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Ciência e Agrotecnologia

Print version ISSN 1413-7054On-line version ISSN 1981-1829

Ciênc. agrotec. vol.33 no.2 Lavras Mar./Apr. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-70542009000200034 

ZOOTECNIA E MEDICINA VETERINÁRIA

 

Associação deagentes patogênicos isolados emanálise microbiológica da água, coma presença de mastite clínica ou subclínica, em vacas de propriedades leiteiras da região de Cerqueira César - SP

 

Association of pathogenic agents isoladed from microbiological analysis of water with the presence of clinical or subclinical mastitis in cows of dairy farms of Cerqueira Cesar region SP

 

 

Maria Izabel Merino de MedeirosI; Luiz Carlos de SouzaII

IMédica Veterinária, Doutoranda, Pesquisador Científico - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios/APTA Centro Leste - Avenida Bandeirantes, 2.419 - Vila Virgínia - 14030-670 - Ribeirão Preto, SP - mariaizabel@apta.sp.gov.br
IIMédico Veterinário, Doutorado em Saúde Pública, Professor Adjunto - Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista - Distrito de Rubião Júnior - Campus de Botucatu - Cx. P. 513 - 18618-000 - Botucatu, SP - souza@fmvz.unesp.br

 

 


RESUMO

Objetivou-se, neste trabalho, pesquisar a relação entre os microrganismos patogênicos isolados e identificados em água utilizada na ordenha, com o isolamento e identificação dos mesmos em amostras de leite, de quartos mamários apresentando mastite clínica ou subclínica nas mesmas propriedades. Foram utilizadas 16 propriedades rurais leiteiras, escolhidas aleatoriamente, na região de Cerqueira César - SP, que utilizavam ordenha mecânica. A água utilizada na ordenha foi classificada em relação à presença de coliformes totais e fecais, como dentro dos padrões ou fora dos padrões de potabilidade humana. Nos resultados obtidos, 94% das amostras foram classificadas como fora dos padrões em relação a coliformes totais e fecais. Os microrganismos identificados foram: Escherichia coli (51%), Enterobacter spp. (25%), Enterobacter cloacae (8%) Edwardsiella tarda (8%) e Klebsiella oxytoca (8%). Em relação ao leite, foram analisadas 373 amostras provenientes de vacas em lactação, com mastite clínica (n=19; 5%) e subclínica (n=354; 95%). Os animais com mastite subclínica foram identificados pela contagem de células somáticas (CCS), utilizando-se o aparelho eletrônico (Somacount 300, Bentley), onde a média observada foi de 1.631 x 103 células/mL. Os principais microrganismos identificados foram: Staphylococcus aureus (30%), Corynebacterium bovis (23%) e Staphylococcus spp. (15%). Conforme os dados obtidos, os agentes coliformes encontrados na água, utilizada na ordenha, não estavam presentes nas análises das amostras de leite dos quartos mamários com mastite clínica ou subclínica das respectivas propriedades, demonstrando não haver associação entre a qualidade da água e a ocorrência de mastite.

Termos para indexação: Bovinos; mastite; leite; microorganismos.


ABSTRACT

The aim of the present study was to research the relation between the isolated and identified pathogenic microorganisms in the water used in the milking, with the isolation and identification of the same in milk samples of teats showing clinical or subclinical mastitis. Sixteen dairy farms were randomly chosen, in Cerqueira Cesar town - SP, which used mechanical milking. Water of the farms was classified in relation to the presence of total and fecal coliforms such as in the standard or out of the standard of human potability. In the results obtained, 94% of the samples were classified as being out of the standards in relation to total and fecal coliforms. The identified microorganisms were Escherichia coli (51%), Enterobacter spp. (25%), Enterobacter cloacae (8%), Edwardsiella tarda (8%) and Klebsiella oxytoca (8%). Regarding the milk samples, 373 samples from suckling cows were analyzed, presenting clinical mastitis (n=19; 5%) and subclinical mastitis (n=354; 95%).Animals presenting subclinical mastitis were identified by somatic cell count (SCC), utilizing electronic equipment (Somacount 300 - Bentley), where the mean found was 1,631 x 103 cells/mL. The main identified microorganisms were Staphylococcus aureus (30%), Corynebacterium bovis (23%) and Staphylococcus spp. (15%). According to the results obtained, coliform agents found in the water used in the milking were not present in the analysis of the milk samples of quarters presenting clinical or subclinical mastitis from the respective farms, showing that there was not an association between water quality and mastitis occurrence.

Index terms: Bovine, mastitis, milk, microorganisms.


 

 

INTRODUÇÃO

O manejo sanitário do rebanho leiteiro é o principal fator para obtenção de um produto final com todos os requisitos de qualidade. A mastite é, sem dúvida, um dos mais importantes problemas sanitários que afeta a produção leiteira. Determina perdas devido à redução na produção de leite, diminuição de sua qualidade, gastos com medicamentos, honorários profissionais além do descarte em muitos casos do leite e dos animais. Sua etiologia é bastante diversificada e pode apresentar-se sob as formas de mastite clínica ou subclínica, esta última de maior importância, pois pode permanecer quiescente no rebanho sem apresentar alterações macroscópicas no úbere e no leite. Sabe-se que vários fatores contribuem para a sanidade do rebanho e dentre eles a qualidade da água é fundamental, pois mesmo sendo elemento ideal para limpeza e dessedentação dos animais poderá contribuir como veículo de impurezas bem como de microrganismos patogênicos. Com base nesses aspectos, objetivou-se, neste trabalho, pesquisar a relação entre os microrganismos patogênicos isolados e identificados em água utilizada na ordenha, com o isolamento e identificação dos mesmos em amostras de leite, de quartos mamários apresentando mastite clínica ou subclínica nas mesmas propriedades.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram analisadas 16 propriedades rurais leiteiras, tecnificadas escolhidas aleatoriamente, na região de Cerqueira César - SP que utilizavam ordenha mecânica, no período de novembro de 2002 a fevereiro de 2003. Foram colhidas duas amostras de água de cada uma das 16 propriedades rurais, sendo que uma amostra foi colhida diretamente da torneira que disponibiliza essa água para uso na sala de ordenha e outra na fonte de onde esta água se originava e era captada pela propriedade, totalizando assim 32 amostras. Os resultados das análises da água classificaram as propriedades em relação à presença de coliformes totais e fecais como dentro dos padrões ou fora dos padrões de potabilidade humana (menos de 2 coliformes totais /100 mL de água). A técnica utilizada para as análises da água foi a de tubos múltiplos (APHA, 1992). Os microrganismos foram identificados segundo as características morfotintoriais (coloração de Gram), bioquímicas e de cultivo (CARTER & COLE JÚNIOR, 1990). Em relação ao leite, foram analisadas amostras de 423 vacas em lactação, primíparas e multíparas, em diferentes fases de lactação, mestiças e das raças Holandês, Gir, Girolando, Pardo Suíço e Jersey, com quartos positivos para mastite clínica ou subclínica, desconsiderando os quartos em tratamento e afuncionais. Os animais que se encontravam em período colostral e em fase de secagem não foram incluídos no grupo de estudo. Os animais foram submetidos, antes da ordenha, pela manhã ou à tarde, ao exame de Tamis ("caneca de fundo negro"), para a detecção de mastite clínica (BLOOD & RADOSTITS, 1991). Os casos de mastite subclínica foram identificados pelo California Mastitis Test - CMT, segundo Schalm & Noorlander (1957) e pela contagem de células somáticas (CCS), em aparelho eletrônico (Somacount 300 - Bentley). Os microrganismos foram identificados segundo as características de cultivo morfotintoriais (coloração de Gram) e bioquímicas (CARTER & COLE JÚNIOR, 1990).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observaram-se nos resultados relacionados à origem da água que das 16 fontes utilizadas, 57% advinham de minas, 31% de poços, 6% tratadas e 6% de rio (Figura 1).

 

 

Após a análise das fontes de água, verificou-se que 56% das amostras estavam fora dos padrões de potabilidade humana e que 44% apresentaram-se dentro dos padrões (Figura 2). A bactéria Escherichia coli foi isolada em todas as amostras consideradas fora dos padrões de potabilidade.

 

 

Segundo a OPAS (1987), a contaminação das fontes dá-se pela incorporação de resíduos, principalmente de excretas humanas e de animais. Amaral et al. (1995), verificaram que, em muitas propriedades rurais, ocorre a disposição inadequada de resíduos orgânicos das atividades humana e animal, confirmando a contaminação das fontes, como a situação encontrada nesse estudo. À semelhança das análises realizadas por Falcão et al. (1993), em diferentes fontes em Araraquara - SP, no presente trabalho não se observou contaminação por coliformes fecais em águas de poços e tratadas (SABESP), em contrapartida nas análises de água de rio e minas, obteve-se o mesmo resultado de contaminação por Escherichia coli.

Avaliou-se no presente estudo, a possibilidade das águas de fontes potáveis estarem fora dos padrões de potabilidade na torneira utilizada na ordenha, pela contaminação por agentes patogênicos no percurso ou pela falta de manutenção de caixas d'água. Observou-se que, 94% estavam fora dos padrões de potabilidade humana e apenas 6% estavam dentro dos padrões de potabilidade humana (Figura 3), concluindo-se que os produtores não cuidavam da manutenção de suas caixas d'água tornando-as importantes veículos de transmissão de enfermidades, tanto para os animais estudados como para consumo humano.

 

 

Pode-se verificar na Figura 4, os principais microrganismos isolados nas amostras de água: Escherichia coli (51%), Enterobacter cloacae (8%), Enterobacter spp. (25%), Edwardsiella tarda (8%) e Klebsiella oxytoca (8%), demonstrando a importância da Escherichia coli na contaminação das águas utilizadas na ordenha e para consumo humano. Alguns desses agentes foram relatados por Christovão (1997) como representantes importantes de coliformes totais e fecais. Eley (1992), citou que a presença principalmente da Escherichia coli indica contaminação fecal dessas águas. Wight et al. (1997), relacionam a presença de Escherichia coli, com ocorrências de surtos de gastroenterites em humanos.

Com relação às amostras de leite colhidas neste trabalho, verificou-se que, dos 1692 tetos avaliados, 1269 tetos (75%) foram CMT negativo, 373 tetos (22%) foram CMT positivo, 33 tetos (2%) afuncionais e 17 tetos (1%) em tratamento (Figura 5), demonstrando que as propriedades apresentavam um controle sanitário animal muito superior ao que comumente é observado no Brasil.

 

 

Na Figura 6, observa-se a porcentagem de mastites clínicas (5%) e subclínicas (95%), das 373 amostras de leite positivas no CMT.

 

 

Pelo fato da água poder atuar como via de transmissão de microrganismos patogênicos para a glândula mamária, muitos autores estudaram essa possibilidade obtendo resultados comprobatórios nessa associação (AMARAL et al., 1995, 2003; COSTA, 1998; CULLOR, 1993; HUTABARAT et al., 1986). Observou-se que das amostras de leite CMT positivas, 9% das análises foram negativas e 91% foram positivas nas análises microbiológicas para confirmação da mastite clínica ou subclínica.

Na Figura 7, observam-se os principais agentes patogênicos, isolados nas amostras de leite de tetos positivos para mastite clínica ou subclínica, sendo; Staphylococcus aureus (30%), Corynebacterium bovis (23%), Staphylococcus spp. (15%), Staphylococcus hycus (6%), Streptococcus spp. (6%), Streptococcus uberis (5%) e Streptococcus dysgalactiae (2%).

Os agentes patogênicos isolados nos casos de mastite clínica ou subclínica foram, na grande maioria, agentes considerados contagiosos. Os cuidados com a manutenção dos equipamentos de ordenha, a utilização de "pós-dipping", a avaliação constante do rebanho, reposição de animais considerados crônicos e a terapia de vaca seca são efetivas ações para que se possa diminuir a ocorrência da mastite considerada contagiosa. É importante salientar que o controle da mastite depende mais da prevenção do que de tratamentos (COSTA, 1998; KIRK et al., 1994; TIMMIS & SCHULTZ, 1987). O resultado da etiologia da mastite, no presente estudo, vem confirmar o que Schukken et al. (1991) citaram em seu estudo, ou seja, um aumento do risco na ocorrência de mastite por Staphylococcus aureus, quando se utiliza água não tratada no processo de obtenção do leite ou quando a água de lavagem do úbere está contaminada por coliformes.

A contagem de células somáticas (Tabela 1), demonstrou que tanto os agentes ambientais como os agentes contagiosos resultaram em contagens extremamente altas, comprometendo a qualidade do leite nas propriedades estudadas. Os problemas com a qualidade do leite pela presença de agentes contagiosos, principalmente pelo Staphylococcus aureus nos casos de mastite clínica ou subclínica, com altas contagens de células somáticas no leite já foi relatada por vários autores (ADESIYUN et al., 1997; TIMMIS & SCHULTZ, 1987).

A água utilizada na ordenha advinda das propriedades estudadas, positivas no isolamento de coliformes totais e fecais não obtiveram associação alguma com os agentes isolados no leite mastítico analisados nas mesmas propriedades, impossibilitando inclusive uma análise estatística.

 

CONCLUSÕES

Os agentes coliformes encontrados na água, utilizada na ordenha, não estavam presentes nas análises das amostras de leite dos quartos mamários com mastite clínica ou subclínica das respectivas propriedades, demonstrando não haver associação entre a qualidade da água e a ocorrência de mastite. Os agentes ambientais relacionados com a utilização de água fora dos índices de potabilidade na ordenha não foram significativos quando associados aos agentes ambientais isolados de quartos mamários positivos para mastite clínica ou subclínica. A bactéria Escherichia coli foi isolada em todas as amostras de água das fontes estudadas que se apresentavam fora dos padrões de potabilidade.

 

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(Recebido em 12 de dezembro de 2006 e aprovado em 12 de agosto de 2008)

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