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Estudos de Psicologia (Natal)

Print version ISSN 1413-294X

Estud. psicol. (Natal) vol.17 no.1 Natal Jan./Apr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2012000100003 

ARTIGOS

 

Características e dinâmica da família de adolescentes talentosos

 

Characteristics and dynamics of the family of talented adolescents

 

 

Jane Farias Chagas Ferreira; Denise de Sousa Fleith

Universidade de Brasília

 

 


RESUMO

O objetivo desse estudo foi descrever as características e a dinâmica da família de adolescentes talentosos. Participaram da coleta de dados 42 adolescentes com idade entre 12 e 18 anos que frequentavam um programa de atendimento ao superdotado e seus familiares. Um questionário de caracterização do sistema familiar e o inventário de Indicadores de Sucesso Parental, na versão filhos e pais, foram utilizados como instrumentos. Os resultados indicaram que mais da metade das famílias com adolescentes talentosos possuía uma configuração tradicional: cônjuges com filhos nascidos de sua própria união conjugal. Essas famílias priorizavam a educação e o desenvolvimento do talento dos filhos e a sua dinâmica envolvia um leque variado de atividades rotineiras e de lazer, entre as quais se destacaram aquelas relacionadas ao descanso, à escola, a assistir televisão e filmes e a visitar familiares. A avaliação dos genitores sobre seu desempenho parental foi mais positiva quando comparada à dos filhos adolescentes em todas as categorias avaliadas pelo PSI: comunicação, uso do tempo, ensino, frustração, satisfação e necessidade de informação. Os resultados desse estudo destacam o papel relevante da família como contexto de desenvolvimento do talento.

Palavras-chave: adolescentes; família; talento; superdotação.


ABSTRACT

The purpose of this study was to describe family characteristics and dynamics of talented adolescents. Forty-two adolescents between 12 and 18 years old who attended a program for gifted students and their family participated in the data collection. A family characteristics questionnaire and the Parent Success Indicator Inventory, children's and parents' versions were used as instruments. The results indicated that more than half of the families with talented adolescents had a traditional figure: spouses with children born of their own conjugal union. These families prioritized education and the development of their children's talents. The family dynamics involved a wide range of routine and leisure activities, among which stand out those related to the rest, to school, watching television and movies and visiting relatives. Parents evaluated their parental performance in a more positive way when comparing to the adolescents considering all the categories measured by the PSI: communication, use of time, teaching, frustration, satisfaction, and information needs. The results of this study highlight the relevant role of the family regarding talent development.

Keywords: adolescents; family; talented; giftedness.


 

 

Entre os vários contextos que promovem o desenvolvimento do talento, a família aparece como um dos nichos ecológicos de maior importância (Alencar & Fleith, 2001; Aspesi, 2007; Dessen, 2007; Freeman & Guenther, 2000; Robinson, Reis, Neihart, & Moon, 2002, UNICEF, 2002a, 2002b). De acordo com Dessen (2007), a família é o sistema primário que garante o reconhecimento e o suporte para o desenvolvimento ou não das habilidades dos filhos. Nesse sentido, padrões de interação, crenças, valores, práticas e estilos parentais e características de cada membro afetam o microssistema familiar como um todo. Compreender o funcionamento da família torna-se então imprescindível para desvelar os fatores que promovem as diversas facetas do desenvolvimento humano ao longo do curso de vida, em especial o talento durante a adolescência (Chagas, 2008; Dessen, 2007; Silva & Fleith, 2008).

Nota-se que os estudos com famílias de adolescentes talentosos, em geral, investigam aspectos da organização e dinâmica familiar desconectados das demais dimensões sistêmicas em que os adolescentes estão inseridos. Com isso, é cada vez mais imperativo o delineamento de pesquisas que identifiquem, descrevam e avaliem as interconexões e influências mútuas entre fatores individuais e contextuais ao longo do curso de desenvolvimento do indivíduo talentoso (Chagas, 2003, 2008; Schilling, Sparfeltd, & Rost, 2006).

São inúmeros os desafios enfrentados pelas famílias com indivíduos talentosos, entre os quais se destacam a competitividade entre irmãos, o desenvolvimento assincrônico, as demandas por educação e atendimentos especializados, a mobilização de recursos de tempo, atenção, materiais e acesso a oportunidades, o nível elevado de cobrança sobre o desempenho do talentoso e a falta de informações dos pais acerca do fenômeno do talento (Aspesi, 2007; Chagas, 2003; Silva & Fleith, 2008).

Os resultados relacionados às características e dinâmica familiares encontrados na literatura são controversos. Schilling, et al. (2006) investigaram 84 famílias de adolescentes superdotados e 95 famílias com estudantes de habilidades medianas. Entre as variáveis do sistema familiar foram investigadas: coesão, estilo parental, organização familiar, orientação para a realização de tarefas, comunicação e orientação intelectual-cultural. Os resultados indicaram não haver diferenças significativas entre as famílias com relação a esses fatores.

Por outro lado, o estudo comparativo realizado por Chagas (2003) com 14 famílias com pré-adolescentes e adolescentes superdotados e 14 famílias com pré-adolescentes e adolescentes de habilidades medianas provenientes de ambiente socioeconômico desfavorecido demonstrou que os adolescentes superdotados diferiam de seus pares com relação à posição que ocupavam na família, a disponibilidade de recursos materiais, o envolvimento familiar na vida acadêmica do superdotado e as altas expectativas com relação ao desempenho dos filhos e a valorização da educação como prioridade (Chagas, 2003, 2007). Duas pesquisas clássicas com adolescentes foram desenvolvidas por Van Tassel-Baska (1989) e Bloom (1985). Os resultados desses estudos revelaram que as aspirações, as expectativas, o alto padrão de desempenho estabelecido e o envolvimento e monitoramento escolar tiveram um impacto positivo sobre o desenvolvimento do talento.

Destacam-se, na literatura, outros fatores familiares favoráveis ao desenvolvimento de indivíduos talentosos (Aspesi, 2007; Chagas, 2003, 2007; Delou, 2007a, 2007c; Dessen, 2007; Silva & Fleith, 2008; Solow, 2001) como: nível de escolaridade e a profissão dos pais; estilo parental responsivo; centralização no atendimento das demandas e necessidades dos filhos; ambiente familiar enriquecido por meio de interações construtivas e de acesso a recursos materiais, de atenção e de tempo; tomada de decisão efetiva na defesa e na busca de provisão das necessidades do filho; estímulo à criatividade, fantasia e imaginação; encorajamento a correr riscos e vencer desafios e as relações familiares mais coesas e harmoniosas.

Para Freeman e Guenther (2000), Delou (2007a, 2007c) e Sabatella (2007), a maioria dos problemas enfrentados pelo indivíduo talentoso está associada à maneira como a família percebe e lida com as suas características peculiares. Para Sabatella (2007, p. 148) "grande parte do sucesso no desenvolvimento saudável dos alunos de maior potencial decorre do envolvimento familiar". Outros autores corroboram essa afirmação (Freeman & Guenther, 2000; Delou, 2007a, 2007b) e enfatizam a necessidade de serem oferecidos serviços de apoio à família como a disseminação de informações, o intercâmbio de experiências e aconselhamento.

Tendo em vista as implicações teóricas e metodológicas anteriormente mencionadas, o objetivo dessa pesquisa foi descrever as características e a dinâmica da família de adolescentes talentosos. Essas características foram descritas a partir de interações inter e intra-sistêmicas que envolvem o indivíduo talentoso, os membros da família, a escola e sua rede de apoio social. A dinâmica familiar envolve padrões de atividades e de interações compartilhadas, intergeracionais e adaptativas. Nesse estudo é investigada a partir das atividades de rotina e lazer compartilhadas por todos os membros da família. Nesse sentido, foram formuladas as seguintes perguntas:

Quais são as características familiares de adolescentes talentosos em termos de constelação, configuração e dinâmica familiar?

Quais são as características familiares de adolescentes talentosos relacionadas à comunicação, uso do tempo, ensino, frustração, satisfação e necessidade de informação parental?

 

Método

Adotou-se nesse estudo um delineamento exploratório e quantitativo. Os resultados apresentados nesse artigo fazem parte de relatório de pesquisa mais abrangente apresentado pela primeira autora, em sua tese de doutorado (Chagas, 2008).

Participantes

Foi considerado adolescente talentoso, para fins desta pesquisa, o aluno com idade entre 12 e 18 anos que frequentava o Programa de Atendimento ao Aluno Superdotado do Distrito Federal. O referido Programa é vinculado à Diretoria de Ensino Especial da Secretaria de Estado de Educação e atende alunos oriundos da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, da rede pública e particular de ensino.

O conceito de superdotação adotado no Programa e também neste estudo é baseado no Modelo dos Três Anéis elaborado por Renzulli (Renzulli & Reis, 1997). Essa concepção abrange a interação dinâmica entre três fatores: habilidade acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa. A habilidade acima da média pode ser geral ou específica. As habilidades gerais envolvem processos associados ao pensamento abstrato, memória, fluência verbal, raciocínio lógico e numérico e relações espaciais. As habilidades específicas são relacionadas à capacidade de adquirir conhecimentos e dominar técnicas e estratégias aplicadas a um domínio em particular. O envolvimento com a tarefa está relacionado aos fatores motivacionais como altos níveis de perseverança, energia, concentração e dedicação investidos na execução de um projeto, problema ou área de performance. A criatividade é o fator que reúne características do pensamento criativo, traços de personalidade e características de produção criativa (Renzulli & Reis, 1997). Os termos talento e talentoso são utilizados, neste estudo, como sinônimos de superdotado e superdotação/altas habilidades, o que está em consonância com o modelo adotado (Renzulli & Reis, 1997), que não faz distinção entre eles.

Adolescentes talentosos. Participaram da coleta de dados 42 adolescentes com idade entre 12 e 18 anos (M = 13,8 anos, DP = 1,82). Desses, 29 eram do sexo masculino e 13 do sexo feminino. Quanto à escolaridade, 27 adolescentes frequentavam o Ensino Fundamental, 12 estavam no Ensino Médio, 1 havia completado o Ensino Médio e dois não responderam essa questão. Com relação ao desempenho escolar (n = 40), 65% informaram que tinham notas escolares acima da média (n = 26), 30% que tinham notas na média (n = 12) e 5% que tinham notas abaixo da média (n = 2).

Os adolescentes ocupavam a seguinte ordem de nascimento: filho único (n = 5), primogênito (n = 11), segundo filho (n = 11), terceiro filho (n = 2), quarto filho (n =3), filho mais novo (n = 8), não informaram (n = 2). No entanto, essas posições eram diferenciadas quando se tratava da posição funcional na família1: 40,5% deles ocupavam a posição de filhos únicos (n = 17), 14,3% eram segundo filhos (n = 6), 14,3% eram primogênitos (n = 6), 14,3% eram caçulas (n = 6) e os demais 16,6% ocupavam outra posição (n = 5) ou não responderam (n = 2) 

Familiares. Participaram da coleta de dados os familiares de 41 adolescentes talentosos, um familiar não respondeu ao questionário. Dos 41 familiares, 35 eram mães, 4 pais e 2 responsáveis (1 madrasta e 1 tia). Com relação à idade, a média das mães era de 43,2 anos, variando entre 29 e 57 anos (DP = 6,42); os pais tinham 55,1 anos em média, sendo a idade mínima 41 anos e a máxima de 62 anos (DP = 9,62). As duas responsáveis tinham 38 e 42 anos, respectivamente.

Com relação ao nível de escolaridade, 8 mães tinham o Ensino Fundamental incompleto, 2 o Ensino Fundamental completo, 1 o Ensino Médio incompleto, 13 mães tinham Ensino Médio completo, 6 tinham graduação completa, 5 estavam cursando ou haviam completado a pós-graduação. Entre os pais, 1 não havia estudado (analfabeto), 1 tinha o Ensino Fundamental incompleto, 1 tinha o Ensino Médio completo e 1 tinha pós-graduação. As duas responsáveis tinham o ensino fundamental incompleto.

A renda familiar variava entre 1 e 39,5 salários mínimos com uma média de 7,08 salários (DP = 7,06). A renda foi classificada em cinco faixas: (1) de 1 a 3 salários mínimos, 37,5% das famílias (n = 15); (2) de 3 a 5 salários mínimos; 15% das famílias (n = 6); (3) acima de 5 e menos de 10 salários mínimos; 17,5% das famílias (n = 7); (4) de 10 a 15 salários mínimos; 25% das famílias (n = 10) e (5) acima de 15 salários mínimos; 5% das famílias (n = 2). Duas famílias não informaram a renda. O valor do salário mínimo à época da pesquisa era de R$ 380,00 (Trezentos e oitenta reais).

Instrumentos

Questionário para Caracterização do Sistema Familiar - QCSF. O questionário elaborado por Dessen (2006) foi adaptado para esta pesquisa. Esse questionário é composto por perguntas abertas e fechadas que envolvem a caracterização do sistema familiar em termos de dados demográficos, constelação, dinâmica e rotina familiar e conceito de talento/superdotação.

Indicadores de Sucesso Parental - PSI. Este inventário tem por objetivo identificar as qualidades e comportamentos favoráveis dos pais na educação dos filhos (Strom & Strom, 1998) e possui duas versões: uma destinada a pré-adolescentes e adolescentes e outra para os pais. Esse instrumento permite comparar as impressões dos filhos e seus pais sobre o desempenho parental em seis subsescalas com dez itens sobre comunicação, uso do tempo, ensino, frustração, satisfação e necessidade de informação. Alguns exemplos de itens do inventário na versão filhos: "Meu pai, mãe ou responsável vê o lado positivo das situações"; "Meu pai, mãe ou responsável tem dificuldade em conseguir tempo para participar de minhas atividades escolares"; na versão dos pais: "Aceito a influência dos amigos de meu (minha) filho(a)"; "Sei como ajudar meu (minha) filho(a) a escolher uma profissão". O PSI utiliza escala do tipo likert com 4 pontos de ancoragem que vai de "sempre a nunca", na versão dos filhos, e de "concordo totalmente a discordo totalmente" na versão dos pais. O nível de consistência interna geral do instrumento varia entre 0,88 a 0,96 e o índice para cada subescala entre 0,67 a 0,93 (Strom & Strom, 1998). No presente estudo, o nível de consistência interna geral variou de 0,69 a 0,73.

O Questionário para Caracterização do Sistema Familiar – QCSF foi respondido por 40 genitores ou responsáveis, enquanto o Inventário de Atitudes Parentais – PSI, na versão pais, foi preenchido por 39 genitores e 2 responsáveis e na versão filhos por 42 adolescentes, sendo que um adolescente respondeu a 2 inventários, um pensando em sua mãe e outro em seu pai.

Procedimentos e Análise de Dados

Os adolescentes e seus pais foram convidados a participar da pesquisa, pela pesquisadora, a partir de lista fornecida pelos professores do Programa de Atendimento ao Aluno Superdotado. A aplicação dos instrumentos foi realizada pelos professores e psicólogos do Programa a partir de reunião para explicação dos procedimentos a serem adotados. Após a assinatura do Termo de Consentimento Informado, os alunos procederam ao preenchimento do PSI – versão filhos e os instrumentos destinados à família foram enviados pelos alunos para o preenchimento pelos pais. Os dados obtidos foram analisados por meio de procedimentos estatísticos descritivos e inferenciais, o que permite ao pesquisador descrever dados obtidos e fazer deduções sobre a população com base em dados amostrais (Cozby, 2003). Para verificar diferenças entre os escores médios de pais e filhos foi utilizado o teste t de Student por meio do pacote estatístico SPSS 11.0 (Bisquerra, Sarriera, & Martínez, 2004).

 

Resultados

Questão de pesquisa 1: Quais são as características familiares de adolescentes talentosos em termos de constelação e dinâmica familiar?

Os resultados apresentados nessa seção foram obtidos por meio da análise descritiva do Questionário para Caracterização do Sistema Familiar – QCSF e a parte inicial do Inventário de Atitudes Parentais – PSI, (versão filhos) e serão descritos em termos do estado civil dos genitores, constelação familiar, situação profissional dos genitores, renda familiar, situação da moradia e dinâmica familiar.

Constelação e configuração familiar

A constelação familiar predominante foi mãe, pai e filhos do próprio casamento. Mais da metade dessas famílias possuía estrutura nuclear biparental (57,5%), 27,5% eram nucleares monoparentais, 12,5% tinham a presença de um padrasto ou madrasta e um adolescente morava com sua tia (2,5%).

A respeito do estado civil dos genitores, os resultados revelaram que 52,4% eram casados pela primeira vez (n = 22), 19% eram separados ou divorciados (n = 8), 19% eram solteiros (n = 8), 4,8% eram casados pela segunda vez (n = 2), 2,4% eram viúvos (n = 1) e 2,4% eram casados pela terceira vez ou mais (n = 1). O tempo de convívio com o companheiro atual variou de 4,3 a 28 anos, com uma média de 13,05 anos (DP = 8,31).

O número de pessoas que constituíam a família e que residiam no mesmo local variou entre 2 a 10 pessoas, sendo que 60% das famílias eram compostas por 4 ou 5 pessoas. Algumas famílias residiam com parentes durante um tempo que variava entre 1 a 27 anos. Do total de 105 filhos, oito não residiam com suas famílias: 5 por terem casado, 2 por trabalharem em outro estado e 1 morava com o cônjuge separado. Maiores detalhes sobre a configuração familiar podem ser visualizados na Tabela 1.

 

 

Foram coletadas informações sobre 63 irmãos dos adolescentes. A idade média desses irmãos era de 13,8 anos, variando entre 4 e 26 anos. Entre os adolescentes do estudo e seus irmãos mais próximos havia uma diferença média de idade de 5,5 anos, variando entre 1 e 12 anos. Destes, 21,7% estavam na Educação Infantil, 30% no Ensino Fundamental, 20% no Ensino Médio, 11,7% faziam pré-vestibular, 6,6% estavam no Ensino Superior e sobre 10% não foi informado o nível de escolaridade.

Entre as atividades complementares em que os irmãos estavam engajados ou lugares que frequentavam no horário contrário ao turno escolar foram citados: a sala de recursos para alunos talentosos (n = 2), cursos de idiomas (n = 4), cursos de informática/computação (n = 2), cursos de artes (n = 1), atividades esportivas (n = 6) e preparatório para o vestibular (n = 7). Dois irmãos estavam envolvidos em alguma atividade, mas essas não foram identificadas. Do total de irmãos, quase 2/3 não estavam envolvidos em nenhuma atividade complementar (n = 39).

Acerca das características estruturais das famílias com adolescentes talentosos, os resultados apontaram que aproximadamente 85% das famílias tinham estrutura nuclear biparental ou monoparental, e constelação familiar predominante formado por pai, mãe e filhos nascidos do próprio casamento. Mais da metade das famílias eram compostas por 4 ou 5 membros.

Aspectos profissionais dos genitores e situação da moradia

Com relação aos aspectos profissionais, a maioria das mães trabalhava fora de casa e as profissões mais exercidas por elas eram a de professora (n = 9), técnico/administrativo (n = 7) e de comércio e venda (n = 6). Aproximadamente 1/3 das mães tinham uma jornada de trabalho igual ou inferior a 40 horas semanais. Os pais e mães tinham uma idade média de 43,2 anos. A profissão mais exercida entre os pais era a de comércio e venda (n = 9). Esses genitores tinham uma jornada de trabalho superior a que foi informada pelas mães. A quantidade de pais e mães que trabalhavam em casa era igual (n = 4). O tempo de serviço das mães variou de 1 a 20 anos com uma média de 5,6 anos (DP = 7,63), enquanto o tempo dos pais variou entre 2 meses a 35 anos com uma média de 6,8 anos (DP = 9,86). Detalhes sobre a profissão e jornada de trabalho podem ser visualizados na Tabela 2.

 

 

Os resultados associados à situação de moradia indicaram que a maioria das famílias (88,1%) morava na zona urbana, enquanto 7,1% moravam em zona rural. Entre as que moravam na zona urbana, 50% moravam no centro e 45,2% na periferia. O tipo de moradia predominante era casa (66,7%), seguida de apartamento (21,4%) e barraco (7,1%). Das residências, 76,2% eram de propriedade das famílias, 9,5% eram cedidas, 4,8% eram alugadas e 4,8% tinham outra situação imobiliária. Duas famílias não responderam sobre questões de moradia (4,8%). Quanto aos aspectos socioeconômicos, cerca de 70% das famílias tinham renda entre 1 e 10 salários mínimos.

Dinâmica familiar e religiosidade

Com relação à dinâmica familiar, foram destacados dois tipos de atividades: as rotineiras e as de lazer. As atividades rotineiras mais citadas estavam associadas ao descanso (f = 39), escola (f = 26), profissão (f = 19), religião (f = 14) e serviços domésticos (f = 13). Quanto às atividades de lazer, as Tabelas 3 e 4 demonstram que as famílias tinham preferência por atividades intrafamiliares, realizadas em sua residência ou na casa de parentes e amigos, com a participação dos membros da família que residiam no mesmo local, entre as quais se destacaram: assistir à televisão e filmes, visitar familiares, participar em festas e comemorações e ir ao shopping. Com relação a essas atividades, 15% das famílias (n = 6) informaram que os adolescentes talentosos não costumavam participar de todas as atividades de lazer realizadas pela família, preferindo aquelas próximas à sua área de talento.

 

 

 

No que se refere aos aspectos da religiosidade familiar, foram coletados dados com 38 famílias, 4 participantes não informaram sobre estes aspectos. Destas, 50% declararam ser católicas (n = 19), 31,5% eram evangélicas ou protestantes (n = 12), 5,3% eram espíritas (n = 2), 5,3% não possuíam religião (n = 2), 5,3% não responderam (n = 2) e 2,6% alegaram ser atéias (n = 1). Entre os que possuíam religião, 77,5% frequentavam semanalmente as atividades eclesiásticas, destes 10% frequentavam esporadicamente, 10% não frequentavam e 2,5% participavam mensalmente.

Questão de pesquisa 2: Quais são as características familiares de adolescentes talentosos relacionadas à comunicação, uso do tempo, ensino, frustração, satisfação e necessidade de informação parental?

Os resultados demonstraram que os genitores avaliavam a si mesmos de forma mais positiva do que os adolescentes os avaliaram em todas as subescalas do PSI: comunicação, uso do tempo, ensino, frustração, satisfação e necessidade de informação. Mães e pais tinham uma percepção bastante similar com relação a todos os fatores avaliados. Os adolescentes talentosos tinham percepção diferenciada sobre a atitude de pais (n = 8) e mães (n = 35). A percepção associada aos pais era mais negativa quando comparada com as mães, exceto com relação à subescala uso do tempo.

Utilizou-se o teste t para verificar se havia diferenças significativas entre as percepções dos adolescentes sobre a atitude de suas mães e pais e entre a percepção das mães e pais. As análises revelaram que não havia diferenças significativas entre a percepção dos adolescentes com relação às atitudes maternas e paternas, tampouco entre a percepção das mães e dos pais em nenhuma das subescalas do PSI. Os resultados podem ser visualizados nas Tabelas 5 e 6.

 

Discussão

São vários os aspectos do microssistema familiar associados ao desenvolvimento de talentos. Com relação à posição na família, a literatura sinaliza que há uma prevalência de filhos unigênitos/primogênitos ou caçulas entre os indivíduos talentosos (Chagas, 2003; Fortes-Lustosa, 2004; Simonton, 2002; Winner, 1998). Essa tendência também foi observada entre os adolescentes que participaram do nosso estudo, considerando tanto a posição de nascimento quanto a posição funcional.

Simonton (2002) sugere que a ordem biológica, ordinal ou de nascimento tem menor interesse ao estudo do desenvolvimento, uma vez que, ao longo da trajetória de vida, várias circunstâncias podem modificar funcionalmente essa posição como a morte de um irmão, a adoção ou um segundo casamento dos pais. É importante considerar a real posição que o indivíduo ocupa na família, vivenciada ao longo de seu crescimento, a ordem funcional. Este dado ajuda a "discernir a dinâmica familiar que está por trás da posição ordinal" (Simonton, 2002, p. 190).

Dois modelos parecem consistentes para explicar a associação entre posição especial e dispersão de recursos parentais no desenvolvimento do talento e o seu impacto na dinâmica familiar, uma vez que cerca de 85% das famílias que participaram de nosso estudo tinham uma prole com 1 a 3 filhos. Zajonc (2001) desenvolveu o Modelo de Confluência, que postula que os filhos primogênitos e unigênitos são expostos a fatores que podem favorecer a maturidade intelectual precoce como a exposição por mais tempo à convivência e à linguagem adulta, níveis mais altos e diferenciados de expectativas parentais, exercício ativo de liderança e o desempenho de papel de tutoria em relação aos irmãos mais novos.

O Modelo de Diluição de Recursos desenvolvido por Downey (2001) discute os efeitos diretos do investimento dos recursos parentais relacionado ao número de filhos. Os recursos parentais como tempo, dinheiro, oportunidades, recursos físicos e afetivos são limitados e finitos, o que implica redução de cotas desses recursos a cada nascimento. Nesta direção, as famílias menos numerosas podem direcionar mais recursos para o desenvolvimento das habilidades de seus membros e na promoção de oportunidades.

A dinâmica familiar demonstrada por meio de atividades rotineiras e de lazer parece corroborar os resultados encontrados por Csikszentmihalyi, Rathunde e Whalen (1993), que verificaram que os adolescentes talentosos costumam despender mais tempo na companhia de seus pais e irmãos, quando comparados a outros adolescentes. Por outro lado, é importante observar o papel dos ambientes compartilhados e não-compartilhados pelos talentosos e seus irmãos que tem implicações diretas no desenvolvimento do talento, conforme sugere Simonton (2002).

Também sobressai na dinâmica dessas famílias o tempo empreendido na participação em eventos eclesiásticos. Os valores religiosos eram cultivados por essas famílias que, em geral, eram católicas e protestantes praticantes, resultado que também corrobora os achados de Csikszentmihalyi et al. (1993). A participação semanal em atividades de cunho religioso influencia os estilos e práticas parentais e favorece a coesão familiar em torno de valores cristãos. O impacto das crenças e valores religiosos sobre o desenvolvimento do talento é um aspecto que deve ser melhor investigado em estudos futuros.

Com relação à constelação e configuração familiar, os resultados revelaram que mais da metade dos genitores eram casados pela primeira vez e possuíam padrões de interação mais estáveis com relação à conjugalidade. Ainda sugerem que a função paterna e materna, a divisão de papéis entre os membros da família e os processos de comunicação familiar eram tradicionais. Esses aspectos são apontados por Dessen (2007), como importantes promotores do desenvolvimento do talento e merecem estudo mais detalhado associando-os às questões socioeconômicas.

A constelação familiar predominante era nuclear. Mais da metade das famílias era nuclear biparental, com filhos nascidos do próprio casamento, convivendo no mesmo domicílio. Quase um 1/3 dessas famílias era nuclear monoparental, ou seja, mãe ou pai residindo com seus filhos. Poucas famílias eram estendidas ou residiam com parentes. A maioria das famílias residia na zona urbana em casas próprias. Essas características da constelação familiar parecem coincidir com outros dados encontrados na literatura (Aspesi, 2003; Chagas, 2003).

As famílias com adolescentes talentosos, em sua maioria, eram compostas por 2 a 5 pessoas. Quanto ao tamanho, essas famílias acompanhavam tendência contemporânea de famílias com número de membros reduzidos (Brasil, 2000), o que apóia o argumento de Downey (2001) sobre a diluição dos recursos parentais.

Com relação às atitudes parentais descritas pelo Inventário de Atitudes Parentais - PSI, os resultados evidenciaram que pais e mães são percebidos pelos adolescentes de forma diversa. As mães foram mais bem avaliadas em todas as subescalas: comunicação, uso do tempo, ensino, frustração, satisfação e necessidade de informação, pelos filhos. Apesar de serem percebidos, pelos filhos de forma mais negativa, os pais se autoavaliaram de forma mais positiva quando comparados aos demais participantes. A percepção de ambos os genitores era mais positiva em comparação à percepção de seus filhos. O uso do tempo foi o fator mais negativo relacionado às mães enquanto entre os pais estavam as atitudes voltadas para o ensino.

Com relação aos aspectos ligados à frustração e satisfação parental, os adolescentes talentosos e seus genitores possuem uma percepção semelhante. As mães parecem ser, ao mesmo tempo, mais satisfeitas e mais frustradas com alguns comportamentos dos filhos. Esse resultado, aparentemente contraditório, pode estar associado às altas expectativas maternas. As altas expectativas parentais têm profundo impacto sobre a percepção que o adolescente tem de si mesmo e sobre o seu desempenho (Csikszentmihalyi et al., 1993; Winner, 1998).

Os resultados revelam, com relação ao uso do tempo, a satisfação e a necessidade de informação que a percepção de pais e filhos é invertida. Esses dados indicam que pais e filhos talentosos possuem parâmetros diversos ao avaliarem a qualidade, quantidade e intensidade das interações estabelecidas.

Ainda nesta direção, ressaltamos que as práticas e estilos parentais têm uma multiplicidade de referências e significados socioculturais que precisam ser mais bem investigados. É imprescindível considerar, igualmente, que o diálogo, a negociação de regras e a dinâmica familiar afetam e são afetados, por exemplo, pelas demandas do adolescente, pela configuração familiar e por aspectos socioeconômicos (Chagas, 2003; May, 2000; Winner, 1998).

 

Considerações Finais

Este estudo contribui para uma melhor compreensão das características e da dinâmica da família de adolescentes superdotados, sobretudo dos fatores associados à estrutura e constelação familiar, à ordem de nascimento, aos padrões de comunicação, uso do tempo, tipos de atividades desenvolvidas entre os membros da família, religiosidade e atitudes e estilos parentais. É importante ressaltar que as características entre o ambiente e o indivíduo são interconectadas e mútuas. Por isso, a relevância do suporte familiar para a continuidade dos processos de desenvolvimento do talento ao longo da vida e para a promoção e o planejamento de serviços destinados a suprir as demandas das famílias de indivíduos talentosos. Entre as implicações desta investigação, destaca-se a necessidade de disseminação de informações e pesquisas sobre o tema, a implementação de escolas de pais, grupos terapêuticos e de estudos voltados para a discussão e troca de experiências no sentido de fomentar o desenvolvimento saudável e o acesso a oportunidades socioeducativas adequadas. Com relação à metodologia, esse estudo avança no sentido de coletar dados com os adolescentes e seus pais, e não simplesmente com um ou outro, o que revela a importância e a necessidade de se triangular informações em pesquisa, com a inclusão de múltiplos informantes. Sugerimos para pesquisas futuras a inclusão de outros membros da família na coleta de dados, como forma de expandir o conhecimento sobre os padrões de interação e a dinâmica familiar que influenciam no desenvolvimento do talento. Entre as limitações do estudo assinalamos a indicação dos alunos pelos professores e o fato dos instrumentos terem sido aplicados pelos professores e psicólogos do Programa e não pela pesquisadora. Estratégia que facilita a coleta de dados, mas que impossibilita a padronização desse processo.

 

Notas

1. Posição funcional diz respeito à posição que o indivíduo ocupa na família, que pode ser diferente da ordem de nascimento devido à morte, adoção ou saída de casa de um irmão.

 

Referências

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Recebido em 07.jul.10
Revisado em 31.jul.11
Aceito em 23.abr.12

 

 

Jane Farias Chagas Ferreira, doutora pela Universidade de Brasília, é professora Adjunta na Universidade de Brasília. Endereço para correspondência:  Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro, ICC Sul, Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento, Instituto de Psicologia, Caixa Postal 4500, Universidade de Brasília, CEP 70910-900, Brasília-DF. Telefone: 61-31077239. Email: janefc@unb.br.

Denise de Sousa Fleith, doutora em Psicologia Educacional pela University of Connecticut, é professora do Programa de Pós-graduação em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde da Universidade de Brasília, Email: fleith@unb.br.

 

 

ERRATA

No artigo Características e dinâmica da família de adolescentes talentosos há a omissão do nome da segunda autora Denise de Sousa Fleith que é Professora do Programa de Pós-Graduação em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde da Universidade de Brasília.