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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372

Psicol. estud. vol.11 no.1 Maringá Jan./Apr. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722006000100011 

ARTIGOS

 

Agressividade na adolescência: experiência e expressão da raiva1

 

Aggressiveness in adolescence: experience and expression of anger

 

 

Nicole Medeiros GuimarãesI; Sonia Regina PasianII

IMestranda do Programa de Pós Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo-USP
IIDoutora, docente do Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo-USP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este estudo buscou ampliar o conhecimento sobre a elaboração da impulsividade agressiva, através de seu componente raiva, na adolescência contemporânea. Foram avaliados 120 adolescentes de ambos os sexos, de 15 a 19 anos, de escolas públicas e particulares de Ribeirão Preto (SP), sem história prévia de transtornos sensoriais, cognitivos e/ou psiquiátricos. Foram utilizados o INV – Forma C e o Inventário de Expressão da Raiva Traço Estado (STAXI), focalizando-se, neste trabalho, apenas os resultados do STAXI. Houve diferenças significativas (teste Kruskal-Wallis e teste Mann-Withney) no nível de expressão de raiva dos adolescentes em função do sexo, nas escalas de “Raiva para Fora” e “Reação de “Raiva” do STAXI, onde meninos tiveram índices mais elevados que meninas. O desempenho nessa técnica não variou significativamente em função do nível socioeconômico. Estes resultados apontaram interferência do sexo na forma de os adolescentes vivenciarem e expressarem seus sentimentos de raiva, a partir dos indicadores do STAXI.

Palavras-chave: adolescência, raiva, STAXI.


ABSTRACT

This study aimed to improve the knowledge about the elaboration of aggressive-impulsiveness through anger, in the contemporary adolescence. For that, 120 adolescents of both genders, from 15 to 19 years of age, of public schools and private schools of Ribeirão Preto (SP), without previous history of sensorial, cognitive and/or psychiatric disorders were evaluated. They were evaluated through the INV – Form C and the STAXI (State-trait anger expression inventory). For the current study, only the STAXI results were selected. There were significant differences (Kruskal-Wallis and Mann-Withney tests) in the scales levels of "Outwards Anger" and "Anger Reaction" , where boys had higher indexes than girls. The performance in that technique did not vary significantly regarding the socio-economic background. The results pointed to gender interference on the way adolescents experience and express their feelings of anger, as shown by the STAXI indicators data.

Key words: Adolescence, anger, STAXI.


 

 

Numa concepção psicológica das fases do desenvolvimento humano, tende-se a definir a adolescência, localizada cronologicamente entre a infância e a fase adulta, como uma etapa evolutiva de extrema importância, por nela ocorrer o início e a intensa agudização da maturação física, cognitiva, emocional e social do indivíduo, embora o processo de desenvolvimento se estenda à vida toda. Segundo Osório (1992), a adolescência é uma fase de vida caracterizada por transformações psicológicas e sociais que acompanham o processo biológico da puberdade, entendendo-se que esses fenômenos não devem ser estudados dissociadamente.

Esta fase é marcada por uma instabilidade extensiva a todos os aspectos do indivíduo, que se vê impelido a cumprir determinadas “tarefas”: a maturação biológica, bem como a formação e solidificação da identidade, entendida nos âmbitos sexual, pessoal e profissional (Aberastury, 1983). Tantas exigências favorecem a vulnerabilidade e podem levar à concretização dos chamados “riscos de desenvolvimento” (Marturano, Elias, & Campos, 2004; Yunes & Szymanski, 2001). Estes, por sua vez, podem ter origem na própria organização do mundo interno do adolescente, bem como podem ser estimulados pelo contexto sociocultural. Esta acentuada complexidade do processo da adolescência, com sua marcada vulnerabilidade socioafetiva pode, em parte, ser responsável pela incidência dos transtornos do desenvolvimento nesta fase (Casullo, 1998).

Distinguir entre o normal e o patológico na adolescência, permitindo, então, eventuais intervenções preventivas, exigiria um profundo exame do adolescente, do seu contexto ambiental, incluindo avaliação do conjunto de mudanças na continuidade psíquica e nas ligações entre realidade interna e externa inerentes ao processo característico dessa fase. Tal distinção torna-se particularmente difícil nesta etapa do desenvolvimento. Como afirmam Marcelli e Braconnier (1989), os critérios de diferenciação do normal e do patológico em outras idades são, no mínimo, questionáveis nesta fase. Segundo esses autores, para esclarecer essa questão, deve-se considerar, como critério de normalidade, o nível global de adaptação sociocultural atingido pelo adolescente, bem como sua maleabilidade (cognitiva, afetiva e social) para apreender e interagir com sua realidade imediata, reconhecendo seus limites e possibilidades de desenvolvimento.

Buscando-se compreender eventuais complicações nesta fase do desenvolvimento, poder-se-ia dizer, conforme Casullo (1998), que um adolescente encontra-se “em risco” quando existe a possibilidade de contrair enfermidades que o inabilitem de alguma forma. Ainda estaria em risco ao manifestar, de maneira habitual ou sistemática, comportamentos que põem em jogo a segurança social, com eventual ameaça à vida de outros, ou seja, os chamados “comportamentos de risco”.

Ainda nos escritos dessa autora,  os “comportamentos de risco” são referidos como podendo, em alguns aspectos, ter importância na transição da adolescência para a etapa adulta, por permitirem exercícios de autonomia, de desenvolvimento de espírito crítico, de aprendizagem para lidar com situações difíceis e situações de fracasso, promovendo seu processo de maturação.

Esta concepção é concordante com argumentos apresentados por Yunes e Szymanski (2001), que, adotando o referencial de “risco” proposto por Rutter, apontam que o “risco” numa determinada situação pode funcionar, dependendo do indivíduo e de seu contexto, como estímulo ao desenvolvimento. O “risco” poderia funcionar, portanto, como um elemento desafiador, sem apresentar necessariamente conseqüências negativas. Nas palavras desses autores: “a mesma situação de vida pode ser experienciada por um indivíduo como um perigo, enquanto outro a percebe como um grande desafio” (Yunes & Szymanski, 2001, p. 30).

Apesar dessas possibilidades, será sempre necessário, para se compreender a dinâmica de um indivíduo ou grupo de indivíduos, avaliar como as variáveis significativas de seu contexto estão atuando: estão funcionando como facilitadoras do processo de adaptação e desenvolvimento dos indivíduos (fatores protetores)? Ou estão sendo prejudiciais a esse processo (fatores de risco)? Segundo Rutter (conforme citado em Yunes & Szymanski, 2001), os fatores protetores seriam aqueles que modificam ou melhoram respostas pessoais a determinados riscos, favorecendo, assim, a saúde do indivíduo. Por sua vez, podem-se considerar fatores de risco como: “toda sorte de eventos negativos de vida, que, quando presentes, aumentam a probabilidade de o indivíduo apresentar problemas físicos, sociais ou emocionais” (Yunes & Szymanski, 2001, p. 24).

Destarte, é preciso ter uma visão ampla das relações intra e interpsíquicas do indivíduo, entendendo-os como interdependentes na regulação dos comportamentos para se poder, por fim, avaliar o efetivo risco dos diferentes fatores inerentes ao desenvolvimento (Casullo, 1998). O conhecimento destes fatores, quando bem examinados e trabalhados, pode contribuir muito nas tentativas de facilitação do desenvolvimento. Daí a necessidade de avaliações prognósticas eficazes, almejando prevenção de comportamentos desadaptativos.

O comportamento agressivo tem sido apontado por diferentes autores, entre eles Casullo (1998), Chiapetti (2001), Werner e Nixon (2005), Barnow, Lucht e Freyberger (2005), entre outros, como um comportamento de risco. Na visão de Kaplan, Sadock e Grebb (1997), o comportamento agressivo estaria relacionado a conflitos despertados pelo ambiente interpessoal, que, associados ou não a um comprometimento orgânico ou neurológico, agem de forma a fortalecer os impulsos agressivos. Tais impulsos, quando não regulados devido a uma baixa capacidade de autocontrole (fragilidade intrapsíquica), podem dar origem a comportamentos de risco psicossocial, sobretudo com manifestações de violência.

Diversos investigadores de diferentes perspectivas de pesquisa sobre a adolescência (Aberastury, 1983; Barnow, Lucht & Freyberger, 2005; Casullo, 1998, Fraczek, 1996; Werner & Nixon, 2005) empenharam-se no estudo psicológico da agressividade, seus componentes, manifestações e intervenções terapêuticas, bem como na tentativa de prevenção da violência, sobretudo ao se considerar a realidade sociocultural contemporânea e os prejuízos intensos que os transtornos do comportamento ligados a dificuldades no manejo da agressividade causam nesta fase da vida humana. Freqüentemente, os fatores de risco do desenvolvimento constituem-se em sérios complicadores ao desenvolvimento normal da adolescência, exigindo atenção especial dos profissionais de saúde mental em busca de práticas que os previnam.

As estratégias de enfrentamento e resolução de conflitos na adolescência foram também alvo de interesse de inúmeros pesquisadores. Piko (2001), por exemplo, encontrou indicadores da existência de algumas diferenças e similaridades de gênero nas estratégias de resolução de problemas utilizadas pelos adolescentes. Verificou que, enquanto as meninas demonstraram agir de forma a utilizar estratégias mais passivas e/ou procurar suporte social (amigos, família) ao lidar com conflitos, os meninos demonstraram agir de maneira a utilizar estratégias de enfrentamento mais racionais ou materiais. Em ambos os gêneros, a opção por estratégias ditas “de risco”, tais como o abuso de drogas ilícitas, álcool ou cigarros, assumiu um papel negativo sobre o bem-estar psicológico dos adolescentes, assim como sobre o estado psicossomático destes mesmos indivíduos. Este estudo torna-se relevante para a presente pesquisa por ajudar a entender a ligação entre saúde mental/social e as formas como os adolescentes lidam com seus conflitos, estratégias estas que podem agir como fatores de risco ao pleno desenvolvimento dos adolescentes.

Já Lindeman, Harakka e Keltikangas-Jarvinen (1997) encontraram, em seu estudo, mostras de que a agressão se desenvolve de forma curvilínea e que as formas de resolução de problemas do tipo pró-social (agir de forma a respeitar as normas sociais, compartilhar elementos sociais) e retraimento declinam  com o aumento da idade na adolescência. Além disso, a agressão direta e a indireta, assim como o retraimento, foram relatadas como mais típicas nas reações masculinas, embora na fase final da adolescência a tendência pró-social tenha ocorrido mais entre as meninas.

Percebe-se, a partir das informações apresentadas, que vários fatores (demográficos, pessoais, socioculturais e ambientais) têm grande influência sobre o tipo de estratégias de enfrentamento mobilizado em cada circunstância específica. A idade e o sexo parecem fatores cruciais nestas interações (Piko, 2001). Segundo esta autora, estas diferenças de estilos de resposta podem emergir dos processos de socialização que contribuem para os estereótipos referentes aos gêneros. Essas atribuições de papéis e significados a ambos os sexos é internalizada pelos indivíduos no processo de socialização, na interação com a família, educadores, amigos, o que acaba podendo direcionar, por exemplo, a tendência masculina a agir com maior agressividade em situações nas quais as meninas tenderiam a não fazê-lo, procurando outras formas de resolução de problemas.

As formas de enfrentamento de situações de conflito passam pela maneira como os indivíduos vivenciam e experienciam um dos componentes da agressividade, a raiva, pelo seu caráter motivador da expressão desta parte da vivência impulsiva humana. Esta, por sua vez, pode ser experienciada como estado emocional momentâneo ou como traço de personalidade, dependendo de tendências individuais a interpretar diferentes estímulos como mais ou menos frustradores ou provocadores, ou ainda de uma maior ou menor capacidade de controlar estes impulsos de raiva, que podem ser reprimidos ou expressos em direção a outras pessoas e/ou objetos do meio (Spielberger & Biaggio, 1992).

Dentre os inúmeros instrumentos disponíveis para verificação destes aspectos da personalidade, o STAXI (Inventário de expressão de raiva traço-estado) fornece um método para estudo dos componentes da raiva, podendo auxiliar na avaliação detalhada de personalidade (Spielberger & Biaggio, 1992). Para medir a raiva é necessário um bom conhecimento da intensidade dos sentimentos que a compõem, em conjunto com as situações em que ocorrem, a freqüência com que o indivíduo os experencia e o modo pelo qual os regula (Silva, Campos & Prazeres, 1999). Para tanto, o STAXI é constituído de 44 itens, formando oito escalas: Estado de Raiva, Traço de Raiva, Temperamento Raivoso, Reação de Raiva, Raiva para Dentro, Raiva para Fora, Controle de Raiva e Expressão de Raiva.

Segundo o Manual do STAXI adaptado para o Brasil (Spielberger & Biaggio, 1992), a definição de raiva seria: estado emocional que abrange sentimentos que variam desde aborrecimento leve até fúria e cólera intensas, acompanhado por estimulação do sistema nervoso autônomo. Enquanto raiva (e o que se chama de hostilidade) refere-se a sentimentos e atitudes, o conceito de agressão seria usado quando se faz referência a comportamentos destrutivos e punitivos. Assim, poder-se-ia entender que a “raiva é uma condição necessária, mas não suficiente, para o desenvolvimento de posturas hostis e para a manifestação de comportamento agressivo” (Spielberger & Biaggio, 1992, p. 15).

Segundo os referidos autores, a raiva é um sentimento que varia em intensidade e flutua com o passar do tempo, em função do que é percebido como injustiça ou frustração. O “Traço de Raiva” estaria, assim, ligado a diferenças individuais acerca de como o “Estado de Raiva” varia no decorrer do tempo. Pessoas com altos escores na escala “Traço de Raiva” tendem a perceber uma maior variedade de situações como irritantes ou provocadoras de raiva, em relação às que têm índices mais baixos, e estariam propensas a elevações no “Estado de Raiva” ao reagirem a estas situações (Spielberger & Biaggio, 1992).

A partir da escala “Traço de Raiva” foram desenvolvidas as subescalas de “Temperamento Raivoso” e “Reação de Raiva”, ligadas à maneira de reagir às situações provocadoras ou frustradoras. Dentro dessa perspectiva, pessoas com altos escores em “temperamento raivoso” seriam as chamadas “explosivas”, impulsivas, e tenderiam a expressar a raiva com pouca provocação. Já os altos índices em “reação de raiva” estariam ligados a pessoas que tendem a reagir mais violentamente quando criticadas ou provocadas (Biaggio, 1998).

No direcionamento da expressão da raiva, quando se diz que esta é voltada “para dentro”, ela é retida, contida e, então, vivenciada como uma variação na intensidade do “estado de raiva”. Neste processo, estão implicados conceitos psicanalíticos de raiva voltada para o ego ou self (Spielberger & Biaggio, 1992), podendo resultar em sentimentos de culpa e depressão. Na “raiva para dentro”, a pessoa pode chegar a não experienciar diretamente o sentimento de raiva, em função do processo de supressão da mesma.

Já a “raiva para fora” envolve a experiência do “estado de Raiva” e geralmente está associada a manifestações do comportamento agressivo, podendo a raiva ser expressa através de atos físicos (agredir pessoas, destruir objetos), ou na forma de críticas, insultos, ameaças verbais. No direcionamento “para fora” da raiva, esta pode ter como alvo a própria origem da provocação ou algo mais indireto, associado simbolicamente ao agente provocador (Spielberger & Biaggio, 1992).

O “controle de raiva” exige um investimento de energia no monitoramento e prevenção da experiência e expressão da raiva. Tal controle é realmente desejável para um convívio social mais adaptado, porém excessos nesta direção podem produzir passividade e isolamento, principalmente em pessoas com altos escores em “traço de raiva” associados a baixos índices de “raiva para fora” (Spielberger & Biaggio, 1992).

A escala de “expressão de raiva” refere-se à intensidade dos sentimentos de raiva experienciados e expressos pela pessoa, que podem ter direcionamentos variados: reprimidos, expressos em comportamento agressivo, ou em ambos. Este direcionamento é verificado pelas elevações relativas nas escalas “raiva para dentro”, “raiva para fora” e “controle de raiva” (Biaggio, 1998).

A verificação dos modos, situações e motivos pelos quais as pessoas fazem uso de diferentes estratégias de expressão da raiva permite avaliar a natureza desta, além de subsidiar a identificação de “estratégias adaptativas que poderão ser usadas eficazmente em situações de enraivecimento” (Silva, Campos & Prazeres, 1999, p. 60). Estas estratégias adaptativas agem regulando a expressão dos impulsos agressivos nestas situações, interpretadas como mais ou menos frustrantes, injustas ou ainda ofensivas. 

Finalmente, levando-se em consideração o conjunto dos argumentos presentemente abordados, a adolescência e seus processos intrínsecos, com seus desafios e riquezas potenciais, torna-se justificável e relevante um estudo dedicado a esta fase do desenvolvimento. Adicione-se, neste contexto, o reduzido número de trabalhos de pesquisa dirigidos à análise das formas de enfrentamento e de busca de adaptação dos adolescentes a suas demandas internas e externas, dentro do nosso contexto sociocultural.

Diante desta realidade, uma investigação sistemática sobre as formas de vivência e expressão da raiva (compreendida como um possível componente da impulsividade agressiva) em adolescentes de nosso contexto sociocultural, torna-se relevante, podendo subsidiar a identificação de variáveis e fatores facilitadores ou prejudiciais a seu pleno desenvolvimento.

Nesta ampla perspectiva é que se situa o presente trabalho, buscando ampliar o conhecimento sobre a elaboração da agressividade em adolescentes de nossa realidade sociocultural contemporânea, estando este elemento impulsivo aqui representado por seu componente raiva. Considerou-se ainda sensato examinar como o contexto ambiental (ambiente socioeconômico) estaria exercendo interferência nesse processo de manejo da raiva nas formas de resolução de conflitos. Para tanto, o estudo abordou adolescentes de diferentes níveis socioeconômicos, selecionados a partir de diferenciadas experiências acadêmicas (escolas particulares ou públicas) como representantes de seu contexto de vida e nível socioeconômico.

Neste contexto investigativo, o objetivo geral do presente trabalho foi buscar evidências empíricas, a partir de técnicas de avaliação psicológica, acerca da elaboração da impulsividade agressiva na adolescência contemporânea. Especificamente, a vivência da impulsividade agressiva foi examinada através de seu componente de expressão da raiva, como traço de personalidade e como estado emocional, tal como proposto por Spielberger e Biaggio (1992), em adolescentes de diferentes experiências de vida e contextos socioeconômicos. Procurou-se examinar se as variáveis condições socioeconômicas e sexo estariam influenciando, de alguma forma, a manifestação da raiva em adolescentes.

 

MÉTODO

Amostra

A partir dos objetivos propostos, a amostra alcançada para a investigação foi constituída de 120 adolescentes, de ambos os sexos, de 15 a 19 anos de idade, os quais não apresentavam em sua história pessoal transtornos psiquiátrico ou psicológico graves, nem deficiências cognitivas e/ou sensoriais (conforme avaliação específica feita por entrevista prévia, examinando-se história de vida e intercorrências no último ano, e teste intelectual). Estes estavam cursando o segundo
ou terceiro anos do ensino médio (o que corresponderia ao esperado para a sua idade, excluindo-se da amostra aqueles com dois ou mais anos de atraso escolar). Os participantes estavam, ainda, distribuídos eqüitativamente em relação ao sexo e em dois níveis socioeconômicos (NSE): baixo e alto, respectivamente selecionados a partir de escolas públicas e particulares da cidade de Ribeirão Preto (SP).

Desta forma, a amostra final foi composta por dois grandes grupos de 60 adolescentes: de baixo e de alto NSE, sendo 30 meninos e 30 meninas em cada um deles. Para definição dos grupos socioeconômicos adotou-se apenas a variável “ambiente escolar”, sendo considerados de baixo nível socioeconômico os adolescentes provenientes de escolas públicas (independentemente da escolaridade de seus pais), enquanto os adolescentes das escolas particulares foram considerados de alto nível socioeconômico (independentemente de terem ou não bolsas de estudo nessas escolas).

Material

Estes adolescentes foram avaliados através de entrevista (visando a levantamento de história pessoal), do Teste de Inteligência Não Verbal INV forma C (Weil & Nick, 1971), do Inventário de Expressão da Raiva Traço Estado (STAXI, Spielberger & Biaggio, 1992) e do Questionário Desiderativo (Ocampo, Arzeno & Piccolo, 1985). Para o presente trabalho, foram examinados e interpretados apenas os dados obtidos a partir do STAXI.

Procedimento

Os adolescentes participantes foram voluntários provenientes de duas escolas públicas e três escolas particulares de Ribeirão Preto (SP). A formalização do consentimento para a participação na pesquisa e os procedimentos utilizados para tal, estiveram em conformidade com os princípios éticos exigidos para pesquisa com seres humanos.

As técnicas foram aplicadas individualmente, em salas reservadas, nas próprias escolas dos alunos, respeitando-se os princípios técnicos padronizados de seus manuais. Foram aplicadas na seguinte ordem: entrevista, INV – forma C, STAXI e Questionário Desiderativo, em uma mesma sessão de cerca de 60 a 90 minutos de duração. Estas técnicas foram avaliadas conforme procedimento-padrão de seus respectivos manuais. O Inventário de Expressão de Raiva como traço-Estado (STAXI), por sua vez,  foi examinado a partir da proposição apresentada em Spielberger e Biaggio (1992).

Como forma de buscar adequadamente embasar o processo interpretativo dos resultados da técnica STAXI, foco deste trabalho, procedeu-se a análises estatísticas dos mesmos. Primeiramente, buscou-se verificar se correspondiam a uma distribuição normal, através do teste Kolmogorov-Smirnov. Tendo-se em vista que apenas a minoria das escalas apresentava tal distribuição em seus dados, julgou-se mais adequado utilizar um teste não paramétrico para averiguar quão significativas seriam eventuais diferenças encontradas nos resultados globais do STAXI pelos diferentes subgrupos de adolescentes (quanto ao sexo e nível socioeconômico). Desta forma, optou-se pelo teste Kruskal-Wallis, numa comparação entre amostras independentes (Siegel, 1979), adotando-se como nível de significância p £ 0,05. Procurando-se examinar outras possibilidades de padrões de resposta entre os sexos e os NSEs estudados desses adolescentes, optou-se por realizar uma análise estatística mais detalhada de cada subescala do STAXI. Para tanto, aplicou-se o teste de Mann-Withney (para amostras independentes, p £ 0,05), comparando-se o desempenho de meninos e meninas e, depois, de adolescentes de baixo e de alto NSE em cada subescala desse instrumento psicológico.

 

RESULTADOS

Os resultados da análise das entrevistas e do INV – Forma C sinalizaram, em suma, normalidade no desenvolvimento dos adolescentes avaliados, como pressuposto nos critérios de seleção dos participantes (adolescentes saudáveis). No entanto, também foi possível verificar especificidades em sua história de vida, confirmadoras do pressuposto de pertencerem a grupos socioeconômicos diferentes. A grande maioria das profissões exercidas pelos pais dos adolescentes do grupo de baixo NSE tende a ser pouco valorizada financeiramente no mercado de trabalho, exercendo eles atividades como marceneiro, funileiro, pequeno comerciante, entre outras,  e estando aposentado ou desempregado (para os pais) e doméstica, babá, costureira, dona-de-casa, entre outras (para as mães). A maioria dos pais destes adolescentes não ingressou no ensino superior, enquanto no ambiente de escolas particulares a maioria dos pais cursou faculdade. Em relação a estes últimos, as profissões por eles exercidas são geralmente bastante valorizadas financeiramente, tais como: diretor financeiro, professor universitário, contador, advogado, entre outros (para os pais) e administradora de empresas e de fazendas, promotora de vendas, bancária, entre outras (para as mães). Uma análise mais minuciosa das particularidades socioeconômicas desse grupo de indivíduos avaliados pode ser encontrada em Guimarães e  Pasian (2004).

Para o presente trabalho, os resultados obtidos a partir da análise dos protocolos do Inventário de Expressão de Raiva como Traço-Estado (STAXI) foram codificados e interpretados conforme padronização do manual adaptado ao Brasil (Spielberger & Biaggio, 1992). Buscou-se conhecer, a partir desses resultados, as formas pelas quais os adolescentes têm vivenciado, no contexto atual, sua impulsividade agressiva, aqui verificada através de seu componente  de raiva. A TABELA 1 apresenta os resultados dos adolescentes participantes desta pesquisa (N = 120), descrevendo seus resultados para as diferentes escalas do STAXI.

Existe uma grande variabilidade nos resultados obtidos no STAXI em todos os subgrupos, tal como se percebe dos altos valores dos desvios-padrão. Esses dados podem ser indicadores de inconstância no manejo e na expressão da raiva pelos adolescentes, o que dificulta tentativas de caracterizar “padrões” referentes aos subgrupos avaliados; porém, no geral, os resultados obtidos mostraram-se próximos aos perfis da amostra de padronização do instrumento (Spielberger & Biaggio, 1992). Estes resultados apontaram, portanto, normalidade na vivência da raiva (manejo e sua expressão) nestes adolescentes examinados, quando comparados ao encontrado em seu grupo de referência. Este dado acaba por corresponder ao teoricamente esperado para o desempenho destes adolescentes estudados, considerando-se seu processo de seleção (voluntários, sem queixas de alteração no comportamento).

Diante desta dispersão de resultados, considerando-se que apenas algumas escalas do STAXI apresentavam resultados próximos aos de uma distribuição normal, optou-se por procedimento não-paramétrico para comparar os resultados dos subgrupos de adolescentes estudados. Especificamente, foi utilizado o teste Kruskall-Wallis para grupos independentes, utilizando-se p £ 0,05. Os resultados apontaram, na maioria das escalas, ausência de diferenças significativas entre meninos e meninas dos dois NSEs. Apenas na escala de “raiva para fora” o desempenho entre os sexos diferiu significativamente, em ambos os NSEs. Os meninos obtiveram maiores índices de “raiva para fora” em comparação com as meninas.

Por sua vez, o exame detalhado do desempenho dos adolescentes em cada escala do STAXI, em função das variáveis sexo e NSE, foi desenvolvido pelo teste de Mann-Withney  (p £ 0,05). Essa análise apontou diferenças significativas em duas (“reação de raiva” e “raiva para fora”) das oito escalas, apenas na comparação entre os sexos. Confirmando análise anterior (a partir do teste de Kruskall-Wallis), os meninos obtiveram resultados significativamente mais altos em “raiva para fora” e, na atual análise, também em “reação de raiva”, comparativamente ao desempenho das meninas.

Focalizando-se ainda essa análise estatística dos resultados nas escalas do STAXI, agora em função do NSE, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas no desempenho dos adolescentes de baixo e de alto NSE. Ou seja, adolescentes de escolas públicas e particulares (no caso dessa pesquisa) não se diferenciaram em suas expressões e em suas vivências de raiva, a partir dos indicadores do STAXI.

Por fim, cabe ainda ressaltar, para além dos resultados já apontados da influência do sexo no padrão de vivência e de expressão da raiva em adolescentes, algumas outras evidências dos dados, embora apenas clinicamente relevantes. Nesse sentido, observou-se que, no subgrupo feminino, os maiores índices de vivência e manifestação de raiva estiveram associados com uma história de desenvolvimento em ambientes característicos de um nível socioeconômico mais elevado. Já entre os meninos, ocorreu o oposto: no ambiente de baixo nível socioeconômico encontraram-se os escores indicativos de maiores tendências à experiência e expressão da raiva.

 

DISCUSSÃO

Tendo-se por base os objetivos do presente trabalho, foi possível verificar, por meio da análise estatística dos dados do STAXI, que o sexo se mostrou variável significativamente interferente no desenvolvimento socioafetivo destes participantes, nomeadamente no que tange à vivência e expressão da agressividade, aqui estudada pelo seu componente de raiva. Por sua vez, o NSE pareceu pouco relevante para as formas de vivenciar e de expressar a raiva nesses adolescentes presentemente estudados.

As interferências do sexo foram bastante percebidas na literatura como importantes no desenvolvimento das estratégias de resolução de conflitos da adolescência (Colon, 2003; Liu & Kaplan, 2004; Piko, 2001). Dentre esses, o trabalho de Piko (2001) apontou indicadores da existência de algumas diferenças e similaridades de gênero nestas estratégias de resolução de problemas: enquanto as meninas demonstraram agir de forma a utilizar estratégias mais passivas e/ou procurar suporte social (amigos, família) ao lidar com conflitos, os meninos demonstraram agir de maneira a utilizar estratégias de enfrentamento mais racionais ou materiais. O trabalho de Lindeman, Harakka e Keltikangas-Jarvinen (1997), por sua vez, apontou que a agressão direta e a indireta, assim como o retraimento, pareceram mais típicos nas reações masculinas, enquanto a tendência pró-social seria mais comum entre as meninas.

No trabalho de Liu e Kaplan (2004), o comportamento agressivo durante o início da adolescência se mostrou relacionado a manifestações de agressividade em ocasiões de estresse na vida adulta, em homens. Já para as mulheres, este efeito foi percebido apenas naquelas que não haviam sido agressivas no início de sua adolescência. Esses resultados foram apontados como sugestivos de maior tendência masculina a reagir com manifestações agressivas mais exacerbadas, em diferentes fases da vida, quando comparados às mulheres. Esse padrão de resultados, onde meninas (ou mulheres) evidenciaram-se menos expressivas da agressividade, assemelha-se ao presentemente encontrado nesta pesquisa, com relação às vivências de raiva por meio dos indicadores do STAXI.

Por outro lado, houve trabalhos onde não se evidenciaram diferenças entre os sexos na maneira de vivenciar e expressar a agressividade, como o de Werner e Nixon (2005); ou ainda trabalhos onde a maior tendência para expressão da agressividade esteve ligada ao sexo feminino (Colon, 2003), resultados que diferem do que foi encontrado na presente pesquisa. Devido à diversidade de grupos amostrais, a presença de resultados diferentes nestes conjuntos diversos de indivíduos também deve ser considerada dentro dos limites informativos de cada trabalho. Desta forma, é possível verificar que não há suficiente consistência interpretativa, atualmente, na análise dos comportamentos dos adolescentes, especialmente na temática da agressividade ou do desenvolvimento socioafetivo.

Em outra direção, os resultados do presente trabalho apontaram que as vivências e expressões de raiva, representativas da impulsividade agressiva neste trabalho, conforme avaliação do STAXI, foram semelhantes entre os adolescentes dos dois NSEs avaliados, não parecendo influenciadas por condições socioeconômicas, ao menos diretamente. Ou, ainda, poder-se-ia pensar na possibilidade de as condições ambientais/sociais que permeiam a adolescência contemporânea estarem influenciando de maneira semelhante grupos distintos economicamente.

A análise da literatura relacionada a este tema, dentro das possibilidades alcançadas no presente trabalho, não mostra consistência quanto à forma de interferência do ambiente socioeconômico no desenvolvimento das manifestações agressivas entre os adolescentes, como apontado por Ballone (2001). Segundo este autor, as investigações buscando verificar possíveis inter-relações entre comportamento agressivo e nível socioeconômico não têm sido poucas, tendendo, em sua maioria, a apontar para a relação entre condições socioeconômicas desfavoráveis e o desenvolvimento de problemas de comportamento ligados à agressividade. Contudo, também apontou evidências de ligação entre comportamento agressivo e nível socioeconômico mais elevado, bem como pesquisas que não evidenciaram marcas da influência socioeconômica na manifestação da agressividade. Exemplos dessa complexa rede de informações sobre a agressividade adolescente e seus fatores associados podem também ser os seguintes trabalhos:

· No artigo de Fraczek (1996), o comportamento agressivo apareceu relacionado ao consumo de drogas, evasão escolar, iniciação precoce da vida sexual, etc., além de uma história de desenvolvimento junto a famílias desorganizadas, que vivem em condições socioeconômicas desfavoráveis e em contato com o crime.

· No artigo de Assis e Souza (1999), verificou-se que a situação socioeconômica em que viviam jovens que não se envolveram em atos infracionais era extremamente estimulante à sua inserção num universo anti-social, fazendo com que estes jovens atravessassem momentos difíceis da vida sem, no entanto, se desestruturarem, o que permitiu considerá-los resilientes.

· No trabalho de Roche, Ensminger, Chilcoat e Storr (2003), adolescentes engajados em papéis de independência dentro da família demonstraram menores taxas de comportamento agressivo quando envolvidos com trabalho, ou seja, adolescentes empregados se mostraram menos agressivos que os adolescentes desempregados.

Estes estudos apontaram existir interferência do ambiente socioeconômico na manifestação do comportamento agressivo dos adolescentes, contudo foram destacadas diferentes formas dessa influência a partir dos enfoques adotados nos diversos trabalhos.  De qualquer forma, existe o consenso da importância dos fatores ambientais no desenvolvimento dos adolescentes, em especial de seu equilíbrio socioafetivo (Casullo, 1998; Compas, Hinden & Gerhardt, 1995; Fraczek, 1996; Gauderer, 1986; Meneghel, Giugliani & Falceto, 1998; Rosseti-Fereira, Amorim & Silva, 2000). Estas investigações, entre inúmeras outras, ajudam também a compreender melhor o papel do ambiente familiar, escolar e ainda o socioeconômico na vivência e manifestação da agressividade na adolescência.

Tendo em vista os objetivos da presente pesquisa, pode-se apontar sua contemplação diante das evidências empíricas alcançadas. Em outras palavras, foram encontradas informações relevantes sobre a dinâmica do funcionamento afetivo de adolescentes normais, tendo em vista suas diferentes condições de vida e especialmente o sexo e nível socioeconômico. Essas evidências são bastante intrigantes ao se pensar o desenvolvimento dos adolescentes avaliados,  sendo difícil, dentro das pretensões deste trabalho, identificar hipóteses explicativas ou maiores explanações sobre o tema. Seria interessante, mais uma vez, formular estratégias investigativas específicas para essa linha de pesquisa, ultrapassando as possibilidades contempladas no atual momento, podendo incentivar novas pesquisas na área.

 

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Endereço para correspondência
Sonia Regina Pasian
Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
Av. Bandeirantes, 3900, Monte Alegre
CEP 14.040-901, Ribeirão Preto-SP
E-mail: srpasian@ffclrp.usp.br

Recebido em 16/03/2005
Aceito em 19/10/2005

 

 

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