving newcomers, though small and characteristic of small world networks. The most studied themes by the newcomers are internationalization and organizational performance. This study may contribute to the development of the area of scientific production in Brazil's strategy to measure important aspects of its configuration, such as making associations among researchers of different categories of production and continuity, especially regarding the inclusion of new investigators.

Keywords: Newcomer authors; Categories of Production and Continuity; Sociometric and Bibliometric Study.


 

 

INTRODUÇÃO

Nas áreas do conhecimento, a produção científica é realizada por pesquisadores e instituições de pesquisa às quais tais pesquisadores estão vinculados. Assim, em uma análise longitudinal, é possível encontrar autores com publicações esporádicas, pesquisadores que deixam de publicar na área, outros que passam a fazê-lo e alguns que permanecem por longo tempo publicando nessa mesma área. Nesse sentido, a renovação constante da área pode ser importante, visto que a entrada de novos pesquisadores favorece a introdução de novos conhecimentos, abordagens e visões sobre a estratégia.

Uma forma de analisar a renovação existente em uma área de conhecimento é realizar um estudo bibliométrico e sociométrico de sua produção científica. Essa escolha permite verificar a estrutura de cooperação entre autores e instituições, bem como classificar os autores de acordo com a regularidade e a distribuição de suas publicações ao longo do tempo.

Entre as diversas áreas de conhecimento científico existentes, tem-se interesse pela de estratégia, cujo volume de publicações, no Brasil, tem registrado aumento significativo nos últimos anos. Essa ampliação ocorreu em virtude de alguns fatores, como crescimento do número de programas de pós-graduação e, consequentemente, de pesquisadores e pressões exercidas pelos órgãos reguladores e de fomento à pesquisa (SARAIVA; CARRIERI, 2009). O exposto evidencia a importância de verificar se o crescimento da área está relacionado à entrada de novos pesquisadores no campo.

Desenvolveu-se então o estudo ora apresentado, que buscou responder à seguinte pergunta de pesquisa: Como a produção científica brasileira, na área de estratégia, tem se configurado no tocante à inserção de pesquisadores? Como objetivo geral, definiu-se analisar o papel desempenhado pelos novos autores no desenvolvimento da produção científica brasileira na área de estratégia. Para tanto, consultaram-se todos os artigos da área temática de Estratégia Organizacional (ESO) do EnANPAD, no período entre 1997 e 2010, bem como todos os artigos do 3ES, de 2003 a 2009.

Quanto aos objetivos específicos, ficaram assim descritos:

a) classificar os autores dos artigos de acordo com categorias de produção e categorias de continuidade;

b) avaliar o número de autores, a produtividade e as coautorias de cada categoria identificada;

c) apresentar as redes sociais de coautoria dos novos pesquisadores e das instituições às quais eles estão vinculados;

d) identificar os principais novos pesquisadores no tocante à produtividade e à cooperação;

e) verificar os temas estudados pelos novos pesquisadores.

Esta pesquisa encontra-se estruturada em cinco seções, além desta primeira. Na segunda seção, faz-se a revisão de literatura a respeito da sociometria (também denominada de redes sociais) e das categorias de produção e de continuidade; na terceira, expõe-se o delineamento metodológico desta pesquisa, classificada como bibliométrica e sociométrica; na quarta, procede-se à análise dos dados; e, na última, apresentam-se as considerações finais, limitações e sugestões para o desenvolvimento de pesquisas futuras.

 

1 REVISÃO DE LITERATURA

No âmbito da teoria das organizações, a perspectiva de redes sociais emergiu no final dos anos de 1970, quando Williamson (1975) e Aldrich (1979) utilizaram as formas de relacionamento interorganizacional como foco de análise. Esses autores foram seguidos por Tichy, Tushman e Fombrun (1979), que utilizaram a análise de rede nos estudos organizacionais para compreender o comportamento das organizações (AUGUSTO; LEAL, 2006). No Brasil, em comparação com o que ocorre na produção anglo-saxônica, ainda são recentes os trabalhos na área de administração que fazem uso da metodologia específica de redes para analisar intensidade e características estruturais das relações (MARTES et al., 2006).

As redes sociais, segundo Wasserman e Faust (1994), podem ser definidas como um conjunto de "nós" que correspondem a atores (pessoas ou organizações) ligados por relações sociais ou laços de tipos específicos. No caso desta pesquisa, consideram-se como atores os autores dos artigos e as instituições às quais eles se vinculam no momento da publicação.

A análise de redes sociais, por sua vez, concentra sua atenção em atores ou entidades sociais que interagem uns com os outros e no fato de que essas interações podem ser estudadas e analisadas como uma única estrutura ou esquema (GALASKIEWICZ; WASSERMAN, 1994). Na direção apontada, esta pesquisa adota a perspectiva de redes sociais de autoria que unem os autores ou as instituições, a qual consiste em uma das vertentes possíveis da sociometria (WALTER; SILVA, 2008), ou seja, analisar-se-ão as parcerias para publicação dos artigos, levando-se em consideração que pesquisadores e instituições autores de um mesmo artigo estabelecem relações (laços) entre si.

Em relação aos conceitos centrais da análise de redes sociais, destaca-se que os "nós", por exemplo, correspondem a cada autor que colabora com pelo menos um ator de uma rede. Podem ser pessoas, organizações, organismos ou, como neste estudo, autores e instituições. Eles se caracterizam por círculos de diferentes cores em uma rede (WASSERMAN; FAUST, 1994).

À conexão direta dos atores em uma rede Granovetter (1973) atribuiu a denominação de laço forte. Em se tratando deste estudo, os laços fortes se referem à conexão existente, por exemplo, entre os autores de um artigo. Burt (1992) acrescenta que quando o contato é feito por pessoas que já se conhecem, como nos laços fortes, as informações a serem compartilhadas tendem a serem as mesmas com baixa tendência para mudança. Por sua vez, laço fraco é a representação de contatos indiretos formados por meio de pontes, caracterizando-se por fornecer diferentes fontes de informação e por tornar a rede propensa à inovação (GRANOVETTER, 1973).

Outro conceito referente às redes sociais a ser mencionado é lacuna estrutural, desenvolvido por Burt (1992) para representar contatos não-conectados em uma rede. A existência de tais lacunas, de acordo com o autor, fornece uma vantagem competitiva para o indivíduo que realiza a conexão entre as diferentes redes. Isso porque os indivíduos nãoconectados não possuem acesso antecipado, amplo e privilegiado às informações do outro grupo de pesquisadores. Assim, um autor que estabelece a conexão entre redes detém o poder de agenciamento do contato entre os autores dos diferentes grupos aos quais se encontra vinculado.

A partir da noção de laço, é possível analisar a presença de díades, tríades ou grupos maiores. A díade é uma ligação ou um relacionamento com laço forte entre dois atores, consistindo em uma propriedade de um par de atores, ou seja, não pertencendo isoladamente a cada ator (WASSERMAN; FAUST, 1994). Nesta pesquisa, considera-se uma díade o artigo publicado por dois autores. Já a tríade é um conjunto de três atores e dos possíveis laços entre eles (WASSERMAN; FAUST, 1994). Nesse caso, uma tríade pode ser formada tanto por três laços fortes (quando três autores publicam um artigo), quanto por laços fortes e um fraco (quando o autor A publica com B e C - laço forte -, mas B e C não possuem uma publicação em comum - laço fraco). Nesse último exemplo, tem-se uma lacuna estrutural entre os autores B e C, o que favorece o papel do autor A, já que este possui acesso às informações das duas pesquisas.

Por fim, a propriedade de centralidade dos atores em uma rede reflete sua importância nesta, sendo que, quanto mais centrais, mais importantes os autores serão (WASSERMAN; FAUST, 1994). No caso desta pesquisa, a centralidade é observada quando, por exemplo, o autor A estabelece relações com diversos outros autores (B, C, D, E, F etc.), mas estes possuem muitas lacunas estruturais entre si. Assim, o autor A torna-se central, pois é responsável pela existência de diversos laços fracos em seu grupo.

Nesse contexto, também é possível verificar o grau de continuidade ou permanência de autores em um campo de conhecimento. Um meio utilizado para analisar a permanência dos pesquisadores em uma área do conhecimento é a classificação em categorias de produção e de continuidade (BRAUN; GLÄNZEL; SCHUBERT, 2001; GORDON, 2007; GUARIDO FILHO; MACHADO-DA-SILVA; GONÇALVES, 2009; WALTER et al., 2010), sendo que os autores são classificados de acordo com a regularidade e a distribuição de suas publicações ao longo do período. Os pesquisadores continuantes são os que apresentam diferentes publicações em distintos períodos do tempo (inclusive recentemente), ou seja, são os integrantes habituais de um campo no qual atuam há um tempo considerável. Os transientes diferem dos continuantes por apresentarem publicações em um número mais restrito, sendo um pouco menos persistentes e estáveis que aqueles. Os one-timers, em contraposição, são os autores esporádicos da área, aqueles que apresentam apenas uma publicação no período analisado. Entrantes são os que começaram a integrar o campo há pouco tempo, exibindo publicações apenas nos períodos mais atuais. Por fim, os retirantes consistem nos que deixaram a área, ou seja, não apresentam publicações nos últimos anos (GUARIDO FILHO; MACHADO-DA-SILVA; GONÇALVES, 2009; WALTER et al., 2010).

Destaca-se ainda que, quando se analisa a produção científica de uma área ou tema, as abordagens citadas (redes sociais de coautoria e categorias de produção e de continuidade de autores) podem ser integradas e complementadas por meio da utilização de aspectos da bibliometria. De acordo com Tague-Sutcliffe (1992), a bibliometria é o estudo dos aspectos quantitativos da produção, disseminação e uso da informação registrada. Segundo Macias-Chapula (1998), a pesquisa bibliométrica pode ser caracterizada quanto ao objeto de estudo (livros, documentos, artigos, autores etc.) e ao método empregado (ranking, frequência e distribuição).

Além disso, como destacam Singleton e Straits (1999), análises bibliométricas podem ser empregadas para realizar levantamento e classificação de artigos científicos sobre determinado tema com o objetivo de analisar o perfil das pesquisas desenvolvidas até determinado momento de tempo, identificando lacunas e analisando o estado da arte (SINGLETON; STRAITS, 1999). Por seu turno, Alvarenga (1998) cita que os resultados encontrados em um estudo bibliométrico refletem aspectos quantitativos de campos do conhecimento. Como exemplos destes aspectos, destacam-se ângulos de produtividades de autores ou de fontes discursivas e constatações de regularidades que podem resultar em fatos históricos no processo de evolução de uma disciplina. Assim, pode-se empregar a análise bibliométrica para levantar e quantificar aspectos e características da produtividade e das cooperações de autores e de instituições, bem como agrupar esses dados de acordo com as categorias de produção e continuidade.

 

2 DELINEAMENTO METODOLÓGICO

De forma a atender ao objetivo proposto, realizou-se um estudo bibliométrico e sociométrico. Obtiveram-se os artigos que foram objeto da presente análise por meio de um recorte longitudinal de um período de 14 anos (1997-2010). Para a composição da amostra, consideraram-se todas as investigações da área temática de estratégia (ESO) do Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD) desse período. Também foram consultadas todas as publicações do Encontro de Estudos em Estratégia (3Es), compreendendo as edições de 2003, 2005, 2007 e 2009. Iniciou-se a coleta de dados nos anais do EnANPAD do ano de 1997, porque os artigos passaram a ser disponibilizados em meio eletrônico a partir dessa data.

Optou-se pelos artigos publicados em eventos para obter o maior número possível de publicações para a amostra em um mesmo padrão de características e informações disponíveis, já que tais eventos possuem um número maior de artigos publicados por ano. Além disso, os anais de eventos contam com artigos mais recentes do que outros veículos de publicação.

Compuseram a amostra 1.459 artigos científicos, dos quais 1.002 faziam parte de um universo de 11.976 publicados nos anais do EnANPAD e 457 consistiam no total publicado nos anais do 3Es. Selecionaram-se esses dois eventos por serem classificados, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), como nível "E1" e por sua importância e representatividade no cenário nacional no que diz respeito à veiculação de pesquisas científicas da área.

Para a análise dos dados, observaram-se o ano de publicação dos artigos, o evento no qual foram publicados, os autores e as instituições às quais os autores se encontravam vinculados na ocasião da publicação. Quanto à identificação do vínculo institucional dos autores, ressalta-se que a obtenção de tal informação deu-se por meio dos dados constantes nos resumos dos próprios artigos analisados. Quando não informados, consultou-se o curriculum da Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Todavia, em virtude de limitações operacionais das análises de redes, nos casos em que os autores indicaram mais de uma instituição, optou-se por considerar a primeira informada.

Para garantir a diferenciação nos nomes dos autores entre os que apresentavam a mesma forma de citação nominal, procedeu-se à conferência individual por meio de uma consulta ao curriculum da Plataforma Lattes. Assim, em se tratando de autores diferentes, optou-se por manter o sobrenome e citar o primeiro nome por extenso.

A primeira etapa de análise teve foco na classificação dos pesquisadores conforme as categorias de produção e continuidade adaptadas de Guarido Filho, Machado-da-Silva e Gonçalves (2009), que utilizaram a base teórica de Braun, Glanzel e Schubert (2001) e Gordon (2007). Essa análise resultou na classificação dos autores nas seguintes categorias: (a) entrantes: duas ou mais publicações em um ou mais anos diferentes nos últimos três anos exclusivamente (2008-2010); (b) transientes: duas ou mais publicações em, no máximo, quatro anos diferentes, sendo pelo menos uma nos três últimos anos (2008-2010) e ao menos uma em anos anteriores (1997-2007); (c) continuantes: duas ou mais publicações em, no mínimo, cinco anos diferentes e ao menos uma nos últimos três anos (2008-2010); (d) onetimers: apenas uma publicação no período analisado (1997-2010); e (e) retirantes: duas ou mais publicações em um ou mais anos diferentes, mas sem publicação nos últimos três anos (1997-2010). A definição e os critérios de cada categoria encontram-se expostos no Quadro 1.

Nessa primeira etapa, identificou-se quantitativamente o volume (absoluto e relativo) de artigos, de pesquisadores e de autorias presentes em cada ano e categoria. Os aspectos analisados foram: a) quantidade de artigos publicados por categoria e em cada evento; e b) distribuição de pesquisadores segundo categorias de produção e de continuidade e coautorias relacionadas a cada categoria de produção e de continuidade.

Na segunda etapa, realizou-se a análise da categoria "entrantes" no que se refere: a redes sociais de cooperação entre instituições às quais os autores se encontravam vinculados; a instituições mais prolíficas e com maior número de laços; à associação entre autores; e a autores mais prolíficos e com maior número de laços. Igualmente se realizou, conforme Bardin (1977), a análise de conteúdo temática dos estudos dessa categoria. Quanto à análise das redes sociais, optou-se pela exploração das redes de coautoria com base no ano de publicação dos artigos analisados, a qual representa uma vertente de análise de redes sociais (LIU et al., 2005). Para tal, empregou-se o software UCINET® 6. Para a contagem de laços por autores, considerou-se cada associação como um laço. Já para a análise das instituições, levou-se em consideração um laço por instituição, focando a associação com diferentes instituições.

 

3 ANÁLISE E RESULTADOS

Esta sessão encontra-se dividida em duas etapas. Na primeira, apresentam-se estatísticas a respeito das quatro categorias de produção e continuidade. Na segunda, destacamse a análise bibliometrica, a de redes sociais e a de temas empregados nos estudos publicados pelos autores entrantes da área de estratégia.

3.1 Categorias de produção e de continuidade

A Tabela 1 apresenta a quantidade de artigos publicados por ano e por categoria, bem como os publicados por ano e por evento e seus respectivos totais.

Observa-se, por meio da Tabela 1, que a categoria de destaque é a dos autores onetimers, que abrangem 1.402 artigos publicados. Essa categoria teve o maior número de publicações em 2009: 309 artigos. Em seguida, apresentam-se os transientes com 672 publicações; os continuantes com 633; os retirantes com 461; e os entrantes com 197 artigos publicados no período. No que tange ao total das publicações por ano e por evento, nota-se que o auge se deu em 2009 com 268 artigos. Observa-se o aumento crescente de publicações em todas as categorias, principalmente a partir de 2005.

A grande quantidade de autores one-timers pode ser atribuída a pesquisadores que publicaram uma única vez no período e que deixaram suas publicações acadêmicas, podendo ser alunos de graduação e de pós-graduação. Pode igualmente ser atribuída ao início da carreira de um futuro pesquisador, o qual teve uma publicação nos anos recentes de estudo. Além disso, pode ser também aluno de graduação, pós-graduação e mestrado ou ainda originária de pesquisadores que normalmente publicam em outras áreas.

Já em relação à categoria entrantes, os números apontam 5,85% de participação total de autoria em artigos publicados, abaixo dos 13,70% dos retirantes, 18,81% dos continuantes, 19,97% dos transientes e 41,66% dos one-timers. Isso pode ser preocupante em longo prazo devido à sustentabilidade das pesquisas na área, principalmente quando comparadas às categorias entrantes e retirantes, ou seja, o número de pesquisadores deixando a área é maior que o dos que estão entrando. A Tabela 2 apresenta a distribuição de pesquisadores segundo as categorias de produção e de continuidade no período de 1997 a 2010.

Observa-se, na Tabela 2, que os autores entrantes perfazem, independentemente do número de publicações, 4,3% do total de autores que publicaram no período. Esses autores podem ser os ingressantes na área, configurando-se como uma possível fonte de renovação e inovação. Comparando esse índice à área de estudos organizacionais, que apresentou 10,2%, é possível inferir, com base em Guarido-Filho, Machado-da-Silva e Gonçalves (2009), carência de entrantes, bem como comparar aos índices de retirantes, que, nesta pesquisa, atingiu 9,1% e, na de estudos organizacionais, 8,2%, o que demonstra um quadro de renovação não-estável.

A Tabela 2 demonstra também a existência de um reduzido número de autores continuantes ao longo de 14 anos, totalizando 65, o que representa 3,4% do total de autores. O volume de publicações desses pesquisadores - que aparecem 633 vezes como autores e coautores - atinge 43,3% dos trabalhos publicados na área. Cabe ressaltar que esses autores são responsáveis por um índice de produtividade - divisão do número de vezes que os autores da categoria publicaram2 pelo número de autores independente das publicações1 - de 9,73. Resultado que é superior ao de transientes, que obtiveram 3,39; de entrantes com 2,4; e de retirantes com 2,64. Observa-se assim que os continuantes são os pesquisadores tradicionais da área, mantendo a constância e a representatividade nas publicações.

Um dado que chama a atenção é o expressivo número de one-timers (total de 1.401), os quais tiveram uma única publicação em todo o período, representando 72,9% do total de pesquisadores. Esse número é superior ao de 59,8% encontrado por Guarido Filho, Machado da-Silva e Gonçalves (2009) em estudos sobre teoria institucional na área organizacional. Esse alto índice de one-timers parece explicar parte da fragmentação de redes sociais encontradas nos artigos de Walter e Silva (2008), que analisaram as redes de cooperação no tema Visão Baseada em Recursos, bem como de Rossoni e Guarido Filho (2007), que pesquisaram sobre a cooperação interinstitucional no campo da pesquisa em estratégia. Entre os possíveis motivos para esses autores publicarem uma única vez, Guarido Filho, Machado da-Silva e Gonçalves (2009) apontam o fato de tais trabalhos serem oriundos de dissertações de mestrado sob a orientação de pesquisadores estabelecidos na área ou advindos de outras. Também pode ser resultado de outras atividades dos programas de pós-graduação, como publicações resultantes de disciplinas isoladas ou de participações temporárias em grupos de pesquisas, o que reflete a transição desses autores nos programas de pós-graduação.

A relação entre categorias de pesquisadores pode ser identificada por meio da Tabela 3, que apresenta as coautorias relacionadas a cada categoria de produção e de continuidade. Ressalta-se que esses relacionamentos não podem ser cruzados, uma vez que cada categoria difere no que tange à quantidade de associações com as demais.

A Tabela 3 mostra (por leitura horizontal) que a categoria dos entrantes relacionou-se com continuantes 50 vezes; com transientes, 85 vezes; e com one-timers, 144 vezes. Essa parceria dos entrantes com os continuantes e transientes sugere que os entrantes possuem relacionamento com linhas de pesquisa consolidadas e pesquisadores mais experientes.

Já os continuantes relacionaram-se com 50 entrantes, 173 transientes, 287 one-timers e 125 retirantes. Os transientes relacionaram-se com 75 entrantes, 166 continuantes, 337 onetimers e 95 retirantes. Os retirantes publicaram com 126 continuantes, 98 transientes e 211 one-timers, enquanto os one-timers associaram-se a 100 entrantes, 250 continuantes, 286 transientes e 177 retirantes.

A Figura 1 apresenta a rede de cooperação entre instituições às quais os autores entrantes estão vinculados.

Para complementar as informações da Figura 1, a Tabela 4 apresenta as instituições mais prolíficas no período de 1997 a 2010. Destaca-se que, para uma melhor visualização, apresentaram-se as instituições com três ou mais publicações.

Observa-se, na Figura 1, a presença de 9 redes de cooperação entre instituições às quais pertencem os entrantes, uma rede maior (circulada) e 8 redes de menor densidade. A maior rede envolve 47 instituições e tem como destaque, em relação ao número de laços, a FGV-SP com 12. Essa instituição teve 4 artigos publicados no período (Tabela 4), assim como a USP, segunda colocada em termos de laços com 11 diferentes instituições. Com 8 laços, tem-se a UNIVALI, a qual é a terceira colocada em relação ao número de artigos publicados, em número de 12; com 7 laços, apresenta-se a UFPR, que publicou 6 artigos no período; a UFRGS teve 6 associações em 8 estudos; a PUCPR, com 15 publicações, é a segunda instituição mais prolífica, apresentando 5 laços no período, a exemplo da UFRJ, com 5 laços em 8 estudos. Com 4 associações a diferentes instituições, apresenta-se a UNIFOR, instituição com o maior número de artigos publicados, ou seja, 18; a FURB, com 11 estudos; a UEM, com 6 artigos; a UNISUL, com 3 publicações; e a UFSC, com 2 artigos. Nessa rede, observa-se a presença de duas instituições do exterior que publicaram no Brasil: a EUROMED, da França, e a UChicago, dos Estados Unidos. Nas redes menores, observa-se a presença de um grupo de quatro instituições (SEBRAE-MG, FUMEC, UFMG e PUC-Minas), duas tríades (FA7, UECE e BNB; e Metodista, FEI e UNINOVE) e de díades: UFLA e UNIFAL; UFLA e Unihorizontes; FUNCEC e UFV; FECILCAM e UFAC; FBV e UFPE; e ESAMC e UFU. Essas díades consistem em uma propriedade de um par de atores, não pertencendo isoladamente a cada ator; é uma ligação ou um relacionamento entre dois atores. Já a tríade é um conjunto de três atores e dos possíveis laços entre eles (WASSERMAN; FAUST, 1994).

Houve quatro instituições que publicaram isoladas no período: FEAD-Minas; Manchester, da Inglaterra; NUS, de Singapura; e UFPB.

3.2 Autores classificados como entrantes

A Figura 2 apresenta a rede de cooperação entre autores entrantes. Os "nós", representados por pequenos círculos vermelhos e brancos, significam, respectivamente, os entrantes e as demais categorias.

Por meio da Figura 2, observa-se existência de 40 redes de cooperação, que envolvem 82 autores. Visualiza-se, também, a presença de laços fortes (rede 7) que envolvem os autores: LEBARCKY, Fernanda da V.; FERNANDES, Aline R.; PENHA, Pedro X. da; MARTINS, Simone; e OLIVEIRA, Adriel R. de. Segundo Granovetter (1973), laços fortes são as conexões diretas dos autores em uma rede. Burt (1992) complementa que, quando o contato é feito por pessoas que já se conhecem, as informações a serem compartilhadas tendem a ser as mesmas com baixa tendência para mudança. Podem ser visualizadas a presença de díades, como a que envolve os autores SILVA, Josuéliton da C.; e MACHADO, André G. C. (rede 8); e tríades, que envolvem autores como NASCIMENTO, Mauricio R. do; CAMARGO, Camila; e MACIEL, Cristiano de O. (rede 9). Nota-se, ainda, que autores entrantes, como WALTER, Silvana A.; CURI, Denise P.; LOPES, Humberto E. G.; FONTENELE, Raimundo E. S.; BRAGA, Ayala L.; VAZ, Luiz F. H.; ZAMBALDI, Felipe; SILVA, Daniella R. da; e DUTRA, Ademar, são centrais em suas redes, estabelecendo pontes entre autores de outras categorias que não conectariam sem os entrantes. De acordo com Granovetter (1973), esses laços fracos (pontes) tornam as redes mais propensas à inovação, o que reitera o apresentado de que autores entrantes podem proporcionar inovações na área. Além disso, Burt (1992) indica que o indivíduo que realiza a conexão entre as diferentes redes (pontes) possui vantagem competitiva pelo acesso às informações dos diferentes grupos aos quais se encontra vinculado e pelo poder de agenciamento do contato entre eles.

Para complementar as informações da Figura 2, a Tabela 5 apresenta os autores mais prolíficos no período de 1997 a 2010. Essa tabela expõe 14 autores com, no mínimo, 3 artigos no período. Além dos autores apresentados na Tabela 5, houve 62 autores com 2 artigos publicados no período.

Em análise conjunta da Figura 2 com a Tabela 5, observa-se que a autora WALTER, Silvana A. (presente na rede 1) é a entrante que mais teve artigos publicados no período, totalizando 7; essa autora associou-se a 7 diferentes pesquisadores em 12 laços. Em segunda colocação, no que tange a número de artigos, os autores AMAL, Mohamed (rede 2) e FONTENELE, Raimundo E. S. (rede 3) tiveram 6 publicações, com 8 e 7 diferentes pesquisadores e 6 e 8 laços respectivamente. Em terceiro lugar, com 4 artigos, apresentam-se os autores LOPES, Humberto E. G. (rede 4), que publicou com 12 diferentes autores em 13 laços; CARVALHO, Carlos E. (rede 5), que se associou a 12 diferentes pesquisadores em 9 laços; e ZEN, Aurora C. (rede 6), que publicou com 3 diferentes autores em 5 laços. Nesse sentido, os autores entrantes que se destacaram podem indicar o futuro de pesquisadores da área de estratégia, haja vista a constância no número de publicações desses autores nos últimos anos e também pela possibilidade de introdução de inovações na área.

Apresentam-se, na Tabela 6, as estatísticas aplicadas aos indicadores da rede de cooperação entre autores entrantes.

Por meio do índice de centralização da rede (0,71%) e do grau de centralidade (1.096), observa-se a elevada centralidade da rede. Já o baixo índice de heterogeneidade (0,45%) aponta para uma estrutura de relacionamento mais homogênea.

Ainda no que tange às características estruturais, o coeficiente de agrupamento das redes pode ser considerado significativo (1,01) em relação ao esperado (0,013), o que indica a existência de grupos coesos, apesar de pequenos e característicos de redes do tipo small worlds. O coeficiente de agrupamento caracteriza-se pela densidade local, no qual os atores são interligados pelos mesmos grupos, o que corrobora o encontrado no estudo de Rossoni e Guarido-Filho (2009), que investigou redes small words entre as áreas em programas de pósgraduação em administração.

Na Tabela 7, destacam-se os temas mais estudados pelos autores entrantes.

O tema mais empregado nos estudos publicados envolvendo entrantes na área de estratégia, conforme apresentado na Tabela 7, refere-se à internacionalização. Percebe-se que quatro dimensões possuem grande destaque entre os pesquisadores emergentes desse assunto: (a) precursores teóricos: do modelo de Uppsala, e integração das abordagens processual e econômica; (b) influência dos seguintes elementos no processo de internacionalização: inovação; fatores institucionais; estratégias; capacidades dinâmicas; naturalidade latino-americana da organização; clusters industriais; e Visão Baseada em Recursos (VBR); redes de relacionamento; empreendedorismo; e impacto dos recursos da firma; (c) desempenho exportador: condições favoráveis; influência da imagem do produto; desempenho financeiro; influência do conhecimento local e experiência internacional no desempenho de subsidiárias; comparativo de padrões em países desenvolvidos e em desenvolvimento; (d) distância psíquica: diferentes instrumentos para medição; domínio conceitual dos construtos de distância psíquica e de distância psicológica.

A seguir, apresentam-se estudos relacionados ao desempenho organizacional, o qual pode ser agrupado em cinco diferentes dimensões: (a) influência de qualificação e do clima organizacional; modelos mentais dos empreendedores; perfil empreendedor, da empresa, do setor e do ambiente; recursos pessoais; e atividades organizacionais; (b) ações conjuntas e/ou localização: arranjos produtivos; impacto da concentração regional de indústrias no desempenho financeiro; heterogeneidade de desempenho das firmas localizadas em diferentes países; (c) desempenho: relação entre reputação organizacional e desempenho econômicofinanceiro; influência da firma e ramos de atividade no desempenho organizacional; efeitos das estratégias de diversificação do mercado e de produtos no desempenho organizacional; impacto do capital humano, do capital social e da adoção de práticas gerenciais no desempenho; taxas de sobrevivência de empresas joint ventures; e práticas de avaliação de desempenho organizacional; (d) fatores: análise de fatores de fracasso organizacional; (e) gênero: significados de sucesso e de fracasso de empresas conduzidas por mulheres empreendedoras.

No tema administração estratégica, emergiram os seguintes agrupamentos: (a) alinhamento: entre estratégias organizacionais e de recursos humanos; (b) influência: de fatores determinantes do sucesso; da tipologia estratégica de Miles e Snow; da implementação de estratégias colaborativas; dos objetivos estratégicos da organização nos programas de desenvolvimento comportamental; (c) relações entre: administração estratégica e resultados empresariais; tipos de estratégias e estilos cognitivos gerenciais; estratégias de integração global e adaptação local; (d) mudanças: estratégias de grandes empresas para ampliação da classe de atuação; papel do profissional de comunicação durante um processo de mudança estratégica; (e) ensaio teórico sobre elementos constituintes da administração estratégica; (f) implementação de estratégias governamentais.

No que tange aos estudos bibliométricos, os mesmos foram realizados de acordo com os seguintes temas: (a) redes sociais de coautoria em estratégia como prática; (b) internacionalização de publicações e internacionalização de pequenas e médias empresas; (c) Visão Baseada em Recursos: adequação metodológica e redes de coautoria no tema; (d) efeitos do ano, setor, estratégia e grupo controlador no desempenho das organizações; (e) avaliação de desempenho organizacional e de indicadores de desempenho; (f) uso do termo estratégia de Michael Porter.

No tema redes sociais, os artigos investigaram: (a) análise da estrutura: de coautorias entre atores na área de estratégia; respostas estratégicas em redes de coautorias entre programas brasileiros de pós-graduação em administração; relacionamento entre pousadas; oportunidades de negócios por meio de estratégias de redes colaborativas; desenvolvimento de recursos em redes interorganizacionais e o processo de internacionalização; aliança estratégica de cooperação de empresas de portes distintos; (b) redes interorganizacionais: fatores de insucesso; (c) redes estratégicas hierárquicas: influência das dimensões de confiança na possibilidade de conflito e; (d) vantagem competitiva: redução de custos de transação e ganhos em competitividade em redes.

Os estudos agrupados sob a perspectiva ambiental analisaram: (a) estratégia: influência das atividades de monitoramento ambiental na formação de estratégia; implantação dos princípios de responsabilidade corporativa por meio de direcionamento estratégico; (b) sustentabilidade: impacto do desenvolvimento sustentável na inovação na geração de produtos oriundos de fontes renováveis; práticas ambientais adotadas para a solução de problemas gerados por embalagens PET; (c) tecnologia: comportamento dos indicadores econômicofinanceiros associados ao investimento em tecnologias ambientais; (d) práticas ambientais: sob a perspectiva estratégica; (e) perfil: socioambiental e empresarial.

Observou-se, também, que um número considerável de estudos analisa estratégias. Entre esses, se encontram: (a) processo de constituição da estratégia competitiva e identidade corporativa; processo de adaptação estratégica por meio do modelo de Hrebiniak e Joyce (1985); (b) configurações estratégicas a partir do comportamento empreendedor, do lócus de controle e de capacidades organizacionais; (c) práticas de construção das estratégias de gestão; (d) fatores estratégicos necessários para que uma oportunidade possa tornar-se ação intraempreendedora; (e) relações entre estratégias globais de integração e adaptação local frente à transferência de conhecimento; estratégias competitivas na relação de causalidade entre competitividade e produtividade.

Em relação à análise de mercado, encontraram-se os temas: (a) riscos: instrumentos de mensuração de riscos; avaliação do investidor em relação ao risco e ao desempenho das empresas; (b) governança corporativa: Teoria dos Custos de Transação (TCT) e Teoria da Agência (TA); estratégias bancárias para concessão de crédito; características do setor bancário e aspectos de governança corporativa para conselho de administração eficaz; (c) estratégias: relação entre foco no cliente e em inovação para o mercado; determinantes econômicos e institucionais de investimentos em empresas; cadeia produtiva do segmento.

Ao discutirem empreendedorismo, os estudos concentraram-se em duas linhas centrais: (a) perfil do empreendedor; relação entre o perfil do potencial empreendedor, a orientação para o mercado e para ambientes turbulentos e o comportamento intraempreendedor social; (b) inovação: percepções, atitudes e comportamentos da gerência, empreendimentos inovadores; relação entre empreendedorismo e competitividade e análise da taxa de empreendedorismo conforme indicadores do Global Entrepreneurship Monitor - GEM.

Também se identificaram estudos que analisam o processo decisório nos temas: (a) tomada de decisão: aplicação do modelo de multicritério de apoio à tomada de decisão; fatores institucionais que influenciam a tomada de decisão na utilização de biocombustíveis; influência do consumidor final na decisão de inovação sustentável; (b) condução por equipes; (c) perspectiva dos Dirigentes de Relações com Investidores (DRI) sobre a adoção de práticas de governança; (d) evolução das estratégias de oferta e de tomada de crédito.

A teoria institucional foi estudada nos temas: (a) influência do isomorfismo na geração de estruturas de coordenação; (b) possibilidades e limitações de estudos em estratégia; (c) stakeholders envolvidos na configuração do campo organizacional; (d) gestão ambiental sob as perspectivas estratégica e institucional.

Alguns estudos analisaram a Visão Baseada em Recursos (VBR) no que tange: (a) ao desenvolvimento de recursos e capacidades a partir de indicadores que influenciam a rentabilidade do patrimônio líquido; (b) à análise de cenários sobre recursos competitivos; (c) à integração de VBR com a Visão Porteriana; (d) aos efeitos das decisões sobre a estrutura de capital na criação de vantagem competitiva.

No tema responsabilidade social, foram estudados os tópicos: (a) gestão da responsabilidade social em empresas beneficiadoras de tabaco; (b) repensando o ensino da responsabilidade social; (c) relação entre estratégias de responsabilidade social, de produção e de recursos humanos; (d) reflexos da crise financeira na responsabilidade social empresarial.

Os estudos sobre estratégia como prática discutiram a relação existente entre as práticas sociais e as estratégias, apontando a importância do conceito de prática social para o campo de estratégia; entre eles, destacam-se: (a) prática social como uma unidade de análise; (b) integração teórica entre as perspectivas institucional e de estratégia como prática, mediada pela teoria da estruturação; (c) análise de práticas comerciais (compra e venda) com base em De Certeau.

Além dos temas citados, emergiram da análise de conteúdo: planejamento estratégico, competitividade, inovação e construção de cenários com três estudos cada tema; e sustentabilidade, desenvolvimento econômico, Balanced Scorecard e gestão de pessoas, com dois estudos cada. Com um tema, houve 12 estudos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo buscou analisar o papel desempenhado pelos autores - de acordo com categorias de produção e de continuidade - no desenvolvimento da produção científica brasileira na área de estratégia, principalmente em relação aos autores classificados como entrantes. Para isso, realizou-se um estudo bibliométrico e sociométrico dos artigos publicados na área de estratégia do EnANPAD e no 3Es no período de 1997-2010.

A respeito do primeiro objetivo específico, os autores entrantes, assim como os one timers, indicam a atratividade exercida pela área do conhecimento a pesquisadores, podendo consistir nas principais fontes de inovações e de novas abordagens. Como vantagem sobre os one-timers, os entrantes apresentam uma tendência de se estabilizarem no campo, passando a oferecer uma contribuição mais ampla para o desenvolvimento da área.

No que tange ao segundo objetivo específico, apresenta-se como preocupante o fato de o número de autores entrantes ser menor que o de retirantes, o que indica que a área está diminuindo em número de pesquisadores. Todavia, o observado de que os entrantes estão se relacionando mais com one-timers pode indicar que parte destes também poderá ser considerada como entrante nos próximos anos.

Outro resultado relevante, no tocante ao terceiro objetivo específico, refere-se a alguns autores entrantes apresentarem centralidade em suas redes, estipulando ponte entre autores de outras categorias. Isso demonstra que esses autores podem obter vantagem competitiva em suas redes pelo acesso às informações e agenciamento de contato entre os diferentes grupos (BURT, 1992), assim como corrobora o maior grau de inovação que pode existir nessas redes (GRANOVETTER, 1973).

Ainda quanto às redes de cooperação envolvendo autores entrantes, observaram-se um grau elevado de centralidade, um índice maior de homogeneidade do que de heterogeneidade e a existência de grupos coesos, apesar de pequenos e característicos de redes do tipo small worlds. Nesse sentido, o estudo de Rossoni e Guarido-Filho (2009) indicou que os laços entre os programas são oriundos dos relacionamentos entre pesquisadores e que algumas políticas relacionadas ao fortalecimento das relações desses programas podem aumentar a resistência da rede à fragmentação.

Assim, no que tange ao quarto objetivo específico, observou-se que a categoria de entrantes apresenta o segundo menor número de autores em comparação com as outras categorias de produção, lembrando que são considerados como entrantes os autores que publicaram dois ou mais artigos em um ou mais anos diferentes nos últimos três anos exclusivamente. Além disso, notou-se que essa categoria tem o menor número de artigos publicados em relação às outras. Contudo, verificou-se que existem autores com 6 e 7 artigos publicados em 3 anos, o que representa um índice de produtividade elevado levando em consideração o período.

Destaca-se também, em relação ao quinto objetivo específico, que os temas mais estudados pelos entrantes são internacionalização e desempenho organizacional, os quais, em contraste com a ideia de inovação que poderiam proporcionar os autores entrantes, não são temas novos na área de estratégia. Nesse sentido, sugere-se que estudos bibliográficos futuros analisem se esses autores entrantes estão trazendo inovações teóricas para a área ou atuando na reprodução de aspectos já existentes no campo. Indícios de inovações teóricas oriundas desses autores podem ser constatados no tocante a temas como estratégia como prática social, sustentabilidade e outros.

Outra possibilidade para futuras pesquisas é verificar como se dá a cooperação de autores entrantes com outros, como os continuantes. Uma hipótese é que ocorra por meio de programas de pós-graduação stricto sensu, de artigos para disciplinas e de dissertações/teses.

Como limitação desta pesquisa, ressalta-se que não foi possível abranger a área de estratégia como um todo, diante dos diferentes meios de publicação existentes. Assim, outra pesquisa poderia verificar se os resultados deste estudo se repetem ao se considerar outro veículo de publicação, como os periódicos.

Por fim, acredita-se que este estudo possa contribuir para o desenvolvimento da área da produção científica em estratégia do Brasil, por mensurar aspectos importantes de sua configuração, como a realização de associações entre pesquisadores de diferentes categorias de produção e de continuidade, principalmente no tocante à inserção de novos pesquisadores.

 

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Recebido em 17/11/2011
Aprovado em 10/10/2012
Disponibilizado em 01/04/2013
Avaliado pelo sistema double blind review

 

 

Revista Eletrônica de Administração
Editor: Luís Felipe Nascimento
ISSN 1413-2311 (versão on-line)
Editada pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Periodicidade: Quadrimestral
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