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Ciência e Agrotecnologia

Print version ISSN 1413-7054

Ciênc. agrotec. vol.27 no.4 Lavras Aug. 2003

https://doi.org/10.1590/S1413-70542003000400001 

AGRONOMIA

 

Avaliação de genótipos de bananeira em diferentes ambientes

 

Evaluation of banana genotypes in different environments

 

 

Sebastião de Oliveira e SilvaI; Adriana Rodrigues PassosII; Sérgio Luiz Rodrigues DonatoIII; Luis Carlos Chamum SalomãoIV; Lair Victor PereiraV; Maria Geralda Vilela RodriguesVI; Francisco Pinheiro Lima NetoVII; Marcelo Bezerra LimaVIII;

I Dr., Pesquisador Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas, BA - ssilva@cnpmf.embrapa.br.
II Estudante do curso de Engenharia Agronômica da EAUFBA, Bolsista do PIBIC-CNPq, Cruz das Almas, BA.
III Engenheiro Agrônomo Professor da EAFAJT, Guanambi, BA.
IV Professor, Dr., Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG.
V MSc., Pesquisador EPAMIG, Lavras, MG.
VI MSc., Pesquisadora EPAMIG, Jaíba, MG.
VII Engenheiro Agrônomo, Dr., Bolsista de Desenvolvimento Científico Regional (CNPq), Embrapa Mandioca e Fruticultura.
VIII MSc., Pesquisador Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas, BA.

 

 


RESUMO

Híbridos de bananeira mais produtivos, resistentes a pragas e com frutos de qualidade, gerados ou introduzidos na Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura Tropical, estão sendo avaliados em vários ambientes. Objetivou-se com este trabalho avaliar o comportamento dos híbridos tetraplóides (AAAB) Pioneira, PV03-44, FHIA-01, SH3640 e FHIA-18 e das cultivares Nam (AAA), Caipira (AAA), Grande Naine (AAA) e Prata Anã (AAB), em Guanambi - BA, Cruz das Almas - BA, Viçosa - MG, Lavras - MG e Jaíba - MG, durante dois ciclos. Os caracteres analisados foram altura da planta, peso do cacho, número de frutos por cacho, comprimento do fruto e número de dias do plantio à colheita, utilizando-se a média de 25 plantas por parcela e o desvio-padrão como variáveis. Considerando-se os cinco ambientes e os dois ciclos, a ‘Grande Naine’ teve o menor porte (218,7 cm), apresentando, com o SH3640, o maior comprimento do fruto (20,3 e 18,8 cm, respectivamente) e o maior peso do cacho (24,1 e 21,8 kg) e, com a ‘Caipira’, o maior número de frutos (respectivamente 142,2 e 146,1). Os híbridos da ‘Prata Anã’ introduzidos de Honduras - FHIA-01, FHIA-18 e SH3640 - superaram a genitora no peso do cacho e no comprimento do fruto nos cinco ambientes e nos dois ciclos, ao passo que a ‘Pioneira’ foi o genótipo mais precoce. Enquanto Lavras - MG teve os menores valores do desvio-padrão, Jaíba - MG apresentou as mais favoráveis características edafoclimáticas à cultura, proporcionando aos genótipos precocidade e maior produtividade.

Termos para indexação: Musa spp., avaliação de genótipos, ambientes, bananeira.


ABSTRACT

Superior banana hybrids, resistant to diseases and with good fruits, generated or introduced in Embrapa-National Center of Cassava and Tropical Fruits Research, have been evaluated in different environments. The work was carried out to evaluate the behavior of tetraploid hybrids (AAAB) Pioneira, PV03-44, FHIA-01, SH3640 and FHIA-18 and varieties Nam (AAA), Caipira (AAA), Grande Naine (AAA) and Prata Anã (AAB), in Guanambi - BA, Cruz das Almas - BA, Viçosa - MG, Lavras - MG and Jaíba - MG, during two cycles. The characters analyzed were plant height, bunch weight, number of fruits, fruit length and cycle period. The average of 25 plants per plot and the standard deviation were used as variables. Considering five environments and two cycles, ‘Grande Naine’ was the smaller genotype (218,7 cm), presenting, together with SH3640, the largest fruit length (respectively 20,3 e 18,8 cm) and the largest weight bunch (24,1 e 21,8 kg) and, together with ‘Caipira’, the largest number of fruits (respectively 142,2 e 146,1). The introduced hybrids from Honduras of ‘Prata Anã’ - FHIA-01, FHIA-18 and SH3640 - overcame the female genitor in bunch weight and in fruit length in five environments and two cycles, while ‘Pioneira’ was the most precocious genotype. While Lavras - MG had the smallest standard deviations, Jaíba - MG presented the most favorable soil and climatic characteristics for the culture, propitiating to genotypes precocity and superior productivity.

Index terms: Musa spp., genotypes evaluation, environments, banana.


 

INTRODUÇÃO

A bananicultura possui uma grande importância econômica e social, proporcionada pela extensa região tropical de cultivo, geralmente explorada por pequenos agricultores. O Brasil é o terceiro produtor mundial, com cerca de 5,50 milhões de toneladas por ano, numa área de 521 mil hectares (FAO, 2002).

As variedades mais difundidas no País são: Maçã, tipo Prata (Prata Comum, Pacovan e Prata Anã), tipo Plátano (Terra e D’Angola) e tipo Cavendish (Nanica, Nanicão e Grande Naine e Mysore). As variedades do tipo Prata ocupam aproximadamente 60% da área cultivada com bananeira no Brasil. Apresentam frutos geralmente pequenos e médios, de sabor doce a suavemente ácido. A ‘Prata Anã’, mutante da ‘Branca’ (Lichtemberg et al., 1998), apresenta porte de baixo a médio e frutos com tamanho e sabor idênticos aos da ‘Prata Comum’. A ‘Pacovan’ é, além de mais rústica, mais alta que a ‘Prata Comum’; apresenta frutos de sabor mais ácido e 40% maiores, com quinas que permanecem mesmo após a maturação. Sob irrigação, a sua produção supera em quase 100% a produção da ‘Prata Comum’. A ‘Maçã’ é a preferida e alcança preços mais elevados, porém, devido a sua alta susceptibilidade ao mal-do-Panamá, está sendo dizimada em várias regiões. A ‘Mysore’, resistente ao mal-do-Panamá, é uma cultivar alta e com frutos externamente semelhantes aos da ‘Maçã’, embora com sabor diferente. É muito produtiva, entretanto, apresenta o Banana Streak Leaf Virus. As cultivares do tipo Cavendish apresentam frutos doces, que são mais consumidos no Sudeste e no Sul e exportados para o Uruguai e a Argentina. As bananas do tipo Plátano são mais cultivadas e consumidas (cozidas ou fritas) nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Todas as variedades descritas são muito susceptíveis à Sigatoka-negra (Mycosphaerella fijiensis), à exceção da Mysore, e ao moko (Ralstonia solanacearum). À exceção da ‘Mysore’ e dos plátanos, são também susceptíveis à Sigatoka-amarela (Mycosphaerella musicola) (Silva et al., 1999). As pragas e as doenças provocam severas perdas na produção, e dependendo das circunstâncias, podem ser de até 100%, uma vez que, em muitos casos, não existe nenhuma alternativa de controle.

Uma das estratégias para a solução dos problemas citados é a criação de novas variedades resistentes a doenças, nematóides e pragas, mediante o melhoramento genético, o qual possibilita a obtenção de híbridos superiores. A etapa final do melhoramento constitui-se na avaliação dos genótipos em áreas de produção (Silva et al., 1998; Silva et al., 2000), determinando-se o ciclo da cultura, a altura da planta, o peso do cacho, o número de frutos por cacho e o comprimento do fruto (Alves, 1990; Ledo et al., 1997; Silva & Alves, 1998).

Objetivou-se com este trabalho avaliar cultivares e híbridos de bananeira em vários ambientes que apresentam distintas características edafoclimáticas.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido no período de 1997 a 2000, em cinco ambientes: Guanambi (BA), Cruz das Almas (BA), Viçosa (MG), Lavras (MG) e Jaíba (MG). Os genótipos avaliados foram as variedades Nam, Caipira, Grande Naine e Prata Anã e os híbridos SH3640, FHIA-01, FHIA-18, Pioneira e PV03-44 (Tabela 1). Os genótipos foram avaliados em dois ciclos nos cinco ambientes mencionados, exceto a variedade Nam, que não foi avaliada em Jaíba-MG, e o híbrido PV03-44, não  avaliado em Jaíba-MG e Guanambi-BA, utilizando-se, para cada genótipo, 25 plantas por parcela. Os caracteres analisados foram altura da planta, em cm, peso do cacho, em kg, número de frutos por cacho, comprimento do fruto, em cm, e número de dias do plantio à colheita, computado a partir da data do plantio da muda. Empregaram-se as variáveis média e desvio-padrão, calculado de acordo com a expressão descrita por Gomes (1985).

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No primeiro ciclo, as médias superiores da altura da planta foram observadas, para a ‘Caipira’, o SH3640 e o FHIA-01, em Jaíba-MG; para a ‘Pioneira’, o FHIA-18 e o PV03-44, em Lavras-MG e, para a ‘Grande Naine’ e a ‘Prata Anã’, em Guanambi-BA, ao passo que a média superior para a ‘Nam’ foi obtida em Viçosa-MG. As menores médias encontradas para os genótipos avaliados foram verificadas em Cruz das Almas-BA, excetuando-se apenas as duas referentes ao SH3640 e à ‘Pioneira’, menores em  Lavras-MG  e  Jaíba-MG,  respectivamente.  No segundo ciclo, as médias mais elevadas da altura da planta foram apresentadas, para a ‘Caipira’, o SH3640, o FHIA-18 e o FHIA-01, em Jaíba-MG, para a ‘Nam’, a ‘Pioneira’ e o PV03-44, em Viçosa-MG e, para a ‘Prata Anã’ e a ‘Grande Naine’, em Guanambi-BA. As menores médias, para a ‘Pioneira’, a ‘Grande Naine’, a ‘Prata Anã’, o SH3640 e o FHIA-01, foram obtidas em Lavras-MG e, para a ‘Caipira’, a ‘Nam’, o FHIA-18 e o PV03-44, em Cruz das Almas-BA (Tabelas 2 e 3).

O híbrido FHIA-01, em Lavras-MG, foi o único  genótipo  que  não  expressou  modificação, entre  os  ciclos,  no  porte,  caráter  que  normalmente só se estabiliza em gerações subseqüentes à segunda (Soto Ballestero, 1992; Alves & Oliveira, 1999). Alguns genótipos apresentaram, em relação ao  porte,  um  desempenho  superior  em  determinados ambientes, como a ‘Caipira’, o SH3640 e o FHIA-01, em Jaíba-MG, a ‘Nam’, em Viçosa-MG e a ‘Grande Naine’ e a ‘Prata Anã’, em Guanambi-BA.

Em virtude dos baixos valores médios encontrados, tanto no primeiro como no segundo ciclos, conclui-se que Cruz das Almas-BA não apresentava as condições ambientais favoráveis para a expressão do porte, caráter importante no melhoramento, influindo diretamente na densidade de plantio, no manejo da cultura e na produtividade (Manica, 1997; Alves & Oliveira, 1999). No segundo ciclo, as médias superiores da ‘Pioneira’ e da ‘Prata Anã’ assemelharam-se àquelas verificadas por Silva et al. (2000), em Cruz das Almas-BA.

Em relação ao peso do cacho, caráter de relevância no melhoramento da bananeira, pois reflete em parte a produtividade, Jaíba-MG proporcionou as médias superiores, no primeiro ciclo, para todos os genótipos, exceto para a ‘Nam’ e o PV03-44, ausentes em tal ambiente, que apresentaram as médias superiores em Guanambi-BA e Cruz das Almas-BA, respectivamente. No segundo ciclo, enquanto a ‘Nam’, a ‘Caipira’, a ‘Prata Anã’ e o PV03-44 apresentaram desempenho superior em Cruz das Almas-BA, a ‘Grande Naine’ teve novamente o melhor rendimento em Jaíba-MG. Os cachos mais pesados dos híbridos SH3640, FHIA-18 e FHIA-01 foram verificados, como no primeiro ciclo, em Jaíba-MG, ao passo que, da ‘Pioneira’, foram observados em Viçosa-MG (Tabelas 2 e 3). Em praticamente todos os genótipos, o peso do cacho apresentou um acréscimo entre os ciclos nos diversos ambientes, verificando-se a mesma tendência constatada por Silva et al. (2000).

Uma vez que Jaíba-MG propiciou a obtenção de cachos mais pesados para o SH3640, o FHIA-01 e o FHIA-18, supõe-se que o ambiente apresente as condições mais adequadas para os três híbridos expressarem o potencial produtivo. Pelos resultados, infere-se ainda que o PV03-44 e a ‘Grande Naine’ expressam, em relação à produção de cacho, um melhor rendimento em Cruz das Almas-BA e Jaíba-MG, respectivamente. De maneira geral, as médias superiores obtidas nos dois ciclos avaliados superaram aquelas verificadas por Silva et al. (2000).

Analisando o número de frutos, verifica-se, no primeiro ciclo, que Jaíba-MG apresentou as melhores médias da ‘Caipira’, da ‘Prata Anã’ e dos híbridos SH3640, FHIA-01 e FHIA-18. A ‘Pioneira’ e o PV03-44 apresentaram um maior número de frutos em Cruz das Almas-BA, ao passo que a ‘Nam’ produziu mais frutos em Viçosa-MG e a ‘Grande Naine’ obteve um melhor desempenho em Guanambi-BA. No segundo ciclo, a ‘Caipira’ e a ‘Prata Anã’ destacaram-se em Guanambi-BA e Cruz das Almas-BA, respectivamente, enquanto os híbridos da ‘Prata Anã’ - ‘Pioneira’, SH3640, FHIA-01 e FHIA-18 - obtiveram o melhor rendimento em Jaíba-MG. A ‘Grande Naine’ produziu, nos dois ciclos avaliados um maior número de frutos por cacho em Guanambi-BA. A ‘Nam’ e o PV03-44 apresentaram o melhor desempenho em Viçosa-MG e Cruz das Almas-BA, respectivamente, ambientes que lhes proporcionaram também a maior produção de frutos no primeiro ciclo (Tabelas 2 e 3). Quanto ao número de frutos, confirmando as expectativas e corroborando os resultados relatados por Silva et al. (2000), esse apresentou um significativo aumento entre o primeiro e o segundo ciclos.

Segundo Carvalho (1995), o número de frutos produzidos é fundamental na determinação do peso do cacho. Os indícios de associação entre os dois caracteres (Flores, 2000) revestem o número de frutos de importância no melhoramento. Os híbridos SH3640, FHIA-01 e FHIA-18 revelaram o mais alto potencial para incrementos simultâneos do número de frutos e do peso do cacho em Jaíba-MG, enquanto a ‘Grande Naine’ e o PV03-44 demonstraram tal tendência em Guanambi-BA e Cruz das Almas-BA, respectivamente. Tanto no primeiro como no segundo ciclos, as médias superiores do número de frutos, em todos os genótipos avaliados, superaram aquelas apresentadas por Silva et al. (2000), em Cruz das Almas-BA.

Em relação ao comprimento do fruto, que pode  ser  determinante  dependendo  do  mercado  consumidor,  por  ser  considerado  um  parâmetro para a classificação da banana, as médias superiores da ‘Nam’, da ‘Caipira’, do SH3640, do FHIA-01 e do PV03-44, no primeiro ciclo, foram observadas  em  Viçosa-MG  e,  dos  demais  genótipos,  em  Guanambi-BA.  No  segundo  ciclo,  as médias  de  todos  os  genótipos  avaliados  foram superiores em Viçosa-MG (Tabelas 2 e 3). Percebe-se, na maioria dos genótipos e dos ambientes, uma elevação  na  dimensão  do  caráter  entre  os  ciclos, fato coincidente com os relatos de Silva et al. (2000). Observando-se as médias referentes ao segundo ciclo e obtidas nos cinco ambientes, constata-se  que,  no  tipo  Prata,  os  híbridos  SH3640, FHIA-01, FHIA-18 e PV03-44 produziram frutos que apresentaram o padrão de exportação (> 16 cm), enquanto, no subgrupo Cavendish, a ‘Grande Naine’ produziu  frutos  que  se  enquadraram  na  quarta classe (18 a 22 cm). As variedades Nam e Caipira não  pertencem  a  nenhum  subgrupo  conhecido; logo não têm padrões de certificação (FrutiSéries, 2000).

Pelos resultados obtidos infere-se que Viçosa-MG reuniu as condições mais adequadas para um incremento  no  tamanho  do  fruto,  cuja  expressão não correspondeu perfeitamente, porém, à expressão do peso do cacho, já que o último caráter depende também  do  número  de  frutos.  Os  valores  observados,  em  praticamente  todos  os  genótipos,  superaram as médias apresentadas por Silva et al. (2000).

O ciclo sofreu consideráveis alterações entre os ambientes. No primeiro ciclo, o FHIA-01, o FHIA-18, a ‘Prata Anã’ e a ‘Grande Naine’ foram mais precoces em Jaíba-MG, ao passo que o SH3640 e  o  PV03-44  foram em Cruz das Almas-BA e a ‘Pioneira’, a ‘Caipira’ e a ‘Nam’ foram em Guanambi-BA. No segundo, a ‘Pioneira’, a ‘Nam’ e o FHIA-18  foram  mais  precoces  em Guanambi-BA, a  ‘Prata Anã’,  a  ‘Grande Naine’,  a  ‘Caipira’,  o SH3640 e o FHIA-01 foram em Jaíba-MG e o PV03-44 foi mais precoce em Cruz das Almas-BA (Tabelas 2 e 3).

Em  relação  ao  ciclo,  os  genótipos  mais recomendáveis  e  os  ambientes  mais  apropriados são aqueles que permitem ao agricultor a antecipação do retorno do investimento aplicado (Pereira, 1997). Pelos resultados obtidos, Guanambi-BA e Jaíba-MG parecem ter reunido as condições ambientais favoráveis à diminuição dos dias necessários à emissão do cacho, mas as diferenças entre os ambientes podem ser devidas ao manejo empregado, que envolve o tipo  e  o  vigor  da  muda  no  momento  do  plantio  e  a  época  de  desbaste  e  desfolha,  bem  como  os demais tratos culturais recomendados como adubação e controle de doenças, pragas e plantas invasoras.

O  desvio-padrão  é  um  parâmetro  que  expressa a dispersão dos dados em torno da média experimental, a qual pode ser causada por heterogeneidade genética ou ambiental. Os menores desvios-padrão, em percentual da média, registraram-se, na maioria, em Lavras-MG (Tabelas 2 e 3). Todos os genótipos avaliados constituem clones - oriundos de propagação vegetativa -, logo, se mutações não tiverem  ocorrido,  não  deve  haver  variabilidade  genética entre as plantas. A dispersão verificada pode ter sido devida exclusivamente à heterogeneidade ambiental, cuja magnitude reflete a qualidade experimental, permitindo-se concluir que Lavras-MG deve ter apresentado as condições mais adequadas de cultivo.

Comparando-se o desempenho de todos os genótipos em todos os ambientes avaliados, constata-se que a ‘Grande Naine’ apresentou a menor estatura média nos dois ciclos, o que, conseqüentemente, a credencia como um material que permite uma colheita mais fácil e que é menos vulnerável ao tombamento provocado pelo vento, embora não dispense a prática do escoramento devido ao elevado peso do cacho que produz (Belalcázar Carvajal, 1991). Em relação ao peso do cacho, a ‘Grande Naine’ e o híbrido SH3640 destacaram-se em todos os ambientes e nos dois ciclos. Dos quatro híbridos da ‘Prata Anã’ - SH3640, FHIA-01, FHIA-18 e ‘Pioneira’ -, os três primeiros superaram a variedade genitora nos cinco ambientes e nos dois ciclos. Todavia, a ‘Pioneira’, embora não tenha sido superior à ‘Prata Anã’ em todos os ambientes, apresentou cachos equivalentes nos dois ciclos. Analisando-se o número de frutos, percebe-se, nos cinco ambientes e nos dois ciclos, que a ‘Prata Anã’ é superada somente por dois de seus híbridos, o FHIA-01 e o FHIA-18, sendo equivalente ao SH3640 e superior à ‘Pioneira’. A ‘Caipira’ e a ‘Grande Naine’ sobrepujaram todos os outros genótipos quanto ao número de frutos em Guanambi-BA; contudo, nos demais ambientes, foram aproximadamente  equivalentes  aos  híbridos  FHIA-01 e FHIA-18. A ‘Caipira’, ao longo dos dois ciclos estudados, destacou-se na produção de frutos. No que concerne ao comprimento do fruto, tal como no peso do cacho, a ‘Grande Naine’ e o SH3640 foram os genótipos avaliados de maior destaque nos cinco ambientes e nos dois ciclos. O FHIA-01 e o FHIA-18 também  se  sobressaíram  no  comprimento  do  fruto, em  comparação  à  ‘Prata Anã’;  entretanto,  a  ‘Pioneira’ não apresentou um rendimento superior àquele da genitora em todos os ambientes. Em relação ao período do plantio à colheita, a ‘Pioneira’ foi o genótipo mais precoce, com aproximadamente 491 dias,  nos  dois  ciclos  e  nos  cinco  ambientes, constituindo-se  o  principal  destaque  (Tabelas 4, 5 e 6).

 

 

 

 

CONCLUSÕES

Os ambientes influíram no desempenho dos genótipos na manifestação dos caracteres.

Jaíba-MG foi o ambiente mais favorável à bananicultura.

Os híbridos da ‘Prata Anã’ avaliados apresentam potencial para serem recomendados como variedades em cultivos comerciais da bananeira, em virtude de vantagens observadas na produtividade ou na precocidade.

 

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