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Ciência e Agrotecnologia

Print version ISSN 1413-7054On-line version ISSN 1981-1829

Ciênc. agrotec. vol.30 no.4 Lavras July/Aug. 2006

https://doi.org/10.1590/S1413-70542006000400021 

ZOOTECNIA E MEDICINA VETERINÁRIA

 

Época de sobressemeadura de gramíneas anuais de inverno e de verão no capim-Tifton 85: produção e composição botânica1

 

Tifton 85 overseeded with cool season forages: yield and botanical composition

 

 

Andréia Luciane MoreiraI; Ricardo Andrade ReisII; Flávia Fernanda SimiliIII; Marcio dos Santos PedreiraIV; Eduardo Dollo ContatoV; Ana Cláudia RuggieriVI

IPesquisadora do Pólo Regional Alta Sorocabana – Presidente Prudente, SP – aluciane@aptaregional.sp.gov.br
IIProfessor da FCAV/UNESP – Jaboticabal, SP – Pesquisador CNPq – rareis@fcav.unesp.br
IIIPesquisadora do Pólo Centro Leste – Ribeirão Preto, SP – flaviasimili@aptaregional.sp.gov.br
IVProfessor DTRA/UESB Itapetinga, BA – pedreira@fcav.unesp.br
VMestrando em Produção Vegetal/FCA – UNESP – Jaboticabal, SP – Rua dos Pinheiros, 150 – Jardim São Paulo – Americana, SP – ducontato@hotmail.com
VIPesquisadora do Instituto de Zootecnia Sertãozinho, SP – ruggieri@iz.sp.gov.br

 

 


RESUMO

Conduziu–se o experimento na UNESP–Jaboticabal no período de inverno–primavera–verão de 2001–2002, com objetivo de determinar a massa seca total da forragem, composição botânica, relação lâmina foliar/colmo+bainha e variação na produção das misturas no capim–Tifton 85 exclusivo e sobressemeado com espécies de inverno e verão. Os tratamentos foram: milheto (Pennisetum americanum (L.) Leeke)+aveia preta (Avena strigosa Schreb); híbrido de sorgo Sudão (Sorghum bicolor (L.) Moench x S Sorghum sudanense (Piper) Stapf) (AG2501)+aveia preta, sobressemeados nas áreas de Tifton–85 (Cynodon nlemfuensis Vanderyst x Cynodon dactylon (L.) Pers) em 19–06 (época 1) ou 02–07–2002 (época 2) e Tifton 85 (Testemunha). O delineamento experimental o de foi blocos ao acaso. O AG2501 apresentou pequena participação na composição botânica e não se observou a presença do milheto no experimento. A massa total de forragem nas avaliações 1 e 2,–época 1 de semeadura, foi 63% maior quando comparada com a época 2 de semeadura. Nas demais avaliações, foram observadas produções semelhantes. Na época 2, observou–se maior participação de forrageiras de aveia em relação a avaliação 1. A relação lâmina foliar/colmo+bainha decresceu com as sucessivas avaliações em decorrência da composição botânica presente no momento da avaliação.

Termos para indexação: Aveia preta, gramíneas anuais de inverno, híbrido de sorgo–sudão, relação lâmina/colmo.


ABSTRACT

The experiment was conducted at UNESP–Jaboticabal during the 2001–2002 winter–spring–summer periods to evaluate the herbage mass, botanical composition, dry matter production of mix pastures, and leaf:sheat–stem ration of Tifton 85 or overseeding with annual winter or summer species. The treatments were: pearl millet (Pennisetum americanum (L.) Leeke) plus bristeal oat (Avena strigosa Schreb); sorghum sudan grass (Sorghum bicolor (L.) Moench x Sorghum sudanense (Piper) Stapf) (SS AG2501 C) plus bristeal oat, overseeded on Tifton 85 area on 06/19/02/04 , or 07/02/02, and Tifton 85, conducted in a randomized block design. The AG2501 contributed with a small participation in the botanical composition and the presence of millet in the experiment was not observed. Highest herbage mass at first and second evaluations related to first seeding time was 63% higher compared to the second seeding time. The herbage mass were similarThe production in the other evaluations were similar. On the second seeding time, it was observed highest oat species in relation to the first seeding time. The leaf:sheat–stem ration decreased during the experiment due to the pasture botanical composition changes.

Index terms: Bristeal oat, cool season species, sorghum sudan grass, leaf:sheat–stem ration.


 

 

INTRODUÇÃO

A estabilidade na produção de massa de forragem ao longo do ano é importante, pois facilita o manejo da pastagem e evita grandes variações na carga animal necessária para a manutenção de resíduo adequado da forrageira, visando maximizar a produtividade. A oscilação na taxa de acúmulo de matéria seca das pastagens, ocorre com freqüência, devido às variações climáticas e a estacionalidade de produção das espécies, sendo a maior dificuldade enfrentada no manejo das pastagens (ROSO et al., 1999).

Neste sentido, a sobressemeadura de espécies forrageiras de inverno, em áreas formadas com espécies perenes de clima tropical, é uma opção a ser considerada para aumentar a produção e sua distribuição estacional e, principalmente, o valor nutritivo (VN) da forragem durante a estação fria e seca do ano. A sobressemeadura provoca aumento substancial na quantidade e na qualidade da forragem, podendo alterar a distribuição da produção durante o ano, com a redução da necessidade de alimentação suplementar nesse período (MORAES & LUSTOSA, 1999; REIS et al., 2001).

Espécies anuais de verão, como o milheto (Pennisetum americanum (L.) Leeke)e o híbrido de sorgo–sudão – HSS (Sorghum bicolor (L.) Moench x Sorghum sudanense (Piper) Stapf), podem ser fontes valiosas de forragem por apresentarem flexibilidade de época de semeadura e alto potencial produtivo, podendo constituir alternativas de forragem, intensificando a produção animal, principalmente em épocas de escassez de alimento (SIMILI, 2003).

Gramíneas anuais e leguminosas de estação fria têm potencial para preencher quantitativa e qualitativamente as necessidades do gado leiteiro durante períodos em que ocorrem quedas na produção forrageira associadas a gramíneas perenes de estação quente (FONTANELI & FONTANELI, 2000).

Roso et al. (1999) testaram a introdução da mistura de aveia preta + azevém, e obtiveram as seguintes taxas de acumulação média diária de massa seca (MS), (kg MS/ha), distribuídas nos períodos de 08 a 30–06 (63,4); 1º a 31–07 (56,8); 1º a 31–08 (51,1); 1º a 30/09 (54,4); 1º a 31/10 (57,9) e 1º a 14–11 (50,4). Os mesmos autores observaram a maior participação inicial da aveia preta (89,5; 77,8; 16,0 e 3,7% nos meses de junho, julho, agosto e setembro, respectivamente). A partir de outubro, a aveia preta esteve ausente no consórcio, enquanto o azevém apresentou pequena participação inicial, aumentando até setembro e outubro, e declinando em novembro (10,6; 22,2; 44,6; 77,7; 69,5 e 45,5% nos meses de junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro, respectivamente).

Fontaneli & Fontaneli (2000) não observaram interação entre os genótipos de híbrido sorgo–sudão e as diferentes datas de semeadura, registrando diminuição na produção de massa seca de forragem em função das datas mais tardias de semeio no verão. Na semeadura realizada em março, a produção de MS foi de 7,8 t/ha, comparativamente a 4,8 t/ha no plantio realizado em junho.

O estudo foi realizado com objetivo de determinar a produção de massa seca total, a composição botânica, e a variação da produção de massa seca das misturas das gramíneas anuais de inverno (aveia preta) e de verão (milheto e híbrido de sorgo–sudão) sobressemeados em diferentes épocas no capim–Tifton 85.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no setor de Forragicultura da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal–UNESP, situado a 21°15' de latitude (S), 48°18' de longitude (W) e altitude média de 595 m. Os dados meteorológicos utilizados neste trabalho foram obtidos na Estação Agrometeorológica do Departamento de Ciências Exatas e os dados referentes às temperaturas máximas e mínimas, bem como os de precipitação observados durante o período experimental (abril de 2002 a fevereiro de 2003) encontram–se na Figura 1.

 

 

O experimento foi instalado em área com aproximadamente 1.200 m2, situada em solo classificado como Latossolo Vermelho–Escuro Distrófico típico textura argilosa (ANDRIOLI & CENTURION, 1999). Cada parcela foi constituída de 40 m2 (10 m x 4 m), dispostos em três blocos.

Em meados de fevereiro de 2002, foram retiradas amostras de solo para análises químicas, na profundidade de 0–20 cm, e os resultados da análise química de solo foram os seguintes: pH (CaCl2) = 5,5; MO = 28 g/dm3; P (resina) = 11 mg/dm3; K+ = 5,9 mmolc/dm3; Ca2+ = 38 mmolc/dm3; Mg2+ = 14 mmolc/dm3; H+Al = 25 mmolc/dm3; SB = 58 mmolc/dm3; CTC = 83 mmolc/dm3, e saturação por bases = 70 %. De acordo com Raij et al. (1996), pelos resultados encontrados não houve necessidade de calagem para a correção do solo no momento da semeadura e no estabelecimento das plantas forrageiras.

Foram testados 6 tratamentos, sendo T1: Milheto (P. americanum (L.) Leeke) + Aveia preta (A. strigosa Schreb) cv. IAPAR 61, sobressemeados em 19–06; T2: híbrido de sorgo X capim Sudão (S. bicolor (L.) Moench x S. sudanense (Piper) Stapf) cv. AG2501C + Aveia preta sobressemeados em 19–06; T3: Testemunha, capim–Tifton 85 (C. nlemfuensis Vanderyst x C. dactylon (L.) Pers) exclusivo; T4: Milheto + Aveia preta sobressemeados em 02–07; T5: AG2501C + Aveia preta sobressemeados em 02–07; T6: Testemunha, capim–Tifton 85 exclusivo. A escolha das espécies de verão foi com base na hipótese de que essas plantas germinariam e se desenvolveriam nos períodos de temperaturas mais altas, após o desaparecimento da forrageira de inverno, proporcionando melhoria na distribuição da massa seca de forragem.

No dia 19 de junho (Época 1) e 02 de julho (Época 2), realizou–se a sobressemeadura das plantas anuais de inverno e de verão juntamente com a adubação de plantio. No dia anterior da sobressemeadura, o capim–Tifton 85 foi rebaixado, utilizando–se a segadeira condicionadora, a 5 cm de altura e retirado do local.

A sobressemeadura foi realizada com semeadeira de plantio direto, utilizando–se as seguintes quantidades de sementes: 60 kg/ha de aveia preta e 16 kg/ha do milheto e AG2501C.

Utilizou–se, na adubação inicial, 30 kg/ha de nitrogênio na forma de uréia; 60 kg/ha de P2O5 na forma de superfosfato simples e 60 kg/ha de K2O na forma de cloreto de potássio. Após 30 dias, nos dias 19 de julho (Época 1) e 02 de agosto (Época 2) de 2002, realizou–se adubação de cobertura, a lanço, de 40 kg/ha de N na forma de uréia e 40 kg/ha de K2O na forma de cloreto de potássio.

Na área experimental, foi utilizada a irrigação por aspersão até o mês de agosto, aplicando–se 60 mm de lâmina d'água por mês, visando a garantir uma adequada formação das forrageiras de inverno. A irrigação foi quantificada com base nos dados obtidos em experimentos anteriores realizados no setor de Forragicultura da FCAV/UNESP.

As pastagens foram manejadas em sistema de lotação rotacionada procedendo à avaliação da massa de forragem. O início do pastejo foi realizado quando as plantas atingiram 55–60 cm de altura, nas avaliações primeira, segunda e terceira. Após o ciclo de crescimento da aveia e o desaparecimento das mesmas, os pastos foram manejados para avaliação do capim Tifton–85 quando as plantas atingiram 35–40 cm de altura.

Antes da entrada dos animais, a massa seca da forragem foi avaliada através do corte manual das plantas contida em um quadrado de 1 m2, a uma altura de 10 cm , determinando–se a produção de massa verde, por pesagem, e posteriormente o conteúdo de massa seca.

Em seguida, a área experimental foi dividida em faixas, delimitada por cerca elétrica, sendo utilizadas vacas leiteiras da raça Holandesa no rebaixamento das forrageiras, onde foram monitoradas a pastejarem a altura média como descrito anteriormente no corte manual. No rebaixamento, considerou–se a oferta de forragem em média de 6% do peso dos animais. Durante o rebaixamento, utilizou–se de lotação equivalente a 10 unidades animais (lotação instantânea) em dois dias de pastejo.

Foram realizadas cinco avaliações referentes às duas épocas de semeadura (E), com os seguintes períodos de crescimento (C): C1E1: 19–06 a 06–08 (49 dias); C2E1: 07–08 a 13–09 (38 dias); C3E1: 14–09 a 25–10 (42 dias), C4E1: 26–10 a 09–12 (45 dias), C5E1: 10–12 a 15–01 (37 dias) e, C1E2: 02–07 a 19–08 (49 dias), C2E2: 20–08 a 1º–10 (43 dias), C3E2: 02–10 a 11–11 (41 dias), C4E2: 12–11 a 07–01 (57 dias) e, C5E2: 08–01 a 11–02 (35 dias).

Após a saída dos animais, em todos os períodos de crescimento, foi realizada a adubação de cobertura, utilizando–se de 40 kg de nitrogênio na forma de uréia. A adubação total em todo o período experimental foi de 230 kg/ha de N, 60 kg/ha de P, e, 100 kg/ha de K.

A forragem colhida foi encaminhada ao Laboratório de Forragicultura, pesada e separada em duas partes. A primeira parte foi separada em plantas de inverno, de verão, capim–Tifton 85, plantas invasoras e material morto para avaliar a composição botânica das pastagens. Após a separação de cada espécie, a mesma foi pesada novamente e a proporção de cada fração da mistura total da forragem foi calculada, em porcentagem, a partir da massa seca das mesmas.

A outra parte da amostra colhida foi utilizada na determinação da relação lâmina foliar/colmo + bainha, das forrageiras de inverno, de verão e do capim–Tifton 85. A mesma foi estimada através da separação e pesagem da folha cortada na altura da lígula, assim, a bainha permaneceu aderida ao colmo. A seguir, foram pesadas e levadas à estufa de ventilação forçada de ar a 60ºC na determinação dos teores de massa seca. A relação foi determinada dividindo–se o peso seco de lâminas foliares pelo peso seco de colmo + bainha.

A variação da produção na massa seca de forragem (MF) das misturas foi calculada com base na MF do capim–Tifton 85 exclusivo nas avaliações, sendo utilizada a seguinte fórmula: Variação na MF = (MF da mistura/ MF do T–85)*100.

O delineamento experimental foi o de blocos completos ao acaso, com três repetições. Os dados experimentais foram submetidos à análise estatística pelo procedimento "Mixed" e medidas repetidas no tempo (Repeated Measures), segundo Littell et al. (1998), no SAS (Statistical Analysis System), SAS Institute (1990). Para obtenção das médias, foi utilizado o método dos quadrados mínimos e, o a comparação de médias de tratamentos, utilizou–se o teste F, ao nível de significância de 10%.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante todo o período experimental, o híbrido AG2501C teve pequena participação na produção da segunda (1,46 e 3,24%, época 1 e 2 , respectivamente) e terceira avaliações (1,18 e 0,16%, época 1 e 2 , respectivamente); não ocorrendo diferença estatística. No entanto, não se observou a presença do milheto em todo o experimento. A escolha das espécies de verão introduzidas foi com base na hipótese de que essas germinassem e se desenvolvessem nos períodos de temperaturas mais altas (após o ciclo vegetativo da aveia preta), e assim poderiam melhorar a distribuição da massa seca de forragem.

Durante o período experimental, não se observou a presença de plantas invasoras na área experimental.

Os resultados para a produção de massa seca total no pasto de capim–Tifton 85 exclusivo e sobressemeado com espécie de inverno em duas épocas de semeadura encontram–se na Tabela 1. Não houve diferença estatística significativa (p>0,1) entre os tratamentos estudados na primeira e segunda época de semeadura. Ocorreu diferença estatística (P<0,1) entre as avaliações efetuadas em que maior produção média de massa seca (7,34 t/ha) foi obtida na terceira avaliação e a menor produção média de massa seca (2,38 t/ha) foi obtida na primeira avaliação.

A produção da massa seca total de forragem (Tabela 1) do período de avaliação 1 e 2, referente à época 1 de semeadura, foi 63% maior quando comparada com a época 2, na mesma avaliação. Tal fato evidencia que, na composição botânica, a proporção de capim–Tifton 85 foi maior nos tratamentos semeados na época 1 e menores proporções ocorreram quando semeados na época 2 (Tabela 2).

Em contrapartida, na época 2 de semeadura, pode ser observada maior proporção de aveia preta (Tabela 2), porém com baixa produção, o que influenciou na produção de massa seca total (Tabela 1). Em trabalho de Contato et al. (2002), a semeadura ocorrida no dia quatro de junho de aveia preta e triticale em plantio direto em Jaboticabal – SP, proporcionou menores produções de massa seca total (2,13 e 2,02 t/ha) que o presente estudo.

Na segunda e terceira avaliações, tanto na época 1 como para a época 2 de semeadura, houveram aumentos significativos, da produção da forragem na MS em todos os tratamentos (Tabela 1), em média de 203%. Pode ser verificado nessas avaliações a predominância da composição botânica do capim–Tifton 85 e diminuição da presença da aveia preta (Tabela 2). Nesse período, a temperatura foi adequada ao crescimento do capim–Tifton 85 (Figura 1). A análise conjunta dos dados das Tabelas 1 e 2 evidencia que a sobressemeadura de espécies de inverno no capim–Tifton 85, em diferentes épocas, proporcionou pequeno aumento na PMS.

Na análise referente à quarta e quinta avaliações, nas duas épocas de semeadura, foi observada queda acentuada na disponibilidade de massa seca total de forragem (Tabela 1), com exceção do tratamento com a mistura de AP+M da época 2. Neste período avaliado não houve a presença da forrageira de inverno. Essa queda acentuada pode ter sido em virtude da irrigação, que cessou em setembro, devido ao início da chuva nesse período. Assim a rebrota do capim–Tifton 85 foi comprometida, aumentando a produção de colmo em comprimento e diâmetro, diminuindo a produção de folhas e a relação lâmina/colmo, como pode ser observado na Tabela 3.

A relação lâmina foliar/colmo da massa de forragem total foi maior (P<0,1) na forragem colhida na primeira avaliação, nas duas épocas de semeadura, em conseqüência da presença da forrageira de inverno (Tabela 3), que possui alta proporção de lâminas foliares. Moreira et al. (2001) obtiveram resultados semelhantes, com a diminuição na proporção de folhas, em decorrência do florescimento em genótipos de aveia cultivados em Jaboticabal.

A análise dos dados da composição botânica quanto à proporção de material morto na terceira e quarta avaliações, na primeira época de semeadura evidenciou que esse componente comprometeu os crescimentos nas avaliações subseqüentes. As duas avaliações coincidiram com a ocorrência de chuvas e a grande presença de lama no local, dificultou a determinação da altura do pasto, que comprometeu a rebrota.

Na segunda época de semeadura, após o desaparecimento das forrageiras de inverno, à medida que foram efetuadas as avaliações, houve acréscimo na proporção de material morto em todos os tratamentos. Resultados semelhantes foram encontrados por Roso et al. (1999) em que, acompanhando a queda na participação do componente forrageiro dos tratamentos contendo a mistura de espécies, constataram a grande participação de material morto.

As análises dos dados da Tabela 4 evidenciam que não houve interação (P>0,1) no incremento de produção das forrageiras sobressemeadas, podendo ser destacados maiores incrementos na produção com tratamentos da sobressemeadura da aveia preta + milheto, nas duas épocas de semeadura (20,40 e 42,72%, respectivamente) e valores negativos de 17,54 e 17,96% no tratamento da sobressemeadura de aveia preta + AG2501C semeado na época 1 e avaliado no quarto período de crescimento, e no tratamento da sobressemeadura de aveia preta + milheto semeado na época 2 e avaliado no segundo período de crescimento, respectivamente.

 

CONCLUSÕES

A sobressemeadura de aveia preta no capim–Tifton 85 apresentou pequena participação na composição botânica dos pastos, não sendo recomendado em regiões onde as temperaturas não são adequadas para o desenvolvimento pleno dessa forrageira de inverno.

Não se recomenda o plantio de milheto e de híbrido AG2501C em misturas com forrageira de inverno para amenizar o déficit de forragem, no período de inverno/primavera no Nordeste do Estado de São Paulo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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(Recebido para publicação em 8 de setembro de 2005 e aprovado em 16 de fevereiro de 2006)

 

 

1 Parte da Tese de Doutorado do primeiro autor, projeto financiado pela FAPESP;

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