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Ciência e Agrotecnologia

Print version ISSN 1413-7054

Ciênc. agrotec. vol.27 no.6 Lavras Nov./Dec. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-70542003000600014 

CIÊNCIA FLORESTAL

 

Caracterização e usos do parque florestal Quedas do Rio Bonito localizado na cidade de Lavras/MG - pesquisa de opinião

 

Characterization and uses of the forest park "Falls of Rio Bonito" localized in the municipality of Lavras/MG, through a opinion research

 

 

Larissa Martiniano de CarvalhoI; Patrícia Duarte de Oliveira PaivaII; Fausto Weimar Acerbi JuniorIII; Silvério José CoelhoII; Fernanda Cristiane SimõesIV

IEngenheiro Agrônomo, Msc. Fitotecnia
IIProfessores do Departamento de Agricultura, UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS/UFLA, Caixa Postal 37 - 37200-000 - Lavras, MG
IIIProfessor do Departamento de Engenharia Florestal/UFLA
IVDoutoranda, Departamento de Agricultura/UFLA

 

 


RESUMO

O Parque Quedas do Rio Bonito é o único parque metropolitano da cidade de Lavras - Minas Gerais. Localizado fora do perímetro urbano, possui, como principal objetivo, a preservação ambiental. É, ainda, muito utilizado como atração turística, possuindo grande importância para a cidade. Com a finalidade de fazer uma análise da visão da população sobre suas características e uso, foi realizada uma pesquisa de opinião, por meio de entrevistas, na qual foram amostrados representantes de 600 famílias, aplicando-se um questionário padronizado com perguntas diretas e descritivas. Pelos resultados, verificou-se que o Parque Quedas do Rio Bonito é freqüentado por 60,5% dos entrevistados, sendo esses principalmente das classes de renda média e alta. Observou-se ainda que 39,5% dos entrevistados nunca visitaram o parque e o principal motivo alegado foi a falta de condução. Verificou-se que o parque atrai parte da população, mesmo estando fora do perímetro urbano, pois possui atividades e contemplação diversificadas.

Termos para indexação: Parques, lazer.


ABSTRACT

"Falls of Rio Bonito" is the unique metropolitan park of the Lavras city - Minas Gerais state. It is localized out of the urban perimeter, and it has as main objective the environment preservation. It is still very used as an touristic attraction, which is very important for the city. With the purpose of doing an analysis of the population vision on their characteristics and use, we realized an opinion research was accomplished, by interviewing representatives of 600 families, to them a standardized questionnaire was applied, with direct and descriptive questions. The results showed that the Park "Falls of Rio Bonito" is frequented by 60.5% of the interviewed, being these mainly of the classes of medium and high income. It was observed that 39.5% of the interviewed had never visited the park and the main alleged reason was the transport lack. It was verified that the park attracts part of the population in spite of being out of the urban perimeter, because it has activities and contemplations diversified.

Index terms: Parks, leisure.


 

 

INTRODUÇÃO

Parques são grandes espaços abertos livres, urbanos ou entre cidades, arborizados, podendo conter áreas de vegetação natural e áreas de vegetação plantada. Possuem finalidades de recreação, lazer e conservação da natureza, sendo de grande importância para a saúde física e mental das populações urbanas. Do ponto de vista ecológico, contribuem para a proteção da flora, da fauna, da água e do solo, exercendo efeito benéfico para o microclima (DEMATTÊ, 1999).

A cidade de Lavras possui um parque de propriedade particular localizado fora do perímetro urbano, denominado Parque Quedas do Rio Bonito, com área aproximada de 70 ha, tendo como objetivo principal preservar importantes sistemas de valores naturais e culturais, protegendo recursos genéticos, desenvolvendo a educação ambiental e oferecendo oportunidades para a recreação, além de permitir a realização de pesquisas de caráter científico.

O Parque Florestal Quedas do Rio Bonito é mantido pela Fundação Abraham Kasinski e foi criado em uma área de onde era retirada a água que abastecia a cidade. Ainda restam no local construções da época (UFLA, 2002).

Em relação à estrutura, o Parque possui um espaço de convívio de uso múltiplo, com restaurante, centro de informações, administração, playground, anfiteatro e recantos para descanso. Para esportes e recreação, possui quadras poliesportivas e vestiários, além de áreas para caminhadas. Possui, ainda, um mirante, além de quedas de água e poços naturais, situados próximo à cachoeira do "Poço Bonito", que dá nome ao parque.

Por se tratar de um parque muito importante para a cidade de Lavras, realizou-se esta pesquisa com a finalidade de fazer uma análise da situação atual, visando às suas características e uso, de acordo com a visão da população.

 

METODOLOGIA

O trabalho foi desenvolvido no município de Lavras, que se localiza a 21º14'30" latitude S e 45º00'10" longitude W, na região sul de Minas Gerais. O clima é mesotérmico, com verões brandos e chuvosos.

A pesquisa foi feita diretamente com o entrevistado, que respondeu a um questionário padronizado com questões diretas e descritivas. Para o tamanho da amostra, foi considerada uma margem de erro de 4,1%, com coeficiente de confiança de 95%. Dessa forma, o tamanho da amostra foi determinado pela fórmula estatística (BEARZOTI e OLIVEIRA, 1997):

Sendo:

- e: erro padrão da proporção;

- Zα/2: é um valor da Tabela de Z, referente ao grau de 95% de confiança;

- p: proporção dos indivíduos que possuem a característica de interesse;

- q: proporção dos indivíduos que não possuem a característica de interesse, sendo determinado por q = 1-p;

- n: é o tamanho da amostra.

Assim, o tamanho determinado para a amostra foi:

Para:

Grau de confiança = 95% Z1-α/2 = Z 0,975 = 1,96 α = 0,05

p = 0,50

q = 1 - p q = 1 - 0,5 = 0,5 então q = 0,5 (como não se tem um conhecimento a priori com relação à proporção de pessoas que possuem a característica de interesse, adota-se o valor de p = q = 0,5).

Dessa forma:

Considerando-se e = 0,041 (4,1%)

Dessa forma, o tamanho da amostra (n) foi de 600 pessoas.

Determinado o tamanho da amostra, realizou-se a amostragem dividindo-se o mapa da cidade em 21 setores residenciais. O tamanho da amostra de cada setor foi proporcional ao número de pessoas residentes em cada setor (Tabela 1).

O sorteio das unidades amostrais seguiu o sistema sistematizado, com salto, entre unidades amostrais, de 20 residências.

Antes de o questionário ser utilizado de forma definitiva, ele foi submetido a um pré-teste, conforme determinação de Marconi (1996), a fim de detectar possíveis falhas existentes. O questionário utilizado está descrito a seguir:

 

QUESTIONÁRIO PARA AVALIAÇÃO DA CARACTERIZAÇÃO E USOS DO PARQUE QUEDAS DO RIO BONITO - LAVRAS/ MG

01. Setor:__________

02. Qual o seu nível de escolaridade? 1. até Ensino Fundamental/ 2. Ensino Médio/ 3. Superior

03. Qual a renda familiar mensal? 1. < R$ 300,00/ 2. R$ 300,00 a R$ 1.500,00/ 3. > R$ 1.500,00

04. Você conhece o Parque Municipal Florestal Abraham Kasinski (Poço Bonito)? 1. Não Conheço (ir para 5)/ 2. Já ouvi falar, mas nunca fui (ir para 5)/ 3. Conheço, já visitei (ir para 06)

05. Se não conhece, por que você nunca foi? (Múltiplas respostas)

06. Se conhece, costuma visitar o Parque com que freqüência? 1. Uma vez por semana (ir para a 08)/ 2. Uma vez a cada 15 dias (ir para a 08)/ 3. Uma vez por mês (ir para a 08)/ 4. Não tenho freqüência (ir para a 08) /5. Só fui uma vez e não voltei mais ( ir para 07).

07. Por que deixou de freqüentar? (Múltiplas respostas)

08. O que mais lhe atraiu quando visitou este parque? (Múltiplas respostas) 1. Cachoeira/ 2. Trilha / 3. Paisagem/ 4. Lago/ 5. Vegetação/ 6. As pessoas/ 7. O fato de estar distante da cidade/ 8. Os animais silvestres/ 9. O contato com a natureza/ 10. Outros.

A análise dos dados foi feita pelo software SPSS, no qual foram obtidas as freqüências percentuais (BEARZOTI e OLIVEIRA, 1997).

 

RESULTADOS

Os 21 setores onde foram realizadas as entrevistas da pesquisa de campo foram listados na Tabela 1. Nota-se que os setores Nova Lavras e Jardim Glória são os mais populosos e, em conseqüência, apresentam uma maior porcentagem de entrevistados.

Quanto ao nível de escolaridade, a maioria dos entrevistados (62,2%) possuía o Ensino Fundamental (Tabela 2); esses números aproximam-se das médias de escolaridade do município.

 

 

Para classificação da renda familiar, utilizou-se o critério de classes de renda baseadas no salário mínimo (conforme MDA Pesquisa de Opinião Pública e Consultoria Estatística Ltda). A classe de renda baixa possui renda de até dois salários mínimos; a classe de renda média, de dois a dez salários e para classe de renda alta, maior de dez salários.

A classe de renda predominante na cidade é a média, com 55,6% da população (comunicação pessoal, MDA - Pesquisa de Opinião Pública e Consultoria Estatística Ltda). Na pesquisa, identificou-se que 51,3% dos entrevistados pertenciam a essa categoria (Tabela 3).

 

 

Objetivando-se avaliar o conhecimento da existência e a utilização do Parque pelos moradores da cidade de Lavras, perguntou-se aos entrevistados se já o haviam visitado. Dos entrevistados, 60,5% responderam que sim, enquanto 39,5% disseram que não. Desses últimos, 3% desconheciam a sua existência (Tabela 4).

 

 

Dos que ouviram falar sobre o parque, mas nunca foram, 38,4% pertencem à classe de baixa renda; 50,2% pertencem à classe de renda média e 11,4% pertencem à classe de renda alta (Tabela 5).

Em relação à classe de renda dos entrevistados freqüentadores do Parque, pode-se observar que a maioria deles pertence às classes de renda alta (30,6%) e média (53,2%), contra 16,2% da classe de renda baixa (Tabela 6). O fato de a maioria dos freqüentadores pertencerem à classe média e alta pode ser justificado por se tratar de um parque particular.

 

 

Os motivos alegados pelos entrevistados por nunca terem visitado o parque foram: falta de condução (40,2%); falta de oportunidade (34,7%); falta de interesse/motivação (21,9%) e o fato de ter que pagar um ingresso (16,4%) Tabela 7.

Observou-se que o principal fator limitante à visitação do parque está relacionado à falta de condução. Esse problema poderia ser solucionado com a colocação de uma linha de ônibus específica para facilitar o acesso das pessoas.

Verificou-se que grande parte dos entrevistados que nunca visitaram o Parque Quedas do Rio Bonito pertencem às classes de renda baixa e média, sendo essas as famílias mais prejudicadas quando há necessidade de meio de transporte para deslocamento. Isso também pode ser constatado na Tabela 7, quando se analisam os motivos pelos quais os entrevistados não conhecem o parque, relacionando-os com sua renda. Verifica-se que, para os entrevistados de classe de renda baixa e média, o principal motivo da não visitação é a falta de um transporte público. Para os não-freqüentadores de classe de renda alta, o problema é a falta de oportunidade e tempo.

O fato de ser um parque que, a princípio, chegou a cobrar ingressos para a sua visitação e hoje cobra-se uma taxa somente para a utilização da cachoeira, provocou a não-visitação de parte dos entrevistados pertencentes à classe de renda baixa, sendo esse também um importante fator limitante (Tabela 7). A cobrança de ingresso, no entanto, é fundamental para a manutenção da área da cachoeira.

Considerando a freqüência de visitas ao parque pelas famílias que já o visitaram pelo menos uma vez, verificou-se que 51,2% não têm uma freqüência definida e 42,2% só visitaram o parque uma vez e não voltaram mais (Tabela 8).

 

 

Os principais motivos apresentados pelos entrevistados que visitaram o parque apenas uma vez e não retornaram estão listados na Tabela 9. Entre esses, destacaram-se a falta de condução para 30,1% dos entrevistados, a distância e a falta de tempo para 23,5%, e o fato de ter que pagar ingresso para 17,6%.

 

 

Observou-se, também, que alguns dos entrevistados citaram o fato de "não poder levar alimentação", pois o parque exige que seus freqüentadores consumam alimentos do local. Isso foi justificado por um funcionário, que revelou que a limpeza do parque não era mantida pelos visitantes. Essa declaração mostra a necessidade de um trabalho de educação ambiental junto aos visitantes, além de, com isso, o parque obrigar o visitante a consumir alimentos do local, justificando mais uma vez a baixa presença de visitantes de baixa renda.

Perguntou-se, também, aos entrevistados sobre as possibilidades de lazer que o Parque oferece e, entre essas, quais mais agradavam. As respostas estão descritas na Tabela 10. Observa-se que as atividades mais valorizadas pelos entrevistados foram: contato com a natureza (74,7%), a paisagem (60,6%), a cachoeira (51,2%), a trilha (39,9) e a vegetação (21,5%).

 

 

Na análise das respostas, pode-se averiguar que o local parece se tratar de um parque com atividades e contemplação diversificadas. Por isso, atrai a população, mesmo localizado fora do perímetro urbano.

 

DISCUSSÃO

O Parque Quedas do Rio Bonito possui sua importância, não só para a população de média e alta renda da área urbana, mas também como atração turística da região. Mas, é inevitável que a cidade de Lavras possua, dentro do perímetro urbano, um parque com dimensões mais significativas e que ofereça à população atividades de lazer e estrutura física adequada, de modo a oferecer lazer ativo e passivo a todas as idades e classes de renda.

Com o passar dos anos, com o crescimento da cidade, locais que atualmente são considerados como áreas verdes, como, por exemplo, as praças da cidade com área superior a 200 m2; com predominância de elementos vegetativos, já não irão suprir as necessidades da população.

Se não houver uma política de continuidade que vise à proteção e manutenção das áreas verdes públicas urbanas existentes e à criação de novas áreas, poderá ocasionar uma queda considerável na qualidade de vida da população lavrense.

 

CONCLUSÃO

a) O Parque Quedas do Rio Bonito é freqüentado por 60,5% dos entrevistados, dos quais 3% desconheciam a sua existência.

b) Dos que nunca foram ao parque, 38,4% pertencem à classe de baixa renda; 50,2% pertencem à classe de renda média e 11,4% pertencem à classe de renda alta.

c) Os freqüentadores do parque pertencem às classes de renda alta (30,6%) e média (53,2%).

d) Os principais motivos alegados pelos entrevistados por nunca terem visitado o parque foram: a falta de condução (40,2%), falta de oportunidade (34,7%), falta de motivação/interesse (21,9%), ter que pagar ingresso (16,4%).

e) As atividades de lazer que mais agradam os entrevistados são: contato com a natureza (74,7%), paisagem (60,6%), cachoeira (51,2%), trilha (39,9) e vegetação (21,5%).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEARZOTI, E.; OLIVEIRA, M. S. Estatística básica. Lavras: UFLA, 1997. 191 p.         [ Links ]

DEMATTÊ, M. E. S. P. Princípios de paisagismo. 2. ed. Jaboticabal: Funep, 1999. 101 p.         [ Links ]

MARCONI, M. A. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise e interpretação de dados. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996. 231 p.         [ Links ]

UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Lavras/MG: turismo: parque florestal Quedas do Rio Bonito. Disponível em: <http://www.ufla.br/lavras/lavras1/parque.htm>. Acesso em: 24 nov. 2002.         [ Links ]

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