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Ciência e Agrotecnologia

versão impressa ISSN 1413-7054versão On-line ISSN 1981-1829

Ciênc. agrotec. v.29 n.1 Lavras jan./fev. 2005

https://doi.org/10.1590/S1413-70542005000100023 

ZOOTECNIA E VETERINÁRIA

 

Efeito do nível energético e da suplementação com cloretos de potássio e de amônia na dieta sobre as respostas fisiológicas e o desempenho de frangos de corte no verão1

 

Effect of the energy level and  supplementation with  potassium and ammonium chlorides in the diet on the physiological parameters and the performance of broiler in the summer

 

 

Bonifácio Benício de SouzaI; Antônio Gilberto BertechiniII; Antônio Soares TeixeiraII; José Augusto de Freitas LimaII; Ademir José ConteII

IProfessor do Departamento de Medicina Veterinária do CSTR/UFPB – Campus VII, Patos, PB – 58700-000 – bonif@cstr.ufcg.edu.br
IIProfessores do Departamento de Zootecnia/Universidade Federal de Lavras/UFLA – Caixa Postal 3037 – 37.200-000 – Lavras, MG
IIIAluno do Doutorado em Zootecnia/UFLA

 

 


RESUMO

Realizou-se este estudo com o objetivo de verificar o efeito do nível energético da ração e da suplementação com  cloretos de potássio e de amônia na dieta de frangos de corte no verão. Foram utilizados 240 frangos machos, Hubbard, com peso médio inicial de 1204 g, distribuídos num delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 x 3 x 2, 2 níveis de KCl (0,0% e 1,2%) x 3 níveis de NH4Cl (0,0%, 0,2% e 0,4%) x 2 níveis de energia (3000 e 3200 Kcal EM/kg de ração), com 4 repetições de 5 aves por repetição. O índice de temperatura do globo negro e umidade (ITGU), observado às 9 horas e 15 horas foi de 76 e 83, respectivamente. Houve interação (P<0,01) do KCl com NH4Cl para a temperatura superficial. O nível energético da ração afetou (P<0,01) a temperatura superficial no turno da tarde. Para a temperatura retal, freqüência respiratória, pH do sangue e o desempenho não se verificou efeito (P>0,05) dos fatores estudados. A ingestão de água aumentou (P<0,05) com a adição de KCl. Para a conversão alimentar houve melhora (P<0,05) com a elevação do nível energético e piora (P<0,05) com o nível mais elevado de cloreto de amônia.  Houve interação (P<0,05) entre  o KCl e o nível energético da ração para o consumo de ração. Concluiu-se que, nas condições deste experimento, os fatores estudados não afetam a temperatura retal, freqüência respiratória, pH sanguíneo nem o desempenho de frangos de corte. Porém, a conversão alimentar melhora com a elevação do nível energético da ração e piora com a adição de cloreto de amônia à dieta em nível alto.

Termos para indexação: energia metabolizável, estresse calórico, cloreto de amônia, frango de corte, desempenho.


ABSTRACT

Two hundred and forty male chickens with weight means initial of 1204 g, were utilized and allocated according to a completely randomized design, with treatments arranged in a factorial scheme 2 x 3 x 2, 2  2 levels of KCl (0,0% and 1,2%) x 3 levels of NH4Cl (0,0%, 0,2% and 0,4%) x 2 levels of Metabolizable Energy (3000 and 3200 Kcal ME/kg of diets), with four replications with five broilers in each. The index of temperature of the black globe and humidity (ITGU) was observed at 9:00 and 15:00 hours  which   was of 76 and 83, respectively. There was a significant interaction (P <0,01) of KCl  with NH4Cl for the  surface  temperature.  The energetic level of diet (P <0.01) was affected by the surface temperature in the afternoon. The variables rectal temperature, respiratory frequency, pH of the blood and the performance were not significant effect (P>0,05) by the treatments studied. The water intake  increased (P <0,05) with the addition of KCl in the diet. The feed conversion shown to be better  (P <0,05) with  the  increasing the energy level in the diets and it was worse (P <0,05) at the highest level of chloride of ammonia added  in  the diets. There  was  significant interaction (P <0,05) between KCl and the energy level of the diets for feed intake. It was conclude that, studied factors do not affect any of the physiologics parameters studied as well as the broiler performance except for feed conversion that shown better with the by the increasing energy level of the diet and shown to be worse by the addition high level of chloride of ammonia in the diet.

Index terms: metabolizabel energy, heat stress, ammonium chloride, broiler chicken, performance.


 

 

INTRODUÇÃO

Em ambientes quentes os frangos respondem com redução no consumo alimentar, para minimizar a produção de calor (CAMPOS, 1999). De acordo com Cooper e Washburn (1998), o consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar de frangos de corte estão correlacionados com a temperatura corporal. As respostas termorregulatórias dependem do gradiente térmico entre a temperatura superficial dos frangos e a do ambiente. De acordo com Campos (1995), a temperatura superficial é a média das temperaturas obtidas no dorso, na base da crista, cabeça, asa direita e perna esquerda (região do tarso e do metatarso). Richards (1971), submetendo frangos de corte a diferentes temperaturas ambiente (20, 30 e 40°C), registrou temperatura superficial média de 30,8, 38,7 e 41,1°C, nas respectivas temperaturas e observou variações de 11 a 20°C nas áreas desprovidas de penas e de 2 a 5°C em áreas cobertas de penas, quando a temperatura variou de 20  para 40°C. Nutricionalmente, tem se buscado melhorar o desempenho dos frangos de corte, no verão, elevando o nível de energia da ração bem como a com a adição de cloretos de potássio e de amônia à dieta. Deyhim e Teeter (1991), ao suplementarem a água de frangos de corte com 0,5% de KCl, sob estresse calórico cíclico (24 - 35oC), verificaram efeito do KCl sobre o consumo de água e equilíbrio ácido-básico. Teeter e Smith (1986), quando suplementaram a água com 0,15% de KCl, verificaram que as aves não tiveram o pH sangüíneo alterado, mas tiveram melhora no desempenho.

Souza et al. (2002a) verificaram efeito significativo de KCl no pH sangüíneo de frangos de corte criados durante o verão. E Souza et al. (2002b), verificaram que o nível energético da ração melhorou a conversão alimentar durante o estresse por calor.

Branton et al. (1986), suplementando a água de bebida com NH4Cl nos níveis de 0,63 e 3,1% no período de 42 a 52 dias de criação, verificaram que o nível de 0,63% não afetou a ingestão de água, porém, o nível de 3,1% de NH4Cl afetou significativamente este parâmetro (redução de 79%) e elevou o índice de mortalidade (de 16 para 49%). Frangos de corte, sob temperatura ambiente de 32oC, tratados com ração suplementada com níveis de 0,3; 1,0 e 3,0% de NH4Cl no período de 28 a 49 dias, apresentaram o melhor desempenho com o nível de 1,0% (TEETER et al., 1985).

O consumo de ração das aves está inversamente relacionado à temperatura ambiente (SAKOMURA et al., 1993). Sob temperaturas elevadas os frangos aumentam a exigência de energia para dissipar o excesso de calor corporal, o que prejudica a conversão alimentar (CERNIGLIA et al., 1983).

Objetivou-se  com  este trabalho, estudar os efeitos da suplementação de cloretos de potássio e de amônia na dieta e do nível energético da ração sobre a temperatura corporal, temperatura superficial, freqüência respiratória, pH sangüíneo, consumo de água e o desempenho de frangos de corte sob estresse por calor.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras. Foram utilizados 240 frangos de corte, machos, Hubbard, durante o período de 28 a 49 dias de criação, no verão, distribuídos segundo um delineamento inteiramente casualizado, no esquema fatorial 2 x 3 x 2, sendo 2 níveis de KCl (0,0 e 1,2%); 3 níveis de NH4Cl (0,0, 0,2 e 0,4%)  e 2 níveis de energia (3.000 e 3.200 Kcal de Energia Metabolizável por kg de ração), com 4 repetições e 5 aves por repetição. Utilizou-se um galpão de alvenaria, com dimensões de 6 x 8 metros, com paredes laterais de 1,5 m de altura e o restante de telas, com cortinas e cobertura com telhas de cimento-amianto, equipado com quatro conjuntos de baterias metálicas, de quatro andares e três gaiolas por andar, medindo 94 x 94 x 32 cm de frente, fundo e altura, respectivamente. Durante o período experimental foram registrados os dados climáticos local. Analisaram-se os parâmetros: temperatura retal (TR), temperatura superficial (TS), freqüência respiratória (FR), pH sangüíneo (pH), ingestão de água (IA), consumo de ração (CR), ganho de peso (GP) e conversão alimentar (CA). As mensurações da TR e FR foram realizadas duas vezes por semana, às 9 horas e 15 horas, dos 28 aos 49 dias de idade. Para a determinação da temperatura retal (TR) utilizou-se um termômetro clínico veterinário (Digital KD-108 A),  introduzindo-o   a   uma profundidade  de 4 cm no reto das aves, por  um  período  de  1  minuto.  A TS foi obtida por meio da média das temperaturas da pele de seis pontos determinados do corpo da ave: dorso, entre as escápulas, na base da crista, na cabeça, nas faces interna e externa da asa direita e na perna esquerda (região do tarso e do metatarso), utilizando um termômetro infravermelho (ST3-RAYTEK). A FR foi obtida por meio da auscultação indireta, com o auxílio de um estetoscópio flexível, e expressa em movimentos por minuto (mov/min).  Foram sorteados quatro frangos de cada tratamento para coleta de sangue, com o objetivo de determinar o pH sangüíneo.Foram obtidas com seringas heparinizadas amostras de 3 ml de sangue, da veia da asa, e imediatamente após a coleta foi realizada  a análise por meio de um "Corning Blood pH/Gas Analyser". 

A ingestão de água (IA) foi determinada durante um período de quatro dias, quando as aves atingiram a idade de 42 dias. Determinou-se o consumo médio pelo fornecimento de água, em bebedouro tipo calha, medida por meio de um becker duas vezes ao dia,  e a mensuração da sobra foi feita na manhã do dia seguinte.

O fornecimento de ração e de água durante todo o período de criação, foi à vontade. As dietas experimentais foram preparadas à base de milho e farelo de soja, suplementadas com minerais e vitaminas, balanceadas de acordo com as recomendações de Rostagno et al. (1994), conforme (Tabela 1).

 

 

O consumo de ração (CR)  foi determinado por diferença entre  a quantidade de ração oferecida e a sobra, diariamente. Os frangos foram pesados a cada sete dias, e o ganho de peso (GP) e a conversão alimentar (CA) foram calculados para o período de 28 a 49 dias de idade. Os dados obtidos foram analisados estatisticamente pelo programa estatístico Statistical Analyses System (SAS INSTITUTE, 1996).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados meteorológicos e os valores do ITGU observados encontram-se na Tabela 2.

 

 

Estes resultados estão acima dos apresentados por Lopes (1986), que comparando instalações para criação de frangos de corte, do ponto de vista higrotérmico, nas condições climáticas brasileiras, encontrou valores de ITGU variando de 63 a 70,8, como sendo a zona de conforto térmico para frangos de corte, dos 28 a 49 dias de idade. Todavia, corrobora com Tinôco (1988), que estudando o sistema de resfriamento adiabático evaporativo na produção de frangos de forte, verificou que valores de ITGU superiores a 75 causam desconforto em frangos de corte acima de 15 dias de idade.

Respostas fisiológicas

As médias dos parâmetros estudados encontram-se na Tabela 3. Para a temperatura retal e  freqüência respiratória não se verificou efeito  significativo (P>0,05)  dos fatores estudados. Os resultados obtidos para TR, são semelhantes aos reportados por Deyhim e Teeter (1991), Smith (1994) e Borges et al. (1999), que não observaram efeito da adição de KCl, sobre a TR de frangos de corte estressados por calor. Para o nível energético os resultados assemelham-se aos obtidos por Campos (1999). O KCl  afetou significativamente (P<0,05) a TS no turno da manhã  em relação ao controle (34,76°C  vs 35,15 °C).

 

 

A média da freqüência respiratória de todos os tratamentos encontra-se dentro dos limites de 177 a 192 mov/min, valores que representam aumento de 664% em relação à média considerada normal (25 mov/min) para frangos de corte em condições  termoneutras, indicando que os animais acionaram este mecanismo de dissipação de calor, ante a condição ambiental estressante revelada pelo índice de conforto térmico (ITGU = 83) no turno da tarde. Estes resultados são semelhantes aos de Linsley e Burger (1964) e Bottje et al. (1985), que observaram aumentos de até dez vezes o valor normal da FR, em aves submetidas a estresse calórico.

Não se verificou efeito (P>0,05) do  KCl ou  NH4Cl sobre o pH (Tabela 3). Resultados semelhantes aos observados por Teeter e Smith (1986), que ao suplementarem com níveis de 0,05 e 0,15% de KCl e Teeter et al. (1985) com níveis de 0,3 e 1% de NH4Cl, não verificaram efeito sobre o pH. Todavia, esses valores são contrários aos registrados por Deyhim e Teeter (1991), que observaram redução significativa do pH  quando suplementaram  com 0,5% de KCl, bem como os registrados por  Teeter et al. (1986) e Branton et al. (1986),  que ao suplementarem com 0,3 a 0,63% de NH4Cl, observaram também redução significativa do pH sanguíneo de frangos de corte.

A ingestão de água (IA) foi influenciada (P<0,01) apenas pelo KCl, tendo a suplementação de  1,2% KCl elevado (P<0,05)  a IA de 322 para 386 (ml/ave/dia) em relação aos não suplementados. Resultados similares foram observadas por Smith e Teeter (1987), Deyhim e Teeter (1991), Belay e Teeter (1993) e Smith (1994), corrobora também com Souza et al. (1999), que registrou efeito linear positivo da adição de KCl (nos níveis  de 0 a 2%) sobre a ingestão de água em frangos de corte criados no verão.

Parâmetros de desempenho

Os  resultados  obtidos  para  o  ganho de peso assemelham-se aos de Borges et al. (1999), que, submetendo frangos de corte  a estresse calórico de 25° a 35°C e 63,5% de umidade relativa, suplementando a ração com KCl nos níveis de 0,5 e 1,0%, não detectaram efeito significativo sobre este parâmetro. Resultados semelhantes  também foram encontrados por Smith (1994)  expondo frangos de corte a estresse calórico e suplementando  a água de bebida com 0,48 % KCl  e Silva e Flemming (1990), Smith e Teeter (1993) e Junqueira et al. (1999) suplementando com NH4Cl e Campos (1995), Leeson et al. (1996) e Cheng et al. (1997) que, empregando rações com níveis diferentes de energia, não detectaram efeito  significativo  sobre o GP em frangos de corte sob condições de estresse térmico.

Porém, estes resultados são contrários aos observados por Teeter e Smith (1986) e Smith e Teeter (1987, 1989, 1992, 1993), que constataram efeitos positivos da suplementação de KCl sobre o  GP  de frangos de corte sob estresse calórico,  e  com  os registrados por Teeter et al. (1985) e Teeter e Smith (1986), que revelaram maior GP com a suplementação de NH4Cl. Com relação ao nível de energia da ração, diferiram dos registrados por Bertechini et al. (1991) e Oliveira Neto et al. (1999), que detectaram efeito linear positivo do nível energético da ração sobre o GP de frangos de corte.

O nível  0,4% NH4Cl  apresentou pior CA (P<0,05) em relação ao controle e ao nível de 0,2% NH4Cl  (2,36 vs 2,13 e 2,15, respectivamente), e o alto nível energético melhorou significativamente (P<0,05) este parâmetro em relação ao nível baixo (2,12 vs 2,30, respectivamente). Estes resultados são semelhantes aos obtidos por outros autores (Bertechini et al., 1991; Oliveira Neto et al., 1999), que fornecendo rações com níveis crescentes de energia metabolizável, observaram efeito linear positivo (P<0,05) na CA e com Silva e Flemming (1990), Teeter e Smith (1986) e Smith e  Teeter (1992), que não detectaram melhoria na CA com a suplementação de NH4Cl. Estes achados são semelhantes aos de Borges et al. (1999), que não  observaram  efeito da suplementação de KCl nos níveis de 0,4 a 2,0%, sobre este parâmetro. Todavia, discordam dos resultados obtidos por Smith e Teeter (1987, 1989, 1992, 1993), que verificaram efeitos da suplementação de KCl sobre a CA de frangos de corte sob estresse calórico. A elevação do nível energético da ração, com a utilização de óleos e gorduras, reduz o incremento calórico das dietas, sendo favorável às aves criadas durante o verão, porque recupera o consumo de energia, melhorando assim a conversão alimentar (Campos, 1999).

A piora observada na CA com a suplementação de 0,4% de NH4Cl, possivelmente ocorreu  devido à  ação tóxica do NH4Cl. Teeter e Smith (1986), ao estudarem os efeitos da suplementação de cloreto de amônia na água de bebida de frangos de corte estressado pelo calor, observaram que 0,2% de NH4Cl reduziu o pH do sangue, melhorou o ganho e a CA. Mas concluíram que o NH4Cl embora seja  efetivo no combate aos efeitos do estresse calórico, níveis em torno de 0,5% de NH4Cl  já apresentam toxidez.. 

Para a temperatura superficial (TS) houve interação entre  KCl  e  NH4Cl,  no  turno  da  tarde (Tabela 4). Verificou-se que na ausência do KCl a suplementação de NH4Cl não afetou a TS (P>0,05) em relação aos não suplementados, todavia, o nível de 0,2% NH4Cl apresentou média inferior ao nível de 0,4% NH4Cl (P<0,05). Na presença do KCl, o nível de 0,2% NH4Cl  elevou a TS em relação ao controle (P<0,05).

 

 

Para o CR, verificou-se interação (P<0,05) do KCl com o nível de energia da dieta (Tabela 5). A suplementação de KCl, só apresentou  efeito (P<0,05) sobre o  CR quando adicionada à ração com o nível energético alto (3200 Kcal de EM/kg), havendo  redução no CR na presença do KCl em relação à ausência  (2.887 g vs 3093 g, respectivamente). As divergências observadas na literatura, correlacionadas ao efeito do KCl sobre o consumo de ração,  podem ser explicadas em função dos diferentes níveis energéticos das rações utilizadas em cada pesquisa. Observa-se que no nível energético (3000 Kcal EM/kg) não houve diferença significativa no CR, resultados que estão de acordo com os encontrados por Smith e Teeter (1992) e Borges et al. (1999), que expondo frangos de corte a estresse calórico e suplementando a dieta com KCl,  não  observaram   efeito   significativo  sobre   este  parâmetro, bem como os resultados obtidos por Souza et al. (2002a,b) que não observaram efeito (P>0,05)com a suplementação  de  KCl  nos  níveis  de  0,4 a 2,0%, sobre CR.

 

 

Em relação ao fator energia, os resultados obtidos discordam dos encontrados por Bertechini et al. (1991) e Leeson et al. (1996), que verificaram redução significativa no consumo de ração de frango de corte com a elevação do nível de energia da ração.

 

CONCLUSÕES

Nas condições deste experimento concluiu-se que:

A temperatura retal, a freqüência respiratória e o pH sangüíneo não foram afetados pelo nível energético da ração nem pelos cloretos de potássio e de amônia.

O nível energético da ração e o cloreto de potássio influenciam a temperatura superficial de frangos de corte  sob condições de estresse calórico, provavelmente pela maior ingestão de água provocada pelo KCl e pelo menor incremento calórico dos lipídeos adicionados á ração.

A adição de 0,4% de cloreto de amônia à ração piora a conversão alimentar de frangos de corte na fase final.

 

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(Recebido para publicação em 24 de setembro de 2003 e aprovado em 24 de novembro de 2004)

 

 

1. Parte da Tese de Doutorado do primeiro autor (Pesquisa financiada pela FAPEMIG).

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