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Revista Brasileira de Educação Especial

Print version ISSN 1413-6538On-line version ISSN 1980-5470

Rev. bras. educ. espec. vol.14 no.2 Marília May/Aug. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-65382008000200012 

RESENHA

 

Comunicação alternativa no Brasil: pesquisa e prática

 

 

Michele Oliveira da Silva

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp campus de Marília - miilly21@yahoo.com.br

 

 

NUNES, Leila Regina d'Oliveira de Paula; PELOSI, Miryam Bonadiu; GOMES, Márcia Regina (Org). Um retrato da comunicação alternativa no Brasil: relatos de pesquisas e experiências.

Em uma sociedade onde as interações sociais se estabelecem predominantemente pela fala, pessoas que, por diversos fatores, não apresentam a oralidade ou têm alterações que os impossibilitam de adquirir uma comunicação funcional, podem ter suas relações sociais e pessoais restringidas.

Em cada caso, a ausência da fala pode vir acompanhada de alterações sensoriais, motoras e/ou cognitivas, que contribuem para que a pessoa tenha dificuldades em estabelecer outro tipo de comunicação compreensível, seja por gestos, por sons ou por expressões faciais.

Nesse contexto, o livro Um Retrato da Comunicação Alternativa no Brasil: relatos de pesquisas e experiências (volume I e II), contendo trabalhos apresentados no I Congresso Internacional de Linguagem e Comunicação da Pessoa com Deficiência e no I Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa - ISAAC Brasil, torna-se um grande referencial teórico para todos aqueles que têm como meta garantir, por meio da comunicação alternativa, o acesso desses indivíduos aos contextos sociais.

A forma didática em que os textos foram escritos permite o entendimento não só para especialistas da área, mas, para todos que têm interesse em conhecer as inúmeras possibilidades existentes para que a comunicação alternativa seja estabelecida.

Como o próprio título sugere, o livro apresenta o que tem sido feito dentro do campo da comunicação alternativa no contexto brasileiro, trazendo estudos realizados por diferentes profissionais, como pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, musicoterapeutas, dentre outros.

Além disso, é possível observar pesquisas científicas realizadas em diferentes contextos, como em jogos lúdicos, atividade de ensino, atividades de recreação, sempre enfatizando a parceria desses profissionais com as famílias e com a sociedade em geral.

Dentro desses enfoques, o livro oferece um conteúdo vasto de experiências em diferentes ambientes, como na escola, na clínica, na instituição e em muitos outros locais, demonstrando que a comunicação alternativa pode garantir melhores oportunidades de acesso à vida social e à vida familiar.

Enfatiza ainda, outros benefícios alcançados pelos usuários da comunicação alternativa, a partir da aquisição de uma comunicação funcional. Como, por exemplo:

Melhora da auto-estima;

Maior independência para realização das atividades;

Aumento do poder de decisão;

Aumento do número de interlocutores;

Melhor qualidade de vida para o sujeito e para seus pares.

Enfim, mesmo tentando resumir em palavras-chave a riqueza do conteúdo dos artigos, seria impossível descrever os inúmeros dados que as pesquisas relatam e que contribuem para a ampliação do uso da comunicação alternativa.

Ademais, o leitor terá a oportunidade de fazer uma breve revisão histórica, além de conhecer as diversas técnicas, o uso da tecnologia assistiva, os recursos, as avaliações, e tantos outros instrumentos e metodologias utilizadas atualmente para o planejamento, adequação e escolha do tipo de comunicação mais indicada às especificidades de cada sujeito.

Por fim, as experiências pessoais relatadas pelos próprios usuários da comunicação alternativa, e tantas outras, relatadas por sujeitos que participaram desse processo, renovam as forças dos profissionais que lutam para que todos tenham acesso a uma vida digna, compartilhando os ambientes sociais, independentes de suas características.

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