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Brazilian Journal of Physical Therapy

Print version ISSN 1413-3555

Rev. bras. fisioter. vol.16 no.1 São Carlos Jan./Feb. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-35552012000100009 

ARTIGO ORIGINAL

 

Perfil das características do treinamento e associação com lesões musculoesqueléticas prévias em corredores recreacionais: um estudo transversal

 

 

Luiz C. Hespanhol JuniorI, II; Leonardo O. P. CostaI, III; Aline C. A. CarvalhoI; Alexandre D. LopesI, II

IPrograma de Mestrado em Fisioterapia, Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), São Paulo, SP, Brasil
IISão Paulo Running Injury Group (SPRunIG), São Paulo, SP, Brasil
IIIMusculoskeletal Division, The George Institute for Global Health, Sydney, Australia

Correspondência para

 

 


RESUMO

CONTEXTUALIZAÇÃO: A corrida é uma das atividades físicas mais populares do mundo, sendo que o número de praticantes vem crescendo nos últimos 40 anos. Uma das consequências do aumento da popularidade da prática de corrida é o aumento das lesões musculoesqueléticas.
OBJETIVOS: Descrever os hábitos, as características de treinamento e o histórico de lesões de corredores recreacionais, além de verificar possíveis associações entre os hábitos e as características de treinamento com lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à corrida.
MÉTODOS: Duzentos corredores preencheram um formulário contendo questões sobre dados pessoais, histórico da prática de corrida, características do treinamento, tipo de tênis, tipo de pisada e histórico de lesões nos últimos 12 meses. Os dados foram analisados pela estatística descritiva e modelos de regressão logística.
RESULTADOS: A maioria dos corredores eram homens, com idade média de 43 (DP=10,5) anos, índice de massa corporal de 24,2 (IQ=4,3) kg/m2, volume de treino de 35 km semanais (IQ=28), e 55% dos corredores relataram apresentar alguma lesão musculoesquelética nos últimos 12 meses. As principais lesões encontradas foram as tendinopatias e as lesões musculares. A variável que apresentou associação com lesão musculoesquelética prévia relacionada à corrida foi a experiência de corrida entre cinco e 15 anos (Odds Ratio (OR)=0,2; IC95%=0,1 a 0,9).
CONCLUSÕES: A prevalência de lesões musculoesqueléticas relacionadas à corrida nos últimos 12 meses foi de 55%, e a variável experiência de corrida foi associada com a ausência de lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à corrida.

Palavras-chave: corrida; lesões do esporte; reabilitação; fisioterapia.


 

 

Introdução

A corrida é um dos tipos de atividade física mais populares do mundo1, sendo que o número de praticantes vem crescendo consideravelmente nos últimos 40 anos. Muitas pessoas que buscam hábitos de vida mais saudáveis, como controlar o peso corporal e melhorar a capacidade física, acabam por escolher a corrida como modalidade de exercício, considerada uma atividade física de baixo custo e de fácil execução.

Uma das consequências do aumento da popularidade da prática da corrida é o aumento das lesões musculoesqueléticas entre os praticantes, as quais apresentam incidência que pode variar entre 19,4% e 92,4% dependendo da população alvo e da definição do termo "lesão musculoesquelética" utilizada2,3. Alguns estudos foram realizados com o objetivo de se identificar possíveis fatores de risco para lesões musculoesqueléticas em corredores, e os principais fatores encontrados nesses estudos foram a distância semanal percorrida e a presença de lesões prévias1-11.

Muitos desses estudos foram conduzidos com maratonistas1,2,8,9,11,12, e outros, com populações de corredores com características de volume de treinamento menor, porém que visavam a participação em outras provas específicas (corredores de provas de 4 a 16 km)4,6,7,10. Dois estudos foram conduzidos com populações de corredores amadores5 ou recreacionais13, e apenas um estudo se preocupou especificamente com os corredores de elite, mas que treinavam uma distância semanal semelhante à dos estudos com maratonistas14. Apenas um estudo foi conduzido com o objetivo de medir associações entre lesões musculoesqueléticas e características do treinamento em corredores recreacionais e que não visavam a participação em nenhuma prova de corrida específica5.

É importante que sejam conduzidos mais estudos com corredores que realizam um menor volume de treinamento comparados aos maratonistas e que não estejam engajados em participar de nenhuma prova específica, já que grande parte dos praticantes simplesmente pratica corrida de forma recreativa, não ultrapassando poucos quilômetros por sessão de treinamento. Entender melhor o perfil dos corredores recreacionais e quais fatores estariam associados com lesões musculoesqueléticas nessa população pode auxiliar na implementação de estratégias de prevenção com uma abordagem multidisciplinar, em que a participação de fisioterapeutas, médicos, treinadores físicos e outros profissionais da saúde possibilite ações mais eficazes para a redução das lesões musculoesqueléticas dessa enorme população de praticantes de corrida.

Assim, os objetivos deste estudo foram descrever os hábitos, as características do treinamento e o histórico de lesões musculoesqueléticas em corredores recreacionais, além de investigar possíveis associações entre as características e os hábitos de treinamento com as lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à prática da corrida.

 

Materiais e métodos

Desenho do estudo e participantes

Este estudo é do tipo transversal, com participação de 200 corredores que responderam a um formulário online que continha questões sobre hábitos, características do treinamento e histórico de lesões relacionadas à prática da corrida. Participaram da pesquisa corredores com idade igual ou superior a 18 anos e que eram praticantes de corrida há pelo menos seis meses. Os corredores incapacitados de realizar a prática de corrida no momento da coleta de dados por restrição médica ou presença de lesão musculoesquelética (músculos, tendões, articulações, ligamentos e/ou ossos) foram excluídos deste estudo que obteve a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), São Paulo, SP, Brasil (Protocolo 13506607/2010) e foi realizado em parceria com a CORPORE, uma entidade organizadora de eventos de corrida da cidade de São Paulo, Brasil.

Foi enviado um convite por e-mail com informações sobre o estudo para 4.000 dos 11.000 corredores associados da CORPORE. Nesse convite, havia um link que encaminhava o corredor ao termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Após consentir em participar do estudo e responder que não apresentava lesão musculoesquelética relacionada à corrida naquele momento, o indivíduo foi encaminhado ao formulário online (ver Anexo 1) que era inteiramente autorreportado e composto por três partes: a) questões referentes aos dados pessoais dos participantes, como idade, peso, estatura, experiência de corrida, escolaridade e hábitos de vida; b) questões sobre o histórico da prática de corrida (número de treinos por semana, quilometragem semanal, tempo por quilômetro, prática de outros esportes, provas preferidas e prática de exercícios de flexibilidade) e características do treinamento (número de treinos em cada tipo de piso, acompanhamento dos treinos, motivação, utilização de palmilha especial, tipo de tênis, quantidade de pares de tênis e tipo de pisada) e c) histórico de lesões musculoesqueléticas relacionadas à prática da corrida para se determinar a prevalência de lesões nos últimos 12 meses (informação coletada pelo corredor por meio de opções de sintomas ou diagnósticos derivados de um estudo anterior15). A definição para lesão musculoesquelética relacionada à corrida, adotada neste estudo, foi baseada em estudos anteriores que também tinham como objetivo pesquisar lesões em corredores, sendo ela "qualquer dor de origem musculoesquelética relacionada à prática da corrida e que tenha sido severa o suficiente para impedir o corredor de realizar um treino de corrida"1,5,8,9.

Análise estatística

O cálculo amostral deste estudo foi delineado para detectar um Odds Ratio (OR) de 1,4, com um poder estatístico de 80% e com significância de 95%, sendo necessária a participação de 200 corredores para o estudo. A estatística descritiva foi utilizada para apresentar as características dos participantes. A comparação das variáveis contínuas entre os corredores com histórico de lesão e sem histórico foi realizada pelo teste t de Student para amostras independentes e pelo teste de Mann-Whitney para os dados não-paramétricos. Para as variáveis categóricas foi utilizado o teste de qui-quadrado.

Para testar uma possível associação entre as variáveis (dados pessoais, histórico da prática de corrida e características de treinamento) e lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à corrida, foi realizada uma análise de regressão logística univariada. As variáveis associadas independentemente com lesões prévias e que apresentaram um p<0,201 foram submetidas à análise de regressão logística multivariada pelo método Backward Wald. Para verificar a qualidade de predição do modelo de regressão logística foi calculado o coeficiente de determinação R2 de Nagelkerke. Os resultados foram apresentados em OR e seus respectivos intervalos de confiança a 95%. Todas as análises foram realizadas pelo software SPSS, versão 17.0.

 

Resultados

A descrição das características dos indivíduos foi separada em dois grupos, um dos corredores "com histórico de lesão" e outro "sem histórico de lesão", como pode ser visto na Tabela 1. A prevalência de lesões musculoesqueléticas relacionadas à corrida nos últimos 12 meses foi de 55% (n=110) dos corredores estudados, e as principais lesões relatadas foram as tendinopatias (17,3%, n=19) e as lesões musculares (15,5%, n=17). Quanto à localização anatômica, o joelho foi a região mais afetada, com 27,3% (n=30) das lesões (Tabela 2).

A maioria dos participantes do estudo era do gênero masculino, e 60% (n=120) dos corredores relataram um índice de massa corporal (IMC) que pode ser classificado como saudável (IMC<25). Os indivíduos que declararam correr com um ritmo entre 3 e 6 minutos por quilômetro representaram 76,5% (n=153) da amostra. Dos corredores avaliados, 64,2% (n=129) informaram que a sessão de treinamento tinha duração média entre 60 e 90 minutos. Metade dos participantes se classificou como corredor não-novato, pois eles já tinham experiência prévia com o treinamento da corrida, e a maioria dos corredores referiu utilizar tênis com características especiais para "controlar" o tipo de pisada (neutra, hiperpronadora ou subpronadora). A Tabela 3 descreve com maiores detalhes as informações categorizadas dos participantes.

De todas as características analisadas, nove variáveis apresentaram um p<0,20 na análise de regressão logística univariada: idade, IMC, experiência de corrida, tipo de piso rígido (asfalto e cimento), prática de outros esportes, tempo de prática de outros esportes, frequência semanal de outros esportes, uso de tênis com características especiais para correr e conhecimento do tipo de pisada (Tabela 3). Foram submetidas à análise de regressão logística multivariada todas as nove características acima mencionadas. Dessas, apenas uma variável permaneceu no modelo final (pelo método Backward Wald) e apresentou associação com lesões prévias no modelo multivariado: a experiência de corrida entre cinco e 15 anos (Tabela 4). Esse modelo proposto explica 7% da variância total avaliada pelo coeficiente de determinação R2 de Nagelkerke.

 

 

Discussão

Perfil dos corredores participantes do estudo

O objetivo deste estudo foi descrever os hábitos, as características de treinamento e o histórico de lesões em corredores recreacionais, verificando a associação dessas características com a presença de lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à prática da corrida. Foi possível traçar um perfil dos participantes deste estudo: grande maioria de homens, com 40 anos de idade média, IMC classificado como saudável, os quais praticam corrida há aproximadamente cinco anos, treinam quatro vezes por semana, com uma quilometragem semanal de 35 km, correm frequentemente no asfalto e têm a corrida de 10 km como prova favorita. A prevalência de lesões musculoesqueléticas relacionadas à corrida nos últimos 12 meses dos participantes deste estudo foi de 55% (n=110). As principais lesões apresentadas foram as tendinopatias e as lesões musculares, sendo o joelho a articulação que foi mais acometida. De todas as informações obtidas dos atletas, a única característica que apresentou associação com lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à corrida no modelo final foi o tempo de experiência de prática de corrida.

A proporção de homens/mulheres participantes do estudo, a média de idade, o IMC, a experiência de corrida e o número de treinos por semana observados foram similares aos encontrados em outros estudos que também analisaram corredores8,11,16, sendo que apenas um estudo apresentou uma maior proporção de mulheres17.

Uma importante particularidade pode ser observada quando se compara a distância semanal de treinamento dos participantes deste estudo com a de outros estudos, pois a quilometragem do grupo avaliado neste estudo foi menor quando comparada às distâncias apresentadas na maioria de outras pesquisas também realizadas com corredores1,2,8,11. Essa divergência de resultados encontrados pode ser justificada pelo fato de a grande parte das pesquisas terem sido conduzidas apenas com maratonistas1,2,8,9,11, que requerem um volume de treinamento semanal maior. Acredita-se que essa característica do nosso estudo o torna um dos primeiros a abordar diferentes aspectos relacionados à corrida utilizando uma população de praticantes que não têm o objetivo de correr uma maratona ou uma prova de corrida específica.

A realização de exercícios de flexibilidade realizados antes e/ou após uma prova foi frequente, como também se observou em outros estudos10,18, apesar de algumas outras pesquisas sobre corredores demonstrarem que apenas uma pequena parcela realiza tal exercício1,9,16. O fato de uma alta porcentagem dos corredores realizar exercícios de flexibilidade antes ou após a atividade de corrida pode estar relacionado ao fato de os atletas e treinadores acreditarem que a prática de tal exercício poderia prevenir lesões, apesar da falta de evidência científica que apoie tal crença até o momento19-21.

A maioria dos corredores do presente estudo referiu treinar sem nenhum tipo de acompanhamento profissional (Tabela 3). Um estudo sugere uma porcentagem por volta de 40% de corredores que possuem algum tipo de orientação especializada12, dado que está de acordo com o presente estudo.

Lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à corrida e associações com as características do treinamento

A prevalência de lesão musculoesquelética relacionada à corrida nos últimos 12 meses foi de 55% (n=110). Dentre as principais lesões musculoesqueléticas relatadas no histórico dos participantes deste estudo se destacam as tendinopatias e as lesões musculares. Em diversos estudos, a síndrome femoropatelar13,17,22 e as tendinopatias16,23-25 estão entre as lesões mais frequentes entre os corredores. O joelho foi a região mais acometida, assim como observado em diversos outros estudos3,5,7,16,17. Essa alta taxa de lesões no joelho normalmente é atribuída à grande magnitude das forças de impacto presentes no membro inferior durante a corrida, que pode variar de um e meio a três vezes o peso corporal26.

A análise de regressão logística multivariada mostrou que a experiência de corrida de cinco e 15 anos apresentou uma associação com ausência de lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à corrida (Tabela 4). Alguns estudos apontam que a inexperiência na prática da corrida pode ser um fator de risco para novas lesões musculoesqueléticas2,4,9, apesar de uma revisão sistemática ter apontado esse achado como evidência incerta3. A associação encontrada entre a experiência de corrida dos participantes e a história de lesões musculoesqueléticas pode ser explicada pelo fato de que, quanto maior a experiência do corredor, maior sua capacidade de adaptação ao estresse musculoesquelético imposto pela corrida27. Outra possível explicação é o que a literatura denomina de "fenômeno de sobrevivência", pois os indivíduos mais experientes seriam os "sobreviventes" das lesões que fizeram muitos outros corredores abandonarem a prática de corrida2,9.

Acredita-se que os resultados deste estudo poderão auxiliar os corredores e os treinadores a elucidarem algumas questões sobre características de treinamento de corrida e, principalmente, os fisioterapeutas, que geralmente são os responsáveis pela implementação de programas de prevenção de lesões em grupos de corridas ou equipes, além de contribuir com os pesquisadores que também se preocupam com essa questão, podendo auxiliar na alteração de alguns fatores de treinamento e, potencialmente, diminuir a incidência de lesões musculoesqueléticas em corredores. Para os corredores, saber a quantidade e quais são as lesões da corrida pode alertar sobre a necessidade de cuidados em relação à prática dessa atividade física, estimulando um modo mais seguro. A identificação das lesões em corredores ainda estimula os fisioterapeutas a desenvolverem programas de tratamento mais eficazes para essa população com o objetivo de diminuir o tempo de recuperação e promover a volta à prática de forma mais segura.

Atualmente têm-se visto diversos profissionais da área da saúde que trabalham com a corrida e sugerem a prática de exercícios de flexibilidade (alongamento) e/ou a prescrição de caríssimos tênis especiais para corrida com a finalidade de se prevenir lesões musculoesqueléticas, apesar da inexistência de estudos que demonstrem a eficácia dessas medidas até o presente momento19-21,28. Sugere-se que sejam realizados estudos de acompanhamento prospectivo para averiguar as influências dessas e de outras características de treinamento sobre o surgimento de novas lesões musculoesqueléticas relacionadas à corrida, além da condução de ensaios controlados aleatorizados para testar a eficácia de programas de prevenção e de protocolos de reabilitação das lesões relacionadas à corrida, ressaltando que atualmente nosso grupo de pesquisa está realizando um estudo prospectivo com corredores e, em breve, pretende-se divulgar os resultados.

Limitações do estudo

Este estudo apresentou algumas limitações, como uma amostra com nível de escolaridade acima do que se acredita que represente toda a população de corredores, além de ser um estudo transversal, ou seja, as associações encontradas neste estudo são apenas de caráter exploratório, não significando que as variáveis associadas sejam fatores causadores de lesões musculoesqueléticas relacionadas à corrida. Todos os dados foram coletados utilizando questionários autoaplicáveis, podendo ter influências de viés de memorização.

Conclui-se que a prevalência de lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à corrida nos últimos 12 meses foi de 55%. As lesões mais frequentes relatadas pelos corredores deste estudo foram as tendinopatias e as lesões musculares, sendo o joelho o local de maior acometimento. A experiência de corrida entre cinco e 15 anos foi associada com a ausência de lesões musculoesqueléticas prévias relacionadas à corrida.

 

Agradecimentos

A CORPORE, entidade organizadora de eventos de corrida, que nos auxiliou no recrutamento dos corredores participantes do estudo assim como na divulgação dos nossos resultados, permitindo que os dados gerados por este estudo possam ser agregados no dia a dia dos profissionais e corredores dessa instituição.

Aos fisioterapeutas do São Paulo Running Injury Group (SPRunIG), Bruno Tirotti Saragiotto e Tiê Parma Yamato, pelo importante auxílio neste estudo.

 

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Correspondência para:
Luiz Carlos Hespanhol Junior
Rua Cesário Galeno, 448/475
CEP 03071-000, São Paulo, SP, Brasil
e-mail: luca_hespanhol@hotmail.com

Recebido: 17/05/2011
Revisado: 11/08/2011
Aceito: 19/09/2011

 

 


Anexo 1 - Clique para ampliar