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Revista Brasileira de Educação Especial

versão impressa ISSN 1413-6538

Rev. bras. educ. espec. vol.20 no.3 Marília jul./set. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-65382014000300004 

RELATO DE PESQUISA

 

Esportes de raquete para deficientes intelectuais leves: uma proposta fundamentada na pedagogia do esporte

 

Racquet sports for mild intellectual disabilities: a proposal based on the pedagogy of sport

 

 

Tiago Del Tedesco GuiotiI; Eliana de ToledoII; Alcides José ScagliaIII

IFaculdade de Ciências Aplicadas, Unicamp-Limeira, SP - Brasil tiagodtedesco@hotmail.com
IIFaculdade de Ciências Aplicadas, Unicamp, Limeira, SP -Brasil eliana.toledo@fca.unicamp.br
IIIFaculdade de Ciências Aplicadas, Unicamp, Limeira, SP - Brasil alcides.scaglia@fca.unicamp.br

 

 


RESUMO

a prática dos esportes de raquetes ainda parece ser inexistente em diferentes instituições brasileiras de ensino, formais e não formais, e não são oportunizadas para pessoas com necessidades especiais. Assim, o objetivo deste trabalho é ofertar uma proposta pedagógica para a vivência destes esportes para alunos com deficiência intelectual leve. A proposta fundamentou-se em princípios como normalização, socialização e da diminuição do sentimento de preconceito. Ela está composta por itens descritos no manuscrito, que ser referem desde a apresentação desse esporte para os alunos até a consecução das atividades a serem desenvolvidas. Conclui-se que a proposta pedagógica é uma aproximação entre os esportes de raquete e alunos com deficiência intelectual, e que está alicerçada nas prerrogativas da Pedagogia do Esporte.

Palavras-chave: Educação Especial. Proposta Curricular. Socialização. Esporte para Deficientes.


ABSTRACT

The practice of racket sports still seems to be nonexistent in various Brazilian educational institutions, both formally and informally, and they are not provided for people with special needs. The objective of this work is to offer a pedagogical proposal for experiencing such sports for students with mild intellectual disabilities. The proposal was based on principles such as standardization, socialization and decreased feelings of discrimination. The proposal is made up of items described in the manuscript, beginning with presenting the sport to the students and going on to carrying out various activities needed for proficiency. We conclude that the pedagogical proposal is a means to bring together racquet sports and students with intellectual disabilities, and this is based on the prerogatives of Sport Pedagogy.

Keywords: Special Education. Curriculum Proposal. Socialization. Adapted Sports.


 

 

1. Introdução

Segundo depoimentos e estudos, as práticas esportivas mais ofertadas nas escolas são as denominadas "quatro pilares esportivos", a saber: o Futsal, Vôlei, Basquete e Handebol. Para Rosário e Darido (2005), os professores de Educação Física acabam restringindo-se a esses conteúdos das aulas tidos como mais tradicionais, muitas vezes apresentados de maneira desordenada ou aleatória (sem ser sistematizados), sem abarcarem um grande espectro de possibilidades de conteúdos que a disciplina pode ofertar. "Ainda que sejam motivados por uma demanda social e por influências econômicas indiretas ditadas pela mídia" (STUCCHI, 2007, p. 192), os esportes de raquete raramente aparecem como conteúdos trabalhados nas escolas, assim como, parecem incomuns sua oferta em outros espaços sociais (clubes, associações, espaços públicos, ONGs etc.). E isso pode se dar por diferentes motivos, como:

  • O entendimento historicamente construído de que o esporte de raquete, especialmente o tênis, é um esporte de elite ou elitizado.
  • A não oferta destes esportes no processo de formação escolar (ensino fundamental e médio), geralmente devido à formação profissional do professor, aos problemas na aquisição de materiais e à gestão escolar.
  • A diminuta oferta dos esportes de raquetes em muitos cursos superiores de Educação Física (graduação e licenciatura), de forma curricular ou extracurricular. E isso pode vir a comprometer o ensino e a propagação destes esportes quando os profissionais formados se inserem no mercado de trabalho.
  • A escassa oferta de cursos e material didático pelas federações responsáveis pela modalidade e pelas universidades (incluindo produções em livros e artigos).
  • A oferta destes esportes nos clubes também parece não ser muito corriqueira, e quando ofertada, possui um custo maior do que os de outros esportes e com os horários de aula disputados, já que não há muitas quadras (o que restringe o número de pessoas jogue ao mesmo tempo).
  • O alto custo de seus materiais oficiais.
  • A construção e a manutenção dos espaços oficiais para a prática (quadras) requerem também um alto custo e cuidado, o que acaba por inibir a construção dos mesmos. Ou quando construídos, há uma restrição de seu uso para outros exercícios físicos e esportivos, tendo-se em vista o prejuízo que pode ser causado ao piso, e, portanto, ao jogo.

Muitos destes motivos podem ser superados e resignificados pelos profissionais do esporte (professores, técnicos, gestores etc.), ao se pensar em possibilidades como:

  • A confecção de materiais adaptados (diferentes modelos de raquete, rede, bolas), com baixo custo e que podem ser feitos pelos próprios praticantes para que compreendam a necessidade de adaptação do ambiente e para que sejam capacitados para criar equipamentos alternativos, respeitando suas possibilidades e potencialidades (SEBASTIÃO; FREIRE, 2009).
  • A vivência dos esportes de raquetes em espaços alternativos como ginásios, quadras poliesportivas, salões de festas, "campinhos" e pátios.
  • A busca por parcerias institucionais com clubes ou academias de tênis, para a captação de materiais seminovos, uso das quadras em horários mais disponíveis, orientações técnicas e táticas de um profissional específico da modalidade e etc..
  • A busca da uma formação continuada, com a realização de cursos e consulta a profissionais específicos da modalidade, e/ou de forma mais autônoma, buscando apoio nos recursos bibliográficos (livros, artigos, dissertações etc.), digitais e imagéticos (vídeos e fotos), grande parte deles de consulta gratuita (em livrarias e na internet).

Estas possibilidades, dentre outras, constituem-se em algumas saídas para ampliar a oferta dos esportes de raquete, rumo à sua democratização. No entanto, parece-nos evidente que estas e outras soluções ainda não são uma realidade em diferentes ambientes de ensino no Brasil. Portanto, a prática destes esportes não está pulverizada e, de certo modo, culturalmente instituída, o que compromete sobremaneira sua prática, não somente nas escolas, mas também em outros espaços de ensino não formal, como as ONGs, foco de nosso trabalho.

Segundo Toledo, Desidério e Schiavon (2013), as ONGs funcionam com grande sacrifício, pois possuem um recurso restrito advindo de fontes diversas, mas cuja soma monetária muitas vezes não é suficiente para o desenvolvimento ideal de suas atividades, como, por exemplo, compor uma equipe de trabalho completa ou ofertar uma ampla gama de intervenções sócio educativas. Para as autoras:

Neste cenário de recursos limitados, não se vislumbra a importância de contratação de um profissional de Educação Física e entendemos que isso se deve a diversos motivos, dentre eles: Um preconceito ainda existente em relação à Educação Física, considerando-a como uma área ainda não muito científica ou de menor valor no mercado de trabalho e na sociedade, de maneira mais ampla; Uma concepção de que o educador físico é o profissional que "joga a bola", e pouco tem a contribuir nas proposições institucionais (do terceiro setor), podendo por isso, ser substituído por outros educadores que não são especialistas; Um entendimento de que o esporte e o lazer não são capazes de promover a formação humana, a autonomia, o posicionamento crítico em relação à realidade, à apreciação estética, dentre outros aspectos. Um entendimento pautado, portanto, numa visão de que o esporte e o lazer constituem-se exclusivamente em formas de divertimento e entretenimento, que se estabelecem no "campo prático", de maneira acrítica, superficial, desarticulada e, muitas vezes, desorganizada (ibidem, p.52).

Neste contexto de precariedade da oferta dos esportes de raquete, no contexto formal e não formal, para diferentes tipos de público, o objetivo deste trabalho é poder apontar uma proposta de vivência destes esportes para deficientes intelectuais leves em instituições do terceiro setor (ensino não formal)1.

O trabalho se pautou numa pesquisa bibliográfica, que se caracteriza "por uma modalidade de estudo e análise de documentos de domínio científico, tais como livros, periódicos, enciclopédias, ensaios críticos, dicionários e artigos científicos" (SÁ-SILVA et al. 2009, p. 5).

A pesquisa bibliográfica auxiliou na proposta do presente manuscrito e foram pesquisados os seguintes temas e palavras-chave: Esporte de Raquete, Esporte Adaptado, Deficientes Intelectuais Leves, Inclusão Social, e Educação Física Escolar, consultados na base de dados da Biblioteca digital da Universidade Estadual de Campinas (SBU - www.sbu.unicamp.br) e no Portal da CAPES de teses e dissertações (www.periodicos.capes.gov.br), e nos periódicos: Revista Estudos de Psicologia, Revista Científica Eletrônica de Psicologia, Revista Motriz e Revista Movimento e Percepção.

 

2. Esportes de raquete e deficiência intelectual leve: uma relação potencializadora no contexto da pedagogia do esporte

Os esportes de raquete são esportes praticados individualmente, porém numa situação de oposição, ou seja, "existe um adversário contra o qual se joga" (CABELLO, 2000, p. 21-22). Todavia, o autor ainda destaca que o esporte de raquete quando é praticado em duplas pode ser classificado como de cooperação-oposição.

O objetivo desses esportes, de acordo com o mesmo autor, é manter um objeto em jogo (que pode ser uma bola ou peteca) impulsionando-o com o golpe da raquete por cima da rede a fim de ganhar a jogada e o ponto. Além disso, por ser um esporte individual, requer habilidades gerais e específicas, tais como: a coordenação global, atenção, coordenação visual motora, percepção espacial e dentre outras. Habilidades estas que, quando bem desenvolvidas, podem atenuar ou melhorar algumas características peculiares da deficiência intelectual, como por exemplo, o déficit de atenção, que segundo Leitão (1999) é uma característica comum neste tipo de deficiência.

Para Stucchi (2007), o esporte (de raquete), como um elemento cultural dentro da educação, oferece oportunidades e a busca de igualdade de participação como premissa de um processo democrático do esporte. Assim, ele organiza seu universo de sujeitos em função de alguns fatores como: idade, gênero, deficiências, hereditariedade e velocidade de aprendizagem, permitindo assim, a condição de praticante participante, independente de seu grau de deficiência física, mental e social.

Para isso, estruturamos uma proposta de aproximação dos esportes de raquete aos deficientes intelectuais leves, baseada no cultivo de um modo de pensar e agir comprometido com a condição humana, preconizado na Pedagogia do Esporte.

Ao pensar a Pedagogia do Esporte, a partir dos estudos Jorge Olímpio Bento (1999, 2006, 2013) a entendemos como uma práxis educativa centrada no esporte, em que suas ações intencionais revestem-se de exigências pedagógicas. Ainda assume a responsabilidade de, segundo Matos (2006), tentar resolver a relação entre teoria e prática e que devem nos levar a considerar que os movimentos desportivos não podem ser entendidos como meros gestos motores, mas sim, como ações carregadas de desejos, sentidos e significados, só podendo ser analisadas no contexto mais amplo das ações humanas.

Assim, a Pedagogia do Esporte, inserindo-se com destaque em todas as manifestações do esporte, em especial nas manifestações de Esporte-Educação e Lazer, constitui o esporte educacional como ambiente emancipador e restaurador do humano no homem, atribuindo à Pedagogia do Esporte a responsabilidade de iluminar o caminho e conduzir os envolvidos no percurso que se estabelece. Nesta perspectiva, os autores brasileiros Freire (1996) e Barbieri (2001) nos auxiliam na costura das ideias deste entendimento mais ampliado e humanizador do esporte, possível e necessário na sociedade contemporânea.

Estes referenciais e outros acerca da metodologia de ensino pautada por meio do jogo, como Caillois (1990), Huizinga (1999), Freire (2002) e Scaglia (2005), fundamentam a proposta que será apresentada à diante. Estes quatro autores sublinham que o jogo possui características muito relevantes para potencializar o processo ensino-aprendizagem, dado que é uma atividade livre voluntária, delimitada por um espaço e tempo próprios, regulamentada por regras vigentes, incerta perante o resultado, improdutiva pelo espírito lúdico na busca daquilo que é imaterial e fictício por ser um mundo que foge do mundo real.

Assim, associar os jogos ao planejamento e ao objetivo de ensino (SCAGLIA; REVERDITO; GALATTI, 2013), é criar um ambiente profícuo de aprendizagem pelas representações que o jogo promove, por valorizar a imprevisibilidade e os desafios, salientando a procura pelos alunos de soluções aos problemas emergentes. Portanto, o ambiente de aprendizagem por meio do jogo pode fazer toda a diferença, em diferentes contextos de ensino, para o mais diversificado público, incluindo-se as pessoas com deficiência intelectual (foco do nosso estudo).

A Deficiência Intelectual Leve é definida por "limitações significativas no funcionamento intelectual" (OLIVEIRA FILHO, 2011, p.1), e ainda segundo o autor, atinge de 2,5% a 3% da população e suas causas podem ser a Síndrome de Down, Síndrome Alcóolico-fetal e a Síndrome do X frágil. De acordo com o Conselho Internacional de Doenças (CID), "a deficiência intelectual leve é classificada como F. 70" (OMS, 2007, p.62), e segundo autores da área pode ser caracterizada por três critérios:

[...] manifestação antes dos 18 anos de idade; função intelectual abaixo da média (igual ou menor a 70 do Quociente de Inteligência) e limitação de duas ou mais áreas de habilidade adaptativas, tais como, comunicação, comportamento social, auto cuidados, saúde, segurança, rendimento escolar e trabalhístico (FERNANDES; AGUIAR, 1999, p. 76).

Contudo, para além destes conceitos e caracterizações, há todo um debate na área da Educação Física e Ciências do Esporte acerca dos princípios que devem nortear os trabalhos desenvolvidos com todos os deficientes, proporcionando-lhes uma melhor qualidade de vida em consonância com práticas esportivas (incluindo aquelas menos populares como os esportes de raquete).

Um destes princípios é o da normalização. A este respeito, Batista e Enumo (2004) anunciam que todas as pessoas com deficiências têm o direito de usufruir de condições de vida da forma mais comum possível na sociedade em que vivem, ou seja, partir do constructo de que não se trata de tornar a pessoa normal e sim de lhe conceder oportunidades, garantindo seu direito de ser diferente e de ter suas necessidades reconhecidas pela sociedade.

Outro princípio é o da socialização, concebida como um "processo descontínuo de construção coletiva de condutas sociais que integram três aspectos complementares: o cognitivo, o afetivo e o expressivo" (DUBAR, 1997, p.12). Nesse sentido, todas as vivências e contato com os conhecimentos produzidos em nossa sociedade devem ser ofertados aos deficientes, tendo como premissa o princípio da socialização, num contexto de igualdade social capaz de gerar experiências significativas que alcancem os aspectos cognitivo, afetivo e expressivo, em iguais níveis de importância, assim como também incentivado pela Pedagogia do Esporte (BENTO, 2013).

Embora estes princípios já sejam preconizados por instituições de ensino a este público (infelizmente algumas somente "no papel"), não estamos distante de outros sentimentos em relação aos deficientes intelectuais. O preconceito refletido sobre as crianças e adolescentes com deficiência intelectual leve, provém de todo um contexto histórico social, advindo também de "influências de familiares, pessoas próximas, instituições escolares e demais ambientes de lazer, tais como parques e praças e espaços com grande concentração em massa" (GRANA, 2011, p. 22-23).

Alguns elementos claramente balizam este tipo preconceito, como o pensamento de superioridade refletido das classes mais dominadoras sobre as classes minoritárias, ou ainda, um sentimento de superioridade dos tidos como normais, segundo padrões e normativas sociais vigentes, sobre os considerados deficientes e, portanto, ineficientes à sociedade. Estes pensamentos e condutas valorativas (ou morais) passam a ser ressignificadas quando o profissional atenta-se ao princípio da diversidade:

A temática da diversidade humana pode contribuir significativamente para diminuição do preconceito na escola. Aquele profissional que não trabalha o envolvimento da inclusão estará favorecendo uma atitude de exclusão, e isso acontece com quem não possui também nenhum conhecimento teórico, porque poderá não estar entendendo a dificuldade e diferença de aprendizagem que os alunos possuem. Ao contrário do que o profissional que trabalha a inclusão, que aceita a idéia de que todos são importantes e significativos, tendo o ponto chave à diversidade, que, no entanto, levará a maior e mais complexa da aprendizagem (GRANA, 2011, p.23).

Com relação aos profissionais de Educação Física e Esporte, que atuam a partir da perspectiva da Pedagogia do Esporte, o movimento deve ser o de causar uma nova reflexão e ação em relação ao trato e à forma com a qual as atividades físico-esportivas vem sido desenvolvidas nos estabelecimentos de ensino (formais e não formais), indo de encontro a um ensino tecnicista e performático, que muitas vezes favorece esta postura de superioridade durante a intervenção (que somente agrava os distanciamentos pedagógicos, sociais e humanos). Ou seja, o movimento pedagógico ao se ensinar o esporte ao ser humano é o da inclusão, da valorização das diferenças e do trato humanizador dos processos e estratégias de ensino dos esportes.

Deste modo, todos estes princípios (normalização, socialização e diversidade) e a temática do preconceito podem ser bem trabalhados numa proposta de vivência esportiva que tenha como aporte a Pedagogia do Esporte, dado que esta última enaltece uma abordagem mais humanística e holística do ensino dos esportes. Para Scaglia, Reverdito e Galatti (2013), o ensino dos esportes deve ser compreendido como uma prática pedagógica que possibilita aos alunos a criação de possibilidades para a construção de conhecimentos que rompam com os limites da quadra, do campo e das intenções e tensões que a sociedade vincula ao ensino do esporte. E esta construção de novos conhecimentos evidenciada no esporte educacional, possibilita também a constituição do homem/cidadão por meio da instauração e da promoção de valores, tais como a inclusão, a participação e a cooperação (que o esporte fornece). Portanto, "[...] é demasiadamente importante que o esporte seja para a criança um meio que a leve a ser melhor, no sentido de construir valores que sejam decisivos e definitivos na busca de uma melhoria da sua qualidade de vida" (SANTANA, 1996, p. 131).

Devido a essa promoção de valores que o esporte nos evidencia, criou-se um mito de que o esporte é educativo por si só. Porém, Bento (2012; 2013) nos explicita porque isso é um mito: pois o esporte será o que os profissionais e as pessoas nele envolvidas em sua ação, dele o fizerem, seja no seu caráter pedagógico, educativo, saudável, social, alienador ou emancipador.

 

3. uma proposta pedagógica do ensino dos fundamentos básicos dos esportes de raquete para deficientes intelectuais leves

O objetivo desta proposta é propiciar um primeiro contato com a prática de esportes de raquete para crianças e adolescentes com deficiência intelectual leve, a fim de proporcioná-las uma vivência diferenciada, entendendo estes esportes como fenômenos da nossa cultura e práticas únicas por si próprias, que deveriam ser ofertadas a todos os cidadãos, uma vez que o esporte é um direito social (constitucional e cultural).

E num aspecto mais amplo, esta proposta visou apontar os esportes de raquete como uma atividade desportiva potencializadora de habilidades motoras e das capacidades cognitivas, capaz de propiciar uma nova visão de Homem e sociedade. Prerrogativas estas que vão ao encontro dos preceitos da Pedagogia do Esporte, como nos aponta Reverdito, Scaglia e Paes (2009), dado que ao materializar sua práxis, ela assume a responsabilidade de nos iluminar o caminho e de nos conduzir no percurso dos procedimentos didático-metodológicos, rumo à educabilidade do sujeito e sua formação humana, por meio de saberes e modos de ações sistematizadas e organizadas.

Neste contexto, a proposta que vimos apresentar neste artigo, constitui-se de algumas ações pedagógicas, e suas respectivas estratégias, que serão detalhadamente expostas a seguir.

Assim como na pesquisa de Leitão (2009) os alunos geralmente não conhecem ou possuem a vivência prévia com os esportes de raquete, e por isso, sugerimos como primeira ação pedagógica uma análise diagnóstica acerca das vivências e conhecimentos dos alunos em relação a estes tipos de esportes. Esta análise pode ser feita de forma verbal, a partir de questionamentos aos alunos, e até mesmo com o uso de recursos imagéticos, como vídeos e fotos destes esportes.

Em seguida, faz-se necessária uma apresentação destes esportes, por diferentes estratégias: textos, vídeos, fotos, depoimentos, visitas ao seu espaço específico de prática (caso haja no estabelecimento ou próximo dele) etc.; dentre os quais sugerimos os de formato mais direto e significativo para este público (informações pontuais acompanhadas de imagens). Nesta apresentação, novos questionamentos podem ser feitos pelo professor aos alunos, assim como, este primeiro poderá apontar e/ou questionar acerca das relações (de semelhança e diferença) existentes entre estes esportes. E a todo o momento deve estar claro que há espaço para uma interrupção por parte dos alunos, para a realização de questionamentos ou comentários, ou seja, o espaço para o diálogo está sempre aberto e será sempre oportunizado, favorecendo o processo educativo amoroso e democrático (FREIRE, 1996).

A terceira ação pedagógica é a apresentação do que será proposto nesta aula de primeiro contato com estas modalidades, a fim de tornar este momento inovador, convidativo e destemido aos alunos. É importante que eles conheçam os benefícios que podem ser ofertados por esta vivência, tanto no início da intervenção, como no final da mesma (numa perspectiva autoavaliativa).

Após esta primeira fase de aproximação dos alunos com o professor, e destes com o tema da aula, iniciam-se as ações pedagógicas com intervenções "práticas".

A primeira atividade deve ter um caráter voltado para a diversidade desportiva, que, segundo Marques (2006) possibilita a vivência de atividades motoras, o acesso à saúde, bem estar e a socialização (favorecida pelo ambiente e uma atividade criadora). Bento (1999) e Paes e Balbino (2005) também ressaltam a importância desta vivência plural da gestualidade esportiva ser ofertada para as crianças, tanto em propostas já com este perfil (jogos, gincanas, pré-esportes), como nos outros níveis da carreira de um esporte específico (iniciação, intermediário e avançado). Assim, atividades com bolas, com materiais portáteis não convencionais, jogos tradicionais, brincadeiras da cultura infantil, dentre outras possibilidades, podem ser ofertadas neste momento. Portanto, uma brincadeira como forma de aquecimento seria o convencional pega-pega e suas variações, como por exemplo: o pega-pega rabinho 2, na qual se pode pendurar um colete ou uma fita mais curta ou mais longa na cintura ou na mão de um aluno, afim de que ele tenha que protegê-la, como se fosse seu rabinho, e ao mesmo tempo tentar pegar os demais rabinhos dos outros alunos. Outra variação de pega-pega seria o pega-pega abraço, em que aquele que for pego fica imóvel e só poderá ser salvo quando ganhar um abraço de um companheiro. Este abraço deverá durar o tempo de uma contagem de um a cinco. E a outra variação seria o pega-pega cor em que o pegador diz uma cor e todos começam a correr. Só estará salvo quem estiver tocando em algum objeto da cor que foi solicitada pelo pegador.

Em seguida, iniciam-se as propostas mais direcionadas aos esportes de raquete, tendo-se clareza do que a partir da vivência destes esportes podemos alcançar diferentes objetivos:

No intuito de oportunizar o desenvolvimento da potencialidade de cada indivíduo, optamos por essa modalidade esportiva, pois o tênis, além de ampliar o vocabulário motor do aluno através de estratégias e uma prática socioeducativa coerente e identificada com a necessidade de cada um, pode promover a socialização e normalização (LEITÃO, 1999, p. 76).

O princípio da normalização, já citado por Batista e Enumo (2004), pode estar presente na prática de esportes de raquete para deficientes intelectuais leves, como o está para outros tipos de público, à medida que se oportuniza a vivência e o aprendizado de uma prática desportiva que possui uma alta demanda motora e cognitiva, por associar o movimento da rebatida à trajetória da bolinha e concomitantemente à sua direção e força.

Assim, neste momento devem ser ofertadas atividades para que os alunos tenham o prazer de praticar o esporte de raquete e também vivenciar as habilidades motoras de forma igualitária às pessoas aparentemente sem deficiência alguma.

Já com relação ao princípio da socialização, anunciado por Dubar (1997), este foi desenvolvido pela própria oferta deste primeiro contato da prática esportiva destes esportes de raquete, utilizada da mesma forma com crianças ditas normais (pelo senso comum) e, consequentemente, com a satisfação da realização de habilidades motoras relacionados a estes esportes.

A intervenção pedagógica, "que consiste em priorizar a atividade do sujeito na construção de seu próprio conhecimento" (BALBINOTTI, 2006, p.399), relacionada a estas atividades específicas dos esportes de raquete, teve como pilar os pressupostos da iniciação esportiva, no contexto da Pedagogia do Esporte:

A iniciação esportiva é relevante para desenvolver capacidades motoras e para educar para a autonomia; para educar as habilidades específicas e para investir em aulas que sinalizem para o fato de a criança aprender a gostar de esporte; para ensinar as habilidades táticas e para introduzir uma cultura de lazer esportivo; para introduzir a competição e para socializar conhecimentos; para avaliar a condição motora e para fortalecer a autonomia (PAES; BALBINO, 2005, p.12).

Assim, a segunda atividade pode objetivar a familiarização com a bolinha. Uma proposta pode ser o aluno jogar a bolinha para cima e pegar com as duas mãos; com uma mão só; depois com a outra mão; quicá-la com diferentes partes do corpo e com diferentes níveis de intensidade de força; arremessar na parede e tentar pegar (em diferentes alturas), etc. Outras possibilidades devem ser solicitadas aos alunos, propiciando uma maior participação dos mesmos como sujeitos do processo de ensino-aprendizagem, ao serem estimulados para o processo criativo e para autonomia, indo ao encontro das prerrogativas da Pedagogia do Esporte.

Já a terceira atividade pode focar a familiarização com o equipamento raquete 3, explorando-se inicialmente seu peso, forma, suas possibilidades de empunhadura, suas ações com a bolinha, como por exemplo, rebatê-la para cima ou para baixo, rebatê-la com um movimento lateral ou acima da cabeça e etc. Caso haja sucesso nestas propostas, é possível ampliar-se a complexidade, solicitando aos alunos que mantenham o contato da bolinha com a raquete (quicando-a) com movimentos de locomoção (andar, andar nas pontas dos pés, correr para diferentes direções, saltitar com um pé só, etc.) O contato oferecido com a raquete deve ofertar para as crianças/alunos um desenvolvimento da coordenação geral motora e de ordenar seus movimentos corporais. Estas propostas podem ser orientadas pelo professor e suas variações e ressignificações podem ser dadas pelos próprios alunos.

A quarta atividade pode enfatizar as vivências anteriores, combinada a um dos fundamentos básicos da modalidade que é o jogar com o outro (em dupla). Assim, a atividade proposta em dupla poderia constituir-se de um aluno de frente para o outro (a uma dada distância que facilite a atividade), rebatendo a bolinha para seu parceiro, das mais variadas formas de rebatidas, para distintas direções e com diferente intensidade. Outra atividade seria dispor os alunos em duas filas, uma de cada lado da rede, para que um aluno de uma fila rebata a bolinha para o outro campo e este mesmo iria para o final da fila. Esse processo continuaria até que todas as crianças tivessem participado. Assim, as atividades em dupla ou em grupo deverão desenvolver as noções dos alunos a cerca da direção e da força das rebatidas, assim como a percepção da trajetória da bolinha para que alcancem as finalidades dos esportes de raquetes.

A quinta atividade pode focar outro fundamento técnico destes esportes que é o saque, sendo este constitui-se como o "Ato de iniciar uma ação no jogo" (STUCCHI, 2007, p.6). Primeiramente, ao ensinar o fundamento do saque, uma das atividades seria dispor os alunos numa distância média da rede, no qual o aluno quicaria a bolinha e ao chegar a uma dada altura ele a rebateria tentando fazer com que ela passasse da rede e cairia do lado oposto da quadra. Sucessivamente, aumentaria-se essa distância até o seu dobro (em relação à rede), para que se dificultasse o fundamento para uma aprendizagem motora mais complexa por parte dos alunos.

As atividades subsequentes poderiam focar outros fundamentos do esporte, como o voleio, em que o aluno "rebate a bola antes de quicar no chão"; a rebatida direta "rebatida com a face da raquete correspondente a palma da mão"; a rebatida revés "rebatida com a face da raquete correspondente ao dorso da mão" e a cortada "rebatida feita sobre a cabeça, numa bola alta, para terminar o ponto", dentre outras, segundo Stucchi (2007, p.6).

A penúltima atividade poderia focar o jogo, com características muito próximas ao jogo do esporte de raquete, entendendo que o jogo se caracteriza como:

Um sistema complexo em que seu ambiente determinará o que é jogo ou o que não é jogo, evidenciando a predominância da subjetividade em detrimento da objetividade e pela consciência de se tratar de uma atividade agradável e por proporcionar um relaxamento das tensões da vida cotidiana (SCAGLIA, 2003, p. 49).

Portanto, um tipo de jogo pode ser caracterizado pelas rebatidas de um lado da quadra para outro, no qual os alunos poderão ser divididos em dois times, para que eles possam ter o contato com os esportes de raquetes propriamente ditos, depois de toda a vivência e aprendizagem motora, dando-se ênfase no caráter lúdico e prazeroso do jogo. Lembrando que deve se propiciar que os próprios alunos possam criar novas possibilidades de jogos.

Por fim, como última atividade, sempre há a indicação de que haja uma conversa com os alunos, para se estabelecer uma reflexão acerca do que foi vivido, apontando as facilidades, dificuldades, desafios, os momentos de maior prazer e envolvimento, ressaltando-se o que poderia ser modificado ou criado etc. Assim como, uma reflexão no sentido de uma auto avaliação 4. Em relação a nossa intervenção na ARIL, reservamos este espaço também para fazer os agradecimentos e receber um feedback (uma informação de retorno) sobre o vivido, incluindo-se uma análise do que esta vivência "auxiliou no processo de aquisição de habilidades motoras" (CORRÊA; BENDA; UGRINOWITSCH, 2006, p. 243), dentre outros aspectos acima mencionados.

Com a vivência desta proposta numa entidade social que foca o atendimento a deficientes intelectuais leves, e com base no referencial teórico utilizado, pôde-se perceber que os estes deficientes tiveram a mesma capacidade de realizar as atividades propostas que as pessoas consideradas "normais", com suas mais diversas dificuldades e facilidades, assim como, o desenvolvimento dos princípios da socialização, normalização e da diminuição do sentimento de preconceito acometidos sobre eles.

 

4. Considerações finais

A proposta apresentada oferta "uma sincronia harmônica dos três elementos pilares dos esportes com raquete: o sujeito, a bola e a raquete" (STUCHHI, 2007, p. 203) 5. E a partir dela, entendemos que muitas habilidades podem ser desenvolvidas, como:

  • Um olhar mais atento em relação a um objeto em movimento, fazendo uma referência ao deslocamento da bolinha nos esportes de raquetes.
  • Conscientização dos alunos em relação à velocidade, o peso e as mudanças de direção que a bolinha causava.
  • O conhecimento sobre o peso da raquete, seu manuseio e a força necessária para bater na bolinha.
  • A noção espacial de como a bolinha viria até o aluno por meio de uma rebatida.
  • Identificar a força e a altura que tinha que ser empregada para que a bolinha passasse da rede e chegasse até o outro lado da quadra.
  • E uma noção de espaço por meio da movimentação causada por um jogo para agrupar as vivências anteriormente adquiridas.
  • Além dos aspectos motores, outros também podem ser alcançados pela proposta:
  • A socialização dos alunos durante as atividades.
  • A forma com a qual progressivamente podem se envolver com a proposta.
  • O esforço (motivação) para realizar e aprender um gesto novo.
  • O sentimento de conquista a cada gesto realizado com sucesso.
  • A autoanálise e autocrítica durante as atividades propostas.
  • A realização de participar desta proposta, não antes vivenciada no contexto institucional.

Esta proposta objetiva acima de tudo democratizar o esporte para os deficientes intelectuais, indo ao encontro de alguns estudos e experiências esportivas voltadas para pessoas com Síndrome de Down, por exemplo, que gradativamente têm alcançado maior visibilidade. A obra de Déa e Duarte (2009) pode ser considerada como um marco na produção científica na área esportiva, por seus conteúdos e propostas (dentre elas algumas que também se utilizam do aporte teórico da Pedagogia do Esporte). E a mídia (impressa e televisiva) tem colaborado com este processo, ao divulgar os feitos esportivos desta população, como o cavaleiro Claudio Aleoni Arruda, vice campeão paulista de hipismo em 2009 (destaque: não no esporte paralímpico - www.brasilhipismo.com.br/tag/claudio-aleoni-arruda, acesso em 13 de Mar. 2013), e o alpinista Eli Reimer, que alcançou a primeira fase de escalada do pico Everest, em 2013 (www.outsideonline.com/outdoor-adventure/Eli-Reimer-Base-Camp-Bagger.html, acesso em 13 de Mar. 2013).

Consideramos que esta proposta pedagógica de aproximação entre os esportes de raquete e os deficientes intelectuais leves, alicerçada nas prerrogativas da Pedagogia do Esporte, se constitui num passo importante para a área. E como mais um esforço para a estruturação de outras pesquisas e propostas que objetivem a emancipação humana.

E concomitante a isso, esta proposta objetivou evidenciar os inúmeros benefícios (de diferentes ordens: cognitiva, motora, social, afetiva) que podem ser alcançados pelos deficientes intelectuais leves, assim como, pelos demais agentes sociais envolvidos no processo (professores, estagiários, gestores, familiares etc.), numa perspectiva crítico-reflexiva acerca da autonomia e da pertença social de todos os partícipes.

 

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Recebido em: 13/02/2014
Reformulado em: 10/09/2014
Aprovado em: 18/09/2014

 

 

1 Esta proposta foi vivenciada numa experiência piloto, da qual participaram oito alunos (quatro meninas e quatro meninos) escolhidos à critério da coordenação da Associação de Reabilitação Infantil Limeirense (ARIL), na cidade de Limeira, São Paulo, em maio de 2012. Todas elas possuíam deficiência intelectual leve (F 70, de acordo com o CID) e tinham uma faixa etária entre doze a dezesseis anos. A intervenção se deu na quadra poliesportiva da mesma Associação e requereu uma adaptação da rede de vôlei numa rede de esportes de raquete. Também foram utilizados os seguintes materiais: Bolas de frescobol, Raquetes de frescobol, Coletes coloridos, Rede de vôlei adaptada e Câmera digital (para o registro desta intervenção disponível em http://www.youtube.com/watch?v=kZ-VMV1B6AA&feature=youtube). Ressalta-se que houve um cuidado ético neste processo, pois tanto a instituição, como os representantes legais destes alunos, assinaram um termo livre e esclarecido acerca desta intervenção, possibilitando, inclusive, a veiculação das imagens produzidas na mesma.
2 Esta variação da brincadeira pega-pega pode ser a mais aconselhada, pois deve trabalhar a coordenação das crianças em relação à trajetória de um objeto em movimento, que na prática vivenciada, foi um colete. Outras possibilidades já conhecidas pelos alunos, assim como outras novas, podem ser oportunizadas.
3 As raquetes podem ser emprestadas ou doadas de uma academia ou clube, ou até mesmo compradas pela instituição (caso haja esta possibilidade). Sugere-se que os próprios alunos possam confeccioná-las numa oficina anterior a esta aula, evidenciando-se a viabilidade destes esportes em diferentes contextos de prática, a partir de materiais recicláveis e baratos, como cabides, tecidos, meias, papelão, jornal etc. Formas adaptadas de confecção de raquetes podem ser consultadas nos links: http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/983675-aprenda-a-fazer-uma-raquete-de-cabide.shtml; https://sites.google.com/site/educopediaedfisica/badminton/material-alternativo.
4 No caso deste perfil de público mostra-se extremamente relevante, pois poderá ser um processo cognitivo de memória, síntese e autocrítica, como também um momento de entender o quanto o vivido no contexto esportivo foi possível e realizador.
5 Na experiência piloto realizada, foi evidenciada esta sincronia entre os três elementos.

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