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REAd. Revista Eletrônica de Administração (Porto Alegre)

Print version ISSN 1980-4164On-line version ISSN 1413-2311

REAd. Rev. eletrôn. adm. (Porto Alegre) vol.21 no.2 Porto Alegre May/Aug. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1413-2311.0442013.44185 

Artigos

APICULTURA E RESPONSABILIDADE SOCIAL: DESAFIOS DA PRODUÇÃO E DIFICULDADES EM ADOTAR PRÁTICAS SOCIAL E AMBIENTALMENTE RESPONSÁVEIS

BEEKEEPER AND SOCIAL RESPONSIBILITY: CHALLENGES OF PRODUCTION AND DIFFICULTIES TO ADOPT PRACTICES SOCIAL AND ENVIRONMENTALLY RESPONSIBLE

APICULTURA Y LA RESPONSABILIDAD SOCIAL: LOS DESAFÍOS DE LA PRODUCCIÓN Y DIFICULTADES EN ADOPTAR PRÁCTICAS SOCIALES Y AMBIENTALES RESPONSABLE

Valdir Antonio Balbino* 

Erlaine Binotto** 

Elisabete Stradiotto Siqueira*** 

*Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - Dourados, MS / Brasil contvaldir@hotmail.com

**Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, MS / Brasil e-binotto@uol.com.br

***Universidade Federal Rural do Semiárido - Mossoró, RN / Brasil betebop@uol.com.br

RESUMO

O artigo objetiva identificar a percepção e as dificuldades que os produtores têm em adotar práticas mais responsáveis social e ambientalmente. Utilizou-se de método qualitativo, com entrevista semiestruturada com cinco das seis pessoas que participam da Associação de Apicultores. Nesse sentido, a pesquisa utilizou a análise categorial temática, com o desmembramento em categorias conforme os temas que emergem do texto identificando o que eles têm em comum, dividida em quatro categorias temáticas: 3.1 - Perfil dos entrevistados; 3.2 - Determinação da criação de abelhas e da produção do mel; 3.3 - Conhecimento da atividade e importância da associação; 3.4 - Comercialização e responsabilidade social e ambiental. A responsabilidade social em relação ao mel foi evidenciada como um diferencial no produto concentrado nas preocupações com o meio ambiente, influenciando as tomadas de decisões dos apicultores em seus negócios, bem como no comprometimento para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar social. Os resultados da pesquisa também demonstraram que a apicultura é uma atividade lucrativa. No entanto, se percebeu que, em decorrência dos associados não estarem bem organizados, têm dificuldades em comercializar seus produtos.

Palavras-chave: Responsabilidade social; Atividade apícola; Mel

ABSTRACT

The article aims to identify perception and difficulties that producers have to adopt more socially responsible practices and environmentally. A qualitative method to semi structured interviews we used with five of the six people involved Beekeepers Association. In this sense, the research used the thematic categorical analysis, with the break up into categories according to the themes that emerge from the text identifying what they have in common. The research was divided into four thematic categories: 3.1 - Profile of respondents; 3.2 - Determination of beekeeping and honey production; 3.3 - Knowledge of the activity and importance of the association; 3.4 - Marketing and social and environmental responsibility. Social responsibility related to honey was shown as a gap in the concentrated product on concerns about the environment, influencing the decision making of the beekeepers in their business as well as the commitment to improving the quality of life and well - social welfare. The results also showed that beekeeping is a lucrative activity. However it was realized that as a result of members not being well organized, have difficulties in marketing their products.

Keywords: Corporate Social Responsibility; Beekeeping; Honey

RESUMEN

El artículo tiene como objetivo identificar la percepción y las dificultades que los productores tienen que adoptar más prácticas socialmente responsables y ambientalmente. Fue utilizada metodología cualitativa, con entrevista semiestructurada con cinco de las seis personas que forman parte de la Asociación de Apicultores. En ese sentido, la investigación utilizó el análisis categorial temático, con el desmembramiento en categorías de acuerdo a los temas que emergen del texto, identificando lo que tienen en común. La investigación fue dividida en cuatro categorías temáticas: 3.1 - Perfil de los entrevistados; 3.2 - Determinación de la apicultura y la producción de miel; 3.3 - El conocimiento de la actividad y la importancia de la asociación; 3.4 - La comercialización y la responsabilidad social y ambiental. Dicho factor se concentra en las preocupaciones con el medio ambiente e influye en las tomas de decisión de los apicultores en sus negocios, así como en el compromiso con la mejoría de la calidad de vida y el bienestar social. Los resultados de la investigación demostraron, además, que la apicultura es una actividad lucrativa. Fue percibido, no obstante, que por el hecho de no estar bien organizados los asociados encuentran dificultades a la hora de comercializar sus productos.

Palabras Clave: Responsabilidad social; Actividad apícola; Miel

INTRODUÇÃO

A globalização econômica e tecnológica associada ao aumento e rapidez das informações está levando a sociedade a mudanças estruturais, por meio da criação de novos hábitos e visões de mundo. Essa forma de ver o mundo está afetando as empresas e demandando dessas uma concepção diferenciada na produção, comercialização e venda de produtos. Atualmente algumas empresas passaram a assumir responsabilidades sociais, econômicas e ambientais na tentativa de promover o bem-estar da sociedade (BECKER; HOFFMANN; KRUSSER, 2007), bem como, melhorar sua competitividade e sobrevivência.

Desde a década de 1980 têm ocorrido grandes transformações nos mercados de produtos alimentares. Os consumidores têm ao seu alcance informações mais precisas sobre os atributos dos produtos que desejam consumir como: qualidade, segurança nutricional, origem, associação com a natureza e outros. Tais fatores, aliados com as tecnologias de produção e comercialização, têm ocasionado aperfeiçoamento nos processos de atendimento dos consumidores e da sociedade, abrindo-se vasto campo para produtos diferenciados que aos poucos vêm deixando de ser tratados comocommodities. Essa nova concepção traz novos contornos para a responsabilidade das empresas em relação aos produtos produzidos ou vendidos, evidenciando uma preocupação não somente interna, mas em todos os elos da cadeia, seja a jusante ou a montante (BUAINAIN; BATALHA, 2007).

No cenário atual, algumas empresas tentam fabricar produtos ou prestar serviços, promovendo a inclusão social e o desenvolvimento da comunidade da qual fazem parte. Essa forma de visão integrada pode melhorar sua imagem corporativa, sua competitividade e, ainda, contribuir para o futuro do país e do mundo (PORTAL BANAS QUALIDADE, 2012).

Nesse contexto, é possível observar o crescimento de uma atuação empresarial mais consciente das demandas ambientais e/ou alimentares da sociedade que, por sua vez, tem buscado um estilo de vida mais saudável. Surgem, então, em alguns setores, práticas alternativas de produção e comercialização que respeitam o meio ambiente e o homem. No agronegócio, um setor que produz e que se alinha a essa perspectiva é a apicultura, a qual vem ganhando destaque com práticas alternativas (SANTOS; RIBEIRO, 2009).

Contudo, uma atuação responsável na apicultura não garante sua perenidade, visto que se trata de um tipo de produção que se estabelece sistemicamente com outras estruturas produtivas. Infelizmente, alguns problemas relacionados à apicultura vêm ocorrendo em vários países. De acordo com o G1 na região nordeste da França as abelhas de Ribeauvillé, na Alsácia, estão produzindo mel marrom, verde e azul. Esse produto, nessas condições, pode gerar grande prejuízo aos produtores ao impedir ou dificultar a venda do mel. O sindicato dos apicultores da cidade fez uma pesquisa para tentar descobrir a origem do problema e encontrou, em uma usina de reaproveitamento de dejetos, grandes concentrações de produtos com as mesmas cores do mel encontrado nas colmeias. A usina lamentou o ocorrido e disse que vai melhorar o armazenamento dos resíduos, uma vez que o manejo incorreto dos dejetos pode evidenciar impactos sistêmicos de falta de responsabilidade social (PRODUÇÃO..., 2012).

As preocupações não são somente essas, visto que há informações de que as abelhas podem estar em risco de extinção. Uma doença está modificando seus genes e isso pode estar afetando o seu comportamento, que por sua vez pode trazer impactos ao meio ambiente e a sociedade, tanto pela falta dos produtos derivados do mel como pela ausência de polinização de centenas de espécies frutíferas existentes no mundo. Somente nos Estados Unidos da América, 40% das colmeias desapareceram. Esse fenômeno passou a ser conhecido como Desordem do Colapso da Colônia (DCC) (Colony Collapse Disorder - CCD) (LIMA; ROCHA, 2012).

Os especialistas advertem que, sem uma mudança profunda na maneira como os seres humanos administram o planeta, ocorrerá o declínio de polinizadores necessários para alimentar uma população global crescente. As abelhas são importantes na polinização de cerca de 30% das plantas utilizadas na alimentação humana, favorecendo a manutenção da biodiversidade. Porém, a produção de mel obtido a partir de floradas silvestres está se tornando escassa em razão da redução do pasto apícola original (SANTOS; RIBEIRO, 2009). Outros fatores que se somam ao desaparecimento das abelhas em vários países são a queda no número de plantas com flores, o uso de inseticidas perigosos, a disseminação global de pestes e a poluição do ar (MENDONÇA, 2011).

Outra preocupação diz respeito à qualidade do mel comercializado. Para compreender se essa qualidade encontrava-se dentro dos padrões exigidos Araújo, Silva e Souza (2006) efetuaram pesquisa com a finalidade de avaliar a qualidade dos méis comercializados na Cidade de Crato-CE. Concluíram que das dez amostras analisadas somente uma estava dentro dos padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAPA), como apto para consumo de mesa. Concluíram ainda, que quando os produtores preocupam-se mais com o aumento da produção e comercialização, do que com a qualidade durante a extração e o beneficiamento do mel o processo produtivo é comprometido.

Se a preocupação com o meio ambiente está presente em todas as atividades, na apicultura ela se mostra essencial, uma vez que a diminuição drástica do pasto apícola e a degradação do meio ambiente atingem diretamente, tanto a abelha quanto o apicultor, e indiretamente, toda a humanidade. Para que a apicultura seja perene é preciso que ocorra uma integração entre Abelha/Homem tornando o apicultor uma pessoa diferenciada, pois ele começa a entender a importância do equilíbrio ecológico para a sobrevivência das espécies sobre a terra (LIMA; ROCHA, 2012).

A apicultura no Brasil é uma atividade que propicia a geração de renda e fixação do homem ao meio rural. Segundo o IBGE (2012) a produção de mel em 2011 foi 9,4% maior que em 2010, com 41,5 mil toneladas. Entre os estados brasileiros, o Rio Grande do Sul foi o maior produtor, com aproximadamente 16% da produção nacional de mel, seguido pelo Paraná com 12,5%, e pelo estado do Piauí com 12,3%.

Assim, os problemas que se apresentam são: Os apicultores tem compreensão da complexidade do contexto produtivo que estão envolvidos? Como isso afeta as questões mais amplas do ponto de vista da responsabilidade social?

Dado o contexto apresentado, o objetivo deste estudo é identificar a percepção e as dificuldades que os apicultores têm em adotar práticas mais responsáveis social e ambientalmente.

1 REVISÃO DE LITERATURA

Esta seção dedica-se ao embasamento conceitual sobre a responsabilidade social e como está sendo tratada na apicultura. Descreve brevemente a atividade apícola no mundo e no Brasil e sua configuração nas últimas décadas bem como seu desenvolvimento e organização na região Centro-Oeste e no estado de Mato Grosso do Sul.

1.1 Responsabilidade social

A Responsabilidade Social Corporativa, desde seus primórdios não apresenta consenso conceitual e prático, tal questão pôde ser observada quando em 1919, a Suprema Corte de Michigan (Estados Unidos da América) julgou o caso de Dodgeversus Ford. O presidente e acionista majoritário Henry Ford decidiu não distribuir parte dos dividendos revertendo-os a outras finalidades, entre as quais o aumento de salário dos funcionários, o que levou alguns acionistas a procurarem a justiça e ganharem o processo. Por outro lado, em 1953 em outro caso levado à Suprema Corte de Nova Jersey, a justiça considerou que a empresa tem sim uma ação e responsabilidade voltada ao meio social (ASHLEY et al., 2005).

A partir de 1950 intensificou-se o debate tanto no meio empresarial quanto acadêmico sobre a importância da responsabilidade social. O final da década de 1960 e início da década de 1970 podem ser demarcados como o momento de grande destaque da ação empresarial voltada para a esfera social, tanto nos Estados Unidos da América, quanto na Europa (BARBOSA, 2003).

Nos anos de 1960/70 a consciência da finitude dos recursos naturais e a compreensão que o crescimento sem limites se revelava insustentável, contribuíram para a percepção da necessidade de se buscarem novos valores e paradigmas para a melhoria das relações entre sociedade, empresa e natureza (SANTOS; RIBEIRO, 2009).

Para Quelhas et al. (2012), o surgimento da Responsabilidade Social Corporativa esteve associada às responsabilidades existentes entre organizações e partes interessadas nos seus negócios, contemplando impactos sociais, econômicos e ambientais causados pela atividade empresarial e a ela tem sido atribuídos vários nomes: filantropia, responsabilidade corporativa desenvolvimento sustentável e outros. Nesse sentido Verdolin e Alves (2005, p. 105) descrevem que: "Agir com responsabilidade social não significa filantropia".

O surgimento da Responsabilidade Social no Brasil tem como marco histórico, a publicação da Carta de Princípios do Dirigente Cristão de Empresas (1965) e a criação da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas - ADCE (1969). Ambas dispunham que as crises do mundo contemporâneo eram decorrentes do afastamento dos princípios cristãos e de justiça social pelas instituições econômicas e sociais, que produziram desníveis e atrasos econômicos em certos lugares do país, por falta de consciência da responsabilidade social pelo setor empresarial (ASHLEY et al., 2005; BARBOSA, 2003).

A Responsabilidade Social Corporativa surgiu nos anos de 1960 no Brasil, com a ideia de propagar no meio organizacional a atenção ao bem-estar, isso ocorreu por meio de ações no desenvolvimento social e empresarial e o surgimento da teoria institucional no estudo das crenças, normas, valores, comportamento e cultura em uma estrutura social (SANTOS, 2008).

A responsabilidade social abrange desde os acionistas (shareholders), como clientes, distribuidores, fornecedores, empregados e família, e comunidade (stakeholders), consistindo em princípios éticos e valores morais que revelam o nível de relacionamento da empresa com seu público (ASHLEY et al, 2005). As mudanças ocorridas na última década do século XX e nos últimos anos do século XXI deram início à construção da responsabilidade social com atenção às questões sociais e ambientais, as quais passaram a serem vitais para as empresas (VERDOLIN; ALVES, 2005).

Bowen (1957, p. 40) defende que a responsabilidade social deve ser assumida voluntariamente pelos homens de negócios, e demonstra claramente sua preocupação com uma provável intervenção estatal na economia, e com o perigo do socialismo ao afirmar que:

Devido à sua função crucial em nossa vida econômica, o homem de empresa está em condições de auxiliar a proteger, por suas próprias decisões, o sistema econômico baseado na autodeterminação e a auxiliar a impedir o advento de um controle total da vida econômica pelo Estado. O fato dele assumir responsabilidades é, no mínimo, uma alternativa parcial ao socialismo.

A responsabilidade social e ética empresarial, muitas vezes são usadas como sinônimos, embora tenham significados distintos. A primeira designa conjuntos de ações, que são praticadas espontaneamente por empresas para promover o bem-estar, portanto, mais voltada para a prática a ser adotada pela empresa enquanto a segunda determina e orienta o comportamento no mundo dos negócios, ou seja, tem uma dimensão mais teórica (NOGUEIRA, 2004).

Para que as ações de responsabilidade social não estejam limitadas ao plano da intenção e para que possam ocupar a dimensão estratégica das organizações é necessário que ela possa ser avaliada. Nesse sentido, alguns indicadores têm sido desenvolvidos como forma de oferecer parâmetros de análise. Rabello e Silva (2011) sintetizam algumas possibilidades de análise, conforme apresentado noQuadro 01:

Quadro 1 Modelos de Indicadores de Responsabilidade Social  

Modelos Enfoque Tipologia Grupo Foco Empresas Que Utilizam
Global Reporting Iniciative (GRI) TBL (triple Bottom line) Relatório Abrangente Todas as Empresas Mais de 1500 empresas adotam esse modelo atualmente. Entre elas: ABN, Amro Banco Real, Adidas, Coca-Cola, Colgate.
Global Compact Saúde, Direitos Humanos e corrupção. Acordo Internacional Todas as organizações com ou sem fins lucrativos. O Boticário e Petrobrás.
Indicadores Ethos Sete dimensões: valores e transparência, público interno, meio ambiente, fornecedores, consumidores e clientes, comunidade, governo e sociedade. Relatório de auto-avaliação. Todas as empresas. Bradesco, Sadia.
Modelo Ibase Tem cinco dimensões: indicadores sociais internos; indicadores sociais externos; indicadores ambientais; indicadores do corpo funcional; informações relevantes quanto ao exercício da cidadania empresarial. Relatório Resumido. Todas as Empresas Amazônia celular, Banco do Brasil, Calçados Azaléia, Grupo Pão de Açúcar, Marcopolo, SulAmérica Seguros, Votorantim Celulose e Papel.
Modelo de Hopkins Informações socioeconômicas e ambientais. Relatório de auto-avaliação. Todas as empresas. Análise da Coelba, Celpe, Cosem e Colece feito por Daher (2006, p. 129-145)
Norma Social Acoountabillity 8000 - SA 8000 Relações com funcionários, condições de trabalho. Norma certificável. Todas as empresas. Bradesco, Avon Cosméticos, Alcoa Alumínio.
Acoountabillity 1000 - AA 1000 Diálogo com stakeholders. Norma não certificável. Organizações com ou sem fins lucrativos. Souza Cruz, SESI, Shell, British Telecom.

Fonte: Rabelo e Silva (2011, p. 18)

Além desses modelos apresentados, é importante citar a ISO 26000, concebida para ser a primeira norma internacional de Responsabilidade Social Empresarial, a qual começou a ser desenvolvida em 2005 e sua versão final foi publicada no final de 2010. O documento tem como objetivo traçar diretrizes para ajudar empresas de diferentes portes, origens e localidades na implantação e desenvolvimento de políticas baseadas na sustentabilidade (MENDONÇA; VIEIRA; TARGINO, 2013).

A norma internacional tem a proposta de servir como norte para as corporações e não como uma certificadora. Os sete princípios da ISO 26000 são: Responsabilidade; Transparência, Comportamento Ético; Consideração pelas partes interessadas; Legalidade; Normas Internacionais; e Direitos Humanos.

Guardadas as diferenças e especificidades de cada modelo, eles têm em comum o aspecto de dar publicidade ao comportamento social empresarial com seus respectivos stakeholders permitindo maior transparência quanto a esse tipo de atuação empresarial.

O conceito de responsabilidade social ainda está em construção, e tem influenciado na concepção de uma nova forma de se conduzir os negócios empresariais tornando a empresa corresponsável pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que tem capacidade de atender aos interesses das partes interessadas e incorporá-los no planejamento de suas atividades atendendo-os diante de suas possibilidades (INSTITUTO ETHOS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL apud VERDOLIN; ALVES, 2005).

A responsabilidade social corporativa tende a ser considerada atividade destacada da lógica econômico-financeira após o lucro, uma vez que há a necessidade de lucro para a sobrevivência da empresa (ASHLEY et al, 2005).

1.2 As relações intrínsecas entre apicultura e responsabilidade social

De acordo com Santos e Ribeiro (2009), o surgimento das abelhas se deu na Ásia há aproximadamente 45 milhões de anos, porém só começaram a ser exploradas racionalmente a partir de 2.400 a.C. Pesquisas arqueológicas mostram que mesmo antes do surgimento do homem na terra as abelhas já produziam e estocavam mel datando de aproximadamente 20 milhões de anos.

O homem utilizava técnicas extrativistas que na maioria das vezes acabava matando as abelhas. As primeiras técnicas de manejo foram efetuadas pelos egípcios (2400 anos a.C.) colocando as abelhas em potes de barro, visando o transporte das colmeias, eles foram considerados os pioneiros em transportar os enxames, mas a retirada do mel era efetuada da mesma forma de antes, o que acabava matando as abelhas. A palavra colmeia vem do grego, os quais utilizavam recipientes para os enxames em forma de sino feitos a partir de palha trançada denominada colmo. Neste período as abelhas assumiram grande importância, tanto que na idade média em algumas regiões da Europa, o roubo de abelhas era considerado crime imperdoável, que poderia ser punido com a morte (PEREIRA, et al., 2003).

A atividade apícola existe desde tempos remotos e desempenha papel extremamente importante em relação ao meio ambiente e o futuro da humanidade, além de ser ecológica é rentável, e ainda pode ser desenvolvida em qualquer localização geográfica que possua clima favorável e uma vegetação exuberante e rica em floradas. É uma atividade sustentável e de grande importância econômica e, ainda pode trazer benefícios ao meio ambiente em que é desenvolvida (SANTOS; RIBEIRO, 2009).

Para Barros et al. (2008, p.77): "Apicultura é a técnica de criação de abelhas produtoras de mel em colmeias artificiais, utilizando métodos e equipamentos desenvolvidos para melhor explorar as capacidades naturais destes insetos". É desenvolvida em várias partes do mundo, através do aproveitamento das floradas silvestres, no entanto, devido à diminuição das matas, as abelhas se utilizam de culturas artificiais plantadas pelo homem.

O apicultor vai aprendendo que a apicultura é responsabilidade social quando ele estuda a organização social das abelhas e entende que a preservação do meio ambiente é vital para a sobrevivência das futuras gerações (LIMA; ROCHA, 2012). Para Henrique et al. (2008), apesar de o Brasil ter uma diversificada e extensa flora, só recentemente está migrando para a apicultura empresarial e produtiva. A responsabilidade social na apicultura, segundo Reis e Pinheiro (2011, p. 5) compreendem que:

[...] os cuidados com a segurança e a saúde do trabalhador, além da minimização dos impactos negativos ao meio ambiente são prioridades para as instituições que levam em consideração a responsabilidade social no desenvolvimento de suas ações (produtivas, administrativas, etc.). Para que esses resultados sejam adequadamente alcançados, as aptidões do quadro de profissionais dessas entidades devem estar em constante atualização, através de frequentes eventos de capacitação, possibilitando que as suas funções laborais sejam desempenhadas da forma mais segura possível.

As práticas apícolas trazem alguns fatores de risco durante a instalação e manejo do apiário entre os quais se destacam o transporte de cargas pesadas; utilização inadequada do fumigador; falta de sinalização nos apiários; conhecimento limitado das práticas apícolas (REIS; PINHEIRO, 2011).

Reis e Pinheiro (2011) descrevem que se devem observar todos os cuidados e segurança com o trabalhador na tentativa de minimizar os impactos negativos ao meio ambiente e às instituições que dependem de suas ações produtivas. Para isso, os apicultores, devem ter capacitação frequente, para maior segurança laboral em relação aos principais fatores de riscos e formas de preveni-los no manejo racional das abelhas africanizadas que tem alto grau de agressividade, caracterizando risco em potencial aos indivíduos e animais próximos a seu raio de ação.

Dessa forma, a responsabilidade social no contexto da apicultura, enfrenta muitos desafios, visto que além das questões intrínsecas do processo produtivo, este estabelece uma relação de interação com outros sistemas para obter um mel de qualidade.

1.2.1 A atividade apícola no Brasil

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE (2006), a introdução das abelhas europeias no Brasil é da década de 1940, a partir da imigração de italianos e alemães. Entretanto a partir de meados de 1950, com a introdução de uma espécie de abelha africana (Apis mellifera scutellata), por falha no manejo acabaram se multiplicando e se disseminando rapidamente na natureza, cruzando-se com espécies europeias, alteraram as suas características, resultando desse cruzamento, as atuais abelhas africanizadas.

As abelhas africanas foram trazidas ao Brasil em 1956 pelo geneticista Warwick Estevam Kerr, considerado o maior especialista em genética de abelhas do mundo, que "[...] com auxílio do professor Lionel Gonçalves da Universidade de São Paulo, [...] criou um híbrido das espécies africana e europeia que já existia no Brasil [...]" (SEBRAE, 2006, p. 10).

Foi somente a partir de 1970 que a apicultura teve impulso no Brasil como atividade comercial (LEITE; MENEZES; LEZANA, 2009), muito embora ocorresse através de processos extrativistas. Apesar dos problemas causados inicialmente, Buainain e Batalha (2007) observaram que essas abelhas elevaram consideravelmente a produtividade. Foi um período em que a apicultura brasileira atravessou um momento crítico, tanto no meio econômico como na dificuldade no manejo das abelhas africanizadas em razão da agressividade, nos anos seguintes, o Brasil produziu o mel somente para consumo interno. A maioria dos produtores tinha a atividade como um hobby ou sem nenhuma pretensão comercial e sem profissionalização, mas em decorrência de problemas enfrentados pelos principais países exportadores, abriu-se a oportunidade para o consumo do mel brasileiro no início de 2000.

Tabela 1 Quatro países maiores produtores de mel de abelha 1990 - 2005 (em mil toneladas) 

Países/anos 1990 1995 2000 2005
China 198 182 252 298
Turquia 51 69 61 82
Argentina 47 70 93 80
Estados Unidos 90 98 100 79

Fonte: Os autores com base em Buainain e Batalha (2007)

Nota: Posição com base em 2005

A tabela 1 destaca a produção de mel nos maiores países produtores de mel, com a China bem à frente dos demais. O Brasil figurou em décimo quinto lugar em produção mundial com 25 mil toneladas de mel no ano de 2005 e nesse mesmo ano a Argentina foi quem mais exportou (BUAINAIN; BATALHA, 2007).

O mercado mundial de mel é dominado por poucos países, o Brasil, que está apenas iniciando nessa atividade, já entra na competição com outros que há muito dominam o mercado do mel. O preço é muito importante para a definição da competitividade, mas com a modificação da visão da sociedade, e também em decorrência da informação, a qualidade e a forma como são produzidos os produtos é uma condição diferenciada para o acesso ao mercado internacional e sobrevivência da empresa (BUAINAIN; BATALHA, 2007).

Para atender os consumidores, cada vez mais exigentes e entrar no mercado internacional, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), publicou a Instrução Normativa nº. 11/2000, aprovando o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Mel (BRASIL, 2000). Trata-se de um documento importante para estabelecer o controle do produto a ser consumido. Moreti et al. (2009) em pesquisa feita com 52 amostras no Estado do Ceará, concluem que os parâmetros analisados e que constam da legislação vigente, encontram-se dentro dos limites estabelecidos, indicando um manejo adequado de produção e manipulação do mel analisado. Aroucha et al. (2008) analisaram 19 amostras de mel comercializado no município de Mossoró-RN e concluíram que se apresentavam dentro dos padrões de qualidade exigidos no Brasil.

A apicultura é desenvolvida como atividade, em praticamente, todos os estados brasileiros, produzindo tanto o mel como seus derivados. É uma das poucas atividades agropecuárias que não agride o meio ambiente, pelo contrário, ela consegue ser sustentável, pois gera renda para os agricultores, integra o homem ao campo diminuindo o êxodo rural e é essencialmente ecológico, ou seja, não há desmatamento para a criação de abelhas (SANTOS; RIBEIRO, 2009).

O Agronegócio apícola vem se destacando nacionalmente, desde os anos oitenta, a partir do movimento naturalista, que começou a pregar a utilização de alimentos mais saudáveis bem como a melhoria da qualidade de vida do homem. Isso proporcionou o aumento da procura dos produtos da colmeia e, consequentemente, sua valorização, possibilitando ao apicultor uma melhor remuneração (CORREIA-OLIVEIRA et al., 2010).

A apicultura pode ser desenvolvida de forma fixa e a migratória. A migratória é utilizada em várias regiões do mundo, consistindo no transporte das colônias de abelhas melíferas, para os locais em que há pasto apícola disponível, como forma de aumentar a produção enquanto a fixa, as colônias permanecem em um único lugar (REIS; PINHEIRO, 2011). No Brasil predomina a apicultura fixa, desenvolvida por pequenos produtores, que é caracterizada pela exploração de até 150 colmeias que se utilizam de mão-de-obra familiar além de manter outros tipos de atividades, e às vezes efetuam a contratação de trabalhadores temporários.

Um produtor de médio porte explora de 150 a 1500 colmeias, geralmente exploram também outras atividades. O acúmulo de atividades demanda a contratação de mão de obra temporária ou permanente. O grande produtor explora entre 1500 e 2500 colmeias, mais do que isso torna a atividade inviável (BUAINAIN; BATALHA, 2007).

O Brasil vem aumentando gradativamente a produção do mel no decorrer dos anos (com exceção dos anos de 2007 e 2010). Obteve no ano 2000 uma produção de pouco mais de 20 mil toneladas e alcançou em 2011 mais de 40 mil toneladas com aumento de 90,28%. Desde o ano de 2000 houve considerável aumento na produção de mel natural em todas as grandes regiões do Brasil (Tabela 2).

Tabela 2 Produção do mel natural nas grandes regiões do Brasil do ano de 2000 a 2011 

Quilogramas
Ano Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total
2000 301.696 3.748.108 4.513.538 12.670.098 631.704 21.865.144
2001 317.515 3.799.504 4.686.222 12.745.601 670.833 22.219.675
2002 371.143 5.560.006 5.136.595 12.277.442 683.466 24.028.652
2003 509.863 7.967.658 5.335.856 15.357.099 851.928 30.022.404
2004 518.834 10.401.191 5.187.350 15.266.363 916.724 32.290.462
2005 653.467 10.910.916 5.272.302 15.815.522 1.097.459 33.749.666
2006 673.729 12.102.924 5.804.918 16.422.483 1.189.814 36.193.868
2007 763.759 11.598.423 5.584.142 15.468.169 1.332.623 34.747.116
2008 857.270 14.152.170 5.524.508 15.759.766 1.498.195 37.791.909
2009 821.058 15.143.621 5.423.541 16.501.313 1.084.698 38.974.231
2010 921.781 13.116.528 6.156.257 16.532.253 1.290.584 38.017.403
2011 946.072 16.911.251 6.149.977 16.180.568 1.416.257 41.604.125

Fonte: os autores com base no Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA (2013).

Conforme Tabela 2, em 2011, se verifica que a produção de mel natural na região Nordeste ultrapassou a região Sul. A região Nordeste partiu de uma produção de 3.748.108 quilos em 2000 para 16.911.251 quilos em 2011, um salto de 351,19% na produção. A região Sul, que desde 1974 recebia o título de maior região produtora de mel natural, conseguiu mantê-lo até o ano de 2010, quando foi ultrapassada, em 2011, pela região Nordeste.

De acordo com Buainain e Batalha (2007), a produção brasileira de mel, estende-se por todos os estados do país, teve um crescimento de 70% entre 1999 e 2005, estimulada pela atratividade do mercado externo. Isto pode ser percebido quando se observa os dados da região Centro-oeste do Brasil que, de acordo com a Tabela 2 teve um aumento de produção de 124,2% entre os anos de 2000 e 2011, partindo de uma produção de 631.704 quilos em 2000 para 1.416.257 quilos em 2011. Foi um aumento médio ao se considerar a região Norte com 213,58% e Nordeste com 351,19%, porém superior ao Sudeste com 36,27% e ao Sul com 27,71% (tabela 2). A Tabela 3 apresenta a produção da região Centro-Oeste:

Tabela 3 Produção de mel natural pelo Distrito Federal e estados da região Centro-Oeste do Brasil entre os anos de 2000 e 2011. 

Quilogramas
Ano GO DF MS MT Total
2000 117.371 20.000 302.786 191.547 631.704
2001 128.222 14.060 340.363 188.188 670.833
2002 155.133 19.060 334.428 174.845 683.466
2003 178.845 24.500 407.471 241.112 851.928
2004 224.616 26.430 365.589 300.089 916.724
2005 244.580 27.479 450.614 374.786 1.097.459
2006 308.005 31.478 485.325 365.006 1.189.814
2007 314.530 30.605 641.149 346.339 1.332.623
2008 322.010 36.084 646.222 493.879 1.498.195
2009 301.335 37.860 430.482 315.021 1.084.698
2010 314.867 35.265 512.417 428.035 1.290.584
2011 334.440 16.050 686.486 379.281 1.416.257

Fonte: Elaborado pelos autores com base no Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA (2013).

Na região Centro-Oeste, o estado que mais se destaca em produção do mel natural é o estado de Mato Grosso do Sul (MS) como maior produtor da região. Porém, entre os anos de 2000 e 2011, o estado de Goiás (GO) apresentou o maior aumento na produção, com 184,94%, seguido do estado do MS com 126,72%, de Mato Grosso (MT), com 98%, e a exceção foi o Distrito Federal (DF) que apresentou redução de 19,75% no período.

Destaca-se que no ano de 2008 a produção do MT foi aproximadamente 25% maior que a produção do ano de 2011, atingindo quase 500 mil quilos de mel natural. Inclusive nesse ano, a produção de mel natural na região Centro-Oeste atingiu quase 1.500 mil quilos, sendo superior à produção de 2011 em mais de 5%.

A produção de mel natural no estado de MS (Tabela 3) registrou média de elevação de 126,72%, maior que a média da região Centro-oeste que foi de 124,2% e também da média Brasileira que foi de 90,28%.

1.2.2 A atividade apícola no estado de Mato Grosso do Sul

Desde 2007 ocorreram iniciativas para mudar o panorama da atividade apícola no estado de Mato Grosso do Sul, além da criação, em 2010, da nova Federação de Apicultura e Meliponicultura de MS - FEAMS (FEAMS, 2013). Dentre essas, a capacitação de técnicos apícolas é essencial. Essa capacitação visa permitir ao apicultor implantar ações específicas em abelhas africanizadas para elevar a produção anual do mel por colmeia de 20 para cerca de 120 quilos em apiários fixos (FEAMS, 2013).

Fonte: Os autores com base no Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA - IBGE (2013).

Gráfico 1 Produção de mel natural no estado de MS entre os anos de 2000 e 2011 (em quilogramas) 

Verifica-se no Gráfico 1, que a produção em MS sofreu várias oscilações no período compreendido entre 2000 e 2011, porém ao se analisar o incremento médio no período se obtém um aumento aproximado de 127%. Partindo de 2000 com produção, de pouco mais, de 300 toneladas para aproximadamente 700 toneladas, em 2011, sua participação na região centro-oeste é de 48,47% e 1,65% em relação à produção nacional.

De acordo com a FEAMS (2013), a apicultura sul-mato-grossense produz somente um terço do que poderia produzir. Dentre os motivos apresentados, está o manejo inadequado, a falta de comprometimento dos produtores com a atividade, e outras ações que seriam necessárias e que em decorrência disso a média por colmeia ainda seja de 20 quilos de mel por ano. Afirma ainda que, se todos os cuidados fossem tomados e com maior comprometimento do apicultor, com certeza essa média subiria para 70 quilos por ano.

O município de Caarapó, localizado no estado de MS, produziu 3.270 quilos de mel no ano de 2000, com participação de 1,08% em relação ao estado. Em 2011, observou-se um aumento de 140,37% na produção em relação a 2000. A produção foi de 7.860 quilos de mel, com média superior à média brasileira (90,28%) e da região Centro-oeste (124,2%), bem como em relação à média do estado (126,72%). A participação desse município em relação ao estado passou para 1,15% em 2011. Na sequência, demonstram-se os procedimentos metodológicos utilizados na pesquisa.

2 MÉTODO

O presente trabalho foi desenvolvido no município de Caarapó, estado de MS, região Centro-Oeste do Brasil. De acordo com o MFrural (2013) o município tem localização geográfica determinada pelo paralelo de latitude 22°38'02'' sul e longitude 54º49'19'' oeste, com altitude de 471 metros do nível do mar. O clima é o tropical, com vegetação predominante de cerrado e está sobre a influência hidrográfica da Bacia do Rio da Prata. Caarapó tem limites com os municípios de Jutí, Dourados, Fátima do Sul, Laguna Carapã, Amambai e Vicentina (IBGE, 2010), estando situado no sul do estado de MS.

A produção apícola no município vem de longa data e com o tempo os produtores sentiram a necessidade de se organizarem para melhorar o setor. Assim, após várias tentativas se reuniram no ano de 2005 para a criação de uma associação. A ideia amadureceu sendo realizada uma reunião na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caarapó, no dia 13 de março de 2006, com participação de alguns produtores de mel. Nessa reunião foi criada a Associação de Apicultores de Caarapó - AAPIC, com a finalidade de organizar os produtores em uma entidade capaz de alavancar a apicultura como alternativa de geração de emprego e renda. Com a criação da associação e por meio de projeto desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento do município o grupo obteve recursos do governo federal para adquirir as máquinas necessárias para o beneficiamento do mel natural. A associação foi iniciada com quatorze pessoas, mas atualmente conta com apenas seis, que ainda continuam atuando no setor.

Utilizou-se da pesquisa qualitativa (ALVES, 1991) na intenção de compreender a percepção das pessoas. A pesquisa com base nos objetivos foi descritiva procurando conhecer os aspectos do comportamento humano, tanto individualmente como nas comunidades mais complexas (BERVIAN; CERVO; SILVA, 2007; GIL, 2010). Foram efetuadas as entrevistas com os participantes da Associação de Apicultores que estavam em atividade, totalizando cinco entrevistas semiestruturadas entre os seis associados que ainda fazem parte da associação. Um deles não foi entrevistado porque estava viajando durante a realização da pesquisa, que ocorreu entre os dias 13 a 25 de maio de 2013. As entrevistas foram previamente marcadas e realizadas nas casas dos apicultores, na tentativa de obter o que os mesmos consideram importante na atividade apícola (RICHARDSON, 1999).

Para analisar os dados obtidos foi utilizada a análise do conteúdo (BARDIN, 1979). Nesse sentido, embora as categorias tomem como referencia Rabelo e Silva (2011), a pesquisa utilizou a análise categorial temática, com o desmembramento conforme os temas emergem do texto identificando o que eles têm em comum. A análise foi dividida em quatro categorias temáticas, sendo: 3.1 - Perfil dos entrevistados; 3.2 - Determinação da criação de abelhas e da produção do mel; 3.3 - Conhecimento da atividade e importância da associação; 3.4 - Comercialização e responsabilidade social e ambiental.

As respostas obtidas foram descritas nos resultados, por meio da exposição e discussão dos dados e informações com base em outros trabalhos escritos em relação ao Brasil. Os dados primários obtidos nas entrevistas foram complementados por informações disponibilizadas no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especificamente no Banco de Dados Agregados, da pesquisa pecuária municipal.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Esta seção tem como objetivo evidenciar os resultados alcançados na pesquisa, bem como, a discussão dos mesmos.

3.1 Perfil dos entrevistados

Os associados que estão participando e trabalhando com a atividade apícola são em número de seis, dos quais cinco foram entrevistados. O apicultor que não foi possível entrevistar é considerado um dos que mais produz mel dentre os associados. Segundo os entrevistados, no ano anterior ele teve um problema de abandono das abelhas que desapareceram deixando todo o mel nas colmeias. Não conseguiram identificar o que ocorreu. Há que se destacar que, segundo o presidente da associação, é a primeira vez que ocorre esse tipo de problema no município de Caarapó.

No tocante ao perfil dos associados, todos são do sexo masculino, sendo que três deles são donos da propriedade em que exercem a apicultura, os demais arrendam as terras de parentes e de terceiros. As idades variam entre 50 e 70 anos. Dois possuem curso superior com especialização concluída, dois tem ensino médio e apenas um deles tem o ensino fundamental incompleto.

De acordo com os entrevistados, a experiência na agropecuária vem de longa data, quatro deles responderam que é passada de pai para filho ao longo das gerações. Apenas um respondeu que sua experiência data de vinte e dois anos, logo após a aquisição da terra. A experiência na apicultura, entretanto, para dois dos entrevistados variam entre cinco e dez anos, os demais responderam trabalhar com apicultura há mais de 15 anos. Somente um apicultor reside na propriedade rural, os demais moram na cidade e deslocam-se em alguns dias da semana para vistoriar as colmeias no ambiente instalado. Os demais dados estão presentes no Quadro 2:

Quadro 2 Perfil dos entrevistados 

Entrevistado 1 2 3 4 5
Idade 52 anos 57 anos 51 anos 66 anos 63 anos
Escolaridade Especialista 1º grau incompleto 2° grau completo Especialista 2º grau completo
Tempo na atividade apícola 20 anos 10 anos 20 anos 6 anos 15 anos
Tipo de propriedade local de produção Própria Própria Arrendada Própria Arrendada
Experiência agropecuária antes de iniciar a atividade apícola 2 anos gado 30 anos lavoura e gado 20 anos gado 20 anos lavoura 20 anos lavoura
A atividade apícola Hobby Renda secundária Renda secundária Hobby Renda secundária

Fonte: os autores com base na pesquisa

Para Henrique et al. (2008), o tempo de vivência em atividades agropecuárias é um importante indicador de conhecimento sobre os potenciais produtivos, bem como da tradição na agricultura familiar em média de 7,48 anos na atividade apícola, com variação temporal de 1 a 23 anos. Correia-Oliveira et al. (2010) identificaram 73% dos apicultores com menos de 10 anos na atividade e os demais com mais de 10 anos. Verifica-se nesta pesquisa uma média de 15 anos, com variação temporal de 5 a 20 anos, com três apicultores com cerca de 20 anos de vivência na atividade.

Segundo Henrique et al. (2008), a principal fonte de renda, para 67% dos produtores da Serra do Mel, é a atividade apícola. Totalmente diferente dessa pesquisa que identificou que a maioria (três entrevistados) são funcionários públicos. Somente um vive do meio agrícola e o outro vive de receitas empresariais e aluguel.

Buainain e Batalha (2007) advertem que a grande maioria dos apicultores age na informalidade e como atividade complementar e secundária de fonte de renda, sem qualquer tipo de controle do processo de produção e registros contábeis. Nesta pesquisa evidenciou-se que geralmente os apicultores vendem seu produto no comércio local.

3.2 Determinação da criação de abelhas e da produção do mel

Esta categoria de análise procurou identificar o processo de criação de abelhas e da produção do mel e da própolis na atividade apícola, com objetivo de compreender alguns aspectos da produção do mel.

Os entrevistados utilizam terras que variam de 1 a 6 hectares para a atividade apícola, entretanto, para eles as abelhas vão a distâncias maiores à procura de alimento quando não encontram nas proximidades. Utilizam poucas colmeias, variando de cinco a quase 100. Trabalham também com agricultura e pecuária (gado).

De acordo com o quadro 3, a quantidade de mel produzida é pequena, em razão disso, a maioria trata a apicultura como renda secundária ou simplesmente extrai somente para consumo quando dispõe de tempo, assim ocupam geralmente mão de obra familiar, não necessitando de contratar funcionários pela pouca quantidade. Dois apicultores, no entanto, em razão da quantidade de mel produzida necessitam de ajuda mais especializada, contando com parceiros e contratação de mão de obra temporária.

Quadro 3 Determinação da criação e da produção do mel 

Entrevistado 1 2 3 4 5
Tamanho da área 20 hectares 45 hectares 4 hectares 20 hectares 1 hectare
Tamanho da área utilizada na apicultura 4 hectares 6 hectares 4 hectares 4 hectares 1 hectare
Quant. de colmeias 15 27 70 5 94
Mês de extração do mel jan./fev. fev./mar. jan./fev. jan./fev. Fev./mar.
Tipo de produto¹ Mel Mel Mel e própolis Mel para consumo Mel e própolis
Quantidade produzida 300 kg/ano 400 kg/ano 1400 kg/ano 60 kg/ano 2000 kg/ano
Mão de obra utilizada Familiar Familiar Parceria Familiar Funcionário Temporário

Fonte: os autores com base na pesquisa

Nota¹: Como a quantidade de própolis é muito pequena não foi utilizada nos dados

Os dados da pesquisa reforçam a perspectiva apresentada por Buainain e Batalha (2007) que caracterizam a apicultura como sendo desenvolvida por pequenos produtores com a exploração de até 150 colmeias que se utilizam de mão de obra familiar, além de manter outros tipos de atividades, às vezes efetua a contratação de trabalhadores temporários.

Percebe-se que, no município de Caarapó, todos são pequenos produtores, entretanto, conseguiram retirar 3.270 quilos de mel no ano de 2000, com participação de 1,08% na produção total do estado. Em 2011, observou-se um aumento de 140,37% na produção em relação ao ano de 2000, com produção de 7.860 quilos de mel (IBGE, 2013). Destaca-se que os dados da pesquisa descrevem uma produção de 4.160 quilogramas de mel, em 2011, somente com os apicultores entrevistados, compreendendo mais de 50% de toda a produção do município.

Todos os entrevistados destacaram que o mel produzido é diferenciado, pois as abelhas, em sua maioria, africanizadas se utilizam de floradas silvestres, como: cambará; angico; assa-peixe; arranha-gato; e outras. A produção de mel obtido a partir de floradas silvestres pode se constituir em um risco, visto que está se tornando escassa em razão da redução do pasto apícola original (SANTOS; RIBEIRO, 2009).

Os entrevistados afirmam que com o crescimento desordenado das lavouras, houve redução no pasto apícola, dois deles responderam que os seus apiários estão em áreas privilegiadas. Um destacou que sua área está próxima a uma reserva de mata nativa de cerca de 30 alqueires, o outro respondeu estar próximo de uma reserva florestal e ciliar considerada por ele como muito grande, não sabendo informar o tamanho. Três dos entrevistados responderam que produzem apenas o mel, os outros dois produzem tanto o mel como a própolis (em pequenas quantidades, mais para consumo do que comércio) destacando que não tem tempo para se dedicar à colheita de outros produtos, tais como: a geleia real e o pólen.

Em relação ao manejo, todos afirmaram possuírem e estarem conscientes do uso dos equipamentos de proteção na hora da coleta. Os apiários são fixos e a produção é semi-extrativista. A respeito disso, Buainain e Batalha (2007) descrevem que há uma forte presença da produção semi-extrativista, na qual o produtor induz a formação de colmeias, mas não as alimentam. As abelhas se alimentam por conta própria no ambiente.

3.3 Conhecimentos da atividade e importância da associação

Esta categoria de análise procurou identificar o conhecimento do apicultor sobre a atividade apícola em relação às técnicas utilizadas na atividade desenvolvida. O mel produzido é comercializado no município de Caarapó, onde, segundo eles, a demanda é sempre muito boa, embora um deles tenha destacado que há dificuldade em vender o produto. Somente um dos entrevistados respondeu ter conhecimento de políticas públicas voltadas ao setor.

Questionados sobre o conhecimento das especificidades da produção (Quadro 4), todos afirmaram que aprenderam em cursos sobre a apicultura. Quatro responderam nunca ter recebido incentivo de qualquer entidade governamental, o outro obteve tal apoio para montar a associação, bem como nos cursos que foram ministrados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR. É interessante notar que nos dados obtidos, a maioria não recebe apoio, entretanto, segundo eles, nunca procuraram.

Destaca-se, ainda, (Quadro 4) que os entrevistados têm pouco ou nenhum conhecimento sobre organização empresarial e finanças. Um dos entrevistados respondeu que tem noções de finanças, mas relacionou o termo com o financiamento de produção. Não tem qualquer tipo de controle documental de produção.

Quadro 4 Percepção do apicultor sobre o setor de atividade 

Entrevistado 1 2 3 4 5
Conhecimento em organização empresarial e finanças Não (nada) Não (nada) Muito pouco Possui Um pouco
Planejamento e controle da produção Não (nada) Não (nada) Tem noções Não Tem noções
Tempo de dedicação à atividade 1 h/semana 2 h/semana 20 h/semana 2 h/semana 12 h/semana
Conhecimento das políticas públicas do setor Não (nada) Não (nada) Sim, através da AGRAER Não Não
Apoio de órgãos governamentais Não Não Sim, doação das máquinas da associação Não Não
Procurou apoio Não Sim SENAR AGRAER e SENAR Não Não
Importância da associação para a atividade Como apoio à produção e a cessão das máquinas para beneficiar o mel Ajuda no beneficiamento da produção Para conseguir convênios e obter recursos para o setor Organização dos associados e na geração de conhecimentopara o setor Nenhuma. As máquinas eu já possuía. Mas serve para a troca de experiência
Como são tomadas as decisões na atividade Somente por mim Somente por mim Com ajuda dos colegas associados Com ajuda dos colegas associados Somente por mim

Fonte: os autores com base na pesquisa

Três deles responderam que se dedicam à criação das abelhas de 1 a 2 horas por semana, os outros admitem gastar entre 12 a 20 horas em média em razão das atividades principais desempenhadas.

Para quatro dos entrevistados, a associação é importante, pois se o associado desejar pode ocupar a estrutura da mesma para embalar o produto em potes de um quilo e meio quilo, além de sachês, pode conseguir convênios para cursos de capacitação e obter orientação sobre organização. Um entrevistado destacou que há a troca de serviços na coleta do mel, ou seja, quando um necessita, pede ajuda e recebe, trocando experiências e serviços.

As decisões tomadas na atividade são individuais, de acordo com três entrevistados, os demais responderam buscar orientações dos demais associados. Muito embora a maioria destacasse não obter qualquer apoio de órgãos governamentais, responderam ter feito vários cursos no SENAR, um órgão que presta serviços com apoio do governo.

3.4 Comercialização e responsabilidade social do Apicultor

Esta categoria de análise procurou identificar a percepção do apicultor em relação à comercialização do mel e sobre a responsabilidade social.

Todos foram unânimes ao responder que sabem muito bem da importância da apicultura para o meio ambiente, frisando que é na polinização das plantas e culturas. Segundo eles, o reflorestamento por meio de árvores que dão flores e frutos é efetuado dentro de suas possibilidades. A respeito desse assunto, Santos e Ribeiro (2009) destacam que muitos apicultores se limitam apenas a explorar a vegetação existente, logo não alteram o ambiente inserindo novas espécies para aumentar as floradas. No entanto, ficou evidente que há entre os apicultores entrevistados, grande preocupação com a sustentabilidade para as novas gerações, pois a maioria respondeu que faz reflorestamento com plantas que dão flores e frutos e, ainda, se preocupam com o uso de agrotóxicos, conforme demonstrado no Quadro 5.

Quadro 5 Percepções do apicultor sobre o meio ambiente e a responsabilidade social 

Entrevistado 1 2 3 4 5
Importância do apicultor para o meio ambiente Preservação, reflorestamento e não agressão Reflorestamento e controle no uso de agrotóxicos Reflorestamento com árvores frutíferas e que deem flores Preservação e reflorestamento de várias espécies que produzem flores Preservação através de reflorestamento
Ouviu falar sobre responsabilidade social Sim, já ouvi nos cursos realizados Sim, Tem que manter uma distância das casas, de animais e de estradas Sim, na televisão Sim, já ouvi Sim, com certeza
Significado de responsabilidade social Compromisso com o bem-estar da sociedade, com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável Não sei dizer Fazer doações para as pessoas que não tem condições Cada um tem que respeitar o meio ambiente para não prejudicar as demais pessoas Não sei o que significa
Requisitos do mel para ser comercializado Higiene; diferenciado; não sofrer interferência humana; natural Saudável; natural; não tem interferência externa; qualidade Natural; qualidade; alimento saudável; não tem interferência humana Qualidade; natural Qualidade; higiene; boa armazenagem; não tem interferência
Responsabilidade em relação à sociedade pela venda do mel Na qualidade e na higiene Qualidade e higiene No bem-estar social, pois o mel influencia na qualidade de vida Qualidade Boa qualidade, higiene e na saúde

Fonte: os autores com base na pesquisa

De acordo com o quadro 5, no que se refere à responsabilidade do apicultor com o meio ambiente, os mesmos destacaram que fazem reflorestamento com plantas nativas, mas ficam preocupados com o avanço da cultura canavieira sobre os pastos apícolas. Para Santos e Ribeiro (2009) há o crescimento de uma consciência ambiental e alimentar, na busca de um estilo de vida mais saudável, e nesse sentido as abelhas ocupam importante papel na polinização de plantas que são utilizadas na alimentação humana.

Todos responderam que já ouviram falar em responsabilidade social. Foi questionado então: qual o significado de responsabilidade social? Um dos entrevistados evidenciou que: "É um compromisso com o bem-estar da sociedade, com o meio ambiente e com o desenvolvimento sustentável". Outros dois responderam que nos cursos feitos falaram sobre o assunto, e que eles seriam responsáveis por qualquer acontecimento ocasionado por abelhas de seu apiário, assim deviam mantê-los a uma determinada distância de casas e estradas por onde trafegam pessoas e animais, porém não conseguiram responder a questão. Um dos entrevistados respondeu que a responsabilidade social é efetuar doações para pessoas pobres, creches e outros. Outro destacou que: "Cada um tem que respeitar o meio ambiente para não prejudicar os outros".

Observa-se que a concepção de responsabilidade social presente entre os apicultores é diversa, abrangendo tanto as questões mais sistêmicas do conceito e também evidenciando o aspecto mais filantrópico. Contudo, não fica claro que a responsabilidade social orienta o processo de gestão da atividade naqueles aspectos evidenciados na norma ISO 26000 como Responsabilidade; Transparência, Comportamento Ético; Consideração pelas partes interessadas; Legalidade; Normas Internacionais; e Direitos Humanos (MENDONÇA; VIEIRA; TARGINO, 2013)

Observa-se que a preocupação apresentada por Buainain e Batalha (2007), sobre a responsabilidade social ir além da preocupação interna e envolver os demais elos da cadeia, não está presente na preocupação dos apicultores que apresentam uma visão mais pontual de sua atividade.

Segundo os entrevistados, o mel extraído é da mais alta qualidade, pois são todos decorrentes de floradas silvestres, e que possuem todos os requisitos para serem comercializados, pois são beneficiados com muito cuidado e de forma higiênica não sofrendo qualquer tipo de interferência externa. Contudo, é importante observar que desde o ano de 2000, há alguns requisitos a serem observados para a qualidade do mel. Esses requisitos estão divididos em dois tipos de análise: sensoriais e físico-químicas. As sensoriais dizem respeito à cor, sabor e aroma, e consistência do mel. As físico-químicas devem avaliar a maturidade, a pureza e a deterioração do produto (BRASIL, 2000).

Questionados de sua responsabilidade em relação ao produto, frisaram que a responsabilidade é comercializar um produto de qualidade, pois poderão influenciar na qualidade de vida dos consumidores. No entanto, o mel vendido não foi atestado para identificar e avaliar a qualidade de acordo com o padrão requerido pela Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Um aspecto fica claro, o entendimento que os pesquisados têm de um produto de qualidade se refere aquele que possui bom sabor, produzido com pasto apícola natural, além da prática de não transportar as abelhas para lugares com pastos diferenciados ou até mesmo utilizar-se de xarope de açúcar e água como pasto para fabricação do mel. Todas essas medidas, segundo eles, permitem produzir um mel saboroso, com boa durabilidade e dentro de padrões de higiene.

Como questão final, foi solicitado que falassem a respeito de outros assuntos sobre a atividade. Três apicultores responderam que efetuam todo o processo desde a retirada até a comercialização do produto, embora não tenham um ambiente exclusivo para o beneficiamento da produção e nem todos os equipamentos necessários para isso. Não possuem qualquer tipo de fiscalização, seja municipal (vigilância sanitária), estadual ou federal, mesmo assim destacam o cuidado com a qualidade e higiene de seus produtos. Um deles respondeu ter um ambiente propício com todos os equipamentos e cuidadosa higiene e o outro destacou que ocupa as instalações da Associação, que atende a todos os requisitos, pois é atestado da vigilância sanitária.

Um dos entrevistados observou que a maior dificuldade na atividade é com o pasto apícola, pois tem que arrendar terras de terceiros e gostaria de ter a própria, mas falta apoio governamental para isso. Evidenciou possuir estoque da produção de 2011/12 que ainda não conseguiu vender e por isso colocou à venda metade de suas colmeias com todo o mel a ser extraído (acredita que tenha perto de mil quilos de mel nessas colmeias).

Enquanto um destacou que a atividade tem um retorno muito bom, outro respondeu que o retorno é muito baixo, pelo fato de não estar classificado como agricultor familiar, o que dificulta a venda da produção para algumas entidades públicas. Um dos entrevistados descreveu que a ampliação da cultura canavieira com o uso de agrotóxicos pulverizados por meio de avião, nas proximidades dos apiários, inviabiliza a apicultura. Enquanto alguns elogiam a atividade dizendo que há um amplo mercado para os produtos, outros reclamam que a atividade não tem a atenção governamental que precisa.

No entendimento dos entrevistados destaca-se também, a certeza que os mesmos têm em demonstrar a qualidade dos produtos, uma vez que o mel é produzido pelas abelhas em floradas silvestres, mesmo sem nenhum tipo de inspeção que ateste esta qualidade. Em visita de campo a outra propriedade em outra cidade, em um ambiente com inspeção federal, o proprietário, especializado na atividade, informou que o mel produzido pelas abelhas não tem como ser melhorado, pois é rigorosamente limpo, o maior desafio é beneficiar o produto sem contaminá-lo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nas últimas décadas o mundo está passando por transformações, que preocupam a sociedade que já pensa diferente em relação ao consumo dos produtos e procura saber a forma como foram produzidos em seu local. Assim é necessário que as empresas se insiram nessa nova realidade, tentando reconhecer as carências de cada grupo social, para que tenham condições de planejar ações mais significativas e contribuir para o bem-estar, a dignidade humana, o desenvolvimento social e a preservação dos ambientes naturais.

O artigo objetivou identificar a percepção e as dificuldades que os produtores têm em adotar práticas mais responsáveis social e ambientalmente. Nesse sentido, se percebeu a importância da apicultura para o meio ambiente, com ações voltadas para reflorestamento e utilização consciente de agrotóxicos. As abelhas são muito importantes para a polinização das plantas silvestres e para as culturas produzidas, que com certeza, provocarão alterações na qualidade de vida das futuras gerações. A pesquisa demonstrou que os entrevistados procuram de alguma forma melhorar o meio ambiente em que vivem por meio da plantação de mudas de árvores em suas propriedades, bem como no cuidado necessário ao uso de agrotóxicos.

A responsabilidade social, para a maioria dos entrevistados foi evidenciada como um diferencial no produto com qualidade e higiene durante o seu processamento. Afirmam que ao não interferirem no processo de produção já estão efetuando sua responsabilidade social, em que deixam claro que as abelhas coletam somente das flores silvestres. Portanto, uma concepção limitada à dimensão ambiental e sem ênfase nos demais pilares propostos pela ISO 26000.

O diferencial compreendido foi somente relacionado ao pasto apícola, visto que a higiene carece de ambientes específicos para não haver contaminação do mel durante o beneficiamento. Percebeu-se que, em alguns casos, a responsabilidade social é confundida com atividade de filantropia e que, por ser ainda ser considerada recente, provoca relativa confusão até entre estudiosos e acadêmicos. A pesquisa demonstrou não ser diferente e até aceitável entre os apicultores confundir esses termos. Mesmo assim, pode-se dizer que a responsabilidade social do apicultor consiste mais nas preocupações com o meio ambiente, influenciando as tomadas de decisões em seus negócios, do que com o comprometimento para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar social.

Os resultados da pesquisa ainda demonstraram que a apicultura é uma atividade lucrativa. No entanto, se percebeu que, por não estarem bem organizados têm dificuldades em comercializar seus produtos. Mesmo com alto nível educacional dos entrevistados, em relação a outros trabalhos realizados em termos de Brasil, demonstraram não ter conhecimentos de organização empresarial e finanças, além de não terem controles formais sobre a produção e pouca habilidade gerencial.

Comparando os dados da pesquisa com realidades rurais, analisadas por autores citados no trabalho, se percebe semelhanças nos aspectos ora abordados, em relação à produção e a dificuldade de venda e distribuição da produção. Observou-se que a responsabilidade social na apicultura carece de outros trabalhos que tragam um melhor entendimento das políticas públicas voltadas ao setor, principalmente no estado de MS que tem muito potencial de crescimento nessa atividade para os próximos anos.

Em relação à responsabilidade social dos apicultores, percebe-se que está mais vinculada pela ética de cada um em relação ao comprometimento social. Embora existam alguns indicadores para comprovar a qualidade do mel produzido, além de órgãos públicos (vigilância sanitária) que possam atestar as mínimas condições de higiene, nada disso é realizado pela associação. Uma proposta para qualificar o mel produzido é realizar análises físico-químicas para avaliar a maturidade, a pureza e a deterioração do produto, de acordo com os padrões exigidos atualmente, e destaca-los nos rótulos dos produtos.

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Recebido: 14 de Março de 2015; Aceito: 09 de Julho de 2015

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