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Estudos de Psicologia (Natal)

On-line version ISSN 1678-4669

Estud. psicol. (Natal) vol.7 no.1 Natal Jan. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2002000100002 

Estratégias de coping e estilo atribucional de crianças em eventos estressantes

 

Débora Dalbosco Dell'Aglio
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Cláudio Simon Hutz
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

 

Resumo

Este estudo investigou estratégias de coping, definidas como esforços cognitivos e comportamentais utilizados frente a circunstâncias adversas, e o estilo atribucional de crianças de oito a dez anos. As crianças foram entrevistadas e suas respostas permitiram identificar 100 eventos, as estratégias utilizadas pelas crianças para lidarem com a situação estressante e suas atribuições causais para a ocorrência do evento. Os resultados indicaram uma utilização preferencial de estratégias de busca de apoio social e de ação agressiva frente ao conflito. Como estratégia alternativa, as crianças apontaram preferência pela estratégia de ação direta. A distração foi a estratégia mais utilizada para lidar com as emoções desencadeadas pelo evento. Nos eventos que envolveram conflitos com adultos, as estratégias de ação direta, evitação e aceitação foram mais utilizadas, enquanto que com pares as estratégias de ação agressiva e busca de apoio social foram mais freqüentes. Não foram encontradas relações significativas entre as estratégias de coping e estilo atribucional. Os resultados deste estudo reforçam a posição de que as estratégias de coping não são simplesmente disposicionais, mas determinadas pelo contexto do evento estressante.

Palavras-chave: Eventos estressantes, Coping; Estilo atribucional, Crianças.

 

Abstract

Coping strategies and attributional styles of children facing stressful events
This study investigated coping strategies, defined as cognitive and behavioral efforts to deal with stressful situations, and the attributional styles utilized by 8-10 year-old children. The children were interviewed and their responses led to the identification of 100 stressful events, the strategies they employed to deal with theses events, and their causal attributions for the events. The results indicated that the strategies children used more often to deal with conflict were to look for social support and aggressive actions. As an alternative strategy, the children indicated a preference for direct action. Distraction was the main strategy to deal with emotions elicited by the event. Direct action, avoidance, and acceptance strategies were more used in situations involving conflicts with adults, while aggressive actions and seeking social support were more frequent in situations involving peers. No significant differences were identified between coping strategies and attributional styles. The results of this study support the hypothesis that coping strategies are not dispositional and that they seem to be determined by the context of the event.

Key words: Stressing events, Coping, Attributional style, Children.

 

 

Teoricamente, eventos estressantes, de maior ou menor magnitude na vida de crianças e adolescentes, têm sido relacionados a problemas emocionais e de comportamento (Boekaerts, 1996; Compas, Malcarne & Fondacaro, 1988). Há, no entanto, uma variação no que se refere à forma como as crianças lidam com eventos adversos e que se deve, em parte, a diferenças na disponibilidade de recursos e estratégias utilizadas (Beresford, 1994; Compas, Banez, Malcarne & Worsham, 1991; Folkman, 1984; Rossman, 1992). Entre estes recursos, encontram-se as crenças relacionadas ao controle, e que fazem parte do estilo atribucional do indivíduo.

A maioria dos trabalhos sobre processos de coping na criança tem usado a teoria de estresse de Lazarus e Folkman (1984) que os definem como um conjunto de esforços cognitivos e comportamentais utilizados pelos indivíduos com o objetivo de lidar com demandas específicas, internas ou externas, que surgem em situações de estresse e são avaliadas como sobrecarregando ou excedendo seus recursos pessoais. No entanto, Compas (1987) aponta a necessidade de outras formulações para aplicar as noções de estresse e coping às ações de crianças, já que precisam ser consideradas a dependência da criança em relação ao adulto e as características básicas do seu desenvolvimento cognitivo e social.

Ryan-Wenger (1992) e Peterson (1989) também defendem a necessidade de desenvolver uma teoria de stress-coping específica para crianças. Ryan-Wenger considera que os estressores da criança são diferentes dos estressores dos adultos, pois se referem a situações com os pais, outros membros da família, professores ou condições sócio-econômicas que estão fora de seu controle direto, e, geralmente, são mais difíceis de serem modificados pela própria criança do que pelos adultos. Peterson considera que o nível de desenvolvimento cognitivo também influencia a utilização de determinadas estratégias na medida em que a criança necessita realizar uma avaliação do evento estressor para iniciar uma ação adaptativa.

Diversos modelos têm sido utilizados para direcionar as pesquisas sobre as formas com que crianças e adolescentes lidam em situações de estresse. Estes incluem o modelo de avaliação cognitiva (Lazarus & Folkman, 1984), o modelo de duas dimensões de controle primário e secundário (Band & Weisz, 1988) e o modelo monitoring-blunting (Miller, 1981). Apesar da aparente diversidade de modelos coexistentes nesta área, todas as abordagens enfatizam uma distinção básica entre os dois tipos fundamentais de coping, baseados na intenção ou na função dos esforços de coping. O primeiro tipo de coping refere-se ao esforço para mudar ou administrar alguns aspectos de uma pessoa, do ambiente ou de uma relação entre estes, que é percebida como estressante. Este tipo de coping tem sido chamado de coping focalizado no problema (Lazarus & Folkman, 1984), coping controle primário (Band & Weisz, 1988), coping de aproximação (Altshuler & Ruble, 1989), ou monitorador (Miller, 1981). O segundo tipo de coping envolve esforços para administrar ou regular as emoções negativas associadas ao episódio de estresse e tem sido rotulado como coping focalizado na emoção (Lazarus & Folkman, 1984), coping controle secundário (Band & Weisz, 1988), manipulação da emoção, redução da tensão ou evitação (Altshuler & Ruble, 1989) ou desatento (Miller, 1981).

Em geral, os estudos sobre coping na infância apresentam diferentes estratégias para descrever os pensamentos e comportamentos utilizados frente a situações estressantes. Ryan-Wenger (1992) apresenta uma taxonomia, através de uma síntese de trabalhos empíricos sobre estratégias de coping na criança, chegando a similaridades nos resultados destes estudos. Foram identificadas, inicialmente, 145 estratégias, que foram agrupadas de acordo com algumas características fundamentais comuns, chegando, então, ao estabelecimento das seguintes categorias: atividades agressivas, comportamento de evitação, comportamento de distração, evitação cognitiva, distração cognitiva, solução cognitiva de problemas, reestruturação cognitiva, expressão emocional, resistência, busca de informação, atividades de isolamento, atividades de autocontrole, busca de suporte social, busca de suporte espiritual e tentativa de modificação do estressor.

Os estudos de coping com crianças vêm investigando eventos de vida considerados estressantes, tais como situações envolvendo o divórcio dos pais, situações de hospitalização da criança, consultas médicas e odontológicas e situações relacionadas a resultados escolares (Ayers, Sandler, West & Roosa, 1996; Carson & Bittner, 1994; Compas, Malcarne & Fondacaro, 1988; Kliewer & Sandler, 1993; Rudolph, Denning & Weisz, 1995; Weisz, McCabe & Denning, 1994). Nestas pesquisas têm sido descritas diferenças potenciais relacionadas ao gênero e à idade no uso das estratégias de coping. Verificou-se que o gênero pode influenciar a escolha das estratégias de coping porque meninos e meninas são socializados de forma diferente. As meninas podem ser preferencialmente socializadas para o uso de estratégias pró-sociais, enquanto que os meninos podem ser socializados para serem independentes e utilizar estratégias de coping competitivas (Lopez & Little, 1996).

Quanto à idade, Heckhausen e Schulz (1995) sugerem que as habilidades necessárias para usar coping emergem em diferentes períodos do desenvolvimento. Para Compas, Banez, Malcarne e Worsham (1991), as habilidades para coping focalizado no problema parecem ser adquiridas mais cedo, nos anos pré-escolares, desenvolvendo-se até aproximadamente oito a dez anos de idade. As habilidades de coping focalizado na emoção tendem a aparecer mais tarde na infância e se desenvolvem durante a adolescência, já que as crianças muito pequenas ainda não têm consciência de seus próprios estados emocionais e ainda não conseguem auto-regular suas emoções. Os adolescentes utilizam mais coping focalizado na emoção do que as crianças, mas não diferem de jovens adultos, sugerindo que estas mudanças no desenvolvimento de coping ocorrem até o final da adolescência (Compas et al., 1991).

Estratégias de coping e estilo atribucional

O estilo atribucional se refere à tendência do sujeito a fazer tipos particulares de inferências causais aos eventos que o rodeiam, através de diferentes situações e através do tempo (Metalsky & Abramson, 1981). Envolve processos cognitivos utilizados na atribuição de causas aos eventos percebidos e que refletem o grau em que o indivíduo percebe os eventos como contingentes ao seu próprio comportamento (interno) ou como contingentes a fatores, como a sorte, poder dos outros ou destino (externo). Weiner (1983) ainda apresenta propriedades comuns a essas possíveis causas e que podem se apresentar em três dimensões causais: a) locus (interno ou externo); b) estabilidade (estável ou instável); c) controlabilidade (controlável ou incontrolável).

A associação entre estilo atribucional e processos de coping tem recebido considerável atenção nos modelos cognitivos de estresse e coping, assim como em modelos de controle percebido. Folkman (1984) apresenta uma série de relações entre crenças de controle, avaliação da ameaça ou desafio e o uso de coping focalizado no problema ou na emoção. Embora existam evidências de que ambos sejam ligados à percepção de controle (Folkman & Lazarus, 1980), eles podem ser diferenciados: o coping focalizado no problema pode estar relacionado aos sentimentos do indivíduo de controle percebido sobre a situação estressante, enquanto que coping focalizado na emoção, pode estar ligado aos sinais internos de tensão emocional.

As crenças sobre controle têm sido apontadas como um importante recurso pessoal de coping, pois funcionam como moderadoras na relação ajustamento-estresse (Beresford, 1994). Em geral, os autores têm relacionado a internalidade ao coping adaptativo, já que os indivíduos que acreditam que podem afetar o curso de suas vidas se mostram menos vulneráveis aos efeitos do estresse. Compas et al. (1991) afirmam que as crenças sobre a controlabilidade dos eventos estressantes podem influenciar o grau em que um indivíduo tenta administrar ou mudar as circunstâncias, assim como tenta tolerar ou se ajustar às situações adversas. Além disso, as percepções do controle pessoal podem também aumentar ou diminuir como resultado da percepção da efetividade dos esforços pessoais para mudar condições que são ameaçadoras ou desafiadoras. No entanto, a natureza do relacionamento entre locus de controle, coping e ajustamento não é, necessariamente, sempre direta e este relacionamento torna-se complexo quando outros recursos de coping são considerados.

Num estudo sobre percepções de controlabilidade, como determinantes de coping entre adolescentes e jovens adultos, Gamble (1994) demonstrou que a tendência a assumir a responsabilidade pela causa do evento foi significativamente preditiva para respostas de coping de solução do problema e de busca de apoio, enquanto as respostas de causa desconhecida para os eventos apareceram relacionadas às estratégias de coping de evitação e às estratégias independentes.

Considerando a escassez de investigações sobre coping em crianças no Brasil, o objetivo principal deste estudo foi o de investigar as estratégias de coping utilizadas por crianças em situações estressantes e o estilo atribucional das crianças em relação aos eventos relatados. Foram, ainda, observadas as variáveis sexo e o tipo de evento ocorrido, considerando-se o domínio em que ocorre o evento e o tipo de interação ocorrida entre os participantes (entre pares ou com adultos). Embora a maioria dos estudos sobre coping na infância investigue as estratégias utilizadas em diferentes domínios, como no social, escolar ou familiar (Boekaerts, 1996), não tem sido dada atenção ao tipo de interação ocorrida entre os participantes do evento. Além disso, também foram investigadas as estratégias alternativas para lidar com o evento e as estratégias para lidar com as emoções desencadeadas pelo mesmo.

 

Método

Participantes

Participaram da pesquisa 55 crianças, de ambos os sexos, entre oito e dez anos de idade (M= 8,8 anos; d.p.= 0,75) que freqüentavam a terceira série do primeiro grau de escolas públicas de Porto Alegre e São Leopoldo. Foram entrevistados 27 meninos (49,1%) e 28 meninas (50,9%). O nível sócio-econômico das famílias cujos filhos freqüentam estas escolas tende a ser médio-baixo a baixo.

Instrumentos

Foi utilizada uma entrevista semi-estruturada que tinha como objetivo coletar dados de identificação, investigar eventos de vida positivos e negativos (situações estressantes), as estratégias de coping utilizadas pelas crianças para enfrentar os eventos negativos e os estilos atribucionais apresentados por elas em relação àqueles.

As estratégias de coping foram avaliadas, durante a entrevista, através de questões que se referiam à ocorrência do evento estressante relatado em diferentes momentos. Dessa forma, pode-se chegar a três tipos de ações da criança frente ao evento:

- Ação Efetiva: refere-se à estratégia utilizada pela criança frente ao evento relatado, respondendo à questão "o que fizeste?";

- Ação Alternativa: refere-se à resposta de solução alternativa apresentada pela criança, respondendo à questão "poderias ter feito outra coisa?";

- Ação para lidar com a Emoção: refere-se à forma como a criança lidou com a emoção resultante do evento, respondendo à questão "o que fizeste para te sentir melhor?".

Foi realizado um estudo-piloto com o objetivo de testar o roteiro utilizado para a entrevista. Este estudo demonstrou que as crianças entenderam as questões e foram capazes de respondê-las de forma objetiva, relatando eventos e descrevendo a forma como lidaram com as situações estressantes.

Procedimento

As entrevistas foram realizadas por entrevistadoras treinadas, garantindo-se o sigilo. Cada criança foi entrevistada individualmente, nas escolas selecionadas, procurando levantar um ou mais eventos estressantes ocorridos recentemente. As entrevistas foram gravadas e transcritas.

Uma análise do conteúdo das respostas (Bardin, 1977) permitiu a identificação de categorias para classificação dos eventos estressantes (por domínio e tipo de interação entre os participantes), estilo atribucional e estratégias de coping. As entrevistas foram avaliadas por dois juízes independentes para se calcular índices de concordância.

 

Resultados

Categorias de análise

Inicialmente, foram analisados os eventos negativos e positivos relatados. Os eventos positivos envolviam situações prazerosas vivenciadas pelas crianças, enquanto que os eventos negativos envolviam situações de estresse, dificuldades e conflitos. Os eventos positivos foram coletados por razões metodológicas, mas como não eram de interesse para esse estudo eles não foram analisados.

Os eventos negativos estressantes foram classificados conforme o domínio em que ocorreram e quanto ao tipo de interação entre participantes. As categorias identificadas referentes ao domínio foram:

1. Familiar: evento ocorrido em casa, envolvendo familiares;

2. Escolar: evento ocorrido na escola, com colegas ou professoras;

3. Social: eventos envolvendo amigos ou conhecidos;

4. Pessoal: situações individuais, como machucar-se ou ser assaltado.

As categorias para classificação do tipo de evento, conforme a interação ocorrida entre os participantes, foram:

1. Com Pares: quando o evento ocorre na relação com pares, como colegas, irmãos, primos, vizinhos ou amigos, com os quais não existe uma relação de autoridade.

2. Com Adultos: quando o evento ocorre na relação com pessoas adultas, sejam professores, pais, tios, ou pessoas que de alguma forma exercem uma relação de autoridade em relação à criança.

3. Outro: quando o evento ocorre em situações não claras, em que não se pode determinar se a situação de estresse se deu na relação com adultos, com pares, ou mesmo com ambos, ou, ainda, se ocorreu quando a criança estava sozinha.

O estilo atribucional foi definido de acordo com o locus da atribuição de causalidade apresentada:

1. Externo: quando o evento era atribuído a outras pessoas, a Deus, ao destino, à sorte.

2. Interno: quando o evento era atribuído à própria criança, demonstrando sentir-se responsável pelo que aconteceu.

Tomando-se como referência as estratégias de coping apontadas na literatura (Kliewer, 1991; Ryan-Wenger, 1992) e através da análise de conteúdo das respostas apresentadas pelas crianças, pelo seu significado semântico, as estratégias foram classificadas nas seguintes categorias:

1. Ações agressivas: este tipo de estratégia inclui ações físicas ou verbais que possam causar danos a pessoas, animais ou objetos. Engloba respostas como manifestações de raiva, atitudes descontroladas, uso de violência física ou verbal, brigas. Exemplos: "peguei e bati nele", "eu briguei com ele, dei um chute nele".

2. Evitação: este tipo de estratégia inclui tentativas cognitivas ou comportamentais de manter-se longe do estressor. Engloba respostas, como procurar esquecer, evitar o problema, fugir da situação, ir para outro lugar, deixar o tempo passar, afastar-se das pessoas envolvidas. Exemplos: "esqueci de tudo aquilo", "eu peguei e fugi", "sai correndo e me tranquei no quarto".

3. Distração: este tipo de estratégia envolve comportamentos ou pensamentos que adiam a necessidade de lidar com o estressor. Engloba respostas, como fazer coisas para não pensar no problema, jogar, assistir TV, ouvir música, brincar, sair com amigos. Exemplos: "quando acontece alguma coisa eu brinco", "fui jogar bola com meus amigos".

4. Apoio Social: este tipo de estratégia envolve comportamentos não agressivos de busca de uma pessoa por razões emocionais ou instrumentais. A busca de apoio social por razões emocionais engloba respostas, como buscar contato físico, falar com alguém, desabafar, pedir conforto. A busca de apoio social por razões instrumentais se refere à busca de pessoas que possam resolver ou auxiliar na resolução do problema ou, ainda, que possam protegê-lo do estressor. Exemplos: "chamei a minha mãe", "contei pra minha vó e ela me falou umas coisas".

5. Ação Direta: este tipo de estratégia envolve comportamentos que eliminam o estressor ou modificam as características da situação estressante. Engloba respostas, como resolver o conflito enfrentando-o, pedindo desculpas, conversando, tentando encontrar uma solução, propondo uma alteração da situação estressora, buscando consenso. Exemplos: "fiquei falando com ela pra ver a importância de um amigo", "pedi pra fazer as pazes", "pedi desculpas pra ele".

6. Inação: neste tipo de estratégia o indivíduo não apresenta nenhuma ação frente à situação estressante. Engloba respostas, como não fazer nada, ficar parado, bloquear-se, não tomar nenhuma iniciativa. Exemplos: "não fiz nada", "só fiquei lá, quieto".

7. Outra: nesta categoria se enquadram as situações em que a criança não respondeu à questão.

Os índices de concordância obtidos entre juízes foram os seguintes: categorias referentes aos domínios em que ocorreram os eventos, 100%; tipo de interação entre os participantes do evento, 96,2%; estilo atribucional, 81%; estratégia de coping na ação efetiva, 92,3%; ação alternativa, 92,3%; ação para lidar com a emoção, 84,7%.

Eventos estressantes e estratégias de coping

As análises deste estudo foram realizadas com os 100 eventos estressantes relatados (44 crianças relataram dois eventos e 12 apenas um). Os percentuais de utilização de cada categoria de estratégias, nos três momentos distintos de ocorrência do evento, referentes à ação efetiva (a estratégia utilizada pela criança frente ao evento), à ação alternativa (estratégia que poderia ter sido utilizada) e à ação para lidar com a emoção, são apresentadas na Tabela 1.

 

 

Pode-se observar que, frente ao evento (ação efetiva), as crianças apresentaram uma maior freqüência na categoria de estratégia de busca de apoio social como forma de lidar com a situação estressante. O teste de diferenças entre proporções (Hays, 1973) mostrou que há uma diferença significativa entre as respostas de distração e apoio social e entre apoio social e inação (p<0,01).

Quando uma ação alternativa frente ao evento era solicitada à criança, ou seja, se ela poderia ter feito outra coisa para lidar com a situação, 48% das crianças não apresentaram outra estratégia por considerarem que a estratégia utilizada foi eficaz. Foram então consideradas, para as análises, o total de respostas alternativas apresentadas. Houve um maior percentual na categoria de ação direta (55,5%), com diferença significativa em relação a todas as outras categorias (p<0,01).

Entre as estratégias utilizadas para lidar com a emoção, houve um predomínio de respostas de distração (51,8%), utilizada mais freqüentemente do que todas as outras (p<0,01). As crianças verbalizaram a emoção relacionada à situação relatada em 63% dos eventos, referindo terem se sentido tristes, chateadas ou com raiva. Cerca de 25% das crianças não verbalizaram suas emoções e, em 12% dos casos, houve falha da entrevistadora, que não coletou essa resposta apropriadamente.

As ações apresentadas pela criança frente ao evento também foram analisadas de acordo com o domínio em que ocorreu o mesmo. Foram encontrados 34% de eventos familiares, 43% de eventos escolares e 23% de eventos social/pessoal. Para a análise dos resultados, as categorias de eventos social e pessoal foram agrupadas, considerando-se as baixas freqüências encontradas. A estratégia de apoio social foi a mais freqüente em todos os domínios, embora não tenha sido encontrada diferença significativa entre eles. Também não foram encontradas diferenças significativas na utilização de estratégias de coping entre meninos e meninas.

Foram, então, realizadas análises quanto ao tipo de interação entre os participantes envolvidos no evento estressante. Dos 100 eventos estressantes analisados, 89 puderam ser classificados quanto ao tipo de interação ocorrida, sendo 68 eventos com pares (76,4%) e 21 eventos com adultos (23,6%). Onze eventos não puderam ser classificados porque envolviam tanto adultos como pares ou, ainda, porque eram situações em que a criança se encontrava sozinha. Os resultados das estratégias de coping por tipo de participante envolvido na situação estressante são apresentados na Tabela 2.

 

 

A análise da Tabela 2 indica que foi encontrada uma diferença significativa entre as freqüências do uso das distintas estratégias de coping nas situações envolvendo pares e adultos (c²=16,49; gl=5; p<0,05). É possível observar uma maior freqüência das estratégias de ação agressiva e apoio social nos eventos com pares e das estratégias de ação direta, evitação ou inação nos eventos que ocorrem com adultos. O teste para cálculo das diferenças entre proporções identificou valores significantes na estratégia de ação agressiva (p<0,01), que ocorre somente entre pares, e na estratégia de ação direta (p<0,01), que ocorre mais freqüentemente nas situações que envolvem adultos.

Estilo atribucional

A análise, através do Qui-quadrado, das freqüências encontradas em cada estratégia de coping por estilo atribucional, demonstrou que não houve diferença significativa entre elas, embora tenha sido encontrada uma freqüência mais elevada de atribuição externa entre as crianças que utilizaram a estratégia de busca de apoio social. Na Tabela 3 são apresentados os resultados dos estilos atribucionais por sexo, domínio em que ocorre o evento estressante e participantes nele envolvidos.

 

 

Analisando-se os dados da Tabela 3, referente à variável sexo, observa-se que as meninas utilizaram o estilo atribucional externo (63%) mais freqüentemente do que o interno (37%) (p<0,01). Entre os meninos, a distribuição apresentou-se equilibrada entre as atribuições internas e externas. Não houve diferenças significativas entre as freqüências de atribuições internas e externas entre meninos e meninas.

Uma análise da ocorrência de estilos atribucionais por domínio em que ocorre o evento mostrou que no domínio escolar houve uma diferença significativa (p<0,02) entre os estilos, predominando o estilo externo (63%). Nos demais domínios não foram encontradas diferenças significativas entre estilos atribucionais, mas notou-se que atribuições externas foram mais freqüentes em todos, exceto no domínio familiar em que houve predominância de atribuições internas.

Nos eventos ocorridos com pares, predominou o estilo atribucional externo (65%) (p<0,01). No entanto, nos eventos com adultos não foi encontrada diferença significativa entre os estilos atribucionais.

 

Discussão

Os resultados deste estudo apontaram categorias que indicam as estratégias mais utilizadas pelas crianças da faixa etária de oito a dez anos, permitindo um maior entendimento dos processos cognitivos por elas utilizados frente a situações estressantes. Os índices de concordância encontrados entre juízes permitem concluir que as categorias foram claramente definidas e de forma objetiva. Em geral, as categorias identificadas são também citadas em outros estudos (Ryan-Wenger, 1992), embora algumas como busca de apoio espiritual, reestruturação cognitiva, resistência e expressão emocional não tenham sido encontradas na nossa amostra. Outras categorias, como distração cognitiva e comportamento de distração, assim como comportamento de evitação e evitação cognitiva, foram agrupadas devido à dificuldade em diferenciá-las nas respostas das crianças. Além disso, a categoria de inação (Kliewer, 1991; Losoya, Eisenberg & Fabes, 1998) foi também identificada. Na categoria de ação direta foram englobadas as estratégias de resolução cognitiva do problema e de tentativa de modificação do estressor.

Em relação aos diferentes domínios em que ocorreram os eventos estressantes relatados, pode-se observar uma freqüência maior de eventos escolares, mas não foram encontradas diferenças entre as estratégias utilizadas entre eles. Pode-se, apenas, observar uma preferência pela estratégia de busca de apoio social, em todos os domínios. Este resultado pode indicar que este tipo de estratégia pode estar mais relacionado à idade dos sujeitos do que ao domínio em que ocorre o evento, tendo em vista que as crianças investigadas apresentam entre 8 e 10 anos de idade e tendem a recorrer mais freqüentemente a adultos quando estão diante de dificuldades. Esse achado estaria, assim, corroborando estudos que indicam uma maior dependência da criança em relação aos adultos para lidar com as situações estressantes (Compas, 1987) e que muitos estressores da criança se referem a situações que estão fora de seu controle direto (Ryan-Wenger, 1992), levando-as à busca de apoio social. Este resultado difere dos resultados encontrados por Boekaerts (1996), que aponta o uso de diferentes estratégias de coping para diferentes domínios, demonstrando que as respostas são altamente consistentes dentro de determinado domínio.

Outro aspecto interessante pode ser observado quando foi analisado o tipo de interação ocorrida na produção do evento estressante, considerando os indivíduos envolvidos na situação. Os dados permitem concluir que as estratégias de coping utilizadas podem ser determinadas mais pelo tipo de interação ocorrida, isto é, se o evento ocorreu com pares ou com adultos, do que pelo tipo de domínio. Pode-se observar que as estratégias de ação agressiva e apoio social ocorreram mais entre os pares, demonstrando que nas situações de conflito com outras crianças é mais comum a ocorrência de atitudes agressivas ou, então, a busca de alguém que possa ajudá-la a enfrentar a situação. Nos eventos com adultos, pode-se observar a utilização de estratégias de ação direta, provavelmente empregadas quando havia condições de negociação com o adulto envolvido, ou, então, a utilização das estratégias de evitação ou inação, quando a negociação não era possível. Pode-se, assim, levantar a hipótese de que os eventos estressantes, que ocorrem com adultos, podem ser considerados como incontroláveis pela criança, levando a uma maior utilização de estratégias de evitação e de inação. Estas estratégias, embora sejam consideradas geralmente como mal adaptativas em adultos, podem funcionar como uma forma adequada para crianças enfrentarem situações percebidas como incontroláveis (Kliewer, 1991). Losoya et al. (1998) apontaram que coping de evitação e não fazer nada se tornam mais comuns com a idade e podem ser consistentemente relacionados com comportamento social apropriado, enquanto que coping agressivo e expressão emocional diminuem com a idade e são negativamente relacionados com função social positiva. Assim, a estratégia de evitação constitui-se numa forma construtiva de lidar com a situação de estresse, afastando-se do problema ou engajando-se em outra atividade, prevenindo, assim, que a situação de conflito se agrave.

Considerando os relatos sobre os diferentes momentos de situação estressante vivenciados, ou seja, considerando a ação efetiva, a ação alternativa e a ação para lidar com a emoção, pode-se ver claramente diferenças nas estratégias de coping utilizadas. Na ação efetiva houve uma utilização preferencial das estratégias de busca de apoio social e de ação agressiva frente ao conflito, embora se deva observar que a maioria dos eventos relatados ocorreu com pares, contribuindo, assim, para a ocorrência de freqüências maiores nestas estratégias. Já na estratégia alternativa, as crianças indicaram um maior uso da estratégia de ação direta. Este dado, indica que a criança tem consciência de que poderia lidar diretamente com o evento ocorrido, procurando resolvê-lo ou tentando encontrar para ele uma solução, embora efetivamente não o faça.

A distração foi a estratégia mais utilizada para lidar com a emoção desencadeada pelo evento relatado. Esta estratégia, no entanto, apresentou freqüências muito baixas quando foram comparadas às estratégias utilizadas para lidar com o evento em si. Ou seja, ela praticamente só ocorre quando a criança está efetivamente se referindo às suas emoções. Este resultado aponta para o fato de que a criança, embora já possa se dar conta das suas próprias emoções, ainda tem dificuldade para lidar com elas de uma forma mais direta, preferindo utilizar comportamentos ou pensamentos que adiam essa necessidade. Talvez isso ocorra porque as habilidades para coping focalizado no problema aparecem mais cedo na criança, enquanto que as habilidades de coping focalizado na emoção tendem a aparecer mais tarde e se desenvolvem na adolescência (Compas et al., 1991). Provavelmente, estas crianças já estejam conseguindo ter consciência de seus estados emocionais embora ainda não tenham desenvolvido a auto-regulação de suas emoções.

Não foram observadas diferenças entre os sexos quanto às estratégias de coping utilizadas, pois os resultados foram muito semelhantes entre meninos e meninas. Estes resultados contradizem os achados de Lopez e Little (1996), que indicaram um maior uso de estratégias pró-sociais entre as meninas e estratégias competitivas entre os meninos. Embora neste estudo não tenham sido feitas análises distinguindo as estratégias de coping como pró-sociais ou competitivas, poderia-se identificar esta direção através da categoria "ação agressiva". Mas, mesmo nesta categoria não foram encontradas diferenças entre os sexos.

Quanto à interação entre as estratégias de coping e estilo atribucional, os resultados indicaram uma maior freqüência do estilo externo entre as crianças que utilizam a estratégia de busca de apoio social, mas este efeito não foi significativo. Este resultado contradiz os estudos de Gamble (1994) que obtiveram maior utilização de atribuições internas nas crianças que utilizam a estratégia de apoio social. No entanto, parece razoável que crianças que não atribuam a si mesmas a causa dos eventos estressantes busquem a resolução dos mesmos através de outras pessoas. Provavelmente, estas diferenças nos resultados se devam a questões metodológicas, visto que neste estudo foi avaliado apenas o locus da atribuição, classificado em interno e externo, enquanto que, no estudo de Gamble, o locus foi subdividido em interno, externo e desconhecido, além de outras avaliações de controle, como conseqüências e habilidade de antecipação da ocorrência do evento.

Estes resultados apontam, portanto, para a necessidade de continuidade de estudos sobre coping em crianças, considerando o estilo atribucional de forma mais ampla, investigando, também, a percepção de controlabilidade sobre o evento estressante, além da dimensão internalidade/externalidade. Além disso, parece interessante reforçar a consideração do tipo de interação ocorrida entre os participantes nas situações enfrentadas pela criança, já que este aspecto parece ser mais determinante da escolha da estratégia a ser adotada do que a influência do domínio em que ocorre o evento.

Embora a literatura na área aponte para a influência específica dos domínios na determinação das estratégias utilizadas por crianças para lidar com situações estressantes (Boekaerts, 1996), nosso estudo indica uma influência significativa do tipo de interação ocorrida entre os participantes do evento, demonstrando uma complexidade adicional nas situações de estresse.

 

Agradecimento

Agradecemos às alunas do Curso de Psicologia da UFRGS, Andrea Stelter e Ana Paula Sabocinski, pela colaboração na coleta, transcrição e categorização dos dados.

 

Referências

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Débora Dalbosco Dell'Aglio, doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, RS.
Cláudio Simon Hutz, doutor em Psicologia do Desenvolvimento pela Univeristy of Iowa, EUA, é professor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Endereço para correspondência: Instituto de Psicologia, UFRGS, Ramiro Barcelos, 2600, 90035-003, Porto Alegre, RS. Fone: (51)316-5076. Fax: (51)330-4797. E-mail: [DDDA] dalbosco@cpovo.net; [CSH] claudio_hutz@terra.com.br.

Recebido em 06.02.01
Revisado em 19.12.01
Aceito em 25.04.02

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