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Brazilian Journal of Physical Therapy

Print version ISSN 1413-3555On-line version ISSN 1809-9246

Rev. bras. fisioter. vol.12 no.4 São Carlos July/Aug. 2008

https://doi.org/10.1590/S1413-35552008000400014 

CARTA AO EDITOR

 

A Fisioterapia e sua relação com as evidências

 

 

Azevedo FM

Laboratório de Fisioterapia Aplicada ao Movimento Humano (LAFAMH), Departamento de Fisioterapia, Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT-Unesp) – Presidente Prudente (SP), Brasil

Correspondência para

 

 

No cartesianismo, uma evidência refere-se à constatação de uma verdade que não suscita qualquer dúvida. A reflexão a cerca de sua rubrica filosófica demonstra que esta é uma palavra forte, principalmente quando é empregada no âmbito profissional. Basear ou fundamentar uma conduta em evidências é, incontestavelmente, de grande importância para a boa prática profissional. Esta afirmativa constitui uma temática amplamente discutida nos meios formais e informais da Fisioterapia. Basta ir a um congresso ou conversar com um colega que, certamente, o termo "fisioterapia baseada em evidências" será mencionado.

Retomo aqui este assunto, pois acredito que a Fisioterapia não estabelece uma relação honesta com as evidências inerentes ao desenvolvimento da profissão. Muitos fisioterapeutas são expostos a verdadeiras falácias terapêuticas mascaradas pelo manto da "fisioterapia baseada em evidências". Neste contexto, um bom exemplo são os cursos de pós-graduação lato sensu na área da Fisioterapia. Atualmente, um fisioterapeuta pode se especializar em temas que, indiscutivelmente, apresentam uma forte carga de empirismo em detrimento das informações baseadas no método científico.

Os cientistas formados, aqueles capacitados a estabelecer o delineamento metodológico para a resolução de um problema e conseqüentemente evidenciar seus resultados, estão sendo esquecidos. O equilíbrio entre o empírico e método científico, a muito, está sendo deixado de lado em nossa profissão. Como conseqüência, o termo "fisioterapia baseada em evidências" seria bem empregado, atualmente, como sinônimo de dicotomia e não de integração profissional.

Certamente, a Fisioterapia não conseguirá atingir níveis elevados de credibilidade, enquanto as verdadeiras evidências não fizerem parte de nosso cotidiano profissional. Por enquanto, na prática, ainda vivemos no início do século 20, na fase em que o tratamento com as sanguessugas representava a cura de todos os males.

 

 

Correspondência para:
Fábio Mícolis de Azevedo
Rua Coriolano Gomes Palmeira, 160, Jardim Paulistano
CEP 19013-790, Presidente Prudente (SP), Brasil
e-mail: micolis@uol.com.br

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