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Ciência e Agrotecnologia

Print version ISSN 1413-7054On-line version ISSN 1981-1829

Ciênc. agrotec. vol.30 no.3 Lavras May/June 2006

https://doi.org/10.1590/S1413-70542006000300024 

ZOOTECNIA E MEDICINA VETERINÁRIA

 

Nutrientes na fitomassa de capim–marandu em função de fontes e doses de nitrogênio1

 

Nutrient content in marandu grass biomass due to nitrogen sources and levels

 

 

Ana Cândida PrimavesiI; Odo PrimavesiI; Luciano de Almeida CorrêaI; Aliomar Gabriel da SilvaI; Heitor CantarellaII

IEmbrapa Pecuária Sudeste Cx. P. 339 13560–970 São Carlos, SP anacprima@yahoo.com.br, odo@cppse.embrapa.br, luciano@cppse.embrapa.br, aliomar.silva@embrapa.br
IIInstituto Agronômico de Campinas, Centro de Solos e Recursos Agroambientais Cx. P. 28 13001–970 Campinas, SP cantarella@iac.sp.gov.br

 

 


RESUMO

Em pastagens manejadas intensivamente, que recebem altas doses de nutrientes, é necessário conhecer sua extração para auxiliar as recomendações de adubação. Este trabalho teve a finalidade de avaliar os nutrientes extraídos pela fitomassa de capim–marandu (Brachiaria brizantha (Hochst ex. A. Rich.) Stapf cv. Marandu) submetido a fontes e doses de N e seu efeito na recuperação aparente do N, em experimento conduzido em Latossolo Vermelho Distrófico típico, sob condições tropicais. Foram aplicadas três doses de N: 50, 100 e 200 kg ha–1 corte–1, nas formas de uréia e de nitrato de amônio (NA), após quatro cortes consecutivos na estação chuvosa, além da testemunha. Houve aumento na extração dos nutrientes com doses crescentes de N, com valores elevados para K e N. As extrações dos macronutrientes foram maiores para K seguidas de N, Ca, Mg, P e S e dos micronutrientes na seguinte ordem decrescente: Fe, Mn, Zn e Cu. A recuperação média do N, pela forragem, de todas as doses da uréia foi de 84% da obtida com o NA, para o qual variou entre 38 e 51%. Em capim–marandu com produções elevadas de forragem, a extração de K é grande e a recuperação média de N da uréia é inferior à média do nitrato de amônio.

Termos para indexação: Brachiaria brizantha, extração de nutrientes, nitrato de amônio, teores de nutrientes, uréia.


ABSTRACT

Data about nutrient extraction in pastures receiving high rates of nutrients are important to help to define fertilizer recommendations. The present work had the objective of evaluating nutrient extraction and N recovery by marandu grass (Brachiaria brizantha (Hochst ex. A. Rich.) Stapf cv. Marandu) treated with different sources and rates of N, grown on a dark red latosol (Hapludox), under tropical conditions, in Brazil. Three rates of N were surface–applied: 50, 100 and 200 kg ha–1cutting–1 as urea or ammonium nitrate, after four consecutive cuttings, during the rainy season. Nutrient extraction increased with increasing nitrogen rates, with high values mainly for K and N. When forage yield was high (treatment with 400 kg ha–1 year–1 of N) and for both fertilizer, macronutrient extraction was greater for K and N, followed by Ca, Mg, P, and S. Micronutrient extraction decreased in the following order: Fe, Mn, Zn, and Cu. Mean N recovery, by forage, from urea was of about 84% of that of ammonium nitrate, which varied from 38 to 51% of applied N. Large amounts of K are extract for marandu grass with high forage yield, and mean urea–N recovery is lower than for ammonium nitrate–N.

Index terms: Ammonium nitrate, Brachiaria brizantha, nutrient Content, nutrient extraction, urea.


 

 

INTRODUÇÃO

As pastagens de gramíneas tropicais corretamente estabelecidas e adequadamente manejadas e adubadas constituem fonte de alimento para bovinos que pode ser produzido economicamente e em grande quantidade. Sistemas intensivos de produção de bovinos demandam tecnologias e insumos para torná–los mais eficientes, competitivos e lucrativos.

Fertilizantes e corretivos, corretamente aplicados, são fatores determinantes no aumento da produtividade das forrageiras com potencial de resposta à aplicação de adubos, principalmente do nitrogênio (N).

O uso eficiente da pastagem, em sistemas intensivos de produção, é dependente de concentrações adequadas de elementos minerais na forragem (Hopkins et al., 1994). Entretanto, as conseqüências da intensificação do manejo de pastagens na composição mineral da forragem são bem menos compreendidas, em particular o efeito relativo do aumento da aplicação de fertilizantes nitrogenados na concentração de vários nutrientes.

De todos os nutrientes, o N é quantitativamente o mais importante para o crescimento das plantas (ENGELS & MARSCHNER, 1995) e de pastagens estabelecidas com gramíneas (MONTEIRO et al., 2004), e o segundo fator mais limitante (o primeiro sendo a água) para o desenvolvimento das forrageiras (JARVIS et al., 1995).

Para um bom manejo da adubação, principalmente em sistema intensivo de produção, torna–se importante conhecer a necessidade de nutrientes das plantas forrageiras e, conseqüentemente, sua capacidade de extraí–los do solo (LUZ et al., 2001).

Entretanto, aplicações elevadas de N podem resultar em elevação do teor protéico, redução nos teores de matéria seca (MS) (WHITEHEAD, 1995), fósforo (P) e potássio (K) e outras interações entre nutrientes minerais no solo e planta. O efeito dos fertilizantes nitrogenados no pH do solo é particularmente importante na absorção do ferro (Fe), manganês (Mn) e cobalto (Co) e, portanto, influencia a composição mineral da forrageira (WHITEHEAD, 1995).

Os resultados de pesquisa em relação às perdas de N são muito variados, principalmente porque o N proveniente da uréia é muito susceptível às perdas por volatilização e, conseqüentemente, mais sensível às condições do manejo de aplicação. Em pastagens manejadas intensivamente, onde se usam doses elevadas de N, conhecer a recuperação do N do fertilizante pelas plantas torna–se importante para maximizar a eficiência do seu uso e minimizar o impacto ambiental. A recuperação aparente do N do fertilizante, isto é, a diferença do N absorvido por plantas de parcelas adubadas em relação às plantas de parcelas não adubadas, apresenta a conveniência de ser de fácil estimativa e de baixo custo, pois utiliza apenas o teor de N total da planta e a massa seca da forragem.

Realizou–se o presente trabalho com a finalidade de avaliar os nutrientes extraídos pela fitomassa de capim–marandu [Brachiaria brizantha (Hochst ex. A. Rich.) Stapf cv. Marandu], submetido a fontes e doses de N, e o efeito dessas na recuperação aparente do N de dois adubos nitrogenados, em experimento conduzido em Latossolo Vermelho Distrófico típico (LVd), para auxiliar as recomendações de adubação de pastagens exploradas intensivamente.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido de 20 de novembro de 2000 a maio de 2001, em pastagem de capim–marandu, em Latossolo Vermelho Distrófico típico, na fazenda Canchim, região de São Carlos, SP, Brasil (22º01'S e 47º54'W, altitude de 836 m), sob clima tropical de altitude.

As características químicas do solo, na camada de 0–20 cm, no início do experimento, foram: pH em CaCl2 = 5,5; M.O. = 55 g dm–3; P–resina = 19 mg dm–3; K = 7,0 mmolc dm–3; Ca = 54 mmolc dm–3; Mg = 21 mmolc dm–3; CTC = 116 mmolc dm–3; V = 70%, e as características físicas do solo: areia = 559 g kg–1; argila = 400 g kg–1; silte = 40 g kg–1.

Na instalação do experimento foram aplicados 50 kg ha–1 de P2O5, como superfosfato simples, e 30 kg ha–1 de micronutrientes FTE BR–12. O potássio, na forma de KCl, foi aplicado por ocasião das adubações nitrogenadas, nas quantidades totais de 240 kg ha–1de K2O, nos tratamentos testemunha e com 200 kg ha–1 ano–1 de N, e de 420 kg ha–1 de K2O, nos tratamentos com 400 e 800 kg ha–1 ano–1de N.

O delineamento experimental foi o de blocos casualizados com sete tratamentos organizados em esquema fatorial (2 x 3) + 1 (duas fontes de N: uréia e nitrato de amônio (NA) e três doses de N: 50, 100 e 200 kg ha–1 corte–1), uma testemunha sem adubo nitrogenado, com quatro repetições (Gates, 1991). O N foi aplicado em quatro períodos (após o corte de uniformização e após os demais cortes, até o terceiro e penúltimo corte) durante a época das águas.

As parcelas apresentavam área de 16 m2 (4 x 4 m), sendo utilizada uma área útil de 6 m2, para avaliação da produção de forragem. Os cortes foram feitos a intervalos de 43 dias, a 10 cm da superfície do solo. Após a pesagem da matéria verde foi separada uma amostra com 500 g, colocada em estufa de circulação forçada de ar, à temperatura de 60ºC, até peso constante, para determinação do teor de água e posterior cálculo do peso da MS. Foi determinado o teor de minerais na MS da forragem (MALAVOLTA et al., 1997) e calculada a extração de cada elemento.

A extração dos nutrientes foi calculada pela fórmula; Nutriente(ext) (kg ha–1) = 0,001 x [matéria seca (kg ha–1) x teor do nutriente (g kg–1)].

As chuvas ocorridas nos quatro períodos consecutivos de produção de forragem foram respectivamente: 199,0; 149,1; 134,3 e 43,8 mm.

A recuperação aparente do N (Nrec), em %, foi calculada pela fórmula: Nrec = 100 x [(Nextr na parcela fertilizada Nextr na parcela testemunha)/dose de N aplicada]. A extração de N (Nextr) foi calculada pela fórmula: Nextr = 0,001 MS x TN; em que Nextr = N extraído em kg ha–1; MS= matéria seca em kg ha–1; TN = teor de N em g kg–1. A quantidade de N na forragem das parcelas não adubadas foi utilizada para estimar o suprimento de N proveniente do solo e da atmosfera.

Foi realizada a análise de variância, com desdobramento e avaliação do peso das componentes do primeiro ao quarto grau, e usando–se o teste F para comparar as médias das fontes de N, bem como ajustadas equações de regressão linear simples e quadrática para as curvas de teores e de extração de nutrientes em função das doses de N aplicadas.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise de variância mostrou diferenças significativas (p<0,05) para o efeito de fontes de N sobre a concentração de todos os nutrientes, exceto P, K, Mn e Fe, na parte aérea do capim–marandu. Ocorreu interação fontes x doses para N, P, K, Ca, Mg, Cu, Zn e Mn, expressa por diferenças nas curvas de resposta (Tabela 1).

Os teores de N na planta aumentaram com as doses de N, das duas fontes, de forma linear com a uréia e quadrática com o NA (Tabela 1). Com a uréia, os teores de N (g kg–1) nas plantas variaram de 17 a 24, e com o NA de 18 a 26, sendo a faixa adequada de 13 a 20 (WERNER et al., 1996). No tratamento 200 kg ha–1 corte–1 de N, o teor de N se mostrou maior que o adequado, confirmado pelo acúmulo de nitrato na forragem. O nitrato (NO3) é a forma inorgânica de N que se acumula na planta quando o suprimento excede o requerimento para o crescimento. As diferenças entre fontes podem ser explicadas pelas perdas de N–NH3 da uréia. Ocorreu aumento nos teores de N–NO3 na planta com as doses de N nas duas fontes, sendo maior com o NA. Verifica–se no tratamento 200 kg ha–1 corte–1 de N em que a resposta em produção foi mais reduzida, que o teor de N–NO3 foi maior, indicando que não compensa aumentar as doses de N, pois embora o teor de N na planta ainda esteja aumentando, o N–NO3 já está acumulando, embora ainda na faixa permissível para alimentação animal – 3.400 a 4.500 mg kg–1 (WHITEHEAD, 1995). Esse fato também permite explicar porque não se observou o efeito de diluição para teores de N, que continuaram aumentando com a maior produção de MS. Tem–se observado que o K aumenta a eficiência de uso do N. Com teores baixos de K nas plantas, os compostos de N solúvel acumulam–se (COUTINHO et al., 2004). Tal fato não foi observado neste experimento.

Com o S é necessário considerar o seu teor e a relação N:S no tecido vegetal (MONTEIRO et al., 2004). Batista (2002) verificou em capim–marandu que a produção de MS dependeu do equilíbrio no fornecimento desses dois nutrientes. Os teores de S não variaram com as doses de N em ambas as fontes, mas ocorreu variação entre as fontes, com teores superiores para o NA, mas com valores dentro da faixa dos teores adequados – 0,8 a 2,5 g kg–1 (WERNER et al., 1996). Faquin et al. (2000) obtiveram com capim–marandu, teores entre 0,4 e 0,5 g kg–1 de S, no tratamento que não recebeu Jones & Watson (1991) relataram para as gramíneas relações N:S de 10:1; Scott et al. (1983) informam que, em geral, valores de N:S acima de 14:1 indicam deficiência de S. No presente experimento a relação N:S variou de 10:1 a 17:1, tendo sido adicionado ao solo 30 kg ha–1 de S. A relação N:S aumentou com o acréscimo das doses de N, o que era esperado porque a dose de S foi fixa, o que refletiu nos teores de S de todos os tratamentos, inclusive no tratamento sem N. Nos tratamentos sem N e 200 kg ha–1 corte–1 de N, a relação N:S foi, respectivamente, 10:1 e 17:1, indicando que a quantidade aplicada de 30 kg ha–1 de S foi suficiente para manter o equilíbrio entre N e S. Isso confirma que, para pastagens exploradas intensivamente e onde se aplica N em grandes quantidades, as doses 30 a 90 kg ha–1 de S, recomendadas por ano, são suficientes, devendo ser parceladas sempre que se usar mais que 30 kg ha–1 de S (MONTEIRO et al., 2004).

Os teores de K na MS das forrageiras variam com a disponibilidade do nutriente no solo. Em capim–marandu esse teor tem variado entre 4,3 e 28,0 g kg–1 (MONTEIRO et al., 1995). Os teores de K (g kg–1) aumentaram com as doses de N e variaram de 28 a 35, e nos tratamentos 100 e 200 kg ha–1 corte–1 de N ficaram acima da faixa adequada para essa forrageira – 12 a 30 (WERNER et al., 1996) – e 22 a 29 nas folhas novas (MATTOS, 1997), e muito acima do exigido por vacas leiteiras com 400 kg de peso vivo e produções de 7 a 20 L dia–1, que é de 9 g kg–1 de K (NRC, 2001). Com o aumento das produções de MS, nos tratamentos 100 e 200 kg ha–1 corte–1 de N, com a uréia não ocorreu diminuição no teor de K, possivelmente porque maior quantidade de K foi usada e a gramínea cresceu menos que nos mesmos tratamentos com NA, nos quais o teor de K decresceu no tratamento 200 kg ha–1 corte–1 de N, provavelmente pelo efeito de diluição.

Os teores de Ca e Mg da forragem ficaram dentro da faixa adequada – Ca – 3,0 a 6,0 g kg–1 e Mg – 1,5 a 4,0 g kg–1 (WERNER et al., 1996). Com o aumento das doses de N, os teores de Ca sofreram ligeira redução quando se utilizou uréia e aumentaram discretamente com NA, e os de Mg diminuíram com os dois adubos nas doses maiores de N, onde foi aplicado mais K. A adição de K aumenta seus teores na planta e diminui os de Ca ou Mg em quantidades equivalentes (MATTOS et al., 2002). Normalmente o Mg não é usado em adubações, mas na calagem, e o uso de K em doses elevadas pode levar à deficiência de Mg (MARSCHNER, 1995). O efeito dos adubos nitrogenados no teor de Mg pode ter sido influenciado pela maior quantidade de K usada nos tratamentos 100 e 200 kg ha–1 corte–1 de N, uma vez que, em princípio, a maior absorção de K conduz à redução do teor de Mg. Como, geralmente, o efeito do adubo nitrogenado sobre a produção de MS é maior que o dos adubos potássicos (HOPKINS et al., 1994), embora o teor de Mg tenha diminuído com o aumento das doses de N, o teor de Mg e a relação K/Mg se mantiveram na faixa de 7 a 10, considerada adequada por Malavolta (1980).

O N estimula a absorção e translocação do P (ANDREW & ROBINS, 1971). Com o NA os teores de P permaneceram adequados e com a uréia ficaram acima – 0,8 a 3,0 g kg–1 (WERNER et al., 1996). Os teores de P não aumentaram com doses de N na forma de NA e diminuíram com as doses de N na forma de uréia.

Os teores de Cu aumentaram com as doses de N, com NA, o que também foi verificado por Andrade et al. (1996). Com os teores de Zn, a resposta foi linear com uréia e quadrática com NA. Com Mn e Fe, nas duas fontes de N, a resposta foi quadrática. Os teores (mg kg–1) de Cu (7 a 10), Zn (29 a 35), Mn (58 a 76) e Fe (196 a 239) ficaram na faixa adequada (WERNER et al., 1996).

A extração dos nutrientes foi linear para N, Mn e Fe, quadrática para P, Ca e Mg para ambas fontes. Para S, K, Cu e Zn a extração foi linear com uréia e quadrática com NA. Ocorreu interação para a extração de todos os nutrientes (Tabela 2). Comparando a extração de nutrientes na dose 400 kg ha–1 ano–1 de N, em relação à testemunha, verificou–se aumento, respectivamente, para uréia e NA, de 6,7 e 8,5 vezes para N; 4,8 e 6,0 para P; 4,3 a 5,7 para S; 7,5 e 9,3 para K; 4,7 e 4,9 para Ca; 4,3 e 5,4 para Mg; 5,0 e 6,8 para Cu; 5,3 e 6,9 para Zn; 4,4 e 5,0 para Mn e 4,9 e 3,8 para Fe. A extração dos nutrientes foi grande e cresceu com o aumento da produção de forragem. Houve extração bem maior de K em relação ao N, mesmo no tratamento sem N mas que recebeu K, indicando que o capim–marandu extrai muito K do solo. Primavesi et al. (2004) verificaram com capim–coastcross extrações semelhantes de K e de N. Nos tratamentos 400 e 800 kg ha–1 ano–1 de N, a maior extração de K refletiu a maior quantidade aplicada de potássio. Porém, como com NA houve redução do incremento de produção de MS com as doses de N (PRIMAVESI et al., 2003), a maior extração de K nesses tratamentos, com teores na forragem acima do adequado, pode significar início de consumo de luxo. Com os dois adubos e em todos os tratamentos, as extrações dos macronutrientes foram maiores para K seguidas de N, Ca, Mg, P e S e dos micronutrientes na seguinte ordem decrescente: Fe, Mn, Zn e Cu.

A recuperação aparente do N dos adubos variou (P<0,05) com as fontes e doses de N (Tabela 3). Com o aumento das doses de N ocorreu decréscimo na recuperação, maior com o NA. A recuperação média de todas as doses de N–uréia foi de 84% da obtida com o NA. O N–uréia recuperado pela parte aérea foi superior ao obtido por Oliveira et al. (2003). Esse fato foi devido provavelmente: a) à altura de corte de 10 cm, que no ensaio de Oliveira et al. (2003) foi de 20 cm; b) à dose de N usada de 400 kg ha–1 em contraste com 300 kg ha–1, utilizada por esses autores; c) e também ao uso pelos autores citados de 15N, que elimina o efeito da MO (as raízes das plantas que receberam N exploram mais o N da MO do que as do tratamento sem N). Andrade et al. (1996), usando 1.150 kg ha–1 de N como NA, relataram recuperação de 52%, superior à deste trabalho, onde houve redução nas doses de N superiores a 400 kg ha–1. Verificou–se uma baixa recuperação aparente do N nos terceiro e quarto períodos de crescimento (Tabela 3), podendo ser atribuída à baixa produção de forragem ocorrida, no terceiro período provavelmente pelas plantas já estarem florescidas e, no quarto, pela falta de chuvas.

 

CONCLUSÕES

A extração de K é grande em capim–marandu com produções elevadas de forragem.

A recuperação média de N fornecido pela uréia é inferior a de N do nitrato de amônio, quando se utiliza pastagem de capim–marandu.

 

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(Recebido para publicação em 20 de setembro de 2005 e aprovado em 16 de fevereiro de 2006)

 

 

1 Trabalho financiado pelo Convênio Embrapa/Petrobrás.

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