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Ciência e Agrotecnologia

Print version ISSN 1413-7054

Ciênc. agrotec. vol.34 no.3 Lavras May/June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-70542010000300006 

CIÊNCIAS AGRÁRIAS

 

Aspectos técnicos e econômicos da bananeira 'Prata-Anã' sob fertirrigação nos tabuleiros costeiros de Sergipe

 

Technical and economical aspects of the banana tree "Prata-Anã" under fertirrigation in the coastal tablelands of Sergipe

 

 

Alberto Soares de MeloI; Lafayette Franco SobralII; Pedro Dantas FernandesIII; Marcos Eric Barbosa BritoIII; Pedro Roberto Almeida ViégasIV

IUniversidade Estadual da Paraíba - Departamento de Ciências Agrárias e Exatas, Campus IV - 58.884-000 - Catolé do Rocha, PB - alberto@uepb.edu.br
IIEmbrapa Tabuleiros Costeiros - Aracaju, SE
IIIUniversidade Federal de Campina Grande - Departamento de Engenharia Agrícola - Campina Grande, PB
IVUniversidade Federal de Sergipe - Departamento de Engenharia Agronômica - São Cristóvão, SE

 

 


RESUMO

Neste trabalho, objetivou-se estudar os efeitos de doses de nitrogênio e potássio via água de irrigação, sobre o tempo de colheita, componentes da produção: número de pencas, número de frutos pencas-1, número de frutos cacho-1 e massa do cacho planta-1, e lucratividade da bananeira Prata-Anã em tabuleiros costeiros do Estado de Sergipe. O experimento foi conduzido no campo, utilizando um arranjo fatorial 4x4 com quatro blocos casualizados, na Estação Experimental da Universidade Federal de Sergipe. Foram testados dois fatores: nitrogênio (0; 350; 700 e 1050, em kg ha-1 de N, na forma de uréia) e potássio (0; 400; 800 e 1200, em kg ha-1 de K2O, na forma de cloreto de potássio). O primeiro ciclo da bananeira 'Prata-Anã' é prolongado em situações de deficiências de N e K. O maior rendimento do cacho (32,56t ha-1) é obtido com a aplicação de 1050kg ha-1 ano-1 de N e 1112kg ha-1 ano-1 de K2O, cujas doses proporcionam uma lucratividade de 27,75 % e uma redução do custo de produção de 40,54%.

Termos para indexação: Musa spp., rendimento de fruto, lucratividade.


ABSTRACT

The objective of the work was to study the effects of doses of N and K applied through irrigation water, on the number of days between planting and harvesting, yield components (number of hands, number of fruits per hands, number of fruits per bunch, bunch weight per plant) and the profitability of the 'Prata-Anã' banana, in the coastal tablelands of Sergipe State. The experiment was carried out in the field at the Sergipe Federal University Experimental Station. A 42 factorial in a randomized block experimental design was used. Treatments were nitrogen (0; 350; 700 e 1050, kg ha-1 of N, as urea) and potassium (0; 400; 800 e 1200, kg ha-1 of K2O, as potassium chloride). Nitrogen and potassium deficiencies increased the number of days between planting and harvesting in the first cycle. Maximum yield of 32.56 t ha-1 was associated with 1050 kg ha-1 year-1 of N and 1112kg ha-1 year -1 of K2O. These doses were able to increase net income by 27.75% and reduced costs by 40.54%.

Index terms: Musa spp., yield, net income.


 

 

INTRODUÇÃO

A bananeira, por ser um vegetal essencialmente de trópico úmido, pode ser cultivada em todas as zonas agroecológicas localizadas entre 30º de latitude Norte e Sul, onde as temperaturas se situam entre os limites de 10ºC e 40ºC, sendo a ótima em torno de 28ºC. A temperatura e a altitude estão diretamente correlacionadas ao seu crescimento, em razão de exercer efeito direto sobre a velocidade da maioria dos processos metabólicos, influenciando no ciclo vegetativo, nas atividades fotossintética e respiratória.

Estudos sobre nutrição mineral em bananeira têm demonstrado exigências nutricionais elevadas e, concomitantemente, a importância de fornecimento equilibrado dos nutrientes para obtenção de produções econômicas. Dentre os nutrientes, destacam-se o potássio e o nitrogênio como os requeridos em maiores quantidades, sendo indispensáveis ao incremento da produtividade (Lahav & Turner, 1983; Teixeira, 2000; Mahalakshmi et al., 2003; Silva, J. et al., 2003).

A essencialidade do nitrogênio para as plantas está em exercer funções fisiológicas importantes na formação de compostos orgânicos, destacando-se aminoácidos, proteínas, coenzimas, ácidos nucléicos, vitaminas e clorofila, entre outros. Como constituinte destes compostos, o nitrogênio está envolvido nos processos que ocorrem no protoplasma, em reações enzimáticas e na fotossíntese (Epstein & Bloom, 2006). Em estudos com bananeira, Pinto et al. (2005) concluíram que o nitrogênio (340kg ha-1) aplicado via fertirrigação influenciou o rendimento da bananeira cv. Pacovan (17,43t ha-1). Já, Silva, J. et al. (2003), trabalhando com banana cv. Prata-Anã, constataram que o aumento da dose de N (de 0 a 1600 kg ha-1 ano-1) promoveu redução em torno de 10,61% no rendimento de frutos. Tais variações nas respostas ocorreram, possivelmente, em decorrência do manejo da adubação, do tipo de solo e, notadamente, das exigências dos cultivares em ambientes distintos.

Quanto ao potássio, considera-se o elemento mais importante para a cultura da banana (Lahav & Turner, 1983). Atuando como um osmorregulador dissolvido no suco celular, sua acumulação cria um gradiente osmótico que permite o movimento de água, regulando a abertura e fechamento dos estômatos, exercendo um papel essencial na economia de água e na turgescência das células, transporte de carboidratos e respiração (Epstein & Bloom, 2006). Neves et al. (1991), avaliando a nutrição mineral da bananeira, observaram ser o potássio o elemento mais exportado pelos frutos, aproximadamente 35% do total absorvido. Enquanto Silva, J. et al. (2003) verificaram que a produção máxima da cv. "Prata-Anã" foi obtida na dose estimada de 962,5kg de K2O ha-1 ano-1. Lahav & Turner (1983) mencionaram que a elevada demanda de K favorece a resposta da bananeira à aplicação desse elemento mesmo em solos com teores de 0,4cmolc dm-3.

Neste contexto, a análise do custo de produção na fruticultura tem sido utilizada para verificar como os recursos empregados no processo produtivo estão sendo remunerados, averiguar a rentabilidade da atividade frutícola, comparando-a a outra atividade, planejar e operacionalizar o sistema produtivo e servir como ferramenta na tomada de decisões seguras e corretas (Zonetti et al., 2002; Almeida et al., 2004; Silva et al., 2005). Nesse sentido, funções de respostas das culturas obtidas por meio de dados experimentais tornam-se informações importantes que podem ser utilizadas na gestão das empresas agrícolas.

Apesar de existirem publicações sobre a nutrição mineral da bananeira (Brasil et al., 2000; Borges et al., 2002; Mahalakshmi et al., 2003; Silva, J. et al., 2003; Guerra et al., 2004; Pinto et al., 2005), não existem informações disponíveis baseadas em dados experimentais sobre a aplicação de nutrientes via fertirrigação sobre aspectos agroeconômicos do cultivo irrigado de bananeira no Estado de Sergipe. Nesse sentido, objetivou-se avaliar doses crescentes de nitrogênio e potássio, via água de irrigação, sobre o tempo de colheita, o rendimento de frutos e a lucratividade da bananeira Prata-Anã, em tabuleiros costeiros do Estado de Sergipe.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado (novembro de 2003 a março de 2005) no Câmpus Experimental da Universidade Federal de Sergipe, localizado no município de São Cristóvão-SE, em solos de tabuleiros costeiros, cujas coordenadas geográficas são: latitude 10º19'S; longitude 36º39'O, com altitude de 20m.

A região possui clima, de acordo com a classificação de Köppen, do tipo As', Tropical chuvoso com verão seco e pluviometria em torno de 1200mm anuais, com chuvas concentradas nos meses de abril a setembro. O solo local é classificado como Argissolo Vermelho Amarelo Distrófico textura franco-arenosa (Embrapa, 1999), com as seguintes características físico-químicas: pH = 5,2; P = 2,4mg.dm-3; K = 0,8mmolc.dm-3; Ca2+ + Mg2+ = 8,9mmolc.dm-3; Al3+ = 2mmolcdm-3; H + Al3+ = 25,6mmolc.dm-3; Na+ = 0,55mmolc.dm-3; V = 42,47%; CTC = 44,5mmolcdm-3; M.O = 2,1dag dm-3; areia, silte e argila com 632g kg-1, 296g kg-1 e 72g kg-1, respectivamente; densidade do solo de 1,59kg dm-3; capacidade de campo determinada "in situ" = 0,199m3 m-3 e ponto de murcha permanente (1500kPa) = 0,033m3m-3.

Foram testados dois fatores: nitrogênio (0; 350; 700 e 1050, em kg ha-1 de N, na forma de uréia) e potássio (0; 400; 800 e 1200, em kg ha-1 de K2O, na forma de cloreto de potássio) aplicados via fertirrigação, durante o primeiro ciclo da bananeira cv. Prata-Anã, no delineamento em blocos ao acaso em arranjo fatorial 4x4, com quatro repetições. A parcela foi constituída de 32 plantas, quatro fileiras de 8 plantas, ocupando uma área de 160m2. Foram consideradas como área útil as 8 plantas (40m2) no centro da parcela, acrescente-se que o experimento ocupou uma área total de 12.000m2 (2.400 plantas).

Previamente, o preparo da área foi realizado por meio de aração e, em seguida, gradagem para incorporação de 2,5t ha-1 de calcário dolomítico (PRNT=65%) a 20cm, sessenta dias antes do plantio. O cálculo do corretivo foi baseado na análise química do solo, de modo elevar a saturação de bases a 70% (Raij et al., 1996). Posteriormente, foi feito coveamento tratorizado por meio de broca helicoidal com 0,50m de diâmetro e 0,5m de profundidade. A adubação de plantio foi executada com 300g de superfosfato simples (18% P2O5), 60g de micronutrientes na forma de FTE-BR12 (9% Zn; 1,8% B; 0.85% Cu; 3% Fe; 2,1% Mn e 0,10% Mo), 200 g de calcário dolomítico e 10 litros de esterco bovino misturados ao solo de cada cova, 45 dias antes do plantio. O plantio foi realizado em fileira dupla no espaçamento de 3,00m x 2,0m x 2,0m.

O bananal foi irrigado por microaspersão com vazão nominal de 1,94x10-5m3 s-1 (70Lh-1) de modo a deixar o solo próximo à capacidade de campo. O manejo da irrigação foi realizado com base no monitoramento climático, sendo a evapotranspiração de referência calculada pelo modelo de Penman-Monteith padronizado por Allen et al. (1998). As variáveis meteorológicas foram obtidas por meio de uma estação agrometeorológica instalada próximo à área experimental. As fertirrigações, conforme cada parcela, foram aplicadas quinzenalmente por meio do injetor do tipo Venturi com vazão calculada de 100L h-1.

O período compreendido entre o transplantio e a colheita do cacho foi quantificado (DAP) segundo a recomendação de Moreira (1999). Quanto às variáveis de produção, foram coletados dados de número de pencas por cacho, número de bananas por penca, número de bananas por cacho e de massa do cacho (kg planta-1) (Brasil et al., 2000; Pereira et al., 2000; Maia et al., 2003; Lima et al., 2005). De posse desses dados, foi estimado o rendimento (t ha-1), com base na massa e no número de frutos colhidos na área útil da parcela.

A partir da função de produção (Y(NK) = β0 + β1N1 + β2N22 + β3K3 + β4K42 + β5NK + e) e do custo de produção (Zonetti et al., 2002; Silva et al., 2005), foram calculados: a receita líquida, o preço de equilíbrio e o índice de lucratividade.

Em que: CP = custo de produção; Co = custos fixos; Cv = custos variáveis; X = doses dos insumos (uréia e cloreto de potássio); Pi = preço dos insumos (uréia e cloreto de potássio); Py = preço de venda da banana; RL = receita líquida; RB = receita bruta; PE = preço de equilíbrio; IL = índice de lucratividade.

A planilha de custos foi baseada no levantamento de preços de insumos e de frutos, fundamentando-se na atividade da Empresa Fruticultura São José LTDA, localizada no Platô de Neópolis-SE e do mercado local. Ressalte-se que os principais mercados consumidores desse fruto são as CEASAS: Aracaju, Salvador e Recife.

Os dados das variáveis respostas foram submetidos à análise de variância pelo teste F, à 5% de significância, e os respectivos modelos de regressão foram ajustados de acordo com a análise de variância de regressão (F<0,01) e conforme o coeficiente de determinação da equação, utilizando-se os programas SAEG 9.0 e Table Curve 2D e 3D.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O intervalo entre o plantio e a colheita do cacho foi modelado pela superfície de resposta com alta capacidade preditiva (R2=0,86**) (Figura 1), notando-se ponto de mínimo na dose estimada de 1016kg ha-1 de N, inferindo-se o intervalo de 440,22 dias. Verificou-se, também, que na situação de deficiência de N e K, o tempo de duração do 1º ciclo foi reduzido em 39,53 dias, quando se realizou somente fertirrigação potássica. Porém, as parcelas que receberam conjuntamente 1016kg ha-1 de N e 1200kg ha-1 de K2O distribuídos ao longo desse ciclo, tiveram antecipação da colheita em 103 dias. O efeito de N sobre a duração do ciclo da bananeira 'Prata-Anã', nesse trabalho, foi semelhante à resposta da 'Nanicão' observado por Teixeira (2000) e corrobora com Gomes (2004). Em relação ao K, esse último autor observou que o intervalo do plantio à colheita da 'Prata-Anã' foi de 383 dias, quando foram aplicados 800kg ha-1 de K2O. Em algumas regiões produtoras de bananas no Brasil, Pereira et al. (2000) em Jaíba, norte de Minas Gerais, e Oliveira et al. (2007) na Zona da Mata Mineira, reportaram que o ciclo da 'Prata-Anã' foi de 411 e 466,99 dias, respectivamente. Enquanto Lima et al. (2005), estudando várias cultivares no Recôncavo Baiano, constataram que a 'Pacovan' do grupo (AAB) teve início na produção com 362,36 dias. Portanto, pode-se deduzir que as fertirrigações conjuntas de N e K exerceram influências positivas sobre o desenvolvimento das plantas quando relacionadas aos mencionados na literatura, propiciando a colheita mais precoce, sem comprometer o rendimento da cultura.

 

 

Analisando-se a Figura 2a, o número de pencas aumentou linearmente quando se executou fertirrigação com N, atingindo-se o valor estimado de 7,92 pencas cacho-1. Esse resultado correspondeu ao ganho de 1,34% para cada 100kg ha-1 aplicados. Essa tendência, também, foi observada por Pinto et al. (2005) estudando doses de nitrogênio e potássio via fertirrigação em bananeira 'Pacovan' no município de Petrolina-PE. Brasil et al. (2000), trabalhando com "Pioneira" no nordeste do Estado do Pará, obtiveram, em média, 6 pencas cacho-1 na dose de 240g de N touceira-1. Os resultados obtidos no presente trabalho foram semelhantes as 7,9 pencas cacho-1 e inferiores as 9,3 pencas cacho-1 verificadas em 'Prata-Anã' por Gomes (2004) Guerra et al. (2004), respectivamente. Esses autores não observaram diferenças estatísticas dos tratamentos utilizados. Para o último autor, a não ocorrência de efeito para aplicação de K, notadamente no primeiro ano de cultivo, foi decorrente da utilização das reservas do solo (1,3 a 7,2mmolc dm-3) para suprir as exigências nutricionais do nutriente, principalmente, em condições de irrigação.

Sobre a variável número de frutos por penca, estima-se que a aplicação conjunta de 1050kg ha-1 de N e 1200kg ha-1 de K2O promoveu em média 16,7 frutos penca-1 (Figura 2b). Deve-se destacar, nessa superfície de resposta, que a adição isolada de N propiciou ganho de 23,21%; ao passo que na aplicação de K, o ganho foi de 16,59%, ambos relacionados à supressão desses elementos. No entanto, o efeito da interação N e K incrementou 43,22% nessa variável. Gomes (2004), estudando fertirrigação com potássio sobre o rendimento de bananeira cv. Prata-Anã, obteve 13,6 e 15,2 frutos penca-1 no primeiro e no segundo ciclos, respectivamente. Já, na Figura 2c, nota-se que os 130 frutos cacho-1 foram obtidos na combinação 1050kg ha-1 de N e 1200kg ha-1 de K2O, inferindo-se aumento no rendimento de 50,77%, referentes às parcelas deficientes em N e K. Esses valores foram superiores aos reportados por Brasil et al. (2000) e Pinto et al. (2005), testando adubação com N e K. Também foram maiores que os 92,38 frutos cacho-1 observados por Pereira et al. (2003) no primeiro ciclo da bananeira 'Prata-Anã' no município de Lavras-MG e aos 97,52 frutos cacho-1 verificados por Lima et al. (2005) em bananeira do grupo 'Prata' no Recôncavo Baiano. Por sua vez, foram próximos aos comentados por Silva, S. et al. (2003) quando avaliaram vários genótipos em diferentes ambientes.

A massa do cacho planta-1 cresceu com o aumento das doses de potássio e nitrogênio, com valor estimado de 16,28kg planta-1 na combinação de 1050kg ha-1 de N e 1112kg ha-1 de K2O (Figura 2d). A diferença entre o rendimento que correspondeu à ausência de fertirrigação com N e K e a obtida na combinação anteriormente mencionada foi de 123,93%. Deve-se mencionar que do total do incremento verificado de 9,1kg planta-1, o potássio teve participação de 56,16%, o nitrogênio 31,63% e a interação NxK 12,21%. Ressalte-se que durante observações visuais no campo, as parcelas que não receberam fertirrigação expressaram cachos raquíticos. Além disso, nas plantas sob efeito isolado de nitrogênio, em especial na maior dose do intervalo, foram observadas pencas esparsas com frutos magros. O efeito expressivo do potássio em relação ao nitrogênio, explica-se em função do N ser considerado um elemento que intervém no crescimento, desenvolvimento e produção de massa seca; ao passo que o K é responsável pelo transporte e acumulação de açúcares no fruto. De fato, a nutrição desbalanceada (N e K) causa a produção de cachos menores e com problemas de enchimento dos frutos (Lahav & Turner, 1983; Silva, J. et al., 2003). Os citados autores destacaram, também, que a queda de frutos das pencas já amadurecidas está associada ao excesso de nitrogênio. Esse problema se torna evidente em áreas tropicais, na estação úmida e com baixo suprimento de potássio. Nessa situação ocorre alta suscetibilidade aos danos decorrentes do manuseio e transporte, pois o pedicelo dos frutos se apresenta fraco, os quais, ao amadurecerem, soltam-se das pencas.

Adotando-se a densidade de 2000 plantas ha-1, a produtividade esperada seria de 30,16t ha-1 próxima de 32,22t ha-1 verificadas no terceiro ciclo da 'Prata-Anã' em solo de tabuleiros costeiros da Bahia (Coelho et al., 2006). Porém, ficou bem acima da média nacional (12,53t ha-1) mencionada por Maia et al. (2003) e dos rendimentos de 17,43 e 18,45t ha-1 constatados por Pinto et al. (2005) e Gomes (2004), respectivamente.

O equilíbrio de cátions e de adequados níveis de potássio e nitrogênio disponíveis às raízes são condições químicas importantes no cultivo de bananeiras. Lahav & Turner (1983) citam que o K por ser um elemento extraído em grandes quantidades pela cultura da banana, em situações de deficiência há depleção na massa seca total causada pela redução no ajuste osmótico e, consequentemente, na fotossíntese líquida. Essas ponderações confirmam os resultados constatados no presente experimento, onde houve redução nas plantas com deficiências de nitrogênio e potássio de 123,93% no rendimento comercial da bananeira.

A partir da equação que modelou o rendimento do fruto (Vide Figura 2d) foi possível estimar a lucratividade da 'Prata-Anã' sob regime de fertirrigação (Tabela 2). Nota-se que, apesar da fertirrigação nitrogenada, aplicada isoladamente, ter promovido incremento na produtividade de 39,20%, em relação às parcelas não fertirrigadas, verificou-se índice de lucratividade negativo. Isso se deveu aos baixos rendimentos observados nesses tratamentos. Observou-se que na dose de 1050kg ha-1 de N, onde o rendimento dos frutos foi de 20,24t ha-1, a relação benefício / custo foi de R$0,97. Isso indica que para cada R$1,00 investido na atividade, houve prejuízo de 3,37%. Por outro lado, verificou-se uma lucratividade de 14,89% quando as parcelas receberam 1200kg ha-1 de K2O. Esse resultado pode ser atribuído ao efeito expressivo do potássio na produção do cacho. Já quando se realizou a aplicação conjunta de N e K, o índice de lucratividade variou de 11,80% a 27,37%. Deve-se salientar que na fertirrigação com 1050kg ha-1 de N e 1112kg ha-1 de K2O, o índice foi de 27,75% e a relação benefício / custo de 1,38. Além disso, o aumento na produtividade de 123,93% (de 7,27 para 16,28kg planta-1) resultou numa redução de 40,54% no custo de produção da bananeira (de R$ 0,37 para R$ 0,22) e consequente aumento no lucro da atividade, evidenciando a importância da fertirrigação conjunta de N e K sobre a resposta produtivo dessa fruteira. Zonetti et al. (2002) obtiveram lucratividade de 68,20% no primeiro ciclo da bananeira 'Nanicão Jangada', numa densidade de 2500 plantas ha-1; enquanto Silva et al. (2005) observaram o índice de 33,75% em bananeira "Maça". Em outras fruteiras, Pelinson et al. (2005) verificaram lucratividade de 51,51% no cultivo de pinha (Annona squamosa L.) tecnificado, enquanto Silva et al. (2004) observaram em mamoeiro 'Formosa' uma taxa de 28,73%. Esses resultados indicam que a fruticultura é uma excelente alternativa de investimento agrícola.

 

CONCLUSÕES

O primeiro ciclo da bananeira 'Prata-Anã' é prolongado em situações de deficiências de N e K. O maior rendimento do cacho (32,56t ha-1) obtido com a aplicação de 1050kg ha-1 ano-1 de N e 1112kg ha-1 ano-1 de K2O, cujas doses proporcionam uma lucratividade de 27,75 % e uma redução do custo de produção de 40,54%.

 

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq pela concessão de bolsa de doutorado ao primeiro autor; a FINEP pelo financiamento do projeto e a Empresa Boa Safra Fertilizantes S/A pela doação dos fertilizantes.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em 24 de outubro de 2008
Aprovado em 13 de julho de 2009

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