SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.15 issue3Evaluation of the relationship between attention-deficit disorder and the development of graphomotor skills in students with Down SyndromeExpressive and recreational activities in inpatient children with cleft lip and palate: family point of view author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Educação Especial

Print version ISSN 1413-6538On-line version ISSN 1980-5470

Rev. bras. educ. espec. vol.15 no.3 Marília Sept./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-65382009000300008 

RELATO DE PESQUISA

 

Análise da percepção de competência física de crianças com deficiência mental

 

Examination of perceived physical competence of children with mental retardation

 

 

Larissa Daniele Rubira StriotoI; Lenamar Fiorese VieiraII; José Luiz Lopes VieiraIII

IMestranda em Ciência do Movimento Humano, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Departamento de Educação Física – larissastrioto@hotmail.com
IIDoutora em Educação Física. Professora do Programa de Pós-Graduação Associado UEM/UEL, Departamento de Educação Física – lfvieira@uem.br
IIIDoutor em Educação Física. Professor do Programa de Pós-Graduação Associado UEM/UEL, Departamento de Educação Física – jllvieira@uem.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo descritivo foi analisar a percepção de competência física de crianças com deficiência mental (DM) moderada em relação a diferentes idades e gêneros, bem como comparar a percepção de competência física dos praticantes e não-praticantes de atividades físicas ou esportivas. Foram sujeitos 76 crianças. Como instrumento foi utilizada a Pictorial Scale of Perceived Physical Competence for Children with Mental Retardation, um questionário com questões referentes à prática de atividades físicas e/ou desportivas fora do ambiente escolar e outro com questões referentes às atividades realizadas dentro do ambiente escolar. Os resultados sugerem que: crianças com deficiência mental moderada apresentam alta percepção de competência; não houve diferença significativa entre gêneros; crianças com idade de 12 anos apresentaram níveis de percepção de competência física menor do que a das crianças de 7, 8 e 9 anos (p= 0,01); crianças que praticam exercícios físicos ou esportes têm percepção de competência física menor do que os não-praticantes. Assim conclui-se: a prática de exercícios físicos/esportivos evidencia-se como elemento interveniente na elaboração dos critérios de julgamento da percepção de competência das crianças, auxiliando na construção de parâmetros avaliativos mais precisos e realistas.

Palavras-chave: educação especial; percepção de competência; crianças; deficiência mental.


ABSTRACT

The objective of this descriptive study was to analyze the perceived physical competence of children with mild mental retardation in relation to different ages and genders as well as to compare the perceived physical competence of children that practice and children that don't practice physical or sports activities. The sample consisted of 76 children. The instruments used were the Pictorial Scale of Perceived Physical Competence for Children with Mental Retardation, a questionnaire assessing the practice of physical activities or sports out of school and another questionnaire assessing the activities in school. The results suggested that children with mild mental retardation have high perceived physical competence; no significant difference emerged among the genders; 12-year-old children presented lower perceived physical competence than children who were 7, 8 and 9 years old; children that engage in physical exercises or sports have smaller perceived physical competence than those that don't engage in physical activities. The findings suggested that the practice of physical or sports exercises can be seen as an aspect responsible for children's judgment criteria for perception of competence, helping to build more exact and realistic evaluation parameters.

Keywords: Special Education; Perceived Competence; Children; Mental Retardation.


 

 

1 INTRODUÇÃO

A percepção de competência pode ser definida como sendo os julgamentos dos indivíduos em relação as suas habilidades em domínios específicos (físico, acadêmico, social, dentre outros) e vem sendo assunto prevalente em várias pesquisas (VIEIRA, 1993; VIEIRA et al., 1997; WEISS et al., 1997; EBBECK; WEISS, 1998; GÓMEZ et al., 2006; SOLLERHED et al., 2007; CARROLL; LOUMIDIS, 2008;). Muitas destas tem como base o modelo de percepção de competência de Harter (1978), que propõe que a percepção que o indivíduo tem de si mesmo influencia diretamente o nível de motivação, autoestima e desenvolvimento social.

Pesquisas sugerem que os padrões de motivação adotados por crianças na participação esportiva, na atividade física ou mesmo em outros contextos de aprendizagem, parecem ser fortemente influenciados pelas percepções de competência que estas evidenciam (HARTER, 1978; RUDISILL, 1989; VALENTINI, 2002;). Por exemplo: uma criança que se auto-percebe como tendo capacidade para jogar futebol, tende a continuar a participar nesse tipo de atividade, mesmo em face de dificuldades. Já uma criança que se sente incompetente, tem maior probabilidade de abandonar a atividade.

Nesse sentido, estudos têm investigado a relação entre a prática de atividade física e a percepção de competência em indivíduos sem deficiência, porém os resultados são inconsistentes. PAPAIOANNOU (1997) verificou esta relação, por outro lado, Ulrich (1987) não constatou a relação entre essas variáveis. Ulrich (1987) examinou a inter-relação entre as variáveis percepção de competência física, competência motora atual e a participação em esportes organizados em crianças da pré-escola a quarta séries, encontrando que a percepção de competência não é significativamente relacionada com suas participações em programas de esporte organizado. Já os resultados do estudo de Papaioannou (1997), mostraram que os indivíduos que estavam engajados em atividades esportivas e/ou recreacionais fora do ambiente escolar apresentaram escores mais altos nas medidas de percepção de competência física do que indivíduos que não realizavam estas atividades.

Roberts et al. (1981) também avaliaram a percepção de competência e o envolvimento em atividades esportivas, concluindo que, participantes de esportes organizados apresentavam percepção de competência mais elevada. Estes resultados são destacados na maioria de outros estudos, além de reportarem o aumento da autoestima (FELTZ; PETLICHKOFF, 1983; DALEY; BUCHANAN, 1999; CARROLL; LUMIDIS, 2008).

Pesquisas prévias têm mostrado ainda o impacto das diferenças entre gênero na percepção de competência, sendo que os meninos revelam níveis mais altos quando comparados às meninas (HARTER, 1982; ULRICH, 1987; RUDISILL, 1993; BORTOLI; ROBAZZA, 1997; RAUDSEPP; LIBLIK, 2002).

Entretanto, apesar da vasta literatura na área da percepção de competência esta mesma ênfase não tem sido dada no campo da deficiência mental (BURACK et al., 1998). Nesta área algumas temáticas têm sido estudadas, como afetividade (GUHUR 2007), habilidades sociais e problemas de comportamento (ROSIN-PINOLA, 2007), qualidade de vida (SAVIANI-ZEOTI, 2008), dentre outras.

Sendo assim, surgiu o questionamento a respeito do comportamento de crianças com DM: Qual a percepção de competência física de crianças com deficiência mental de 7 a 12 anos de idade?

Neste contexto, o objetivo deste estudo foi analisar a percepção de competência física de crianças com deficiência mental em relação a diferentes idades e gêneros, bem como comparar a percepção de competência dos praticantes e não-praticantes de exercícios físicos ou esportes.

 

2 METODOLOGIA

2.1 SUJEITOS

Fizeram parte do estudo 76 crianças com deficiência mental (53 do sexo masculino e 23 do sexo feminino), com idade entre 7 e 12 anos (M= 10,26, DP=1,75). Todas de escolas de Educação Especial de três cidades do Noroeste do Paraná. Como critérios de seleção foram utilizados: ter idade entre 7 e 12 anos, não terem deficiência física e a classificação de deficiência mental moderada, diagnosticada pelas próprias escolas.

2.2 INSTRUMENTOS

2.2.1 PERCEPÇÃO DE COMPETÊNCIA FÍSICA

Foi avaliada utilizando-se a PSPPCCMR - Pictorial Scale of Perceived Physical Competence for Children with Mental Retardation (ULRICH; COLLIER, 1990), que é uma versão modificada da Pictorial Scale of Perceived Competence for Young Children de Harter e Pike´s (1984). A PSPPCCMR foi validada para crianças com idade entre 7 e 12 anos de idade com deficiência mental moderada. Consiste de 10 itens (saltar à distância, correr, rebater uma bola lançada, arremessar uma bola de basquete, chutar, arremessar uma bola no alvo, equilibrar, agarrar, pular corda e quicar uma bola). São apresentadas em pranchas contendo duas figuras colocadas uma ao lado da outra; uma figura corresponde a uma criança competente e outra a uma criança não tão competente. A criança primeiramente deve selecionar qual figura mais se parece com ela e então decidir se é muito ou pouco parecida com a criança da figura. Os itens são pontuados seguindo uma escala de 4 pontos, onde 1 corresponde a uma baixa competência e 4 a uma alta competência. Não é necessário que se saiba ler para responder a esta avaliação. A figura 1 é um exemplo dos itens da escala. São utilizadas pranchas com figuras retratando meninos e meninas, cada uma para avaliar o gênero correspondente.

 

 

2.2.2 PARTICIPAÇÃO EM EXERCÍCIOS FÍSICOS/ESPORTIVOS FORA DO AMBIENTE ESCOLAR

Aplicou-se um questionário para investigar a participação das crianças em exercícios físicos fora da escola. Este foi uma adaptação do questionário de Neto (1997). Uma das alterações foi a inclusão de questões referentes à prática de exercícios físicos, já que no original referia-se apenas a esportes. Além disso, no protocolo original, as crianças deveriam responder às questões, porém neste estudo, os pais ou responsáveis responderam pelas crianças.

O questionário foi composto de 12 questões abertas e fechadas com questões relativas à prática ou não de algum esporte ou exercício físico, freqüência semanal e justificativa de não participar de exercícios físicos ou esportes.

2.2.3 PARTICIPAÇÃO EM ATIVIDADES NO AMBIENTE ESCOLAR

Um questionário foi elaborado aos coordenadores ou responsáveis pelas atividades extraclasse das escolas contendo questões referentes à prática de atividades variadas, como Fisioterapia, Educação Física, Esportes, ou outros exercícios físicos como por exemplo hidroginástica ou musculação. As questões eram apresentadas em forma de check list. Caso a resposta fosse afirmativa, respondiam qual eram os esportes e/ou exercícios físicos praticados e qual a freqüência semanal que eram realizados. No entanto, nenhuma criança realizava exercícios físicos ou esportivos dentro do ambiente escolar.

2.3 PROCEDIMENTOS

Inicialmente, as escolas foram contactadas e assinaram o termo de consentimento, autorizando o estudo.

Posteriormente, as escolas enviaram aos pais ou responsáveis o convite para participação da pesquisa contendo a data, o local e o horário para esclarecimentos do estudo e preenchimento dos questionários. Aos pais que não compareceram foi enviado o questionário pela caderneta das crianças ou entregue por um funcionário da escola pessoalmente.

Finalizado este processo, a Escala de Percepção de Competência Física foi administrada nas crianças na própria escola em sala de aula cedida pela coordenação. Cada criança foi avaliada individualmente e o tempo da aplicação foi em média de 8 min.

Foram considerados praticantes de exercícios físicos/esportivos, aqueles que realizassem ao menos uma vez por semana algum exercício físico ou esporte dentro ou fora do ambiente escolar.

O projeto teve aprovação do Comitê de Ética sob parecer n°175/2007.

2.4 ANÁLISE ESTATÍSTICA

Para testar a normalidade dos dados e assim definir quais seriam os testes estatísticos foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk. Devido à distribuição não-normal dos dados, o teste Mann-Whitney foi utilizado para a comparação entre os grupos praticantes e não-praticantes de exercício físico/esporte e entre os gêneros. Já para verificar possíveis diferenças entre as idades foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis com post-hoc de Games Howell. Foi adotado P < 0,05.

 

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A primeira análise foi projetada a determinar a percepção de competência física de crianças com deficiência mental. Como apresentado na Figura 2, as crianças deste estudo revelaram alta percepção de competência física, pelo fato de a mediana (3,6) estar acima de 2,5 que é o ponto médio na escala de percepção de competência. Estes resultados suportam os achados em pesquisas prévias com deficientes mentais (ULRICH; COLLIER, 1990; YUN; ULRICH, 1997; SOKOLOWSKI et al., 2000). Baseando-se na teoria de Harter (1978), a qual destaca a percepção de competência como sendo estruturada em quatro fatores: as experiências passadas, dificuldades ou desafios associados com o resultado da tarefa; suporte e interação pessoal com outros que são significativos para a criança e a motivação intrínseca. Os resultados indicam que os altos escores apresentados podem estar relacionados a estes fatores, já que 92% das crianças realizavam aulas de Educação Física dentro do ambiente escolar apenas uma vez por semana com duração aproximada de 50 minutos. Apenas 17% realizavam alguma atividade esportiva fora do contexto escolar, com freqüência de pelo menos uma vez por semana. As justificativas dadas pelos pais ou responsáveis para a não realização de atividades foi a falta de recursos financeiros (50%), por não haver atividades para crianças com deficiência (52%), não podem levar as crianças até o local (36%), o local onde é oferecido a atividade fica muito distante da moradia (41%), dentre outras (32%).

 

 

Como é possível observar na Tabela 1, os valores da percepção de competência física permaneceram altos nos diferentes grupos etários, embora possa se perceber que os valores tendem a diminuir quando comparadas as crianças de 7-9 anos e as crianças de 10-12 anos. A aplicação do teste de Kruskal-Wallis revelou que havia diferença significativa na percepção de competência física entre os grupos (P < 0,0001).

 

 

Para localizar qual idade se difere das outras na percepção de competência física, foi conduzida uma análise post-hoc. Entre as crianças de 7, 8 e 9 anos não foram encontradas diferenças significativas. No entanto, quando comparadas às idades superiores (10 e 12 anos), encontrou-se diferença significativa. Com 12 anos a percepção de competência física foi significativamente menor do que das crianças com 7, 8 e 9 anos.

Apesar das crianças terem uma capacidade cognitiva moderada, percebe-se que assim como as crianças sem deficiência, conforme a idade avança, vão criando critérios de julgamento, isto deve-se muito provavelmente ao suporte e interação pessoal com os adultos (HARTER, 1978), em especial com os pais e familiares que oferecem este feedback.

Burack et al. (1998) destacam que até em torno dos 8 anos de idade, as crianças sem deficiência mental ainda não têm seu autoconceito definido. Levando-se em consideração que as crianças com deficiência mental possuem um atraso de dois a quatro anos no funcionamento cognitivo, apenas as mais velhas deste estudo estariam mais aprimoradas para sua autoavaliação.

Crianças mais velhas começam a perceber que não são boas em tudo e também fazem comparações sociais durante a realização das tarefas, enquanto crianças mais novas pensam que são boas em tudo sem considerar quão bem as outras crianças estão realizando (YUN; ULRICH, 1997).

Outro aspecto examinado no estudo foi a diferença da percepção de competência física entre as crianças com deficiência mental praticantes (17%) e as não-praticantes (83%) de exercícios físicos ou esportes. A hipótese, baseada nas pesquisas prévias, era que indivíduos que praticassem atividades teriam maior percepção de competência física. No entanto, o teste de Mann-Whitney revelou que crianças que praticavam exercícios físicos ou esportes, fora do ambiente escolar, apresentaram níveis mais baixos de percepção de competência (P = 0,008).

Uma explicação para estes resultados é que as crianças que praticam exercícios físicos ou esportes passam a introjetar critérios de julgamento mais precisos e melhoram a percepção de sua competência física, sendo esta mais condizente com a realidade. Frente às dificuldades, percebem que muitas vezes não são "tão boas" quanto julgavam ser antes da oportunidade de praticar algum exercício físico ou esporte. Esta colocação vem ao encontro do que Harter (1978) e Rudisill (1989) destacam, que quando são dadas oportunidades de vivenciar práticas motoras, as crianças passam a ter melhor precisão na construção de parâmetros avaliativos.

Estes resultados destacam que as experiências com exercícios físicos e esportivos auxiliam as crianças na elaboração de critérios de julgamento, auxiliando na sua percepção de competência. Para Harter (1978) e Rudisill (1989), a falta de oportunidades de vivenciar exercícios físicos variados é um fator interveniente na construção de parâmetros avaliativos mais precisos.

O estudo de Sokolowski et al. (2000) investigou os efeitos da participação em esportes na percepção de competência de adolescentes com deficiência mental e demonstrou resultados semelhantes, a percepção de competência diminuía conforme a participação nos esportes aumentava.

Nos estudos realizados em crianças sem deficiência os resultados são divergentes. Indivíduos que não eram envolvidos em nenhum tipo de atividade esportiva fora da escola apresentaram escores mais baixos na competência física e acadêmica, quando comparados com os que estavam envolvidos em atividades esportivas ou atividades físicas recreacionais (PAPAIOANNOU, 1997).

Efetuadas as comparações entre os gêneros, pode-se notar que não houve diferença significativa na percepção de competência física (P = 0,069). Isto vem ao encontro de estudos realizados com crianças sem deficiência, os quais não observaram diferenças nas percepções entre os gêneros para esta faixa etária (ULRICH, 1987; GOODWAY, RUDISILL, 1996, 1997; VALENTINI, 2002). Porém, outras pesquisas mostram resultados diferentes, indicando distinção entre os gêneros (FELTZ; BROWN, 1984; ULRICH ,1987; RUDISILL et al.,1993; BORTOLI; ROBAZZA,1997; LINDWALL; HASSMÉN, 2004; MORENO; CERVELLÓ, 2005;).

Neste sentido, novas investigações serão necessárias buscando observar se os níveis altos de percepção de competência estariam relacionados ao desempenho atual dos indivíduos ou a superestimação de suas competências. Além disso, realizar novas pesquisas com faixas etárias superiores a fim de conhecer melhor o desenvolvimento da percepção de competência física de indivíduos com deficiência mental moderada ao longo dos anos.

Uma limitação deste estudo foi o fato de não ter sido investigado o nível socioeconômico dos indivíduos, para que fosse possível comparar e identificar possíveis diferenças na percepção de competência, considerando as oportunidades para realização de exercícios físicos ou esportivos.

 

4 CONCLUSÃO

Foi possível considerar, mediante a observação destes resultados, que as crianças com deficiência mental moderada evidenciaram alta percepção de competência física.

Quando oportunidades foram propiciadas fora do ambiente escolar, permitindo ao indivíduo experimentar, conhecer, tentar realizar novas tarefas, que foi o caso da prática de exercícios fiscos ou atividades esportivas, esta percepção apresentou-se significativamente menor, sendo este fator importante na elaboração de critérios de julgamento. Considerando a importância da percepção de competência na motivação e autoconceito da criança para conquistas e participações em exercícios físicos e/ou esportes, torna-se relevante oportunizar às crianças experiências motoras, visando auxiliá-las nos seus critérios para avaliar sucesso e insucesso, tornando-as mais conscientes de sua competência física, já que a realização de exercícios físicos e/ou esportivos lhes permite o conhecimento dos desafios e dificuldades das tarefas propostas, auxiliando na construção de parâmetros avaliativos mais precisos e realistas de suas competências.

 

REFERÊNCIAS

BORTOLI, L.; ROBAZZA, C. Italian version of the perceived physical ability scale. Perceptual and Motor Skills. v. 85, n.1, p.187-192, 1997.         [ Links ]

BURACK, J. A.; HODAPP, R. M.; ZIGLER, E. Handbook of mental retardation and development. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.         [ Links ]

CARROLL, B.; LOUMIDIS, J. Children´s perceived competence and enjoyment in physical education and physical activity outside school. European physical education review, v. 7, n. 1, p. 24-43, 2008.         [ Links ]

DALEY, A. J.; BUCHANAN, J. Aerobic dance and physical self-perceptions in female adolescents: some implications for physical education. Research Quarterly for Exercise and Sport, v. 70, n. 2, p. 196-200, 1999.         [ Links ]

EBBECK, V.; WEISS, M. Determinants of children´s self-esteem: An examination of perceived competence and affect in sport. Pediatric Exercise Science, v. 10, p. 285-298, 1998.         [ Links ]

FELTZ, D. L.; BROWN, E.W. Perceived competence in soccer skills among young soccer players. Journal of Sport and Exercise Psychology,v. 6, p. 385–394, 1984.         [ Links ]

FELTZ, D. L.; PETLICHKOFF, L. Perceived competence among interscholastic sport participants and dropouts. Canadian Journal Applied Sport Science, v. 8, n. 4, p. 231-235, 1983.         [ Links ]

GÓMEZ, P. H.; MURCIA, J. A. M.; GARCÍA, P. L. R. Relación de la competencia motriz percibida con la prática físico-desportiva. Revista de Psicología del Deporte, v. 15, n. 2, p. 219-231, 2006.         [ Links ]

GOODWAY, I. D.; RUDISILL, M. E. Influence of a motor skill intervention program on perceived competence of at-risk African American preschoolers. Adapted Physical Activity Quarterly, v. 19, p. 288-301, 1996.         [ Links ]

GOODWAY, J. D.; RUDISILL, M. E. Perceived physical competence and actual motor skill competence of African American preschoolchildren. Adapted Physical Activity Quarterly, v. 14, p. 314-326, 1997.         [ Links ]

GUHUR, M. L. P. A manifestação da afetividade em sujeitos jovens e adultos com deficiência mental: perspectivas de Wallon e Bakhtin. Revista Brasileira de Educação Especial, v.13, n.3, p.381-398, 2007.         [ Links ]

HARTER, S. Effectance motivation reconsidered. Human Development, v. 21, p. 34-64, 1978.         [ Links ]

______. The perceived competence scale for children. Child Development, v. 53, p. 87-89, 1982.         [ Links ]

HARTER, S.; PIKE, R. The pictorial scale of perceived competence and social acceptance for young children. Child Development. v. 55, p.1969-1982, 1984.         [ Links ]

LINDWALL, M.; HASSMÉN, P. The role of exercise and gender for physical self-perception and importance ratings in Swedish university students. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, v. 14, n. 6, p. 373-380, 2004.         [ Links ]

MORENO, J. A.; CERVELLÓ, E. Physical self-perception in Spanish adolescents: Effects of gender and involvement in physical activity. Journal of Human Movement Studies, v. 48, p. 291-311, 2005.         [ Links ]

NETO, C. A. F. Jogo e desenvolvimento da criança. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa: Edições FMH, 1997.         [ Links ]

PAPAIOANNOU, A. Perceptions of motivational climate, perceived competence, and motivation of students of varying age and sport experience. Perceptual and Motor Skills, v. 88, n. 2, p. 419-430, 1997.         [ Links ]

RAUDSEPP, L.; LIBLIK, R. Relationship of perceived and actual motor competence in children. Perceptual and motor skills, v. 94, n. 2, p. 1059-1070, 2002.         [ Links ]

ROBERTS, G.C.; KLEIBER, D. A.; DUDA, J.L. An analysis of motivation in children´s sport: The role of perceived competence in participation. Journal of Sport Psychology, v. 3, p. 206-216, 1981.         [ Links ]

ROSIN-PINOLA, A. R.; DEL PRETTE, Z. A. P.; DEL PRETTE, A. Habilidades sociais e problemas de comportamento de alunos com deficiência mental, alto e baixo desempenho acadêmico. Revista Brasileira de Educação Especial, v.13, n.2, p.239-256, 2007.         [ Links ]

RUDISILL, M. E. Influence of perceived competence and causal dimension orientations on expectations, persistence and performance during perceived failure. Research Quarterly for Exercise and Sport, v. 60, p. 166-175, 1989.         [ Links ]

RUDISILL, M. E.; MAHAR, M. T; MEANEY, K. S. The relationship between children perceived and actual motor competence. Perceptual and Motor Skills, v.76, p. 895-906, 1993.         [ Links ]

SAVIANI-ZEOTI, F.; PETEAN, E. B. L. A qualidade de vida de pessoas com deficiência mental leve. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v.24, n.3, p.305-311, 2008.         [ Links ]

SOKOLOWSKI, M. et al. Effects of integrated sport participation on perceived competence for adolescents with mental retardation. Adapted Physical Activity Quarterly, v.17, p. 208-221, 2000.         [ Links ]

SOLLERHED, A. C. et al. Factors associated with young children´s self-perceived physical competence and self-reported physical activity. Health Education Research, v.8, p. 20-32, 2007.         [ Links ]

ULRICH, B. Perceptions of physical competence, motor competence, and participations in organized sport: Their interrelationships in young children. Research Quartely for Exercise and Sport, v.58, p. 57-67, 1987.         [ Links ]

ULRICH, D. A.; COLLIER, D. H. Perceived physical competence in children with mental retardation: modification of a pictorial scale. Adapted Physical Activity Quarterly, v. 7, p. 336-354, 1990.         [ Links ]

VALENTINI, N. C. Percepções de competência e desenvolvimento motor de meninos e meninas: um estudo transversal. Movimento, Porto Alegre, v. 8, n. 2, p. 51-62, 2002.         [ Links ]

VIEIRA, L. F. Relação entre a percepção de competência de atletas adolescentes e seus motivos para a prática esportiva. Revista da Educação Física da Uem, v. 4, n. 1, p. 40-44, 1993.         [ Links ]

VIEIRA, L. F.; VIEIRA, J. L. L.; KREBS, R. J. Análise da percepção de competência no contexto escolar. Kinesis, v. 15, n. 1, p. 55-66, 1997.         [ Links ]

WEISS, M. R.; HORN, T. S.; EBBECK, V. Children´s self-perceptions and sources of physical competence information: A cluster analysis. Journal of Sport & Exercise Psychology, v. 19, p. 52-70, 1997.         [ Links ]

YUN, J.; ULRICH, D. A. Perceived and actual physical competence in children with mild mental retardation. Adapted Physical Activity Quarterly, v. 14, p. 285-297, 1997.         [ Links ]

 

 

Recebido em: 23/04/2009
Reformulado em: 26/10/2009
Aprovado em: 04/11/2009

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License