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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372On-line version ISSN 1807-0329

Psicol. estud. vol.12 no.1 Maringá Jan./Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722007000100002 

DOSSIÊ- PSICOLOGIA E FAMÍLIA

 

Famílias e projetos sociais: analisando essa relação no caso de um quilombo em São Paulo1

 

Families and social projects: analysis of this relationship in a São Paulo “quilombo”

 

Familias y proyectos sociales: analizando esa relación en el caso de un quilombo en São Paulo

 

 

Elaine Pedreira RabinovichI; Ana Cecília de Sousa BastosII

IDoutora, Professora do Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea, Universidade Católica do Salvador-UCSal
IIDoutora, Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia em Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Dentro de um estudo maior, famílias da localidade do Carmo, interior do Estado de São Paulo, foram analisadas por meio de vários instrumentos, entre os quais: anamnese da família e da criança; fotos e desenhos da moradia; entrevistas com funcionários da escola, creche e posto de saúde. O Carmo é uma localidade rural, de origem quilombola e extensa rede social de parentesco, que perdeu o seu potencial de gerar empregos na agricultura. A análise focalizou os modos de partilhar os cuidados familiares e o envolvimento com organizações não governamentais e o Poder Público, tendo sido identificados quatro tipos de família a partir dos conceitos de enraizamento e apego ao lugar: famílias desenraizada e desapegada; enraizada e apegada; enraizada e desapegada; apegada e desenraizada. A análise apontou para o modo de inserção na trama sociofamiliar como conseqüência de histórias anteriores, como um indicador de sucesso ou de fracasso das empreitadas familiares.

Palavras-chave: família, projetos sociais, quilombo.


ABSTRACT

The families of the Carmo village, in the interior of the state of São Paulo SP Brazil, were analyzed through family and child anamneses, photos and drawings of houses, interviews with school, day-care and health officers. Carmo village, originally founded by a group of slaves (quilombo) and characterized by an extended family network, has lost its capacity to produce agricultural jobs. Analysis focused on sharing family concerns, on the inhabitants’ involvement with non-governmental organizations and with public authorities. Four family types were identified according to place connections and attachment: non-connected and non-attached families; connected and attached families; connected and non-attached families; non-connected and attached families. Insertion modality in the social and familial context is a consequence of past histories and indicates the success and failure of the family enterprise.

Key words: Family, social projects, “quilombo”.


RESUMEN

Dentro de un estudio mayor, familias de la localidad de Carmo, Interior del Estado de São Paulo, fueron analizadas por medio de varios instrumentos, entre los cuales: anamnesia de la familia y del niño; fotos y dibujos de la vivienda; encuestas con funcionarios de la escuela, guardería y centro de salud. Carmo es una localidad rural, de origen quilombola y extensa red social de parentesco, que perdió su potencial de generar puestos de trabajo en la agricultura. El análisis se fijó en los modos de compartir los cuidados familiares y el envolvimiento con organizaciones no gubernamentales y el Poder Público, habiendo sido identificados cuatro tipos de familia a partir de los conceptos de raigambre y apego al lugar: familias desarraigada y desapegada; arraigada y apegada; arraigada y desapegada; apegada y desarraigada. El análisis apuntó para el modo de inserción en la trama sociofamiliar como consecuencia de historias anteriores, como un indicador de suceso o de fracaso de los destajos familiares.

Palabras-clave: familia, proyectos sociales, quilombo.


 

 

A família, tradicional e contemporaneamente, tem sido chamada a intermediar a relação entre o mundo privado e o público, desde que ocorreu a cisão entre esses mundos com a separação entre a casa e a rua (Ariès, 1981). As transformações pelas quais passou a cidade, quando “a sociabilidade da cidade se restringiu e perdeu seu poder de animação e de vida” (p.13), tendo a família de preencher tal vazio, esteve ligada, segundo Ariès (1981), a três ordens de fenômenos: a necessidade de controle pelo Estado em oposição ao domínio característico do sistema político anterior, em que o território não era nem público nem privado; a separação entre o lugar de trabalho e os lugares das demais atividades, ocasionando uma partilha entre um setor público, o do trabalho, e um privado, o da família; e um fenômeno psicológico, representado pelo surgimento de uma afetividade que passa a se concentrar no interior da família. Esse conjunto de fenômenos acarretou um movimento para dentro, principalmente por parte da figura feminina, e com ela, a vida familiar passou a transcorrer intramuros.

 

FAMÍLIA E VÍNCULO SOCIAL

O vínculo social, de inerente que era à condição humana, torna-se um questionamento a partir desta contração da sociabilidade pública: haverá ainda um elo entre a vida pessoal, a moradia, a vizinhança, a família, a rua, o bairro, a cidade, o mundo? Estaremos ante uma “arqueologia de um elo social em vias de desaparecimento, exemplar da dessocialização produzida pela era pós-moderna?” (Tassara, Rabinovich & Goubert, 2004, p. 344).

Essa “dessocialização” atravessa o mundo atual devido a uma fragmentação em sua relação com uma temporalidade polifônica, o que caracteriza a denominada pós-modernidade; contudo, simultaneamente, traz a família como um dos únicos interlocutores, cuja permanência se remete a várias instituições ligadas a ela quando desejam alcançar os membros da sociedade. Igualmente, a valorização atual do presente e o conseqüente enfraquecimento dos elos sociais podem colaborar para que os significados co-construídos na rede de apoio social negligenciem as pontes entre o passado e o futuro, com repercussões importantes, por exemplo, na construção conjunta de um contexto de solidariedade entre as pessoas.

A hipótese de que a família é o observatório privilegiado do vínculo social em seus redutos privados (Cicchelli-Pugeault & Cicchelli, 1998) baseia-se em que esta continuaria “cumprindo as funções sociais de reprodução, assegurando uma sociabilidade forte e uma transmissão intergeracional, contribuindo para a inserção dos indivíduos no mercado de trabalho e os protegendo contra seus riscos” (p. 109).

Observa-se que sociedades em desenvolvimento e segmentos sociais pobres ou empobrecidos (mesmo no Primeiro Mundo) tornaram-se laboratórios em que são gestados métodos de ação e discursos normativos que assumem os espaços domésticos enquanto mediadores de suas políticas.

Essas políticas, discursos e práticas, aplicados a um país como o Brasil, ajudam, muitas vezes, a reproduzir mitos no espaço fértil deixado pelas lacunas no conhecimento sobre a família.

Assim, permanece o desafio de tomar a família como unidade de análise, na medida em que se pode colocar a seguinte indagação: seria a família um lugar estratégico na redução da pobreza e na promoção da qualidade de vida, como sugerem Saraceno (1989) e Paim (1999)? Ou a família ter-se-ia tornado apenas um espaço privilegiado de observação e de intervenção?

 

A “FAMÍLIA COMO REDE”

A metáfora da “família como rede” (Telles, 1990) corresponde a uma descrição da nossa sociedade como uma sociedade do tipo relacional, interdependente, inscrita numa identidade brasileira enraizada em importantes componentes afro-descendentes e indígenas (Rabinovich, 2003).

Um complexo de valores afetivos e de afinidade, além de laços consangüíneos, estabelece a base para a família como rede. Entre tais valores, a herança da prática do compadrio se apresenta de modo negativo e mesmo como indício de marginalidade, social e afetiva, tornando o indivíduo isolado e sem relações (DaMatta,1991).

Esta mesma rede é responsável pelo nepotismo presente na sociedade e em particular na esfera política, pois a pessoa se reconhece e é reconhecida nas relações pessoais, sendo que, se não tiver ligação com pessoa ou instituição de prestígio, será tratado como inferior (DaMatta, 1991).

Nunes, Trad e Almeida (2002) acentuam o sentimento de “valorização”, de “proteção” e de “amparo” experimentado por aqueles que se sentem parte de uma “rede de relações”, assim como o sentimento de indignação dos que dela foram excluídos. Apontam ainda as autoras que isto se acentua em grupos tradicionalmente sem o acesso aos direitos básicos de cidadania, quando e onde este acesso “é facilitado pela intermediação de pessoas dotadas de certa influência, pelo mecanismo do apadrinhamento” (p.1644).

Para Sarti (2004), a família pobre não se constitui como um núcleo, mas como uma rede com ramificações que envolvem a rede de parentesco como um todo, configurando uma trama de obrigações morais que enreda os indivíduos em dois sentidos: ao dificultar sua individualização e ao viabilizar sua existência como apoio e sustentação básicos.

Estudos socioantropológicos têm enfatizado a rede social como solução de problemas de reprodução no cotidiano, como alimentação, moradia, saúde, segurança e educação (Guimarães & Sá-Barreto, 1998); mas também apontam para o sistema de trocas, tão necessário à manutenção do vínculo social e para processos de comunicação como o conceito de autocriação humana (Valverde, 2003) e de bens relacionais (Petrini, 2005).

Ao lado desta rede familiar, a baixa participação cívica e política pode ser vista associada à pobreza e desconfiança mútua que minariam as possibilidades para a solidariedade horizontal (Andrade & Vaistman, 2002).

O psicologismo tem sido apontado, de um modo crítico, como redutor de temáticas referentes à não-consideração da inserção da pessoa em seus vários contextos de pertencimento. Puccini e Cecílio (2004) afirmam que o mundo psíquico atomiza-se tanto quanto o social e perde o sentido da totalidade. Este choque é vivido sob a forma caricatural de um conflito entre “razão e sentimentos” e como uma manifestação da cisão entre o singular e o universal, entre os indivíduos e a espécie no interior dos indivíduos. “Assim, sem a percepção do que há em comum com os outros, as diferenciações individuais passam a ser observadas independentemente da história concreta e das condições materiais de vida dos homens” (p. 1347).

O presente estudo2, partindo dos conceitos e aspectos acima apontados e delineados, propôs-se a detectar a ação dos projetos sociais, aí incluídos os governamentais e os não governamentais, a partir das famílias e de sua ação nas trajetórias de vida de seus membros.

O trabalho está baseado na constituição de famílias de uma localidade, a do Carmo, vista como um segmento populacional historicamente demarcado – no espaço e no tempo - por ter sua história e geografia ligadas ao estabelecimento de um quilombo (Rabinovich, 2003).  Por meio da descrição de alguns aspectos do contexto sociofamiliar conforme o modo de morar e a composição familiar, visa a estabelecer relações entre as trajetórias de vida familiar e o acesso, pertencimento, participação e não-participação em projetos sociais. Pretende, assim, apontar algumas questões sugeridas pelo estudo e propiciar a proposição de elos entre níveis diferentes de análise que, nos termos de Bronfenbrenner (1996), poderiam ser considerados pertencentes ao microssistema ou ambiente imediato da pessoa, ao mesossistema, onde há inter-relações entre ambientes em que a pessoa participa, ao exossistema, em que tais ambientes não envolvem a pessoa, e ao macrossistema, o nível da cultura ou da subcultura.

 

SOBRE O LOCAL

O Carmo é uma área rural, localizada a 25km do centro da estância turística de São Roque, município paulista ao qual pertence, como parte do Bairro do Carmo. O local vem perdendo a sua vocação rural para tornar-se um apêndice urbano (Rabinovich, 2003; Rabinovich & Gallo, 2005).

O Carmo é uma localidade rural que, paulatinamente, vem perdendo o seu potencial de gerar empregos nessa área. Assim, os moradores, de lavradores, agricultores e afins, tornaram-se jardineiros e pedreiros, e as mulheres, que participavam da roça, vêm se tornando domésticas e donas de casa.

O aspecto rural da localidade, no entanto, continua. Não há comércio, serviços, diversões – é um vilarejo, conectado à cidade por ônibus, e os empregos são oferecidos por um loteamento elegante localizado nas proximidades.

 

MÉTODO

Trata-se de um estudo de caso, de caráter etnográfico, com uma extensa e longitudinal pesquisa de campo, com duração de 5 anos, em que foram realizados: um levantamento histórico do local (Rabinovich, 2003); o acompanhamento do processo de constituição como remanescente de quilombo (Rabinovich, no prelo); o acompanhamento da instalação e funcionamento do Programa de Saúde da Família. No presente estudo, três famílias foram analisadas em profundidade por meio de vários instrumentos: entrevista quanto à constituição e funcionamento da família e da vida das crianças; fotos e desenhos da moradia; entrevistas com coordenadores da escola e da creche, com funcionários do posto de saúde e com líderes comunitários; informações quanto às ações da principal ONG e de outras agências atuantes no campo; coleta de dados em fontes díspares, como conversas com os agentes comunitários de saúde. Tal procedimento decorreu de uma sistemática de trabalho em que, após terem sido anteriormente coletados dados em níveis variados do sistema – micro, meso, macro e exossistemas -  pretendeu-se realizar um estudo verticalizado, em que todos os níveis estivessem presentes e contemplados.

Foram previamente definidos alguns parâmetros para avaliar tal ação. A categoria modos de partilhar (Bastos, 2001) e a sistemática de análise de moradia proposta por Rabinovich (1996) foram utilizadas para uma análise dos contextos e das trajetórias das famílias. Tais estratégias permitiram gerar categorias de análise capazes de levar em conta a composição e textura das relações sociais compatíveis, nos vários níveis do sistema, com as noções de enraizamento e apego ao lugar, utilizadas na proposição final de modelos de relacionamento entre famílias e projetos sociais.

Os três casos foram escolhidos devido ao tipo de inserção no local e em projetos sociais. Do ponto de vista da inserção trabalhista, dos três casos estudados, uma mulher era faxineira na pré-escola; outra trabalhava como costureira para uma organização católica e a terceira era dona de casa. Os homens eram pedreiros e jardineiros, conforme a possibilidade de trabalho. Todos participavam de forma variada em vários projetos sociais, o que será explicitado na exposição dos casos a seguir.

 

RESULTADOS

As famílias

Família 1

A inserção no campo do trabalho não se revelou casual, pois o emprego de faxineira da mulher dessa família representava uma enorme vantagem em termos de capacidade estratégica e potencial operativo: a distância entre o local de trabalho e a moradia podia ser realizada em 5 minutos, havia um salário fixo, estável e regular e alimentação gratuita. Além disso, pudemos observar que, devido à rotatividade de coordenadores e professores, a faxineira era a pessoa que maior conhecimento detinha sobre as crianças e suas famílias. Destarte, o seu cargo resultava em vantagem social.

Essa pessoa morava em uma casa conjugada à de sua mãe, ambas descendentes dos moradores originais do Carmo, e a rua tinha o nome de seu avô. Um dos filhos morava com a avó, e o outro, menor de 6 anos, dormia no quarto com a mãe, que havia perdido o segundo companheiro recentemente. A filha recebia bolsa-escola e ela, renda-cidadã. Dois meninos estudavam e trabalhavam como jardineiros.

Dois fatos podem ser ressaltados na análise de sua moradia: a presença - pela primeira e única vez em todos os estudos por nós realizados em moradias populares - de livros na estante substituta do altar; e um quarto de adolescente com símbolos típicos de um padrão adolescente ao gosto das classes médias, bastante veiculado pela mídia: bichos de pelúcia, fotos de cantores e atores, objetos de toucador, perfume, creme, etc.

A presença de livros sugere que a sua freqüência à escola, mesmo na condição de faxineira, de algum modo a aproximou de um saber escrito, geralmente ausente das moradias populares – exceto a bíblia, presente nas moradias de seguidores de igrejas evangélicas.

O quarto de uma moça adolescente em um ambiente rural remeteu ao único quarto semelhante a este, visto em Areia Branca, localidade situada em Lauro de Freitas, Bahia. Essas duas meninas-moças puderam projetar em seu ambiente externo algo de seu ambiente interno, mostrando um tipo de subjetivação que ao mesmo tempo as aproxima e as afasta de meninas-moças da cidade: aproxima-as ao alimentar desejos e fantasias amorosas associadas a ídolos da mídia e objetos de sedução; afasta-as porque umas estão na sociedade de consumo e outras não, denotando que estas pertencem a um ambiente em que os valores estão nas pessoas, e não apenas nas coisas.

Em comum, esses dois lares, do Carmo e de Areia Branca, pertencem a pessoas profunda e centralmente radicadas no local, as quais usaram o seu prestígio e enraizamento para “crescer”, inserindo-se em possibilidades de trabalho.

Ambos os lares estão imersos em uma cultura coletivista, no sentido de estarem inseridos em moradias onde a família extensa convive intimamente, possibilitando uma base material estável. Uma das conseqüências desta inserção e imersão é a possibilidade de um trabalho advindo da rede familiar que, no caso do Carmo, abriu as portas a um cargo público, e no caso de Areia Branca, a uma função da empresa privada.

Família 2

Na segunda família estudada no Carmo, a mulher trabalhava em um projeto social igualmente localizado no bairro, tendo um emprego estável, ao contrário do marido, oriundo do local e pedreiro eventual. A esposa, descrita como autoritária e rígida, indispôs-se com a família do marido, vizinha porta a porta, que habitava um terreno familiar. Indispôs-se também com líderes do projeto social, vindo a trocar seu emprego por outro situado longe. O pai e, principalmente, a filha mais velha (8 anos), passaram a se encarregar dos demais três filhos, de 5 anos, 3 anos e 1 ano respectivamente.

Sobre essa família, encontramos opiniões opostas e divergentes: uns a denominaram “família-modelo”, pelo seu empenho em ter uma visão progressista quanto à educação dos filhos; outras apontavam que a mãe estava causando problemas aos filhos devido à sua ambição desmedida e não-aceitação de pertencer ao local. O trabalho materno foi visto como a causa de problemas. Foi o pai a responder a entrevista, por estar presente em casa e levar os filhos à creche.

A análise da moradia confirmou ambas as opiniões. A casa, construída inicialmente pelo Projeto Mutirão de um projeto social, erguia-se qual um castelo no meio das demais, com um segundo andar avarandado. Toda a “sobra” do esforço dos pais estava sendo colocada no aprimoramento das condições da moradia, que, não obstante, não parecia solidificada no local, devido à sua forma de inserção. Embora dispusessem de dois quartos, dormiam todos em uma cama; uma escada em caracol unia os dois andares, representando evidente perigo de acidente para uma criança, o que realmente já ocorrera. A menina mais velha não podia freqüentar atividades de que gostava por ter que ficar cuidando dos irmãos, do que se deduz que as crianças estariam sendo criadas a reboque, e não na frente das necessidades do casal e delas próprias.

Por outro lado, a estante perdeu a sua característica de altar sagrado (Rabinovich, 1997), sendo apenas um altar profano, onde estavam os “ídolos da modernidade” TV e som, de tamanho desnecessariamente grande para o uso real, porém necessário para indicar o seu valor: um valor que desvalorizava os quadros de santos dispostos como santos desmistificados, dessacralizados, enfim, apenas como quadros. A “deidade” família estava representada apenas por um retrato de criança. Assim, os valores maternos progressistas e urbanóides estavam bem representados na moradia, em contradição com um modo de educar que seguia padrões “rurais” e tradicionais.

Embora imersa em uma rede sociofamiliar extensa e coletivista, a atitude da mãe fechara a casa e a família em um casulo.

Família 3

A terceira casa está em um terreno familiar cedido por um parente. Fora construída por mutirão e posteriormente abandonada. Em conseqüência, na casa faltavam porta de entrada, janelas, pavimentação do chão, reboque das paredes, encanamento, banheiro etc.: ou seja, a casa tinha o telhado e as paredes. Dentro, poucos móveis além das camas, uma de casal e duas de solteiro, em desordem e sujeira. Consistia em um quadrado dividido em quatro: sala de estar, cozinha e dois quartos. Havia planos para a construção de um banheiro nos fundos da casa, anexo à cozinha. Nela moravam o casal e os 4 filhos, de idades de 9, 7, 4 e 2 anos.

Esta família dividia o banheiro e o tanque de lavar roupa com a mãe do pai, de quem era vizinha, o que constituía fonte de conflitos. Em face disto, a mãe utilizava um fogão a lenha, feito no chão da cozinha, para não incomodar a sogra à noite. A mãe era dona de casa e o pai era o responsável por toda a atividade externa; evangélico, tinha várias profissões, nenhuma em caráter permanente.

Esta família, juntamente com a da avó vizinha e tios, era uma das mais desfavorecidas do local. Os demais irmãos do pai não se casaram; alguns tinham problemas físicos, outros psiquiátricos, vivendo com a avó na casa vizinha. A avó a todos dominava.

A mãe, muito agarrada aos filhos, impedia que estes se movimentassem pelo local, sem colocar limites ao que faziam em casa. Em uma discussão quanto à educação, a avó recriminava a mãe por seu sistema educativo: propugnava o uso de corretivos rígidos, e mesmo violentos, como palmadas, afirmando que a mãe deveria obrigar as crianças a ajudar em casa. Para a mãe, as crianças teriam de estudar e ela utilizar apenas métodos de persuasão, por meio de conversa. As crianças conviviam com esta duplicidade e ambigüidade disciplinares. A avó desvalorizava a nora, que, por sua vez, apegava-se às crianças. Apesar do discurso materno, o menino de 6 anos foi retirado da escola por não se adaptar a ela.

Na casa incompleta e crua, um único quadro mostrava um castelo medieval envolvido em nuvens e cores surreais, parecendo gritar que não era aquela vida que a mãe desejava ter. Isso foi confirmado diversas vezes por ela, que demonstrava arrependimento por haver se mudado para ali, onde sentia falta da própria família, moradora em outro estado.

Em um encontro com o pai, este se revelou articulado, com um discurso politizado em busca de direitos ligados ao quilombo, inusual no local. Uma horta por ele plantada em terreno próximo à casa foi destruída e um muro foi construído pelo loteamento vizinho, na divisa de sua moradia.

 

DISCUSSÃO

Enfocaremos, aqui, apenas os dados referentes aos modos de partilhar as experiências na família e a articulação da vida familiar com os projetos sociais.

Quanto aos modos de partilhar

Pode-se dizer que há um modelo educacional tradicional em que as crianças ajudam a cuidar da casa, da roupa e dos irmãos, mas a feitura da comida é responsabilidade do adulto, ou da filha quando crescida. Os meninos começam a trabalhar cedo, na profissão dos pais.

As despesas tendem a ser partilhadas pelo casal, inclusive porque as mulheres apresentaram uma tendência a ter empregos mais estáveis do que os homens.

Em apenas um caso o pai era o responsável por todas as atividades externas à casa e a mãe por tudo que era interno, repetindo um “padrão tradicional” de relacionamento econômico.

Os filhos ajudam nas despesas quando começam a ganhar.

O formato geral é o de família extensa, devido à proximidade de casas onde moram familiares. Todos habitavam terrenos familiares, ligados à origem quilombola do local.

O quadro acima está diretamente relacionado às mudanças no macrossistema econômico e social, envolvendo a perda do caráter rural do pedaço. As mulheres, tradicionalmente, ajudavam na roça e, posteriormente, trabalhavam na lavoura. Com a perda dessa possibilidade de obter recursos, o modo de vida familiar se altera substancialmente: a mulher é obrigada a procurar emprego, geralmente em casa de família, visto que o local está circundado por moradias de férias de classe média e alta, de São Paulo. Os homens se tornam jardineiros e pedreiros, com trabalhos menos permanentes que as mulheres.

O local adquire uma função de dormitório, mais do que de um vilarejo com vida própria, ligado à sua origem rural e quilombola, tendendo a se tornar uma periferia de periferia. No entanto, muito desta origem está presente na forma de um matriarcado e de uma presença masculina forte na condição de “defensor de território”. A perda do “poder” econômico paterno não parece atingir a “paternidade”, talvez pela ausência de um “patriarcado” na origem da formação familiar.

O aspecto “extenso” das famílias pode ser fonte de conflitos, inclusive por causa do adensamento que está, segundo os próprios moradores, “afavelando” o pedaço (Rabinovich & Gallo, 2005). Os filhos e netos constroem casas praticamente grudadas umas às outras e muitas famílias coabitam com parentes, nem sempre porque assim o desejam. Por outro lado, o fato de viverem em uma rede familiar extensa propicia vantagens oriundas desta proximidade, como a utilização de recursos materiais e relacionais.

Trata-se de famílias com organização interdependente, em que os conceitos e práticas parentais refletem uma prioridade a metas grupais, focalizadas em normas e deveres, que mantêm relações interpessoais baseadas em papéis e obrigações que enfatizam o relacionamento e a heteronomia. Esse modelo caracterizaria populações rurais tradicionais, com a economia baseada em subsistência (Keller, Borke & Yovsi, 2005); no entanto, pode-se observar o seu movimento em direção a modos mais independentes, com predomínio de metas individuais, direitos e necessidades pessoais e autonomia, mais característicos de meios urbanos em sociedades pós-industriais.

O conflito no modo de educar os filhos, presente em dois casais, reflete e indica essas mudanças em andamento. Em ambos, contudo, tal conflito levou ao isolamento e a uma retirada a um “privado” que está muito longe de sê-lo, devido ás condições materiais e concretas do modo de morar, conforme acima descrito, prejudicando, em algum nível e modo, o desenvolvimento das crianças.

Quanto ao envolvimento com projetos sociais:

A partir deste estudo, é possível propor três modelos de relacionamento entre a família e os projetos sociais. Faremos isto por meio de dois conceitos: o de enraizamento e o de apego ao lugar

O conceito de enraizamento se deve a Simone Weil (2001). Para Weil, “um ser humano tem raiz por sua participação real, ativa e natural na existência de uma coletividade que conserva vivos certos tesouros do passado e certos pressentimentos do futuro. Participação natural, ou seja, ocasionada automaticamente pelo lugar, nascimento, profissão, meio” (p. 43). Essa autora atribui o desenraizamento à condição social que torna a pessoa um “imigrante” no sentido de estar moralmente desenraizado. O desenraizamento atual tanto estaria ligado ao capitalismo e ao trabalho alienado quanto à conquista militar, ou seja, pela violência, entre outros motivos. Propõe a noção de “comunidade de destino” como uma concepção comum a respeito do destino em que “o futuro não nos dá nada: somos nós que, para o construir, devemos dar-lhe tudo, dar-lhe a nossa própria vida. Mas para dar é preciso possuir, e não possuímos outra vida, outra seiva, senão os tesouros herdados do passado e digeridos, assimilados, recriados por nós. De todas as necessidades da alma humana, não há nenhuma mais vital do que o passado” (p. 50). É nesse sentido de um envolvimento participativo real e verdadeiro no presente, por meio de uma relação não alienada com o passado, permitindo antever uma comunidade de destino, que estamos propondo o conceito de enraizamento e de seu antônimo, o desenraizamento.

O conceito de apego ao lugar pode ser definido como o sentimento em relação ao lugar e à comunidade que este ajuda a definir, o qual, por sua vez, é definido pela mesma comunidade - lar (família, parentes, amigos), local de trabalho (colegas), igreja (os outros devotos), vizinhança, cidade, país, continente – e contribui para definir nossa identidade, dar sentido à nossa vida, enriquecê-la com valores, metas e significados. Esse sentimento pode ter conseqüências negativas, como ocorre no caso de conflitos interétnicos, em que cada povo sente apego a um mesmo lugar. O apego ao lugar pode-se dizer que é um “sistema afetivo” importante, que às vezes ajuda e às vezes obstrui nosso equilíbrio, nosso bem-estar material e espiritual (Giuliani, 2004, p. 90).

Embora os dois conceitos possam ter elementos em comum, diferenciam-se pela imersão no tempo e no sentido de vida fornecido pelo enraizamento e não necessariamente presente no apego que simplesmente significa que a pessoa está ligada afetivamente ao local.

Partindo desses dois conceitos seguem-se apresentados e descritos os quatro modelos de família propostos em relação aos projetos sociais:

1-  Modelo de família desenraizada e desapegada: é aquele em que as instituições presentes – organização comunitária, projeto social, prefeitura: creche, escola, alimentação – fornecem a base material para que a família se estruture, mas não fornecem a orientação para a educação, que é fornecida apenas pela família a partir dela mesma. O desenraizamento familiar reforça os laços internos a ela, criando conflitos com o meio mais amplo, e com isto prejudica o desenvolvimento integral das crianças, por criar barreiras entre estas e a sua circunstância, impedindo o reforço dos vínculos sociais e de uma vivência que integre o presente ao passado e ao futuro.

2-  Modelo de família enraizada e apegada, o enraizamento permite à família organizar-se e ter um apoio não apenas familiar, mas também das instituições presentes, que fornecem o emprego e outras formas de auxílio. Essas fontes de auxílio, formais e informais, podem ajudar a obter uma reorganização no caso de um desequilíbrio do sistema. As crianças se desenvolvem em um contexto pleno de significado.

3-  Modelo de família enraizada e desapegada, no caso estudado, era a realidade de uma família com dificuldades de toda a ordem, cuja organização nenhuma das instituições presentes dava conta de possibilitar. O motivo aparente desta trajetória familiar se deve à sua história anterior, que, de algum modo, continua se repetindo no presente e impedindo que o enraizamento, cultural, social e territorial se manifeste como tal. Há uma procura de soluções baseadas em “desespero”, favorecendo o clientelismo e soluções não resilientes.

4-  Modelo de família apegada e desenraizada refere-se às famílias dos “de fora”, no caso, podendo estar há mais de 20 anos no local. Há uma clara divisão entre os “originais” e os “de fora”, embora não para estabelecer preconceitos ou diferenciações. Na verdade, pelo fato de a rede social coincidir em grande parte com a rede de parentesco, esses “de fora” ou se casaram ou virão a se casar com os “originais”, entrando na corrente social local. Do ponto de vista do apoio da rede de apoio social, ao chegar, são os que mais a ela se prestam e dela necessitam, mas permanecem, de certo modo, na periferia social, porque, como mencionado acima, é a inserção no tempo e no espaço que abre as portas para as demais inserções. Trata-se de famílias que estão em um processo de transição e de adaptação.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estudos anteriormente empreendidos pelas autoras levaram-nas a ter uma visão ampliada de família, vista como “matriz identitária de base relacional”, em que vários modelos podem ser identificados em sua relação com a referida matriz, na forma de uma rede informal. Concomitantemente, os mesmos estudos apontaram para a presença de projetos sociais, que passam a constituir parcela relevante da rede social de apoio à família, com um potencial para a disponibilização de novos equipamentos e recursos comunitários e/ou utilização dos já existentes.

O presente estudo aponta mais para uma análise baseada em elementos processuais, uma análise das famílias e de suas trajetórias em relação aos projetos sociais, do que para vantagens e desvantagens pré-fixadas. Pode-se supor, contudo, que certas situações favorecem ou predispõem certas soluções, porém de modo não determinista.

Foi possível observar que o modo de inserção – o enraizamento e o modo de apego ao lugar – dentro da trama familiar pode ser um indicador de sucesso ou de fracasso de empreitadas familiares, mas esta inserção é, por sua vez, conseqüência de histórias anteriores que sedimentam tais ou tais caminhos, sugerindo uma espiral em permanente incompletude.

Concluímos, quanto à ação dos projetos sociais, pela adoção de modos de relacionamento construídos a partir de um olhar que possa ampliar a história familiar para incluir a história da comunidade, pois, sem a recuperação do elo social unindo passado, presente e futuro, sempre se poderão colocar no passado quaisquer histórias, tornando a identidade e a identificação um mero jogo político de poder, sem dela retirar a força para construir um futuro. Nesta brecha, organizações não governamentais e organizações governamentais representarão “bengalas” e “atalhos”, e não um andar por um caminho construído por esse andar, na medida em que não colaborarem no sentido de “construir pontes” possíveis entre os significados inerentes ao passado histórico e à história atual. Ainda assim, o olhar do outro, que revela o potencial da própria comunidade, abre, no concreto de uma experiência de relação, novas possibilidades de desenvolvimento.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Elaine Pedreira Rabinovich.
SPPG-UCSAL, Av. Anita Garibaldi, 2981,Rio Vermelho,
CEP 41940-450, Salvador-BA.
E-mail: elainepr@clas.com.br

Recebido 29/08/2005
Aceito em29/09/2006

 

 

1 Apoio: CNPq.
2 Parte do estudo denominado “Contextos e trajetórias de desenvolvimento: a situação de famílias participantes e não participantes de projetos sociais”, coordenado por Bastos (2005), tendo Rabinovich como responsável por um dos estudos, conduzido no quilombo / bairro do Carmo. Apoio: CNPq.

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