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Ciência e Agrotecnologia

Print version ISSN 1413-7054On-line version ISSN 1981-1829

Ciênc. agrotec. vol.29 no.1 Lavras Jan./Feb. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-70542005000100012 

AGRONOMIA

 

Uso de cobertura morta vegetal no controle da umidade e temperatura do solo, na incidência de plantas invasoras e na produção da cenoura em cultivo de verão

 

Efficiency of mulching on soil moisture and temperature, weed control and yield of carrot in summer season

 

 

Francisco Vilela ResendeI; Luciano Soares de SouzaII; Paulo Sérgio Rabello de OliveiraII; Ronan GualbertoII

IPesquisador da Embrapa Hortaliças, Caixa Postal 218 – 70359-970 – Brasília, DF – fresende@cnph.embrapa.br
IIProfessor da Faculdade de Ciências Agrárias da UNIMAR – Caixa Postal 554 – 17525-902 – Marília, SP

 

 


RESUMO

Avaliaram-se os efeitos de diferentes tipos de cobertura morta de solo de origem vegetal sobre o crescimento, controle de plantas daninhas, produtividade e regime hidrotérmico do solo no cultivo da cenoura, cultivar Brasília, em um experimento conduzido no período de setembro a dezembro de 1998, em Marília, SP. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com cinco tratamentos e quatro repetições em parcelas de 2 m2. Estudou-se os seguintes tipos de cobertura: serragem de madeira, casca de arroz, maravalha (raspa de madeira), capim seco (Cynodon spp.) e controle (solo sem cobertura morta). A utilização da cobertura morta de solo mostrou-se como uma prática vantajosa para o cultivo de verão da cenoura, reduziu a temperatura em até 3,5ºC, aumentou a retenção de umidade do solo em até 2,3% em relação ao controle e melhorou o desenvolvimento das plantas de cenoura. Houve menor incidência de plantas daninhas com o uso de maravalha e capim seco que, juntamente com a serragem também aumentaram o número de plantas colhidas. Entre os tipos de cobertura morta utilizados, a casca de arroz e a maravalha se destacaram em relação ao solo descoberto como os materiais que proporcionaram maior produtividade (112,6 e 99,6 t/ha respectivamente). O uso de cobertura morta de solo mostrou-se vantajoso em vários aspectos para cultura da cenoura, sendo técnica e economicamente viável, principalmente, em pequenas áreas e em cultivos orgânicos.

Termos para indexação: Daucus carota L., cobertura morta, plantas daninhas, produtividade.   


ABSTRACT

The effects of different mulches were evalueted on carrot culture, cultivar Brasilia, in a experiment carried out at Marilia, São Paulo State, Brazil, from september to december/1998. The experimental design was a randomized block with four replications and size plots of 2 m2. Wood dust, wood chips, dry grass (Cynodon spp.), rice straw and control (soil without cover) were tested  and their effects on the soil hidrothermal regime, weed control, growth and yield of carrot were determined. Mulching materials showed better carrots plants development, mild soil temperature (3,5°C less control trait) and better soil moisture (2,3% high control trait). Dry grass and wood chips showed lower weed infestation and dry grass, wood chips and wood dust increased carrot stand.  Mulches with rice straw and wood increased carrot yield (112,6 e 99,6 t/ha respectively). Mulching use is technically and economically viable for carrot growing, mainly in small areas and in organic farms.

Index terms: Daucus carota L, mulching, weeds, yield.


 

 

INTRODUÇÃO

No Brasil, a cenoura (Daucus carota L.) é cultivada durante o ano todo, havendo cultivares específicas para o outono-inverno, primavera e verão. Entretanto, no cultivo de verão ocorrem uma série de intempéries climáticas que podem prejudicar, tanto a germinação das sementes como o desenvolvimento da planta e qualidade das raízes.

No verão também ocorre maior disponibilidade de água e altas temperaturas, favorecendo assim a ocorrência de plantas daninhas nas áreas de cultivo. A intensidade das interferências das plantas sobre a cultura da cenoura são medidas pelos efeitos negativos  verificados  sobre a produtividade da cultura. As perdas na produção na cultura da cenoura, causadas pelas plantas daninhas variam de 39-50% (William e Warre, 1975) e podem até mesmo chegar a 100% (Blanco e Oliveira, 1971).

Estes fatores restritivos podem ser parcialmente amenizados com a utilização de cobertura de solo com filmes plásticos, materiais de origem vegetal e outros (Pereira et al., 2000). A cobertura do solo em hortaliças tem sido utilizada com o intuito de reduzir a desagregação do solo, incidência de plantas daninhas, além de contribuir para manutenção da temperatura e umidade do solo em níveis adequados para o desenvolvimento das plantas (Muller, 1991).

A utilização de cobertura morta de solo não é uma prática tradicional na cultura da cenoura, mas acredita-se que essa técnica possa ser vantajosa em pequenas áreas em função das condições de solo exigidas para o cultivo  desta espécie, restando apenas analisar sua economicidade. Em sistemas de cultivo orgânico seu uso pode ser bastante vantajoso como forma de controle de plantas daninhas, devido às restrições de uso de produtos químicos neste sistema de cultivo.

As vantagens da cobertura morta na cenoura podem se estender desde a maximização da germinação das sementes, uma vez que esta espécie apresenta baixo poder germinativo (padrão nacional é de 65%), até a manutenção das condições adequadas de temperatura e umidade de solo necessárias ao ótimo desenvolvimento das raízes.

Com o propósito de verificar os benefícios da cobertura morta de solo no desenvolvimento e produtividade da cenoura realizou-se este trabalho com diferentes materiais de origem vegetal (serragem de madeira, casca de arroz, raspa de madeira e capim seco), considerando-se para sua escolha a facilidade de aquisição e utilização pelo produtor.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Este trabalho foi conduzido no período de verão no campo experimental da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade de Marília (UNIMAR), Marília – SP, em um solo classificado como Podzólico Vermelho Amarelo que apresentou os seguintes valores para as características químicas: pH em CaCl2: 6,2; matéria orgânica: 20,8  g.dm-3; P: 121 mg.dm-3; K: 5,1 mmolc.dm-3; Ca: 43 mmolc.dm-3; Mg: 26 mmolc.dm-3. V: 82%. O clima da região é tropical de altitude com verões quentes e chuvosos, apresentando temperatura média anual de 22oC e precipitação de 1192 mm.

Trabalhou-se com a cultivar Brasília, recomendada para o plantio de verão na região, semeada diretamente no leito de plantio em 30/09/98 no sentido transversal ao canteiro, sendo que as sementes foram uniformemente distribuídas nos sulcos de plantio espaçados em 20 cm e a 1,5 cm de profundidade.

Realizou-se a aplicação de fertilizantes de acordo com a análise do solo e recomendações para o estado de São Paulo (Raij et al., 1996). Foram utilizados 20 kg.ha-1 de N, 180 kg.ha-1 de P2O5 e 60 kg.ha-1 de K2O. Durante o ciclo cultural foram realizadas três adubações de cobertura com nitrogênio (60 kg.ha-1) e potássio (40 kg.ha-1), aos 15, 30 e 50 dias após a semeadura. Aos 25 dias da semeadura realizou-se o desbaste deixando-se um espaçamento de 5 cm entre plantas. Os demais tratos culturais foram realizados de acordo com as recomendações técnicas para cultura da cenoura na região.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com cinco tratamentos e quatro repetições. Avaliaram-se os seguintes tipos de cobertura morta: serragem de madeira, casca de arroz, maravalha (raspas da madeira), capim seco Tifton (Cynodon spp.), cortado antes de produzir sementes, além de uma testemunha constituída pelo solo sem cobertura morta. Os canteiros foram mantidos durante todo o ciclo cultural com as coberturas, utilizando-se camadas uniformes, distribuídas de maneira que o solo ficasse totalmente coberto. Cada parcela foi montada com dimensões de 1,0 m de largura por 2,0 m de comprimento, totalizando uma área de 2,0 m2 .

Avaliou-se a temperatura do solo por meio de medições semanais com termômetro específico em dois pontos da parcela. As medições foram feitas sempre às 14 horas a uma profundidade de 5 cm abaixo da superfície do solo.

A umidade foi quantificada pelo método da diferença de peso, coletando-se  amostras de solo no centro das parcelas, a 10 cm de profundidade, acondicionadas em recipientes de isopor e imediatamente pesados (peso inicial). Posteriormente, as amostras eram colocadas em estufas a 105oC, até a completa secagem do solo e então pesadas (peso final). O teor de  umidade do solo foi obtido e a diferença entre as pesagens final e  inicial das amostras, e posteriormente o peso foi  transformado em porcentagem.

Realizaram-se avaliações aos 30, 45 e 60 dias após a semeadura do comprimento da folha e número de folhas/planta. A colheita do experimento ocorreu em 05/01/99, aos 97 dias após a semeadura, colhendo-se todas as plantas da área útil da parcela (0,5 m2). Após a colheita determinaram-se o número de plantas colhidas, comprimento e peso médio das raízes e produtividade. 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os materiais utilizados como cobertura morta na cultura da cenoura foram igualmente eficientes e com resultados significativamente diferentes da ausência de cobertura na manutenção das características de umidade e temperatura do solo (Tabela 1). Em média, esses materiais mantiveram o solo com um gradiente de temperatura de aproximadamente 3,50C inferior ao tratamento sem cobertura e a umidade manteve-se 2,0% superior ao solo descoberto. A utilização de restos vegetais como cobertura morta em outras hortaliças apresentaram resultados semelhantes. Na cultura do alho, o uso de cobertura morta de solo proporcionou temperaturas mais amenas e teores de umidade mais elevados que o polietileno opaco branco e solo nu (Costa et al., 1997). Da mesma forma, na cultura do taro (Colocasia esculenta), verificou-se que o uso de materiais derivados de madeira e restos vegetais como cobertura de solo associados à adubação orgânica, foram eficientes na manutenção da umidade, resultando em rizomas com maior peso de matéria fresca e seca (Miyasaka et al., 2001).

 

 

Tem  sido  demonstrado que temperaturas mais amenas resultam em cenouras com raízes de coloração mais intensa e associadas com uma boa disponibilidade e distribuição de água no perfil do solo tem-se raízes mais alongadas, evitando-se deformações (Filgueira, 1982). Nos cultivos de verão, a ocorrência de temperaturas elevadas associadas ao ressecamento rápido do solo podem comprometer a produção da cenoura. Como vantagem adicional, o impacto de chuvas pesadas, passíveis de ocorrer no verão, na desagregação do solo e na perda de nutrientes são também minimizados pela utilização da cobertura de solo (Truman e Williams, 2001).

As espécies de plantas daninhas identificadas no experimento foram Portulaca oleracea (beldroega), Bidens pilosa (picão-preto), Eleusine indica (pé-de-galinha) Amaranthus lividus (caruru), Brachiaria plantaginea (marmelada). Essas espécies foram as mesmas tanto na primeira avaliação (20 dias após a semeadura) como na segunda (45 dias após a semeadura). As maiores densidades de plantas daninhas foram  das  espécies  P. oleracea e E. indica, e as de menor densidade foram A. lividus e B. plantaginea (Tabela 2).

 

 

Todas as coberturas mortas estudadas reduziram significativamente o número total de plantas daninhas em relação ao solo descoberto nas duas avaliações (Tabela 2). Sabe-se que o uso de cobertura morta de solo tem ampla ação sobre plantas daninhas, cujas sementes exigem luz (Silva, 1970) ou variação térmica (Oliveira, 1985) para germinação, permitindo manter a cultura de interesse sem competição durante parte de seu ciclo.

As coberturas de solo apresentaram um controle efetivo de P. oleracea em ambas as avaliações. As coberturas com capim seco e maravalha foram as que mais reduziram a germinação de plantas da espécie E. indica; enquanto para A. lividus e B. plantaginea o uso de cobertura de solo não se mostrou eficiente no controle de plantas destas espécies.

A altura e o número de folhas da cenoura mostraram valores diferenciados em função do  material utilizado como cobertura do solo, nas três épocas em que estas características foram avaliadas. O solo coberto com casca de arroz e maravalha proporcionou maior altura de plantas  aos  30 e 45 dias após a semeadura, seguidos pela serragem e capim seco (Figura 1). Aos 60 dias, o efeito dos tipos de coberturas sobre a altura da planta foi semelhante entre os tratamentos, provavelmente em função da parte aérea das plantas já estar cobrindo completamente o solo. O desempenho observado para altura de planta no solo sem cobertura foi significativamente inferior a todos os demais tratamentos, nas três épocas de avaliação.

 

 

O efeito mais significativo das coberturas de solo sobre o número de folhas foi verificado aos 30 dias da semeadura, quando a utilização da maravalha e casca de arroz mostraram influência significativamente superior ao capim seco e em relação ao solo descoberto. Aos 45 e 60 dias, o número de folhas mostrou-se pouco variável, principalmente dos tipos e cobertura  morta  em  relação  ao  solo  descoberto (Figura 1).

Todas as características ligadas à produção foram significativamente influenciadas pela cobertura de  solo,  com exceção  do  comprimento da  raiz (Tabela 3).

 

 

De acordo com o número de plantas colhidas, verificou-se que as coberturas com casca de arroz, maravalha e serragem proporcionaram maior sobrevivência de plantas de cenoura em relação ao capim seco e ao solo descoberto (Tabela 3). O comprimento da raiz não foi influenciado pelos diferentes tipos de cobertura de solo e  pela ausência ou presença de cobertura morta. Essa característica tem mais relação com a distribuição de água e nutrientes no perfil do solo, embora, temperaturas amenas contribuam também para o crescimento longitudinal de raízes na cultura da cenoura (Filgueira, 1982).

Para o peso médio de raiz sobressaíram-se as coberturas  com  casca  de  arroz e capim seco, este último em função do estande mais baixo que ocasionou menor competição entre as plantas e portanto, raízes relativamente maiores e mais pesadas. Entretanto, este aspecto não se refletiu na produtividade, sendo que a casca de arroz destacou-se influenciando mais efetivamente esta característica, aparecendo em  seguida  a maravalha. A utilização de cobertura de solo com materiais sintéticos ou naturais tem apresentado bons resultados em hortaliças, entretanto, após três anos, Feldman et al. (2000) verificaram em repolho e melão que o uso de compostos naturais além de proporcionar maior produtividade, são de custo mais baixo  que os sintéticos.

Os materiais testados como cobertura de solo neste trabalho são encontrados com relativa facilidade nas várias regiões do país, podendo sua utilização ser viável economicamente para cultura da cenoura em pequenas áreas e em cultivos orgânicos.

 

CONCLUSÕES

A utilização da cobertura morta de solo constitui-se numa prática vantajosa para o cultivo de verão da cenoura, melhorando as características hidrotérmicas do solo, reduzindo a incidência de plantas invasoras, estimulando o desenvolvimento das plantas e aumentando a produtividade em relação ao solo descoberto.

Entre os tipos de cobertura morta utilizados, a casca de arroz e a maravalha se destacaram em relação ao solo descoberto como os materiais que proporcionaram maior produtividade para cultura da cenoura.                       

 

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(Recebido para publicação em 1º de outubro de 2003 e aprovado em1º de julho de 2004)

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