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Ciência e Agrotecnologia

versão impressa ISSN 1413-7054versão On-line ISSN 1981-1829

Ciênc. agrotec. v.29 n.2 Lavras mar./abr. 2005

https://doi.org/10.1590/S1413-70542005000200029 

COMUNICAÇÃO

 

Enraizamento in vitro e aclimatização em casa-de-vegetação do caquizeiro (Diospyrus kaki L.)

 

Rooting in vitro and  acclimatization in greenhouse of japanese persimmon (Diospyrus kaki L.)

 

 

Charles Allan TellesI;  Luiz Antonio BiasiII

IEngenheiro Agrônomo, Aluno do Programa de Pós-Graduação em Agronomia,  Produção Vegetal -  Universidade Federal do Paraná/UFPR - Rua dos Funcionários, 1540 , Juvevê - Caixa Postal 19061 - 80035-050 - Curitiba,PR - Bolsista da CAPES - charles.allan@bol.com.br
IIProfessor Dr. Adjunto do Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo - Setor de Ciências Agrárias/UFPR -  Caixa  Postal 19.061 - 81531-990 - Curitiba, PR - Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - biasi@ufpr.br

 

 


RESUMO

Este trabalho foi conduzido visando a superar as dificuldades de obtenção de mudas de caquizeiro (Diospyrus kaki L.), estudando o enraizamento e aclimatização de plantas provenientes da cultura de tecidos, fases crítica na micropropagação de plantas, por ser difícil o estabelecimento de um protocolo ideal. Foram utilizados segmentos nodais com mais de 1 cm de altura e 2 folhas expandidas, provenientes da organogênese direta, a partir de segmentos radiculares. Testaram-se dois tempos de permanência (5 e 10 dias), em meio de cultura MS com ½ NO3 suplementado com ácido indolbutírico (AIB) em duas concentrações (50 e 100 µM). O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, com 4 repetições e 12 explantes por parcela. Na aclimatização, as plantas foram acondicionadas em copo plástico com substrato Plantmax ®, cobertos ou não com copo plástico transparente e mantidos em câmara de nebulização com irrigação intermitente durante 40 dias. Os resultados obtidos no enraizamento não diferiram significativamente, obtendo-se até 75% de brotações enraizadas. Na aclimatização, as plantas sem cobertura com copo plástico transparente apresentaram maior sobrevivência, atingindo 47,3%.

Termos para indexação: micropropagação, AIB, sobrevivência de mudas, fruticultura, Diospyros kaki L.


ABSTRACT

This work aimed at surpassing the difficulties of attainment of seedlings studing the rooting and acclimatization of plants  from tissue culture,  these steps very critic in micropropagation of plants, to be difficult the protocol ideal establishment. It were used  nodes segments with one cm of height with 2 leaves from  direct organogenisis though root segments. Two times of permanence were tested (5 and 10 days), in MS culture com ½ NO3 supplemented with AIB in two concentrations (50 and 100 µM). The experimental design used was entirely randomized, with 4 repetitions and 12 explants per plot. In the acclimatization the plants were conditioned in plastic glass with Plantmax® substratum, with and without covering of the plants with transparent plastic glass, in chamber mist with intermittent irrigation during 40 days after.  The  results  obtained  in  the  rooting  did  not  significantly differ, obtained until 75% of rooted buds. In the acclimatization, the plants which were not coverdwith transparent plastic glass presented greater survival, reaching 47,3%.

Index terms: micropropagation, IBA, survival of seedlings, fruit production, Diospyros kaki L.


 

 

A fruticultura brasileira apresentou uma produção de 33 milhões de toneladas de frutas no ano 2002, gerando  US$ 11 bilhões do PIB agrícola. A cadeia produtiva das frutas abrange 2 milhões de hectares e gera 4 milhões de empregos diretos, sendo meta do governo para o setor agrícola nos próximos dois anos crescer 25 % (IBRAF, 2002).

A inserção do Estado do Paraná na fruticultura brasileira também ocorre pelo cultivo do caquizeiro (Diospyrus kaki L.), sendo o terceiro maior produtor nacional de caquis, tendo contribuído com 13,56% das 113.308 toneladas de frutos produzidos no ano de 2000, produção  essa  geradora de uma arrecadação agrícola de R$ 47,8 milhões. A produção paranaense de caquis é apenas superada pelos Estados de São Paulo (58,39%) e Rio Grande do Sul (16,99%) (IBGE, 2002).

O  caquizeiro  é  propagado usualmente pela enxertia por garfagem ou borbulhia sobre porta-enxertos oriundos de sementes (MARTINS & PEREIRA, 1989).  Os  porta-enxertos mais utilizados pertencem à própria  espécie Diospyrus kaki L. e às espécies  Diospyrus   virginiana   Lour.  e  Diospyrus  lotus. Entretanto, a obtenção de porta-enxertos a partir de sementes causa grande desuniformidade quanto ao porte e vigor das plantas, além de a enxertia ser um processo demorado, oneroso e com baixas taxas de pegamento. Soma-se a isso o fato de que a estaquia tanto lenhosa quanto herbácea não pode ser aplicada devido à dificuldade de enraizamento das estacas (BIASI et al., 2002; COOPER & COHEN, 1984; FUKUI et al., 1992; RUBBO, 1989; TAO & SUGIURA, 1992).

A solução para esse problema requer avanços na pesquisa, de forma a estabelecer uma tecnologia de propagação vegetativa para a formação direta das mudas ou de porta-enxertos, o que representará um significativo avanço na cultura do caquizeiro (MARTINS & PEREIRA, 1989).

Métodos para a micropropagação têm sido desenvolvidos; todavia, sua aplicação para a produção comercial de mudas tem sido limitada porque as microestacas de caquizeiro geralmente são difíceis de enraizar (TAO & SUGIURA, 1992).

Pesquisas recentes com o caquizeiro no Brasil demonstraram que as técnicas de cultura de tecidos in vitro apresentaram resultados bastante promissores para a clonagem da espécie (BIASI et al., 1999; SALOMÃO et al., 2000). A clonagem poderá se tornar viável após o melhor entendimento e controle da morfogênese do caquizeiro.

Com este trabalho, visou a estudar o potencial de enraizamento in vitro do caquizeiro e a forma de aclimatização, oferecendo subsídios para se obter mudas de boa qualidade e em larga escala.

Os experimentos foram conduzidos no Laboratório  de  Micropropagação  de Plantas e na câmara de nebulização intermitente do Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo, Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná, no período de 2002 a 2003.

Para o enraizamento in vitro, foram utilizados segmentos nodais com tamanho médio de 1,5 cm e com pelo menos 2 folhas expandidas, provenientes do subcultivo das brotações oriundas da organogênese direta de segmentos radiculares, as quais estavam sendo cultivados em meio MS ½ NO3 suplementados com 5 mM de zeatina.

Foram testados os tempos de permanência (5 e 10 dias) em meio de cultura MS ½ NO3 adicionando AIB (50 e 100 mM) e, após inoculados, os explantes foram transferidos para meio MS ½ NO3 sem reguladores de crescimento e com 1 g.L-1 de carvão ativado, conforme utilizado por Biasi et al. (1994) para o abacateiro.

Os explantes foram acondicionados em frascos de vidro transparente de 250 mL com 30 mL de meio basal. A sala de crescimento possuía fotoperíodo de 16 horas, intensidade luminosa de 25 µmol.m-2.s-1 e temperatura de 25 + 2°C.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com arranjo fatorial (2 x 2) com 4 repetições e 12 explantes por parcela.

O experimento foi avaliado 28 dias após a instalação, observando-se as seguintes variavéis: número de explantes  enraizados, número de raízes emitidas por explante e comprimento médio das raízes.

As plantas enraizadas foram submetidas a um teste de aclimatização em casa-de-vegetação, para verificar a porcentagem de sobrevivência das mudas micropropagadas. Os  tratamentos foram os seguintes: plantas acondicionadas em copo plástico de 250 ml com substrato Plantmax ®/sup>, cobertos com um copo plástico transparente de 300 ml; plantas acondicionadas em apenas copo plástico de 250 ml com substrato Plantmax ®/sup> sem cobertura.

As plantas foram mantidas em câmara de nebulização intermitente, com 2 minutos de irrigação em intervalos de rega de 30 minutos controladas por um temporizador, sobre uma bancada perfurada, sem nenhuma cobertura (sombrite) acima dos copos.

A  avaliação  foi  após  40  dias de instalação, observando a porcentagem de sobrevivência.

Não houve interação significativa entre o tempo de permanência no meio de cultura com AIB e as suas concentrações testadas, tampouco efeito, significativo desses fatores para as três variáveis analisadas (TABELA 1).

 

 

A exposição dos explantes em período curto de tempo  (5 dias)  em meio com auxina já foi suficiente para estimular o enraizamento. A menor concentração de AIB (50 µM), proporcionou a obtenção de 72,49% de brotações enraizadas.

Em experimentos já realizados por Carvalho (2003), também trabalhando com explantes juvenis, verificou-se que o caquizeiro cultivado in vitro obteve um enraizamento de 66%, com uma emissão média de 4,7 raízes por brotação, na concentração de 10 µM de AIB, porém, sem diferença significativa entre os tempos de permanência no meio. Isso leva a crer que o potencial de enraizamento do caquizeiro pode estar associado à retenção da juvenilidade dos explantes (TETSUMURA & YUKINAGA, 1996).

Auxinas geralmente estimulam a formação de raízes em estacas, sugerindo que o alto grau de enraizamento em estacas juvenis é devido à elevada concentração de níveis endógenos desse fitorregulador que as estacas juvenis tipicamente contêm, ou devido à grande sensibilidade nesses tecidos à aplicação exógena (ARTECA, 1995).

A obtenção de mais de 70% das brotações enraizadas, com mais de 2 raízes por broto, possuindo comprimento médio superior a 3 cm, pode ser considerada um ótimo resultado, diante da grande dificuldade que o caquizeiro apresenta para formar raízes adventícias em estacas (FUKUI et al., 1992; RUBBO, 1989; TAO & SUGIURA, 1992).

As mudas de caquizeiro mostraram-se muito sensíveis à transferência para o ambiente ex vitro, apresentando uma porcentagem de sobrevivência inferior a 50% (TABELA 2). Porém, não foi possível realizar uma análise estatística devido ao alto índice de mortalidade, o que ocasionou uma redução do número de plântulas.

 

 

Foi possível constatar que as plantas sem a cobertura com copo plástico transparente obtiveram maior porcentagem de sobrevivência, e as que foram aclimatizadas numa espécie de microestufa, com a cobertura com  copo  plástico transparente, a sobrevivência foi baixa  (TABELA 2).  Isso pode ter ocorrido devido à elevação da temperatura dentro do copo, causando a morte das mudas e favorecendo o desenvolvimento de fungos no substrato.

O enraizamento das brotações de caquizeiro in vitro podem ser obtidas com 5 dias de permanência no meio MS ½ NO3, suplementados com 50µM de AIB.

Na aclimatização, não se recomenda a cobertura das mudas com copo plástico transparente.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BIASI, L. A. et al. Estabelecimento in vitro do caquizeiro 'Fuyu' por meio de ápices meristemáticos. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 21, n. 3, p. 279-283, 1999.         [ Links ]

BIASI, L. A. et al. Potencial organogenético de tecidos caulinares e radiculares de caquizeiro. Revista Brasileira de Fruticultura, Jabotical, v. 24, n. 1, p. 29-34, 2002.         [ Links ]

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CARVALHO, D. C. Organogênese e embriogênese somática do caquizeiro. 2003. 54 f. Dissertação (Mestrado em Produção Vegetal) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2003.         [ Links ]

COOPER, P. A.; COHEN, D. Micropropagation of Japanese  persimmon  (Diospyros kaki). Combined Proceedings International Plant Propagators Society, [S.l.], v. 34, p. 118-124, 1984.         [ Links ]

FUKUI, H.; NISHIMOTO, K.; NAKAMURA, M. Varietal differences in rooting ability on In vitro subcultures Japanese persimmon shoots. Journal of the Japanese Society for Horticultural Science, Tokyo, v. 60, n. 4, p. 821-825, 1992.         [ Links ]

Instituto Brasileiro de Frutas. Bancos de dados sobre fruticultura. Disponível em: <http://www.ibraf.org.br>. Acesso em: 15 dez. 2002.         [ Links ]

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TAO, R.; SUGIURA, A. Micropropagation of Japanese persimmon (Diospyros kaki L.). In: BAJAJ, Y. P. S. (Ed.). Biotechnology in agriculture and forestry: high-tech and micropropagation II. Berlin: Springer-Verlag, 1992. v. 18, cap. 11, p. 423-440.         [ Links ]

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(Recebido para publicação 27 de abril de 2004 e aprovado em 3 de novembro de 2004)

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